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quarta-feira, 11 de novembro de 2015
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Duelos internos 2014 – Ferrari*
* Por Luis Fernando Ramos
Demorou mais de 60 anos para a Ferrari colocar dois campeões do mundo em seu time. Só a disputa entre Kimi Raikkonen e Fernando Alonso bastaria para trazer um grau enorme de interesse para o Mundial de 2014. Mas ainda tem uma mudança profunda no regulamento técnico que misturou bastante as forças das equipes.
A da Ferrari ainda permanece uma incógnita. Os sinais apontam com clareza uma superioridade dos times com motores Mercedes. Mas a equipe italiana não parece tão atrás assim. Acredito que a harmonia interna vai depender muito disso. Se a Ferrari puder brigar por vitórias e, em especial, pelo título, vejo o clima desandando lá dentro. Mas se a realidade for a disputa de posições apenas intermediárias, antevejo calmaria.
Vai ser interessante ver o comportamento de Fernando Alonso. No ano passado ele bateu de frente com a equipe e chegou a levar um puxão de orelhas público de Luca di Montezemolo. Muita gente leu a chegada de Raikkonen como uma medida disciplinar. Se a superioridade dos motores Mercedes se confirmar, resta saber como ele vai se comportar estando novamente no lado mais fraco da corda.
Já Kimi Raikkonen não tem nada a perder. Fez uma temporada e meia muito forte na Lotus - no final do ano passado, farto da confusão do time, virou a chave e perdeu o interesse. Tem tudo para repetir na Ferrari o padrão de tirar tudo do carro a cada corrida. O que vai fazer bem para o time e, principalmente, exigir que Alonso jamais baixe a guarda.
Eu acho que Alonso prevalece nessa briga, mas de maneira marginal. Sua experiência dentro da Ferrari e seu caráter mais político farão a diferença. Na pista, ambos serão capazes de pontuar com regularidade. Mas vejo o espanhol assumindo um papel de líder que o finlandês jamais se disporia a desempenhar. E, com isso, criando um ambiente que, num dado momento, fará Raikkonen virar a chave e perder o interesse.
E você, como vê esta briga se desenrolando?
Kimi Raikkonen
Número: 7
Local de Nascimento: Espoo (Finlândia)
Idade: 34
GPs disputados: 193
Vitórias: 20
Poles: 16
Melhores voltas: 39
Pontos: 969
Fernando Alonso
Número: 14
Local de Nascimento: Oviedo (Espanha)
Idade: 32
GPs disputados: 216
Vitórias: 32
Poles: 22
Melhores voltas: 21
Pontos: 1606
Demorou mais de 60 anos para a Ferrari colocar dois campeões do mundo em seu time. Só a disputa entre Kimi Raikkonen e Fernando Alonso bastaria para trazer um grau enorme de interesse para o Mundial de 2014. Mas ainda tem uma mudança profunda no regulamento técnico que misturou bastante as forças das equipes.
A da Ferrari ainda permanece uma incógnita. Os sinais apontam com clareza uma superioridade dos times com motores Mercedes. Mas a equipe italiana não parece tão atrás assim. Acredito que a harmonia interna vai depender muito disso. Se a Ferrari puder brigar por vitórias e, em especial, pelo título, vejo o clima desandando lá dentro. Mas se a realidade for a disputa de posições apenas intermediárias, antevejo calmaria.
Vai ser interessante ver o comportamento de Fernando Alonso. No ano passado ele bateu de frente com a equipe e chegou a levar um puxão de orelhas público de Luca di Montezemolo. Muita gente leu a chegada de Raikkonen como uma medida disciplinar. Se a superioridade dos motores Mercedes se confirmar, resta saber como ele vai se comportar estando novamente no lado mais fraco da corda.
Já Kimi Raikkonen não tem nada a perder. Fez uma temporada e meia muito forte na Lotus - no final do ano passado, farto da confusão do time, virou a chave e perdeu o interesse. Tem tudo para repetir na Ferrari o padrão de tirar tudo do carro a cada corrida. O que vai fazer bem para o time e, principalmente, exigir que Alonso jamais baixe a guarda.
Eu acho que Alonso prevalece nessa briga, mas de maneira marginal. Sua experiência dentro da Ferrari e seu caráter mais político farão a diferença. Na pista, ambos serão capazes de pontuar com regularidade. Mas vejo o espanhol assumindo um papel de líder que o finlandês jamais se disporia a desempenhar. E, com isso, criando um ambiente que, num dado momento, fará Raikkonen virar a chave e perder o interesse.
E você, como vê esta briga se desenrolando?
Kimi Raikkonen
Número: 7
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Vitórias: 20
Poles: 16
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Fonte de discórdia na Ferrari*
* Por Julianne Cerasoli
Colocar dois galos como Fernando Alonso e Kimi Raikkonen no mesmo galinheiro é, ao mesmo tempo, garantia de pilotagem de alto nível e de disputas internas. Afinal, os dois são maduros – porém ainda muito perto do auge – o suficiente para saber como fazer uma equipe trabalhar para si e têm a confiança que acompanha qualquer campeão do mundo. E, ainda que seja cedo para arriscar uma avaliação de como essa relação vai se desenvolver, os primeiros sinais mostram uma dinâmica interessante.
Lembremos que Raikkonen teve o contrato rescindido pela Ferrari ao final de 2009 em meio a uma chuva de críticas relacionadas a sua falta de interesse – ao mesmo tempo em que o próprio Alonso chegava junto do patrocínio de um banco espanhol com forte participação no Brasil de seu então companheiro, Felipe Massa.
Cinco anos depois, Kimi volta com pressão semelhante. Mesmo sendo o único campeão pela Ferrari na era pós-Schumacher, o finlandês nunca chegou a ser unanimidade em Maranello, em parte porque seu estilo não combina com as juras de amor às quais o time está acostumado.
“Quando o trocamos pelo Alonso, ele não estava feliz. Agora o vejo com um grande desejo de fazer bem feito”. Foi com frases como esta, de Stefano Domenicali, que o piloto foi recebido. Mas a pressão ferrarista por um Raikkonen altamente comprometido com o time seria algo que tem a ver apenas com o jeitão do finlandês?
Quando perguntado sobre em que aspecto Massa faria mais falta à Ferrari, Alonso disse: “Certamente, Felipe é um trabalhador puro. Ele trabalha dia e noite pela equipe para melhorar a performance do carro. Não conheço Kimi, mas os rumores dizem que fala pouco e que fica um pouco mais isolado. Portanto, a Ferrari pode sentir falta disso.” O recado é claro.
Uma das queixas do espanhol na turbulenta época da McLaren era que ele se sentia sozinho no desenvolvimento e acerto do carro, enquanto o então novato Lewis Hamilton se aproveitava. Se era chororô ou não, o fato é que Alonso não demonstra ter confiança de dividir as tarefas com Raikkonen. E a desconfiança nesse sentido seria péssima para o clima interno.
Além disso, é sabido que o espanhol não consegue usar o simulador da equipe em Maranello – utilizando apenas outro modelo, que tem em casa – por sentir náuseas, e o trabalho acabava sendo conduzido por Massa e por Pedro de la Rosa, piloto de testes contratado justamente para preencher esta lacuna. Não é difícil juntar as peças e prever que é no desenvolvimento do carro que pode nascer a discórdia na Ferrari.
Colocar dois galos como Fernando Alonso e Kimi Raikkonen no mesmo galinheiro é, ao mesmo tempo, garantia de pilotagem de alto nível e de disputas internas. Afinal, os dois são maduros – porém ainda muito perto do auge – o suficiente para saber como fazer uma equipe trabalhar para si e têm a confiança que acompanha qualquer campeão do mundo. E, ainda que seja cedo para arriscar uma avaliação de como essa relação vai se desenvolver, os primeiros sinais mostram uma dinâmica interessante.
Lembremos que Raikkonen teve o contrato rescindido pela Ferrari ao final de 2009 em meio a uma chuva de críticas relacionadas a sua falta de interesse – ao mesmo tempo em que o próprio Alonso chegava junto do patrocínio de um banco espanhol com forte participação no Brasil de seu então companheiro, Felipe Massa.
Cinco anos depois, Kimi volta com pressão semelhante. Mesmo sendo o único campeão pela Ferrari na era pós-Schumacher, o finlandês nunca chegou a ser unanimidade em Maranello, em parte porque seu estilo não combina com as juras de amor às quais o time está acostumado.
“Quando o trocamos pelo Alonso, ele não estava feliz. Agora o vejo com um grande desejo de fazer bem feito”. Foi com frases como esta, de Stefano Domenicali, que o piloto foi recebido. Mas a pressão ferrarista por um Raikkonen altamente comprometido com o time seria algo que tem a ver apenas com o jeitão do finlandês?
Quando perguntado sobre em que aspecto Massa faria mais falta à Ferrari, Alonso disse: “Certamente, Felipe é um trabalhador puro. Ele trabalha dia e noite pela equipe para melhorar a performance do carro. Não conheço Kimi, mas os rumores dizem que fala pouco e que fica um pouco mais isolado. Portanto, a Ferrari pode sentir falta disso.” O recado é claro.
Uma das queixas do espanhol na turbulenta época da McLaren era que ele se sentia sozinho no desenvolvimento e acerto do carro, enquanto o então novato Lewis Hamilton se aproveitava. Se era chororô ou não, o fato é que Alonso não demonstra ter confiança de dividir as tarefas com Raikkonen. E a desconfiança nesse sentido seria péssima para o clima interno.
Além disso, é sabido que o espanhol não consegue usar o simulador da equipe em Maranello – utilizando apenas outro modelo, que tem em casa – por sentir náuseas, e o trabalho acabava sendo conduzido por Massa e por Pedro de la Rosa, piloto de testes contratado justamente para preencher esta lacuna. Não é difícil juntar as peças e prever que é no desenvolvimento do carro que pode nascer a discórdia na Ferrari.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Alonso não é um novo Schumacher na Ferrari*
* Por Julianne Cerasoli
“Alonso realmente quer repetir o mesmo que Schumacher fez pela Ferrari, mas o alemão sabia que precisava muito mais do que apenas seu talento para isso. Levou junto Rory Byrne e Ross Brawn. Acho que Alonso não teve essa visão (ou não quis ter).”
O comentário do Billy no blog me levou a uma viagem no tempo. Afinal, é justo comparar a relação de qualquer piloto com sua equipe com o que Michael Schumacher viveu na Ferrari?
