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quarta-feira, 19 de março de 2014

Mercedes larga bem, mas ainda tem muita coisa a ser descoberta*

* Por Bruno Vicária


A primeira prova da temporada da Fórmula 1 em 2014, na Austrália, refletiu só um pouco do visto nos testes preparatórios. Mas o retrato foi longe de ser 100% fiel, pelo contrário. A vitória de Nico Rosberg pode ser vista como surpresa por um outro lado: a expectativa era de que a vitória ficasse com a outra Mercedes, a de Lewis Hamilton.

O inglês, no entanto, deu um azar só. Perdeu um treino livre, marcou a pole e deu apenas duas voltas na corrida. Foi praticamente uma viagem de turismo para Hamilton na Austrália. Isso se reflete na quilometragem acumulada no fim de semana: apenas 75 voltas. Rosberg, o vencedor, deu praticamente o dobro de voltas: 141.

A Mercedes não teve rivais. Rosberg chegou a abrir 40 segundos no momento da segunda janela de pneus. Atrás dela vem o bolo todo. A McLaren foi consistente e rápida; a Red Bull funcionou (em parte) apenas com um piloto, e a Williams viu Bottas correr (e bem) por ele e por Massa, que foi tirado na largada (falamos disso mais tarde). A Ferrari continuou onde parou no ano passado, como a mais fraca das equipes de ponta.

No caso da Red Bull, o "em parte" dito no parágrafo anterior se refere à desclassificação de Daniel Ricciardo da segunda posição por conta de irregularidades no fluxo de combustível, considerado acima do permitido. O time vai recorrer. Já Vettel, se pudesse, recorreria de todo o fim de semana, tamanha a quantidade de problemas, que resultaram em apenas 81 voltas em todo o fim de semana.

Kevin Magnussen teve uma estreia similar à de Hamilton na McLaren, lá em 2008. Superou o companheiro de equipe campeão mundial (Jenson Button) e foi ao pódio em terceiro, ganhando o segundo lugar com a exclusão de Ricciardo. Button, em terceiro, deu a esperança definitiva de que a McLaren está de volta a onde nunca deveria ter saído.

Mas a equipe que mais ganhou em Melbourne foi a Toro Rosso. Foi o time que mais acumulou quilometragem (mais de 1.600 km com Jean-Eric Vergne e Daniil Kvyat), completando praticamente metade das voltas dos carros com motores Renault, que são oito (316 de 753), e fazendo história com Kvyat, o mais jovem a pontuar com 19 anos de idade.

Infelicidade é o que podemos dizer de Massa. Após treinos tão promissores, o brasileiro não conseguiu fazer nem a primeira curva. Foi acertado por trás em uma manobra infeliz do Caterham de Kamui Kobayashi e clamava, com razão, por uma punição severa ao japonês, que acabou inocentado de culpa pelos comissários.

Com duas semanas para a próxima corrida, na Malásia, deveremos ver praticamente os mesmos carros em Sepang, com as mesmas fragilidades. O que pode ser agravado pelo calor escaldante dos arredores de Kuala Lumpur. Ou seja, será mais uma corrida de surpresas, a não ser que ocorra algo de extraordinário.

VOLTAS COMPLETADAS NO FIM DE SEMANA

POR PILOTO
1. Magnussen, 160 (848 km)
2. Vergne, 159 (843)
3. Kvyat, 157 (832)
4. Ricciardo, 154 (816)
5. Hulkenberg, 149 (790)
6. Perez, 147 (779)
7. Button, 146 (774)
8. Bottas, 143 (758)
9. Rosberg, 141 (747)
10. Alonso, 137 (726)
11. Raikkonen, 133 (705)
12. Sutil, 133 (705)
13. Chilton, 108 (572)
14. Bianchi, 104 (551)
15. Gutierrez, 98 (519)
16. Massa, 91 (482)
17. Vettel, 81 (429)
18. Hamilton, 75 (397)
19. Grosjean, 65 (344)
20. Ericsson, 55 (291)
21. Maldonado, 49 (259)
22. Kobayashi, 33 (174)

POR EQUIPE
1. Toro Rosso, 316 (1675 km)
2. McLaren, 306 (1622)
3. Force India, 296 (1569)
4. Ferrari, 270 (1431)
5. Red Bull, 235 (1246)
6. Williams, 234 (1240)
7. Sauber, 231 (1224)
8. Mercedes, 216 (1145)
9. Marussia, 212 (1124)
10. Lotus, 114 (604)
11. Caterham, 88 (466)

POR MOTOR
1. Mercedes, 1052 (5578 km)
2. Renault, 753 (3993)
3. Ferrari, 713 (3781)

terça-feira, 18 de março de 2014

F1 2013 vs 2014 sound comparison - Melbourne

Rosberg, sem suor*

* Por Tatiana Cunha


É, e eu que tinha esperanças que este GP da Austrália mudasse a imagem que tenho desta corrida… Se fez alguma coisa, só piorou.

Porque se é isso que veremos na F-1 em 2014, foi muito barulho por nada.

Rosberg venceu à la Vettel. Largou, criou gordura, o safety car entrou e ele perdeu tudo, mas não teve problemas para abrir mais vantagem e (Zzzzzzz, a esta altura todo mundo já estava dormindo) recebeu a bandeirada. A comemoração dele, tão empolgante como a corrida…

Ok, estou amarga, #fato. Mas a demora de mais de cinco horas para o resultado oficial da corrida ter saído ajudou para isso.

Um problema com o fluxo de combustível do carro de Ricciardo (que estava gastando mais do que o permitido, o que em outras palavras significa dizer que ele estava ganhando mais potência) fez com os fiscais da FIA fizessem o que mais adoram, que é ficar discutindo por horas e horas uma eventual punição. E desta vez ela saiu. O australiano, que tinha ficado tão feliz por ir ao pódio em segundo, foi desclassificado.

Com isso, Magnussen, que fez uma belíssima estreia pela McLaren, herdou o segundo lugar e Button, o terceiro.

Fim de semana para esquecer para Vettel, Hamilton, Massa e Lotus.

