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terça-feira, 25 de março de 2014

A ciência do brake-by-wire*

* Por Luis Fernando Ramos



A diferença de performance entre Fernando Alonso e Kimi Raikkonen foi um dos temas que chamou a atenção no GP da Austrália. O espanhol teve seu habitual final de semana de otimizar o resultado, acabando premiado com um quarto lugar por conta da desclassificação de Daniel Ricciardo, dos abandonos de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel e dos incidentes que afetaram a dupla da Williams. Alonso é assim, se o carro não é o mais velez, ele sempre estará à espreita se colocando em posição de aproveitar dos azares dos outros.

Já Raikkonen passou o final de semana num embate pessoal com o F14T. As múltiplas vezes em que acabou escapando numa freada, especialmente na curva 9, deixou claro que o finlandês ainda não conseguiu se adaptar com o sistema de freio eletrônico (explicado bem neste post pela Julianne Cerasoli).

O piloto admitiu isso falando ao site da Ferrari. “Identificamos alguns problemas gerais que precisamos trabalhar em Maranello e existem alguns aspectos ligados ao acerto do meu carro que são relacionados ao sistema brake-by-wire. Fazer com que esse dispositivo funcione corretamente é algo que contribui de forma decisiva na maneira de sentir o carro, já que ele tem um grande efeito na entrada das curvas”.

Num final de semana com poucas quebras e nenhum problema em relação ao consumo de combustível e pneus, o dispositivo acabou se revelando o de maior impacto para os pilotos no pacote de novidades da F-1 em 2014. Para entender o quanto os pilotos trabalham em cima dele, reproduzo aqui o que ouvi de Nico Rosberg na coletiva da Mercedes em St. Kilda na quinta antes da corrida.

“Eu posso regular exatamente o freio traseiro como eu quero - e em cada fase da frenagem. Isso abre inúmeras possibilidades e é algo que tem uma influência enorme no equilíbrio do carro na trajetória que vai da entrada até o meio da curva. E é algo que eu posso regular de dentro do cockpit. Com certeza é o item que mais mudamos enquanto pilotamos. Para explicar melhor, é como se fosse um freio de mão - e é justamente esse o termo que eu uso com o meu engenheiro. É como se você pudesse regular o volume que puxa o freio de mão, a traseira bloqueia e o carro vira antes de você retomar sua trajetória”.

Para quem nunca pilotou nem em joguinho de videogame, o comportamento do carro nas entradas de curva é a chave do sucesso, pois uma boa entrada é o prenúncio de uma saída com a maior velocidade possível para se ganhar tempo na reta seguinte. Se um piloto não está à vontade com isso, a perda de performance é inevitável.

Vai ser interessante ver o efeito disso em Sepang, com duas freadas fortes depois das duas longas retas, mas duas outras nas curvas 4 e 9. A falha no freio eletrônico da Caterham de Kamui Kobayashi na largada da última corrida também gerou preocupações entre o pessoal da FIA. Está claro que não é só Kimi Raikkonen que está longe de se familiarizar com um sistema tão inovador.

sexta-feira, 21 de março de 2014

A Grana do Kimi*

* Por Humberto Corradi


Aí está um dos pilotos mais bem sucedidos da Fórmula 1 de todos os tempos.

Pelo menos em termos salariais.

Detentor de um título mundial, Kimi Raikkonen tem muito pouco o que reclamar de seus patrões.

Vamos aos números.

Todos os valores estão atualizados em Euro, OK?

O simpático e alegre piloto chegou a Sauber com o salário de iniciante.

Em 2001, Peter Sauber pagou algo em torno de 190 mil para contar  com o jovem finlandês dentro de um de seus carros.

Pra você ter uma ideia, Michael Schumacher naquele mesmo ano recebeu 25 milhões da Ferrari e Juan Pablo Montoya 3 milhões da Williams.

Na temporada seguinte tudo mudou.

Inclusive sua personalidade.

Algo em Woking transformou Raikkonen num boneco que pilotava.

Surgia então na McLaren o mito do Homem de Gelo.

Uma grande bobagem.

Nos cinco anos em que esteve sob a batuta de Ron Dennis, Kimi recebeu 110 milhões em salários.

A Ferrari, na sua estratégia natural de contratar estrelas, ainda em 2006, tratou de garantir com um contrato o garoto de ouro nas suas fileiras.

No outro ano, Raikkonen estreava pela mítica equipe vermelha.

Foram três temporadas.

Que renderam um campeonato mundial de pilotos e 115 milhões no bolso.

No ano de 2010 a Scuderia Italiana pagou o piloto para não correr o montante de 50 milhões.

Muito, não?

Mas metade dessa grana do ano em que ficou parado, pelo acordo, acabou nos cofres de Steve Robertson, seu empresário.

O combinado não é caro...

Por isso Robertson ainda conduz a carreira de Kimi, assim como a do brasileiro Felipe Nasr.

O retorno de Raikkonen para a Fórmula 1, depois de uma passagem pelo Rally, se deu em 2012.

Nos dois anos com a Lotus, o finlandês recebeu um vale de 23 milhões.

Vale?

Sim, a turma de Estone ainda está pagando suas dívidas... Você sabe!

Fazendo as contas, até 2013, o piloto acumulou cerca de 300 milhões de Euros só em salários.

Nada mal.

Ainda mais se lembrarmos que essa história ainda está rendendo, não é mesmo?


quarta-feira, 12 de março de 2014

Duelos internos 2014 – Ferrari*

* Por Luis Fernando Ramos


Demorou mais de 60 anos para a Ferrari colocar dois campeões do mundo em seu time. Só a disputa entre Kimi Raikkonen e Fernando Alonso bastaria para trazer um grau enorme de interesse para o Mundial de 2014. Mas ainda tem uma mudança profunda no regulamento técnico que misturou bastante as forças das equipes.

A da Ferrari ainda permanece uma incógnita. Os sinais apontam com clareza uma superioridade dos times com motores Mercedes. Mas a equipe italiana não parece tão atrás assim. Acredito que a harmonia interna vai depender muito disso. Se a Ferrari puder brigar por vitórias e, em especial, pelo título, vejo o clima desandando lá dentro. Mas se a realidade for a disputa de posições apenas intermediárias, antevejo calmaria.

Vai ser interessante ver o comportamento de Fernando Alonso. No ano passado ele bateu de frente com a equipe e chegou a levar um puxão de orelhas público de Luca di Montezemolo. Muita gente leu a chegada de Raikkonen como uma medida disciplinar. Se a superioridade dos motores Mercedes se confirmar, resta saber como ele vai se comportar estando novamente no lado mais fraco da corda.