Voltemos a 1995. O alemão foi bicampeão do mundo com mais folga do que sua Benetton permitia, concorrendo com um apenas mediano Damon Hill. Do outro lado, a Ferrari, terceira no campeonato com menos da metade dos pontos dos campeões, amargava sua 16ª temporada seguida sem títulos de pilotos. Não precisa ser gênio para perceber a situação frágil em que a tradicional equipe italiana se encontrava frente à grande estrela da época.
Schumacher, então, chegou com carta branca na Scuderia e, levando os profissionais gabaritados pelos títulos nos dois anos anteriores, construiu uma estrutura vencedora ao seu redor, com a qual lucraram ele e a equipe, com cinco títulos seguidos entre 2000 e 2004.
Não foi naquela Ferrari “capenga” dos anos 1990 que Fernando Alonso desembarcou em 2010. O espanhol passara dois anos de “limbo” na Renault e estava com as portas fechadas na McLaren. Seu valor de barganha, portanto, era muito menor que o de Schumacher, ainda mais indo para uma equipe que havia sido campeã de construtores em 2008.
Detalhes tiraram dois títulos nos últimos quatro anos daquele que foi o rival mais consistente de Sebastian Vettel e o cenário dá indícios de começar a mudar. Ainda que o Carnaval midiático de Luca di Montezemolo leve a crer que Alonso vem perdendo terreno político na Ferrari, profissionais que trabalharam com o espanhol em seu bicampeonato na Renault chegaram e tomaram o lugar justamente dos principais alvos das críticas do piloto, que não costuma polemizar sem um alvo concreto. As contratações de Dirk de Beer e James Allison (que seriam um velho pedido do espanhol) são um duro golpe para Nikolas Tombazis e Simone Resta, que perdem influência – e vale lembrar o chefe de aerodinâmica do carro de 2013, Nicolas Hennel, já saiu de Maranello.
A Ferrari nunca estará organizada para servir Alonso da mesma forma que aconteceu com Schumacher – na verdade, aquela é uma história com ingredientes únicos. Mas a observação com mais cuidado (e, ao escrever isso, lembro-me da mensagem de rádio do espanhol pedindo desculpa por ter errado em sua volta rápida em Interlagos e recebendo a resposta “você não tem de se desculpar de nada” de seu engenheiro) do desenrolar dessa história Alonso/Ferrari nos faz pensar duas vezes antes de cravar que o piloto anda desprestigiado em Maranello ou “não tem visão” do que é necessário para montar um time campeão.
“Alonso realmente quer repetir o mesmo que Schumacher fez pela Ferrari, mas o alemão sabia que precisava muito mais do que apenas seu talento para isso. Levou junto Rory Byrne e Ross Brawn. Acho que Alonso não teve essa visão (ou não quis ter).”
O comentário do Billy no blog me levou a uma viagem no tempo. Afinal, é justo comparar a relação de qualquer piloto com sua equipe com o que Michael Schumacher viveu na Ferrari?
Voltemos a 1995. O alemão foi bicampeão do mundo com mais folga do que sua Benetton permitia, concorrendo com um apenas mediano Damon Hill. Do outro lado, a Ferrari, terceira no campeonato com menos da metade dos pontos dos campeões, amargava sua 16ª temporada seguida sem títulos de pilotos. Não precisa ser gênio para perceber a situação frágil em que a tradicional equipe italiana se encontrava frente à grande estrela da época.
Schumacher, então, chegou com carta branca na Scuderia e, levando os profissionais gabaritados pelos títulos nos dois anos anteriores, construiu uma estrutura vencedora ao seu redor, com a qual lucraram ele e a equipe, com cinco títulos seguidos entre 2000 e 2004.
Não foi naquela Ferrari “capenga” dos anos 1990 que Fernando Alonso desembarcou em 2010. O espanhol passara dois anos de “limbo” na Renault e estava com as portas fechadas na McLaren. Seu valor de barganha, portanto, era muito menor que o de Schumacher, ainda mais indo para uma equipe que havia sido campeã de construtores em 2008.
Detalhes tiraram dois títulos nos últimos quatro anos daquele que foi o rival mais consistente de Sebastian Vettel e o cenário dá indícios de começar a mudar. Ainda que o Carnaval midiático de Luca di Montezemolo leve a crer que Alonso vem perdendo terreno político na Ferrari, profissionais que trabalharam com o espanhol em seu bicampeonato na Renault chegaram e tomaram o lugar justamente dos principais alvos das críticas do piloto, que não costuma polemizar sem um alvo concreto. As contratações de Dirk de Beer e James Allison (que seriam um velho pedido do espanhol) são um duro golpe para Nikolas Tombazis e Simone Resta, que perdem influência – e vale lembrar o chefe de aerodinâmica do carro de 2013, Nicolas Hennel, já saiu de Maranello.
A Ferrari nunca estará organizada para servir Alonso da mesma forma que aconteceu com Schumacher – na verdade, aquela é uma história com ingredientes únicos. Mas a observação com mais cuidado (e, ao escrever isso, lembro-me da mensagem de rádio do espanhol pedindo desculpa por ter errado em sua volta rápida em Interlagos e recebendo a resposta “você não tem de se desculpar de nada” de seu engenheiro) do desenrolar dessa história Alonso/Ferrari nos faz pensar duas vezes antes de cravar que o piloto anda desprestigiado em Maranello ou “não tem visão” do que é necessário para montar um time campeão.
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A filosofia seletiva de Alonso*
* Por Luis Fernando Ramos
Encerrado o Mundial de 2013, Fernando Alonso escolheu palavras curiosas para comentar o terceiro vice-campeonato de sua carreira, segundo consecutivo:
- Fico contente com isso, significa que sou o primeiro dos mortais, que é o que se pode almejar numa disputa com a Red Bull.
A constância que demonstra na derrota leva sempre o espanhol a repetir seu mantra de que é o carro que faz a diferença. Algo que escuta o dia inteiro do séquito de puxa-sacos que o acompanha em cada corrida: empresário, melhor amigo, alguns maus jornalistas de seu país ou de outros também. Como se vivesse em uma constante lavagem cerebral feita por quem deveria estar lhe ajudando.
É melhor acreditar nisso mesmo, seja pela simples repetição da mentira ou achar que fará alguma diferença ignorar a abissal diferença de performance entre Vettel e seu bom companheiro de equipe Mark Webber nesta temporada de 2013. Ou não. Alonso é um baita piloto e tenho a certeza de que uma postura mais colaborativa e positiva poderia fazer maravilhas dentro da Ferrari.
Alonso passou os últimos anos lendo livros e absorvendo a filosofia dos samurais japoneses, algo que gerou até algumas tatuagens no corpo. Se leva a cabo a ideia de disciplina absoluta e a de tentar surpreender o inimigo, ignora completamente os ensinamentos de honra e de humildade dos antigos guerreiros orientais.
Enquanto isso, entra em atritos públicos com Luca di Montezemolo e não perde a chance de criticar o trabalho feito em Maranello pelos engenheiros - que foram contratados justamente a seu pedido. Ao invés de um general que incentiva e estimula seu exército, ele prefere ridicularizá-los. Mudar de postura é imprescindível. Com Kimi Raikkonen a seu lado, um guerreiro forte, mas calado e indisciplinado, cabe a ele liderar o projeto de tornar a Ferrari “imortal”.
Encerrado o Mundial de 2013, Fernando Alonso escolheu palavras curiosas para comentar o terceiro vice-campeonato de sua carreira, segundo consecutivo:
- Fico contente com isso, significa que sou o primeiro dos mortais, que é o que se pode almejar numa disputa com a Red Bull.
A constância que demonstra na derrota leva sempre o espanhol a repetir seu mantra de que é o carro que faz a diferença. Algo que escuta o dia inteiro do séquito de puxa-sacos que o acompanha em cada corrida: empresário, melhor amigo, alguns maus jornalistas de seu país ou de outros também. Como se vivesse em uma constante lavagem cerebral feita por quem deveria estar lhe ajudando.
É melhor acreditar nisso mesmo, seja pela simples repetição da mentira ou achar que fará alguma diferença ignorar a abissal diferença de performance entre Vettel e seu bom companheiro de equipe Mark Webber nesta temporada de 2013. Ou não. Alonso é um baita piloto e tenho a certeza de que uma postura mais colaborativa e positiva poderia fazer maravilhas dentro da Ferrari.
Alonso passou os últimos anos lendo livros e absorvendo a filosofia dos samurais japoneses, algo que gerou até algumas tatuagens no corpo. Se leva a cabo a ideia de disciplina absoluta e a de tentar surpreender o inimigo, ignora completamente os ensinamentos de honra e de humildade dos antigos guerreiros orientais.
Enquanto isso, entra em atritos públicos com Luca di Montezemolo e não perde a chance de criticar o trabalho feito em Maranello pelos engenheiros - que foram contratados justamente a seu pedido. Ao invés de um general que incentiva e estimula seu exército, ele prefere ridicularizá-los. Mudar de postura é imprescindível. Com Kimi Raikkonen a seu lado, um guerreiro forte, mas calado e indisciplinado, cabe a ele liderar o projeto de tornar a Ferrari “imortal”.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O recorde de pontos de Alonso não tem esse peso todo*

Enquanto os fãs da Fórmula 1 se preparam para assistir ao provável tetracampeonato de Sebastian Vettel, da Red Bull, no próximo fim de semana, em Nova Delhi, Fernando Alonso, da Ferrari, faz sua festa particular com o que considera “o recorde de maior número de pontos da história”.
E está tão feliz desde Suzuka, dia 13, quando superou o então líder desse ranking, Michael Schumacher, que entra na pista no circuito Buddh, amanhã, nos primeiros treinos livres do GP da Índia, com um capacete desenhado para celebrar o feito. Mandou pintar o número de pontos que atingiu desde a estreia na Fórmula 1, no GP da Austrália de 2001, pela Minardi: 1.571, obtidos em 210 Gps.
O “recorde” anterior pertencia ao alemão sete vezes campeão do mundo, que entre a estreia no GP da Bélgica de 1991 até o GP do Brasil de 2012, quando abandonou definitivamente a Fórmula 1, havia somado 1.566 pontos, em 308 Gps.
Mas será que esse “recorde” tem mesmo a validade toda que Alonso o atribuiu?
