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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dá para chegar?*

* Por Luis Fernando Ramos

Em quatro corridas, só deu Mercedes. Foram quatro vitórias, quatro poles, quatro voltas mais rápidas e todas as 222 voltas completadas com um de seus carros na liderança. Aos adversários, resta colocar todas as fichas nas novidades que chegam para o GP da Espanha para tentar reverter o quadro.

Mas a cada vitória conquistada por Nico Rosberg e Lewis Hamilton, vi crescer o ceticismo no paddock. A sensação é que a esperança dos adversários diminuiu à medida que o W05 demonstrava sua qualidade nos mais variados tipos de circuito. Em Xangai, Felipe Massa deixou claro que não há novidade capaz de encerrar o domínio da Mercedes.

“Todas as equipes trabalham para melhorar. Se vai mudar alguma coisa daqui para frente eu não sei. O que eu acho é que a Mercedes vai continuar na frente. Porque eles também vão melhorar o carro. E o carro deles está numa categoria diferente de todos os outros”, avaliou o brasileiro.

As duas próximas etapas darão uma boa medida da situação. Em teoria, os circuitos de Barcelona e de Mônaco premiam um carro como o RB10 da Red Bull, mais eficiente em gerar pressão aerodinâmica. O time sofreu no início da temporada com problemas no motor, mas a Renault promete um avanço na performance das unidades a partir da corrida espanhola.

Conversando com o consultor do time Helmut Marko na China, porém, ouvi o mesmo ceticismo de Massa. “Acho que daremos um passo à frente, mas no momento é uma utopia imaginar que vamos ameaçar a Mercedes”.

O campeonato ainda é longo, mas se o Hamilton e Rosberg continuarem correndo sozinhos por mais duas ou três corridas, tirar o título de algum deles será impossível.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lewis Hamilton, Niki Lauda e o foco*

* Por Rafael Lopes

Quem esperava um início de campeonato equilibrado e com surpresas após a radical mudança no regulamento técnico, quebrou a cara. O domínio na temporada apenas trocou de mão: saiu dos touros vermelhos da RBR e foi para as flechas de prata da Mercedes. A diferença é que a equipe alemã liberou seus dois pilotos livres para brigar pelas vitórias. O GP do Bahrein, em Sakhir, foi um grande exemplo disso. Lewis Hamilton e Nico Rosberg disputaram o primeiro lugar ferrenhamente, curva a curva. E o inglês venceu defendendo a posição com maestria, mesmo com pneus piores com o alemão.

O domínio da Mercedes é absurdo: fez três dobradinhas em quatro provas, marcou todas as poles, venceu todas as corridas, liderou todas as voltas e fez as quatro melhores voltas. Domínio este visto poucas vezes na Fórmula 1. Só a Williams de 1992, a McLaren de 1988 e a Ferrari de 2004 conseguiram algo parecido na história recente da categoria. Na frieza dos pontos, a liderança é de Nico Rosberg com 79, quatro à frente do companheiro Lewis Hamilton. Contudo, o alemão só venceu o GP da Austrália, enquanto o inglês venceu as três provas seguintes, na Malásia, no Bahrein e na China. Ele só está atrás no campeonato porque seu motor abriu o bico em Melbourne e não o deixou marcar pontos.

Lewis Hamilton vence GP da China

Por tudo isso, é difícil não apontar Lewis Hamilton como o grande destaque do campeonato até agora. O inglês está voando, naquela que já é considerada a melhor fase de sua carreira. Em matéria de talento puro, talvez ele seja o piloto mais bem dotado da Fórmula 1. Um fato apontado até por seus concorrentes. Mas, então, por que Hamilton demorou tanto tempo para voltar à posição de favorito ao título? Em sua fase na McLaren após 2008, ele teve suas chances, mas as jogou pela janela após erros primários. No ano passado, já na Mercedes, o carro não ofereceu as condições ideais para lutar até o fim do campeonato.

Entretanto, quem acompanha Fórmula 1 sabe que há algo de diferente com Hamilton neste ano. O inglês parece mais focado, mais concentrado em seu trabalho dentro da pista. Há quanto tempo alguma fofoca envolvendo o piloto não aparece na mídia? Nos últimos anos, vimos as idas e vindas com a namorada cantora - e atual noiva - Nicole Scherzinger; o flerte com o show business e a aproximação com rappers americanos, inclusive os levando para as corridas; e até mesmo a chegada de dois cachorros, que Hamilton passou a levar para todas as corridas - e ganharam até credencial da F-1 de Bernie Ecclestone.



A chegada do austríaco Niki Lauda à equipe e o crescimento da importância do ex-piloto na estrutura - é o presidente não-executivo do time - têm participação decisiva nisso. Após a vitória de Hamilton na China, Lauda falou sobre a boa fase do piloto e de alguns conselhos dados ao inglês para esta temporada.

- A única coisa que talvez ele tenha negligenciado no passado foi o foco total na carreira. Ele estava trazendo os cachorros para a pista, tinha uma enorme quantidade de pessoas ao seu redor. Quando os cachorros ainda estavam lá, eu disse a ele para se concentrar apenas nele mesmo, largar a bagagem e se concentrar 120%. Agora ele está tendo o desempenho que se espera dele. Se o carro não tivesse quebrado em Melbourne, provavelmente teria vencido lá também - disse Lauda.

Um dos pilotos mais concentrados e frios de seu tempo, Lauda assumiu o desafio de trazer a atenção de Hamilton de volta às corridas de Fórmula 1. E pelos resultados que estamos vendo neste início de temporada, está dando certo. O inglês está pilotando como nunca e não está mostrando apenas sua habitual habilidade. Ele está pensando mais nas corridas, nas estratégias e sendo mais racional dentro da pista. Como recompensa, Lauda deu um grande presente a Hamilton após o triunfo na China: uma carona para a Europa em seu jatinho particular, um Bombardier Global 5000.

- Disse a ele: "se você vencer, vou te dar uma carona em meu avião para a Europa". Se ele não vencesse, voltaria em um voo comercial com o resto da equipe - contou.

O fato é que a aproximação de Lauda com Hamilton está dando muito certo e o inglês está extremamente concentrado neste ano. Justiça seja feita, aliás: o piloto inglês sempre demonstrou muito respeito com os velhos campeões da Fórmula 1. O carinho com o qual ele sempre tratou o bicampeão Emerson Fittipaldi merece destaque. Trabalhando ao lado de Lauda agora, Hamilton está aproveitando para evoluir. Ele está pilotando mais do que nunca neste ano. Mais até que no ano de seu único título da F-1, em 2008.