Já Kimi Raikkonen não tem nada a perder. Fez uma temporada e meia muito forte na Lotus - no final do ano passado, farto da confusão do time, virou a chave e perdeu o interesse. Tem tudo para repetir na Ferrari o padrão de tirar tudo do carro a cada corrida. O que vai fazer bem para o time e, principalmente, exigir que Alonso jamais baixe a guarda.

Eu acho que Alonso prevalece nessa briga, mas de maneira marginal. Sua experiência dentro da Ferrari e seu caráter mais político farão a diferença. Na pista, ambos serão capazes de pontuar com regularidade. Mas vejo o espanhol assumindo um papel de líder que o finlandês jamais se disporia a desempenhar. E, com isso, criando um ambiente que, num dado momento, fará Raikkonen virar a chave e perder o interesse.

E você, como vê esta briga se desenrolando?

Kimi Raikkonen
Número: 7
Local de Nascimento: Espoo (Finlândia)
Idade: 34
GPs disputados: 193
Vitórias: 20
Poles: 16
Melhores voltas: 39
Pontos: 969

Fernando Alonso
Número: 14
Local de Nascimento: Oviedo (Espanha)
Idade: 32
GPs disputados: 216
Vitórias: 32
Poles: 22
Melhores voltas: 21
Pontos: 1606

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Fonte de discórdia na Ferrari*

* Por Julianne Cerasoli
Colocar dois galos como Fernando Alonso e Kimi Raikkonen no mesmo galinheiro é, ao mesmo tempo, garantia de pilotagem de alto nível e de disputas internas. Afinal, os dois são maduros – porém ainda muito perto do auge – o suficiente para saber como fazer uma equipe trabalhar para si e têm a confiança que acompanha qualquer campeão do mundo. E, ainda que seja cedo para arriscar uma avaliação de como essa relação vai se desenvolver, os primeiros sinais mostram uma dinâmica interessante.

Lembremos que Raikkonen teve o contrato rescindido pela Ferrari ao final de 2009 em meio a uma chuva de críticas relacionadas a sua falta de interesse – ao mesmo tempo em que o próprio Alonso chegava junto do patrocínio de um banco espanhol com forte participação no Brasil de seu então companheiro, Felipe Massa.

Cinco anos depois, Kimi volta com pressão semelhante. Mesmo sendo o único campeão pela Ferrari na era pós-Schumacher, o finlandês nunca chegou a ser unanimidade em Maranello, em parte porque seu estilo não combina com as juras de amor às quais o time está acostumado.

“Quando o trocamos pelo Alonso, ele não estava feliz. Agora o vejo com um grande desejo de fazer bem feito”. Foi com frases como esta, de Stefano Domenicali, que o piloto foi recebido. Mas a pressão ferrarista por um Raikkonen altamente comprometido com o time seria algo que tem a ver apenas com o jeitão do finlandês?

Quando perguntado sobre em que aspecto Massa faria mais falta à Ferrari, Alonso disse: “Certamente, Felipe é um trabalhador puro. Ele trabalha dia e noite pela equipe para melhorar a performance do carro. Não conheço Kimi, mas os rumores dizem que fala pouco e que fica um pouco mais isolado. Portanto, a Ferrari pode sentir falta disso.” O recado é claro.

Uma das queixas do espanhol na turbulenta época da McLaren era que ele se sentia sozinho no desenvolvimento e acerto do carro, enquanto o então novato Lewis Hamilton se aproveitava. Se era chororô ou não, o fato é que Alonso não demonstra ter confiança de dividir as tarefas com Raikkonen. E a desconfiança nesse sentido seria péssima para o clima interno.

Além disso, é sabido que o espanhol não consegue usar o simulador da equipe em Maranello – utilizando apenas outro modelo, que tem em casa – por sentir náuseas, e o trabalho acabava sendo conduzido por Massa e por Pedro de la Rosa, piloto de testes contratado justamente para preencher esta lacuna. Não é difícil juntar as peças e prever que é no desenvolvimento do carro que pode nascer a discórdia na Ferrari.

sábado, 25 de janeiro de 2014

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

VODCA OU VODCA*

* Por Victor Martins


No livro que eu não for escrever da vida, esse 13/11 merecia um capítulo especial pelo que já aconteceu em termos de bastidores e notícias da F1 e outras categorias. Neste momento, às 20h, a notícia não é propriamente uma novidade, mas ainda não houve o anúncio: é Kovalainen, mesmo, quem vai substituir Räikkönen nas últimas duas etapas do Mundial, a começar pelo fim de semana agora em Austin. Um finlandês por outro.

Kovalainen começou a carreira na antecessora desta Lotus, a Renault, como piloto do Renault Driver Development (RDD) e depois titular ao lado de Fisichella. Atualmente, vinha andando aqui e ali como terceiro piloto da Caterham nos treinos livres de abertura dos finais de semana.

A F1, numa silly season histórica e emocionante, também coloca em pauta um capítulo especial: a real validade e existência do piloto reserva. Valsecchi, que tava lá babando para correr e pedindo de joelhos no Twitter, vai chupar o dedo — numa linguagem sempre carregada de eufemismo. Aliás, o italiano jamais foi considerado como primeira opção: só quando todas as opções dentre os experientes fosse descartada é que seu nome aparecia na lista da Lotus.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

SEM KIMI*

* Por Flávio Gomes


A bomba estourou hoje pela manhã. Kimi Raikkonen não corre mais pela Lotus. Vai ficar fora das provas de Austin e Interlagos. Oficial e verdadeiramente, porque isso vai acontecer, é por conta das dores nas costas que sente há algumas semanas e levarão a uma cirurgia. Claro que se ele estivesse recebendo seus salários em dia é bem possível que adiasse a operação. Mas como a Lotus não paga, mesmo, ele não vai fingir que corre. E, assim, estará em forma e curado para recomeçar a vida na Ferrari no ano que vem.

Uma atração a menos para as duas últimas corridas do ano. E uma possível agitada no mercado. Se a Lotus optar por colocar seu reserva Davide Valsecchi para correr, como fizera com D’Ambrosio na ausência de Grosjean em Monza no ano passado, nenhum grande barulho. Valsecchi, para quem não se lembra, foi o campeão da GP2 no ano passado. Foi contratado como terceiro piloto, mas trabalha basicamente em simulador. Em 2011, pela Lotus verde, atual Caterham, fez um treino na Malásia. No ano passada, já na “nova” Lotus, andou em Abu Dhabi naquele teste de novatos.

Mas será que o time pode surpreender?

Não creio. É provável que a esta altura telefones estejam tocando na Europa com gente se oferecendo para correr no lugar de Kimi. Mas os candidatos à vaga para 2014 têm contratos em vigor e duvido que seus times abram mão deles nas provas finais do campeonato. E os aposentados que sempre aparecem nessas horas não interessam muito.

Raikkonen, assim, encerra sua trajetória brilhante nas duas temporadas de Lotus com 37 GPs disputados, duas vitórias e 15 pódios no total.

