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quarta-feira, 8 de maio de 2013

SP INDY 300 2013: Um fim de semana show*

* Por Teo José


A quarta edição da São Paulo Indy 300 foi sem dúvida a melhor realizada na capital paulista. O evento estava mais bonito e o circuito do Anhembi ‘lotadaço’. Mais de 40 mil pessoas se espalharam pelos camarotes, garagens, boxes e arquibancadas.

A corrida, apesar de muitas bandeiras amarelas, foi emocionante. E uma vitória histórica do canadense James Hinchcliffe, ultrapassando Takuma Sato nos metros finais. E isto tratando-se de uma pista de rua.

Não conheço todos os circuitos de rua do mundo. Tem muita categoria que corre por aí. Mas dos que já vi, sem nenhuma dúvida, afirmo que o Anhembi é o melhor do mundo. O traçado dá totais condições para ultrapassagens, bonito e a reta da marginal sensacional. Sem falar a comodidade para pilotos e envolvidos, com a proximidade do hotel, garagens amplas e ventiladas. Tudo perto, apesar de ser improvisado.

Não posso falar muito sobre a prova em suas 75 voltas. Como informei ontem fiquei parte dela no trajeto para o Morumbi, onde narrei São Paulo e Corinthians, na Band.

Mas do que vi, deu para notar que Helio tinha um bom carro, deu azar se envolvendo em muitas confusões. Tony apareceu bem, mas ficou com pane seca por erro da equipe – que ainda precisa crescer muito – e Bia Figueiredo está em um time com claras deficiências. As maiores em seu carro, já que não fará toda temporada.

Takuma, depois de umas dez voltas, era uma boa aposta. E Hinchcliffe sempre foi competitivo, mas não parecia até 20 voltas para o final ter carro para ganhar. Foi estratégico e muito agressivo no final. A sua equipe [Andretti], atual campeã com Hunter-Reay, conseguiu a terceira vitória no ano e com Marco em terceiro colocou dois pilotos no pódio.

Particularmente foi um lindo final de semana para mim. Ter o contato direto com os amigos da velocidade lava a alma. Analisamos que estes 20 anos de Indy percorri os caminhos certos. Apesar de tanto trabalho, não fiquei cansado. Tudo é feito com muito prazer e motivação.

Foi um final de semana de estudo, trabalho e sobretudo alegria. Só tenho agradecer e entre uma apresentação e outra ainda sobrou tempo para narrar a corrida de “Carros Gambiarra” da galera do Pânico com Helio, Tony, Bia e Simona.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

ANHEMBINDY IV*

* Por Victor Martins



É daquelas corridas que a gente vai se lembrar por um tempo, sobretudo pelo final, em que os dois candidatos a astros da Indy levantaram a sala de imprensa e o pessoal na arquibancada – que foi devidamente mostrado pelas câmeras da douta emissora detentora dos direitos. Numa análise rápida, foi a que teve o melhor desfecho desde as 500 Milhas de Indianápolis de 2011, aquela que Wheldon tinha de ganhar e que jogou Hildebrand – Hildebrando, para alguns – no limbo.

Predicados como épica, histórica, excitante e espetacular surgiram rapidamente, sobretudo porque até o último instante não se sabia quem iria ganhar. Deu Hinchcliffe, na última curva, com Sato, o nipobrasileiro. Mas poderia ter sido Newgarden, por exemplo.

Newgarden teve a chance da vida de sair da vida de Incognito e dar a chefe Sarah Fisher sua primeira vitória. Com pneus melhores e mais push-to-pass que Sato, gastou tudo sem conseguir passar o brilhante japonês, permitindo que Hinch se aproximasse. No fim dos fins, o que poderia ser a vitória acabou num quinto lugar – o melhor da carreira, mas amargo pelo cenário geral.

Entre o canadense e o japonês, o negócio foi tão bom que fez os brasileiros aplaudirem. Sato fez Hinchcliffe perder seus botões de ultrapassagem com maestria, mas como James é mais experiente que Josef, havia ainda um bote a ser dado: o da última curva. Takuma, às vezes Sakumam, deu leve escapada na freada com seus pneus acabados, e o rival recebeu a bandeirada antes.