Se Hamilton continuar neste ritmo e com esta concentração, dificilmente o bicampeonato escapará de suas mãos no fim da temporada. É claro que Nico Rosberg, seu companheiro, ainda deverá crescer nesta temporada, principalmente por causa de sua regularidade. Mas quando a disputa é equilibrada, com dois carros em condições iguais, como é o caso da Mercedes, o talento sempre faz a diferença. E neste ponto, Hamilton está à frente de Rosberg. É só não perder o foco. E duvido que Lauda deixe isso acontecer.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Voa Lewis, voa*

* Por Luis Fernando Ramos

Lewis Hamilton pode estar quatro pontos atrás de Nico Rosberg na classificação do Mundial de Pilotos, mas aparece bem à frente do companheiro na equipe Mercedes no atual momento do campeonato. Venceu na China pela terceira vez consecutiva - e 25ª na carreira, se igualando às marcas do escocês Jim Clark e do austríaco Niki Lauda, hoje seu chefe na Mercedes. Foi um triunfo fácil demais.

- Preciso agradecer a todo o trabalho feito pelos funcionários da equipe. Espero que o pessoal da fábrica estejam curtindo isso e tenham uma boa semana. Estou muito feliz, tive uma corrida bastante prazeirosa, especialmente nas voltas finais em que eu acelerei para manter a temperatura dos pneus e o carro estava ótimo. Eu corri contra mim mesmo - afirmou Hamilton.

O final de semana em Xangai sublinhou mais uma vez que os adversários terão trabalho para descontar a vantagem atual do carro da Mercedes. Nico Rosberg, que terminou em segundo lugar, fez a melhor volta da prova com um segundo de vantagem para o carro de outra equipe com a melhor volta, a Red Bull de Daniel Ricciardo. A força do conjunto foi fundamental para o alemão não encontrar muitas dificuldades para se recuperar depois de um início ruim de corrida, quando chegou a ocupar a sétima posição.

Se a Mercedes confirmou o domínio, a Ferrari surpreendeu ao conquistar seu primeiro pódio do ano com um trabalho sólido de Fernando Alonso. O espanhol foi agressivo na primeira volta - chegou a bater rodas com Felipe Massa, num lance de corrida - e mostrou que o F14T tinha um bom ritmo de corrida na China.

- Foi uma corrida em que não corremos sozinhos, tivemos disputas e trabalhamos bem para conseguir este pódio. Espero que isso dê uma motivação extra para a equipe continuar melhorando e se sair ainda melhor nas próximas provas - pediu o espanhol.

O toque na largada acabou não tendo consequências para Massa. Sorte num lance, azar no outro: na sua primeira parada nos boxes, uma trapalhada dos mecânicos da Williams encerrou suas chances.

- O problema não teve nada a ver com o toque. Foi um erro. Inverteram os pneus traseiros e demoraram um pouco para perceber. Quando isso aconteceu, numa das rodas a porca acabou quebrando na ânsia de colocar o pneu rápido e tiveram de trocá-la. Nisso tudo, perdi mais de um minuto e minha corrida acabou ali - lamentou o brasileiro.

Já Sebastian Vettel se mostra tranquilo nas entrevistas, mesmo não vivendo um bom momento. Mas a calma não é reproduzida no calor do cockpit. No GP da China, o tetracampeão questionou uma ordem de equipe e reclamou de retardatários. O fato é que Vettel chegou atrás do companheiro Daniel Ricciardo pela segunda corrida consecutiva. Em classificações, foi superado pelo australiano por três vezes em quatro oportunidades. Pelo menos, reconheceu com sinceridade desconcertante que está atrás neste cenário surpreendente do duelo interno da Red Bull.

- Acho que é bom que Daniel consegue tirar o máximo do carro, é bom ter uma referência assim. No momento, a diferença é muito grande e preciso trabalhar nisso. Por algum motivo, o carro não está do jeito que eu quero. Mas ele está mostrando que há mais no carro do que eu estou conseguindo tirar no momento.

Sobre a ordem de equipe que pareceu ignorar, o alemão afirmou que foi apenas um problema na sua comunicação com a equipe.

- No começo eu não entendi, por isso fiquei um pouco confuso. Mas assim que me disseram que estávamos em estratégias diferentes, pois meu plano inicial era fazer três paradas, fez mais sentido. A prioridade da equipe naquele ponto era facilitar o caminho de Daniel para ele lutar com Fernando, então o pedido foi correto - assegurou.

O sempre sorridente Ricciardo afirmou que o clima interno do time não vai azedar por sua boa fase. Mas reforçou que não pretende facilitar a vida de Vettel em nenhum momento.

- Seu companheiro de equipe é sempre o primeiro com quem você se compara e tenho certeza que Seb não está feliz com seu resultado. Mas não é algo que o deixe sem falar comigo. Ele apenas vai trabalhar ainda mais forte para ver onde pode melhorar para a próxima. Eu também não vou descansar - garantiu.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mercedes ainda mais favorita*

* Por Teo José

Neste domingo, a Fórmula 1 acelera na China. A quarta etapa do mundial terá treino de classificação às 03h00 da madruga do sábado e a prova com largada às 04h00 da manhã de domingo – tudo no horário de Brasília. Pelas características do circuito de Xangai, com duas grandes retas, uma enorme entre as curvas 13 e 14, podemos dar ainda mais favoritismo para Mercedes. Não só a equipe oficial, mas todas que utilizam o propulsor alemão. Ficarei muito surpreso se a vitória não for comemorada por Hamilton ou Rosbeg. O segundo, apesar de líder da temporada, terminou atrás do inglês nas duas ultimas provas e se acontecer de novo vai começar a ter sua auto-estima afetada. Para ele é fundamental bater Lewis. A disputa do titulo não vai sair desta dupla.

A Williams de Felipe Massa tem uma ótima oportunidade de terminar entre os cinco primeiros. Coloco Xangai, pelo que disse acima, como a pista mais favorável a ela. Vai ser bem interessante a briga interna também.

A Ferrari vai ter a primeira corrida sob nova direção. Apesar do Pat Fry, diretor técnico da equipe, afirmar que o time vai lutar para ser o segundo nesta temporada, a história não é bem assim. Luca di Montezemolo está com esperanças das coisas mudarem nas próximas quatro ou cinco etapas. Caso não se veja este panorama, aí sim vão começar a planejar 2015. Eu estou com Fry, creio que este ano já era. E neste final de semana o carro italiano vai penar mais ainda.

Apesar do domínio cristalino da Mercedes, tivemos no Bahrein uma das melhores provas dos últimos tempos com belas disputas. Espero que veja pelo menos 40% do que foi o ultimo GP. Só que pelo desenho do circuito, não estou tão otimista.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O SEGREDO DA MERCEDES*

* Por Flavio Gomes


Olhem esse interessantíssimo vídeo da Sky Sports, a emissora que transmite a F-1 para a Grã-Bretanha, que ajuda a entender o domínio da Mercedes neste início de temporada.

Martin Brundle explica, e “concerteza” nessas horas um ex-piloto ajuda muito na análise desta F-1 que em 2014 atingiu níveis de sofisticação técnica raramente vistos em competições de automóveis. A Mercedes fez uma coisa simples e, aparentemente, genial. Separou o compressor de ar do turbo da turbina, colocando o primeiro na frente do motor, conectado á turbina por um eixo. O compressor, assim, trabalha sob temperaturas mais baixas, e os intercoolers alocados nas laterais dos carros, que resfriam o ar que é devolvido ao motor, podem ser menores.

