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quarta-feira, 23 de abril de 2014

LEGENDE A FOTO

Foto postada por Nico Rosberg, hoje, em seu Instagram: http://instagram.com/p/nIYL4gRDKR/

terça-feira, 8 de abril de 2014

Thriller*

* Por Julianne Cerasoli


Ninguém teve tempo para reclamar da falta de barulho desta vez. Em uma corrida em que os pneus duraram na medida certa para provocar excelentes brigas estratégicas e os companheiros de equipe não quiseram saber de “levar os carros para casa”, o GP do Bahrein foi épico – e deu uma bem-vinda sensação de que, pelo menos enquanto ninguém conseguir competir com as Mercedes, seus pilotos não têm a intenção de tirar o pé.

Lewis Hamilton errou na classificação, mas se recuperou com juros e correção para se defender de Nico Rosberg mesmo com os pneus mais lentos. A diferença ocorreu por uma inteligente tática da equipe de colocá-los em estratégias diferentes para separar os dois quando a briga estava pesada demais, logo antes do primeiro pit stop. Ali, Rosberg fizera o que se espera dele, demonstrando ter poupado mais seus pneus, e Hamilton respondia com suas armas: uma tocada agressiva e com muita raça. No final, a sobrevivência do inglês foi importante para o campeonato, com mais sete pontos da vantagem do alemão descontados.

Um duelo que traz ecos da batalha de Senna e Prost no campeonato de 1988. Com um carro muito superior, um piloto agressivo contra outro mais racional. No final das contas, um segundo separando-os. Pelo menos agora sabemos que, enquanto as Mercedes forem superiores, ainda assim temos um belo campeonato nas mãos.

Falando em superioridade, assustou a vantagem que Hamilton e Rosberg abriram em 10 voltas – e ainda por cima brigando por posição! Foram 23s na provavelmente única vez até agora em que os carros prateados mostraram todo o seu potencial.

Mais atrás, as brigas foram garantidas pelo undercut (estratégia de antecipar a parada para andar rápido e voltar na frente), que ganha outro ingrediente importante neste ano: o ERS-K. Segundo as regras, o carro pode usar 4 megajaules de potência por volta, mas só pode armazenar 2. O que temos observado é que o carro que antecipou a parada e está com pneus mais novos, acaba ganhando ainda mais tempo do que ano passado em relação ao rival que permanece com os pneus velhos devido à gestão desta energia adicional.

Por isso vimos Bottas ganhar de Massa no meio da corrida e o inverso (uma ordem de equipe inteligente por parte da Williams, após o fiasco de execução da Malásia) ocorrendo no final da prova, vimos Vettel ganhando de Ricciardo no decorrer do GP e outras situações do tipo. Tudo isso movimentou a prova e fomentou a intensa troca de posições.

Para a Williams, fica cada vez mais clara a deficiência aerodinâmica. Se foi a chuva que escancarou os problemas de um carro que voa na reta nas primeiras duas etapas, agora foi o alto consumo de pneus, principalmente em uma pista tão “traseira” como do Bahrein. Outra coisa que ficou comprovada é como a aerodinâmica é o ponto forte da Red Bull, que não teve um ritmo tão bom em um circuito mais de motores. E mesmo assim Ricciardo foi o terceiro no grid.

Agora sim, podemos dizer que a temporada que todos esperavam começou de verdade.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O menosprezado*

* Por Luis Fernando Ramos


Seu rosto está estampado num mural enorme num shopping center maior ainda no centro de Kuala Lumpur. Mais importante, ele está no topo da tabela de classificação da temporada de 2014 da Fórmula 1. Nico Rosberg foi apontado como favorito ao título por Bernie Ecclestone, por mim e pela maioria dos colegas com quem conversei antes da abertura do Mundial na Austrália.

Mas não por Fernando Alonso. Ainda na Austrália, depois da corrida, ele demonstrou mais preocupação com os que abandonaram a prova do que com o vencedor dela. “Precisamos ter calma e fazer melhor da próxima vez. Pelo menos, nosso carro mostrou que é forte, e saio daqui com doze pontos a mais que Hamilton e que Vettel”, ponderou.

Poderia ter sido apenas uma atitude de ver o copo cheio e ignorar os 25 pontos de Rosberg. Mas na Malásia ele voltou a descartar o líder do Mundial de suas considerações. “Temos um carro absolutamente confiável, que não deu nenhum tipo de problema na sexta, sábado ou domingo. E estou apenas a um ponto de Hamilton e nova na frente de Vettel, que se sentam em carros mais velozes que o meu”.

Por mais político que Alonso seja, ele não seria bobo de desconsiderar Rosberg apenas para provocá-lo. Fica a impressão de que o espanhol realmente não coloca o alemão da Mercedes na equação do título, que compreende uma temporada inteira. Ele parece certo que o piloto da Mercedes que estará na frente ao final da temporada é Hamilton.

Se o desempenho do GP da Malásia for o padrão do ano, Alonso está coberto de razão. O ritmo de corrida de Hamilton foi infinitamente superior. Desconsiderando as primeira volta e as voltas em que as paradas dos dois pilotos se entrecruzavam, o inglês andou mais rápido que o alemão em 32 de 46 passagens.

Apesar de que essa diferença foi mais de acerto do que de braço. Mas assustou os dois mundos dentro do mesmo time na primeira prova com ambos na pista. Se continuar assim, a liderança de Rosberg vai desaparecer antes mesmo do cartaz no shopping, que pegou carona na corrida em Sepang para promover uma confecção com o rosto do alemão.

terça-feira, 18 de março de 2014

LEGENDE A FOTO


Rosberg, sem suor*

* Por Tatiana Cunha


É, e eu que tinha esperanças que este GP da Austrália mudasse a imagem que tenho desta corrida… Se fez alguma coisa, só piorou.

Porque se é isso que veremos na F-1 em 2014, foi muito barulho por nada.

Rosberg venceu à la Vettel. Largou, criou gordura, o safety car entrou e ele perdeu tudo, mas não teve problemas para abrir mais vantagem e (Zzzzzzz, a esta altura todo mundo já estava dormindo) recebeu a bandeirada. A comemoração dele, tão empolgante como a corrida…

Ok, estou amarga, #fato. Mas a demora de mais de cinco horas para o resultado oficial da corrida ter saído ajudou para isso.

Um problema com o fluxo de combustível do carro de Ricciardo (que estava gastando mais do que o permitido, o que em outras palavras significa dizer que ele estava ganhando mais potência) fez com os fiscais da FIA fizessem o que mais adoram, que é ficar discutindo por horas e horas uma eventual punição. E desta vez ela saiu. O australiano, que tinha ficado tão feliz por ir ao pódio em segundo, foi desclassificado.

Com isso, Magnussen, que fez uma belíssima estreia pela McLaren, herdou o segundo lugar e Button, o terceiro.

Fim de semana para esquecer para Vettel, Hamilton, Massa e Lotus.

Os dois primeiros abandonaram nas primeiras voltas por problemas distintos de motor. O caso de Massa foi ainda pior. Ele foi arrastado por Kobayashi na primeira curva da prova e acabou estacionado na caixa de brita. Uma pena porque a ótima corrida de Bottas prova que a Williams tinha bom potencial aqui em Melbourne. Vamos ter que esperar mais duas semanas, até a Malásia, para tirar nossas conclusões sobre as chances do brasileiro neste ano.