A resposta é, com certeza, não. O que não diminui em nada a trajetória desse polêmico piloto, duas vezes campeão do mundo, tido pela maioria na Fórmula 1 como um dos maiores de todos os tempos, apesar dos dois títulos, apenas.
A razão para o “recorde” de Alonso não ter significado maior é o fato de o critério de pontuação da Fórmula 1 ter mudado ao longo dos anos. Sendo que a partir de 2010 a mudança foi radical, o que praticamente inviabiliza confrontar o número de pontos antes de 2010 com o que os pilotos conseguiram a partir daquela temporada.
“Sei que o critério mudou, mas no futuro serei ultrapassado por alguém. Enquanto isso não acontece é muito bom ver o seu nome no topo da lista”, afirmou, muito animado, Alonso, ainda no GP do Japão.
Dois pesos, duas medidas
A questão é simples de ser compreendida, usando apenas o número de pontos destinado ao vencedor das corridas. De 1950, quando o Mundial de Pilotos passou a ser disputado, a 1959, o primeiro colocado recebia 8 pontos. E apenas o seis primeiros somam pontos: 6 para o segundo colocado, 4 ao terceiro, 3 ao quarto, 2 ao quinto e 1 para o piloto que realizasse a melhor volta na prova.
A partir de 2010, o vencedor de um GP ganha 25 pontos. E os dez primeiros recebem pontuação. Isso quer dizer que para Juan Manuel Fangio, por exemplo, de 1950 a 1958, quando competiu na Fórmula 1, somar os 25 pontos do primeiro colocado, hoje, precisaria vencer mais de três Gps, pois o critério previa apenas 8 pontos ao primeiro colocado (8 x 3 = 24). E pesa ainda o fato de naquele tempo as temporadas terem sete ou oito etapas, e não 19 ou 20, como nos últimos anos.
É como se colocassem na cesta de frutas 10 laranjas e 10 tangerinas e dissessem que há na cesta 20 laranjas. Não é possível misturar as coisas.
Na realidade, nem é preciso ir tão longe no tempo para entender como não faz sentido um piloto dizer que é o recordista de pontos. Da estreia na Fórmula 1, em Spa-Francorchamps, em 1991, ao GP do Brasil de 2006, quando decidiu pela primeira vez deixar de correr na Fórmula 1, Schumacher somou 1.369 pontos, em 250 Gps. Em 2010, voltou a correr e nas três temporadas em que competiu pela Mercedes, 58 Gps, somou pelo critério atual 197 pontos.
De 2003 até o fim de 2009, o critério previa 10 pontos para o vencedor, 8 ao segundo colocado, 6 ao terceiro, 5 ao quarto, 4 ao quinto, 3 ao 4 ao quinto, 3 ao sexto, 2 ao sétimo e 1 ao oitavo. Apesar de distinto do adotado no começo da história da Fórmula 1, não representa uma diferença chocante, como é o caso do critério que estreou em 2010, com 25 pontos ao vencedor e os dez primeiros colocados somarem pontos.
Utilizando-se o critério de 2003 a 2009, Schumacher faria de 2010 a 2012, nos 58 Gps que largou, 75 pontos em vez de 197 pontos. Somando-os aos 1.369 que tinha quando parou, no fim de 2006, o alemão atingiria 1.444 pontos.
Fernando Alonso, no fim de 2006, já era bicampeão do mundo e havia conquistado 381 pontos, em 87 Gps. Nos três anos em que Schumacher não correu, de 2007 a 2009, Alonso disputou outros 52 Gps, chegando a 139 largadas. Com os 196 pontos que somou nesses três anos, atingiu 577 pontos (381 + 196).
Em outras palavras, quando Schumacher voltou para a Fórmula 1, em 2010, tinha 1.369 pontos em 250 Gps e Alonso, 577 em 139 Gps. E os pontos foram obtidos segundo quase o mesmo critério. A diferença é que de 1991 a 2002, apenas os seis primeiros recebiam pontos e de 2003 a 2009, os oito primeiros. Ao vencedor a FIA continuou atribuindo 10 pontos. Na sequência houve pequena variação, como 8 pontos em vez de 6 para o segundo colocado. Não foi nada gritante como a partir de 2010.
A realidade é outra
Se for adotado esse critério de 2003 a 2009 para também atualizar os pontos que Alonso obteve de 2010 para cá, incluindo as 16 etapas já disputadas este ano, o espanhol teria 408 pontos em vez dos 994 que na realidade somou desde a mudança do sistema de pontuação em 2010.
Há uma diferença de 586 pontos (994 – 408) entre o somado por Alonso de 2010 até o GP do Japão, há menos de duas semanas, e o que somaria se o critério de 2003 a 2009 fosse mantido. Esses 586 pontos correspondem a 58,9 % do total conquistado por Alonso no período.
Se os 408 pontos do critério anterior forem somados aos 577 que Alonso obteve pelo critério adotado de 2003 a 2009, desde a sua estreia na Fórmula 1 até hoje, seu total seria de 985 pontos, em 210 Gps. É um valor que fica bem aquém dos 1.571 atuais.
O confronto com Schumacher não tem elevada representatividade por o alemão ter largado em 308 Gps e Alonso, 210, ou cerca de 32% a menos. Mas seguindo apenas o ranking dos pilotos com maior número de pontos na história, sem levar em conta quantos Gps disputou, como a estatística mais considera, então Schumacher teria 1.444 pontos e Alonso, 985.
Do início de suas carreiras, em 1991 e 2001, até o fim de 2009, os pontos que somaram obedeceram critério bem semelhante. A partir da volta de Schumacher, em 2010 e utilizando-se o mesmo critério que vigorou de 2003 até o fim de 2009, Schumacher teria 1.444 pontos e Alonso, 985.
Com o novo critério, contudo, que permitiu Alonso somar bem mais pontos de 2010 para cá, nos últimos 58 Gps, o espanhol atingiu 1.571 pontos, enquanto Schumacher, 1.566. É uma marca de respeito, ninguém pode negar, mas, pela diferença de critério, por misturar laranjas com tangerinas, não possui a representatividade que Alonso tanto apregoa.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O legado de uma geração*
* Por Julianne Cerasoli
Na semana passada, Felipe Motta publicou uma coluna aqui no TotalRace fazendo um paralelo entre os GPs da Coreia de 2010 e 2013. Há três anos, vivíamos a expectativa de um título mundial sendo disputado por cinco pilotos e a certeza de que assistíamos a uma geração especial, com três candidatos a gênios e outros dois competentes o suficiente para terem seus momentos de protagonistas.
De lá para cá, vimos a queda vertiginosa de Webber na mesma proporção em que o ‘crash kid’ Vettel tomou ares de Deus. Tivemos, ainda, a volta de Kimi Raikkonen, outro nome daqueles que têm talento para entrar para a história entre os grandes.
Mas uma série de circunstâncias fez com que apenas um desses pilotos saísse coroado com títulos. O quarto seguido de um piloto de apenas 26 anos abre uma perspectiva completamente diferente daquela de 2010 para esta geração. E o que parecia um novo final de anos 1980 de repente mais parece uma repeteco da era Schumacher.
Concordo com Hamilton que isso é uma pena. “Eu e Fernando em quinto e sexto lugares no final, tenho nossa corridinha... temos mais calibre do que isso, deveríamos estar mais adiante e lutando por campeonatos mundiais com Sebastian”, se resignou após o GP da Coreia. É inegável o mérito do conjunto Red Bull/Vettel, que não pode ser culpado por nada disso, mas certamente a sequência de títulos vai deturpar a noção histórica do que representaram os grandes talentos que estamos vendo nas pistas.
Lendo comentários sobre a noção geral da época de domínio do “outro” alemão, normalmente vemos a depreciação de seus rivais. O único que costuma escapar é Hakkinen, que acabou tendo apenas três temporadas de “embate direto” com Schumi.
Por outro lado, a geração dos anos 1980 é lembrada pelos grandes embates entre Mansell e Piquet, Prost e Senna – e um tirando vantagem da rivalidade do outro.
Mas como será que a geração atual será lembrada? Seria Alonso um novo Fittipaldi, um piloto de agressividade controlada que foi campeão muito jovem e depois tomou decisões na carreira que o afastaram dos títulos? E Hamilton, será apontado como um Mansell tatuado ao invés de bigodudo ou terá tempo para se reerguer junto da Mercedes? Raikkonen vai mesmo ser o baladeiro “one hit wonder” como seu ídolo James Hunt?
Façam suas apostas.
Na semana passada, Felipe Motta publicou uma coluna aqui no TotalRace fazendo um paralelo entre os GPs da Coreia de 2010 e 2013. Há três anos, vivíamos a expectativa de um título mundial sendo disputado por cinco pilotos e a certeza de que assistíamos a uma geração especial, com três candidatos a gênios e outros dois competentes o suficiente para terem seus momentos de protagonistas.
De lá para cá, vimos a queda vertiginosa de Webber na mesma proporção em que o ‘crash kid’ Vettel tomou ares de Deus. Tivemos, ainda, a volta de Kimi Raikkonen, outro nome daqueles que têm talento para entrar para a história entre os grandes.
Mas uma série de circunstâncias fez com que apenas um desses pilotos saísse coroado com títulos. O quarto seguido de um piloto de apenas 26 anos abre uma perspectiva completamente diferente daquela de 2010 para esta geração. E o que parecia um novo final de anos 1980 de repente mais parece uma repeteco da era Schumacher.
Concordo com Hamilton que isso é uma pena. “Eu e Fernando em quinto e sexto lugares no final, tenho nossa corridinha... temos mais calibre do que isso, deveríamos estar mais adiante e lutando por campeonatos mundiais com Sebastian”, se resignou após o GP da Coreia. É inegável o mérito do conjunto Red Bull/Vettel, que não pode ser culpado por nada disso, mas certamente a sequência de títulos vai deturpar a noção histórica do que representaram os grandes talentos que estamos vendo nas pistas.
Lendo comentários sobre a noção geral da época de domínio do “outro” alemão, normalmente vemos a depreciação de seus rivais. O único que costuma escapar é Hakkinen, que acabou tendo apenas três temporadas de “embate direto” com Schumi.
Por outro lado, a geração dos anos 1980 é lembrada pelos grandes embates entre Mansell e Piquet, Prost e Senna – e um tirando vantagem da rivalidade do outro.