Para quem tinha ficado dois anos longe da F-1, foi bem melhor que a encomenda.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O legado de uma geração*

* Por Julianne Cerasoli


Na semana passada, Felipe Motta publicou uma coluna aqui no TotalRace fazendo um paralelo entre os GPs da Coreia de 2010 e 2013. Há três anos, vivíamos a expectativa de um título mundial sendo disputado por cinco pilotos e a certeza de que assistíamos a uma geração especial, com três candidatos a gênios e outros dois competentes o suficiente para terem seus momentos de protagonistas.

De lá para cá, vimos a queda vertiginosa de Webber na mesma proporção em que o ‘crash kid’ Vettel tomou ares de Deus. Tivemos, ainda, a volta de Kimi Raikkonen, outro nome daqueles que têm talento para entrar para a história entre os grandes.

Mas uma série de circunstâncias fez com que apenas um desses pilotos saísse coroado com títulos. O quarto seguido de um piloto de apenas 26 anos abre uma perspectiva completamente diferente daquela de 2010 para esta geração. E o que parecia um novo final de anos 1980 de repente mais parece uma repeteco da era Schumacher.

Concordo com Hamilton que isso é uma pena. “Eu e Fernando em quinto e sexto lugares no final, tenho nossa corridinha... temos mais calibre do que isso, deveríamos estar mais adiante e lutando por campeonatos mundiais com Sebastian”, se resignou após o GP da Coreia. É inegável o mérito do conjunto Red Bull/Vettel, que não pode ser culpado por nada disso, mas certamente a sequência de títulos vai deturpar a noção histórica do que representaram os grandes talentos que estamos vendo nas pistas.

Lendo comentários sobre a noção geral da época de domínio do “outro” alemão, normalmente vemos a depreciação de seus rivais. O único que costuma escapar é Hakkinen, que acabou tendo apenas três temporadas de “embate direto” com Schumi.

Por outro lado, a geração dos anos 1980 é lembrada pelos grandes embates entre Mansell e Piquet, Prost e Senna – e um tirando vantagem da rivalidade do outro.

Mas como será que a geração atual será lembrada? Seria Alonso um novo Fittipaldi, um piloto de agressividade controlada que foi campeão muito jovem e depois tomou decisões na carreira que o afastaram dos títulos? E Hamilton, será apontado como um Mansell tatuado ao invés de bigodudo ou terá tempo para se reerguer junto da Mercedes? Raikkonen vai mesmo ser o baladeiro “one hit wonder” como seu ídolo James Hunt?

Façam suas apostas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ferrari precisa de mais do que uma dupla estrelada para tirar o sono de Vettel*

* Por Julianne Cerasoli

Há quem diga que quem mais gostou da notícia da volta de Kimi Raikkonen a Maranello é Sebastian Vettel, que pode continuar tranquilo em seu caminho de dominação enquanto o finlandês divide pontos – e a equipe – com Fernando Alonso. Mas a Ferrari precisa de mais que uma dupla de campeões para tirar o sono do alemão.

Quando pensamos em uma união de gigantes que deu certo, ou seja, que venceu campeonatos, logo vem à mente Prost e Senna na McLaren. Como se o ambiente dentro da equipe tivesse sido totalmente saudável, como se a parceria tivesse durado muito tempo... Lapsos de memória à parte, se por um lado um companheiro forte teoricamente puxa a performance do outro, é inevitável que os pontos se dividam. Voltando ao final dos anos 1980, será que Prost-Senna foi uma dupla vitoriosa porque os dois eram pilotos muito fortes ou porque seu carro era tão superior à concorrência que eles podiam focar no duelo interno sem se preocupar em jogar o campeonato fora?

A Ferrari sabe que sua mudança de paradigma em relação aos pilotos não vai dar em nada se continuar sempre correndo atrás do prejuízo. Até porque, nesta condição, a única maneira de vencer campeonatos é jogando no erro do adversário e priorizando um piloto.

Não coincidentemente, a equipe vem se fortalecendo tecnicamente. E todos os contratados trabalharam com Alonso e Raikkonen e sabem bem do que os dois precisam para render. O diretor técnico Pat Fry está em Maranello desde 2010, vindo da McLaren, onde era um dos projetistas; James Allison, diretor técnico de chassi, ex-Lotus/Renault; Dirk de Beer, que era diretor de aerodinâmica da Lotus. Além deles, comenta-se que Jarrod Murphy, chefe de CAD da Lotus, também seja contratado, assim como o eterno engenheiro de pista de Raikkonen, Mark Slade (que, curiosamente, trabalhou com Alonso na McLaren).

Um êxodo em massa de Enstone para Maranello. Qualquer semelhança com o último ciclo vitorioso ferrarista não é mera coincidência.

Na fábrica, a equipe chegou a fechar em outubro do ano passado seu túnel de vento, construído em 1997, para uma remodelação, mas reconheceu em julho que ainda tinha problemas e estava usando o equipamento da ex-Toyota para desenvolver seu carro. A pobre correlação de dados é grave e preocupa para o próximo ano, além dos rumores de que a Ferrari esteja atrasada em relação à unidade de potência, ainda que seja difícil estabelecer comparações no momento.

O tempo está jogando contra. Assim como aconteceu em 2009, quem começar na frente em 2014 terá a possibilidade de dominar por um bom tempo. Por outro lado, com mais um insucesso a Ferrari pode rapidamente perder sua dupla estrelada. Tanto Alonso, quanto Raikkonen têm menos títulos que mereciam e pouco tempo de carreira para mudar isso. Antes de pensar em problemas de relacionamento entre pilotos ou coisa do tipo, a Ferrari sabe que precisa, de uma vez por todas, de um carro competitivo. Só assim a opção de colocar dois galos no mesmo galinheiro tem chance de sucesso.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Alonso vs Raikkonen: briga de gigantes*

* Por Felipe Motta


A Ferrari terá em 2014 Fernando Alonso e Kimi Raikkonen. Começo o texto com uma pergunta: o que vai dar nesse caminho que a equipe escolheu? Acho que a nova dupla nos dá um componente bem interessante para o Mundial do próximo ano. Estávamos precisando de situações como essa.

A chegada de Kimi, como já escrevi, é para mim como um cartão amarelo para Alonso após suas críticas. A “vida boa”, digamos, acabou. Com Raikkonen não adiantará o espanhol surtar no rádio, gritar “this is ridiculous” e exigir nos bastidores vitórias. O finlandês não aceitará abrir caminho para Alonso enquanto tenha chances matemáticas de título. E isso em si já será bacana.