Os dois primeiros abandonaram nas primeiras voltas por problemas distintos de motor. O caso de Massa foi ainda pior. Ele foi arrastado por Kobayashi na primeira curva da prova e acabou estacionado na caixa de brita. Uma pena porque a ótima corrida de Bottas prova que a Williams tinha bom potencial aqui em Melbourne. Vamos ter que esperar mais duas semanas, até a Malásia, para tirar nossas conclusões sobre as chances do brasileiro neste ano.

E a Lotus, que há um ano venceu aqui na Austrália com Raikkonen, viu seus dois carros abandonarem. Maldonado deve estar feliz por ter trocado a Williams pela Lotus, né?

O que deu para se ver desta nova F-1 é que os problemas com a eletrônica dos carros devem ser constantes.

Fora isso, a Mercedes é, sim, a equipe a ser batida. Mas a Red Bull não está tão mal quanto estava pintando. Claro que ainda há muitos problemas a resolver, mas o carro é rápido. A McLaren deu sinais de vida depois do ano vergonhoso que teve em 2013. Já a Ferrari ainda não disse a que veio. Alonso foi apagado (chegou em quarto) e Raikkonen mais ainda (sétimo).

Será que veremos uma nova hegemonia em 2014, a da Mercedes? É possível. Como consolo o fato de nem Rosberg nem Hamilton serem Webber.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Anticlímax*

* Por Luis Fernando Ramos


Domínio absoluto, poucas trocas de posição e polêmicas criadas pelos comissários de prova. A Fórmula 1 mudou radicalmente em 2014 para continuar como estava. O GP da Austrália mostrou que o modelo da Mercedes está léguas à frente dos adversários, que as mudanças técnicas nos carros não incrementaram a dinâmica das corridas e, principalmente, que a regulamentação dos novos motores V6 ainda vai gerar muita discussão.

Na prática, a corrida no Albert Park só terminou quase seis horas depois de Nico Rosberg receber a bandeirada de vencedor da prova. Foi quando a FIA anunciou a desclassificação do segundo colocado, Daniel Ricciardo, por uma irregularidade no fluxo de combustível do carro da Red Bull.

O time apelou da decisão, alegando que o sensor que media isso não era confiável. De fato, durante o final de semana, várias carros tiveram problemas nos sistemas de medida do uso de combustível e tiveram de fazer trocas de última hora no sensor. Inclusive no carro de Daniel Ricciardo. O julgamento ocorrerá no Tribunal de Apelações da FIA em data a ser definida.

A polêmica desviou a atenção da superioridade demonstrada pelo carro da Mercedes. Em alguns estágios da prova, Nico Rosberg chegou a abrir um segundo e meio por volta sobre o resto. O passeio foi tão grande que deixou alguns rivais à beira do desespero. Fernando Alonso chegou afirmar que eles estão em outra categoria e Daniel Ricciardo apostou que Nico Rosberg nem precisou tirar o máximo do carro para abrir toda a vantagem que tinha no final da prova. O vencedor deu todo o crédito do sucesso ao time:

"Um carro incrível como esse só é possível se feito com paixão, a paixão de ver o carro que eles construíram chegar e dominar a Fórmula 1. Isso é o que importa e o que conseguimos hoje como equipe, este primeiro lugar, é a melhor recompensa", disse Rosberg.

Diante da expectativa de uma corrida dramática em termos de abandonos e de problemas de consumo de combustível, a prova de abertura do Mundial de 2014 foi um anti-clímax. Quinze dos 22 carros que largaram foram até o final da corrida. E o período de safety car no início da prova praticamente eliminou a necessidade de poupar gasolina. Diante disso, foram poucas as disputas por posição.

Resta conferir num circuito mais normal, como Sepang, se o que ocorreu em Albert Park foi a regra ou a exceção.

GRID GIRLS: FORMULA TRUCK (GP CARUARU, 2014) E FORMULA 1 (GP AUSTRÁLIA, 2014)



FOTO DO DIA: GP AUSTRÁLIA, 2014


Rosberg, vitória e um passo à frente*

* Por Fábio Seixas

Foi menos agitado do que eu imaginava.

Mas foi um bom GP da Austrália.

Vitória de Rosberg, a quarta da carreira, uma a menos que o pai.

Com uma vantagem para o segundo colocado, Ricciardo, que diz muito sobre este início de temporada: 24s500.

Magnussen completou o pódio. O primeiro estreante a conseguir tal honra desde Hamilton, em 2007. E um feito que o pai, Jan, nunca obteve.

O cataclismo não se confirmou: 15 carros cruzaram a linha de chegada.

Melbourne teve um dia de clima ameno, 17°C no ar, 21°C na pista.

A primeira tentativa de largada foi abortada: Chilton e Bianchi não conseguiram sair e foram levados para o pit lane.

Quando valeu, Rosberg foi sensacional. Costurou pela direita e tomou a liderança antes que Hamilton e Ricciardo entendessem o que estava acontecendo. Um show.

Massa se deu mal. Kobayashi veio freando pela reta como uma vaca louca e acertou com tudo a traseira do Williams. Ambos abandonaram.


É aquele velho ditado das pistas: você não ganha uma corrida na primeira curva, mas você pode perdê-la. O japonês foi mal nessa...

“Primeira corrida do ano, eu não tenho a menor ideia do que ele tentou fazer. É perigoso, uma porrada na traseira... É até difícil achar palavras. Ele não usou a cabeça”, disse Massa ao repórter Marcelo Courrege, da TV Globo.

Na terceira volta, Vettel parou nos boxes. Na quarta volta, foi a vez de Hamilton abandonar. Ambos com problemas no motor.

“É um saco. Tivemos uma pré-temporada difícil”, afirmou o alemão.

Na oitava volta, Bottas passou Raikkonen e assumiu a sexta posição. Pelo rádio, a Ferrari alertou Alonso de que o Williams estava chegando.

Durou pouco. Na décima volta, Bottas carimbou o muro e perdeu a o pneu traseiro direito. Safety car.

O top 10 à esta altura: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Raikkonen, Vergne, Kvyat, Button e Sutil. A vantagem do alemão, 7s530.

Começou, então, um corre-corre para os boxes. E quem se deu bem foi Button, que pulou de nono para sexto.