Mas como será que a geração atual será lembrada? Seria Alonso um novo Fittipaldi, um piloto de agressividade controlada que foi campeão muito jovem e depois tomou decisões na carreira que o afastaram dos títulos? E Hamilton, será apontado como um Mansell tatuado ao invés de bigodudo ou terá tempo para se reerguer junto da Mercedes? Raikkonen vai mesmo ser o baladeiro “one hit wonder” como seu ídolo James Hunt?
Façam suas apostas.
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
ALGUÉM ME EXPLICA?
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
Ferrari precisa de mais do que uma dupla estrelada para tirar o sono de Vettel*
* Por Julianne Cerasoli
Há quem diga que quem mais gostou da notícia da volta de Kimi Raikkonen a Maranello é Sebastian Vettel, que pode continuar tranquilo em seu caminho de dominação enquanto o finlandês divide pontos – e a equipe – com Fernando Alonso. Mas a Ferrari precisa de mais que uma dupla de campeões para tirar o sono do alemão.
Quando pensamos em uma união de gigantes que deu certo, ou seja, que venceu campeonatos, logo vem à mente Prost e Senna na McLaren. Como se o ambiente dentro da equipe tivesse sido totalmente saudável, como se a parceria tivesse durado muito tempo... Lapsos de memória à parte, se por um lado um companheiro forte teoricamente puxa a performance do outro, é inevitável que os pontos se dividam. Voltando ao final dos anos 1980, será que Prost-Senna foi uma dupla vitoriosa porque os dois eram pilotos muito fortes ou porque seu carro era tão superior à concorrência que eles podiam focar no duelo interno sem se preocupar em jogar o campeonato fora?
A Ferrari sabe que sua mudança de paradigma em relação aos pilotos não vai dar em nada se continuar sempre correndo atrás do prejuízo. Até porque, nesta condição, a única maneira de vencer campeonatos é jogando no erro do adversário e priorizando um piloto.
Não coincidentemente, a equipe vem se fortalecendo tecnicamente. E todos os contratados trabalharam com Alonso e Raikkonen e sabem bem do que os dois precisam para render. O diretor técnico Pat Fry está em Maranello desde 2010, vindo da McLaren, onde era um dos projetistas; James Allison, diretor técnico de chassi, ex-Lotus/Renault; Dirk de Beer, que era diretor de aerodinâmica da Lotus. Além deles, comenta-se que Jarrod Murphy, chefe de CAD da Lotus, também seja contratado, assim como o eterno engenheiro de pista de Raikkonen, Mark Slade (que, curiosamente, trabalhou com Alonso na McLaren).
Um êxodo em massa de Enstone para Maranello. Qualquer semelhança com o último ciclo vitorioso ferrarista não é mera coincidência.
Na fábrica, a equipe chegou a fechar em outubro do ano passado seu túnel de vento, construído em 1997, para uma remodelação, mas reconheceu em julho que ainda tinha problemas e estava usando o equipamento da ex-Toyota para desenvolver seu carro. A pobre correlação de dados é grave e preocupa para o próximo ano, além dos rumores de que a Ferrari esteja atrasada em relação à unidade de potência, ainda que seja difícil estabelecer comparações no momento.
O tempo está jogando contra. Assim como aconteceu em 2009, quem começar na frente em 2014 terá a possibilidade de dominar por um bom tempo. Por outro lado, com mais um insucesso a Ferrari pode rapidamente perder sua dupla estrelada. Tanto Alonso, quanto Raikkonen têm menos títulos que mereciam e pouco tempo de carreira para mudar isso. Antes de pensar em problemas de relacionamento entre pilotos ou coisa do tipo, a Ferrari sabe que precisa, de uma vez por todas, de um carro competitivo. Só assim a opção de colocar dois galos no mesmo galinheiro tem chance de sucesso.
Há quem diga que quem mais gostou da notícia da volta de Kimi Raikkonen a Maranello é Sebastian Vettel, que pode continuar tranquilo em seu caminho de dominação enquanto o finlandês divide pontos – e a equipe – com Fernando Alonso. Mas a Ferrari precisa de mais que uma dupla de campeões para tirar o sono do alemão.
Quando pensamos em uma união de gigantes que deu certo, ou seja, que venceu campeonatos, logo vem à mente Prost e Senna na McLaren. Como se o ambiente dentro da equipe tivesse sido totalmente saudável, como se a parceria tivesse durado muito tempo... Lapsos de memória à parte, se por um lado um companheiro forte teoricamente puxa a performance do outro, é inevitável que os pontos se dividam. Voltando ao final dos anos 1980, será que Prost-Senna foi uma dupla vitoriosa porque os dois eram pilotos muito fortes ou porque seu carro era tão superior à concorrência que eles podiam focar no duelo interno sem se preocupar em jogar o campeonato fora?
A Ferrari sabe que sua mudança de paradigma em relação aos pilotos não vai dar em nada se continuar sempre correndo atrás do prejuízo. Até porque, nesta condição, a única maneira de vencer campeonatos é jogando no erro do adversário e priorizando um piloto.
Não coincidentemente, a equipe vem se fortalecendo tecnicamente. E todos os contratados trabalharam com Alonso e Raikkonen e sabem bem do que os dois precisam para render. O diretor técnico Pat Fry está em Maranello desde 2010, vindo da McLaren, onde era um dos projetistas; James Allison, diretor técnico de chassi, ex-Lotus/Renault; Dirk de Beer, que era diretor de aerodinâmica da Lotus. Além deles, comenta-se que Jarrod Murphy, chefe de CAD da Lotus, também seja contratado, assim como o eterno engenheiro de pista de Raikkonen, Mark Slade (que, curiosamente, trabalhou com Alonso na McLaren).
Um êxodo em massa de Enstone para Maranello. Qualquer semelhança com o último ciclo vitorioso ferrarista não é mera coincidência.
Na fábrica, a equipe chegou a fechar em outubro do ano passado seu túnel de vento, construído em 1997, para uma remodelação, mas reconheceu em julho que ainda tinha problemas e estava usando o equipamento da ex-Toyota para desenvolver seu carro. A pobre correlação de dados é grave e preocupa para o próximo ano, além dos rumores de que a Ferrari esteja atrasada em relação à unidade de potência, ainda que seja difícil estabelecer comparações no momento.
O tempo está jogando contra. Assim como aconteceu em 2009, quem começar na frente em 2014 terá a possibilidade de dominar por um bom tempo. Por outro lado, com mais um insucesso a Ferrari pode rapidamente perder sua dupla estrelada. Tanto Alonso, quanto Raikkonen têm menos títulos que mereciam e pouco tempo de carreira para mudar isso. Antes de pensar em problemas de relacionamento entre pilotos ou coisa do tipo, a Ferrari sabe que precisa, de uma vez por todas, de um carro competitivo. Só assim a opção de colocar dois galos no mesmo galinheiro tem chance de sucesso.
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Alonso vs Raikkonen: briga de gigantes*
* Por Felipe Motta
A Ferrari terá em 2014 Fernando Alonso e Kimi Raikkonen. Começo o texto com uma pergunta: o que vai dar nesse caminho que a equipe escolheu? Acho que a nova dupla nos dá um componente bem interessante para o Mundial do próximo ano. Estávamos precisando de situações como essa.
A chegada de Kimi, como já escrevi, é para mim como um cartão amarelo para Alonso após suas críticas. A “vida boa”, digamos, acabou. Com Raikkonen não adiantará o espanhol surtar no rádio, gritar “this is ridiculous” e exigir nos bastidores vitórias. O finlandês não aceitará abrir caminho para Alonso enquanto tenha chances matemáticas de título. E isso em si já será bacana.
Alonso não soube se controlar quando Lewis Hamilton dificultou sua vida na McLaren. Muitos argumentam que ele amadureceu, o que tenho sérias dúvidas. Basta lembrar o que ele disse sábado em Monza após o treino de classificação. Nem bem chegou na zona mista e antes da pergunta da repórter, incomodado, falou: “ok, sei o que vão perguntar, que fiquei atrás de meu companheiro. Em 100 classificações, está 82 a 18.” Repito, ninguém perguntou nada para ele lançar essa.
Alonso é um baita piloto, mas precisa de ambientes 110% confortáveis. Já Kimi Raikkonen não se importa com nada.
Imagino que queiram saber quem imagino levar a melhor nessa. Acho Alonso mais completo que Kimi e que o espanhol tende em 21 corridas a ganhar do finlandês. Mas será uma briga muito apertada e um pequeno detalhe é fundamental.
Raikkonen é mais sensível ao carro. Se não o tiver nas mãos, sofre. No entanto, se a máquina casar com seu estilo é quase imbatível em velocidade pura. É aí que reside o perigo para Alonso.
Ainda assim, é muito raro ver Alonso ter carro para estar em Top-4 ou Top-6 e largar em oitavo. Raikkonen vez ou outra dá umas rateadas. Mesmo que sejam raras essas oportunidades, quando vacilar, Alonso estará lá. O contrário existirá menos, exceção apenas ao fato do asturiano poder surtar.
A versão oficial da contratação de Kimi escora-se na possibilidade da Ferrari voltar a brigar pelo título de Construtores, algo que Felipe Massa vinha ajudando pouco. Com a efetivação de Daniel Ricciardo, a Red Bull pode ter pontos perdidos ao longo do ano no período em que o australiano estará se adaptando à sua nova condição de brigar pela ponta, enquanto Raikkonen e Alonso não desperdiçam suas chances.
Seja como for, o fã de automobilismo ganha muito com a novidade.
A Ferrari terá em 2014 Fernando Alonso e Kimi Raikkonen. Começo o texto com uma pergunta: o que vai dar nesse caminho que a equipe escolheu? Acho que a nova dupla nos dá um componente bem interessante para o Mundial do próximo ano. Estávamos precisando de situações como essa.
A chegada de Kimi, como já escrevi, é para mim como um cartão amarelo para Alonso após suas críticas. A “vida boa”, digamos, acabou. Com Raikkonen não adiantará o espanhol surtar no rádio, gritar “this is ridiculous” e exigir nos bastidores vitórias. O finlandês não aceitará abrir caminho para Alonso enquanto tenha chances matemáticas de título. E isso em si já será bacana.
Alonso não soube se controlar quando Lewis Hamilton dificultou sua vida na McLaren. Muitos argumentam que ele amadureceu, o que tenho sérias dúvidas. Basta lembrar o que ele disse sábado em Monza após o treino de classificação. Nem bem chegou na zona mista e antes da pergunta da repórter, incomodado, falou: “ok, sei o que vão perguntar, que fiquei atrás de meu companheiro. Em 100 classificações, está 82 a 18.” Repito, ninguém perguntou nada para ele lançar essa.
