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sexta-feira, 28 de março de 2014

O ruído da falta de ruído*

* Por Tatiana Cunha

Dizem que a gente nunca está feliz com o que tem. Quem tem cabelo liso queria ter cabelo crespo. Quem é magro queria engordar. Quem é baixo queria ser alto. E por aí vai. Na F-1 não é diferente.

Lembro que há pouco tempo todo mundo reclamava que as corridas estavam chatas, que não havia ultrapassagem, blá blá blá. Mudaram os pneus, as ultrapassagens se multiplicaram e aí a reclamação passou a ser o excesso delas. Ou seja, não dá para agradar a todos.

O assunto no paddock hoje aqui em Sepang, fora o calor e a umidade, que beiram o insuportável, foi o ruído _ou a falta de _ dos novos motores V6.

A celeuma começou ainda na pré-temporada, quando começaram os testes e muita gente começou a torcer o nariz para o novo barulho da F-1.

Veio o GP da Austrália e mais polêmica. Depois da primeira corrida do ano os organizadores da prova australiana anunciaram que iriam conversar com Ecclestone para ver o que era possível fazer para melhorar o ruído dos carros, caso contrário estudavam alegar uma quebra de contrato e eventualmente cancelar o GP da Austrália.

Como se não bastasse tudo isso, hoje, ao ser questionado sobre o tema, Vettel foi categórico: “Achei uma merda”, disse o tetracampeão.

Para aumentar ainda mais a confusão, Button alfinetou o alemão ao ser indagado sobre o mesmo assunto: “Vá correr em outra categoria se você não está satisfeito”, disse o piloto da McLaren #ouch

Gosto não se discute. O que para uns é bom, para outros é ruim. E é isso que torna a vida divertida. Respeito a opinião de Vettel, mas discordo dele.

Na Austrália fui assistir o treino de sábado de manhã na curva 1 para ver e ouvir de fato a nova F-1. Confesso que adorei. Sim, o barulho não é tão ensurdecedor como antes, mas tem seu charme. Achei que ficou mais moderno, mais refinado. Totalmente aprovado.

Prefiro ver carros mais silenciosos e corridas mais emocionantes, pilotos sofrendo para segurar seus carros na pista do que simplesmente barulho.

Mas de novo, gosto é gosto.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Segundo Lauda, Vettel é da Red Bull até 2017*

* Por Teo José


Nos bastidores da Fórmula 1 comenta-se que Niki Lauda procurou mais uma vez a dupla vencedora Sebastian Vettel e Adrian Newey para uma futura chegada na Mercedes – onde ele é diretor. O objetivo seria integrá-los depois de 2015, tempo do contrato anterior dos dois. Só que a atual equipe campeã foi mais rápida e teria renovado os dois compromissos até o fim de 2017. Encerrando assim qualquer tipo de negociação.

Não deixa de ser interessante a postura do Vettel. Tem a consciência de um longo trabalho para voltar a ter um carro competitivo, como nos anos anteriores, mas se mantem fiel a equipe. Ganhou mais pontos.

Por outro lado, Helmut Marko, o todo poderoso da Red Bull, disse que precisaria de mais dois meses para desenvolver o atual carro. As maiores dores de cabeça estão no turbo que tem aquecido muito e demora um pouco a entrar em funcionamento em aceleradas mais bruscas. E quando o faz manda muita potência, acima do esperado o que a rigor faz o carro perder tração.

Geralmente os carros 2014 têm esquentando bem mais que os anteriores, seja pelo novo turbo ou nas mudanças aerodinâmicas. Na primeira corrida na Austrália, na semana que vem, a previsão é de que cerca de dez bólidos terminem a corrida. E olhe lá. Os números da pré-temporada ajudam a entender a falta de durabilidade.

Em 12 dias de testes foram 51 bandeiras vermelhas, com carros parados pelos circuitos. Em 2013, a cada dia, juntando todas as voltas das equipes, tivemos cerca de 4000 quilômetros percorridos, agora este número baixou para 2337. Ou seja, mesmo quem está bem no momento sabe que faltou tempo para o desenvolvimento. Principalmente no que diz respeito a durabilidade.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

LEGENDE A FOTO


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Até o errado acontece na hora certa para Vettel*

* Por Américo Teixeira Jr.