Alonso não soube se controlar quando Lewis Hamilton dificultou sua vida na McLaren. Muitos argumentam que ele amadureceu, o que tenho sérias dúvidas. Basta lembrar o que ele disse sábado em Monza após o treino de classificação. Nem bem chegou na zona mista e antes da pergunta da repórter, incomodado, falou: “ok, sei o que vão perguntar, que fiquei atrás de meu companheiro. Em 100 classificações, está 82 a 18.” Repito, ninguém perguntou nada para ele lançar essa.

Alonso é um baita piloto, mas precisa de ambientes 110% confortáveis. Já Kimi Raikkonen não se importa com nada.

Imagino que queiram saber quem imagino levar a melhor nessa. Acho Alonso mais completo que Kimi e que o espanhol tende em 21 corridas a ganhar do finlandês. Mas será uma briga muito apertada e um pequeno detalhe é fundamental.

Raikkonen é mais sensível ao carro. Se não o tiver nas mãos, sofre. No entanto, se a máquina casar com seu estilo é quase imbatível em velocidade pura. É aí que reside o perigo para Alonso.

Ainda assim, é muito raro ver Alonso ter carro para estar em Top-4 ou Top-6 e largar em oitavo. Raikkonen vez ou outra dá umas rateadas. Mesmo que sejam raras essas oportunidades, quando vacilar, Alonso estará lá. O contrário existirá menos, exceção apenas ao fato do asturiano poder surtar.

A versão oficial da contratação de Kimi escora-se na possibilidade da Ferrari voltar a brigar pelo título de Construtores, algo que Felipe Massa vinha ajudando pouco. Com a efetivação de Daniel Ricciardo, a Red Bull pode ter pontos perdidos ao longo do ano no período em que o australiano estará se adaptando à sua nova condição de brigar pela ponta, enquanto Raikkonen e Alonso não desperdiçam suas chances.

Seja como for, o fã de automobilismo ganha muito com a novidade.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Uma aposta perfeita*

* Por Luis Fernando Ramos


Então é isso mesmo: Kimi Raikkonen vai correr na Ferrari no ano que vem ao lado de Fernando Alonso. Uau! É uma bomba como há muito não se via na Fórmula 1. Pode se argumentar da relação explosiva entre o espanhol e Lewis Hamilton na McLaren em 2007, mas quando aquela dupla se formou, ninguém imaginava que colocar um bicampeão ao lado de um estreante daria tanto problema. Agora, todos esfregam as mãos em antecipação pela próxima guerra termonuclear no globo chamado paddock.

Vamos pensar juntos: depois de sair com o rabo entre as pernas da McLaren, Alonso fez de tudo para terminar na Ferrari: passou dois anos empurrando com a barriga na Renault enquanto costurava sua ida para Maranello, com o dinheiro do Banco Santander na bagagem. Fez com que os italianos mandassem Kimi Raikkonen embora, com contrato ainda vigente, para acelerar sua entrada. Dominou o ambiente interno da equipe num estalo. E trabalhou duro, muito duro para ser campeão pela Ferrari, a coroação da carreira de um ser humano que se preocupa muito com o que pensam sobre ele.

Mas não deu certo. Esporte é assim. A Ferrari errou em várias ocasiões, é verdade. Mas a F-1 é um esporte de equipe. Os chefões de Maranello contrataram todos os técnicos que Alonso recomendava, renovou o contrato de Massa no ano passado (quando sua forma era bem pior que a atual) em meio a uma campanha pública do espanhol para isso. E engoliram calados as críticas que ele fazia ao carro, que de fato não era uma Red Bull, mas tinha suas qualidades.

Neste ano, resolveram dar um basta ao perceberem que sua principal rival realmente faria o erro de deixar Kimi Raikkonen passar para contratar um garoto da Toro Rosso. O finlandês interessava não só por sua forma exuberante nestas duas temporadas de Lotus. Mas para sinalizar uma ruptura necessária.

A Ferrari era a equipe de Fernando Alonso. Agora, Fernando Alonso vai ser piloto da Ferrari. Afinal, terá a seu lado um nome que já foi campeão do mundo pelo time, algo que ele ainda não conseguiu. E um companheiro de equipe que parece imune a politicagens e intriga de bastidores. Com o carro que tiver nas mãos, Raikkonen vai andar constantemente forte. E empurrar Fernando Alonso a pilotar mais e reclamar menos. Ou então vai superar o espanhol ao longo de um campeonato inteiro.

De um jeito ou de outro, a Ferrari sai ganhando. É o que acontece quando se monta um super-time. Vai ser um ano legal demais, esse 2014!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Portas abertas para Massa sair da Ferrari*

* Por Felipe Motta

Hoje terei uma longa viagem pela frente mas gostaria de deixar algumas linhas sobre o futuro de Felipe Massa. O domingo em Monza, aliás, o fim de semana completo, foi bastante indicativo de sua saída da Ferrari. Há anos convivemos com o debate sobre sua permanência ou não na equipe. Desta vez, os rumores parecem dar a ideia da realidade.

É importante dizer que parte do texto é baseada em análises de situações, comportamentos e interpretações, portanto não gostaria de ser dono da verdade. De qualquer forma, deixarei claro quando estiver interpretando algo.

Durante todo o fim de semana pairou a dúvida: Massa estaria fora ou não da Ferrari. Na sexta-feira, a imprensa italiana em peso, puxada pela Sky, informava que o brasileiro deixaria o time e que Kimi Raikkonen retornaria.

Parecia-me uma situação diferente da quantidade de boatos infundados que já acompanhei na F-1, especialmente no que diz respeito a Massa. No entanto, foi depois da corrida, justamente uma das melhores dele no ano, que ficou claro que o cenário mudou.

Antes de entrar na história do Massa, queria resgatar o que se passou com Raikkonen na Ferrari em 2009. Ele passou o ano dizendo que tinha contrato e que não sairia. E sabemos que Kimi não faz teatro. Quando venceu em Spa, tinha semblante muito alterado e disse: "é, vamos ver o que rola e tal". Ali estava claro que o ambiente tinha mudado. Estava ao lado de um jornalista suíço e outro finlandês. Quando vimos aquilo, nos olhamos e dissemos: "já era, ele está fora".

Ontem, aqui em Monza, parecia ver o replay do filme de Kimi em 2009. Massa fez bela corrida (não venceu como Kimi, mas era hora para sorrir) e na coletiva mudou muito o discurso. Ele sempre colocou Ferrari acima de tudo. De repente, passou a falar de si próprio.

“Estou tranqüilo. Não tenho medo nenhum de sair da Ferrari. Importante é pensar no melhor para o meu lado. Se for para ir para outra equipe, continuar na Ferrari ou até sair da F1, caso não haja mais vaga, pensarei 100% no que for melhor para o meu futuro. E espero tomar a decisão mais correta.”

“Preciso escolher a melhor equipe possível para eu correr. Ferrari é uma superequipe, então é difícil achar outra equipe como ela. Por isso é importante analisar todas as opções.”

