sábado, 30 de março de 2013

GGOO BOLÃO F1 2013 - RESULTADOS DO GP MALÁSIA

RESULTADO OFICIAL DA CORRIDA:
Pole Position - VETTEL
Posição no Grid Aleatória (07º) - BUTTON
Volta mais rápida na corrida - PEREZ
01º colocado na corrida - VETTEL
02º colocado na corrida - WEBBER
03º colocado na corrida - HAMILTON
04º colocado na corrida - ROSBERG
05º colocado na corrida - MASSA
06º colocado na corrida - GROSJEAN
07º colocado na corrida - RAIKKONEN
08º colocado na corrida - HULKENBERG
09º colocado na corrida - PEREZ
10º colocado na corrida - VERGNE

PONTUAÇÃO NO BOLÃO:
+63 pontos - BUCÉFALO
+61 pontos - MARCELÃO
+51 pontos - FABRICIO DUTRA
+48 pontos - JOÃO FELICIANO | GILDO A.
+46 pontos - MILTON NEVES
+43 pontos - ANDRÉ PEREIRA
+41 pontos - RODRIGO CABRAL | RICARDO
+34 pontos - GUSTAVO LUZÓRIO
+33 pontos - SEVERIEN | CÁSSIO EDUARDO | RAFAEL FREITAS | A. ROQUE | DÉBORA LONGEN | NATÁLIA WENDY | LUISFH | DR. ROQUE | OSORIO FEC | S | ALVARO WANDERLEY | CARLOS MONTEIRO | CLEBER PAIXÃO | ANDERSON RANGEL
+31 pontos - ARTHUR A&B
+25 pontos - FABIO MAROTTI
+21 pontos - SANDRA TARALLO
+18 pontos - ÍTALO SANTOS
+16 pontos - STIK | IGOR DPN
+13 pontos - DIMAS CARVALHO
+12 pontos - NICOLAS 007
+10 pontos - NETO ROX | CRISTIANO FARIAS
+08 pontos - CÁSSIO LEÃO | ANDREY NEPERIANO | LUIZ CARLOS ZUIM | LUCAS NOGUEIRA | ADEMIR | DUFF | SÂNDERSON VEIGA
+00 pontos - GUILHERME ICEMAN | MARCUS LOPES | ANDRÉ DE ITU | MURILO MOURA
-10 pontos - FABRICIO | RUDSON | RUI LENHARI R10 | LUIZ ESTEVAM | ELMER SANTANA | MARCOS | KAKINHU | EGIDIO SILVA | SANDRA BARROS | RODRIGO PIOIO | ANDRÉ ROQUE | JOÃO GUILHERME

CLASSIFICAÇÃO GERAL:

quinta-feira, 28 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: GP IMOLA, 1986


NÃO SEI SE VOU OU SE FICO*

* Por Victor Martins


A polêmica na Malásia deixou Webber, como já se sabe, levemente alterado, a ponto de fazê-lo repensar a carreira e tudo mais. Agora, com a cabeça mais fria, tanto o australiano quanto seu pai marsupial já negaram que o piloto vá fazer outra coisa que não estar no carro da Red Bull daqui algumas semanas no circuito de Xangai.

Mas agora é a Red Bull que não quer saber de Webber, segundo o Bild. Bom, é o Bild quem está dizendo, então o negócio tem de ser visto com uma amplitude de ressalvas, mas o periódico alemão crava que o episódio foi a gota d’água para que a cúpula decidisse pela saída do segundo piloto depois do fim desta temporada. As fontes do Bild apontam para um “piloto jovem”.

Na escala da vida rubrotaurina, a tendência mais evidente é olhar ali para o pessoal da Toro Rosso, Ricciardo ou Vergne. Se bem que tem ali o excelente Félix da Costa, que ainda está verde para a F1. E se for olhar para fora do grupo, Hülkenberg seria a melhor opção sem pestanejar — tirando Mito, claro.

Mas é algo bom para se debater: quem seria o melhor companheiro de Vettel para 2014?

Rubens Barrichello é o novo contratado da empresa de Ronaldo


A 9ine, agência de marketing esportivo pertencente ao ex-atacante Ronaldo, anunciou nesta quarta-feira mais um atleta para seu portfólio: Rubens Barrichello, informa o site TERRA.

Rubinho é o 11º agenciado da empresa, na qual Ronaldo é sócio do empresário Marcus Buaiz. Da lista, 10 são atletas (apenas o cantor Luan Santana não atua no esporte), mas nenhum era do esporte a motor.

“O Rubinho representa muito para o automobilismo mundial. E para a 9ine é uma honra fazer parte dessa etapa de sua vida”, comentou Ronaldo, em comunicado na página da empresa no Facebook.

Rubinho, que contará com o auxílio da empresa para ações na área digital e de relações públicas, comemorou. “A 9ine chega num excelente momento, em que estou me dedicando a uma nova fase, a Stock Car e outros projetos que logo o mercado vai saber”, festejou o piloto.

A captação de patrocínios é o principal foco de atuação da 9ine. A agência cuida ainda das carreiras de Anderson Silva (MMA), André Akkari (pôquer), Bruninho (vôlei), Danilo Couto (surfe), Falcão (futsal), Leandro Damião, Lucas, Neymar (futebol) e Pedro Barros (skate), além de Luan Santana.


LOS MINI DRIVERS: 2013 Malaysian Grand Prix

Após chegar 70% perto de acordo, Schmidt deixa porta aberta para "grande piloto" Barrichello em 2014




Rubens Barrichello tem lugar no grid da Indy para a temporada 2014. Ao menos, esse é o desejo de Sam Schmidt, dono de uma das equipes mais promissoras da categoria. Barrichello e Schmidt negociaram por um bom tempo no ano passado em busca de um acordo para 2013, mas as conversas cessaram quando o piloto decidiu voltar ao Brasil para correr na Stock Car. A porta, no entanto, está aberta.

Em entrevista ao Grande Prêmio em São Petersburgo, na Flórida, Schmidt fez uma série de elogios ao piloto mais experiente da história da F1, e não culpou Rubens por desistir da Indy quando tudo estava “60% ou 70%” acertado.

“Eu acho que ele é ótimo para a Indy e seria ótimo tê-lo no nosso carro, mas não foi possível. Tentamos um acerto para a temporada toda, mas não conseguimos fechar os acordos na velocidade que precisávamos”, lamentou o dirigente, que definiu Barrichello como “um grande embaixador para o esporte e um grande piloto”.

Segundo Schmidt, quando Barrichello optou pela categoria brasileira, eles ainda não tinham o orçamento completo. “Então eu não o culpo, mas ainda quero trabalhar para tentar fazer algo no próximo ano”, revelou.

Perguntado sobre a possibilidade de o piloto disputar provas isoladas por seu time em 2013, Schmidt desconversou: “Neste ano, com as transmissões da F1 e a Stock Car, não vai haver tempo”, mas que para 2014 deixa "as portas abertas" para Barrichello.

Sem vaga na F1 após a temporada 2011, Barrichello voltou para o lado de cá do Oceano Atlântico e fechou de última hora com a KV para correr na Indy. Porém, a adaptação não foi tão fácil como se esperava e ele sequer terminou o campeonato entre os dez primeiros na tabela de pontuação. O melhor resultado foi um quarto lugar na etapa de Sonoma.

quarta-feira, 27 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: GP BRASIL, 1985


RELÍQUIAS NACIONAIS: MARCAS E PILOTOS, TARUMÃ/RS, 1989

Pílulas do Dia Seguinte*

* Por Fábio Seixas


Depois de tudo o que li e ouvi e debati sobre o GP da Malásia, vim para a Redação hoje pensando no que escreveria aqui. E a conclusão a que cheguei, enquanto dirigia por esse cenário lindo do Rio, foi a seguinte: “a que ponto chegamos…”;

Sim, a que ponto chegamos. Estamos há mais de 24 horas envolvidos numa polêmica que tem como ponto de origem o fato de um piloto ter ultrapassado o outro. Sim, a essência da F-1, do esporte, da competição. Não vou mais gastar dedo com digressões preventivas contra chatos. Da mesma forma, quero deixar claro que não estou defendendo 100% a atitude de Vettel. Minha opinião sobre o que ele fez está no post abaixo, em que o chamei de desleal. Sei também que a F-1 é também um esporte coletivo, que há interesses de patrocinadores, que o rádio funciona o tempo todo… Tudo o que já discutimos ontem e em situações passadas de interferência de equipes em resultados. Há mil fatores envolvidos. E aí que está o busílis: é tanta coisa envolvida que esquecemos o que ficou lá atrás, na origem: uma disputa de posição;

Deveria ser diferente? Com certeza. Alguns mais radicais sugeriram extinguir o rádio. Ok, até acho que ajudaria. Mas não eliminaria o problema. Basta a equipe combinar um código nas placas aos pilotos. “Olha, Webber, se a gente colocar os números em vermelho, é para você deixar o Vettel passar.” Simples. Não tem jeito, é uma questão de mentalidade. E, sejamos justos, nem toda equipe é assim: a McLaren não mete o bedelho nas disputas entre seus dois pilotos. É o melhor exemplo de que é possível sonhar com uma F-1 menos chata. Mas, repito, é uma questão de mentalidade. E mudar as convicções e condutas de pessoas ou organizações é das tarefas mais complicadas que há;

Segundo a “Autosport”, Webber estava tão furioso que cogitou não ir ao pódio. Ainda segundo o site da revista, Horner sentou com seus dois pilotos no domingo à noite para uma conversa. E marcou um novo papo com Vettel para os próximos dias, quando todos estarão com as cabeças mais frias. Não vai acontecer nada, claro;

Falando em ordens de equipe, frase de Rosberg após a prova: “É claro que foi duro, mas entendi o ponto de vista da equipe.” Pronto. Virou um Coulthard. Uma pena;

Sempre que algo assim acontece, lembro do GP da Austrália de 1998. Era a primeira prova daquela temporada, e a McLaren ressurgia das cinzas após anos difíceis. Hakkinen e Coulthard eram, até então, pilotos promissores, com status semelhantes no paddock. A equipe dominou a primeira fila do grid, com o finlandês na pole. Ocorre que, ao longo da prova, ele entrou nos boxes por engano e acabou ficando atrás do companheiro. A vitória caiu no colo de Coulthard. E poderia mudar os rumos de sua carreira: ele sairia da primeira prova do ano na liderança do campeonato, com punch para se impor na McLaren. Mas não. Ele resolveu respeitar um acordo de cavalheiros estabelecido nos testes de pré-temporada: quem fizesse a primeira curva de uma corrida na frente, mereceria a vitória. Coulthard abriu passagem para Hakkinen. Um gesto que foi decisivo para a carreira de ambos. O finlandês virou bicampeão mundial. O escocês ficou celebrizado como um bundão;