Mas seria leviano dizer que a prova resumiu-se à parte final. Kanaan fez a alegria da galera com sua meia mão e
logo se pôs à ponta jantando Franchitti, Viso e Hunter-Reay, por vezes Rei-Hunter, outras Hunter-Rahal. Segurou o atual campeão tranquilamente, e no vaivém das amarelas e dos pit-stops, sempre aparecia ali entre os primeiros. Até que a KV falhasse de novo. “Foi a telemetria”, alegou a equipe, ao ver seu piloto parar na linha de chegada com pane seca, mal calculando cinco voltas de combustível. Tony ficou emocionado, puto, raivoso, e tudo isso com a mão latejando, inchada, como a cabeça. Que hipérbole.

No outro extremo, Bia apareceu ali como o primeiro abandono. Justamente quando fazia uma prova decente e andava ali no meio do pelotão. “Foi a transmissão”, afirmou a equipe, depois de ver que o escapamento foi pro espaço. Figueiredo ficou emocionada, chorou, reclamou da perda da possibilidade. Pecado. Já Castroneves redefiniu a teoria heliocêntrica hoje: todos os problemas giravam em torno de si. Deu leve toque em Power na largada, escapou pela área fora da pista quando estava em terceiro numa relargada, envolveu-se numa celeuma com Pagenaud, Hildebrand e alguns outros que provocaram um furo no pneu, foi tentar desviar de Pagenaud noutro momento e recebeu um toque de Dixon… ficou na merda. Terminou em 13º. “Foi uma zica”, houve de pensar, abrindo os olhos para o japonês que já está de olhos abertos.

Power só tem do que reclamar. Porque o rapaz se ferrou ontem na tática/regra bocó da Indy de não parar o tempo com bandeira vermelha num Q1, largou em 22º, foi passando um a um, rápido, consistente e feroz, estava em 11º, e aí o motor estourou. A central de zicas do pântano da Penske está ativa. Deve ser Briscoe, enxotado, que passou numa ‘mother-of-saint’ da Carolina do Norte bem poderosa.

E quem diria que Sato vai chegar a Indianápolis para o mais esperado evento do ano na condição de grande líder. Hinchcliffe, o que mais venceu no ano, ganhou duas e abandonou as outras duas. “Mas você prefere ganhar ou abandonar a próxima?”, ainda perguntaram na coletiva para o canadense, que claramente pensa em chegar em 33º na Indy 500. Andretti, na miúda, foi terceiro na corrida e é segundo no campeonato. A equipe do pai vai bem demais no ano, a ponto de colocar Marco nas cabeças. Castroneves é o terceiro agora.

A temporada da Indy, sem Penske ou Ganassi vencendo, está tão competitiva e legal de ver como a da F1. E se há outro paralelo a fazer, é o das corridas em SP, que geralmente são acima da média.

SP INDY 300 2013: Em prova histórica, Hinchcliffe vence na última curva


Na edição mais disputada da história da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé, James Hinchcliffe conquistou uma vitória épica nos metros finais. O canadense da equipe Andretti ultrapassou o então líder, Takuma Sato, na última curva - o hairpin no fim da Marginal Tietê, obtendo seu segundo êxito nesta temporada.

Sato parecia caminhar para uma vitória tranquila na parte final da prova, quando passou a apresentar um rendimento inferior, o que permitiu uma aproximação em massa: na abertura da volta final, os cinco primeiros colocados estavam a menos de dois segundos de Takuma, fazendo o público acompanhar o último giro na ponta dos pés.

O japonês até que conseguiu sustentar a liderança até a Marginal Tietê, mas o carro da Foyt não resistiu à velocidade de Hinchcliffe, que alinhou por fora e tomou a linha de dentro no contorno da Curva da Vitória, após Sato exagerar na freada e perder a tomada. Apenas 0s3463 separaram os dois primeiros.

Hinchcliffe, por sua vez, voou baixo nas voltas finais, pulando de terceiro para primeiro em um espaço inferior a três voltas. "Não existe nada mais legal que ganhar uma corrida na última curva da última volta", celebrou o irreverente canadense, um dos pilotos mais populares do grid, que conquistou sua segunda vitória na carreira - a anterior havia sido na prova de abertura do campeonato, em St. Petersburg.

A última curva também definiu a terceira posição a favor de Marco Andretti, da Andretti, com Oriol Servia, da Panther-DRR, em quarto e Josef Newgarden, da SFH, que disputava a vitória com Sato, recebeu a bandeirada em quinto. O melhor sul-americano na corrida acabou sendo Ernesto Viso, também da Andretti, o sétimo.