A relargada veio na 16ª volta.

O top 10, Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Button, Vergne, Raikkonen, Sutil e Kvyat.

Forte na ponta, o alemão logo tratou de recuperar sua vantagem. Na 20ª volta, já tinha novamente 5s842 sobre Ricciardo. Na 27ª, rompeu a barreira dos 10s: abriu 10s843.

Na 28ª, Ericsson parou. Restavam 17.

Na 31ª, foi a vez de Maldonado. Restavam 16.

Na 32ª, Gutierrez inaugurou a segunda janela de pits. Button e Pérez entraram na sequência, e o inglês perdeu a ponta do bico quando o carro foi colocado no chão.

Bottas continuava bem, mesmo após a batida no muro. Na 35ª, aproveitou-se de um erro de Raikkonen e subiu para quinto.

Logo depois, Alonso parou. Ricciardo, Bottas, Raikkonen e Kvyat fizeram o mesmo.

Magnussen entrou na 37ª. Rosberg, na 38ª, voltando na liderança mesmo após uma problema na troca do pneu dianteiro esquerdo.

E Button se deu bem de novo, ganhando mais duas posições: pulou pra quarto.

O top 10 após a segunda janela de pits: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Button, Alonso, Hulkenberg, Vergne, Bottas, Raikkonen e Kvyat.

Na 44ª volta, o alemão já tinha 18s219 sobre o australiano, que já começava a tomar pressão de Magnussen.

Na volta seguinte, Grosjean abandonou, 15 continuaram.

Bottas, lembram dele? Continuava sendo o showman da corrida. Aproveitou uma bobeada do Vergne na 47ª volta e assumiu o sétimo posto.

Veio então um rádio para Magnussen: “Vá para cima do Ricciardo. Ele está com problemas”. Coincidência ou não, o australiano reagiu: fez sua melhor volta na prova.

Bottas mantinha o pé embaixo. Na 52ª, deixou Hulkenberg para trás: P6.

E assim ficou.

O top 10 na linha de chegada, Rosberg, Ricciardo (depois desclassificado), Magnussen, Button, Alonso, Bottas, Hulkenberg, Raikkonen, Vergne e Kvyat (e Perez).

“Vocês me deram um carro perfeito”, disse Rosberg, pelo rádio.

Uma frase que talvez precise ser relativizada. Talvez não seja perfeito. Mas certamente é muito, muito melhor do que todos os outros.

A Mercedes é favorita ao título. E Rosberg começa a luta interna um passo à frente.

sexta-feira, 14 de março de 2014

AO VIVO: FÓRMULA 1 - GP DA AUSTRÁLIA 2014 (TREINOS E CORRIDA)



*** PRÓXIMAS TRANSMISSÕES AO VIVO ***
TREINO LIVRE 1 - 13/03/2014 (quinta-feira), 22:30h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 2 - 14/03/2014 (sexta-feira), 02:30h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 3 - 15/03/2014 (sábado), 00:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO - 15/03/2014 (sábado), 03:00h (horário de Brasília)
CORRIDA - 16/03/2014 (domingo), 03:00h (horário de Brasília)

ACOMPANHE A CRONOMETRAGEM OFICIAL, AO VIVO. CLIQUE AQUI!

Primeiras impressões*

* Por Tatiana Cunha


O motor Ferrari de Fernando Alonso rompeu o silêncio do início de tarde hoje aqui no Albert Park e deu oficialmente a largada para o Mundial de F-1 de 2014. Confesso que estranhei o som da F-1 neste primeiro dia. Mas acho que com o tempo vamos nos acostumar com o ruído menos estridente dos V6.

Com quatro minutos de treino, a primeira surpresa. A Mercedes de Hamilton fica estacionada no meio da pista em sua primeira volta. Enquanto isso, na garagem da Red Bull, Suzie, o carro de Vettel neste ano, ainda não está pronta para o alemão dar suas primeiras voltas.

E assim começou o campeonato em Melbourne. Com alguns imprevistos, mas nenhuma grande surpresa.

Ao final do dia, Hamilton colocou ordem na casa e, depois de perder a primeira sessão toda por conta do problema em um sensor que deixou seu carro parado, fez o melhor tempo em 1min29s625. Atrás dele, seu companheiro de garagem, Rosberg, menos de dois décimos mais lento.

A Ferrari viu Alonso ser o mais rápido de manhã e o terceiro à tarde. Nada mal. Já Raikkonen teve alguns problemas e foi nono e sétimo, respectivamente.

Para a Red Bull este primeiro dia em Melbourne foi de alívio. Depois de tantos problemas na pré-temporada, tanto Vettel como Ricciardo andaram bastante e sem grandes dramas.

O tetracampeão fechou o dia com o quarto melhor tempo e 51 voltas na bagagem, quase a distância do GP da Austrália. “Este primeiro dia foi um grande alívio para nós, pois trabalhamos muito para isso. Os tempos de sexta-feira geralmente não significam muita coisa, mas sem dúvida é melhor estar mais na frente do que atrás”, disse ele há pouco no paddock.

Não tenho dúvidas de que a Red Bull tem condições de tirar sua desvantagem em pouco tempo. Vai ser interessante ver qual a capacidade de reação deles, já que nos últimos anos eles sempre começaram a temporada na ponta ou pelo menos bem perto dela.

A Williams mostrou que os resultados da pré-temporada não foram coincidência. De manhã Bottas ficou em terceiro e Massa, em quarto. No segundo treino o brasileiro foi o 12º e o companheiro, o oitavo.

Mas Massa disse que o objetivo principal hoje não foi a preparação para a classificação e sim para a corrida. E que a equipe ainda está tentando entender um pouco melhor o comportamento do carro. E afirmou que o objetivo para amanhã é se classificar entre os dez primeiros.

Aguardemos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

quarta-feira, 20 de março de 2013

Acerto que privilegie classificação e corrida, o segredo este ano*

* Por Lívio Oricchio


Os treinos livres, a classificação e a corrida de Melbourne começaram a expor várias verdades da Fórmula 1, na 64.ª temporada da sua história, embora não de forma definitiva. Por exemplo: encontrar o acerto do carro capaz de desfrutar o melhor dos novos pneus Pirelli é o principal desafio que está em jogo nessa fase inicial do campeonato. E esses acertos são bastante específicos e decisivos.