O troféu lambança do final de semana vai para a Ferrari. Alonso tocou em Vettel, ficou com a asa arrastando no asfalto, mas a equipe decidiu mantê-lo na pista. Não durou muito. Na segunda volta, o bico todo voou pelos ares, e o espanhol abandonou a prova, perdendo a chance de marcar pontos importantes no campeonato. “A decisão foi do pitwall. Fernando obviamente não está feliz”, disse Domenicali. E cada vez entendo menos como ele continua na direção da escuderia;

Falando em erro da Ferrari, Massa também considera que foi precipitada a decisão de entrar logo na quinta volta para colocar slicks. Como a pista ainda não estava totalmente seca, ele perdeu tempo e contato com os líderes. Resultado: largou em segundo, terminou em quinto. Duas corridas, dois resultados comprometidos por decisões do pitwall. Algo realmente não anda bem por lá;

A GP2 abriu sua temporada na Malásia com duas boas corridas. Leimer venceu a primeira, Coletti ganhou a segunda. Nasr conseguiu um quarto e um segundo lugares. Um bom começo para o brasileiro. Porque nem Coletti nem Leimer devem entrar efetivamente na luta pelo campeonato. E porque Calado, que deve ser seu rival pelo título, fez lambança e abandonou a segunda prova. Na tabela, Nasr é o terceiro colocado, com 24 pontos. Calado é o quarto, com 18;

Ainda sobre GP2, fiquem de olho num garoto chamado Mitch Evans. Ele é neozeolandês, tem 18 anos e, em 2012, foi campeão da GP3. Pois no final de semana de estreia na categoria, marcou pontos nas duas provas e tornou-se o mais jovem piloto a subir num pódio _foi terceiro colocado no domingo. Piloto bom é assim: chega chegando;

Na Indy, um erro de freada no final da prova custou a vitória a Castro Neves. Hinchcliffe venceu, mas o brasileiro da Penske deu pinta de que pode brigar pelo campeonato. Kanaan fez uma boa prova e terminou em quarto. Bia viveu um final de semana de problemas na sua volta à categoria e abandonou.

REPLAY: 2013 IZOD IndyCar series race at St Petersburg

Webber, Vettel, Horner, estão todos pisando em ovos.*

* Por Lívio Oricchio


Como o intervalo até a próxima etapa do campeonato, o GP da China, dia 14, é de três semanas, o melhor que os integrantes da Red Bull têm a fazer é discutir com maior profundidade o ocorrido domingo, na prova da Malásia, daqui a alguns dias. “Já conversamos, sob o calor da disputa, e teremos outra reunião antes da etapa de Xangai”, disse Christian Horner, diretor da Red Bull.

O jovem e capaz dirigente inglês referia-se a seu piloto Sebastian Vettel que, contra o que se imaginava dele, desobedeceu a ordem dada pelo próprio Horner, na 46.ª volta da corrida no circuito de Sepang, para não ultrapassar seu companheiro, Mark Webber, o líder, e vencer a competição.

O australiano tinha ritmo contido para reduzir os esforços do motor e manter os pneus Pirelli, concebidos para apresentarem rápida degradação, em condições até a bandeirada, dez voltas mais tarde. Atendia também o pedido de Horner.

Nesse conflito que envolve Vettel, Horner e até Webber, pela forma como o australiano reagiu no pódio, expondo o clima perigosamente tenso que existe dentro da organização, todos, na realidade, pisam em ovos.

Há vários interesses em jogo, por essa razão o mais provável é que antes da etapa da China a escuderia divulgue uma foto com os dois pilotos apertando as mãos, sob a chancela de Horner, para anunciar a paz. Mas que não será verdadeira.

Punir Vettel é algo que assusta Horner e seus dois superiores, Helmut Marko, eminência parda do grupo, e o dono da empresa, Dietrich Mateschitz. O motivo é um só: não há outro piloto do seu nível no mercado. Existe um consenso, hoje, que Vettel, Lewis Hamilton e Fernando Alonso são os supertalentos da Fórmula 1. Hamilton acabou de assinar com a Mercedes até o fim de 2015 e Alonso tem contrato com a Ferrari até o fim de 2016.

A Red Bull, tricampeã do mundo, dona do melhor carro, equipe do genial engenheiro Adrian Newey, teria de apostar em outro piloto, decisão de alto risco para quem investe 240 milhões de euros (quase R$ 700 milhões) por ano no seu projeto de Fórmula 1. A Red Bull, provavelmente, perderia parte importante de sua força.

A perda da Red Bull por “atingir” o ego de Vettel é imensa. Ficou claro domingo que o jovem alemão de 25 anos é susceptível, mais vaidoso do que parecia. As circunstâncias impõem prudência antes de definir uma eventual punição a Vettel.

O outro lado dessa moeda é o que Vettel pode fazer caso pense em deixar a Red Bull. E sua situação não é muito confortável, com se pode pensar de um piloto que vem de três títulos seguidos. O piloto da Red Bull já ouviu do presidente da Ferrari que ele e Alonso juntos está fora de questão, por mais que Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, tente influenciar o negócio.

Vettel também conhece a política da Mercedes. Agora que parece ter entrado no rumo certo para crescer, colocar Vettel ao lado de Hamilton seria um convite à desestabilização. Não haveria opção para o alemão senão iniciar um relacionamento com a McLaren, caso lhe passe pela cabeça mudar de ares.

Tem mais: seria trocar o certo, a quase garantia de lutar por vitórias na Red Bull, pelo incerto, com as subidas e descidas da McLaren. Por saber que o mercado está assim, o próprio Vettel tem consciência de que teria muito a perder caso tomasse a decisão de deixar a Red Bull.

Na hipótese bem pouco provável de Vettel se apresentar no mercado no fim de 2014, quando acaba seu contrato com a Red Bull, a McLaren faria de tudo para contratá-lo. Pagaria até mais do que negou a Hamilton para renovar. “Com todo avanço tecnológico, ainda a figura do piloto representa cerca de 50% da possibilidade de vitória de uma organização”, costuma afirmar Michael Schumacher. E muita gente na Fórmula 1 pensa dessa forma. Eu também.

Do lado de Webber o que está em jogo é o seu futuro no time e talvez até na Fórmula 1. Perto de completar 37 anos, tem de demonstrar este ano ser piloto com cacife para permanecer na Red Bull ou em outra equipe potencialmente vencedora, as que pagam seus pilotos para correr, como exigiria o australiano.

Seu desempenho na Malásia é um reflexo dessa necessidade. Desejar tornar as coisas mais duras, não atender a orientação de Horner, seria o caminho mais curto para não ter o contrato renovado e provavelmente ter de abandonar a Fórmula 1.

Esse quadro quer dizer, essencialmente, uma coisa: nessa história, ninguém pode radicalizar nas suas ambições. Tudo passa por uma solução de compromisso, que atenda, dentro do possível, o interesse de cada um.

terça-feira, 26 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: WILLIAMS TEST, 1983


Depois do dedo, a fechada*

* Rafael Lopes


E os protestos de Mark Webber não param de aparecer nas imagens da transmissão oficial do GP da Malásia de Fórmula 1. Após o flagra do dedo médio em riste do australiano, agora pintou um take da onboard de Sebastian Vettel após a bandeirada. Revoltado, o australiano já havia passado bem longe do muro dos boxes como protesto contra a RBR. Na volta, deu uma bela de uma fechada no companheiro de equipe. A revolta de Webber realmente foi grande. Justificada, eu diria, já que a equipe austríaca mandou seus dois pilotos reduzirem o ritmo de seus motores. Apenas Vettel não obedeceu. Ele fez a ultrapassagem sobre Webber com uma vantagem quase que desleal. Daí a enorme revolta do australiano. E a admissão do erro do alemão.


Na marca do pênalti*

* Por Luis Fernando Ramos



Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.

Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.

Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.

São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.

No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.

CRASH: ROBERT KUBICA - Rally Islas Canarias - El Corte Inglés 2013


Agora é com vocês, Red Bull*

* Julianne Cerasoli




“Vocês honestamente acham que ele devolveria a posição caso pedíssemos? Não fazia sentido. Ele deixou muito claro qual era sua intenção ao ultrapassar. Ele sabia qual era a comunicação e optou por ignorá-la. Ele colocou seu interesse acima da equipe. Focou nos sete pontos a mais – o que era errado. Ele aceitou que era errado.”

A declaração de Christian Horner foi o que mais me chamou a atenção no turbilhão de acontecimentos do GP da Malásia e dá a medida da real questão levantada pela atitude de Vettel: o alemão se colocou acima da Red Bull, e com plena consciência.

Segundo a dinâmica da Fórmula 1, pouco importa se seus campeões passam dos limites éticos para vencer. Afinal, trata-se de um mundo de competitividade extrema e sempre será difícil estabelecer a linha entre demonstrar vontade de vencer e fazer qualquer coisa para que isso aconteça. Na prática, a categoria sempre se promoveu em cima desses extremos – e com sucesso.

Igualmente, pouco importa que haja intervenções das equipes. Vociferar contra isso também me parece ingênuo. A F-1 é o que é por ser um campeonato de construtores, em que cada time faz seu carro. Essa obrigação a torna especial porque faz com que os carros sejam muito desenvolvidos e atrai os grandes profissionais do esporte. E isso inclui os pilotos. Porém, em determinados momentos, o interesse individual, alimentado pelo mundial de pilotos, vai entrar em conflito com o coletivo, da equipe. Não há nada que possa mudar isso, está intrínseco à razão de ser da F-1. E quando as ordens de equipe estiveram proibidas, de 2003 a 2010, na realidade a categoria só estava jogando a sujeira para debaixo do tapete. Há diversas formas de lidar com isso? Fato. Mas não dá para fugir de algo que te define.

A grande novidade desta situação é o claro recado de Vettel. Com três títulos na mão, o alemão se sentiu poderoso o bastante para colocar-se à frente da equipe com a qual conquistou seus triunfos. Deu seu recado e, com quatro anos de Red Bull e muitos outros de ‘firma’, deve saber onde está pisando. Ao que tudo indica, espera o mesmo que Webber previu logo na cerimônia do pódio: ser protegido.