E a Lotus, que há um ano venceu aqui na Austrália com Raikkonen, viu seus dois carros abandonarem. Maldonado deve estar feliz por ter trocado a Williams pela Lotus, né?

O que deu para se ver desta nova F-1 é que os problemas com a eletrônica dos carros devem ser constantes.

Fora isso, a Mercedes é, sim, a equipe a ser batida. Mas a Red Bull não está tão mal quanto estava pintando. Claro que ainda há muitos problemas a resolver, mas o carro é rápido. A McLaren deu sinais de vida depois do ano vergonhoso que teve em 2013. Já a Ferrari ainda não disse a que veio. Alonso foi apagado (chegou em quarto) e Raikkonen mais ainda (sétimo).

Será que veremos uma nova hegemonia em 2014, a da Mercedes? É possível. Como consolo o fato de nem Rosberg nem Hamilton serem Webber.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Rosberg, vitória e um passo à frente*

* Por Fábio Seixas

Foi menos agitado do que eu imaginava.

Mas foi um bom GP da Austrália.

Vitória de Rosberg, a quarta da carreira, uma a menos que o pai.

Com uma vantagem para o segundo colocado, Ricciardo, que diz muito sobre este início de temporada: 24s500.

Magnussen completou o pódio. O primeiro estreante a conseguir tal honra desde Hamilton, em 2007. E um feito que o pai, Jan, nunca obteve.

O cataclismo não se confirmou: 15 carros cruzaram a linha de chegada.

Melbourne teve um dia de clima ameno, 17°C no ar, 21°C na pista.

A primeira tentativa de largada foi abortada: Chilton e Bianchi não conseguiram sair e foram levados para o pit lane.

Quando valeu, Rosberg foi sensacional. Costurou pela direita e tomou a liderança antes que Hamilton e Ricciardo entendessem o que estava acontecendo. Um show.

Massa se deu mal. Kobayashi veio freando pela reta como uma vaca louca e acertou com tudo a traseira do Williams. Ambos abandonaram.


É aquele velho ditado das pistas: você não ganha uma corrida na primeira curva, mas você pode perdê-la. O japonês foi mal nessa...

“Primeira corrida do ano, eu não tenho a menor ideia do que ele tentou fazer. É perigoso, uma porrada na traseira... É até difícil achar palavras. Ele não usou a cabeça”, disse Massa ao repórter Marcelo Courrege, da TV Globo.

Na terceira volta, Vettel parou nos boxes. Na quarta volta, foi a vez de Hamilton abandonar. Ambos com problemas no motor.

“É um saco. Tivemos uma pré-temporada difícil”, afirmou o alemão.

Na oitava volta, Bottas passou Raikkonen e assumiu a sexta posição. Pelo rádio, a Ferrari alertou Alonso de que o Williams estava chegando.

Durou pouco. Na décima volta, Bottas carimbou o muro e perdeu a o pneu traseiro direito. Safety car.

O top 10 à esta altura: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Raikkonen, Vergne, Kvyat, Button e Sutil. A vantagem do alemão, 7s530.

Começou, então, um corre-corre para os boxes. E quem se deu bem foi Button, que pulou de nono para sexto.

A relargada veio na 16ª volta.

O top 10, Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Button, Vergne, Raikkonen, Sutil e Kvyat.

Forte na ponta, o alemão logo tratou de recuperar sua vantagem. Na 20ª volta, já tinha novamente 5s842 sobre Ricciardo. Na 27ª, rompeu a barreira dos 10s: abriu 10s843.

Na 28ª, Ericsson parou. Restavam 17.

Na 31ª, foi a vez de Maldonado. Restavam 16.

Na 32ª, Gutierrez inaugurou a segunda janela de pits. Button e Pérez entraram na sequência, e o inglês perdeu a ponta do bico quando o carro foi colocado no chão.

Bottas continuava bem, mesmo após a batida no muro. Na 35ª, aproveitou-se de um erro de Raikkonen e subiu para quinto.

Logo depois, Alonso parou. Ricciardo, Bottas, Raikkonen e Kvyat fizeram o mesmo.

Magnussen entrou na 37ª. Rosberg, na 38ª, voltando na liderança mesmo após uma problema na troca do pneu dianteiro esquerdo.

E Button se deu bem de novo, ganhando mais duas posições: pulou pra quarto.

O top 10 após a segunda janela de pits: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Button, Alonso, Hulkenberg, Vergne, Bottas, Raikkonen e Kvyat.

Na 44ª volta, o alemão já tinha 18s219 sobre o australiano, que já começava a tomar pressão de Magnussen.

Na volta seguinte, Grosjean abandonou, 15 continuaram.

Bottas, lembram dele? Continuava sendo o showman da corrida. Aproveitou uma bobeada do Vergne na 47ª volta e assumiu o sétimo posto.

Veio então um rádio para Magnussen: “Vá para cima do Ricciardo. Ele está com problemas”. Coincidência ou não, o australiano reagiu: fez sua melhor volta na prova.

Bottas mantinha o pé embaixo. Na 52ª, deixou Hulkenberg para trás: P6.

E assim ficou.

O top 10 na linha de chegada, Rosberg, Ricciardo (depois desclassificado), Magnussen, Button, Alonso, Bottas, Hulkenberg, Raikkonen, Vergne e Kvyat (e Perez).

“Vocês me deram um carro perfeito”, disse Rosberg, pelo rádio.

Uma frase que talvez precise ser relativizada. Talvez não seja perfeito. Mas certamente é muito, muito melhor do que todos os outros.

A Mercedes é favorita ao título. E Rosberg começa a luta interna um passo à frente.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ganhadores e perdedores do GP da Grã-Bretanha – e o freak show dos pneus*

* Por Julianne Cerasoli


Só depois de um freak show de pneus estourados que a FIA resolveu sair de sua inércia e convocou uma reunião com Pirelli e equipes. A ideia é que não seja mais necessário ter unanimidade para mudar a construção dos pneus, uma vez que a empresa italiana reluta em justificar uma alteração por motivos de segurança. Difícil saber o que pode ser feito em tão pouco tempo, uma vez que a pista de Nurburgring também não é das mais amistosas com os pneus. Difícil, também, entender por que as falhas de Silverstone foram diferentes daquelas vistas até aqui – os pneus estouraram de verdade, não continuaram inflados.

Sobre o campeonato – sim, há um campeonato! – a frase que fica é a de Alonso, ainda no pódio. “Houve domingos em que marcamos mais pontos e eu estive mais otimista do que hoje.” Mesmo com o abandono de Vettel e tendo descontado pontos em relação ao líder, Ferrari e Lotus saem de Silverstone com o sinal amarelo piscando. Perder terreno em relação à Red Bull em circuitos atípicos como de Monte Carlo ou Montreal era até aceitável, mas o desastre da classificação na Grã-Bretanha não estava nos planos.

Mesmo que o ritmo de corrida não tenha sido tão ruim como o de classificação, como é de praxe, Alonso e Raikkonen não podem continuar largando atrás se quiserem diminuir os 21 e 34 pontos, respectivamente, que têm de desvantagem para o alemão. É claro que mais problemas podem acontecer com a Red Bull, mas, quanto mais mão-de-obra Fernando e Kimi tiverem no meio do pelotão, maior a possibilidade deles também se envolverem em confusão ou não conseguirem maximizar seus resultados.