A Red Bull estabeleceu com Sebastian Vettel, ontem de manhã, a pole position do GP da Austrália com tanta facilidade que, junto da ótima impressão deixada já nos treinos livres de sexta-feira, fez muita gente acreditar que dominaria a corrida, programada para apenas cinco horas depois da definição do grid. A classificação foi disputada domingo de manhã por causa da chuva intensa no sábado.

Mas o que assistimos na prova foi Vettel recorrer a todo seu talento para acabar na terceira colocação, distante do vencedor, o ótimo Kimi Raikkonen, do equilibrado modelo E21-Renault da Lotus. Vale lembrar que Vettel e todos os demais foram para a largada com o mesmo acerto usado na classificação, pois o regulamento não permite mudanças. Depois da definição do grid os monopostos ficam em regime de parque fechado. Não é possível alterar as regulagens.

Com a Lotus ocorreu o contrário da Red Bull. Raikkonen não tinha um carro muito acertado para a definição do grid, haja vista que foi sétimo, 1 segundo e 331 milésimos atrás de Vettel, uma eternidade para os padrões da Fórmula 1. Mas o mesmo acerto da classificação foi um dos maiores responsáveis por vencer com uma vantagem de 22 segundos e 346 milésimos para Vettel.

Por quê? Principalmente por causa da forma regular e constante como explorou as potencialidades dos novos pneus Pirelli, a ponto de fazer uma parada a menos dos concorrentes e a melhor volta a duas da bandeirada, quando quase todos tinham os pneus já bem desgastados, menos os seus, o que chamou a atenção da Fórmula 1.

Essa realidade técnica da Fórmula 1 atual sugere que já no próximo fim de semana poderemos ter panorama distinto, senão oposto do evidenciado no circuito Albert Park. Parece que vai demorar um pouco para ser possível estabelecer algum tipo de lógica entre o que assistimos num GP e o que podemos projetar para a etapa seguinte. Mais: entre uma classificação e a corrida já no dia seguinte.

Enquanto na Austrália os pilotos receberam os pneus médios e os supermacios, no GP da Malásia, sempre sob temperaturas muito elevadas, a Pirelli levará os mesmos médios e agora os duros.

Já ficou claro para os pilotos e os engenheiros que o que lhes está sendo cobrado é descobrir um acerto que faça seu carro ser medianamente eficiente na classificação e na corrida. Um acerto que privilegie demais a definição do grid não funciona, como a Red Bull demonstrou. Já uma má classificação como o da Lotus, ainda que inconveniente, traz menos prejuízos.

Mas se a pista for daquelas onde é muito difícil ultrapassar, a exemplo do Circuito da Catalunha, em Barcelona, Mônaco, Nurburgring, e Budapeste, dentre outros, o mau desempenho na tomada de tempos não deverá permitir ascender na corrida como Raikkonen ontem, que pulou de sétimo para primeiro. Mas já não era assim na Fórmula 1? Sim, desde que impuseram o regime de parque fechado. Ocorre que agora, diante das características dos novos pneus Pirelli, esse desafio ganhou dimensão ainda maior. Ficou comprovado com números em Melbourne.

Na classificação, em Melbourne, Red Bull, Ferrari e Mercedes foram as mais rápidas. A Lotus ficou distante. Na corrida, repito: apenas 5 horas depois do fim da definição do grid, não é exagero dizer que a Lotus quase passeou na pista. Raikkonen tinha reserva de performance enquanto Alonso, Vettel, Massa, Hamilton, Webber, classificados na sequência, lutavam para perder pouco ritmo.

Será interessante acompanhar a resposta que cada grupo de engenheiros vai desenvolver para afrontar esse exercício que, pelo comprovado no GP da Austrália, será o que vai definir o vencedor da etapa no bem mais exigente circuito de Sepang, na Malásia.

terça-feira, 19 de março de 2013

Pílulas do Dia Seguinte*

* Fábio Seixas


Mesmo com a vitória, não acho que Raikkonen seja candidato ao título. Sacadas estratégicas não acontecem todos os dias. E é bom lembrar que ele saiu do sétimo lugar do grid. Ou seja, não tem um carro dos mais velozes. Numa situação “convencional”, lutaria pelo pódio e olhe lá. Ainda acho que, em dias normais, o finlandês vai brigar com a dupla da Mercedes, com Massa e com Webber. Com enormes chances de ser novamente terceiro na tabela;

Isto dito, admito que eu adoraria queimar a língua (e os dedos). Ver Raikkonen disputando o título no final do ano seria assistir ao triunfo do talento nato;

Domenicali falou mais ou menos nesta linha. Reconheceu os méritos do finlandês e da Lotus, mas acha que esse tipo de “pulo do gato” é passageiro: “Temos que ser prudentes nas análises, porque esta foi apenas a primeira corrida. Muitas coisas mudarão nas próximas semanas em termos de compreensão dos carros, de preparação para os GPs, de administração dos pneus”;

E a McLaren? A situação por lá é tão feia que houve quem cogitasse levar os carros de 2012 para a Malásia. Whitsmarsh acabou descartando a ideia, mas é um poço de desânimo: ”Depois de um final de semana como este, eu estaria falando besteira se dissesse que os engenheiros estão confiantes”.