Se a primeira fase de testes da pré-temporada foi um desastre para a Red Bull Racing, não poderia ter acontecido em melhor hora. Faltando duas semanas para os testes finais e pouco mais de 40 dias para o início do campeonato, a turma de Sebastian Vettel tem uma chance única de mostrar mais uma vez o quanto é capaz – só que agora sob uma pressão enorme – para colocar o RB10 na mesma trilha vitoriosa de seus antecessores.

Os quatro dias em Jerez, Espanha, foram completamente perdidos para a equipe comanda por Christian Horner nos quesitos performance, confiabilidade e quilometragem. Por outro lado, foram colhidos dados  que poderão se mostrar essenciais na tentativa de reverter esse cenário inicial de caos, potencializado pelas “falhas inaceitáveis” do V6 Turbo da Renault, nas palavras do diretor técnico adjunto Rob White. O quadro do Total Race ilustra bem o tamanho do problema da Red Bull, Renault e demais usuários do motor campeão do mundo (Caterham e Toro Rosso).

Embora a chance seja excepcional, visto ter explodido toda essa confusão ainda na primeira atividade de pista do ano, não é necessário estar lá para saber que os próximos dias serão tensos nas respectivas sedes. Somente os testes no Bahrain, marcados para começar no dia 19 de fevereiro, serão capazes de mostrar se o “inferno” se instalou de vez ou se foi apenas um “sonho ruim”. Tempo há, curto, mas há. Então, melhor não perder o “bonde do Bahrain”, até porque o de Jerez já foi.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quer dizer que a Fórmula 1 virou Stock? *

* Por Felipe Motta

Confesso ter ficado perplexo com a novidade da Fórmula 1 dobrar os pontos na última etapa do campeonato. A medida para tentar “domar” Sebastian Vettel e seu touro vermelho indomável é uma várzea sem tamanho. 

A Fórmula 1 de vez em quando tem dessas. Quando um cara dispara, ela começa a criar mecanismos para tentar segurá-lo. Ok, entendo que para quem acompanha uma competição o ideal é ver equilíbrio, desde que ele seja verdadeiro, legítimo. 

Dobrar os pontos na última etapa é uma aberração. Vejamos: Michael Schumacher dominava. O que fizeram? Diminuíram vantagem de pontos entre o vencedor e o segundo colocado. O que aconteceu? Schumi venceu mais dois campeonatos, um deles, em 2004, com enorme antecedência. De 2005 até 2008, tivemos equilíbrio. No entanto, era uma disputa real, legítima. 

E aí o que aconteceu? Felipe Massa perdeu um campeonato mesmo sendo o piloto com mais vitórias. Não afirmo isso para alegar que o brasileiro era merecedor do título, mas enfim, nisso consiste um dado importante. O que a F-1 então faz? Volta a aumentar a diferença entre primeiro e segundo, o que era o mais correto. 

Aí pinta um certo Sebastian Vettel que começa a implodir todos os recordes. E o que os “gênios” da F-1 fazem? Dobram os pontos da decisão. Não é necessário ter QI acima de 200 para avaliar que em anos de domínio não adianta inventar a roda. O cara que tiver o melhor carro e for superior vai ganhar de qualquer jeito. 

O problema é que no ano em que não houver domínio, mudanças como essas só trarão injustiças. A “invenção da roda” que os dirigentes propõe é péssima por essa razão. Não só não resolve o problema como cria um outro, que é muito pior. Enfim, uma vergonha. 

Uma coisa é a Stock Car fazer algo assim. A categoria, apesar de consolidada, precisa de chamariz em relação à imprensa e público. Então, uma Corrida do Milhão é algo compreensível, ainda que igualmente questionável no que diz respeito a dobrar pontos. 

Mas mesmo no caso da Stock, a corrida especial tem um regulamento específico. Ela é mais longa, com regras particulares para a prova. A da F-1 parece uma coisa jogada. Estipula-se que será em Abu Dhabi e pronto. Em cada campeonato temos carros que se comportam melhor em pista A ou B e teremos o peso dobrado em uma corrida aleatória. Pra que isso? 

Seja lá como for, é incrível como em vários setores, pessoas com poder tomam atitudes das mais lamentáveis. O tetracampeão, Sebastian Vettel, criticou a mudança: “Imagine na última rodada da Bundesliga (Campeonato Alemão) os jogos passassem a valer o dobro. Esta regra é absurda.” 