O próprio fã número 1 de Vettel, Helmut Marko, admitiu que “a coisa saiu do controle”. A Red Bull tem em seu histórico uma série de atitudes conciliadoras quando a harmonia interna é quebrada. Vimos isso durante todo o ano de 2010, na Grã-Bretanha em 2011 e no GP do Brasil do ano passado (e, diga-se de passagem, por seu histórico, Webber talvez não tivesse sobrevivido em outro time não fosse pela, também, proteção de Mateschitz).

Será que, frente à recente insubordinação, a tônica vai mudar? O piloto jogou a batata assando para a mão de seus chefes, resta saber se eles vão aceitar que seu interesse se sobreponha ao time ou se o GP da Malásia será lembrado como o momento em que o casamento de Sebastian Vettel com a Red Bull começou a ruir. Estão abertas as apostas.

segunda-feira, 25 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: GP BRASIL, 1991


O DRAMA DE ALONSO! *

* Por Flávio Gomes



 Quando a chuva caiu antes da largada, a esperança era de um início de prova caótico. Mas acabou não sendo. As primeiras voltas com pista molhada serviram para pouco mais que dar trabalho aos mecânicos. Tirando Alonso, ninguém se deu mal no início. E Fernandinho não perdeu a asa por causa do asfalto escorregadio. Perdeu a asa porque cometeu um erro e a Ferrari, outro.

Aliás, a Ferrari…

Fico imaginando a situação. Largada boa, toque na traseira de Vettel, coisas que acontecem, rádio:

- Ragazzi, bati no Vettel.

- OK, Fernando, nós vimos, vamos avaliar a situação.

- Não precisa avaliar nada, quebrou a asa, vou para os boxes.

- OK, Fernando, nós vimos, mas estamos avaliando a situação.

- Ragazzi, a asa tá toda torta, raspando no chão, fazendo barulho e soltando faísca.

- OK, Fernando, estamos vendo as faíscas.

- Ragazzi, essas merdas de faíscas vão me queimar.

- OK, Fernando, já avaliamos a situação.

- Ótimo, ragazzi, estou indo para os boxes, paciência, a gente troca e vê o que faz depois.

- Não, Fernando, não precisa. Avaliamos as imagens e os dados aqui e concluímos que não precisa parar agora. Pode ficar na pista, a asa está boa.

- Como está boa? Tá soltando faísca, vai arrebentar essa merda toda!

- Fernando, caríssimo, confie na gente, temos um novo consultor argentino, ele que viu tudo pela TV e falou que você pode ficar mais um pouco na pista.

- Argentino?

- Francisco.

- Francisco?

- Ele mesmo.

- Carajo…

- Olha a boca, Fernando. Não fala assim, é pecado.

- Carajo, quebrou a asa.

- Tranquilo, estamos avaliando a situação.

- …

- Fernando?

- Sim?

- Já avaliamos a situação.

- E?

- Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia.

- Não voou seta nenhuma, quebrou a asa. Quem está falando?

- Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

- É pra voltar porque todo mundo vai abandonar, é isso? Quem está falando?

- Atolei-me em profundo lamaçal, onde não se pode firmar o pé; entrei na profundeza das
águas, onde a corrente me submerge.

- Não estou em lamaçal nenhum, estou na brita. E já parou de chover. Quem é que está falando?

- Francisco.

- Oh. Que honra, Meritíssimo.

- Não é “Meritíssimo”, é “Sua Santidade”.

- Perdón.

- Perdoado, meu filho. Agora preciso sair para tomar um café.

- Café, Excelência?

- Santidade. Sim, café, com um pão na chapa e requeijão. Aqui ainda é de manhã.

- E o que eu faço, Ilustríssimo?

- Santidade. Reze, meu filho.

- Mas e a asa? Sua Eminência não estava avaliando a situação?

- Santidade. É, estava. Mas não entendo muito disso, não. Achei que dava.

- Não deu.

- Eu vi.

- De todo modo, obrigado por sua ajuda, Alteza.

- É Santidade. Mas não se desespere. Desgraciado en el juego, afortunado en amores. Vá em paz.

- Amém.

GRID GIRLS: FORMULA 1 (GP MALÁSIA, 2013)



No vácuo das ordens de equipe*


O GP da Malásia é daqueles que terá desdobramentos. Não é difícil entender. Na Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, principalmente o tricampeão do mundo, vai ter de respeitar as ordens do diretor, Christian Horner.

Hoje as desobedeceu e criou um profundo desgaste à equipe e à marca que representa, diante da insatisfação pública de Webber ainda no pódio. Vettel agiu com egoísmo, o que surpreendeu muitos profissionais da Fórmula 1. Pensava-se que ele não seria capaz de desejar a vitória a qualquer custo, em detrimento do acertado previamente.

O que era para ser um momento de capitalização com o ótimo resultado da Red Bull, muito melhor do obtido na etapa de abertura do campeonato, na Austrália, acabou por se tornar um exercício de administrar crise. E como este ano o modelo RB9-Renault não pune o estilo de Webber e o australiano sabe que tem de se mostrar eficiente para permanecer na Fórmula 1 em 2014, vai correr como hoje, buscando a vitória com tenacidade.

Porém, dentro dos limites já existentes na organização e cujo cumprimento será cobrado com maior rigor, agora. Resta saber se casos de insubordinação, como o de Vettel, hoje, continuarão tendo a conivência do homem que mais manda na Red Bull, o austríaco Helmut Marko, ex-piloto de Fórmula 1 dos anos 70, amigo pessoal do dono da empresa e crítico contumaz de Webber.

Enquanto se preparavam para a cerimônia do pódio, a TV da sala de imprensa do circuito de Sepang mostrou Webber dizendo, bravo, em tom de lembrança a Vettel: “Multi 21”.

O fato de o alemão não acatar o código Multi 21 levou o australiano a reagir daquela forma, acusar o companheiro em pleno pódio. Provalmente o Multi 21 significa manter as posições. Agora que tudo foi exposto Webber se sente amparado pela opinião pública. Foi vítima.


Preparou o caminho, involuntariamente, para em algum momento ser compensado, pelo próprio Vettel ou o time. Como também receberá o mesmo tratamento Nico Rosberg, da Mercedes, outra vítima do jogo de equipe. Tudo, claro, se essa compensação não atingir os interesses das equipes.

Desde que as escuderias de Fórmula 1 passaram essencialmente a representar as empresas que as mantém com somas milionárias, uma organização não é campeã com investimento inferior a 240 milhões de euros (R$ 650 milhões) por ano, mudou o perfil do esporte. Os pilotos correm para atender os interesses desses investidores e depois os seus, daí as ordens de equipe. E não há volta nesse caminho.

“Desculpe, Webber, mas a vitória é minha”*

* Por Rodrigo Mattar



Mal começa mais uma temporada da Fórmula 1 e as polêmicas que vêm permeando a categoria máxima com alguma frequência nos últimos tempos aparecem mais cedo do que se imaginava ou esperava. A culpa, como aconteceu das outras vezes, é das equipes, que infelizmente querem desempenhar um papel muito maior do que os pilotos querem, devem ou podem fazer dentro da pista.

Tudo bem que as escuderias têm a sua importância na categoria, principalmente na parte política e na elaboração dos regulamentos técnicos. Mas os leitores e leitoras do blog hão de concordar que essa história de não poder haver disputa interna entre os pilotos de um mesmo time já deu o que tinha que dar.

Neste domingo de GP da Malásia, o clima ficou pesado em duas escuderias. A Mercedes, leia-se Ross Brawn, colocou Nico Rosberg na seguinte situação: “Fique atrás de Hamilton, na sua, quietinho, que os dois carros recebem a bandeirada.” O alemão, provando o quanto a atual geração de pilotos da Fórmula 1 é repleta de ‘coxinhas’, obedeceu e não partiu para dentro de Hamilton. O que Brawn fez neste domingo não foi muito diferente de nada do que fizera quando comandava a estratégia da Ferrari para favorecer Michael Schumacher em detrimento de Rubens Barrichello.

Hamilton mereceu a 3ª posição porque fez uma ótima corrida e teve méritos para conquistar o resultado. Mas será que Rosberg, em condições normais de temperatura e pressão, não teria chances de superá-lo? Pergunta que, pelo visto, não será respondida. E para provar que a atitude de Ross Brawn não foi das mais corretas, Niki Lauda queixou-se publicamente, querendo que houvesse competição entre os dois pilotos dos carros prateados – o que, no meu ver, seria o mais justo e o ideal.

Só que não existe justiça e o mundo ideal no automobilismo.

E na Red Bull hein? O que dizer do que aconteceu no time do touro vermelho, que sempre bateu no peito para dizer que ‘os pilotos lutam pela vitória em pé de igualdade’. Conversa das mais fiadas, porque Sebastian Vettel desobedeceu uma ordem via rádio, que determinara que desta vez a vitória deveria ser de Mark Webber. Houve briga, por duas voltas, entre os carros #1 e #2 pela liderança, desesperando toda a cúpula do time – leia-se Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey. A situação pesou quando Vettel passou por cima da tal ordem e superou o australiano para vencer a corrida, num revival do famoso entrevero entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi na Ferrari, no distantíssimo ano de 1982.


Como consequência do clima belicoso, o video acima mostra Webber, num gesto nada sutil, mostrando o dedo médio para Vettel e externando o seu descontentamento, mantido  com sua cara de desaprovação no pódio e suas declarações após a corrida, descendo a lenha no companheiro de equipe – e na Red Bull, também.

“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final”, explicou. “Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim”, continuou.

“No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”, disparou. “Eu tirei o pé e comecei a cuidar dos pneus, e aí a disputa começou”, lembrou. “Fiquei decepcionado com o resultado da corrida de hoje”, finalizou o australiano.

Sem ter muito o que dizer a respeito de sua atitude, que lhe valeu a 27ª vitória na Fórmula 1, igualando outro tricampeão, o escocês Jackie Stewart, Vettel não teve outra saída a não ser pedir “desculpas” a Webber pela ultrapassagem e pela vitória. “Devia ter me comportado melhor”, admitiu o alemão. Concordo: em vez de ficar de ‘mimimi’ no rádio, como fez num determinado momento da corrida, que tentasse superá-lo no braço, como de fato o fez. Mas que não se arrependa de suas atitudes.

Chega a ser, no mínimo, uma ironia que um piloto que tem três campeonatos nas costas e outro nenhum, que ele chegue ao ponto de se desculpar por uma vitória que, no fim das contas, ele desejou e conquistou. No fundo, Vettel não quis se sentir 100% culpado de tudo – e nem é. Repito: a culpa é toda da Red Bull, como no passado já foi de outras equipes que tomaram atitudes semelhantes, tornando o clima pesado entre os pilotos. Desnecessário enumerar tais ocorrências, porque a própria história da Fórmula 1 nos mostrou quais foram os casos e os pilotos que pagaram caro com estas atitudes.