Massa preferiu falar em “aposta certa” de Alonso no momento do segundo pit. Pode ser. Mas, dado o histórico ferrarista, pode também não ser. De qualquer forma, há alto estranho aí. Se o brasileiro estava disputando posição com o espanhol e este entrou nos boxes, ele deveria ter entrado logo depois. É aquele velho jogo de marcação, já cansamos de ver isso. Com estratégias iguais, a chance de as coisas continuarem iguais são bem maiores, isso me parece lógico. Massa ficou na pista quatro voltas a mais. Deu no que deu;

Uma estatística curiosa: havia 55 GPs que a Ferrari não liderava o Mundial de Construtores, desde o GP da Malásia de 2010. Sinal dos tempos;

Depois de Raikkonen, o nome da corrida foi Sutil. E as histórias dos dois exemplificam o apotegma de que talento não se esquece;

Vettel: “Depois de uma boa largada e duas ou três voltas, os pneus começaram a se despedaçar. Não podíamos continuar como o resto do pelotão”. Sim, foi flagrante o mau comportamento dos pneus nos carros da Red Bull. É um problema grave, mas nada que não possa ser solucionado por Newey em dois ou três GPs. Enquanto isso, é importante seguir marcando pontos. E Vettel tirou leite de pedra para conseguir a terceira posição;

Malásia terá pneus duros e médios. É o mesmo cardápio de 2012. O problema é os compostos estão, todos, mais macios. A comparação que a própria fabricante faz é que o duro deste ano equivale ao médio do ano passado. Ou seja: já dá pra prever, com seis dias de antecedência, que, em Sepang, os médios serão usados só pra cumprir tabela. Isso, claro, se não chover. “Esperamos três pits, mas novamente o clima vai comandar as ações”, diz Paul Hembery, diretor da Pirelli.

A maior ironia do final de semana foi Maldonado reclamar que o carro é inguiável. É cada uma…

ADIANTE, BELA!, 2*

* Victor Martins


As reações e respostas ao resultado são válidas para tentar entender onde foi que a maioria, incluso eu, erramos na avaliação de que a Red Bull sobraria na Austrália, de onde há de partir para a Malásia com uma derrota sensível. Primeiro que ninguém nos boxes taurinos borrifados de roxo-celofane há de convencer que o pódio de Vettel é meramente um bom resultado. E o bom é de que sua alegação ao terceiro lugar vai ser contraposta nos próximos dias na Malásia.

A Red Bull põe nas baixas temperaturas de Melbourne a culpa pelo desempenho discreto de Sebastian durante as 58 voltas da corrida. Um Vettel que largou bem, mas que em nenhum momento conseguiu desgarrar das Ferrari de Massa e Alonso no primeiro stint ou que conseguiu ameaçar Sutil na briga pela liderança mesmo com calçados mais novos no segundo. E esse Vettel que não desenvolvia ao longo e que segurava o ritmo de Massa e Alonso é que fez o engenheiro do espanhol arriscar. A moita não tinha nada a oferecer além daquilo, embora tenha sido agradável a Felipe e seu grupo, que tomaram na testa por não terem aquela sacada. A isto, em instantes.

Quando calçou os supermacios nas CNTP similares, Vettel sobrou, sobretudo no que restou da classificação. Com aquele pneu de faixa vermelha e curtíssima duração, então, a Red Bull se vira. Mas em longa duração, com os médios, a performance é simplesmente mediana e o carro consome muito da borracha. Tanto que Seb terminou longos 10s atrás de Alonso, sem chance de briga. Dizem os catedráticos que a coisa será outra em Sepang, com termômetros lá no extremo. O pneu médio lá estará, junto ao duro. Reserve.

Massa pulou como um um canguru no cio para cima de Webber na largada e tomou sem sustos duas posições, já que Hamilton se preocupava em não perder posição para Alonso, o que não conseguiu curvas depois. Felipe bem acompanhou o líder Vettel até a parada deste, assumiu a ponta e, oh!, puxa!, a Ferrari o chamou antes de Alonso para a primeira parada. A Ferrari, essa equipe aí cuja razão social é boicotar brasileiros, na visão de Brasilino Pacheco… Fernando foi aos pits uma volta depois, e as coisas ficaram na mesma.

Vendo que Vettel, e não Sutil, quem lhes prendia o ritmo, restava que alguém arriscasse, e só podia ser antecipando os pits para que voltasse em ritmo melhor à pista e girasse mais rápido que o pelotão. Massa, que não atacou Vettel e tinha o temor de que os macios iam lhe ferrar no fim da prova, preferiu ficar ali esperando a banda melbourniana passar; o companheiro arriscou. A grita que se faz achando que houve um jogo de equipe descarado não cola, até porque o ritmo de Massa era tão bom quanto o de Alonso. Se a Ferrari realmente já quisesse entregar o troféu de primeirão a Alonso, teria feito na primeira parada. E outra: vai que arrisca com Massa e não dá certo. Aí toda a torcida cheia de ladainha e mimimi estaria reclamando que o projeto Fornicazione 2013 estava em ação de outra forma.

A leitura da corrida naquele momento, em sua metade, permitia pensar que Sutil, sim, seria um candidato a vitória. Andando no ritmo dos demais com pneus velhos e com um plano de corrida que o veria colocar os supermacios no fim, teoricamente lhe dando um mega-impulso, Adrian voltava à F1 prestes a brilhar. Mas o desenrolar das ações, com Alonso endiabrado e livre de Vettel, e o insurgente Räikkönen, ofuscaram o plano da Force India, que ainda deve alguns décimos aqui e ali, mas que já se mostra um carro bem feitinho para encher o saco da vida das grandes, com um piloto de nível pra lá de bom. E Sutil virou mais lento com os pneus chiclete-Adams, afe.

Kimi, Kimi. Se a corrida fosse vista em takes de cinema ou flashes, seria até mais interessante. Por exemplo: no começo, quando estavam lá a Red Bull e as Ferrari, Räikkönen deu um passão por fora em Hamilton. Depois, quando estavam para começar as paradas, eis que o degustador de vodka já estava colado atrás de Alonso, com quem parou para colocar os macios. E como a negada da frente e o resto do povo estavam preocupados em ver como ia se desenrolar a briga entre os quatro, ninguém reparou no bote de Kimi de fazer o resto da corrida dividido ao meio, em trechos de 24 e 25 voltas. A equipe de Massa achava que com 18 ou 20 já ia para o bagaço, o que se mostrou errado. Ali a Lotus foi genial e demonstrou, com a volta mais rápida de seu mestre nos giros finais, que tem um carro extremamente competitivo nas corridas. E que parece ter resolvido seus problemas de confiabilidade. A Pirelli reagiu: “Eles entenderam perfeitamente o funcionamento dos pneus”. Taí. É isso que vai determinar as variedades e diferentes situações do início do campeonato.