Sim, concordo! Mais que absurda. E vocês, o que pensam disso?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Recorde e adeus*

* Por Luis Fernando Ramos


Alguns falarão de uma temporada aborrecida. Outros lembrarão de uma temporada histórica. Sebastian Vettel não se importa. Seguindo sua filosofia de viver um evento de cada vez, ele desceu do carro após vencer o GP do Brasil em Interlagos pensando na comemoração que faria à noite. Depois, na volta para casa. Os dois recordes que igualou ontem - o de vitórias consecutivas na Fórmula 1 (nove) e o de vitórias numa mesma temporada (treze) - ele quer deixar para o futuro.

- Espero fazer muito festa para depois subir no avião bastante cansado. Para mim, um recorde é apenas um número que olharei quando tiver menos cabelo e for gordinho. E acho que não dá para comparar a marca de nove vitórias de Alberto Ascari. Era uma era diferente, nos anos 50 as corridas eram mais compridas e os carros quebravam mais facilmente - destacou o campeão.

Num ano em que quase não deu chances para os adversários na pista, Vettel teve a presença de espírito para deixar espaço para a despedida da F-1 de seu companheiro de equipe Mark Webber, dando ao australiano a prerrogativa de responder a primeira pergunta nas entrevistas feitas no pódio. Depois, pagou tributo ao colega.

- Uma pena que ele está voltando para casa logo depois da corrida, seria legal tomarmos umas no bar. Nem sempre tivemos a melhor relação, não adianta mentir, mas sempre nos respeitamos, trabalhamos duro para a equipe obter por sucesso. Acho que não há nenhum ressentimento entre a gente e lhe desejo o melhor para o futuro.

Webber estava visivelmente feliz em deixar a categoria com um pódio - onde inclusive chegou a escorregar e cair na empolgação de abrir a garrafa de champanhe.

- Não poderia ter sido melhor. Foi uma boa briga com pilotos de qualidade e isso me deixa muito feliz e orgulhoso. Minha carreira na Fórmula 1 foi agradável, muito além do que eu imaginava quando comecei ainda na Austrália. Saio daqui orgulhoso.

Fernando Alonso, terceiro colocado, também demonstrou satisfação em encerrar o ano com um terceiro lugar, seu primeiro pódio em seis corridas. Mas admitiu que teria cedido o lugar para Felipe Massa caso o brasileiro estivesse em quarto lugar no final, posição que chegou a ocupar no meio da prova.

- Qualquer um faria o mesmo, daria a posição com o mais prazer. Falamos isso antes da corrida. Uma pena o drive-through estranho que ele recebeu, tirando a oportunidade disso acontecer. Mas ele fez uma boa corrida e pode deixar a Ferrari de cabeça erguida.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vettel, vitória que sintetiza a temporada*

* Por Fábio Seixas

Uma síntese do que foi o Mundial.


No encerramento de uma temporada dominada por Vettel, o alemão no alto do pódio. Sorrindo, vibrando. E com mais um recorde para a coleção.

Em Interlagos, ele conquistou a 13ª vitória na temporada, igualando Schumacher em 2004.

Fecha o ano com 397 pontos, mais do que Mercedes (360) e Ferrari (354).

Se fosse uma equipe, o alemão, sozinho, ganharia o Mundial de Construtores. Só isso.

Números que dimensionam o estrago que ele fez na concorrência nesta temporada que terminou às 15h36 de um domingo nublado.

Webber, agora aposentado, foi o segundo, seguido por Alonso. Massa cruzou em sétimo em sua despedida pela Ferrari.

Interlagos passou o dia olhando para o céu, perguntando se iria chover ou não. Deu a segunda opção.

Ainda antes da prova, uma homenagem legal da Ferrari a Massa: a equipe o aplaudiu no momento em que ele deixou os boxes vermelhos pela última vez.

Bonito.

A corrida começou com 19°C no ar, 24°C no asfalto.  E piso seco: pela primeira vez no final de semana, os pilotos usaram os pneus slick.

Na largada, Rosberg saiu forte.

O piloto da Mercedes tracionou melhor que Vettel e, logo nos primeiros metros, colocou-se melhor para ganhar a liderança e contornar o S à frente. Por pouco Alonso também não toma o segundo lugar do tetracampeão.

Rosberg ficou em primeiro por quase toda a primeira volta.

Quase toda. Porque o compatriota deu o troco na Reta dos Boxes. Alonso fez manobra parecida e deixou Hamilton para trás.

Massa e Hulkenberg foram outros que saíram bem: ganharam três posições.