E assim, a categoria máxima vai se distanciando dos seus fãs. Que sujeito, em sã consciência, vai trocar algumas horas de sono reconfortante por uma corrida onde um vencedor, para posar de santo, se “desculpa” porque venceu? Desde quando é errado ganhar? Não faz parte deste esporte? Um vencedor, vinte e tantos perdedores? Ah… tenha santa paciência!

Vettel não precisava disso e a Fórmula 1 também não. Perde o tricampeão, perde a categoria, perde o esporte.

Daqui a pouco, serão os torcedores que vão dar uma de Mark Webber e mostrar o dedo aos pilotos e equipes, porque se existe o desrespeito ao público, ele poderá um dia correr o sério risco de ser recíproco e a audiência virar as costas para as corridas da categoria.

Se é que já não virou…

sexta-feira, 22 de março de 2013

AO VIVO: FÓRMULA 1 - GP DA MALÁSIA 2013 (TREINOS E CORRIDA)


*** PRÓXIMAS TRANSMISSÕES AO VIVO ***
TREINO LIVRE 1 - 21/03/2013 (quinta-feira), 23:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 2 - 22/03/2013 (sexta-feira), 03:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 3 - 23/03/2013 (sábado), 02:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO - 23/03/2013 (sábado), 05:00h (horário de Brasília)
CORRIDA - 24/03/2013 (domingo), 05:00h (horário de Brasília)

ACOMPANHE A CRONOMETRAGEM OFICIAL, AO VIVO. CLIQUE AQUI!

SENNA ESPECIAL: GP BRASIL, 1984


Reginaldo com Barrichello*

* Por Victor Martins


Mudança recém-saída do forno na escalação da Globo, e como a grande maioria desejava — ao menos pelos comentários da notícia anterior —, Reginaldo Leme não vai mais revezar o posto de comentarista das transmissões da F1 com Rubens Barrichello. Os dois estarão juntos — pelo menos uma etapa.

A estreia de Barrichello como comentarista e repórter do grid (pit walk nos 20 minutos antes da largada das corridas) acontece na quarta etapa do campeonato, o GP do Bahrein. O veterano jornalista vai dividir o microfone com o decano da F1, que estarão sob a batuta de Galvão Bueno.

A direção esportiva verificou, numa análise nem tão profunda, que a dupla ‘Regi-Rubinho’ é mais carismática do que a anterior, feita entre pilotos. Neste cenário, assim, sobra para Luciano Burti, que não vai a Sakhir.

Alonso, 200 GPs de brilhantismo e contestação*

* Por Lívio Oricchio


O piloto mais completo em atividade na Fórmula 1, duas vezes campeão do mundo, Fernando Alonso, da Ferrari, está disputando no circuito de Sepang, na Malásia, sua 200.ª corrida na competição. Na próxima madrugada, a partir das 5 horas, horário de Brasília, 16 horas em Kuala Lumpur, esse asturiano de Oviedo, 31 anos, vai lutar pela pole position.

É o que se pode depreender das suas declarações nos últimos dias: “Não vejo razão para não sermos competitivos aqui. Penso até que a Ferrari deverá brigar pela vitória mais de perto”, afirmou referindo-se ao GP da Austrália, realizado domingo, quando ficou em segundo, 12 segundos atrás do vencedor, Kimi Raikkonen, da Lotus.

Não é sempre que um piloto de Fórmula 1 celebra a impressionante marca de participar de 200 provas. Apenas 11 em 63 anos de história do Mundial conseguiram. O primeiro da lista é Rubens Barrichello, com 325 Gps, seguido por Michael Schumacher, 308. “É uma grande alegria e me sinto orgulhoso dessa marca, nunca sonhei chegar a Fórmula 1 e atingir 200 Gps. Espero passar Michael Schumacher em pontos, vitórias, poles”, disse o espanhol.

Por mais competência que tenha, será difícil superar o alemão sete vezes campeão do mundo até o fim do contrato com a Ferrari, no término da temporada de 2016. Schumacher tem sete títulos, 91 vitórias diante de 30 de Alonso e 68 poles contra 22. O critério de pontos mudou, por isso a comparação não faz sentido. “Ao me retirar, vou olhar os números que consegui e me sentir orgulhoso.”

A inspiração para Alonso tornar-se piloto de Fórmula 1 vem do ídolo na infância, Ayrton Senna. “Quando eu tinha 6 ou 7 anos, a imagem que tinha da Fórmula 1 era das lutas entre Senna e Prost. Senna ganhava um pouco mais”, lembra o espanhol. Ontem Senna faria 53 anos de idade e solicitaram a Alonso comentar o fato: “Senna era o piloto que me fazia sonhar com a Fórmula 1 quando pequeno, quem eu seguia mais de perto”.

Assim como acontece com Schumacher, a maioria dos profissionais da Fórmula 1 ao comentar sobre Alonso sempre faz uma ressalva. Com relação ao alemão, com todo seu brilhantismo, muitos dizem que praticava os fins justificam os meios. Por isso jogou Damon Hill para fora da pista para ficar com o seu primeiro título, em 1994, na Austrália, e tentou fazer o mesmo com Jacques Villeneuve, em 1997, para quebrar a série de 17 anos sem a Ferrari vencer o Mundial, em Jerez de la Frontera, na Espanha.

Alonso tem fama de precisar de a equipe gravitar ao seu redor para produzir o que é capaz. E é muito. Tricampeões do mundo como Jackie Stewart, Niki Lauda e Nelson Piquet não hesitam em colocar Alonso dentre os maiores da história. “Mas desde que ele seja o centro das atenções e seu companheiro de equipe não o desafie”, afirma Stewart. No ano passado, uma eleição entre pilotos, técnicos e dirigentes da Fórmula 1 o elegeu como “o melhor piloto de 2012”, mesmo sem ter sido campeão. “Ninguém hoje seria capaz de levar um carro como o que a Ferrari começou o ano a quase vencer o Mundial a não ser Alonso”, afirma Lauda.

Ontem, no circuito de Sepang, uma resposta a uma pergunta despretensiosa revelou melhor esse outro lado de Alonso, o de sentir-se superior à concorrência. O jornalista espanhol lhe questiona quais os adversários que mais apreciou nas 11 temporadas que disputou: “Os que dispunham do melhor carro”. Schumacher e Kimi Raikkonen, pela Ferrari, Lewis Hamilton, McLaren, e Sebastian Vettel, Red Bull, são pilotos que o venceram na luta pelo campeonato. E, segundo Alonso, o fizeram apenas por causa do equipamento mais eficiente.

Pois em Sepang na definição do grid, logo mais na madrugada, ou ao longo da corrida, amanhã, às 5 horas de Brasília, 16 horas em Kuala Lumpur, esse piloto excepcional enfrentará, quer queira ou não, adversários bem preparados e capazes de estabelecer a pole position ou ganhar a corrida. Raikkonen, na ascendente Lotus e o tricampeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull, são alguns exemplos.


Coincidência demais*

* Por Fábio Seixas


Aconteceu nos três últimos treinos classificatórios da F-1: Massa à frente de Alonso. Aconteceu nas três últimas bandeiradas da F-1: Alonso à frente de Massa.

Em Austin, a alegria do brasileiro não durou até a largada: a Ferrari quebrou o lacre da caixa de câmbio e ele perdeu cinco postos no grid. Alonso ganhou uma posição, o lado limpo da pista e ficou em terceiro –o companheiro, em quarto.

Em Interlagos, a ordem pelo rádio veio a nove voltas do fim, com Massa abrindo passagem para o espanhol, que estava na disputa pelo título. O favor poderia ter sido devolvido no final do GP, quando a vaca ferrarista já tinha atolado no brejo. Mas não. No pódio, Alonso estava em segundo, com o parceiro logo a seguir, no degrau abaixo.

Este 2013 começou igual. O brasileiro ficou em quarto no grid, exatamente à frente do bicampeão. Na 20ª volta, Alonso entrou nos boxes para o segundo pit stop. A reação do pitwall de Massa demorou estranhas três voltas. Na linha de chegada, o espanhol foi o segundo, com o colega de equipe em quarto.

Massa jura que desta vez não houve inversão deliberada e que Alonso apenas colheu os frutos de uma estratégia arriscada.

Este colunista acha que, se qualquer outro rival tivesse entrado nos boxes àquela altura da prova, a turma de Massa no pitwall teria respondido na volta seguinte. É algo básico, elementar, o velho jogo de marcar os movimentos do rival. Mas, aí, as posições seriam mantidas…

Há, ainda, a questão contratual. Não pega bem, para alguém que busca a renovação de contrato, apontar o dedo para a equipe logo na primeira corrida da temporada.

Antes que falem em “pachequismo” da coluna, o aviso de que a sensação ultrapassa fronteiras.

Jornalista da “Autosport” e da Sky Sports, o inglês Mark Hughes escreveu ontem que a volta de Massa à boa forma pode se tornar um problema para a equipe: “Vai ser interessante acompanhar como a Ferrari e Alonso lidarão com o renascimento de Massa”. A italiana “Gazetta dello Sport” trouxe uma frase de Montezemolo, o capo de Maranello: “Estou satisfeito com o comportamento de Massa”.

Não é coincidência. Também não é patriotada, até porque não há lamentação. É apenas constatação baseada em números e um toque para aqueles que ainda torcem pelo Brasil na F-1: curtam a categoria por sua tecnologia, pelas duelos na pista, pela disputa do título, pela talentosa geração que lá está.

Esqueçam a bandeira.

F-INDY: VOLTA VIRTUAL - GP ST. PETERSBURG 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: Ayrton Senna's World Drivers Championship's

Nasr começa na Malásia sua trajetória final para chegar à F-1*

* Por Lívio Oricchio

O início de temporada de Felipe Massa, domingo, na Austrália, foi promissor. O campeonato mal começou e Massa já deixou no ar a sensação de que pode disputar belo Mundial, o que praticamente o garantiria na equipe Ferrari ou num bom time da Fórmula 1 também em 2014. Seu desafio, no entanto, é grande.


No caso de as coisas tomarem outro rumo, sempre possível, o Brasil tem um único piloto em condições de chegar à Fórmula 1 no ano que vem. É o jovem talentoso Felipe Nasr, de 20 anos. No próximo fim de semana, no mesmo circuito onde a Fórmula 1 se apresentará, Sepang, na Malásia, esse brasiliense nascido numa família de automobilistas inicia sua segunda temporada na GP2, a categoria que quase sempre garante ao campeão uma vaga na Fórmula 1.