A Mercedes deu saltos em relação ao ano passado tanto em termos de classificação quanto de corrida. Mas o cenário parece o mesmo: nos GPs, cai um pouco. Hamilton andou rápido enquanto os pneus lhe deram chance, enquanto o outro carro, o de Rosberg, quebrou. Ficou em quinto, o inglês. Uma estreia mediana. Webber, meu pai do céu, sexto colocado, não fez cocô nenhum a corrida toda. Culparam o ECU, a centralina, que é feita pela McLaren, “não tinha telemetria nenhuma, zero”. Curioso como o ECU é sempre um ecu na vida de Mark, que larga mal pacas. Sutil ficou em sétimo, à frente de Di Resta, que tinha estratégia inversa a do companheiro. Button, com a Marussia prata, foi nono. Tem gente na McLaren que já defende o abandono do projeto do MP4-28 e adoção do conceito do ano passado. Whitmarsh diz que vai insistir. Fortíssima candidata a ficar em quinto este ano. Grosjean foi décimo. Fraquíssimo. Lutou a prova toda com as McLentas, as Toro Rosso e olhe lá. Tiveram Kobayashi nas mãos. Deu nisso. É como Irmã Selma diz: “Eu rezo. E acontece.”

Falando em Toro, até que o carro deles em ritmo de festa é interessante. Vergne saiu da zona de pontuação no fim da prova. Vinha bem. Ficou em 12º, atrás de Pérez, que nada fez. Gutiérrez, então, meu papa francisco dos últimos dias, se a Sauber for depender dele. E vou te falar que em alguns momentos o carro deste ano realmente lembra o design da HRT. Pobre Hülk, que não pôde participar da corrida porque o radiador furou. Aliás, a história de Nico em Melbourne é interessante: dois acidentes na primeira curva e uma não largada. Não convide o jovem para ver o filme ‘Austrália’. Bottas terminou em 14º com essa Williams de dar dó. Que nos enganou. Que enganou a Maldonado. Os caras ainda hão de conseguir sofrer com Bianchi, esse bonzão, com a Marussia, que evoluiu. Julinho passou um sabão na rapa do refugo que deu dó, mais de 40s à frente de Pic. Chilton, fraco, terminou à frente de Van der Garde, fraco e meio.

Só um último ponto em relação a Massa: a chavinha foi realmente virada. É outro piloto, de fato, outra postura, e esse Felipe há de incomodar. Desde que também saiba se impor.

Em alguns dias, então, Sepang há de nos dar a resposta se realmente o problema da Red Bull é a baixa temperatura. Porque se o carro não andar novamente na corrida, meu bom, aquilo que se desenhava enfadonho pelo que Vettel fez nos dois primeiros dias de treinos na Austrália vai para o ralo e, em definitivo, é possível dizer que temos um campeonato.

O dia da estratégia*

* Por Rafael Lopes




“Estratégia. Em grego, estrategia. Em latim, estrategie. Em francês, stratégie.” A famosa frase do filme “Tropa de Elite” cabe bem no texto sobre o GP da Austrália. Não tem como analisar a corrida sem falar da estratégia das equipes. Para o bem e para o mal. Após um fim de semana apenas discreto, a Lotus brilhou: usou da tática para colocar Kimi Raikkonen em condições de ganhar a corrida – e o finlandês respondeu à altura. Para isso, seguiu à risca o que a Pirelli, fabricante de pneus recomendou: começou com os supermacios e trocou por dois jogos de médios. Duas paradas nos momentos corretos. Resultado: Raikkonen venceu a prova até com certa folga no circuito de rua do Albert Park. E a Lotus se tornou uma das postulantes ao título da temporada.

Depois do acerto, o erro. Felipe Massa fez uma corrida brilhante: foi agressivo na largada e subiu de quarto para segundo. Depois colocou a faca nos dentes e se defendeu exemplarmente do ataque do companheiro Fernando Alonso na primeira parte da corrida. Era o piloto mais rápido da pista e ameaçava o então líder Sebastian Vettel. Até que, no momento da segunda parada, a Ferrari inverte tudo e chama o espanhol antes do brasileiro para os boxes. As três voltas a mais que Massa deu na pista o fizeram ficar atrás de Alonso, Vettel e Sutil. O tempo perdido tirou suas chances de vitória em Melbourne. Por outro lado, deixou o bicampeão mundial de 2005 e 2006 na segunda posição da corrida, enquanto o brasileiro ficou fora do pódio, em quarto.

Não, não se trata de teoria da conspiração. Foi um erro da Ferrari. Agora é ficar atento para o comportamento da equipe nas próximas corridas. Após a prova, Massa foi diplomático e disse que a decisão foi tomada por ele e seu engenheiro, o inglês Rob Smedley. Ao mesmo tempo, sua linguagem corporal mostrava uma certa insatisfação com a situação. Ainda assim, na minha opinião, o resultado foi bem positivo para ele. O ritmo mostrado na corrida indica que ele vai incomodar os rivais neste ano. Ser mais rápido que o companheiro Alonso é uma boa resposta para aqueles que o tiraram da F-1 e decretaram o fim de sua carreira na má fase dos últimos dois anos. Se terá chances de título, ainda não dá para saber. Mas veremos coisas boas em 2013.

A RBR, por sua vez, ainda precisa remar muito se quiser repetir o domínio mostrado nas últimas corridas do ano passado. O treino classificatório, realizado em condições atípicas, começando em um dia e terminando no outro, mascarou um pouco o desempenho o RB9. Parecia que ele sobrava. Mas não foi bem assim em ritmo de prova. Vettel liderou no início, mas sofreu com o desgaste de pneus. Chegou no pódio em terceiro, um resultado muito aquém do esperado. Mark Webber, por sua vez, demonstrou de novo sua inabilidade em largadas e perdeu muitas posições. Ainda conseguiu reagir e chegar em sexto, logo atrás de Lewis Hamilton, da Mercedes. A equipe precisa se recuperar. E em um ano que promete ser equilibrado, é uma tarefa bem complicada.