A disposição pouco comum desses dois elementos também reduz o “turbo lag”, aquele tempinho quase imperceptível entre enfiar o pé no acelerador e ver a potência sendo despejada no motor. E dá a possibilidade de construir laterais dos carros em tamanho menor, reduzindo o arrasto aerodinâmico. E, ainda, permite que a caixa de câmbio seja deslocada um pouco mais para a frente, melhorando a distribuição de peso do carro e trazendo o centro de gravidade mais para o meio do chassi. De quebra, a porção traseira da carenagem pode ser mais estreita, melhorando, adivinhem, a passagem dos fluxos de ar.

O vídeo é bem didático e dá para compreender bem o princípio mercêdico. Claro que todos os carros que usam esses motores devem ter sistemas parecidos. O que explica a sova que da marca alemã está aplicando sobre Renault e Ferrari no quesito unidades de força.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O menosprezado*

* Por Luis Fernando Ramos


Seu rosto está estampado num mural enorme num shopping center maior ainda no centro de Kuala Lumpur. Mais importante, ele está no topo da tabela de classificação da temporada de 2014 da Fórmula 1. Nico Rosberg foi apontado como favorito ao título por Bernie Ecclestone, por mim e pela maioria dos colegas com quem conversei antes da abertura do Mundial na Austrália.

Mas não por Fernando Alonso. Ainda na Austrália, depois da corrida, ele demonstrou mais preocupação com os que abandonaram a prova do que com o vencedor dela. “Precisamos ter calma e fazer melhor da próxima vez. Pelo menos, nosso carro mostrou que é forte, e saio daqui com doze pontos a mais que Hamilton e que Vettel”, ponderou.

Poderia ter sido apenas uma atitude de ver o copo cheio e ignorar os 25 pontos de Rosberg. Mas na Malásia ele voltou a descartar o líder do Mundial de suas considerações. “Temos um carro absolutamente confiável, que não deu nenhum tipo de problema na sexta, sábado ou domingo. E estou apenas a um ponto de Hamilton e nova na frente de Vettel, que se sentam em carros mais velozes que o meu”.

Por mais político que Alonso seja, ele não seria bobo de desconsiderar Rosberg apenas para provocá-lo. Fica a impressão de que o espanhol realmente não coloca o alemão da Mercedes na equação do título, que compreende uma temporada inteira. Ele parece certo que o piloto da Mercedes que estará na frente ao final da temporada é Hamilton.

Se o desempenho do GP da Malásia for o padrão do ano, Alonso está coberto de razão. O ritmo de corrida de Hamilton foi infinitamente superior. Desconsiderando as primeira volta e as voltas em que as paradas dos dois pilotos se entrecruzavam, o inglês andou mais rápido que o alemão em 32 de 46 passagens.

Apesar de que essa diferença foi mais de acerto do que de braço. Mas assustou os dois mundos dentro do mesmo time na primeira prova com ambos na pista. Se continuar assim, a liderança de Rosberg vai desaparecer antes mesmo do cartaz no shopping, que pegou carona na corrida em Sepang para promover uma confecção com o rosto do alemão.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Só uma revolução muda o caminho da Mercedes nas duas próximas provas*

* Por Lívio Oricchio


O adversário de Lewis Hamilton mais bem colocado domingo, ao final do GP da Malásia, foi Sebastian Vettel, da Red Bull, terceiro colocado. O tetracampeão do mundo recebeu a bandeirada 24 segundos e 534 milésimos depois do piloto inglês da Mercedes, vencedor da segunda etapa do campeonato. Em segundo lugar chegou Nico Rosberg, companheiro de Hamilton.

Outra referência para melhor compreensão da vantagem da Mercedes nesse início de campeonato é a importante diferença entre o melhor tempo registrado na corrida por Hamilton e Vettel. Na 53.ª volta de um total de 56 o campeão do mundo de 2008 marcou o tempo de 1min43s066. Duas voltas antes, Vettel estabeleceu 1min44s289, ou nada menos de 1 segundo e 223 milésimos mais lento que Hamilton, diferença enorme para os padrões da Fórmula 1.

Para os demais adversários, a diferença imposta pela Mercedes foi ainda maior, como já havia ocorrido na abertura do Mundial, duas semanas antes, em Melbourne, Austrália, quando quem venceu foi Rosberg.

Fernando Alonso, da Ferrari, quarto colocado no GP da Malásia, completou as 56 voltas no circuito de Sepang com um atraso de 35 segundos e 992 milésimos para Hamilton. Nico Hulkenberg, da Force India, quinto, chegou 47 segundos e 199 milésimos depois do inglês da Mercedes, enquanto Jenson Button, McLaren, sexto, 1minuto, 23 segundos e 691 milésimos e Felipe Massa, Williams, sétimo, 1min25segundos e 076 milésimos.

Sem interferências

Esses números ganham maior representatividade porque não houve nenhum fator extra que interveio no andamento normal do GP da Malásia, como uma eventual entrada do safety car, chuva capaz de mudar o cenário da prova ou escolha decisiva dos pneus.

Em resumo: não deverá ser de uma corrida para a outra que a Red Bull de Vettel, a Ferrari de Alonso, a Force India de Hulkenberg, a McLaren de Button e a Williams de Massa, por exemplo, vão, de repente, passar a andar na frente da Mercedes de Hamilton e Rosberg.

Ao menos nas duas próximas etapas do calendário, domingo no circuito de Sakhir, em Bahrein, e dia 20 em Xangai, na China, Hamilton ou Rosberg só não deverão protagonizar o evento novamente se o equipamento falhar, eles ou a equipe errarem ou ainda se envolverem num incidente.

A vantagem da Mercedes hoje é tão grande quanto a da Red Bull no ano passado. "Determinado instante eu me encontrava próximo deles", disse Vettel, ontem, em Sepang. "Mas depois foi como se eles tivessem engatado uma marcha a mais. Cheguei ao pódio, mas não havia como enfrentá-los, estão muito rápidos", afirmou o alemão.

Campeonato não acabou

Está, então, tudo acabado, a luta pelo título se resumirá entre Rosberg, atual líder do Mundial, com 43 pontos, e o vice-líder, Hamilton, 25, a dupla da Mercedes?

Muito provavelmente não, apesar da significativa vantagem técnica do time alemão. Os regulamentos técnico e esportivo, este ano, são bastante distintos dos da temporada passada. "Estamos aprendendo a cada saída dos carros para a pista. A cada lote de peças novas deveremos assistir a mudanças importantes na evolução dos carros", afirmou Stefano Domenicali, diretor da Ferrari.