O top 10 ao final da primeira volta: Vettel, Rosberg, Alonso, Hamilton, Webber, Massa, Hulkenberg, Grosjean, Ricciardo e Bottas.

Na quarta volta, Grosjean abandonou, com vazamento de óleo. E Alonso passou Rosberg, assumindo a vice-liderança.

Na sexta, Vettel já tinha 6s110 sobre Alonso.

Um pouco mais atrás, Webber deixava Rosberg para trás. Hamilton, também sofrendo com o ritmo de corrida, já havia despencado para quinto.

O primeiro a parar nos boxes foi Vergne, na décima volta.

Com Vettel disparado na frente, 9s1 sobre Alonso na 11ª volta, as atenções se voltaram para dois duelos: Webber x Alonso e Hamilton x Rosberg.

Hamilton superou o companheiro sem muitos problemas, após pedido da Mercedes para que abrir passagem. E o australiano passou o espanhol na freada pro S, na abertura da 12ª volta.

Na 14ª, Ricciardo parou.

Na 15ª, Massa deixou Rosberg para trás. Lá na frente, a vantagem de Vettel sobre Webber já era de 10s4.

O brasileiro parou na 20ª, mais ou menos quando começaram a surgir informações de “chuva a qualquer momento”.

Ou seja, a melhor estratégia era esperar para parar apenas uma vez. Se os pneus deixassem, claro.

Button, Hulkenberg e Di Resta entraram na 21ª.  Alonso e Hamilton, na 22ª.  Rosberg e Gutierrez, na 23ª.

Webber entrou na sequência. A equipe se embananou no pneu traseiro esquerdo, e ele perdeu o segundo lugar para Alonso.

Vettel entrou na 24ª. Sem sustos.

Morrendo de vontade de se despedir em alta, Webber partiu pra cima de Alonso e retomou a segunda posição na 26ª volta, novamente no S.

O espanhol até tentou um troco, mas sem sucesso.

O top 10 na 30ª volta tinha Vettel, Webber, Alonso, Massa, Hamilton, Button, Rosberg, Pérez, Hulkenberg e Ricciardo. A vantagem do tetracampeão para o companheiro, 10s419.

Massa x Hamilton tornou-se então a briga da vez. Em ritmos bem parecidos, ambos percorreram voltas e voltas grudados.

Na 32ª, os dois fritaram pneus no S, mas o brasileiro prevaleceu. Foi quando veio a mensagem: drive through para Massa, por ter cruzado a linha branca da entrada dos boxes com as quatro rodas.

“Inacreditável, inaceitável! Inacreditável, inaceitável!”, chiou o brasileiro pelo rádio, irritadíssimo.

(Mas ele cruzou... E a FIA tinha avisado que puniria).

A punição foi cumprida na 34ª volta, e Massa, gesticulando, furioso, caiu para oitavo.

Aqui e ali, começavam a cair algumas gotas. Mas nada que preocupasse.

Tanto que, na 43ª, Ricciardo abriu a segunda janela de pits e colocou pneus duros.

Button e Massa pararam na volta seguinte. Médios para o primeiro, duros para o segundo.

Rosberg e Pérez entraram na 45ª.

Na 47ª, acidente.

Bottas colocou por fora para tentar passar Hamilton no fim da Reta Oposta. Os dois tocaram e se deram mal: pneus traseiros estourados.

O finlandês se deu pior e ficou pela área de escape. O inglês ainda conseguiu se arrastar até os boxes.

Erro duplo. Do Bottas, por achar que passaria ali. E do Hamilton, por não olhar no retrovisor e manter a trajetória. Acontece.

Mas a FIA não viu assim: drive through para o inglês.

Com receio de entrada do safety car, todo mundo foi para os boxes: Vettel, Webber, Alonso, Di Resta e Hulkengberg, entre eles.

O pit do Vettel foi desastroso: a equipe simplesmente não tinha os pneus preparados. Sua folga para o australiano caiu para 5s5.

Ao fim da segunda janela de pits, o top 10 tinha Vettel, Webber, Alonso, Button, Rosberg, Pérez, Massa, Hulkenberg, Ricciardo e Sutil.

Na 55ª volta, a garoa apertou lá pros lados da Reta Oposta. A pista começou a ficar úmida, mas ainda dava para levar com os slicks.

Alguém arriscaria os intermediários?

Não. Não foi o caso. A esperada chuva não apareceu mesmo.