“Se algo já foi definido pela Ferrari, pelo Montezemolo, eu não sei. Mas o importante é que eu pense no meu futuro. Se for para continuar na equipe, ótimo, é sempre maravilhoso correr em um time como esse. Mas se não der já mostrei meu talento, já mostrei do que sou capaz para as outras equipes também. Vamos ver as opções que eu tenho, tanto na Ferrari, quanto em outra equipe, pois nada é impossível no momento.”

Detalhe: falou isso numa boa, como se estivesse bem resolvido, com definição madura em sua cabeça, ainda que seja honesto ao afirmar que a escolha não chegou até ele. Isso não aconteceu.

Quando a entrevista acabou, virei aos meus colegas e comentei: "pra mim, está fora". Sim, era uma sensação, não uma informação, mas de alguém que conhece bem o entrevistado. Nunca fiz as contas de quantos GPs cobri ao certo, mas este é o meu 10º GP da Itália. Chutarei, ao menos, 150 GPs, o que gera 600 entrevistas em fins de semana com o Massa. Nessas condições aprendemos a ler o semblante, entrelinhas e pormenores das declarações, ainda que estejamos sujeitos a erros, claro.

Saí de lá com essa sensação, entrei ao vivo na jornada do futebol da Jovem Pan e disse ao narrador Nilson César, que tem como bordão o "me diga no feeling", que meu feeling era que o brasileiro já estava fora.

Após todos as entrevistas fui ao banheiro escovar os dentes e o jornalista que mais respeito no paddock, Michael Schmidt, estava lavando as mãos. Eu disse que achava que Massa estava fora e ouvi dele: "também acho. Kimi assinará em breve". Minutos depois, sua revista, a mais séria da F-1, Auto Motor und Sport, deu que Raikkonen assina nesta semana.

A hora de Massa seguir seu caminho sem o macacão vermelho se aproxima. E agora é aguardar o que pode acontecer.

A volta do filho rejeitado?*

* Por Luis Fernando Ramos


Fontes confiáveis e muito bem relacionadas no complexo ambiente do paddock da Fórmula 1 já confirmam a ida de Kimi Raikkonen para a Ferrari em 2014. Como afirmei na transmissão da corrida de domingo no Grupo Bandeirantes de Rádio, eu faria o mesmo se fosse o chefe da equipe.

Isso porque o finlandês está insatisfeito com a situação da Lotus e busca alternativas. O namoro com a Red Bull não deu em nada pela insistência de Helmut Marko em seguir seu próprio caminho e optar por Daniel Ricciardo. O que, já afirmei mil vezes, acho um erro. Quando ficou claro que ele não iria para o time anglo-austríaco, mais ou menos lá pelo GP da Hungria, a aproximação com a Ferrari foi rápida e veio em boa hora para as duas partes. Se a Red Bull bobeou, o time de Maranello faria bem em aproveitar a chance e agarrar com um piloto constantemente veloz.

Para o finlandês, seria uma chance de voltar a receber o dinheiro que merece por seu trabalho - a Lotus deve uma bolada enorme para Kimi em premiação por pontos conquistados. E de ganhar um carro mais competitivo para ver o que pode alcançar, já que com a Lotus ele foi além do equipamento em diversas ocasiões.

Para a equipe, o acerto abriria a expectativa de contar com um piloto com uma constância que há muito Felipe Massa perdeu. Mas o mais importante é dar um basta na egotrip de Fernando Alonso. A maior ruptura estaria justamente nisso. Foram as conversas com Raikkonen que desencadearam a crise de relação entre o piloto espanhol e a equipe italiana. Restou a ele se resignar a admitir o óbvio ontem em Monza: “A equipe vai decidir o que ela acha melhor, mas eu continuaria com Felipe”.

O final de semana foi tão maluco em rumores que teve gente deixando a pista italiano no domingo à noite sugerindo que o terremoto desta semana será ainda maior, com Alonso partindo para a Lotus com apoio do Santander e da Renault. Altamente improvável. E só não digo impossível pela minúscula chance de Alonso saber de antemão que o motor Ferrari do ano que vem será bem menos potente que a unidade francesa e querer abandonar o barco.

A tendência clara mesmo, onde todas as peças se encaixam, é numa dupla Alonso-Raikkonen na Ferrari. O que seria sensacional. Imaginem só o espanhol tendo de encarar um companheiro de equipe forte, popular e, não esqueçamos, que já foi campeão mundial pela equipe italiana, algo que ele não conseguiu ainda. Uau!

Se isso se confirmar, a vaga de Kimi na Lotus seria preenchida por Nico Hülkenberg. Há meses corre o comentário no paddock que ele tem uma proposta do time. Sobre Felipe Massa, foi muito interessante sua entrevista depois da corrida de ontem. Estava tranquilo, admitindo a possibilidade de sair da Ferrari, ou até mesmo da Fórmula 1, com naturalidade. Para continuar na categoria por outra equipe, vejo apenas uma alternativa plausível: a Sauber. A Ferrari gosta muito dele e não descarto a possibilidade de oferecerem um pacote atrativo para o time suíço: um desconto no fornecimento dos motores e um piloto experiente e de qualidade para acompanhar o novato russo Sergei Sirotkin em seu ano de estreia.

Eu torço para que isso aconteça. Vendo a expressão corporal curvada e os ombros abaixados de Massa na coletiva de ontem, ficou claro o quanto a situação na Ferrari está pesando: a falta de resultados, a pressão resultante disso, toda a politicagem cotidiana da parte do time e também do seu companheiro de equipe. Creio que correr na F-1 por uma outra equipe antes de seguir um rumo diferente lhe faria maravilhas, uma experiência realmente libertadora.

Vamos ver o que vai sair dessa reunião do brasileiro com Luca di Montezemolo. E com a movimentação no mercado que se seguirá ao anúncio da Ferrari. Até porque há também Felipe Nasr na espreita. Mesmo depois de um final de semana decepcionante na GP2, com uma quebra de câmbio na primeira corrida e nenhum ponto marcado, o brasiliense estava sereno quando conversamos com ele: “Estou pronto para dar este passo e chegar na F-1 no ano que vem”.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vaias que não machucam*

* Por Luis Fernando Ramos


É raro, mas de vez em quando acontece na Fórmula 1 do ganhador de uma corrida receber uma sonora vaia quando sobe no pódio para receber o seu troféu. Sebastian Vettel viveu isto ontem em Monza, mas não por ter cometido alguma atitude anti-desportiva. O seu “pecado” foi derrotar a Ferrari diante de seus fanáticos torcedores. Uma situação que ele recebeu com naturalidade.