Alonso é um baita piloto, mas precisa de ambientes 110% confortáveis. Já Kimi Raikkonen não se importa com nada.
Imagino que queiram saber quem imagino levar a melhor nessa. Acho Alonso mais completo que Kimi e que o espanhol tende em 21 corridas a ganhar do finlandês. Mas será uma briga muito apertada e um pequeno detalhe é fundamental.
Raikkonen é mais sensível ao carro. Se não o tiver nas mãos, sofre. No entanto, se a máquina casar com seu estilo é quase imbatível em velocidade pura. É aí que reside o perigo para Alonso.
Ainda assim, é muito raro ver Alonso ter carro para estar em Top-4 ou Top-6 e largar em oitavo. Raikkonen vez ou outra dá umas rateadas. Mesmo que sejam raras essas oportunidades, quando vacilar, Alonso estará lá. O contrário existirá menos, exceção apenas ao fato do asturiano poder surtar.
A versão oficial da contratação de Kimi escora-se na possibilidade da Ferrari voltar a brigar pelo título de Construtores, algo que Felipe Massa vinha ajudando pouco. Com a efetivação de Daniel Ricciardo, a Red Bull pode ter pontos perdidos ao longo do ano no período em que o australiano estará se adaptando à sua nova condição de brigar pela ponta, enquanto Raikkonen e Alonso não desperdiçam suas chances.
Seja como for, o fã de automobilismo ganha muito com a novidade.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Vaias que não machucam*
* Por Luis Fernando Ramos
É raro, mas de vez em quando acontece na Fórmula 1 do ganhador de uma corrida receber uma sonora vaia quando sobe no pódio para receber o seu troféu. Sebastian Vettel viveu isto ontem em Monza, mas não por ter cometido alguma atitude anti-desportiva. O seu “pecado” foi derrotar a Ferrari diante de seus fanáticos torcedores. Uma situação que ele recebeu com naturalidade.
- Em 2008 eu ganhei aqui correndo por uma equipe italiana equipada com motor Ferrari e foi uma experiência alucinante, o clima no pódio foi fantástico. Com a Red Bull, venci aqui em 2011, quando as vaias me surpreenderam, e agora, que eu já esperava isso. É normal, não vou culpar as pessoas aqui, cujo amor pela Ferrari está nos genes. Acho apenas que é um sinal de que fizemos um bom trabalho para bater esta equipe aqui - disse o alemão.
O triunfo de Vettel seguiu o mesmo roteiro do obtido na etapa anterior, na Bélgica: liderar a prova desde o início, abrir a maior vantagem possível e depois administrá-la até o final. Ao menos, Fernando Alonso conseguiu minimizar o prejuízo na tabela com um segundo lugar lutado, concretizado após uma ultrapassagem bonita sobre Mark Webber e a colaboração de Felipe Massa, que cedeu uma posição ao companheiro. Faltando sete etapas, Vettel abriu 53 pontos de vantagem sobre Alonso, mas o espanhol prometeu lutar até o final:
- Ainda faltam muitas corridas e precisamos nos agarrar a isto. Sendo realista, sei que não podemos ganhar o campeonato só com nossas vitórias ou nossa velocidade, que é inferior ao da Red Bull. Vamos lutar ao máximo, mas é mais uma questão deles perderem o campeonato, pois estão muito bem encaminhados.
Numa corrida dominada por estas duas equipes, Mark Webber subiu ao pódio de Monza pela primeira vez em sua carreira ao superar Felipe Massa usando a estratégia de fazer sua única parada nos boxes antes do brasileiro. Ainda assim, o quarto lugar foi o melhor resultado de Massa desde o GP da Espanha, no início do mês de maio.
Outro destaque positivo da corrida em Monza foi o alemão Nico Hülkenberg, que conseguiu o melhor resultado da Sauber do ano com um quinto lugar.
A hora da verdade está chegando para Felipe Massa. Nesta quarta-feira ele deve se reunir com o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, para conversar sobre seu futuro na equipe. Em Monza, as conversas de bastidores dão conta de que seu futuro já estaria selado e que a chegada do finlandês Kimi Raikkonen para seu lugar é iminente. A equipe silencia e o brasileiro garante que não foi informado de nada. Mas deixa claro que já busca alternativas.
- Se algo já foi definido pela Ferrari, pelo Montezemolo, eu não sei. Mas o importante é que eu pense no meu futuro. Se for para continuar na equipe, ótimo, é sempre maravilhoso correr em um time como esse. Mas se não der já mostrei meu talento, já mostrei do que sou capaz para as outras equipes também. Nada é impossível no momento.
Falando depois da corrida em Monza, o brasileiro se mostrou tranquilo mesmo diante do futuro incerto. E admitiu que pode até mesmo deixar a Fórmula 1 se não encontrar uma alternativa competitiva caso saia da Ferrari.
- Não tenho medo nenhum de sair da Ferrari. Importante é pensar no melhor para o meu lado. Se for para ir para outra equipe, continuar na Ferrari ou até sair da F-1, caso não haja mais vaga, pensarei no que for melhor para o meu futuro. E espero tomar a decisão correta. Preciso escolher a melhor equipe possível para eu correr. É difícil achar outra equipe como a Ferrari. Por isso é importante analisar todas as opções com calma.
Eu perguntei ao chefe do time italiano, Stefano Domenicali, que garantiu que nenhuma decisão foi tomada. E preferiu não dar um prazo para que isso aconteça.
- Colocamos sobre a mesa todos os elementos e estamos analisando da forma menos passional possível. Temos de estudar a situação antes de tomar a decisão final e é por isso que o anúncio está demorando. Obviamente não é uma decisão fácil para nós e por isso levará o tempo que for preciso.
A sensação é de que o anúncio é iminente e que a Ferrari está prestes a fazer uma enorme mudança na sua filosofia.
É raro, mas de vez em quando acontece na Fórmula 1 do ganhador de uma corrida receber uma sonora vaia quando sobe no pódio para receber o seu troféu. Sebastian Vettel viveu isto ontem em Monza, mas não por ter cometido alguma atitude anti-desportiva. O seu “pecado” foi derrotar a Ferrari diante de seus fanáticos torcedores. Uma situação que ele recebeu com naturalidade.
- Em 2008 eu ganhei aqui correndo por uma equipe italiana equipada com motor Ferrari e foi uma experiência alucinante, o clima no pódio foi fantástico. Com a Red Bull, venci aqui em 2011, quando as vaias me surpreenderam, e agora, que eu já esperava isso. É normal, não vou culpar as pessoas aqui, cujo amor pela Ferrari está nos genes. Acho apenas que é um sinal de que fizemos um bom trabalho para bater esta equipe aqui - disse o alemão.
O triunfo de Vettel seguiu o mesmo roteiro do obtido na etapa anterior, na Bélgica: liderar a prova desde o início, abrir a maior vantagem possível e depois administrá-la até o final. Ao menos, Fernando Alonso conseguiu minimizar o prejuízo na tabela com um segundo lugar lutado, concretizado após uma ultrapassagem bonita sobre Mark Webber e a colaboração de Felipe Massa, que cedeu uma posição ao companheiro. Faltando sete etapas, Vettel abriu 53 pontos de vantagem sobre Alonso, mas o espanhol prometeu lutar até o final:
- Ainda faltam muitas corridas e precisamos nos agarrar a isto. Sendo realista, sei que não podemos ganhar o campeonato só com nossas vitórias ou nossa velocidade, que é inferior ao da Red Bull. Vamos lutar ao máximo, mas é mais uma questão deles perderem o campeonato, pois estão muito bem encaminhados.
Numa corrida dominada por estas duas equipes, Mark Webber subiu ao pódio de Monza pela primeira vez em sua carreira ao superar Felipe Massa usando a estratégia de fazer sua única parada nos boxes antes do brasileiro. Ainda assim, o quarto lugar foi o melhor resultado de Massa desde o GP da Espanha, no início do mês de maio.
Outro destaque positivo da corrida em Monza foi o alemão Nico Hülkenberg, que conseguiu o melhor resultado da Sauber do ano com um quinto lugar.
A hora da verdade está chegando para Felipe Massa. Nesta quarta-feira ele deve se reunir com o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, para conversar sobre seu futuro na equipe. Em Monza, as conversas de bastidores dão conta de que seu futuro já estaria selado e que a chegada do finlandês Kimi Raikkonen para seu lugar é iminente. A equipe silencia e o brasileiro garante que não foi informado de nada. Mas deixa claro que já busca alternativas.
- Se algo já foi definido pela Ferrari, pelo Montezemolo, eu não sei. Mas o importante é que eu pense no meu futuro. Se for para continuar na equipe, ótimo, é sempre maravilhoso correr em um time como esse. Mas se não der já mostrei meu talento, já mostrei do que sou capaz para as outras equipes também. Nada é impossível no momento.
Falando depois da corrida em Monza, o brasileiro se mostrou tranquilo mesmo diante do futuro incerto. E admitiu que pode até mesmo deixar a Fórmula 1 se não encontrar uma alternativa competitiva caso saia da Ferrari.
- Não tenho medo nenhum de sair da Ferrari. Importante é pensar no melhor para o meu lado. Se for para ir para outra equipe, continuar na Ferrari ou até sair da F-1, caso não haja mais vaga, pensarei no que for melhor para o meu futuro. E espero tomar a decisão correta. Preciso escolher a melhor equipe possível para eu correr. É difícil achar outra equipe como a Ferrari. Por isso é importante analisar todas as opções com calma.
Eu perguntei ao chefe do time italiano, Stefano Domenicali, que garantiu que nenhuma decisão foi tomada. E preferiu não dar um prazo para que isso aconteça.
- Colocamos sobre a mesa todos os elementos e estamos analisando da forma menos passional possível. Temos de estudar a situação antes de tomar a decisão final e é por isso que o anúncio está demorando. Obviamente não é uma decisão fácil para nós e por isso levará o tempo que for preciso.
A sensação é de que o anúncio é iminente e que a Ferrari está prestes a fazer uma enorme mudança na sua filosofia.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
O futuro de Raikkonen também está nas mãos de Alonso*
* Por Lívio Oricchio
Há uma relação íntima entre o futuro de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 e o comportamento de Fernando Alonso daqui para a frente. O raciocínio é simples: se o espanhol voltar a ser o piloto casado com a Ferrari, como era até antes do GP da Hungria, dia 28 de julho, em que não criticava a equipe nem nos momentos mais difíceis, e demonstrar que voltou a ser o profissional que trabalha, vence e perde com o grupo, então o seu companheiro, em 2014, provavelmente não será Kimi Raikkonen, hoje na Lotus.