Lembram que a vantagem de Vettel para Webber havia sido reduzida? Pois bem, na 62ª volta tudo estava de volta ao normal: 7s8.

Ah, sim: faltava uma lambança de Maldonado. Veio a seis voltas para o fim. Ele rodou no S após um toque com Vergne e, ao voltar à pista, quase acertou Button. Ê-la-iá.

Vettel venceu com 10s4 sobre Webber, que conseguiu 2s9 sobre Alonso.

Button, em ótima corrida, foi o quarto. Fechando o top 10, Rosberg, Pérez, Massa, Hulkneberg, Hamilton e Ricciardo.

O tetracampeão disse que ama a equipe, etc e tal. Deu zerinhos, assim como Massa.

Mas a imagem da corrida foi do australiano: despedindo-se da F-1, ele completou a volta de desaceleração sem o capacete.

Inédito, até onde sei.

E emocionante.

Como que para mostrar, numa temporada que tantos apontaram como enfadonha que, sim, ainda é possível haver emoção na F-1.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Festa e passeio dominical*

* Por Luis Fernando Ramos


Faltavam três voltas para acabar o GP dos Estados Unidos quando Sebastian Vettel resolveu acelerar de verdade. Jogou o RB9 com vontade nas curvas, retardou freadas, abusou da borracha. Fechou o giro em 1min39s856, o único a andar abaixo de 1min40s no domingo em Austin.

Foi um tapa na cara dos adversários. Até então, Sebastian Vettel havia dominado a prova como quis. Largou na pole, abriu uma margem na frente para poder administrar e continuou seu passeio dominical. No final, a maneira soberana com que fez a melhor volta deu sinais de que tinha sobras. Venceu pela oitava vez consecutiva e só se acontecer uma zebra muito grande não ganhará também em Interlagos neste domingo, no encerramento da temporada.

O triunfo significou um novo recorde, o de vitórias seguidas numa mesma temporada, superando marca de Michael Schumacher em 2004. Perguntado sobre o significado disso, Vettel reforçou sua filosofia de que as marcas que ficarão para o futuro são conquistadas vivendo o presente.

- Acho que você nunca deve perder a paixão e a alegria, lembrando dos dias que você sonhava com isso acontecendo. Para todos nós, é importante aproveitar o momento e haverá tempo depois nas nossas vidas de entender o significado.

A vitória tranquila de Vettel deu o tom de uma corrida monótona, fruto de uma escolha conservadora nos compostos de pneus, com pouca diferença de performance entre eles. Com a borracha desgastando pouco, a maioria dos pilotos fez apenas uma parada nos boxes e as ultrapassagens foram raras, acontecendo quase apenas no meio do pelotão. Lá na frente, Vettel, Romain Grosjean e Mark Webber, os três que subiram ao pódio, fizeram uma prova à parte.

No GP do Brasil, que encerra a temporada nessa semana, Vettel pode igualar mais dois recordes: o de vitórias consecutivas totais (nove, de Alberto Ascari, conquistado ao longo de duas temporadas) e o de vitórias totais numa mesma temporada (treze, obtido por Michael Schumacher em 2004).

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ó OS TEEN*

* Por Flávio Gomes

Ah, não diga… Não sabe quem ganhou ainda no Texas? Ah, vá…

Domingo de sol, 30 graus, gente pacas. É bonito, o cenário de Austin. Pode ser que a F-1 nunca pegue nos EUA. Mas pegou no Texas. O que é ótimo e inesperado.

Novidade, Vettel largou bem e Webber, mal. Grojã assumiu o segundo lugar, Comandante Amilton pulou pare terceiro e o Canguru Desolado caiu para quarto. Logo na primeira volta Futil estampou no guard-rail, tocado por Gutierros, e o safety-car foi para a pista.

Como americano curte um safety-car e uma bandeira amarela para dar tempo de comprar um hot-dog, demorou, a relargada. Não precisava, a fome ainda não tinha batido, mas tudo bem. Só na quarta volta a bagaça recomeçou. Quem colocou mostarda, colocou. Quem não colocou, azar.

Vettel voltou a saltar na frente. Hulk passou Maria do Bairro Demitida e recuperou uma posição das duas que perdera na largada. A caravana do Velho Oeste seguiu em fila indiana para certo tédio dos caubóis nas arquibancadas, que aguardavam ansiosamente alguém sacar a pistola e chamar o vilão para um duelo. Mas nada aconteceu por algum tempo.