Sua preparação para começar em condições de lutar pela vitória foi a melhor possível, disse nessa entrevista exclusiva ao Estado. “Tudo tem se encaixado muito bem. Vou correr com a equipe com a qual fui campeão na Fórmula 3 Britânica (2011), conheço o Trevor Carlin (dono da escuderia Carlin), tenho relacionamento muito bom com todos no grupo.” Em 2012, no seu ano de estreia na GP2, pela escuderia francesa DAMS, Nasr enfrentou sérias dificuldades.



“Eu era estreante e eles tinham sido campeões da GP2 no ano anterior com o Roman Grosjean (hoje na Lotus). Simplesmente não me ouviam, achavam que por ser novato tinha de aceitar tudo o que eles me entregavam.” Este ano, com os ingleses da Carlin, o trabalho está fluindo de outra maneira. “Estive sempre dentre os três mais rápidos nos testes, na pista seca ou no molhado.”

Os concorrentes, porém, são capazes, como o próprio companheiro de Carlin, o inglês Jolyon Palmer, o sueco Marcus Ericsson, da DAMS, e o inglês James Calado, da Lotus. Em 2102 Nasr terminou em décimo, com quatro pódios, enquanto o parceiro na DAMS, o italiano Davide Valsecchi, no quinto ano na categoria, venceu o campeonato. Este ano, contudo, Valsecchi, aos 26 anos, está pagando 2 milhões de euros apenas para ser piloto reserva da Lotus.

Nasr afirmou que vai começar a temporada com muita autoconfiança, o que não foi o caso de 2012. “Este ano os pneus mudaram e junto com os engenheiros da Carlin realizamos um bom acerto básico do carro para eles.” A Pirelli é fornecedora exclusiva da Fórmula 1, da GP2 e GP3. Sua filosofia é fazer os pneus da GP2 terem, agora, maior similaridade com os da Fórmula 1, ou seja, vida útil menor do normal, para tornar a competição menos previsível.

“Meu plano é simples. Fiz duas temporadas na Fórmula 3 Britânica, fui campeão, este é o meu segundo ano na GP2, quero e tenho condições de lutar pelo título, e no ano que vem, tudo dando certo, a Fórmula 1”, explica Nasr. Alerta para o fato de que nesta temporada, em especial, diante das características dos novos pneus Pirelli, a regularidade vai ser o mais importante na GP2, como quem diz que poderá, por vezes, evitar ultrapassagens de alto risco para privilegiar concluir a prova. “A consistência fará toda diferença este ano.” E esse é um dos seus pontos fortes.

Pensar na Fórmula 1, agora, diz Nasr, seria perder o foco na GP2, passo essencial para em 2014 realizar seu sonho de competir na Fórmula 1. “Tenho de pensar corrida a corrida na GP2. Qualquer coisa ao contrário vai me atrapalhar dos dois lados, obter sucesso na GP2 e, como consequência, dificultar minha entrada na Fórmula 1.”

Mas se os resultados forem os esperados, em razão do seu talento, da maior experiência e da forma de trabalho da Carlin, a hora para estrear na Fórmula 1 será perfeita, segundo Nasr. “Haverá uma mudança conceitual na Fórmula 1 em 2014, com o motor turbo e as restrições aerodinâmicas”, explica.

“Quem já está lá terá de reestudar como pilotar, acertar o carro, os desafios são imensos”, diz. “Pois eu começaria pegando todos nessa transição. Para mim tudo é novidade, vou aprender o que me será apresentado, sem saber como era. Para eles não, vão ter de se adaptar a nova realidade.”

Mas antes disso precisa comprovar aos chefes de equipe da Fórmula 1 possuir o talento que Trevor Carlin, por exemplo, já conhece. Só o dinheiro dos patrocinadores e a ajuda da Globo, apesar de imprescindíveis, não garante nada. No ano passado alguns pilotos com capacidade e tendo investidores ficaram de fora, como Bruno Senna.

Portanto, já amanhã, sexta-feira, Nasr tem de começar acelerando bem no primeiro treino livre da GP2 no autódromo de Sepang. O piloto jura não ter conversado ainda com nenhum diretor de escuderia da Fórmula 1. Pouco provável que seja verdade. Esses encontros fazem parte do processo de aproximação recíproca.

COLUNA DO ROQUE: AYRTON SENNA...DO BRASIL!

Ele faria aniversário hoje, se não fosse aquela barra de direção naquele fatídico dia 01/05/1994, Ayrton Senna completaria 53 anos. Perdemos um grande esportista e, junto, um dos maiores pilotos de Fórmula 1 de todos os tempos.

Ele foi capaz de nos fazer levantar pontualmente às 8:30h de cada domingo de corrida para ouvir as notícias da rádio, saber os tempos do warm up (sim, naquela época existia treino no domingo), tomar um café (ou um achocolatado) e correr para frente da TV, já no top dos 5 segundos, para em seguida geralmente ouvir..."Bem amigos da rede Globo..."

Pude acompanhar seus 10 anos de Fórmula 1, principalmente de 1988 até 1994, quando entendia mais do assunto, pesquisava, lia as colunas e reportagens nos jornais (não havia internet naquela época). Foi justamente nesta época em que ele mais brilhou. Desde que começaram a passar os treinos de sábado no Brasil, em 1990 (antes havia um programa noturno na TV chamado Sinal Verde, que passava o resultado dos treinos), logo percebemos uma característica principal em Ayrton, a busca desenfreada pela pole. Sabíamos que ela viria quando, na câmera onboard do seu carro, o característico capacete amarelo aparecia cheio na tela enquanto ele fazia as curvas dos circuitos do mundo.


Sair na frente era uma grande vantagem, mas os pilotos ainda precisavam cuidar de seus carros em uma época em que a tecnologia embarcada era pouca e os carros quebravam demais. Sempre buscar e ultrapassar os seus limites, mesmo estando a mais de 50 segundos (!) na frente do segundo colocado (e companheiro de equipe), fazia com que ele assombrasse o mundo da velocidade.

Suas vitórias, algumas delas épicas, deixam saudades até hoje. Como não chorar revendo o GP Brasil de 1991, o GP do Japão de 1988 e não rir de orelha a orelha vendo o GP da Europa de 1993. Como não torcer junto para Mansell não ultrapassá-lo, no GP de Mônaco de 1992. Como não ter certeza de vitória, quando o dia amanhecia chuvoso e ele estava na pole...

Isso é Ayrton. O Senna que nos dava alegria, numa época em que patinávamos economicamente, entre inflação, novos presidentes, eleições, corrupção, planos econômicos, remarcações de preço e muito mais. O Senna que nos alegrava e que nos faz lembrá-lo a cada conversa entre os amigos da GGOO.

Esse foi o Ayrton Senna...do Brasil, da GGOO e de todos os brasileiros e torcedores que viam nele a essência da velocidade.


GILLETTE NA MCLAREN?*

* Por Fernando Silva


Esse é o rumor da vez no paddock da F1. A Gillette, marca de propriedade da gigante norte-americana Procter & Gamble e ligada a Bruno Senna, pode, segundo a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, ser a principal patrocinadora da McLaren a partir da próxima temporada. O time de Woking perderá a Vodafone no fim do ano e procura um investidor de peso para permanecer entre as equipes de ponta da F1.

A Gillette, claro, não é a primeira empresa que aparece ligada à McLaren a partir do ano que vem. O principal rumor aponta para a Telmex, gigante mexicana das telecomunicações, comandada pelo bilionário Carlos Slim, como substituta da Vodafone, que opera no mesmo ramo de atividade, só que na Europa. E, ainda por cima, haveria outro interesse, já que seu pupilo Sergio ‘Checo’ Pérez agora está no time britânico. Torcida, pelo menos da parte de Pérez, não falta.

Nesta fase, já li rumores apontando a Emirates Airlines e também a Coca Cola à McLaren. A primeira empresa já estampou sua marca nos carros cromados de Woking em um passado não muito distante. Já a Coca Cola atualmente patrocina a Lotus por meio da marca de bebidas energéticas Burn.

Voltemos à Gillette. Essa especulação remete, obviamente, a Bruno Senna, piloto que contou com o apoio da empresa principalmente nos seus dois últimos anos de F1, quando correu pela Renault e pela Williams. O primeiro-sobrinho foi sacado do grid e agora tem um novo foco na vida, já que se prepara, junto com a Aston Martin, para disputar o Mundial de Endurance nesta temporada.

Só que Bruno permanece no WEC com o patrocínio da Gillette, que bancou a maior parte do seu orçamento na Williams no ano passado. Não é difícil imaginar numa possibilidade de Senna vestir o macacão da McLaren, ainda que como piloto reserva, caso a equipe tenha, de fato, o patrocínio da P&G. Vai depender mesmo de Bruno ter o interesse em deixar o endurance para ocupar o posto de reserva e piloto de testes — que quase não testa — na McLaren.

Mas nunca é demais lembrar que Senna + McLaren, do ponto de vista do marketing, é algo muito forte a ser explorado. Indo além, existe também outro rumor — que ganha muita força a cada dia — ligando a Honda à McLaren. Assim, a combinação Senna + McLaren + Honda hoje é ainda mais forte, quase explosiva.

Sinceramente, acho bem difícil que tal situação se torne realidade, ainda que aconteça a união McLaren-Gillette. Bruno, convenhamos, foi apenas mediano na F1 e tem diante de si um horizonte muito mais interessante no endurance, que vem crescendo a passos largos. E outra: a McLaren vem investindo muito em jovens talentos, um em especial: Kevin Magnussen. E o padrão de exigência da equipe em termos de pilotos é muito maior do que é hoje na Williams, por exemplo.

Rumores são rumores. Mas nesse mundo da F1, tudo pode acontecer.

AS CORRIDAS DE CAMPINAS*

* Por Victor Martins


Não sei se o pessoal de Campinas ainda conserva a essência do ‘R’ puxado, aquela caipirice, no bom sentido, do interior ou se já está adaptada ao mundo da megalópole-mãe do estado, mas o que importa é que a cidade ainda está longe de se tornar um polo de recepção de corridas.

Deu ontem no ‘G1′ que o município do presidente da GGOO pretende receber a Stock Car e a Indy em um futuro próximo. Mas a realidade é que “nada do que foi aventado — por telefone e de maneira muito sucinta — permite vislumbrar desdobramentos futuros”. E considerando que ”há sempre consultas por parte de cidades querendo atrair” a categoria americana, conclui-se que, por ora, a ideia está apenas na gaveta.