A Lotus não cresceu tanto quanto esperava, mas pelo menos correu com dois carros com especificações diferentes, gostou do que viu na corrida com o duto passivo usado por Kimi e agora tem de estudar os dados para juntar o que há de melhor para a Alemanha. Já o problema da Ferrari é o mesmo dos últimos anos, a correlação, algo que parecia ter ficado no passado.

Para piorar o cenário dos caçadores de Vettel, a performance de Silverstone firma a Mercedes como segundo melhor carro no geral. Como Hamilton e Rosberg estão mais distantes de Vettel na tabela, mesmo se tirarem pontos do alemão, podem servir como “escudeiros involuntários”.

Falando em Mercedes, se alguém duvidava que o teste de Barcelona tinha o ajudado, o ritmo em um circuito de alta velocidade e que demanda muito dos pneus – até demais, pelo visto – deu ainda mais razão para quem não ficou feliz com o brando veredicto da FIA.

terça-feira, 2 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Rosberg, num GP sem segurança*

* Por Fábio Seixas


A vitória foi de Rosberg. A terceira da carreira, a segunda no ano, parabéns para ele.

Mas o destaque da corrida foi a Pirelli.

Destaque dos mais negativos.

Quatro pneus explodiram de forma idêntica, e por sorte ninguém se machucou. Um quinto pneu esvaziou.

E não duvido que a conta suba com os relatos dos pilotos e engenheiros após a corrida.

Um vexame. E um vexame perigoso.

Silverstone viveu um bom GP, mas uma tarde estranha, com receio, com medo, com conversas intensas pelo rádio.

Algo precisa ser feito. E a empresa, no mínimo, precisa se pronunciar.

Na largada, os grandes nomes foram Vettel e Massa.

O alemão superou Rosberg e pulou de terceiro para segundo. Massa fez mágica: saindo em 11º, contornou a primeira curva em 6º.

O top 10 na primeira volta, Hamilton, Vettel, Rosberg, Sutil, Massa, Raikkonen, Ricciardo, Grosjean, Alonso e Button.

Na ponta, o inglês tratou de tentar abrir vantagem. Na quinta volta, tinha 1s9 sobre o alemão. Na sétima volta, eram 2s.

Foi então que começou o vexame.

A TV mostrou uma torcedora gritando “noooooo!”

Yes, madam.

Na oitava volta, o pneu traseiro esquerdo de Hamilton, tipo médio, foi pelos ares em plena Woodcote. Ou seja, um enorme caminho até os boxes e a vitória indo para o espaço.

Um absurdo, uma vergonha para a Pirelli.

Na décima volta, mesmíssimo vexame aconteceu com Massa. Mesmíssimo ponto da pista, mesmíssimo tipo de pneu.

Uma pena, o brasileiro vinha fazendo uma belíssima prova.

(Imaginem vocês a cabeça dos outros 20 pilotos tendo que acelerar a mais de 300 km/h e sendo informados pelas equipes que pneus estavam explodindo…)

Não por coincidência, começaram os pit stops.

Todo mundo entrou nos boxes e, via de regra, a opção _até pela segurança_ foi pelos pneus duros.

Na 15ª volta, acreditem: o pneu traseiro esquerdo de Vergne explodiu. E era o duro.

Alguém acha que é coincidência?

A direção de prova ordenou a entrada do safety car. Não havia carro atravessado na pista,  não havia detritos…

Claramente foi um paliativo para reduzir a velocidade dos carros enquanto os comissários e a Pirelli tentavam entender o vexame e decidiam o que fazer.

Ninguém pediu minha opinião, mas eu disse no ar nas rádios Bandeirantes e BandNews FM: tinham que encerrar a corrida.

Já houve um precedente: em 2005, a Michelin reconheceu que seus pneus não ofereciam segurança em Indianápolis e nenhum dos seus carros disputou a prova. Mesmíssimo caso. Mas talvez falte humildade à Pirelli.

Enfim…

Para não passar em branco: instantes antes do susto de Vergne, a Lotus mandou um “Kimi is faster than you” para Grosjean. Lamentável.

A relargada veio na 20ª volta, com todos os pilotos orientados pelo rádio a não atacarem as zebras.

Vettel segurou a ponta, abrindo 1s3 sobre Rosberg em duas voltas. Alonso, em quarto, passou a pressionar Sutil.

Lá no fundão, Hamilton e Massa tentavam se recuperar. Na 25ª volta, o inglês já era 13º e o brasileiro, 17º.

Na 26ª volta, o quarto caso: o pneu de Hulkenberg não explodiu, mas esvaziou subitamente. O alemão precisou dirigir lentamente até os boxes.

Quatro voltas depois, Raikkonen abriu a segunda janela de pits entre os pilotos da ponta. Alonso e Grosjean pararam na seguinte. Na 32ª, Webber entrou. Na 33ª, Ricciardo e Button.

Na 33ª, Raikkonen passou Hamilton na Copse. Alonso aproveitou e fez o mesmo. Embora lutasse, o carro do inglês não tinha mais o mesmo ritmo do início.

Rosberg parou, Vettel também entrou, posições inalteradas na ponta com 2s8 de diferença entre ambos no retorno à pista.

Um pouco mais atrás, Webber passava Alonso para assumir o quarto lugar.

O top 10 ao fim da segunda rodada de pits,: Vettel, Rosberg, Raikkonen, Webber, Alonso,

Sutil, Ricciardo, Pérez, Grosjean e Button. Massa era o 13º.

Foi quando a TV mostrou um senhor aplaudindo na arquibancada.

Yes, sir.

Na 42ª volta, a caixa de câmbio de Vettel quebrou. Ele teve de estacionar em plena reta, em frente aos boxes. Vibração da torcida inglesa em Silverstone.

O safety car foi acionado mais uma vez, e houve corre-corre nos boxes. Quem estava por perto da entrada dos pits, aproveitou para fazer a última parada.

Alonso foi o primeiro. É, além de tudo o espanhol tem muita sorte…

A relargada veio na 45ª volta. E o final de prova foi sensacional.

Webber passou Ricciardo pela quarta posição. Alonso superou Button e assumiu o sexto lugar.

Foi quando mais um pneu explodiu: o traseiro esquerdo de Pérez. O mexicano teve de abandonar.

Na 48ª, Alonso e Hamilton superaram Ricciardo. Massa, diga-se, já era o oitavo.

Com pneus médios, lutando contra adversários de pneus duros, Webber deixou mais um pra trás na  49ª: Raikkonen. Chegou à segunda posição.

Alonso e Hamilton também seguiam fazendo vítimas. Ultrapassaram Sutil. Massa já era o sétimo.

Na antepenúltima volta, Alonso passou Raikkonen e assumiu o terceiro lugar. Webber tentava tudo para se aproximar de Rosberg: apenas 1s3 os separava.

Hamilton passou Raikkonen na penúltima volta. Instantes depois, Massa superou Sutil.

Ufa. Foi difícil não perder nenhum lance. Se aconteceu, peço desculpas. O final de prova foi dos mais alucinantes…

Rosberg cruzou a linha de chegada com 0s7 sobre Webber. Alonso terminou em terceiro.

Hamilton foi o quarto. Que corridaça do inglês.