Embora o circuito ianque seja bonito e gostoso de guiar, não é dos mais fáceis para passar. A pirambeira no fim da reta dos boxes inviabiliza manobras pouco ortodoxas. Por isso, a primeira parte da corrida foi de estudos e administração da borracha, diante da perspectiva de uma parada para a maioria do grid — alguns tiveram de parar duas vezes. O público, na altura da 12ª volta, percebeu que podia sair para buscar o catchup sem medo de perder muita coisa.

Dava até para admirar os capacetes especiais preparados para os EUA, como o de Hamilton, homenageando Michael Jackson e o de Grojã lembrando Steve McQueen. Briga, mesmo, nada. Até que Webber, quando Hamilton ensaiava um “moon walk”, passou o inglês lindamente na volta 14. Por fora, no alto da colina. Sacou seu Colt do coldre e foi. Uau. Assumiu o terceiro lugar e começou a ensaiar uma caça a Grojã. Mas ficou no ensaio. Para um aposentado, uma ultrapassagem por GP, antes dos pit stops, está bom demais. Depois da parada a gente vê o que dá pra fazer.

Na volta 18, Kovalento foi para os boxes para saber como é que a Lotus faz pit stop, abrindo a larga janela de paradas. Colocou pneus de pau e voltou. Pneus conservadores, como disse Alonso. Quase republicanos. Alonso, que passou quase toda a primeira metade da prova atrás de Maria do Bairro, só passou quando o mexicano da McLaren foi para seu pit stop na volta 23. A luta era pelo sexto lugar, pouco glorioso, diga-se.

Só na 27 Fernandinho parou. E conseguiu voltar na frente do chefe do cartel de Tijuana, cirurgicamente. Vettel fez seu pit stop uma volta depois, trocou pneus e chapéu e seguiu em frente, esperando apenas Grojã parar para retomar a ponta. Estava muito previsível, esse GP. E foi na 30ª que o francês parou, voltando ao lugar que a ele parecia destinado desde a largada, segundo.

A esperança da Lotus de fazer pontos com Kovalento se foi quando, na volta 32, ele parou de novo para trocar pneus, bico do carro, garrafinha d’água, macacão e capacete. Voltou em 17°, sem chance de fazer mais nada. Bem mais à frente, Grojã também começava a ter problemas, porque Webber ficou animadinho depois da parada e começou a chegar. Novo ensaio, que ficou nisso durante algum tempo, até Mark resolver atacar de novo. Outro empolgado era Sapattos, surpresa do sábado, se segurando bem para fazer seus primeiros pontos na categoria.

A briga pelo segundo lugar era o que restava para a parte final de uma prova que, no fim das contas, foi menos boa do que merecia o enorme público nas arquibancadas. “Menos boa” é um eufemismo. Foi ruim, mesmo, o que é uma pena.

De qualquer forma, Webber preparou o bote sem muita vontade por voltas a fio, insinuando uma luta que acabou não acontecendo. Grojã cozinhou o marsupial com competência e mereceu o posto de “melhor dos outros”, sendo “outros” todos, menos Vettel.

Um pouco antes Alonso, como que para dar uma satisfação aos torcedores, foi para cima de Hülkenberg para buscar o quinto lugar. Acabou conseguindo na volta 45, mas não houve tempo para tentar o quarto, para cima de Hamilton. Ao contrário. Na última volta, o esverdeado da Sauber chegou a recuperar o quinto, para tomar um X na primeira curva. O quinto dos infernos ficou com o espanhol. E foi só. Tião, Grojã, Canguru, Comandante Amilton, El Quintón, Hulk, Maria do Bairro, Sapattos, Rosberguinho e Bonitton ficaram na zona dos pontos.

Sebastian ganhou a 12ª no ano, fez seus zerinhos, e com mais uma iguala a marca de 13 na mesma temporada que pertence a Schumacher, de 2004. É o que deve acontecer em Interlagos. Foi a oitava seguida, outro recorde, este agora absoluto. Nunca, na F-1, alguém tinha vencido tantas de forma consecutiva. Schumacher e Ascari têm sete.

Foi um samba de uma nota só, este Mundial.

Vettel, mais um recorde pra conta*

* Por Fábio Seixas

O quarto título já foi há tempos para o bolso macacão, o Mundial de Construtores também está decidido, não havia muito em jogo em Austin.

O que fazer, então?

Buscar mais um recorde.


Foi o que Vettel fez.