Porto Alegre, anos atrás, fez um esforço tremendo para levar a Indy para aquelas terras e não conseguiu. O mesmo aconteceu com Ribeirão Preto, terra da cana que dá origem ao etanol usado nos carros ítalo-americanos (made by Dallara), e também falhou. Campinas precisaria de um atrativo muito valio$o para mudar essa história.

F1: VOLTA VIRTUAL - GP DA MALÁSIA 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

SENNA ESPECIAL: GP CANADÁ, 1989

LOS MINI DRIVERS: 2013 Australian Grand Prix

RELÍQUIAS NACIONAIS: MARCAS E PILOTOS, JACAREPAGUÁ/RJ, 1989

Acerto que privilegie classificação e corrida, o segredo este ano*

* Por Lívio Oricchio


Os treinos livres, a classificação e a corrida de Melbourne começaram a expor várias verdades da Fórmula 1, na 64.ª temporada da sua história, embora não de forma definitiva. Por exemplo: encontrar o acerto do carro capaz de desfrutar o melhor dos novos pneus Pirelli é o principal desafio que está em jogo nessa fase inicial do campeonato. E esses acertos são bastante específicos e decisivos.

A Red Bull estabeleceu com Sebastian Vettel, ontem de manhã, a pole position do GP da Austrália com tanta facilidade que, junto da ótima impressão deixada já nos treinos livres de sexta-feira, fez muita gente acreditar que dominaria a corrida, programada para apenas cinco horas depois da definição do grid. A classificação foi disputada domingo de manhã por causa da chuva intensa no sábado.

Mas o que assistimos na prova foi Vettel recorrer a todo seu talento para acabar na terceira colocação, distante do vencedor, o ótimo Kimi Raikkonen, do equilibrado modelo E21-Renault da Lotus. Vale lembrar que Vettel e todos os demais foram para a largada com o mesmo acerto usado na classificação, pois o regulamento não permite mudanças. Depois da definição do grid os monopostos ficam em regime de parque fechado. Não é possível alterar as regulagens.

Com a Lotus ocorreu o contrário da Red Bull. Raikkonen não tinha um carro muito acertado para a definição do grid, haja vista que foi sétimo, 1 segundo e 331 milésimos atrás de Vettel, uma eternidade para os padrões da Fórmula 1. Mas o mesmo acerto da classificação foi um dos maiores responsáveis por vencer com uma vantagem de 22 segundos e 346 milésimos para Vettel.

Por quê? Principalmente por causa da forma regular e constante como explorou as potencialidades dos novos pneus Pirelli, a ponto de fazer uma parada a menos dos concorrentes e a melhor volta a duas da bandeirada, quando quase todos tinham os pneus já bem desgastados, menos os seus, o que chamou a atenção da Fórmula 1.

Essa realidade técnica da Fórmula 1 atual sugere que já no próximo fim de semana poderemos ter panorama distinto, senão oposto do evidenciado no circuito Albert Park. Parece que vai demorar um pouco para ser possível estabelecer algum tipo de lógica entre o que assistimos num GP e o que podemos projetar para a etapa seguinte. Mais: entre uma classificação e a corrida já no dia seguinte.

Enquanto na Austrália os pilotos receberam os pneus médios e os supermacios, no GP da Malásia, sempre sob temperaturas muito elevadas, a Pirelli levará os mesmos médios e agora os duros.

Já ficou claro para os pilotos e os engenheiros que o que lhes está sendo cobrado é descobrir um acerto que faça seu carro ser medianamente eficiente na classificação e na corrida. Um acerto que privilegie demais a definição do grid não funciona, como a Red Bull demonstrou. Já uma má classificação como o da Lotus, ainda que inconveniente, traz menos prejuízos.

Mas se a pista for daquelas onde é muito difícil ultrapassar, a exemplo do Circuito da Catalunha, em Barcelona, Mônaco, Nurburgring, e Budapeste, dentre outros, o mau desempenho na tomada de tempos não deverá permitir ascender na corrida como Raikkonen ontem, que pulou de sétimo para primeiro. Mas já não era assim na Fórmula 1? Sim, desde que impuseram o regime de parque fechado. Ocorre que agora, diante das características dos novos pneus Pirelli, esse desafio ganhou dimensão ainda maior. Ficou comprovado com números em Melbourne.

Na classificação, em Melbourne, Red Bull, Ferrari e Mercedes foram as mais rápidas. A Lotus ficou distante. Na corrida, repito: apenas 5 horas depois do fim da definição do grid, não é exagero dizer que a Lotus quase passeou na pista. Raikkonen tinha reserva de performance enquanto Alonso, Vettel, Massa, Hamilton, Webber, classificados na sequência, lutavam para perder pouco ritmo.

Será interessante acompanhar a resposta que cada grupo de engenheiros vai desenvolver para afrontar esse exercício que, pelo comprovado no GP da Austrália, será o que vai definir o vencedor da etapa no bem mais exigente circuito de Sepang, na Malásia.

F-INDY: EQUIPES E PILOTOS 2013

Helio Castroneves, Toky Kanaan e Bia Figueiredo estão os 25 pilotos que iniciam a temporada 2013 da Fórmula Indy no próximo domingo (24/03). Confira as equipes e cores dos carros que vão acelerar pelas ruas de St. Petersburg.:

DTM e mestre Edgard Mello Fº (1995)*

* Por Rodrigo Mattar


Dica do Renato Paes via twitter, que não posso deixar passar em branco: eu felizmente sou da época em que o automobilismo tinha muito espaço na TV aberta nos anos 90. A saudosa Rede Manchete teve, entre 94/95, um programa chamado “A Grande Jogada”, uma espécie de Show do Esporte deles, onde o esporte a motor era um dos carros-chefe da atração.

E entre as categorias que passavam no extinto canal estava o DTM, na época chamado de Deutsche Tourenwagen Meisterschaft. As corridas – quase todas sensacionais – com Mercedes, Opel, Alfa Romeo e até algumas BMW E36 e uns Mustangs que frequentavam a rabeira – tinham narração de Edgard Mello Fº.

Narração, uma ova! Narração e aulas contínuas de automobilismo dadas por quem entendia do riscado (porque esteve lá: Edgard foi campeão brasileiro de Divisão 3 em 1974 derrotando com um Opala da equipe Itacolomy-Safra o lendário Maverick de 500 HP da Hollywood preparado por Oreste Berta, além de faturar o título da Divisão 1, também com Opala, em 77 ou 78, não estou certo do ano). E com tiradas que faziam o mais incauto dos telespectadores morrer de dar risada.

As transmissões do Edgard eram uma delícia de se ouvir e acompanhar porque, além do vasto conhecimento e do ótimo humor, iam direto ao ponto do que a gente queria saber. E o DTM era um senhor campeonato.

Para relembrar, escolhi a etapa de Avus/Berlim da temporada de 1995. Preparem-se para uma aula – e para rir um bocado com o mestre.

Edgard Mello Fº, a você, a minha mais sincera e profunda admiração!

terça-feira, 19 de março de 2013

Finntastic!


Amigos leitores, amantes do automobilismo, a F1 romântica não existe há um bom tempo, mas a nova F1 é composta de politicagem até o pescoço. O esquemão Ferrari de gerir pilotos e crises parece que se alastrou para as demais equipes e poucos pilotos tem coragem (para não dizer colhões) para proferir uma ou outra frase de maior impacto como “nada mal para um segundo piloto” de Mark Webber em 2010, e que eu me lembre, só.

Só... até 2012 quando uma figura tida como ranzinza, fria e sem graça retorna a F1. Kimi era considerado como um dos pilotos mais inexpressivos da categoria. Não sorria, não tinha reações, não tinha tato com as pessoas, e o que os outros chamavam de antipatia, eu chamo de autenticidade. Afinal, não há nada de mais autêntico do que chupar um sorvete em plena expectativa de retorno da corrida no GP da Malásia, e o ápice foi o “Leave me alone, I know what I have to do” frase épica e que em tempos de F1 moderna, é impronunciável.

Raikkonen é uma daquelas pessoas que confia em seu taco, tanto que se não retornasse a F1 seria mais um ex-campeão. Mas ele está de volta e, acredite, o ser antipático e sem sal se tornou a maior atração da categoria em 2012. Ele roubou a cena, dentro e fora das pistas, dentro prova que a cada dia está melhor, ainda mais frio e calculista e dirigindo como nunca, fora, não mudou absolutamente nada, na verdade apenas uma coisa mudou, a equipe e a maneira como a equipe lida com seu piloto e com seus feitos “autênticos”.

Não sei como seria se os polidos Alonso, Massa ou Hamilton falasse isso ao seu mecânico, o gentleman Button certamente não falaria. Mas a Lotus deu uma demonstração de como o jeitão Raikkonen de ser pode ser tão bem aproveitado para a mídia. A equipe não é a Ferrari ou a McLaren que lida com mãos-de-ferro com os seus pilotos, e até a Red Bull não faz mais as peripécias de começo de categoria, ficou burocrática e relativamente sem sal. Lembro-me dos engraçados Redbulletins que animavam os paddocks e agora a descontração e quebra de gelo (sem nenhum tipo de associação) vem da Lotus e, principalmente, dele, o sisudo, mal-humorado, no smile, Kimi Raikkonen.

Portanto, amigos leitores, nada como conseguir ver oportunidade quando todos veem dificuldade. Afinal, uma hora você pode ver sapo, mas é só virar um pouquinho a cabeça, que pode ver cavalo.

E.T. Raikkonen fez uma corrida fantástica e Massa comprovou a boa fase, andando no ritmo esperado por um piloto Ferrari.
E.T.2 A McLaren sumiu.
E.T.3 A Marussia fez um carro justo pela primeira vez.
E.T.4 A Malásia é logo ali!

SENNA ESPECIAL: GP AUSTRÁLIA, 1985

GP BRASIL F1 2013: INGRESSOS A VENDA

SETORES E PREÇOS:
Ingressos válidos para sexta-feira (22/11/2013), sábado (23/11/2013) e domingo (24/11/2013).
Todos os setores do autódromo de Interlagos possuem acesso para pessoas com mobilidade reduzida. 
Site oficial para compra ingressos: www.gpbrasil.com.br

SETOR G - R$ 525,00 (meia-entrada - R$ 262,50)
Em frente à Reta Oposta, local de emocionantes duelos por posições onde os carros atingem a maior velocidade no circuito de Interlagos, esta arquibancada oferece ainda ampla visibilidade de vários trechos da pista. Setor descoberto, em estrutura tubular, com lanchonetes e telões.
A GGOO VAI E SEMPRE RECOMENDA O SETOR G!