- Em 2008 eu ganhei aqui correndo por uma equipe italiana equipada com motor Ferrari e foi uma experiência alucinante, o clima no pódio foi fantástico. Com a Red Bull, venci aqui em 2011, quando as vaias me surpreenderam, e agora, que eu já esperava isso. É normal, não vou culpar as pessoas aqui, cujo amor pela Ferrari está nos genes. Acho apenas que é um sinal de que fizemos um bom trabalho para bater esta equipe aqui - disse o alemão.

O triunfo de Vettel seguiu o mesmo roteiro do obtido na etapa anterior, na Bélgica: liderar a prova desde o início, abrir a maior vantagem possível e depois administrá-la até o final. Ao menos, Fernando Alonso conseguiu minimizar o prejuízo na tabela com um segundo lugar lutado, concretizado após uma ultrapassagem bonita sobre Mark Webber e a colaboração de Felipe Massa, que cedeu uma posição ao companheiro. Faltando sete etapas, Vettel abriu 53 pontos de vantagem sobre Alonso, mas o espanhol prometeu lutar até o final:

- Ainda faltam muitas corridas e precisamos nos agarrar a isto. Sendo realista, sei que não podemos ganhar o campeonato só com nossas vitórias ou nossa velocidade, que é inferior ao da Red Bull. Vamos lutar ao máximo, mas é mais uma questão deles perderem o campeonato, pois estão muito bem encaminhados.

Numa corrida dominada por estas duas equipes, Mark Webber subiu ao pódio de Monza pela primeira vez em sua carreira ao superar Felipe Massa usando a estratégia de fazer sua única parada nos boxes antes do brasileiro. Ainda assim, o quarto lugar foi o melhor resultado de Massa desde o GP da Espanha, no início do mês de maio.

Outro destaque positivo da corrida em Monza foi o alemão Nico Hülkenberg, que conseguiu o melhor resultado da Sauber do ano com um quinto lugar.

A hora da verdade está chegando para Felipe Massa. Nesta quarta-feira ele deve se reunir com o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, para conversar sobre seu futuro na equipe. Em Monza, as conversas de bastidores dão conta de que seu futuro já estaria selado e que a chegada do finlandês Kimi Raikkonen para seu lugar é iminente. A equipe silencia e o brasileiro garante que não foi informado de nada. Mas deixa claro que já busca alternativas.

- Se algo já foi definido pela Ferrari, pelo Montezemolo, eu não sei. Mas o importante é que eu pense no meu futuro. Se for para continuar na equipe, ótimo, é sempre maravilhoso correr em um time como esse. Mas se não der já mostrei meu talento, já mostrei do que sou capaz para as outras equipes também. Nada é impossível no momento.

Falando depois da corrida em Monza, o brasileiro se mostrou tranquilo mesmo diante do futuro incerto. E admitiu que pode até mesmo deixar a Fórmula 1 se não encontrar uma alternativa competitiva caso saia da Ferrari.

- Não tenho medo nenhum de sair da Ferrari. Importante é pensar no melhor para o meu lado. Se for para ir para outra equipe, continuar na Ferrari ou até sair da F-1, caso não haja mais vaga, pensarei no que for melhor para o meu futuro. E espero tomar a decisão correta. Preciso escolher a melhor equipe possível para eu correr. É difícil achar outra equipe como a Ferrari. Por isso é importante analisar todas as opções com calma.

Eu perguntei ao chefe do time italiano, Stefano Domenicali, que garantiu que nenhuma decisão foi tomada. E preferiu não dar um prazo para que isso aconteça.

- Colocamos sobre a mesa todos os elementos e estamos analisando da forma menos passional possível. Temos de estudar a situação antes de tomar a decisão final e é por isso que o anúncio está demorando. Obviamente não é uma decisão fácil para nós e por isso levará o tempo que for preciso.

A sensação é de que o anúncio é iminente e que a Ferrari está prestes a fazer uma enorme mudança na sua filosofia.

KIMI NA FERRARI: ESQUENTOU*

* Por Victor Martins


Paddock borbulhante em Monza depois de uma corrida modorrenta: dois importantes veículos alemães, a RTL (TV) e a Auto Motor und Sport (revista) acabam de cravar que Massa está fora da Ferrari. Seu substituto em 2014 é Räikkönen, asseguram.

A emissora diz que o acordo foi assinado na última quarta-feira. A revista informa que a mencionada reunião entre a cúpula ferrarista e Massa vai acontecer nesta próxima quarta, 11, no QG em Maranello — em que Felipe, deduz-se por estas informações, será oficialmente comunicado da decisão do time.

Ambas as publicações afirmam que a disputa de Räikkönen era com Hülkenberg, que passa a ser o franquíssimo favorito a ocupar o posto de Kimi na Lotus. Nada se fala a respeito do futuro de Felipe.

RTL e AMuS se juntam à Autosprint e Ilta Sanomat, que, embora sem assegurarem o acordo — usaram verbos “concordar” e “decidir” —, indicaram inicialmente o retorno de Kimi ao time vermelho, de onde saiu em 2009.

Aguardemos os movimentos atentamente.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O futuro de Raikkonen também está nas mãos de Alonso*

* Por Lívio Oricchio

Há uma relação íntima entre o futuro de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 e o comportamento de Fernando Alonso daqui para a frente. O raciocínio é simples: se o espanhol voltar a ser o piloto casado com a Ferrari, como era até antes do GP da Hungria, dia 28 de julho, em que não criticava a equipe nem nos momentos mais difíceis, e demonstrar que voltou a ser o profissional que trabalha, vence e perde com o grupo, então o seu companheiro, em 2014, provavelmente não será Kimi Raikkonen, hoje na Lotus.

Mas se no GP da Itália, domingo, ou mesmo nas duas semanas até a etapa seguinte, dia 22 em Cingapura, a postura de Alonso for a de Budapeste, quando ridicularizou os engenheiros do time, impôs barreiras no seu relacionamento com todos e o seu empresário, Luis Garcia Abad, o ofereceu a Christian Horner, da Red Bull, então o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, e seu diretor, Stefano Domenicali, vão esquecer o tratamento diferenciado garantido até hoje. E a provável consequência será a contratação de Raikkonen.

A imprensa italiana a cada dia parece acreditar mais que Montezemolo e Domenicali vão optar pela formação de um dream team, com os dois campeões do mundo juntos, em 2014, Alonso e Raikkonen. Na última edição da revista semanal Autosprint, por exemplo, tanto o editorial, redigido pelo diretor de redação, Alberto Sabbatini, quanto a reportagem sobre o mercado de pilotos, assinada por Alberto Antonini, falam em “provável ida do finlandês para Maranello”.

Nesse caso, Montezemolo e Domenicali sabem também que o dream team poderia não funcionar. Correm o risco de desestabilizar um piloto que representa uma garantia de resultados, como o espanhol, e a partir daí experimentarem o exercício diário de administrar desgastantes conflitos internos, com perigosos desdobramentos nos resultados.