O alemão venceu com autoridade o GP dos EUA, 18ª e penúltima etapa da temporada. Foi sua 12ª vitória no ano, a oitava consecutiva. Daí o recorde.

Nunca, em 64 anos de história do Mundial de F-1, um piloto havia exercido tamanho domínio. Nunca ninguém havia vencido tantas provas em série.

É uma marca que merece respeito.

Vettel cada vez mais merece respeito.

Que piloto.

Na largada, ele controlou os ataques de Grosjean e de Webber e se manteve na ponta.

O francês pulou para segundo, com Hamilton em terceiro. Webber caiu para quarto.

Mais atrás, confusão. Sutil, que saiu em 16º, se estranhou com Maldonado, 17º. Pior para o alemão, que deu uma bela panca no muro. Safety car.

O top 10 na primeira volta, Vettel, Grosjean, Hamilton, Webber, Hulkenberg, Pérez, Alonso, Bottas, Di Resta e Ricciardo.

O safety car só saiu na quinta volta. De novo, sem problemas para Vettel, que controlou bem o pelotão e disparou na frente quando viu o subidão da primeira curva.

Duas voltas depois, o tetracampeão já tinha 2s9 sobre Grosjean. Começou o passeio.

Lá no fundo, Maldonado levou bandeira preta e laranja e teve de passar nos boxes para trocar o bico, afetado no choque da largada. Aproveitou e colocou pneus duros.

Coube a Webber, quem diria, a melhor manobra do começo da prova. Na 13ª volta, ele abriu a asa, mergulhou e ultrapassou Hamilton na curva 12. Aplausos.

Button tentou coisa parecida para cima de Massa, mas não conseguiu. A briga valia a 13ª posição. Eles já tiveram domingos mais gloriosos...

Na 20ª volta, a folga de Vettel para Grosjean já era de 7s8.

Completando o top 10, Webber, Hamilton, Hulkenberg, Pérez, Alonso, Bottas, Di Resta e Rosberg.

Na 21ª, Button entrou nos boxes e colocou pneus duros. Massa fez o mesmo na volta seguinte, e conseguiu se manter à frente.

Pérez, Di Resta, Ricciardo e Rosberg pararam na 23ª. Bottas, na 24ª. Hamilton, na 26ª. Alonso, na 27ª, ganhando a posição do mexicano da McLaren.

Vettel, Hulkenberg e Webber entraram na 28ª.

Na 29ª, Alonso passou Gutierrez e assumiu o sexto lugar.

Grosjean sentiu o gostinho de liderar por uma volta, mas não teve jeito: foi para os boxes e retornou à pista em segundo.

Janela de pits fechada, o top 10 tinha Vettel, Grosjean, Webber, Hamilton, Hulkenberg, Alonso, Pérez, Gutierrez, Bottas e Rosberg.

Webber, então, começou a pressionar. Na 32ª volta, a diferença entre os dois era de 1s1. Na 34ª, 0s9. Na 35ª, Grosjean reagiu: 2s. Na 36ª, já tinha 3s. Respirou.

Na 39ª, Massa fez seu segundo pit, uma mudança de estratégia para tentar salvar de alguma forma um final de semana desastroso. Não funcionou muito, continuou lá atrás.

E sejamos franco: o trecho final da prova foi monótono, com exceção de três lances.

Primeiro, a ultrapassagem de Alonso sobre Hulkenberg, na abertura da 45ª volta.

Depois, a reaproximação de Webber em relação a Grosjean.  A perseguição foi até a bandeirada, mas sem sucesso para o australiano.

Por fim, o duelo entre Alonso e Hulkenberg, vencido pelo espanhol.

Vettel cruzou a linha de chegada com 6s2 de vantagem para o francês, que colocou 0s4 no australiano.

Hamilton foi o quarto. Alonso ficou em quinto e assegurou o vice-campeonato de 2013, um prêmio de consolação.

Completando o top 10, Hulkenberg, Pérez, Bottas, Rosberg e Button. Massa ficou em 13º.

Agora é empacotar tudo e viajar para Interlagos.

Com uma certeza: Vettel vai querer ampliar ainda mais seu recorde. E buscar outros e outros e outros.