Setor A -  R$ 695,00 (meia-entrada - R$ 347,50)
Arquibancada com vista do grid de largada, da Reta Emerson Fittipaldi, da entrada dos boxes e de outros emocionantes trechos do circuito. Pelo telão localizado em frente à área é possível acompanhar detalhes dos treinos e da corrida. Setor descoberto, de alvenaria, com lanchonetes e telão.

Setor F - R$ 1.350,00 (meia-entrada - R$ 675,00)
Arquibancada posicionada junto ao trecho de maior aceleração do circuito de Interlagos, no início da Reta Oposta, com vista da saída dos boxes e do “S” do Senna. Setor coberto, em estrutura tubular, com lanchonetes.

Setor M - R$ 1.450,00 (meia-entrada - R$ 725,00)
Posicionada em frente aos boxes, desta arquibancada o público pode acompanhar o movimentado trabalho das equipes durante os pit stops e ver os carros descendo o “S” do Senna. Setor coberto, de alvenaria, com assentos plásticos individuais em formato de “concha” e lanchonetes.

Setor V - R$ 1.990,00 
Arquibancada posicionada no final da Reta Oposta, local de emocionantes duelos por posições e com ampla visibilidade de vários trechos do circuito. A área conta com monitores de TV para acompanhamento de detalhes dos treinos e da corrida. Está incluso no valor do ingresso serviço de alimentação com cardápio frio (sanduíches, frutas, iogurtes, sucos, água, refrigerante e cerveja). Conta com recepcionistas e seguranças treinados. Setor coberto, em estrutura tubular.

Setor D - R$ 2.260,00 (meia- entrada - R$ 1.130,00)
Em frente ao “S” do Senna, esta arquibancada oferece ampla visão da Reta Oposta e vista frontal da largada. Setor coberto, em estrutura tubular, com lanchonetes.

Setor B - R$ 2.630,00 
Localizada em frente à área dos boxes, desta arquibancada é possível acompanhar a movimentação das equipes durante os treinos e a corrida. Este setor também tem vista para o grid de largada, pódio e outros trechos da pista. Monitores de TV instalados em pontos estratégicos da área permitem acompanhamento de detalhes dos treinos e da corrida. Está incluso no valor do ingresso serviço de alimentação com cardápio frio (sanduíches, frutas, iogurtes, sucos, água, refrigerante e cerveja). Conta com recepcionistas e seguranças treinados. Setor coberto, de alvenaria e com assentos plásticos individuais em formato de “concha”.

Setor E - R$ 2.720,00 
Arquibancada localizada no final do “S” do Senna, com ampla visão da Reta Oposta, com monitores de TV e telão posicionado em frente à área que possibilitam o acompanhamento de detalhes dos treinos e da corrida. Está incluso no valor do ingresso serviço de alimentação com cardápio frio (sanduíches, frutas, iogurtes, sucos, água, refrigerante e cerveja). Conta com recepcionistas e seguranças treinados. Setor coberto, em estrutura tubular.

Orange Tree Club - R$ 3.780,00
Situado próximo a uma das curvas mais difíceis do circuito – a do Laranjinha – o Orange Tree Club é muito popular entre aqueles que desejam assistir às brilhantes disputas pelas melhores posições. Dispõe de serviço de alimentação e monitores de TV e cronometragem. Haverá ainda visitação aos boxes, na sexta-feira do Evento, em horário predeterminado.

Interlagos Club - R$ 4.900,00
Com excelente visibilidade do circuito, o Interlagos Club oferece excelente serviço de alimentação em todos os dias do evento, monitores de TV e cronometragem com informações dos treinos e da corrida. Haverá ainda visitação aos boxes no sábado do Evento, em horários predeterminados.

Terrace Club - R$ 7.750,00
A poucos metros da pista e com excelente visibilidade do circuito, o Terrace Club oferece excelente serviço de alimentação em todos os dias do evento, lounge e bar exclusivo e monitores de TV e cronometragem com informações dos treinos e da corrida. Haverá ainda visitação aos boxes nos três dias do Evento, em horários predeterminados.

Premium Paddock Club - R$ 11.200,00
Localizado sobre os boxes das equipes e com uma vista espetacular da largada e do circuito, o Premium Paddock Club conta com serviço de alimentação de um renomado buffet da cidade nos três dias do Evento, Champagne bar e monitores de TV e cronometragem. Haverá ainda visitação aos boxes nos três dias do Evento, em horários predeterminados.

Pílulas do Dia Seguinte*

* Fábio Seixas


Mesmo com a vitória, não acho que Raikkonen seja candidato ao título. Sacadas estratégicas não acontecem todos os dias. E é bom lembrar que ele saiu do sétimo lugar do grid. Ou seja, não tem um carro dos mais velozes. Numa situação “convencional”, lutaria pelo pódio e olhe lá. Ainda acho que, em dias normais, o finlandês vai brigar com a dupla da Mercedes, com Massa e com Webber. Com enormes chances de ser novamente terceiro na tabela;

Isto dito, admito que eu adoraria queimar a língua (e os dedos). Ver Raikkonen disputando o título no final do ano seria assistir ao triunfo do talento nato;

Domenicali falou mais ou menos nesta linha. Reconheceu os méritos do finlandês e da Lotus, mas acha que esse tipo de “pulo do gato” é passageiro: “Temos que ser prudentes nas análises, porque esta foi apenas a primeira corrida. Muitas coisas mudarão nas próximas semanas em termos de compreensão dos carros, de preparação para os GPs, de administração dos pneus”;

E a McLaren? A situação por lá é tão feia que houve quem cogitasse levar os carros de 2012 para a Malásia. Whitsmarsh acabou descartando a ideia, mas é um poço de desânimo: ”Depois de um final de semana como este, eu estaria falando besteira se dissesse que os engenheiros estão confiantes”.

Massa preferiu falar em “aposta certa” de Alonso no momento do segundo pit. Pode ser. Mas, dado o histórico ferrarista, pode também não ser. De qualquer forma, há alto estranho aí. Se o brasileiro estava disputando posição com o espanhol e este entrou nos boxes, ele deveria ter entrado logo depois. É aquele velho jogo de marcação, já cansamos de ver isso. Com estratégias iguais, a chance de as coisas continuarem iguais são bem maiores, isso me parece lógico. Massa ficou na pista quatro voltas a mais. Deu no que deu;

Uma estatística curiosa: havia 55 GPs que a Ferrari não liderava o Mundial de Construtores, desde o GP da Malásia de 2010. Sinal dos tempos;

Depois de Raikkonen, o nome da corrida foi Sutil. E as histórias dos dois exemplificam o apotegma de que talento não se esquece;

Vettel: “Depois de uma boa largada e duas ou três voltas, os pneus começaram a se despedaçar. Não podíamos continuar como o resto do pelotão”. Sim, foi flagrante o mau comportamento dos pneus nos carros da Red Bull. É um problema grave, mas nada que não possa ser solucionado por Newey em dois ou três GPs. Enquanto isso, é importante seguir marcando pontos. E Vettel tirou leite de pedra para conseguir a terceira posição;

Malásia terá pneus duros e médios. É o mesmo cardápio de 2012. O problema é os compostos estão, todos, mais macios. A comparação que a própria fabricante faz é que o duro deste ano equivale ao médio do ano passado. Ou seja: já dá pra prever, com seis dias de antecedência, que, em Sepang, os médios serão usados só pra cumprir tabela. Isso, claro, se não chover. “Esperamos três pits, mas novamente o clima vai comandar as ações”, diz Paul Hembery, diretor da Pirelli.

A maior ironia do final de semana foi Maldonado reclamar que o carro é inguiável. É cada uma…

ADIANTE, BELA!, 2*

* Victor Martins


As reações e respostas ao resultado são válidas para tentar entender onde foi que a maioria, incluso eu, erramos na avaliação de que a Red Bull sobraria na Austrália, de onde há de partir para a Malásia com uma derrota sensível. Primeiro que ninguém nos boxes taurinos borrifados de roxo-celofane há de convencer que o pódio de Vettel é meramente um bom resultado. E o bom é de que sua alegação ao terceiro lugar vai ser contraposta nos próximos dias na Malásia.

A Red Bull põe nas baixas temperaturas de Melbourne a culpa pelo desempenho discreto de Sebastian durante as 58 voltas da corrida. Um Vettel que largou bem, mas que em nenhum momento conseguiu desgarrar das Ferrari de Massa e Alonso no primeiro stint ou que conseguiu ameaçar Sutil na briga pela liderança mesmo com calçados mais novos no segundo. E esse Vettel que não desenvolvia ao longo e que segurava o ritmo de Massa e Alonso é que fez o engenheiro do espanhol arriscar. A moita não tinha nada a oferecer além daquilo, embora tenha sido agradável a Felipe e seu grupo, que tomaram na testa por não terem aquela sacada. A isto, em instantes.

Quando calçou os supermacios nas CNTP similares, Vettel sobrou, sobretudo no que restou da classificação. Com aquele pneu de faixa vermelha e curtíssima duração, então, a Red Bull se vira. Mas em longa duração, com os médios, a performance é simplesmente mediana e o carro consome muito da borracha. Tanto que Seb terminou longos 10s atrás de Alonso, sem chance de briga. Dizem os catedráticos que a coisa será outra em Sepang, com termômetros lá no extremo. O pneu médio lá estará, junto ao duro. Reserve.

Massa pulou como um um canguru no cio para cima de Webber na largada e tomou sem sustos duas posições, já que Hamilton se preocupava em não perder posição para Alonso, o que não conseguiu curvas depois. Felipe bem acompanhou o líder Vettel até a parada deste, assumiu a ponta e, oh!, puxa!, a Ferrari o chamou antes de Alonso para a primeira parada. A Ferrari, essa equipe aí cuja razão social é boicotar brasileiros, na visão de Brasilino Pacheco… Fernando foi aos pits uma volta depois, e as coisas ficaram na mesma.

Vendo que Vettel, e não Sutil, quem lhes prendia o ritmo, restava que alguém arriscasse, e só podia ser antecipando os pits para que voltasse em ritmo melhor à pista e girasse mais rápido que o pelotão. Massa, que não atacou Vettel e tinha o temor de que os macios iam lhe ferrar no fim da prova, preferiu ficar ali esperando a banda melbourniana passar; o companheiro arriscou. A grita que se faz achando que houve um jogo de equipe descarado não cola, até porque o ritmo de Massa era tão bom quanto o de Alonso. Se a Ferrari realmente já quisesse entregar o troféu de primeirão a Alonso, teria feito na primeira parada. E outra: vai que arrisca com Massa e não dá certo. Aí toda a torcida cheia de ladainha e mimimi estaria reclamando que o projeto Fornicazione 2013 estava em ação de outra forma.