Mas é bem verdade que poderia estimulá-lo ainda mais, pois Alonso não suporta ser vencido por outro piloto com o mesmo equipamento. E o mais importante: a contratação de Raikkonen poderia servir de freio para os seus ataques de vaidade, semelhantes aos de superstars do rock, acostumados a fazer todo tipo de exigências aos organizadores do espetáculo.

Não há pressa
Domenicali afirmou ao Estado, no circuito de Spa-Francorchamps, dia 24: “Não temos necessidade urgente de definir o companheiro de Alonso”. Esse espaço de tempo até as etapas finais servirá para compreender por qual lado o brilhante piloto vai enveredar. O do confronto com quem sempre lhe fez de tudo para se sentir confortável, ainda que em nem todas as ocasiões o carro tenha correspondido, ou da retomada da relação quase idílica que mantinham da chegada a Ferrari, em 2010, até a metade do atual campeonato.

Nesse sentido, as férias de agosto parecem ter já adiantado que Alonso compreendeu não ter alternativa. E na última prova, na Bélgica, mudou radicalmente o discurso. Elogiou a Ferrari e seus homens. Até da área técnica: “Confio no seu trabalho”, afirmou, para surpresa da imprensa. Foi o resultado, também, do xeque mate que Montezemolo lhe deu. Quem conhece o italiano é capaz de reproduzir suas palavras ao piloto: “Para permanecer na Ferrari tem de respeitá-la e defender, primeiro, os seus interesses, ao mesmo tempo em que deve sentir orgulho”.

O campeão do mundo de 2005 e 2006, pela Renault, viu que o rompimento do contrato com a Ferrari implicaria o pagamento de multa milionária, o que ninguém faria. Não acabou: não há espaço em outra equipe. Mercedes já acertou há tempos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A McLaren não o quer, talvez nem de graça, enquanto Ron Dennis for sócio do grupo, e a Lotus não tem dinheiro.

Por fim, a Red Bull. Helmut Marko, homem que tem a palavra final na organização, jamais exporia seu tricampeão, Sebastian Vettel, a um confronto interno com outro piloto genial, Alonso. A escolha de Daniel Ricciardo para a vaga de Mark Webber, anunciada segunda-feira, bem demonstra a filosofia da Red Bull, responsável pela conquista dos três últimos títulos de pilotos e de construtores.

O que é certo é que a Ferrari não vai divulgar sua dupla em Monza, no fim de semana. Por uma razão: não a definiu, ainda. Montezemolo e Domenicali aguardam qual versão do Alonso vai se apresentar nos eventos. E como reagirá se o modelo F138 não acompanhar os concorrentes.

Mais: os dois dirigentes vão continuar avaliando, com muita atenção, as consequências de eventualmente levar Raikkonen para a sua escuderia. Se tornaria a Ferrari mais forte ou, por incrível que pareça, mais vulnerável, por poder gerar uma grave crise interna, como a que se estabeleceu na McLaren, em 2007, entre Alonso e Lewis Hamilton, cujo desfecho foi terrível para o time inglês: a perda do título para a própria Ferrari, por um ponto.

Lista pequena
Se Montezemolo e Domenicali compreenderem que Alonso voltou a falar a mesma língua amável de antes dos incidentes da Hungria e chegarem à conclusão de que Alonso e Raikkonen não funcionariam juntos, quem seria o companheiro do espanhol?

A lista de candidatos é curta e conhecida. Felipe Massa pode ganhar mais um ano de contrato, mas precisa fazer mais do que nas duas últimas etapas, oitavo na Hungria e sétimo na Bélgica. A imprensa italiana o critica bastante pela falta de resultados. Nico Hulkenberg, da Sauber, tem chances pelo respeito existente por ele pela direção da escuderia italiana. Claro, sempre há espaço para surpresas de última hora na Fórmula 1, mas parece difícil que o outro piloto da Ferrari não venha do trio Raikkonen, Massa e Hulkenberg.

De qualquer forma, antes da corrida da Índia, 16.ª do calendário, dia 27 de outubro, será surpreendente se a Ferrari anunciar o companheiro de Alonso. E até lá o tema vai continuar gerando especulações de toda natureza, das mais fundamentadas às mais fantasiosas.

Opinião
Apesar de a imprensa italiana demonstrar otimisto quanto a Raikkonen deixar a Lotus para correr pela Ferrari, penso que as chances maiores são de o excelente piloto finlandês permanecer onde está. A própria postura de Alonso, em Spa, elogiando “a melhor escuderia do mundo”, em completa oposição ao que fez na Hungria, denota ter compreendido o que Montezemolo lhe disse. “Se desejar continuar aqui terá de ser também como nós queremos.”

E é provável que na conversa entre ambos Alonso ouviu que Alain Prost, já três vezes campeão do mundo, em 1991, foi mandado embora antes da última etapa, na Austrália, por ter declarado que o carro da Ferrari era um “caminhão”. E que críticas vorazes como as de Alonso para a imprensa, em Budapeste, garantiam a Ferrari o direito de dispensá-lo sem pagar nada. O time italiano tem sempre essa cláusula nos seus contratos.

Nessa hipótese, se Alonso desejasse continuar correndo na Fórmula 1 teria de ser pela Lotus, pois a Ferrari assinaria no mesmo dia com Raikkonen. E na Lotus Alonso além de passar a receber no máximo um terço dos estimados 25 milhões de euros (R$ 75 milhões) atuais, não iria dispor da estrutura e dos recursos financeiros de uma equipe como a Ferrari, numa época em que, diante da mudança extrema do regulamento, sugere ser de grande importância.

Por tudo isso penso que Alonso deve ter compreendido, de uma vez, que se correr pela Ferrari hoje não é o ideal, por seus projetistas não poderem ser comparados aos da Red Bull, dentre as possibilidades que possui acaba sendo a melhor. Assim, Montezemolo pode continuar apostando quase todas as fichas da Ferrari no seu principal piloto. E nesse caso não precisaria de Raikkonen que, muito provavelmente, levaria Alonso a se perder emocionalmente, como ocorreu ao compartilhar a McLaren com Hamilton em 2007.

O quadro propõe que Massa e Hulkenberg são, hoje, os que têm as maiores chances de correr ao lado de Alonso. Do ponto de vista esportivo será uma pena se esse for mesmo o desfecho da história. Alonso e Raikkonen, juntos, definiriam uma atração à parte a cada GP.

Räikkönen ou Massa? *

* Por Teo José

Tudo dentro do script. Daniel Ricciardo vai ser o substituto de Mark Webber na Red Bull. Nenhuma surpresa. Agora fica a expectativa para a segunda vaga da Ferrari, vai permanecer Felipe Massa, com a chegada de Jules Bianchi em 2015 ou Kimi Räikkönen estará de volta. Confesso que já tive quase certeza no regresso do finlandês, ainda vejo como maiores possibilidades, mas agora estou com o pé atrás.