Com o resultado da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé, Sato ultrapassa Castroneves e se torna o primeiro japonês na história a liderar a tabela do campeonato da Indy.

Marcas históricas, resultados abaixo do esperado: O domingo, 5 de maio, parecia ser o dia de Tony Kanaan. E tinha tudo para ser: ele largava da quarta posição, a melhor de um brasileiro na história da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé. Essa expectativa aumentou ainda mais quando o campeão de 2004 da Fórmula Indy assumiu a liderança por oito voltas antes do primeiro pit stop. Contudo, todo o esforço foi por água abaixo graças a uma pane seca. O que era para ser uma festa terminou em lágrimas dentro do cockpit e na garagem da equipe KV.

A pane se deu quando Tony ocupava a segunda posição e disputava diretamente a vitória na 55ª volta. Com duas voltas de atraso, o baiano foi rebocado aos boxes e retornou à prova apenas para cumprir tarefa e somar o mínimo de pontos em 22º. Antes de TK, os outros dois representantes do país também enfrentaram dificuldades.

Bia Figueiredo foi a primeira, com um problema no alternador do carro da Dale Coyne que provocou seu abandono. Helio Castroneves, por sua vez, teve uma das corridas mais atribuladas de sua carreira, rodando em uma das relargadas, se envolvendo em um acidente com múltiplos carros e, para completar, tendo um pneu furado. Mesmo assim, o piloto da Penske foi perseverante e salvou alguns pontinhos em 13°.

Mas quem pensou que o azar estava ao lado dos brasileiros se enganou. A 37ª volta da corrida no Anhembi entrou para a história ao ver Will Power, o tricampeão da Itaipava São Paulo Indy 300, ter o motor estourado e, pela primeira vez, passar longe do alto do pódio no Anhembi. Para piorar, Power amplia a sequência de provas sem vitória - este jejum alcançou a marca de 15 corridas neste domingo.

Depois da festa no Anhembi, todas as atenções da Fórmula Indy se voltam para as 500 Milhas de Indianápolis, prova mais importante do calendário, que tomam todo o mês de maio. A corrida acontece em 26 de maio.

Resultado final da Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé 2013:

1. James Hinchcliffe (CAN/Andretti-Chevrolet), 75 voltas
2. Takuma Sato (JAP/A. J. Foyt-Honda), a 0s3463
3. Marco Andretti (EUA/Andretti-Chevrolet), a 1s1376
4. Oriol Servià (ESP/Panther DRR-Chevrolet), a 1s1745
5. Josef Newgarden (EUA/Fisher Hartman-Honda), a 1s6516
6. Ernesto Viso (VEN/Andretti-Chevrolet), a 2s8119
7. Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi-Honda), a 3s5961
8. Simona de Silvestro (SUI/KV-Chevrolet), a 4s2772
9. Simon Pagenaud (FRA/Schmidt Peterson-Honda), a 7s6331
10. Charlie Kimball (EUA/Chip Ganassi-Honda), a 9s0265
11. Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti-Chevrolet), a 9s5135
12. Alex Tagliani (CAN/BHA-Honda), a 10s4393
13. Helio Castroneves (BRA/Penske-Chevrolet), a 11s1234
14. Sébastien Bourdais (FRA/Dragon-Chevrolet), a 13s6406
15. J. R. Hildebrand (EUA/Panther-Chevrolet), a 13s7377
16. Tristan Vautier (FRA/Schmidt Peterson-Honda), a 14s3517
17. James Jakes (ING/Rahal Letterman-Honda), a 19s8585
18. Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi-Honda), a 29s4261
19. Sebastian Saavedra (COL/Dragon-Chevrolet), a 54s7223
20. Justin Wilson (ING/Dale Coyne-Honda), a 2 voltas
21. Tony Kanaan (BRA/KV-Chevrolet), a 3 voltas
22. Graham Rahal (EUA/Rahal Letterman-Honda), a 4 voltas
23. Ed Carpenter (EUA/Carpenter-Chevrolet), a 4 voltas

Não completaram
Will Power (AUS/Penske-Chevrolet), 18 voltas/motor
Bia Figueiredo (BRA/Dale Coyne-Honda), 6 voltas/alternador