É provável que no GP da Espanha, quinto do campeonato, dia 11 de maio, o primeiro da série europeia, a maioria das equipes apresente uma nova versão de seus carros, com modificações até mesmo radicais, orientadas pelo aprendizado nas provas da Austrália, Malásia, do Bahrein e da China.

Será a partir da corrida de Barcelona que a Fórmula 1 irá expor com maior fidelidade o que os fãs da competição deverão assistir na sequência do campeonato.

Frustração brasileira

Os testes da pré-temporada sugeriram que a Williams de Felipe Massa seria o time capaz de poder desafiar a Mercedes. Não foi o que as etapas de Melbourne e Sepang evidenciaram. Ao contrário, Red Bull, Ferrari e até a McLaren começaram o Mundial na frente da Williams, para não se mencionar a Mercedes, classificada em outra categoria.

Portanto, a enorme expectativa criada nos testes de inverno com a possibilidade de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1 acabou um tanto frustrada, ao menos até agora.

As más posições de largada de Massa nas duas corridas já disputadas (9.º na Austrália e 13.º na Malásia) colaboraram para explicar o desempenho abaixo do esperado da Williams, mas não justificam integralmente, por exemplo, terminar a corrida 1minuto e 25 segundos depois do vencedor, como fez Massa ontem em Sepang.

O modelo FW36-Mercedes da Williams gera pouca pressão aerodinâmica, principal razão de ser lento na chuva, e as duas sessões que definiram o grid, este ano, foram realizadas com asfalto molhado. Essa dificuldade aerodinâmica explica em parte, também, a tração deficiente do carro, sinalizada por Massa e seu companheiro, o finlandês Valtteri Bottas.

O objetivo estabelecido por Massa e pela Williams depois dos testes de inverno, lutar pelo pódio, está neste momento um pouco distante. Será preciso que as mudanças planejadas para o modelo FW36 o tornem bem mais eficiente. Não é apenas a Mercedes que está na sua frente. O desafio é grande.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mercedes sobrou, mas será que confirma domínio ao longo do ano?*

* Por Felipe Motta


Boa tarde a todos! O ritmo da Mercedes em Melbourne foi assustador. Em nenhum momento a equipe teve sua vitória ameaçada. Nico Rosberg abria mais de um segundo por volta e sem dificuldades cruzou a linha de chegada em primeiro.

Depois de vermos um amplo domínio de Sebastian Vettel em 2013 a pergunta é: será que a Mercedes vai sobrar o ano todo?

É cedo para dizer. Mas sua força deve durar um tempo. A esperança de que não abram muita vantagem nas primeiras provas recai em sua confiabilidade, aparentemente débil. Mas como costuma dizer o mestre Claudio Carsughi “é mais fácil transformar um carro rápido em confiável do que um confiável em rápido”.

Outra esperança que temos em não ver o que se passou ano passado é o duelo interno entre Lewis Hamilton e Rosberg ser mais equilibrado que Vettel e Mark Webber. O inglês é mais capaz, mas sua cabeça às vezes o deixa na mão. Rosberg é inteligente e consistente, ainda que menos brilhante que Lewis.

Acho ainda que a Red Bull em algum momento do campeonato achará um melhor comportamento de seu carro. Convenhamos, o primeiro fim de semana foi melhor do que se esperava. A questão é se entrará no jogo antes que ele esteja muito encaminhado para a Mercedes. E sempre pode pintar algum outro time consistente que se encaixe na briga.

Enfim, veremos!

Vocês acham que a Mercedes sobrará por quanto tempo? E quem levará a melhor: Hamilton ou Rosberg?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Banho reversível?*

* Por Luis Fernando Ramos


Quer ter uma noção da facilidade com que Nico Rosberg venceu o GP da Austrália? O alemão da Mercedes fez a melhor volta da prova em 1min32s478. A segunda melhor volta, de Valtteri Bottas, ficou a menos de um décimo de segundo desse tempo. A diferença: Rosberg registrou esse tempo na 19ª volta, com o tanque de combustível ainda 2/3 cheio; o finlandês da Williams na 56ª, só com um cheirinho de gasolina no carro.

Bem antes de surgir a questão que levou à sua desclassificação, eu fui o primeiro a tirar o sorriso do rosto de Daniel Ricciardo quando lhe perguntei na área de entrevistas das mídias eletrônicas sobre a impressionante vantagem da Mercedes. “Eles estão muito fortes e cabe a nós encontrar maneira de diminuir essa distância. Ainda por cima, Nico provavelmente não estava dando 100%. Sabíamos que não teríamos a velocidade dele e precisamos trabalhar, mas até aqui o time está indo bem e já progredimos muito. Em poucas corridas vamos tirar essa diferença”, garantiu.

Perguntei a mesma coisa ao chefe da McLaren Eric Boullier, que também demonstrou sua preocupação: “É muito claro que eles estão um passo grande à frente de todo o resto”.

Numa temporada normal, seria impossível recuperar tanta desvantagem. Mas esta não é uma temporada normal. Com tantas mudanças nos carros, o ritmo de desenvolvimento será intenso. Mesmo numa Ferrari decepcionada com a performance, o clima não era de enterro. Até pelo fato de que, em termos de confiabilidade, eles mostraram estar à frente da Mercedes.

“Foi só a primeira corrida, é impossível dizer que alguém já ganhou o campeonato nela ou já perdeu o campeonato nela. É preciso termos calma e fazer melhor da próxima vez. A Mercedes está muito forte e mereceu vencer, é preciso trabalhar para diminuir essa diferença até estarmos na frente deles em alguma corrida. Sem falar que é preciso terminar corridas. Temos doze pontos a mais que Hamilton, então nosso carro é forte”, pregou Fernando Alonso.

Do lado da equipe vencedora na Austrália, cautela. O chefe do time Toto Wolff deixou claro que o triunfo de Nico Rosberg acabou equilibrado pelo cenário negativo criado pelo abandono de Lewis Hamilton logo no início da prova, quando um dos cilindros do motor começou a falhar o time optou por poupar a unidade. “A linha entre o sucesso e o fracasso é muito tênue. Além do mais, tivemos apenas um final de semana até aqui. Nos colocar no papel de favoritos é, no mínimo, precipitado”, garantiu Wolff.

Na fábrica das equipes, algumas peças novas deverão ser introduzidas na próxima etapa, o GP da Malásia no dia 30 deste mês. Mas um pacote de grande de atualizações só deve ocorrer mesmo no GP da Espanha, no meio do mês de maio. Até lá, a chance da Mercedes reinar sozinha é grande. Se evitar problemas como o que afligiu Lewis Hamilton no início da prova e enfileirar uma série de dobradinhas, vai ser difícil superá-los até o final do ano.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Rosberg, vitória e um passo à frente*

* Por Fábio Seixas

Foi menos agitado do que eu imaginava.

Mas foi um bom GP da Austrália.

Vitória de Rosberg, a quarta da carreira, uma a menos que o pai.