Mas se no GP da Itália, domingo, ou mesmo nas duas semanas até a etapa seguinte, dia 22 em Cingapura, a postura de Alonso for a de Budapeste, quando ridicularizou os engenheiros do time, impôs barreiras no seu relacionamento com todos e o seu empresário, Luis Garcia Abad, o ofereceu a Christian Horner, da Red Bull, então o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, e seu diretor, Stefano Domenicali, vão esquecer o tratamento diferenciado garantido até hoje. E a provável consequência será a contratação de Raikkonen.
A imprensa italiana a cada dia parece acreditar mais que Montezemolo e Domenicali vão optar pela formação de um dream team, com os dois campeões do mundo juntos, em 2014, Alonso e Raikkonen. Na última edição da revista semanal Autosprint, por exemplo, tanto o editorial, redigido pelo diretor de redação, Alberto Sabbatini, quanto a reportagem sobre o mercado de pilotos, assinada por Alberto Antonini, falam em “provável ida do finlandês para Maranello”.
Nesse caso, Montezemolo e Domenicali sabem também que o dream team poderia não funcionar. Correm o risco de desestabilizar um piloto que representa uma garantia de resultados, como o espanhol, e a partir daí experimentarem o exercício diário de administrar desgastantes conflitos internos, com perigosos desdobramentos nos resultados.
Mas é bem verdade que poderia estimulá-lo ainda mais, pois Alonso não suporta ser vencido por outro piloto com o mesmo equipamento. E o mais importante: a contratação de Raikkonen poderia servir de freio para os seus ataques de vaidade, semelhantes aos de superstars do rock, acostumados a fazer todo tipo de exigências aos organizadores do espetáculo.
Não há pressa
Domenicali afirmou ao Estado, no circuito de Spa-Francorchamps, dia 24: “Não temos necessidade urgente de definir o companheiro de Alonso”. Esse espaço de tempo até as etapas finais servirá para compreender por qual lado o brilhante piloto vai enveredar. O do confronto com quem sempre lhe fez de tudo para se sentir confortável, ainda que em nem todas as ocasiões o carro tenha correspondido, ou da retomada da relação quase idílica que mantinham da chegada a Ferrari, em 2010, até a metade do atual campeonato.
Nesse sentido, as férias de agosto parecem ter já adiantado que Alonso compreendeu não ter alternativa. E na última prova, na Bélgica, mudou radicalmente o discurso. Elogiou a Ferrari e seus homens. Até da área técnica: “Confio no seu trabalho”, afirmou, para surpresa da imprensa. Foi o resultado, também, do xeque mate que Montezemolo lhe deu. Quem conhece o italiano é capaz de reproduzir suas palavras ao piloto: “Para permanecer na Ferrari tem de respeitá-la e defender, primeiro, os seus interesses, ao mesmo tempo em que deve sentir orgulho”.
O campeão do mundo de 2005 e 2006, pela Renault, viu que o rompimento do contrato com a Ferrari implicaria o pagamento de multa milionária, o que ninguém faria. Não acabou: não há espaço em outra equipe. Mercedes já acertou há tempos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A McLaren não o quer, talvez nem de graça, enquanto Ron Dennis for sócio do grupo, e a Lotus não tem dinheiro.
Por fim, a Red Bull. Helmut Marko, homem que tem a palavra final na organização, jamais exporia seu tricampeão, Sebastian Vettel, a um confronto interno com outro piloto genial, Alonso. A escolha de Daniel Ricciardo para a vaga de Mark Webber, anunciada segunda-feira, bem demonstra a filosofia da Red Bull, responsável pela conquista dos três últimos títulos de pilotos e de construtores.
O que é certo é que a Ferrari não vai divulgar sua dupla em Monza, no fim de semana. Por uma razão: não a definiu, ainda. Montezemolo e Domenicali aguardam qual versão do Alonso vai se apresentar nos eventos. E como reagirá se o modelo F138 não acompanhar os concorrentes.
Mais: os dois dirigentes vão continuar avaliando, com muita atenção, as consequências de eventualmente levar Raikkonen para a sua escuderia. Se tornaria a Ferrari mais forte ou, por incrível que pareça, mais vulnerável, por poder gerar uma grave crise interna, como a que se estabeleceu na McLaren, em 2007, entre Alonso e Lewis Hamilton, cujo desfecho foi terrível para o time inglês: a perda do título para a própria Ferrari, por um ponto.
Lista pequena
Se Montezemolo e Domenicali compreenderem que Alonso voltou a falar a mesma língua amável de antes dos incidentes da Hungria e chegarem à conclusão de que Alonso e Raikkonen não funcionariam juntos, quem seria o companheiro do espanhol?
A lista de candidatos é curta e conhecida. Felipe Massa pode ganhar mais um ano de contrato, mas precisa fazer mais do que nas duas últimas etapas, oitavo na Hungria e sétimo na Bélgica. A imprensa italiana o critica bastante pela falta de resultados. Nico Hulkenberg, da Sauber, tem chances pelo respeito existente por ele pela direção da escuderia italiana. Claro, sempre há espaço para surpresas de última hora na Fórmula 1, mas parece difícil que o outro piloto da Ferrari não venha do trio Raikkonen, Massa e Hulkenberg.
De qualquer forma, antes da corrida da Índia, 16.ª do calendário, dia 27 de outubro, será surpreendente se a Ferrari anunciar o companheiro de Alonso. E até lá o tema vai continuar gerando especulações de toda natureza, das mais fundamentadas às mais fantasiosas.
Opinião
Apesar de a imprensa italiana demonstrar otimisto quanto a Raikkonen deixar a Lotus para correr pela Ferrari, penso que as chances maiores são de o excelente piloto finlandês permanecer onde está. A própria postura de Alonso, em Spa, elogiando “a melhor escuderia do mundo”, em completa oposição ao que fez na Hungria, denota ter compreendido o que Montezemolo lhe disse. “Se desejar continuar aqui terá de ser também como nós queremos.”
E é provável que na conversa entre ambos Alonso ouviu que Alain Prost, já três vezes campeão do mundo, em 1991, foi mandado embora antes da última etapa, na Austrália, por ter declarado que o carro da Ferrari era um “caminhão”. E que críticas vorazes como as de Alonso para a imprensa, em Budapeste, garantiam a Ferrari o direito de dispensá-lo sem pagar nada. O time italiano tem sempre essa cláusula nos seus contratos.
Nessa hipótese, se Alonso desejasse continuar correndo na Fórmula 1 teria de ser pela Lotus, pois a Ferrari assinaria no mesmo dia com Raikkonen. E na Lotus Alonso além de passar a receber no máximo um terço dos estimados 25 milhões de euros (R$ 75 milhões) atuais, não iria dispor da estrutura e dos recursos financeiros de uma equipe como a Ferrari, numa época em que, diante da mudança extrema do regulamento, sugere ser de grande importância.
Por tudo isso penso que Alonso deve ter compreendido, de uma vez, que se correr pela Ferrari hoje não é o ideal, por seus projetistas não poderem ser comparados aos da Red Bull, dentre as possibilidades que possui acaba sendo a melhor. Assim, Montezemolo pode continuar apostando quase todas as fichas da Ferrari no seu principal piloto. E nesse caso não precisaria de Raikkonen que, muito provavelmente, levaria Alonso a se perder emocionalmente, como ocorreu ao compartilhar a McLaren com Hamilton em 2007.
O quadro propõe que Massa e Hulkenberg são, hoje, os que têm as maiores chances de correr ao lado de Alonso. Do ponto de vista esportivo será uma pena se esse for mesmo o desfecho da história. Alonso e Raikkonen, juntos, definiriam uma atração à parte a cada GP.
Há uma relação íntima entre o futuro de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 e o comportamento de Fernando Alonso daqui para a frente. O raciocínio é simples: se o espanhol voltar a ser o piloto casado com a Ferrari, como era até antes do GP da Hungria, dia 28 de julho, em que não criticava a equipe nem nos momentos mais difíceis, e demonstrar que voltou a ser o profissional que trabalha, vence e perde com o grupo, então o seu companheiro, em 2014, provavelmente não será Kimi Raikkonen, hoje na Lotus.
Mas se no GP da Itália, domingo, ou mesmo nas duas semanas até a etapa seguinte, dia 22 em Cingapura, a postura de Alonso for a de Budapeste, quando ridicularizou os engenheiros do time, impôs barreiras no seu relacionamento com todos e o seu empresário, Luis Garcia Abad, o ofereceu a Christian Horner, da Red Bull, então o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, e seu diretor, Stefano Domenicali, vão esquecer o tratamento diferenciado garantido até hoje. E a provável consequência será a contratação de Raikkonen.
A imprensa italiana a cada dia parece acreditar mais que Montezemolo e Domenicali vão optar pela formação de um dream team, com os dois campeões do mundo juntos, em 2014, Alonso e Raikkonen. Na última edição da revista semanal Autosprint, por exemplo, tanto o editorial, redigido pelo diretor de redação, Alberto Sabbatini, quanto a reportagem sobre o mercado de pilotos, assinada por Alberto Antonini, falam em “provável ida do finlandês para Maranello”.
Nesse caso, Montezemolo e Domenicali sabem também que o dream team poderia não funcionar. Correm o risco de desestabilizar um piloto que representa uma garantia de resultados, como o espanhol, e a partir daí experimentarem o exercício diário de administrar desgastantes conflitos internos, com perigosos desdobramentos nos resultados.
Mas é bem verdade que poderia estimulá-lo ainda mais, pois Alonso não suporta ser vencido por outro piloto com o mesmo equipamento. E o mais importante: a contratação de Raikkonen poderia servir de freio para os seus ataques de vaidade, semelhantes aos de superstars do rock, acostumados a fazer todo tipo de exigências aos organizadores do espetáculo.
Não há pressa
Domenicali afirmou ao Estado, no circuito de Spa-Francorchamps, dia 24: “Não temos necessidade urgente de definir o companheiro de Alonso”. Esse espaço de tempo até as etapas finais servirá para compreender por qual lado o brilhante piloto vai enveredar. O do confronto com quem sempre lhe fez de tudo para se sentir confortável, ainda que em nem todas as ocasiões o carro tenha correspondido, ou da retomada da relação quase idílica que mantinham da chegada a Ferrari, em 2010, até a metade do atual campeonato.