Raikkonen foi o quinto, seguido por Massa, Sutil, Ricciardo, Di Resta e Hulkenberg.

Um resultado lindo para Alonso. Ele foi a 111 pontos e reduziu a vantagem de Vettel no campeonato. Era de 36 pontos quando a F-1 chegou a Silverstone, caiu para 21 agora. Raikkonen é o terceiro, com, 98.

Vettel continua sendo o favorito ao título, mas nada está garantido e o campeonato ganha emoção.

Mas isso, hoje, é detalhe.

“A Pirelli precisa trabalhar. É uma questão de segurança, estamos falando da vida dos pilotos”, disse Pérez.

“O que aconteceu é inaceitável”, falou Massa.

Disseram tudo.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Papelão glamouroso*

* Por Luis Fernando Ramos


No dia da corrida mais importante da temporada, a Fórmula 1 fez a maior anti-propaganda  possível de si mesma. O Grande Prêmio de Mônaco trouxe uma série de acidentes causados por manobras questionáveis de pilotos com muito mais vontade do que qualidade. E trouxe a vitória de Nico Rosberg, da Mercedes. Uma equipe envolvida numa polêmica que beira o absurdo e que pode trazer consequências no Tribunal Internacional da FIA.

Na reunião dos pilotos no sábado à noite surgiu a informação de que a Mercedes havia feito um teste “secreto” com a Pirelli em Barcelona entre os últimos dias 15 a 17, para desenvolver uma nova construção dos pneus. Mas foi utilizado o modelo deste ano, o que contraria o regulamento esportivo da categoria. Ferrari e Red Bull entraram com um protesto junto à FIA. Ela esclareceu que havia informado à equipe alemã e à fabricante de pneus que as sessões só poderiam acontecer se a mesma oportunidade fosse oferecida às outras equipes. O que não aconteceu.

Ninguém acredita que o teste privado seja o responsável pelo primeiro triunfo da Mercedes no ano. Afinal, o carro prateado já vinha dominando os treinos classificatórios e era esperado que eles largassem na frente em Mônaco, um circuito onde as ultrapassagens são difíceis. Mas é um episódio nebuloso.

- Foi um dos primeiros a ficar sabendo e fiquei surpreso. É um estranho se o regulamento proíbe testes durante a temporada e uma equipe faz isso. Não é algo positivo e é uma bobagem que esta discussão aconteça por besteira - afirmou o líder do Mundial Sebastian Vettel, segundo colocado na prova.

Não há uma data definida para o pronunciamento do Tribunal da FIA. De qualquer forma o episódio manchou uma corrida que foi repleta de confusão, que teve dois períodos de Safety Car (um pelo acidente de Felipe Massa e outro pela batida entre Romain Grosjean) e mais uma interrupção de bandeira vermelha pelo acidente entre Pastor Maldonado e Max Chilton, tão violento que uma barreira de pneus foi deslocada e bloqueou a pista parcialmente. Além de Chilton e Grosjean, o mexicano Sergio Perez também foi alvo de críticas de outros pilotos por uma pilotagem excessivamente agressiva.

Pneus que mudam no meio do campeonato, testes privados nebulosos, pilotos que batem e não são punidos como se deveria. Tantos episódios que infelizmente trazem à tona um problema de administração atual na Fórmula 1. Uma pena. O GP de Mônaco, por sua tradição, não merecia isso.

Detalhando a Indy 500 e o GP de Mônaco*

* Por Bruno Vicária

Foi uma vitória da perseverança. Tudo o que era para ser dito sobre a conquista de Tony Kanaan em Indianápolis já foi dito. Ele mais que mereceu e minha homenagem é uma charge feita pelo ótimo Maurício Moraes.

Mas vamos falar de mais detalhes das 500 Milhas:

- Kanaan assumiu a primeira posição em 15 oportunidades, liderando 34 voltas, apenas três menos que Ed Carpenter, o que mais andou na frente.

- Nada menos que 14 pilotos (mais de 1/3 do grid) liderou pelo menos uma volta.Foram 69 trocas de liderança durante a prova.

- A sequência de líderes: Carpenter-Kanaan-Carpenter-Kanaan-Andretti-Kanaan-Andretti-Kanaan-Andretti-Kanaan-Andretti-RHR-Power-Jakes-Carpenter-Andretti-Carpenter-Andretti-Carpenter-RHR-Andretti-RHR-Carpenter-Kanaan-Power-Kanaan-Viso-Muñoz-Kanaan-Allmendinger-Kanaan-Andretti-Kanaan-RHR-Muñoz-Tagliani-Bell-Hinchcliffe-Andretti-RHR-Viso-RHR-Allmendinger-RHR-Castroneves-Andretti-RHR-Muñoz-Dixon-Hinchcliffe-RHR-Allmendinger-Andretti-RHR-Andretti-RHR-Andretti-Kanaan-Andretti-Kanaan-Muñoz-Andretti-Muñoz-Hinchcliffe-Kanaan-RHR-Kanaan-RHR-Kanaan.

- Kanaan andou 34 voltas em primeiro, 48 em segundo, 14 em terceiro, 28 em quarto, 36 em quinto, 5 em sexto, 7 em sétimo, 7 em nono, 3 em décimo, 2 em 11º, 2 em 12º, 1 em 13°, 4 em 14º, 1 em 15º, 2 em 16º, 1 em 17°, 1 em 18º, 1 em 20º, 1 em 25º, 1 em 26º e 1 em 29°.

- O recordista de voltas em uma posição foi Josef Newgarten: 122 voltas (!) em 29º.

- 26 pilotos terminaram a prova, com 28 classificados no resultado final. Um ótimo número para uma 500 Milhas.

- A Andretti dominou as posições 2-3-4 do resultado final, com uma grande atuação do colombiano Carlos Muñoz, que, se tivesse mais uma volta, teria passado TK. Ele simplesmente ofuscou a sensação Tristan Vautier, que foi bem discretinho em Indianápolis (16º).

- Marco Andretti é o novo líder do campeonato. Pela primeira vez na história da nova Indy, um Andretti lidera a classificação.

- A sexta posição de Castroneves o jogou para terceiro no campeonato, cinco pontos atrás de Takuma Sato, o 13º.

- A.J. Allmendinger terminou em um bom sétimo lugar, mas quem merece mais destaque que ele é Justin Wilson, melhor Honda na prova, quinto, posição que o fez ir para sexto no campeonato.

- De longe, este é o pior ano da Ganassi na história da nova Indy.

- Ryan Briscoe também andou bem apagadinho, em 12º. Se queria voltar para a categoria, não vai conseguir desse jeito.

- Bia Figueiredo fez bem bonito e terminou em 15º. Praticamente ninguém notou as presenças de Simona de Silvestro, Katherine Legge e Pippa Mann na prova.

- A mesma coisa aconteceu com Conor Daly, filho do ex-piloto de F-1 Derek Daly.

- Quem merecia um melhor resultado era Ernesto Viso, que ficou em um mirrado 18º lugar, mas brigou no pelotão da frente a corrida inteira.

- Vencedor de duas corridas neste ano, James Hinchcliffe também não brilhou e foi apenas o 21º.

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Perto das 500 Milhas, a prova de Mônaco foi apenas razoável. Foi interessante por ter as pessoas certas na frente, a Mercedes, que segurou o mundo todo durante toda a corrida, o que, certamente, deixou a disputa mais atrativa. Contudo, méritos para Rosberg, que conseguiu se sustentar em primeiro, mesmo com a pressão das Red Bull.