Com uma vantagem para o segundo colocado, Ricciardo, que diz muito sobre este início de temporada: 24s500.

Magnussen completou o pódio. O primeiro estreante a conseguir tal honra desde Hamilton, em 2007. E um feito que o pai, Jan, nunca obteve.

O cataclismo não se confirmou: 15 carros cruzaram a linha de chegada.

Melbourne teve um dia de clima ameno, 17°C no ar, 21°C na pista.

A primeira tentativa de largada foi abortada: Chilton e Bianchi não conseguiram sair e foram levados para o pit lane.

Quando valeu, Rosberg foi sensacional. Costurou pela direita e tomou a liderança antes que Hamilton e Ricciardo entendessem o que estava acontecendo. Um show.

Massa se deu mal. Kobayashi veio freando pela reta como uma vaca louca e acertou com tudo a traseira do Williams. Ambos abandonaram.


É aquele velho ditado das pistas: você não ganha uma corrida na primeira curva, mas você pode perdê-la. O japonês foi mal nessa...

“Primeira corrida do ano, eu não tenho a menor ideia do que ele tentou fazer. É perigoso, uma porrada na traseira... É até difícil achar palavras. Ele não usou a cabeça”, disse Massa ao repórter Marcelo Courrege, da TV Globo.

Na terceira volta, Vettel parou nos boxes. Na quarta volta, foi a vez de Hamilton abandonar. Ambos com problemas no motor.

“É um saco. Tivemos uma pré-temporada difícil”, afirmou o alemão.

Na oitava volta, Bottas passou Raikkonen e assumiu a sexta posição. Pelo rádio, a Ferrari alertou Alonso de que o Williams estava chegando.

Durou pouco. Na décima volta, Bottas carimbou o muro e perdeu a o pneu traseiro direito. Safety car.

O top 10 à esta altura: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Raikkonen, Vergne, Kvyat, Button e Sutil. A vantagem do alemão, 7s530.

Começou, então, um corre-corre para os boxes. E quem se deu bem foi Button, que pulou de nono para sexto.

A relargada veio na 16ª volta.

O top 10, Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Hulkenberg, Alonso, Button, Vergne, Raikkonen, Sutil e Kvyat.

Forte na ponta, o alemão logo tratou de recuperar sua vantagem. Na 20ª volta, já tinha novamente 5s842 sobre Ricciardo. Na 27ª, rompeu a barreira dos 10s: abriu 10s843.

Na 28ª, Ericsson parou. Restavam 17.

Na 31ª, foi a vez de Maldonado. Restavam 16.

Na 32ª, Gutierrez inaugurou a segunda janela de pits. Button e Pérez entraram na sequência, e o inglês perdeu a ponta do bico quando o carro foi colocado no chão.

Bottas continuava bem, mesmo após a batida no muro. Na 35ª, aproveitou-se de um erro de Raikkonen e subiu para quinto.

Logo depois, Alonso parou. Ricciardo, Bottas, Raikkonen e Kvyat fizeram o mesmo.

Magnussen entrou na 37ª. Rosberg, na 38ª, voltando na liderança mesmo após uma problema na troca do pneu dianteiro esquerdo.

E Button se deu bem de novo, ganhando mais duas posições: pulou pra quarto.

O top 10 após a segunda janela de pits: Rosberg, Ricciardo, Magnussen, Button, Alonso, Hulkenberg, Vergne, Bottas, Raikkonen e Kvyat.

Na 44ª volta, o alemão já tinha 18s219 sobre o australiano, que já começava a tomar pressão de Magnussen.

Na volta seguinte, Grosjean abandonou, 15 continuaram.

Bottas, lembram dele? Continuava sendo o showman da corrida. Aproveitou uma bobeada do Vergne na 47ª volta e assumiu o sétimo posto.

Veio então um rádio para Magnussen: “Vá para cima do Ricciardo. Ele está com problemas”. Coincidência ou não, o australiano reagiu: fez sua melhor volta na prova.

Bottas mantinha o pé embaixo. Na 52ª, deixou Hulkenberg para trás: P6.

E assim ficou.

O top 10 na linha de chegada, Rosberg, Ricciardo (depois desclassificado), Magnussen, Button, Alonso, Bottas, Hulkenberg, Raikkonen, Vergne e Kvyat (e Perez).

“Vocês me deram um carro perfeito”, disse Rosberg, pelo rádio.

Uma frase que talvez precise ser relativizada. Talvez não seja perfeito. Mas certamente é muito, muito melhor do que todos os outros.

A Mercedes é favorita ao título. E Rosberg começa a luta interna um passo à frente.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Duelos internos 2014 – Mercedes*

* Por Luis Fernando Ramos


Há seis anos, em Melbourne, Lewis Hamilton e Nico Rosberg se abraçaram e pularam juntos na ante-sala do pódio de Albert Park. O inglês tinha acabado de vencer a prova de abertura do Mundial que terminaria por vencer, enquanto o alemão conseguiu seu primeiro pódio na Fórmula 1. Foi uma demonstração espontânea de alegria de uma amizade surgida dos tempos do kartismo, quando ambos eram companheiros de equipe.

Zoom para o presente, o clima dentro dos boxes da Mercedes dentro da Austrália estará bem diferente do abraço caloroso daquele distante domingo. A dupla começa a temporada dividindo o favoritismo ao título. É o objetivo de cada um dos 22 pilotos do grid, mas quando a disputa acontece sob o mesmo teto, o nível de tensão natural acaba multiplicado.

Lewis Hamilton é obviamente mais talentoso do que Nico Rosberg. Como ele mesmo afirmou em diversas ocasiões, é um “abençoado” por Deus com uma boa dose de arrojo e velocidade. Sabe que tem pela frente sua melhor chance de revalidar o título de 2008 e vai começar a temporada cheio de vontade de demonstrar isso.

Já o piloto alemão compartilha da mesma vontade de aproveitar essa chance. Sua confiança aumentou depois de provar no ano passado que pode vencer corridas e superar Hamilton em algumas classificações. Se não tem o mesmo carisma e a mesma velocidade do inglês, sabe que tem inteligência de sobra para fazer as coisas virem para o seu lado.

Para mim, está aí o fator que vai decidir a disputa a favor de Nico Rosberg. Hamilton carrega sempre consigo distrações demais para quem quer ser campeão. Se orgulha de pilotar com o coração, mas nas suas idas e vindas com a namorada, na relação conturbada com o pai e na preocupação constante com a imagem - algo estimulado por seus empresários -, o coração nem sempre está 100% presente na hora do trabalho. Cansei de ver no ano passado e nos testes em Jerez um Hamilton sozinho num canto do motorhome mexendo no celular, visivelmente deslocado, enquanto Rosberg se sentava com diversos membros da equipe.

Para ser campeão do mundo, é preciso ter esse tipo de dedicação, respirar 24 horas por dia o projeto do título - como faziam Ayrton Senna e Michael Schumacher, como fazem Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Pois então, Rosberg é capaz de fazer isso, Hamilton confia apenas no talento. Não vai bastar, na minha opinião. E na sua?