Uma surpresa bem agradável foi o desempenho da Mercedes. A equipe alemã era considerada fogo de palha na pré-temporada, mas mostrou que tem um carro bem rápido. Só que, assim como o modelo do ano passado, ele sofre com o alto desgaste de pneus em condições de corrida. Um trabalho para o time chefiado por Ross Brawn. Nesta corrida, Hamilton foi o quinto. Já o alemão Nico Rosberg teve problemas eletrônicos. Seu motor apagou no meio da prova e ele acabou forçado a abandonar. De qualquer forma, o horizonte da Mercedes neste ano parece ser muito bom. Seria uma bela volta por cima após o fiasco do ano passado, quando venceu logo no início, mas passou várias provas em seguida sem pontuar e andar bem durante as corridas.

Já na McLaren, o sinal de alerta está ligado. O MP4/28 não teve um bom desempenho durante todo o fim de semana, para azar do inglês Jenson Button e do mexicano Sergio Pérez. Na corrida, os dois pilotos não foram mais que meros coadjuvantes. O campeão de 2009 foi apenas o nono e o recém-contratado pelo time inglês ficou em 11º. Ambos quase uma volta atrás do vencedor Raikkonen. O trabalho agora é minimizar o mau desempenho até o início da temporada europeia, no GP da Espanha, quando as equipes voltam para suas bases. A Fórmula 1 ainda passa por Malásia, China e Bahrein antes disso. A McLaren vive um drama.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Aposta arriscada ou inversão de posições na Ferrari?*

* Por Julianne Cerasoli



Como era de se esperar, muitas questões ficaram em aberto após o GP da Austrália. O ritmo da Lotus teve a ver com a temperatura de pista ou é uma tendência para a temporada? E o caso curioso da Mercedes, que parecia ter se livrado dos problemas de desgaste andando muito bem com o supermacio, mas depois caiu com os médios? Onde foi parar o ritmo demonstrado pela Red Bull nos treinos? E a Force India, tão eficiente com os médios quanto péssima com os supermacios?

Porém, por aqui o que ganhou destaque foi a diferença da estratégia da Ferrari para Massa e Alonso, em parte responsável pelo segundo lugar do espanhol e o quarto do brasileiro. Prefiro olhar a questão pelo mesmo prisma do Ico, exaltando a corrida consistente de Massa e abrindo o caminho para uma boa temporada. E trago alguns números para explicar por que o que vimos em Melbourne foi muito mais uma aposta arriscada que deu certo do que uma inversão maligna de posições.

Vamos aos fatos: Alonso vinha em último em um trenzinho com Sutil, Vettel e Massa. Assim como o companheiro, se mostrava mais rápido que Vettel e que o alemão da Force India, ainda que não o bastante para colocar de lado.

Caso respeitasse a ordem natural das coisas, teria de esperar a parada de Massa, a exemplo do primeiro stint, e fatalmente continuaria atrás. O espanhol decidiu, então, antecipar a segunda parada para adotar um ritmo mais forte e voltar na frente.

A Ferrari sabia que, parando Alonso primeiro, lhe daria a chance de superar Massa e Vettel? Obviamente. Porém, a manobra ao mesmo tempo resolveria o problema momentâneo do espanhol e arriscaria sua estratégia para o restante da corrida.

Explico: o bicampeão havia feito a primeira parada na volta 9, uma depois de Massa. Antecipou a segunda em três voltas, fazendo um stint curto, de 11 com os médios. Com 38 para o final, portanto, teria de cumprir mais dois stints de 19 para completar o GP. Ou seja, eles não tinham certeza se Alonso pagaria o preço da ousadia lá na frente, com o desgaste excessivo, mas decidiram correr o risco.

Isso explica também por que Massa não o seguiu logo na volta seguinte e parou três voltas depois, respeitando o plano original numa tentativa de ganhar lá na frente. No final das contas, os pneus de Alonso aguentaram os stints de 19 voltas e a aposta deu certo, mas Massa simplesmente não tinha essa informação quando decidiu ficar na pista mais tempo.

Liian helppo*

* Por Luis Fernando Ramos


Ele tomou um gole de champanhe, espirrou um pouco do que havia na garrafa para fora do pódio e tomou um outro mais prolongado. A naturalidade com que Kimi Raikkonen festejou a vitória no GP da Austrália foi a mesma com que o triunfo foi construído na pista. Na abertura de um Mundial em que todo mundo falou das dúvidas sobre o entendimento dos pneus, o finlandês da Lotus mostrou que ele já tinha todas as respostas.

"Nosso plano era fazer apenas duas paradas e conseguimos cumprir isso de maneira perfeita. A equipe trabalhou bem e tínhamos uma boa estratégia. Consegui poupar os pneus e poderia ter ido mais rápido se fosse necessário. Foi uma das minhas vitórias mais fáceis", admitiu Raikkonen no final da corrida.

Mais do que a avaliação do homem de poucas palavras, a contundência do seu triunfo fica clara vendo outros fatores. Ele largou apenas em sétimo depois do que um desempenho no treino classificatório que julgou “decepcionante”. Foi o único piloto das equipes de ponta que conseguiu para apenas duas vezes. E terminou a corrida com uma vantagem superior a 1min20s para seu companheiro de equipe, que dispunha do mesmo equipamento.

Tão inesperada quanto a vitória do finlandês foi o fracasso da Red Bull de Sebastian Vettel. O alemão começou o domingo marcando uma pole position contundente, na continuação da sessão que havia sido adiada pela chuva do dia anterior. Seu ritmo de corrida, porém, foi ruim e ele perdeu a liderança assim que parou nos boxes pela primeira vez. Acabou em terceiro lugar.

Logo à sua frente ficou Fernando Alonso, que esteve num daqueles seus dias inspirados: uma primeira volta agressiva e uma decisão estratégica de adiantar sua segunda parada o jogou da quinto lugar no grid para a segunda posição na corrida. Ele ainda tentou, mas não encontrou antídoto para superar a estratégia imbatível de Kimi Raikkonen. Mas saiu feliz da vida ao reverter a derrota momentânea no grid para Vettel e para Felipe Massa e terminar a prova na frente de ambos.