Acredito que a decisão está tomada, a Ferrari não precisa de mais uma ou duas corridas para saber do potencial do Massa. Não vejo isto como o fiel da balança. O problema pode ser a chiadeira do Fernando Alonso, com a chegada de um piloto mais forte e espírito de vencedor. A possibilidade de clima ruim no time e por isso a chance de Felipe continuar cresceu. Mas repito, ainda boto mais fé no Kimi, a Ferrari precisa de alguém que ande mais na frente em todas as provas e do outro lado Fernando perdeu pontos, com chiadeiras explicitas.

O anuncio não deve ocorrer nos próximos dias e talvez nem no mês que vem. Só se Massa encontrar uma nova casa. Sobre Alonso na Lotus, não acredito mesmo. A equipe tem problemas financeiros, nenhuma garantia de que vai ser competitiva no ano que vem e o espanhol sairia para ganhar bem menos. Ou seja, não teria vantagem alguma.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

SPARTACUS*

* Por Victor Martins

Admito que considerei inicialmente exageradas as opiniões de que Alonso estava com cara amarrada no encontro dos três primeiros colocados na salinha antes do pódio de ontem em Spa-Francorchamps. Dando um desconto àquele momento, seria natural que um segundo colocado não ficasse feliz com um resultado que o afaste ainda mais do líder e vencedor da prova, Vettel. Mas o decorrer das cenas realmente foi demonstrando que havia um desconforto, sim – e estar descontente é diferente de estar desgostoso.

Não dar um sorriso sequer em uma prova em que havia sido o nome e que ao menos esboçava alguma evolução em relação às últimas performances é, de fato, estranho. Por outro lado, não é tão estranho quando se pega a ficha do que aconteceu desde o fim de semana do GP da Hungria: a ida do empresário ao motorhome da Red Bull, o puxão de orelha público do presidente Luca di Montezemolo, a obrigação de ter de se desculpar e falar que foi um mal entendido atribuindo até a questões linguísticas, a ciência de que há um plausível cenário em que Räikkönen pode aparecer em Maranello em 2014.

Há pouco, o solerte Bruno Mantovani colocou em seu Twitter uma montagem em que aponta, no quadro superior, a comemoração de Vettel com a grade cheia de gente da Red Bull e, no inferior, uma desnecessária placa a Alonso com a diferença para o alemão e para Hamilton, fria e significativa. Bruno veio até me perguntar se aquela havia sido a última volta. Recorri ao pai dos vídeos para buscar a comprovação. O print abaixo aponta que, sim, não havia um mecânico sequer para celebrar um segundo lugar que, sim, deveria ser motivo de orgulho por atestar uma evolução evidente de um carro que vinha caindo de produção. A legenda que Mantovani atribuiu é factível, então: “é, azedou o clima na Ferrari”. E, convenhamos, qual é a necessidade que um piloto tem em saber a diferença para os rivais quando cruza a linha de chegada justamente num momento em que mostrar ao mundo que a situação intramuros está normal seria mais aprazível, em um GP patrocinado pela Shell? Ainda que não seja postura da equipe celebrar, uma mensagem ou um sinal de apoio pegaria bem. Não se viu isso.

Some-se a cara de zero amigos de Alonso com os colegas de trabalho que nem lhe deram muita bola pelo segundo lugar, e temos um verossímil cenário de que o espanhol não se sente em casa ou não tem mais o grupo de Maranello nas mãos. Além de ser mais um motivo de que Vettel tem o tetra no bolso, coloca mais um ponto de dúvidas sobre sua permanência na Ferrari. A MTV3 finlandesa apareceu neste fim de semana com uma possibilidade de troca de lugares entre Fernando e Kimi para o ano que vem, em que o primeiro levaria o Santander para a ex-Renault — onde conquistou seus dois títulos e o recebeu de braços abertos depois da beligerante temporada de 2007 na McLaren — e ajudaria a salvá-la da bancarrota.

Montezemolo já ressaltou diversas vezes, e não foi diferente com Alonso, de que os interesses da Ferrari sempre vão estar acima de qualquer piloto. O time pagou para se desfazer de Räikkönen em 2009 para ter este mesmo Alonso. A italianada é louca e venal o suficiente para desfazer a troca.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Jogos políticos*

* Por Julianne Cerasoli

Há três semanas, a notícia era de que Fernando Alonso estava se oferecendo à Red Bull, mesmo com contrato em vigor por mais três temporadas na Ferrari. Nos últimos dias, foi Kimi Raikkonen quem “decidiu fechar contrato” com o time italiano, de acordo com a mídia finlandesa.

As histórias em si são difíceis de comprar. Não é preciso ser gênio para compreender o quanto da pilotagem de Alonso colocou a Ferrari na disputa por títulos em duas das últimas três temporadas. Uma mudança para a Red Bull, para medir forças com o desafeto Sebastian Vettel, também não seria uma aposta das mais inteligentes para um time que caminha para o tetracampeonato mundial. Do lado de Raikkonen, não é segredo que a história do finlandês com a Ferrari acabou mal, com direito a rescisão em 2009 e cobranças públicas de empenho. E por que Kimi escolheria um time que não é campeão há quatro anos quando tem uma proposta concreta da própria Red Bull?

Mas é possível que movimentos ocorridos nas últimas semanas tenham reflexos no futuro. Levando em consideração os contratos atualmente em vigor, a única peça que pode se movimentar agora entre os campeões do mundo é Raikkonen. Vettel recentemente estendeu seu contrato até o fim de 2015, mesma data em que expira o compromisso de Lewis Hamilton com a Mercedes. O de Alonso dura um ano a mais.

Talvez o espanhol esteja mesmo insatisfeito com outra temporada em que a Ferrari se vê correndo atrás do prejuízo e está sondando seu poder de barganha. Talvez a Ferrari não goste disso e esteja alimentando estes boatos para não ficar em uma posição frágil no mercado. Mas concluir que contratos serão quebrados por conta desse jogo político é outra história.

Falando em barganha, a Red Bull pode estar valorizando uma sondagem de Alonso para pressionar Raikkonen, ou para mostrar a Vettel – cuja extensão de apenas um ano ao contrato original chamou a atenção – que muitos estão loucos (e são gabaritados) para ocupar sua vaga.

Uma história relativamente recente ilustra bem como funcionam estas coisas. Em junho de 2011, durante o GP do Canadá, Lewis Hamilton bateu na porta da Red Bull de maneira explícita. Foi uma maneira de mostrar sua insatisfação dentro da McLaren e abriu a porta para a proposta da Mercedes. Mas algo de concreto demorou mais de um ano para acontecer.