Nico Rosberg
Número: 6
Local de Nascimento: Wiesbaden (Alemanha)
Idade: 28
GPs disputados: 147
Vitórias: 3
Poles: 4
Melhores voltas: 4
Pontos: 570,5

Lewis Hamilton
Número: 44
Local de Nascimento: Stevenage (Inglaterra)
Idade: 29
GPs disputados: 129
Vitórias: 22
Poles: 31
Melhores voltas: 13
Pontos: 1102

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Mercedes é favorita*

* Por Teo José

Pode parecer cedo para apontar equipe favorita na Fórmula 1. As corridas nem começaram. É verdade. Só que pelo que vimos até agora, ou melhor escutamos, não acredito em mudanças significativas nas primeiras provas e esta “gordurinha” pode fazer o panorama se manter até o final, mesmo com possíveis crescimentos da Ferrari e Red Bull. Temos uma temporada toda nova, principalmente com motores e a regra de combustível limitado.

Não se pode desenvolver muito ao longo do ano, sem testes. O trabalho fica mais com engenheiros, laboratórios técnicos e esta nem sempre é a realidade das pistas. Começar o ano com confiabilidade e potência é uma vantagem enorme. É assim que a Mercedes está iniciando seu trabalho. A McLaren também pode entrar nesta situação, mas como terá Honda em 2015, creio que não vai ter as mesmas condições do time oficial. Na hora da verdade alguma coisa sempre fica de vantagem para quem é realmente de casa.

A Ferrari tem um carro confiável, pelo menos mostrou isto, com poucos problemas técnicos, mas ainda parece estar atrás no desenvolvimento do motor. O que se fala por lá também é que o consumo não é o que se esperava. Já a Red Bull andou muito pouco, está mexendo bastante no projeto e tem um serio problema de aquecimento no turbo. Além da parte de confiabilidade, o carro, quando conseguiu andar se mostrou bem atrás dos Mercedes. Falam em cerca de 25 a 30 quilômetros só de reta. Muita coisa, mas muita mesmo.

No mês que vem, na primeira prova, na Austrália, poderemos ver o inicio da construção do campeonato da Mercedes e quem sabe da McLaren, esta pelo menos na primeira metade do ano.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

GP da Bélgica indicará se Mercedes vai mesmo brigar pelo título*

* Por Lívio Oricchio

As duas sessões de treinos livres do GP da Bélgica, sexta-feira, não permitirão maiores conclusões, mas a sessão que vai definir o grid, sábado, e a corrida, domingo, esta possivelmente sob chuva, como manda a tradição do circuito Spa-Francorchamps, vai responder o que todos na Fórmula 1 desejam saber: Lewis Hamilton e Nico Rosberg, os pilotos da Mercedes, serão mesmo, agora, na segunda metade do campeonato, os adversários de Sebastian Vettel na luta pelas vitórias? A Mercedes pode ter voltado ainda mais eficiente depois das férias de agosto?

A equipe alemã é a de melhor retrospecto nas cinco últimas etapas. Rosberg venceu em Mônaco e na Inglaterra, enquanto Hamilton foi primeiro na Hungria. O time alemão estabeleceu nessas cinco provas quatro pole positions. Hamilton largou na frente nas três últimas, Silverstone, Nurburgring e Hungaroring, enquanto |Rosberg, em Mônaco. Havia sido o mais veloz também na classificação nas duas etapas anteriores, Espanha e Bahrein.

O líder do Mundial, Sebastian Vettel, da Red Bull, respondeu ao lhe perguntarem sobre o quarto título seguido, este ano: “Temos ainda meia temporada pela frente e da forma como a Mercedes vem crescendo não dá para dizer nada. As coisas mudam rápido na Fórmula 1”. O alemão lidera o campeonato depois de dez corridas com 172 pontos, seguido por Kimi Raikkonen, da Lotus, com 134, Fernando Alonso, Ferrari, 133 e Hamilton, 124.

Apesar de as escuderias não poderem trabalhar durante 15 dias nesse período de recesso da competição, já antes vinham preparando importantes modificações em seus carros para estrear no GP da Bélgica. Serão testadas na pista agora, a partir de sexta-feira. Ainda no circuito de Budapeste, Eric Boullier, diretor da Lotus, comentou sobre o que espera da sequência do campeonato: “Não acredito em mudanças radicais em relação ao que estamos vendo. Mas como está tudo muito disputado, qualquer diferença a mais de performance será sentida”.

Red Bull, Mercedes, segunda colocada entre os construtores, Ferrari e Lotus estão atrás desses milésimos de segundo a menos nos seus tempos de volta. A sessão de classificação, sábado, vai dar uma ideia do quanto cada time avançou com o pacote de novos componentes incorporado a seus carros. Por ter perdido terreno em relação aos adversários, a Ferrari do competente e polêmico Alonso será um dos focos de atenção da imprensa.

Mas além da disputa esportiva o GP da Bélgica tem outra grande atração: todos querem saber qual o destino do piloto mais carismático do grid, Kimi Raikkonen. A semana foi pródiga de notícias envolvendo-o. Seu empresário afirmou que as negociações com a Red Bull se encerraram. O finlandês vai, então, permanecer na Lotus ou pode formar dupla com Alonso na Ferrari, como dizem alguns?

Os próximos dias podem relevar o curso dos capítulos seguintes desse apetitoso tema, capaz de levar grupos de fãs da Fórmula 1, no mundo todo, a calorosas discussões. Curiosamente o elemento-chave da história, Raikkonen, quase nunca se manifesta. A não ser como piloto. E nisso é brilhante.

Felipe Massa joga suas últimas fichas no cassino do circuito de Spa-Francorchamps e depois dia 8 de setembro, no de Monza, na Itália. Precisa fazer uma aposta única num número da roleta e acertar em cheio nos dois eventos. Só assim, dois grandes resultados, teria ainda chances de ver o contrato com a Ferrari renovado. E admitindo-se que Stefano Domenicali, diretor da equipe, não está conversando com Raikkonen, como é provável.

A 11.ª etapa do Mundial vai evidenciar, também, como os novos pneus Pirelli se comportam num traçado de elevada exigência, com o belga, com suas curvas velozes e longas. Esses pneus estrearam na Hungria, pista lenta, sob calor arrasador, e agradaram a todos.

Se Massa joga o seu futuro em Spa e em Monza, o brasiliense Felipe Nasr, da equipe Carlin da GP2, pode assumir na Bélgica a liderança do campeonato, o que o deixaria ainda mais perto de estrear na Fórmula 1 em 2014. Com 21 anos completados ontem, é o vice-líder da categoria considerada a antessala da Fórmula 1. Soma 129 pontos diante de 135 do monegasco Stefano Coletti, da Rapax.