O brasileiro fez uma boa corrida, atrapalhada por um erro estratégico de não acompanhar a decisão de Alonso no segundo pit-stop. Mesmo assim, começa o ano de 2013 num patamar infinitamente acima do que havia começado o Mundial passado. Ele negou qualquer leviandade na decisão estratégica da Ferrari que o levou a cair da segunda para a quarta posição após a segunda bateria de pitstops da corrida de ontem, uma delas para o companheiro de equipe Fernando Alonso.

"Era difícil saber o que ia acontecer, porque não tínhamos noção dos pneus. Fazer duas paradas, como fez o Kimi, para mim era impossível. E também parar antes, como fez o Alonso, parecia um pouco arriscado. Nosso planejamento era tentar alongar o uso daquele jogo de pneus. Acabamos errando e perdemos duas posições importantes ", explicou.

O passado da Ferrari fez com que muita gente levantasse a suspeita de uma manobra orquestrada. Desculpe torcida brasileira, mas fazer isso é diminuir a qualidade do que fez Fernando Alonso. A estratégia inicial dos dois pilotos da Ferrari era a de parar pela segunda vez em torno da 23ª volta, mas o espanhol viu a chance de tentar ganhar a posição de Massa e de Vettel antecipando bem isto. É algo que tem até nome, o chamado "undercut". Massa não tinha como saber o efeito global disso no resultado final da prova, já que era a primeira corrida e ninguém sabia direito como os pneus se comportariam - na avaliação da Ferrari antes da corrida, parar antes poderia significar ficar com pneus desgastados demais no final da prova.

Outra maneira de enxergar como não foi uma "sacanagem orquestrada" contra Massa é notar que o brasileiro - e também Sebastian Vettel - tentaram o contra-ataque fazendo um "undercut" em cima de Alonso na última bateria de pitstops: Massa parou três voltas, o alemão duas antes do espanhol. Não funcionou porque Alonso tinha aberto uma vantagem grande o suficiente para não permitir isso. Méritos dele - e nenhum demérito dos outros. A Ferrari já interferiu na disputa entre os dois, mas insistir no discurso do jogo de equipe, neste caso específico, é coisa de gente que não entende de Fórmula 1.

Melhor seria destacar que o brasileiro se classificou à frente do espanhol no grid e teve um bom duelo com ele nas primeiras voltas, segurando a posição. Um sinal de que a temporada deste ano pode trazer uma paridade de performance entre os dois que praticamente inexistiu em 2012.

"Espero que isto aconteça a cada corrida. No final das contas, para vencer você tem que ser mais veloz que todos os pilotos. É para isso que eu trabalho. Alonso fez aqui uma grande corrida e tomou a decisão certa de parar antes naquele momento da prova. Mas certamente mostrei que estou num bom nível em relação a ele".

Apesar de ter subido no pódio em Albert Park na corrida de 2010, Massa considerou seu desempenho de ontem o melhor que já teve neste circuito. "Sempre foi uma vista em que eu sofri muito, especialmente com o desgaste dos pneus traseiros. Mas desta vez isso não aconteceu. Olhando o ano de 2012 e olhando o trabalho que fizemos neste final de semana, acho que foi um começo campeonato muito positivo".

* - "Muito fácil", em finlandês

sábado, 16 de março de 2013

AO VIVO: FÓRMULA 1 - GP DA AUSTRÁLIA 2013 (TREINOS E CORRIDA)


*** PRÓXIMAS TRANSMISSÕES AO VIVO ***
TREINO LIVRE 1 - 14/03/2013 (quinta-feira), 22:30h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 2 - 15/03/2013 (sexta-feira), 02:30h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 3 - 16/03/2013 (sábado), 00:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO  (Q1) - 16/03/2013 (sábado), 03:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO  (Q2, Q3) - 16/03/2013 (sábado), 21:00h (horário de Brasília)
CORRIDA - 17/03/2013 (domingo), 03:00h (horário de Brasília)

ACOMPANHE A CRONOMETRAGEM OFICIAL, AO VIVO. CLIQUE AQUI!
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sexta-feira, 15 de março de 2013

Sombras de 2011*

* Por Luis Fernando Ramos



Enquanto eu andava pelo paddock do Albert Park depois das entrevistas, um colega europeu bateu a mão no meu ombro e sentenciou: “Aquelas corridas fora da Europa no final do ano terão sala de imprensa vazia. Todo mundo vai aproveitar para economizar porque até Monza o campeonato acaba”.

O episódio deu uma dimensão do assombro causado pelo desempenho do RB9 em sua primeira real demonstração de performance. Embora o discurso de seus pilotos busque diminuir esta impressão, é um fato que o time sobrou nos treinos livres desta sexta-feira.

Sebastian Vettel marcou o melhor tempo de 1min25s908 na sua segunda volta com o pneu supermacio já que na primeira, que seria ainda mais veloz, ele foi atrapalhado por outro piloto. Ainda sua, sua marca foi mais de quatro décimos de segundo melhor que a de Nico Rosberg, o melhor do resto com a Mercedes.

Os rivais acusaram a golpe. Rindo, Grosjean comentou que “não dá para almejar algo melhor que um terceiro no grid. A primeira fila é da Red Bull”. É o mesmo caminho de domínio de dominação que o time anglo-austríaco empregou com sucesso nos últimos anos: largar na frente graças à superioridade na classificação e só controlar o que os outros fazem em ritmo de corrida, quando a performance fica mais nivelada. E em long runs, é bom ficar de olho principalmente em Ferrari e Lotus, que demonstraram potencial de incomodar nesta situação.

A questão do pneus aponta que era realmente exagero o cenário de horror de cinco ou seis paradas para a corrida. Embora o composto supermacio realmente acabe rapidamente (cerca de dez voltas, apontaram os pilotos), a combinação com o macio (em torno de vinte voltas) apontam para uma prova entre duas e três paradas, tendendo mais para esta última opção.

O que também pode temperar este GP da Austrália é o clima. A chance de chover na classificação é estimada em 80% - e em boa quantidade. Isto poderia embaralhar o grid e, por consequência, este quadro inicial de um possível domínio da Red Bull.

FORMULA 1 2013: O PODIUM!


quinta-feira, 14 de março de 2013