Nesse sentido, as férias de agosto parecem ter já adiantado que Alonso compreendeu não ter alternativa. E na última prova, na Bélgica, mudou radicalmente o discurso. Elogiou a Ferrari e seus homens. Até da área técnica: “Confio no seu trabalho”, afirmou, para surpresa da imprensa. Foi o resultado, também, do xeque mate que Montezemolo lhe deu. Quem conhece o italiano é capaz de reproduzir suas palavras ao piloto: “Para permanecer na Ferrari tem de respeitá-la e defender, primeiro, os seus interesses, ao mesmo tempo em que deve sentir orgulho”.
O campeão do mundo de 2005 e 2006, pela Renault, viu que o rompimento do contrato com a Ferrari implicaria o pagamento de multa milionária, o que ninguém faria. Não acabou: não há espaço em outra equipe. Mercedes já acertou há tempos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A McLaren não o quer, talvez nem de graça, enquanto Ron Dennis for sócio do grupo, e a Lotus não tem dinheiro.
Por fim, a Red Bull. Helmut Marko, homem que tem a palavra final na organização, jamais exporia seu tricampeão, Sebastian Vettel, a um confronto interno com outro piloto genial, Alonso. A escolha de Daniel Ricciardo para a vaga de Mark Webber, anunciada segunda-feira, bem demonstra a filosofia da Red Bull, responsável pela conquista dos três últimos títulos de pilotos e de construtores.
O que é certo é que a Ferrari não vai divulgar sua dupla em Monza, no fim de semana. Por uma razão: não a definiu, ainda. Montezemolo e Domenicali aguardam qual versão do Alonso vai se apresentar nos eventos. E como reagirá se o modelo F138 não acompanhar os concorrentes.
Mais: os dois dirigentes vão continuar avaliando, com muita atenção, as consequências de eventualmente levar Raikkonen para a sua escuderia. Se tornaria a Ferrari mais forte ou, por incrível que pareça, mais vulnerável, por poder gerar uma grave crise interna, como a que se estabeleceu na McLaren, em 2007, entre Alonso e Lewis Hamilton, cujo desfecho foi terrível para o time inglês: a perda do título para a própria Ferrari, por um ponto.
Lista pequena
Se Montezemolo e Domenicali compreenderem que Alonso voltou a falar a mesma língua amável de antes dos incidentes da Hungria e chegarem à conclusão de que Alonso e Raikkonen não funcionariam juntos, quem seria o companheiro do espanhol?
A lista de candidatos é curta e conhecida. Felipe Massa pode ganhar mais um ano de contrato, mas precisa fazer mais do que nas duas últimas etapas, oitavo na Hungria e sétimo na Bélgica. A imprensa italiana o critica bastante pela falta de resultados. Nico Hulkenberg, da Sauber, tem chances pelo respeito existente por ele pela direção da escuderia italiana. Claro, sempre há espaço para surpresas de última hora na Fórmula 1, mas parece difícil que o outro piloto da Ferrari não venha do trio Raikkonen, Massa e Hulkenberg.
De qualquer forma, antes da corrida da Índia, 16.ª do calendário, dia 27 de outubro, será surpreendente se a Ferrari anunciar o companheiro de Alonso. E até lá o tema vai continuar gerando especulações de toda natureza, das mais fundamentadas às mais fantasiosas.
Opinião
Apesar de a imprensa italiana demonstrar otimisto quanto a Raikkonen deixar a Lotus para correr pela Ferrari, penso que as chances maiores são de o excelente piloto finlandês permanecer onde está. A própria postura de Alonso, em Spa, elogiando “a melhor escuderia do mundo”, em completa oposição ao que fez na Hungria, denota ter compreendido o que Montezemolo lhe disse. “Se desejar continuar aqui terá de ser também como nós queremos.”
E é provável que na conversa entre ambos Alonso ouviu que Alain Prost, já três vezes campeão do mundo, em 1991, foi mandado embora antes da última etapa, na Austrália, por ter declarado que o carro da Ferrari era um “caminhão”. E que críticas vorazes como as de Alonso para a imprensa, em Budapeste, garantiam a Ferrari o direito de dispensá-lo sem pagar nada. O time italiano tem sempre essa cláusula nos seus contratos.
Nessa hipótese, se Alonso desejasse continuar correndo na Fórmula 1 teria de ser pela Lotus, pois a Ferrari assinaria no mesmo dia com Raikkonen. E na Lotus Alonso além de passar a receber no máximo um terço dos estimados 25 milhões de euros (R$ 75 milhões) atuais, não iria dispor da estrutura e dos recursos financeiros de uma equipe como a Ferrari, numa época em que, diante da mudança extrema do regulamento, sugere ser de grande importância.
Por tudo isso penso que Alonso deve ter compreendido, de uma vez, que se correr pela Ferrari hoje não é o ideal, por seus projetistas não poderem ser comparados aos da Red Bull, dentre as possibilidades que possui acaba sendo a melhor. Assim, Montezemolo pode continuar apostando quase todas as fichas da Ferrari no seu principal piloto. E nesse caso não precisaria de Raikkonen que, muito provavelmente, levaria Alonso a se perder emocionalmente, como ocorreu ao compartilhar a McLaren com Hamilton em 2007.
O quadro propõe que Massa e Hulkenberg são, hoje, os que têm as maiores chances de correr ao lado de Alonso. Do ponto de vista esportivo será uma pena se esse for mesmo o desfecho da história. Alonso e Raikkonen, juntos, definiriam uma atração à parte a cada GP.
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Uma relação desgastada*
* Por Luis Fernando Ramos
Tudo bem que não havia muito o que a Ferrari comemorar depois da performance dominante de Sebastian Vettel em Spa-Francorchamps. Mas chamou a atenção a chegada de Fernando Alonso, depois de uma corrida brilhante em que saiu de nono do grid para o segundo lugar: não havia nenhum membro da equipe no pitwall para celebrar o piloto, apenas o seu fisioterapeuta segurando uma fria placa de tempos.
Alonso também escancarou o momento de tensão que vive na Ferrari ao passar com o carro bem longe do muro dos boxes. É assim que o espanhol vai para o GP da Itália, o principal do ano para a equipe. O que há por trás deste desgaste?
Um dos motivos é o “puxão de orelhas” público que o presidente Luca di Montezemolo fez em sua estrela. A questão entre os dois vai além dos problemas no desenvolvimento do carro. O empresário de Fernando Alonso pode até ter sondado outras equipes para ver a situação. Só que não há alternativas para o espanhol além da Ferrari. A Red Bull vai confirmar Daniel Ricciardo e jamais teria o interesse de juntar Alonso e Vettel no mesmo canto. Mercedes e McLaren já estão com suas duplas prontas para o ano que vem. A Lotus poderia ser uma alternativa, mas o frágil estado financeiro do time não garante a competitividade do carro e isto não interessa ao piloto. Resta ficar em Maranello.
Neste cenário, Alonso perdeu força política internamente. A influência de sua opinião na escolha do companheiro já não é mais tão grande. E o time se viu à vontade para negociar com um piloto do calibre de Kimi Raikkonen (o que não significa que um acordo vá acontecer). Alonso não deve ter gostado, mas teve de se calar. Restou mostrar seu descontentamento na chegada em Spa: “eu piloto muito, mas posso tomar um rumo distante”, foi sua mensagem para Montezemolo.
O tempo que a Ferrari está tomando para decidir a segunda vaga é, acima de tudo, um tempo para que o time e o espanhol voltem a se entender melhor.
Tudo bem que não havia muito o que a Ferrari comemorar depois da performance dominante de Sebastian Vettel em Spa-Francorchamps. Mas chamou a atenção a chegada de Fernando Alonso, depois de uma corrida brilhante em que saiu de nono do grid para o segundo lugar: não havia nenhum membro da equipe no pitwall para celebrar o piloto, apenas o seu fisioterapeuta segurando uma fria placa de tempos.
Alonso também escancarou o momento de tensão que vive na Ferrari ao passar com o carro bem longe do muro dos boxes. É assim que o espanhol vai para o GP da Itália, o principal do ano para a equipe. O que há por trás deste desgaste?
Um dos motivos é o “puxão de orelhas” público que o presidente Luca di Montezemolo fez em sua estrela. A questão entre os dois vai além dos problemas no desenvolvimento do carro. O empresário de Fernando Alonso pode até ter sondado outras equipes para ver a situação. Só que não há alternativas para o espanhol além da Ferrari. A Red Bull vai confirmar Daniel Ricciardo e jamais teria o interesse de juntar Alonso e Vettel no mesmo canto. Mercedes e McLaren já estão com suas duplas prontas para o ano que vem. A Lotus poderia ser uma alternativa, mas o frágil estado financeiro do time não garante a competitividade do carro e isto não interessa ao piloto. Resta ficar em Maranello.
Neste cenário, Alonso perdeu força política internamente. A influência de sua opinião na escolha do companheiro já não é mais tão grande. E o time se viu à vontade para negociar com um piloto do calibre de Kimi Raikkonen (o que não significa que um acordo vá acontecer). Alonso não deve ter gostado, mas teve de se calar. Restou mostrar seu descontentamento na chegada em Spa: “eu piloto muito, mas posso tomar um rumo distante”, foi sua mensagem para Montezemolo.
O tempo que a Ferrari está tomando para decidir a segunda vaga é, acima de tudo, um tempo para que o time e o espanhol voltem a se entender melhor.
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terça-feira, 27 de agosto de 2013
SPARTACUS*
* Por Victor Martins
Admito que considerei inicialmente exageradas as opiniões de que Alonso estava com cara amarrada no encontro dos três primeiros colocados na salinha antes do pódio de ontem em Spa-Francorchamps. Dando um desconto àquele momento, seria natural que um segundo colocado não ficasse feliz com um resultado que o afaste ainda mais do líder e vencedor da prova, Vettel. Mas o decorrer das cenas realmente foi demonstrando que havia um desconforto, sim – e estar descontente é diferente de estar desgostoso.