Quem conhece o histórico do clima da cadeia de montanhas das Ardenas, no sudoeste belga, se surpreendeu nesta quarta-feira ao não chegar no autódromo: não havia uma única nuvem no céu. Os habitantes da região da Valônia devem estar estranhando a presença constante do sol e calor, durante o dia, capaz de atingir 28 graus. Não é absolutamente comum.

À noite é diferente. Cai para 12, 13 graus, mesmo no verão, como agora. Os carros de Fórmula 1 vão para a pista sexta-feira, a partir das 5 horas, horário de Brasília, com asfalto seco. Mas como dizem os profissionais do evento, em Spa nunca dá para confiar integralmente na previsão meteorológica. As indicações são de tempo seco nos dois primeiros dias de competição. E de chuva para o domingo à tarde.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Faça sua aposta*

* Por Fábio Seixas

Os dias passam na folhinha, as férias da F-1 vão chegando ao fim e aproxima-se o momento em que a Mercedes terá de tomar uma decisão.

O dilema está diante de Brawn, Lauda, Wolff, Fry e Lowe, o quinteto que comando o time.

Direcionar esforços, atenções e recursos no desenvolvimento do carro de 2013, tentando um possível _mas improvável_ título mundial, ou apostar tudo em 2014?

Da resposta depende o rumo da segunda parte do Mundial, que começa daqui a uma semana, em Spa. Sem a concorrência da

Mercedes, Vettel deve cruzar com facilidade para o tetracampeonato. Com Hamilton e Rosberg no cangote, ficará no mínimo mais complicado.

Após três anos de aprendizado e resultados opacos, a Mercedes é a equipe que mais cresceu ao longo desta temporada. Uma evolução clara, GP a GP.

Primeiro, fez o carro ficar rápido. Depois, tornou-o confiável.

Os números, desta vez, não mentem. Em dez etapas até agora, a equipe alemã conseguiu sete poles (as outras três foram da Red Bull) e três vitórias (todas nas cinco últimas corridas). É a bola da vez. Sua curva é ascendente, enquanto as das rivais estão na mesma.

O problema é o tempo perdido no começo do ano. Enquanto a Mercedes patinava, Vettel e a Red Bull venciam e pontuavam. Hoje, o tricampeão lidera o campeonato com 172 pontos. Hamilton é só quarto, com 124.

Continuando no atual ritmo, o inglês pode até entrar na briga no final do ano. Mas será suficiente? Ou é melhor desistir e mergulhar com tudo em 2014? Eis a questão.

O passado recente da turma que trabalha por lá pode ajudar na decisão.

Em 2008, quando a fachada da fábrica de Milton Keynes exibia o logotipo da Honda, a situação estava feia. Com Button e Barrichello, o time foi apenas o antepenúltimo no Mundial, com um carro que o brasileiro classificou de “porcaria”.

No meio daquele ano, com a vaca já atolada no brejo, a direção técnica jogou a toalha, abandonou o desenvolvimento do RA108. Enquanto Ferrari e McLaren se engalfinhavam na disputa por um campeonato que só terminou na última curva, Brawn, Fry e companhia começaram a planejar o ano seguinte.

Deu certo. Deu muito certo. Mesmo sem o apoio da Honda, a equipe brilhou em 2009. Batizada de Brawn e carregando uma revolução técnica _o difusor duplo_, ganhou seis das sete primeiras corridas, sempre com Button. Foi o suficiente para que o inglês e o time fossem campeões.

Em 2010, nova mudança na fachada: saiu o logo da Brawn, entrou a estrela de cinco pontas.

Mas a receita do sucesso continua lá.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

REPLAY: DTM - MOSCOU, 2013

Avanço da Mercedes sugere uma segunda metade de campeonato sensacional*

* Por Lívio Oricchio

Os números abaixo me levaram a redigir o texto a seguir.

Em 2010, a Mercedes regressou à Fórmula 1, depois de ter disputado as distantes temporadas de 1954 e 1955. Juan Manuel Fangio começou o campeonato com a marca alemã, transferiu-se para a Maserati e conquistou o título. Em 1955, competiu apenas pela Mercedes e de novo foi campeão.

No primeiro ano da volta à Fórmula 1, há três temporadas, a Mercedes terminou o Mundial de Construtores com 214 pontos, na quarta colocação, enquanto a Red Bull venceu o campeonato com 498. Em 2011, nova quarta colocação, 164 pontos, diante de impressionantes 650 da campeã, a Red Bull. A participação da Mercedes no último Mundial foi a pior: 142 pontos, apenas, quinto lugar, enquanto a Red Bull levou o tricampeonato com 460.

Nesse período de três anos a Mercedes obteve três pódios em 2010 com Nico Rosberg, nenhum em 2011, e quatro no ano passado, sendo três de Rosberg e apenas um de Michael Schumacher, o único nos três anos desde o retorno à competição, junto da Mercedes. Apesar do baixo número de pontos em 2012, a Mercedes conseguiu com Rosberg a primeira pole e a prmeira vitória, na China.

O texto:
Duas perguntas básicas: qual o piloto que mais marcou pontos nas três últimas etapas do campeonato? A outra: que equipe venceu três das últimas cinco provas do Mundial?

Se você respondeu Sebastian Vettel para a primeira e Red Bull para a segunda, conforme o histórico das três temporadas recentes da Fórmula 1, com o tricampeonato de Vettel e sua escuderia, saiba que as duas respostas estão absolutamente erradas.

E a resposta da primeira tampouco contempla outros dois candidatos ao título deste ano, ambos com vitória no atual campeonato: Kimi Raikkonen, da Lotus, e Fernando Alonso, Ferrari. Mais: não foram Red Bull, Lotus e Ferrari que ganharam três das cinco ultimas corridas.

As respostas corretas são, surpreendentemente, Lewis Hamilton e Mercedes. Verdade, contra a lógica da competição. A Mercedes mais se caracterizou nos últimos três anos, desde a volta à Fórmula 1, em 2010, como uma organização que gastava muito mas produzia pouco. Os números estão aí para não desmentir quem pensava dessa forma.

Seu momento, contudo, é outro, oposto ao experimentado até ainda a quinta etapa do campeonato deste ano. E o mais impressionante nesse avanço repentino da Mercedes é a perspectiva de sua trajetória na segunda metade do campeonato: os adversários que se cuidem.

O próximo GP é o da Bélgica, 11.º do calendário, dia 25, no lendário circuito Spa-Francorchamps. “Estamos transformando nossas pole positions em vitórias”, afirma Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes.

O modelo W04 demonstrou ser desde os testes da pré-temporada muito veloz, mas administrava mal o desgaste dos pneus Pirelli, concebidos para ter breve vida útil e tornar as corridas menos previsíveis.

A prova de Budapeste pode ser para o time de Lewis Hamilton e Nico Rosberg um divisor de águas. O piloto inglês explicou, depois da brilhante vitória, domingo, a primeira com o time alemão: “Se aqui na Hungria, com 35 graus de temperatura e o asfalto a 55, nós não tivemos problemas com os pneus depois do primeiro, segundo e terceiro pit stops, creio que resolvemos nossos dificuldades”, afirmou Hamilton, eufórico.