A leitura da corrida naquele momento, em sua metade, permitia pensar que Sutil, sim, seria um candidato a vitória. Andando no ritmo dos demais com pneus velhos e com um plano de corrida que o veria colocar os supermacios no fim, teoricamente lhe dando um mega-impulso, Adrian voltava à F1 prestes a brilhar. Mas o desenrolar das ações, com Alonso endiabrado e livre de Vettel, e o insurgente Räikkönen, ofuscaram o plano da Force India, que ainda deve alguns décimos aqui e ali, mas que já se mostra um carro bem feitinho para encher o saco da vida das grandes, com um piloto de nível pra lá de bom. E Sutil virou mais lento com os pneus chiclete-Adams, afe.

Kimi, Kimi. Se a corrida fosse vista em takes de cinema ou flashes, seria até mais interessante. Por exemplo: no começo, quando estavam lá a Red Bull e as Ferrari, Räikkönen deu um passão por fora em Hamilton. Depois, quando estavam para começar as paradas, eis que o degustador de vodka já estava colado atrás de Alonso, com quem parou para colocar os macios. E como a negada da frente e o resto do povo estavam preocupados em ver como ia se desenrolar a briga entre os quatro, ninguém reparou no bote de Kimi de fazer o resto da corrida dividido ao meio, em trechos de 24 e 25 voltas. A equipe de Massa achava que com 18 ou 20 já ia para o bagaço, o que se mostrou errado. Ali a Lotus foi genial e demonstrou, com a volta mais rápida de seu mestre nos giros finais, que tem um carro extremamente competitivo nas corridas. E que parece ter resolvido seus problemas de confiabilidade. A Pirelli reagiu: “Eles entenderam perfeitamente o funcionamento dos pneus”. Taí. É isso que vai determinar as variedades e diferentes situações do início do campeonato.

A Mercedes deu saltos em relação ao ano passado tanto em termos de classificação quanto de corrida. Mas o cenário parece o mesmo: nos GPs, cai um pouco. Hamilton andou rápido enquanto os pneus lhe deram chance, enquanto o outro carro, o de Rosberg, quebrou. Ficou em quinto, o inglês. Uma estreia mediana. Webber, meu pai do céu, sexto colocado, não fez cocô nenhum a corrida toda. Culparam o ECU, a centralina, que é feita pela McLaren, “não tinha telemetria nenhuma, zero”. Curioso como o ECU é sempre um ecu na vida de Mark, que larga mal pacas. Sutil ficou em sétimo, à frente de Di Resta, que tinha estratégia inversa a do companheiro. Button, com a Marussia prata, foi nono. Tem gente na McLaren que já defende o abandono do projeto do MP4-28 e adoção do conceito do ano passado. Whitmarsh diz que vai insistir. Fortíssima candidata a ficar em quinto este ano. Grosjean foi décimo. Fraquíssimo. Lutou a prova toda com as McLentas, as Toro Rosso e olhe lá. Tiveram Kobayashi nas mãos. Deu nisso. É como Irmã Selma diz: “Eu rezo. E acontece.”

Falando em Toro, até que o carro deles em ritmo de festa é interessante. Vergne saiu da zona de pontuação no fim da prova. Vinha bem. Ficou em 12º, atrás de Pérez, que nada fez. Gutiérrez, então, meu papa francisco dos últimos dias, se a Sauber for depender dele. E vou te falar que em alguns momentos o carro deste ano realmente lembra o design da HRT. Pobre Hülk, que não pôde participar da corrida porque o radiador furou. Aliás, a história de Nico em Melbourne é interessante: dois acidentes na primeira curva e uma não largada. Não convide o jovem para ver o filme ‘Austrália’. Bottas terminou em 14º com essa Williams de dar dó. Que nos enganou. Que enganou a Maldonado. Os caras ainda hão de conseguir sofrer com Bianchi, esse bonzão, com a Marussia, que evoluiu. Julinho passou um sabão na rapa do refugo que deu dó, mais de 40s à frente de Pic. Chilton, fraco, terminou à frente de Van der Garde, fraco e meio.

Só um último ponto em relação a Massa: a chavinha foi realmente virada. É outro piloto, de fato, outra postura, e esse Felipe há de incomodar. Desde que também saiba se impor.

Em alguns dias, então, Sepang há de nos dar a resposta se realmente o problema da Red Bull é a baixa temperatura. Porque se o carro não andar novamente na corrida, meu bom, aquilo que se desenhava enfadonho pelo que Vettel fez nos dois primeiros dias de treinos na Austrália vai para o ralo e, em definitivo, é possível dizer que temos um campeonato.

Serrinha leva corrida chata*

* Por Bruno Vicária



Agora vamos falar de Stock Car. O contrário da F-1. Uma corrida que não empolgou e que ficou engessada por causa dessa janela de pit stops. Daniel Serra venceu merecidamente e é o novo líder, mas deu pena de Allam Khodair, que em todo começo do ano aponta para vencer uma corrida mas, no fim, chega lá atrás.

Cacá Bueno comedido, Ricardo Zonta em alta, Ricardo Maurício na batida constante de sempre e Thiago Camilo aproveitando as chances que têm de andar na frente e pontuar. Tomara que vejamos mais corridas emocionantes neste ano e que o show de Interlagos não seja apenas um lampejo.

Dois grandes destaques para mim foram Ricardo Zonta e Julio Campos. Zonta, por fazer frente à Cacá Bueno, Átila Abreu e Max Wilson na corrida, mostrando que sua equipe está no caminho certo; Campos por ter corrido com suspeita de hepatite. Sergio Jimenez também merece parabéns pelo ótimo nono lugar.

A chuva que era para cair não caiu. Uma pena, pois colocaria fogo na corrida. Mas espero uma disputa mais empolgante em Tarumã, mesmo sabendo que será difícil por conta das características da pista. Por ela ser curta, as voltas das janelas de pit stops deverão ser um caos que só.

O dia da estratégia*

* Por Rafael Lopes




“Estratégia. Em grego, estrategia. Em latim, estrategie. Em francês, stratégie.” A famosa frase do filme “Tropa de Elite” cabe bem no texto sobre o GP da Austrália. Não tem como analisar a corrida sem falar da estratégia das equipes. Para o bem e para o mal. Após um fim de semana apenas discreto, a Lotus brilhou: usou da tática para colocar Kimi Raikkonen em condições de ganhar a corrida – e o finlandês respondeu à altura. Para isso, seguiu à risca o que a Pirelli, fabricante de pneus recomendou: começou com os supermacios e trocou por dois jogos de médios. Duas paradas nos momentos corretos. Resultado: Raikkonen venceu a prova até com certa folga no circuito de rua do Albert Park. E a Lotus se tornou uma das postulantes ao título da temporada.

Depois do acerto, o erro. Felipe Massa fez uma corrida brilhante: foi agressivo na largada e subiu de quarto para segundo. Depois colocou a faca nos dentes e se defendeu exemplarmente do ataque do companheiro Fernando Alonso na primeira parte da corrida. Era o piloto mais rápido da pista e ameaçava o então líder Sebastian Vettel. Até que, no momento da segunda parada, a Ferrari inverte tudo e chama o espanhol antes do brasileiro para os boxes. As três voltas a mais que Massa deu na pista o fizeram ficar atrás de Alonso, Vettel e Sutil. O tempo perdido tirou suas chances de vitória em Melbourne. Por outro lado, deixou o bicampeão mundial de 2005 e 2006 na segunda posição da corrida, enquanto o brasileiro ficou fora do pódio, em quarto.

Não, não se trata de teoria da conspiração. Foi um erro da Ferrari. Agora é ficar atento para o comportamento da equipe nas próximas corridas. Após a prova, Massa foi diplomático e disse que a decisão foi tomada por ele e seu engenheiro, o inglês Rob Smedley. Ao mesmo tempo, sua linguagem corporal mostrava uma certa insatisfação com a situação. Ainda assim, na minha opinião, o resultado foi bem positivo para ele. O ritmo mostrado na corrida indica que ele vai incomodar os rivais neste ano. Ser mais rápido que o companheiro Alonso é uma boa resposta para aqueles que o tiraram da F-1 e decretaram o fim de sua carreira na má fase dos últimos dois anos. Se terá chances de título, ainda não dá para saber. Mas veremos coisas boas em 2013.

A RBR, por sua vez, ainda precisa remar muito se quiser repetir o domínio mostrado nas últimas corridas do ano passado. O treino classificatório, realizado em condições atípicas, começando em um dia e terminando no outro, mascarou um pouco o desempenho o RB9. Parecia que ele sobrava. Mas não foi bem assim em ritmo de prova. Vettel liderou no início, mas sofreu com o desgaste de pneus. Chegou no pódio em terceiro, um resultado muito aquém do esperado. Mark Webber, por sua vez, demonstrou de novo sua inabilidade em largadas e perdeu muitas posições. Ainda conseguiu reagir e chegar em sexto, logo atrás de Lewis Hamilton, da Mercedes. A equipe precisa se recuperar. E em um ano que promete ser equilibrado, é uma tarefa bem complicada.

Uma surpresa bem agradável foi o desempenho da Mercedes. A equipe alemã era considerada fogo de palha na pré-temporada, mas mostrou que tem um carro bem rápido. Só que, assim como o modelo do ano passado, ele sofre com o alto desgaste de pneus em condições de corrida. Um trabalho para o time chefiado por Ross Brawn. Nesta corrida, Hamilton foi o quinto. Já o alemão Nico Rosberg teve problemas eletrônicos. Seu motor apagou no meio da prova e ele acabou forçado a abandonar. De qualquer forma, o horizonte da Mercedes neste ano parece ser muito bom. Seria uma bela volta por cima após o fiasco do ano passado, quando venceu logo no início, mas passou várias provas em seguida sem pontuar e andar bem durante as corridas.

Já na McLaren, o sinal de alerta está ligado. O MP4/28 não teve um bom desempenho durante todo o fim de semana, para azar do inglês Jenson Button e do mexicano Sergio Pérez. Na corrida, os dois pilotos não foram mais que meros coadjuvantes. O campeão de 2009 foi apenas o nono e o recém-contratado pelo time inglês ficou em 11º. Ambos quase uma volta atrás do vencedor Raikkonen. O trabalho agora é minimizar o mau desempenho até o início da temporada europeia, no GP da Espanha, quando as equipes voltam para suas bases. A Fórmula 1 ainda passa por Malásia, China e Bahrein antes disso. A McLaren vive um drama.