Tem muita gente colocando a culpa da batida de Massa no próprio piloto. Alguns alegam que em 2002 ele já havia tirado Enrique Bernoldi da prova neste mesmo ponto (Ste. Devote), mas seria muito leviano afirmar isso sem saber o parecer técnico da Ferrari, que já disse: não foi culpa dele. Isso é coisa de gente que não tem o que fazer.

No fim, acabou sendo uma corrida interessante para o campeonato, apesar de Vettel ainda seguir na frente, com 20 pontos de vantagem para Raikkonen. Essa diferença seria menor, certamente, se o finlandês não tivesse enfrentado problemas no finalzinho.

Para Alonso a coisa complicou mais um pouquinho, são quase 30 pontos. Ou seja, ele volta à liderança, no mínimo, em duas corridas. Canadá e Inglaterra, tradicionalmente, são pistas boas para a Ferrari, mas a primeira é propícia a surpresas, então é difícil dizer.

Mesmo com a vitória, Rosberg está bem longe de Hamilton: a diferença entre os dois é de 15 pontos. O que faz a gente crer que a Mercedes ainda está longe de preferenciar alguém, mesmo Rosberg tendo feito três poles e vencido uma prova.

O acidente de Massa não foi culpa dele, mas Mônaco é a segunda prova dele no ano fora dos pontos e isso pode gerar uma pressão maior dentro da Ferrari, pois, tirando Grosjean, os outros pilotos de Red Bull, Mercedes e Lotus estão na frente dele. E isso reflete no campeonato de equipes: 41 pontos atrás da Red Bull e 11 à frente da Mercedes.

A Force India se estabeleceu como a quinta força do campeonato, deixando a McLaren em sexto. Já a Toro Rosso deixou a Sauber para trás, enquanto a Marussia vem ganhando da Caterham. Entre eles, a Williams.

Falando em McLaren, não vi problemas na pilotagem de Sergio Perez. Só acho que ele se encheu de confiança demais, por isso errou. Isso se chama maturidade, vem com o tempo. Achei até legal, pois provocou a ira de Raikkonen.

Sobre o acidente envolvendo Maldonado e Chilton, o inglês da Marussia foi grosseiro, mas Maldonado também teve imaturidade. Ambos sabiam que ali não tem como passar. Mesmo assim, um tentou e o outro se defendeu. Não ia dar certo, como acabou não dando. Ficou barato para Chilton, uma vez que Grosjean foi punido por atropelar Ricciardo. Dois acidentes de iguais proporções no quesito gravidade, mas que foram analisados com pesos diferentes.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mercedes ratifica seu favoritismo em Mônaco*

* Por Lívio Oricchio



Ainda em Barcelona, depois da corrida, há duas semanas, Kimi Raikkonen, da Lotus, segundo colocado, a exemplo de outros pilotos, afirmou: “A Mercedes é a favorita para vencer o GP de Mônaco. Eles têm o carro mais rápido hoje da Fórmula 1, naquele circuito o desgaste de pneus é pequeno e as ultrapassagens muito difíceis.” Foi uma profecia. Ontem Nico Rosberg deu ao time alemão, no tumultuado GP de Mônaco, a primeira vitória na temporada.

A vantagem da Mercedes foi tão grande que o seu companheiro, Lewis Hamilton, só não foi o segundo colocado porque a entrada do safety car, na 30.ª volta de um total de 78, permitiu que Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, o ultrapassassem na operação de pit stop para terminar em segundo e terceiro. Hamilton acabou em quarto.

Mas nem tudo ocorreu bem para a Mercedes. Ontem de manhã as demais escuderias souberam que Rosberg e Hamilton realizaram mil quilômetros de testes para a Pirelli, fornecedora de pneus da Fórmula 1, em Barcelona, logo depois do GP da Espanha. A Red Bull fez um protesto formal e a Ferrari pediu esclarecimento à FIA. Ficou no ar um sentimento de traição. Um acordo estabeleceu a proibição dos treinos particulares durante o campeonato.

“A sensação de vencer onde cresci, estudei e resido é incrível”, descreveu Rosberg. Oficialmente é alemão, mas também tem nacionalidade finlandesa, por causa de seu pai, Keke Rosberg, campeão do mundo de 1982, pela Williams, e até hoje vive no Principado. Uma curiosidade: há exatos 30 anos, Keke também foi primeiro no GP de Mônaco. Nico e Keke formam o primeiro caso de pai e filho a vencerem no Principado.

“É muito especial ouvir isso, mas honestamente não foi o que pensei na hora. Tivemos na equipe momentos tão difíceis ultimamente. Largamos nas três últimas provas na pole e depois caímos tanto na corrida. Por isso estava feliz mesmo por vencer”, explicou Rosberg. Evitou o tema que dominou o domingo, em Mônaco, o teste secreto de seu time. “Não vou falar sobre isso.”

Rosberg venceu em condições bem difíceis: teve de administrar por duas vezes a entrada do safety car e até mesmo a interrupção da prova, na 45.ª volta, por causa de um acidente provocado por Max Chilton, da Marussia, envolvendo Pastor Mandonado, Williams, e seu companheiro de Marussia, Jules Bianchi. A pista na curva da Tabacaria ficou interrompida com o deslocamento das proteções de plástico em frente o guardrail.

Hamilton o acompanhava de perto, em segundo lugar, quando na 30.ª volta Felipe Massa, da Ferrari, sofreu acidente quase idêntico ao de sábado de manhã, no mesmo ponto, a primeira curva (leia a reportagem sobre o ocorrido). O safety car entrou na pista. Hamilton deveria ter entrado no box da Mercedes para o pit stop 6 segundos depois de Rosberg. Ross Brawn, diretor técnico, não queria os dois carros parados no boxes, as chances de os mecânicos errarem seria grande, sentem-se muito pressionados.

“Eu entrei um pouco mais tarde (7 segundos e meio) e perdi duas posições. Não dá para usar a desculpa do safety car, simplesmente não fui eficiente hoje”, afirmou o inglês. Foi a terceira vez seguida que largou atrás de Rosberg. Uma surpresa até agora.

O segundo lugar deixou Vettel bastante feliz. “Sabíamos que seria difícil ultrapassar as Mercedes durante a corrida. Esses 18 pontos são ótimos, principalmente porque Kimi (Kimi Raikkonen, da Lotus) e Fernando (Fernando Alonso, da Ferrari) chegaram bem atrás de mim”, disse o tricampeão do mundo, cada vez mais líder do Mundial. Raikkonen, vice-líder, ficou em décimo e Alonso, terceiro, em sétimo. Vettel soma 107 pontos diante de 86 do finlandês e 78 do espanhol.

Alonso esteve irreconhecível. Largou em sexto e foi ultrapassado por Adrian Sutil, da Force India, ótimo quinto colocado na prova, e Sergio Perez, da McLaren, que abandonou por colidir com Raikkonen. “Há pilotos sem compromisso com a luta do título que não têm a perder numa disputa. Se eu tivesse fechado a porta para Sutil e Perez não teria somado 6 pontos e um campeonato às vezes é decidido por 1 ponto”, argumentou o piloto da Ferrari. “Aqui em Mônaco não tivemos bom ritmo no sábado, na classificação, e mesmo na corrida.” Atacou duramente Perez: “Só a McLaren vê suas qualidades. Basta ver o carro que está estacionado lá na Rascasse e o que aconteceu com Kimi”.