A organização alemã vem respondendo a todas as críticas recebidas com resultados. Por exemplo: mesmo dentro da Fórmula 1 poucos compreenderam a Mercedes contratar quatro ex-diretores técnicos de outros times: Bob Bell, ex-Renault, Aldo Costa, ex-Ferrari, Geoff Willis, ex-Red Bull, e agora Paddy Lowe, ex-McLaren, além do coordenador de todos, Ross Brawn, campeão com Michael Schumacher na Benetton e na Ferrari. É muito cacique para pouco índio, se diz na Fórmula 1, nos vários idiomas falados na competição.

“Temos projetos ambiciosos para este ano e os próximos. Com a mudança radical do regulamento de 2014 nos organizamos de forma a cada técnico dedicar-se, essencialmente, a um projeto ou área dele”, explicou Brawn ao Estado, este ano, nos testes de inverno em Jerez de la Frontera. No modelo W04 deste ano, por exemplo, foi designado Aldo Costa.

“Nosso grupo de trabalho demonstrou grande criatividade este ano. Modificamos nosso carro e bem. Ainda é cedo para afirmar que resolvemos os problemas com o desgaste excessivo dos pneus, mas temos boas referências, como na Hungria, para acreditar que avançamos muito nesse trabalho”, analisa Brawn.

Ao contrário da Ferrari, cada componente novo incorporado no modelo W04 da Mercedes o tem melhorado. “Podemos dividir nossa participação neste Mundial entre o que fizemos nas cinco primeiras provas e o produzido nas cinco últimas”, comenta Brawn. “Os resultados recentes quantificam nosso desenvolvimento.”

Enquanto a Mercedes conta com profissionais experientes e com histórico de conquistas, a Ferrari trabalha com Louic Bigois, especialista em aerodinâmica contestadíssimo no meio, e o desconhecido Simone Resta para coordenar o projeto do F138. Isso também ajuda a explicar a escuderia de Hamilton e Rosberg andar rápido para a frente e a Ferrari marcar passo, a ponto de gerar uma crise com seu principal piloto, Fernando Alonso.

Ao falar da vitória em Budapeste, Hamilton abordou o clima na Mercedes: “Vivemos um grande momento. O grupo está muito unido e tenho certeza que este resultado vai estimulá-lo ainda mais”. Atribuiu parte do sucesso ao seu trabalho de indicar as direções a serem seguidas no desenvolvimento do modelo W04. Ele tem a experiência de ter conquistado o Mundial em 2008, pela McLaren.

Além de Hamilton, o alemão Rosberg vem surpreendendo. “Corri com Nico no kart e posso dizer que vencê-lo hoje tornou-se bem mais difícil”, comentou Hamilton, na Hungria. Rosberg já venceu duas provas este ano: a de Mônaco e da Grã-Bretanha.

O avanço da organização como um todo e o excelente momento de seus pilotos dão números animadores para as nove etapas que restam este ano: Hamilton ocupa a quarta colocação no Mundial de Pilotos, com 124 pontos, diante de 172 do líder, Vettel, 134 de Raikkonen e 133 de Alonso.

Na disputa dos Construtores, a Red Bull segue na frente com 277 pontos, mas a Mercedes já aparece em segundo, com 208, enquanto a Ferrari está em terceiro, 194, e a Lotus em quarto, 183.

Depois da imponente vitória de Hamilton no GP da Hungria, perguntaram se ele se sentia, agora, candidato ao título: “Ainda é cedo para responder, mas com o carro que temos penso que tudo pode acontecer”.

As cinco últimas corridas enviaram uma mensagem aos homens da Red Bull, Lotus e Ferrari: a Mercedes tem elevadas chances de se impor na segunda metade do campeonato. E, como disse Hamilton, “tudo pode acontecer” em termos de luta pelo título. Bom para a competição, que deve apresentar corridas ainda mais emocionates.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Vitória do coração partido*

* Por Luis Fernando Ramos


Dizem que as melhores músicas são as compostas com o coração partido. O mesmo pode ser aplicado para o desempenho de Lewis Hamilton no GP da Hungria. Com uma pilotagem perfeita, o inglês obteve sua primeira vitória pela equipe Mercedes, contrariando as previsões de que sofreria com o desgaste de pneus numa prova disputado com o asfalto chegando a 50 graus de temperatura. Mas, na sua cabeça, só havia a memória da ex-namorada, a cantora Nicole Scherzinger. Os dois terminaram uma relação de quatro anos em maio.

- Fiquei a corrida inteira pensando em alguém especial para mim e queria dedicar esta vitória a ela. Estes têm sido os piores meses da minha vida, mas quando venho para uma corrida é uma preocupação a mais. Então busco me animar, me manter concentrado. E é óbvio que isto não afeta minha pilotagem, estou andando bem e muito feliz com minhas voltas rápidas nas últimas corridas. Mas não é a mesma coisa - falou o piloto depois do triunfo.

A boa performance de Hamilton em relação aos pneus foi o que mais chamou a atenção. Ele fez uma estratégia de três paradas, similar a de Sebastian Vettel, o terceiro colocado. Mas ninguém, nem o próprio piloto inglês, acreditava que o carro da Mercedes seria capaz de passar incólume ao calor. Difícil foi explicar depois.

- Largando da pole, estava rezando para que estes pneus funcionassem a nosso favor. Parece ter dado certo: o asfalto com mais de 50 graus, uma das corridas mais quentes que eu corri e, para um carro que sofria com degradação elevada, foi um passeio no parque. Estou perplexo - admitiu.

Vettel, que também acabou superado por Kimi Raikkonen graças à estratégia do finlandês de fazer uma parada a menos, recebeu com mais naturalidade a superioridade da Mercedes no “caldeirão” de Hungaroring.

- Parabéns para Lewis, fez um bom trabalho na classificação e na corrida. Velocidade eles têm e os pneus aguentaram bem, o que não é a primeira vez que acontece com a Mercedes, desde Mônaco eles vêm crescendo. Não estou dizendo que foi por causa do polêmico teste, mas só dizendo o ponto em que eles começaram a entender melhor os problemas que tinham e passaram a resolvê-los.

Assim, o Mundial de 2013 chega para a pausa no verão europeu com uma liderança de Vettel mais contundente na pista do que na tabela. 38 pontos parece muito, mas quando o grupo de perseguidores que está nesta faixa é formado por Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Lewis Hamilton numa ascendente Mercedes, é precipitado demais ver algo decidido. Bom para nós.

O GP da Hungria ainda trouxe temas interessantes na pista, como os incidentes que envolveram Romain Grosjean e dividiram opiniões em relação à justiça das punições; ou fora dela, como o imbecil factóide de uma suposta conversa entre Fernando Alonso e a Red Bull. Outros temas também continuam atuais.