Não dar um sorriso sequer em uma prova em que havia sido o nome e que ao menos esboçava alguma evolução em relação às últimas performances é, de fato, estranho. Por outro lado, não é tão estranho quando se pega a ficha do que aconteceu desde o fim de semana do GP da Hungria: a ida do empresário ao motorhome da Red Bull, o puxão de orelha público do presidente Luca di Montezemolo, a obrigação de ter de se desculpar e falar que foi um mal entendido atribuindo até a questões linguísticas, a ciência de que há um plausível cenário em que Räikkönen pode aparecer em Maranello em 2014.
Há pouco, o solerte Bruno Mantovani colocou em seu Twitter uma montagem em que aponta, no quadro superior, a comemoração de Vettel com a grade cheia de gente da Red Bull e, no inferior, uma desnecessária placa a Alonso com a diferença para o alemão e para Hamilton, fria e significativa. Bruno veio até me perguntar se aquela havia sido a última volta. Recorri ao pai dos vídeos para buscar a comprovação. O print abaixo aponta que, sim, não havia um mecânico sequer para celebrar um segundo lugar que, sim, deveria ser motivo de orgulho por atestar uma evolução evidente de um carro que vinha caindo de produção. A legenda que Mantovani atribuiu é factível, então: “é, azedou o clima na Ferrari”. E, convenhamos, qual é a necessidade que um piloto tem em saber a diferença para os rivais quando cruza a linha de chegada justamente num momento em que mostrar ao mundo que a situação intramuros está normal seria mais aprazível, em um GP patrocinado pela Shell? Ainda que não seja postura da equipe celebrar, uma mensagem ou um sinal de apoio pegaria bem. Não se viu isso.
Some-se a cara de zero amigos de Alonso com os colegas de trabalho que nem lhe deram muita bola pelo segundo lugar, e temos um verossímil cenário de que o espanhol não se sente em casa ou não tem mais o grupo de Maranello nas mãos. Além de ser mais um motivo de que Vettel tem o tetra no bolso, coloca mais um ponto de dúvidas sobre sua permanência na Ferrari. A MTV3 finlandesa apareceu neste fim de semana com uma possibilidade de troca de lugares entre Fernando e Kimi para o ano que vem, em que o primeiro levaria o Santander para a ex-Renault — onde conquistou seus dois títulos e o recebeu de braços abertos depois da beligerante temporada de 2007 na McLaren — e ajudaria a salvá-la da bancarrota.
Montezemolo já ressaltou diversas vezes, e não foi diferente com Alonso, de que os interesses da Ferrari sempre vão estar acima de qualquer piloto. O time pagou para se desfazer de Räikkönen em 2009 para ter este mesmo Alonso. A italianada é louca e venal o suficiente para desfazer a troca.
Admito que considerei inicialmente exageradas as opiniões de que Alonso estava com cara amarrada no encontro dos três primeiros colocados na salinha antes do pódio de ontem em Spa-Francorchamps. Dando um desconto àquele momento, seria natural que um segundo colocado não ficasse feliz com um resultado que o afaste ainda mais do líder e vencedor da prova, Vettel. Mas o decorrer das cenas realmente foi demonstrando que havia um desconforto, sim – e estar descontente é diferente de estar desgostoso.
Não dar um sorriso sequer em uma prova em que havia sido o nome e que ao menos esboçava alguma evolução em relação às últimas performances é, de fato, estranho. Por outro lado, não é tão estranho quando se pega a ficha do que aconteceu desde o fim de semana do GP da Hungria: a ida do empresário ao motorhome da Red Bull, o puxão de orelha público do presidente Luca di Montezemolo, a obrigação de ter de se desculpar e falar que foi um mal entendido atribuindo até a questões linguísticas, a ciência de que há um plausível cenário em que Räikkönen pode aparecer em Maranello em 2014.
Há pouco, o solerte Bruno Mantovani colocou em seu Twitter uma montagem em que aponta, no quadro superior, a comemoração de Vettel com a grade cheia de gente da Red Bull e, no inferior, uma desnecessária placa a Alonso com a diferença para o alemão e para Hamilton, fria e significativa. Bruno veio até me perguntar se aquela havia sido a última volta. Recorri ao pai dos vídeos para buscar a comprovação. O print abaixo aponta que, sim, não havia um mecânico sequer para celebrar um segundo lugar que, sim, deveria ser motivo de orgulho por atestar uma evolução evidente de um carro que vinha caindo de produção. A legenda que Mantovani atribuiu é factível, então: “é, azedou o clima na Ferrari”. E, convenhamos, qual é a necessidade que um piloto tem em saber a diferença para os rivais quando cruza a linha de chegada justamente num momento em que mostrar ao mundo que a situação intramuros está normal seria mais aprazível, em um GP patrocinado pela Shell? Ainda que não seja postura da equipe celebrar, uma mensagem ou um sinal de apoio pegaria bem. Não se viu isso.
Some-se a cara de zero amigos de Alonso com os colegas de trabalho que nem lhe deram muita bola pelo segundo lugar, e temos um verossímil cenário de que o espanhol não se sente em casa ou não tem mais o grupo de Maranello nas mãos. Além de ser mais um motivo de que Vettel tem o tetra no bolso, coloca mais um ponto de dúvidas sobre sua permanência na Ferrari. A MTV3 finlandesa apareceu neste fim de semana com uma possibilidade de troca de lugares entre Fernando e Kimi para o ano que vem, em que o primeiro levaria o Santander para a ex-Renault — onde conquistou seus dois títulos e o recebeu de braços abertos depois da beligerante temporada de 2007 na McLaren — e ajudaria a salvá-la da bancarrota.
Montezemolo já ressaltou diversas vezes, e não foi diferente com Alonso, de que os interesses da Ferrari sempre vão estar acima de qualquer piloto. O time pagou para se desfazer de Räikkönen em 2009 para ter este mesmo Alonso. A italianada é louca e venal o suficiente para desfazer a troca.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Jogos políticos*
* Por Julianne Cerasoli
Há três semanas, a notícia era de que Fernando Alonso estava se oferecendo à Red Bull, mesmo com contrato em vigor por mais três temporadas na Ferrari. Nos últimos dias, foi Kimi Raikkonen quem “decidiu fechar contrato” com o time italiano, de acordo com a mídia finlandesa.
As histórias em si são difíceis de comprar. Não é preciso ser gênio para compreender o quanto da pilotagem de Alonso colocou a Ferrari na disputa por títulos em duas das últimas três temporadas. Uma mudança para a Red Bull, para medir forças com o desafeto Sebastian Vettel, também não seria uma aposta das mais inteligentes para um time que caminha para o tetracampeonato mundial. Do lado de Raikkonen, não é segredo que a história do finlandês com a Ferrari acabou mal, com direito a rescisão em 2009 e cobranças públicas de empenho. E por que Kimi escolheria um time que não é campeão há quatro anos quando tem uma proposta concreta da própria Red Bull?
Mas é possível que movimentos ocorridos nas últimas semanas tenham reflexos no futuro. Levando em consideração os contratos atualmente em vigor, a única peça que pode se movimentar agora entre os campeões do mundo é Raikkonen. Vettel recentemente estendeu seu contrato até o fim de 2015, mesma data em que expira o compromisso de Lewis Hamilton com a Mercedes. O de Alonso dura um ano a mais.
Talvez o espanhol esteja mesmo insatisfeito com outra temporada em que a Ferrari se vê correndo atrás do prejuízo e está sondando seu poder de barganha. Talvez a Ferrari não goste disso e esteja alimentando estes boatos para não ficar em uma posição frágil no mercado. Mas concluir que contratos serão quebrados por conta desse jogo político é outra história.
Falando em barganha, a Red Bull pode estar valorizando uma sondagem de Alonso para pressionar Raikkonen, ou para mostrar a Vettel – cuja extensão de apenas um ano ao contrato original chamou a atenção – que muitos estão loucos (e são gabaritados) para ocupar sua vaga.
Uma história relativamente recente ilustra bem como funcionam estas coisas. Em junho de 2011, durante o GP do Canadá, Lewis Hamilton bateu na porta da Red Bull de maneira explícita. Foi uma maneira de mostrar sua insatisfação dentro da McLaren e abriu a porta para a proposta da Mercedes. Mas algo de concreto demorou mais de um ano para acontecer.
Há três semanas, a notícia era de que Fernando Alonso estava se oferecendo à Red Bull, mesmo com contrato em vigor por mais três temporadas na Ferrari. Nos últimos dias, foi Kimi Raikkonen quem “decidiu fechar contrato” com o time italiano, de acordo com a mídia finlandesa.
As histórias em si são difíceis de comprar. Não é preciso ser gênio para compreender o quanto da pilotagem de Alonso colocou a Ferrari na disputa por títulos em duas das últimas três temporadas. Uma mudança para a Red Bull, para medir forças com o desafeto Sebastian Vettel, também não seria uma aposta das mais inteligentes para um time que caminha para o tetracampeonato mundial. Do lado de Raikkonen, não é segredo que a história do finlandês com a Ferrari acabou mal, com direito a rescisão em 2009 e cobranças públicas de empenho. E por que Kimi escolheria um time que não é campeão há quatro anos quando tem uma proposta concreta da própria Red Bull?
Mas é possível que movimentos ocorridos nas últimas semanas tenham reflexos no futuro. Levando em consideração os contratos atualmente em vigor, a única peça que pode se movimentar agora entre os campeões do mundo é Raikkonen. Vettel recentemente estendeu seu contrato até o fim de 2015, mesma data em que expira o compromisso de Lewis Hamilton com a Mercedes. O de Alonso dura um ano a mais.
Talvez o espanhol esteja mesmo insatisfeito com outra temporada em que a Ferrari se vê correndo atrás do prejuízo e está sondando seu poder de barganha. Talvez a Ferrari não goste disso e esteja alimentando estes boatos para não ficar em uma posição frágil no mercado. Mas concluir que contratos serão quebrados por conta desse jogo político é outra história.
Falando em barganha, a Red Bull pode estar valorizando uma sondagem de Alonso para pressionar Raikkonen, ou para mostrar a Vettel – cuja extensão de apenas um ano ao contrato original chamou a atenção – que muitos estão loucos (e são gabaritados) para ocupar sua vaga.
Uma história relativamente recente ilustra bem como funcionam estas coisas. Em junho de 2011, durante o GP do Canadá, Lewis Hamilton bateu na porta da Red Bull de maneira explícita. Foi uma maneira de mostrar sua insatisfação dentro da McLaren e abriu a porta para a proposta da Mercedes. Mas algo de concreto demorou mais de um ano para acontecer.
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