A próxima etapa do campeonato é o GP do Canadá, sétimo do calendário, dia 9 de junho, no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Nos próximos dias, no entanto, a grande discussão na Fórmula 1 será sobre o teste da Mercedes para a Pirelli. Há a tendência de que todos, este ano, possam realizar o mesmo treino com os carros deste ano.

terça-feira, 26 de março de 2013

Na marca do pênalti*

* Por Luis Fernando Ramos



Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.

Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.

Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.

São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.

No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.

segunda-feira, 25 de março de 2013

“Desculpe, Webber, mas a vitória é minha”*

* Por Rodrigo Mattar



Mal começa mais uma temporada da Fórmula 1 e as polêmicas que vêm permeando a categoria máxima com alguma frequência nos últimos tempos aparecem mais cedo do que se imaginava ou esperava. A culpa, como aconteceu das outras vezes, é das equipes, que infelizmente querem desempenhar um papel muito maior do que os pilotos querem, devem ou podem fazer dentro da pista.

Tudo bem que as escuderias têm a sua importância na categoria, principalmente na parte política e na elaboração dos regulamentos técnicos. Mas os leitores e leitoras do blog hão de concordar que essa história de não poder haver disputa interna entre os pilotos de um mesmo time já deu o que tinha que dar.

Neste domingo de GP da Malásia, o clima ficou pesado em duas escuderias. A Mercedes, leia-se Ross Brawn, colocou Nico Rosberg na seguinte situação: “Fique atrás de Hamilton, na sua, quietinho, que os dois carros recebem a bandeirada.” O alemão, provando o quanto a atual geração de pilotos da Fórmula 1 é repleta de ‘coxinhas’, obedeceu e não partiu para dentro de Hamilton. O que Brawn fez neste domingo não foi muito diferente de nada do que fizera quando comandava a estratégia da Ferrari para favorecer Michael Schumacher em detrimento de Rubens Barrichello.

Hamilton mereceu a 3ª posição porque fez uma ótima corrida e teve méritos para conquistar o resultado. Mas será que Rosberg, em condições normais de temperatura e pressão, não teria chances de superá-lo? Pergunta que, pelo visto, não será respondida. E para provar que a atitude de Ross Brawn não foi das mais corretas, Niki Lauda queixou-se publicamente, querendo que houvesse competição entre os dois pilotos dos carros prateados – o que, no meu ver, seria o mais justo e o ideal.

Só que não existe justiça e o mundo ideal no automobilismo.

E na Red Bull hein? O que dizer do que aconteceu no time do touro vermelho, que sempre bateu no peito para dizer que ‘os pilotos lutam pela vitória em pé de igualdade’. Conversa das mais fiadas, porque Sebastian Vettel desobedeceu uma ordem via rádio, que determinara que desta vez a vitória deveria ser de Mark Webber. Houve briga, por duas voltas, entre os carros #1 e #2 pela liderança, desesperando toda a cúpula do time – leia-se Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey. A situação pesou quando Vettel passou por cima da tal ordem e superou o australiano para vencer a corrida, num revival do famoso entrevero entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi na Ferrari, no distantíssimo ano de 1982.


Como consequência do clima belicoso, o video acima mostra Webber, num gesto nada sutil, mostrando o dedo médio para Vettel e externando o seu descontentamento, mantido  com sua cara de desaprovação no pódio e suas declarações após a corrida, descendo a lenha no companheiro de equipe – e na Red Bull, também.

“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final”, explicou. “Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim”, continuou.

“No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”, disparou. “Eu tirei o pé e comecei a cuidar dos pneus, e aí a disputa começou”, lembrou. “Fiquei decepcionado com o resultado da corrida de hoje”, finalizou o australiano.

Sem ter muito o que dizer a respeito de sua atitude, que lhe valeu a 27ª vitória na Fórmula 1, igualando outro tricampeão, o escocês Jackie Stewart, Vettel não teve outra saída a não ser pedir “desculpas” a Webber pela ultrapassagem e pela vitória. “Devia ter me comportado melhor”, admitiu o alemão. Concordo: em vez de ficar de ‘mimimi’ no rádio, como fez num determinado momento da corrida, que tentasse superá-lo no braço, como de fato o fez. Mas que não se arrependa de suas atitudes.

Chega a ser, no mínimo, uma ironia que um piloto que tem três campeonatos nas costas e outro nenhum, que ele chegue ao ponto de se desculpar por uma vitória que, no fim das contas, ele desejou e conquistou. No fundo, Vettel não quis se sentir 100% culpado de tudo – e nem é. Repito: a culpa é toda da Red Bull, como no passado já foi de outras equipes que tomaram atitudes semelhantes, tornando o clima pesado entre os pilotos. Desnecessário enumerar tais ocorrências, porque a própria história da Fórmula 1 nos mostrou quais foram os casos e os pilotos que pagaram caro com estas atitudes.

E assim, a categoria máxima vai se distanciando dos seus fãs. Que sujeito, em sã consciência, vai trocar algumas horas de sono reconfortante por uma corrida onde um vencedor, para posar de santo, se “desculpa” porque venceu? Desde quando é errado ganhar? Não faz parte deste esporte? Um vencedor, vinte e tantos perdedores? Ah… tenha santa paciência!

Vettel não precisava disso e a Fórmula 1 também não. Perde o tricampeão, perde a categoria, perde o esporte.

Daqui a pouco, serão os torcedores que vão dar uma de Mark Webber e mostrar o dedo aos pilotos e equipes, porque se existe o desrespeito ao público, ele poderá um dia correr o sério risco de ser recíproco e a audiência virar as costas para as corridas da categoria.

Se é que já não virou…

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O arroz doce sobe ao pódio*

* Por Lito Cavalcanti

Vocês vão me desculpar, mas estou achando um tanto quanto exagerada a repercussão da vitória do Nico Rosberg na China. Já tem gente classificando o filho do Keke como um novo campeão, um gênio e absurdos que tais. Sinto muito, mas para mim ele é o protótipo do arroz doce, aquele que é até bom piloto, mas apenas e tão somente isso, não vai além. Pode, sim, vencer vez ou outra, mas carece da verve, do talento, das qualidades dos grandes. Posso perfeitamente estar redondamente enganado, mas ainda o vejo longe de adjetivos como ótimo, grandioso e que tais, como querem alguns fãs exacerbados.

OK, concordo e nunca vou negar que ele guiou muito bem, que fez uma pole position incontestável e venceu com segurança depois de efetuar uma largada perfeita. Mas, entre tantos feitos, tem alguns mas e poréns. Um deles, talvez o principal, é o que teria ocorrido se a McLaren não tivesse vacilado na última troca de pneus do Jenson Button. O inglês vinha se mantendo em segundo, sempre próximo de Rosberg – mas a terceira troca de pneus o atrasou nada menos de seis segundos. Quando voltou à pista, ele encontrou à sua frente um bando de loucos se engalfinhando em uma disputa que mais lembrava as corridas de Fórmula Ford. Não fosse por isso, a luta do Button poderia – e deveria – ser pela liderança. E contra um Rosberg que já não tinha mais pneus para aguentar uma carga como a que o piloto da McLaren tinha programado e não pôde fazer.

O mesmo se pode imaginar em relação a Michael Schumacher. O erro do mecânico chefe de mandá-lo de volta à pista sem dar tempo suficiente para que a roda dianteira direita fosse devidamente apertada também contribuiu se não para a vitória, para a tranquilidade com que Nico pôde cuidar de seus pneus. E quem prestou atenção na corrida notou que, à menor exigência, os dianteiros perdiam aderência e o carro passava a desgarrar desesperadamente de frente. Sem seus dois mais duros adversários, a atuação de Rosberg, embora elogiável, não merece adjetivos tão grandiloquentes. A menos, contudo, que na 112ª, na 113ª ou ainda na 114ª corrida de sua carreira de sete anos na Fórmula 1 ele volte a exibir tal domínio. E não precise de erros de mecânicos para se tornar um habitué do cobiçado degrau mais alto dos pódios.

Que fique claro, também, que só estou me opondo aos elogios exagerados – também vejo muitos méritos na atuação do Nico. O maior deles é uma de suas maiores, se não a maior, qualidade: a disposição, ou a fixação, de aprender o máximo possível de seus companheiros. Esta é uma das características de sua carreira. Como companheiro de Lewis Hamilton na equipe de kart dirigida por seu pai Keke, ele evoluiu a ponto de se ombrear com o próprio Hamilton e com Robert Kubica. Na GP2, categoria em que se tornou o primeiro campeão depois de vencer cinco das 23 corridas, ficou famosa a noite em que ele só deixou a pista às 11 da noite: havia dedicado mais de quatro horas ao estudo da telemetria de seu companheiro, um velocíssimo francês chamado Alexandre Prémat, para entender porque era mais lento em duas curvas.

Talentoso, Prémat vinha de um ano dourado: havia vencido o Marlboro Masters e Macau, as duas corridas mais prestigiosas da categoria por reunirem a fina flor da Fórmula 3, às quais comparecem todos que pretendem um futuro de destaque no automobilismo. Mas terminou o ano em quarto e, talvez por isso, não chegou à Fórmula 1 – hoje corre na V8 Supercars australiana –, mas Nico chegou. Sem dúvida, sua ascendência ajudou: a F1 adora os filhos (e também os sobrinhos) dos grandes campeões, e Keke Rosberg foi um deles. Dono de estilo espetacular, guiando sempre em derrapagem controlada, Keke era um espetáculo em si mesmo; Nico não é. Longe disso, é um piloto cerebral, estudioso dos dados da telemetria, inegável e monotonamente eficiente.

Talvez sua pós-graduação tenha vindo nestes dois últimos anos, aproveitando a chance para assimilar o máximo que pôde de Michael Schumacher. Mesmo como discípulo, conseguiu se impor ao heptacampeão durante seu logo período de readaptação – se bem que até a China, vinha tomando um belo pau do hepta. Seja como for, com tudo isso ele vem-se mantendo há sete anos na Fórmula 1 – convém lembrar que ninguém (seja lá filho, sobrinho ou neto de quem for) fica na categoria máxima do automobilismo por tanto tempo que não seja por seus próprios méritos – ainda mais como assalariado de grandes equipes nestes tempos de caça à grana.

Mas para mim, pára por aí. É bom? É. É ótimo? Não. Futuro campeão? Só se evoluir o que já não se espera de quem está há tanto tempo na F1. Ficou claro? É assim que vejo o Nico Rosberg. E tem mais: eu gosto de arroz doce, só não acho a maior delícia do mundo.

Esgotado o tema, dediquemo-nos a certas estranhezas verificadas no GP da China. A maior delas: o que deu na cabeça do pessoal da Red Bull para decidir colocar um tipo de escapamento no carro do Sebastian Vettel e outro, totalmente diferente, no do Mark Webber? Dividiram a equipe em duas: ao meu lado direito, a equipe Red; ao esquerdo, a equipe Bull. Ou vice-versa (não concebo vice versa sem hífen, não é vice nem versa). Como pode isso? Desta forma, desperdiçou-se a valiosa troca de informações, a utilíssima possibilidade de se testar regulagens diferentes ao mesmo tempo e, ao fim do dia, colocar todos os dados no liquidificador e dele extrair a receita se não ideal, pelo menos o mais perto possível disso.

Sinal de desespero claro, no meu entender. O escapamento usado pelo Vettel (a pedido dele mesmo) era o primeiro modelo usado na pré-temporada (se vice-versa tem direito a hífen, pré-temporada também deve ter); o do Webber era o que o Adrian Newey copiou da Sauber e fez estrear sem testes prévios no GP da Austrália. O primeiro sopra os gases do escape para a parte inferior do aerofólio; o segundo, na direção do difusor. O pior é que os dois se mostraram equivalentes em quase todos os treinos e na corrida. Sim, o Webber deu um passão inesquecível no Vettel nas últimas voltas, com direito a batida de rodas, mas a posição em disputa era um distante quarto lugar. A única vantagem visível de um sobre o outro foi no qualify, quando Webber passou para o Q3 e Vettel sobrou no Q2. Nada garante que seria diferente se os dois usassem o mesmo escapamento, mas não se pode negar que o resultado da insólita divisão da equipe foi absolutamente inócuo.

Mas tem outras estranhezas além das loucuras da equipe dividida. E uma delas vem-se perpetrando desde o GP da Austrália, a primeira etapa do ano. Vocês já notaram que o antes tresloucado Lewis Hamilton vem-se mostrando extremamente comedido, regular, previsível? Apesar de ainda não ter vencido nenhuma corrida, o que antes o levava a bater em quem ousasse aparecer na sua frente (de preferência no Felipe Massa, mas se ele não estivesse disponível, servia qualquer outro), Hamilton é o líder do campeonato com 45 pontos. Pasmem: foi terceiro em todas as três corridas, e o pior é que anda todo satisfeito, rindo de orelha a orelha, como se fosse um Jenson Button.

Aliás, é isso que me parece: ele está se tornando uma cópia do Jenson Button. Guia dentro dos limites dos pneus, não comete mais as deliciosas ousadias de outros anos, soma pontos como se seu atrevimento característico tivesse sido substituído por um frio calculismo. Ainda bem que, nos qualifies, ainda pega o carro pelo pescoço, sacode para lá e para cá e marca tempos esplendorosos. Mas só mesmo os sábados nos fazem lembrar, com certa nostalgia, do Hamilton abusado que aprendemos a admirar, um tanto estabanado, mas sempre espetacular. A esperança é a aproximação inexorável do Button, que já tem uma vitória no bolso, a do GP da Austrália e está no momento apenas dois pontos atrás dele. Vocês se lembram da cara de poucos amigos do Hamilton naquele pódio? Talvez a aproximação do companheiro e rival seja a chave que resgatará o Hamilton desta fase excessivamente bem comportada.

Aliás, para mim já está quase definida a luta pelo título, e acho que vai ficar mesmo entre os dois pilotos da McLaren. Que, aliás, continua a melhor de todas equipes. Mesmo líder absoluta do campeonato, ela chegou à China cheia de inovações. No espaço de três semanas (na verdade, apenas duas), ela desenvolveu novas asas dianteiras e traseiras e um novo assoalho. Ou seja, sabe perfeitamente que o trabalho de melhoramento de um carro de Fórmula 1 não tem fim nem descanso. E provavelmente só não saiu de lá com a vitória por causa do erro na troca dos pneus de Button e porque Hamilton teve de trocar a caixa de marchas, por causa de uma fissura na carcaça, e perdeu cinco posições no grid, largando em sétimo depois de marcar o segundo melhor tempo.

Mas se Hamilton não parece mais o mesmo, já tem um substituto no lugar de show man. Falo de Kimi Raikkonen, que vem mostrando prova a prova que não perdeu sua majestade. Como guiou, como guia o finlandês. Com um estilo visivelmente diferente, ele sabe gastar apenas o necessário para mostrar aonde pode chegar na hora certa. No Q1 da China, foi um modestíssimo 12º colocado, o que era mais do que suficiente; no Q2, o oitavo; no Q3, ou seja, na hora da verdade, pulou para quarto. Na corrida, se manteve sempre nas principais posições, mas a escolha de fazer apenas duas paradas não deu certo. Aliás, já não havia dado certo em 2011, quando Vettel perdeu o primeiro lugar para Hamilton na última volta por causa dos pneus: os do alemão estavam no bagaço, os do inglês, que havia parado três vezes, ótimos.

É bom lembrar que Raikkonen guia para uma equipe submersa em problemas financeiros, que não tem recebido as verbas contratadas de seu principal patrocinador, patrocinador este que na semana do GP disse que não patrocina mais, que a equipe lhe deve 30 milhões de dólares e que pode tomar tudo dela, da sede aos carros. No fim, viu-se que era tudo mentira, menos a parte que não paga mais nenhum tostão, como já não pagou antes. Claro que o dono da Genii Capital, a controladora da escuderia, disse que já bancou tudo no ano passado e se for preciso banca de novo. Mas das palavras ao desembolso vai uma certa distância, mais ainda quando se trata de segundo ano seguido de dureza. Imaginem agora como ficou a cabeça do seu companheiro Romain Grosjean, que guia muito e bate mais ainda. Mas desta vez deu tudo certo para o suíço: largou em 10º, e mesmo tendo sido advertido no grid que um novo acidente não seria tolerado, se manteve calmo o suficiente para chegar em sexto.

Quem chegou logo atrás dele foi Bruno Senna, que começa a ganhar o respeito dos chefes da Fórmula 1 com suas atuações na Malásia e na China. E desta vez, conseguiu também fazer um bom qualify. OK, 14º lugar não é para espoucar champanhe, mas é muito bom considerando que seu companheiro Pastor Maldonado, sabida e reconhecidamente rápido nas provas de classificação, foi 13º, com apenas 0s006 de vantagem. Ou seja, a deficiência parece residir no carro, não nos pilotos. Na corrida, os dois duelaram roda a roda e a vantagem foi de Bruno, que somou mais um sétimo lugar e é responsável pelos 24 pontos dos 18 que a Williams conquistou neste ano. Muito bom.

Bem, chegou a hora: Ferrari. Ah, a Ferrari. A carruagem da Malásia voltou a abóbora na China. E não podia ser diferente. Sem a chuva salvadora que caiu do céu três semanas antes, os velhos dramas retornaram com ainda mais força. A queda do alto do pódio foi fragorosa, e não a salvou nem mesmo a inegável habilidade de Fernando Alonso, que andou dando suas escapadinhas como se mero mortal fosse. Largou em nono e em nono ficou até os carros que iam à sua frente começassem a parar. Teve Felipe Massa em seu encalço desde a largada e, mais uma vez, teve de recorrer às ordens dos boxes para passar o companheiro de equipe quando seus pneus tinham apenas três voltas e os do Massa, 12. Chegou em nono.

Claro que Alonso é um dos melhores pilotos de todos os tempos e o melhor da atualidade, mas milagre só no andar de cima. E se alguém surpreendeu na Ferrari neste domingo, este alguém foi o Massa. Pelo que se viu desde o qualify, quando reduziu sua natural desvantagem para Alonso para 0s273 (ainda se espera que diminua, mas já não é o vexame das outras duas corridas), se reencontrou com o carro. E, na corrida, esteve à altura de Alonso enquanto a equipe permitiu. Sim, permitiu, porque a demora de pelo menos duas voltas para chamá-lo para a segunda troca foi inaceitável. Nestas duas voltas, ele perdeu nada menos de quatro segundos, tempo que o colocaria, no final da corrida, em ...nono lugar, a colocação final do Alonso. É, sem dúvida, um ótimo argumento para os adeptos da teoria da conspiração.

Seja como for, e sei que vou ser apedrejado por isso, gostei muito do GP da China e, principalmente, da atuação dos dois brasileiros. Bruno, pela confirmação de um amadurecimento visível; Massa pela recuperação, se bem que apenas parcial, de sua combatividade. Se foram ou não os dias passados em Maranello, junto ao diretor técnico Pat Fry e seu staff, só eles podem dizer. Mas a velha garra com que ele sempre saiu de situações sombrias deu sinais de vida. Que o velho Massa volte, e que seja bem vindo. Cruzemos os dedos.

Neste domingo tem o GP do Bahrein. Não era para ter, mas vai ter. Afinal, a família sunita Al Khalifa, que submete a oposição xiita com a força das armas, paga nada menos de 45 milhões de dólares a Bernie Ecclestone e seus patrões do fundo CVC para que a Fórmula 1 corra lá. No ano passado, pagou mesmo sem ter corrida, se não tivesse de novo a fonte secaria. Muitas equipes reclamaram da boca para fora, mas a ausência significaria, para cada uma, cerca de 4,5 milhões de dólares na divisão anual do bolo. Ficaram aliviadas quando o presidente da FIA, Jean Todt, bateu o martelo e garantiu a realização do GP barenita.

Foi na sexta-feira passada. Todt foi à China especialmente para isso – mas se negou a dirigir uma única palavra à imprensa. Talvez porque essa raça abelhuda certamente lhe perguntaria se há alguma relação entre sua decisão e a presença de um membro da família Al Khalifa na vice-presidência do Conselho Esportivo da FIA, entidade que ele preside. Ou se é porque possui 23 por cento das ações da equipe ART Grand Prix que pertence a capitalistas do Bahrein, ou seja, são sócios do filho querido Nicolas Todt – não por acaso um dos mais influentes empresários de pilotos. Ainda bem que não é só com a família Todt: 50 por cento das ações da McLaren pertencem ao fundo soberano do governo do Bahrein.

Ora, com todos estes motivos, por que se preocupar com o que acontece fora dos autódromos ou com a imagem da F1 de um esporte que só se preocupa com dinheiro, como já fazia quando era a única competição a visitar a África do Sul nos tempos do apartheid – o que só deixou de fazer quando uma transportadora australiana se negou a levar sua carga sob a alegação de ser maculada. Certamente, pensam os hierarcas do automobilismo, estes protestos nunca chegarão perto do mundo de fantasia em que vivem. Provavelmente não. As forças policiais providenciarão a segurança necessária. Ou será que chegarão, como prometem os oposicionistas xiitas? E nas ruas que se deve cruzar para chegar à pista, o que acontecerá? Mais uma vez, dedos cruzados.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

LEGENDE A FOTO

terça-feira, 13 de março de 2012

GUIA F1 2012 - MERCEDES


07 - Michael Schumacher

08 - Nico Rosberg