Assim são os grandes.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Explicando a superioridade de Vettel sobre Webber no RB9 – e a do carro sobre o resto*

* Por Luis Fernando Ramos


Em trinta voltas do GP de Abu Dhabi, Sebastian Vettel já tinha aberto mais de 30 segundos de vantagem na liderança. O que representa uma média de um segundo mais rápido por volta em cima de Mark Webber, que pilotava exatamente o mesmo carro. Uma demonstração de superioridade parecida com a que o alemão havia feito em Cingapura. Ambas pistas que premiam, acima de tudo, um carro com boa tração - assim como Montreal, outro corrida vencida com o pé nas costas.

Mas porque a do carro de Vettel parece tão mais eficiente do que a do carro de Webber? A explicação para isso está no melhor uso de um truque inteligente colocado no RB9 pelo projetista Adrian Newey: uma suspensão interativa que conecta os amortecedores através de um sistema hidráulico e faz com que o carro esteja sempre no equilíbrio e na altura ideais para aproveitar ao máximo a sua aerodinâmica.

É o mesmo princípio da suspensão ativa das “Williams de outro planeta” de 1992 e 93, também projetos de Newey. Só que o da Red Bull é totalmente mecânico, dentro do que permite o regulamento. O resultado do sistema é um carro que permite uma entrada agressiva na curva sem perder tração na saída.

- Se eu utilizar um acerto do carro para usar o volante na entrada da curva como Vettel utiliza, terei problemas na saída - afirmou Nico Rosberg ao site alemão “AutoMotor und Sport” ao rever imagens da câmera onboard do piloto da Red Bull. O piloto da Mercedes fala com conhecimento de causa. Em 2011, sua equipe experimentou um sistema parecido. Mas não obteve sucesso, com os engenheiros o considerando complicado demais para otimizá-lo.

Se o truque é genial, a qualidade de Sebastian Vettel explica sua diferença marcante para Mark Webber nesta temporada. Quando entra numa curva, o alemão vira bastante o volante, fazendo com o carro saia um pouco de traseira. O que ele corrige aliviando o acelerador numa fração de segundo antes de pisar fundo de novo.

Mark Webber não possui a mesma confiança para fazer os mesmos movimentos agressivos com o volante nas entradas de curva e saber que o carro vai responder de maneira positiva, sem a perda de controle que se esperaria de uma pilotagem assim. Numa volta rápida com pouco combustível, como na classificação em Abu Dhabi, o australiano mostra melhor adaptação ao sistema da suspensão interativa. Mas ao longo de uma corrida inteira, como o próprio Webber afirmou, Vettel está “em outro planeta”.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lágrimas e banho*

* Por Luis Fernando Ramos


Sebastian Vettel perdeu o controle. Não no circuito de Yas Marina em Abu Dhabi, no qual foi perfeito e conseguiu mais uma vitória incontestável, com mais de 30 segundos de vantagem para o concorrente mais próximo, seu companheiro de equipe Mark Webber. A perda de comando ocorreu na coletiva de imprensa, quando confrontado com o recorde de sete vitórias consecutivas numa temporada, que havia igualado de seu ídolo da infância, Michael Schumacher.

- É um choque ouvir isso. Qualquer tipo de recorde que envolva Michael é algo que te mexe. As pessoas vêem sete corridas, mas não o desafio envolvido para acertar cada uma delas. É excepcional o fato de termos combinado tudo. Pit-stops, confiabilidade, tudo precisa se juntar. Os números não são importantes para mim mas, ao mesmo tempo, eles me deixam muito orgulhoso - falou o tetracampeão.

Foi uma vitória com sua marca registrada. Segundo no grid, Vettel largou bem para assumir a liderança antes mesmo da primeira curva. Depois, imprimiu um ritmo alucinante. Abriu 30 segundos de vantagem em trinta voltas e depois só administrou a vantagem até o final. Para Webber, o pole position, só restou conceder a derrota.

- Não acho que a largada tenha sido decisiva para meu resultado. Sebastian estava em outro nível. Obtive o resultado máximo mesmo se eu tivesse liderado depois do início. Ele estava rápido e muito forte aqui - reconheceu.

Vettel voltou a fazer “zerinhos” para celebrar seu triunfo. Escaldado pela multa de 25 mil Euros que recebeu pela mesma ação na Índia, ele está confiante que não será penalizado dessa vez.

- Tecnicamente, não fiz nada de errado pois levei o carro de volta ao parque fechado. Acho que cumpri as regras. Estava simplesmente feliz. Há uma espécie de “estádio” no traçado, há pessoas em toda a volta e acho que elas adoraram!

Na briga pelo vice-campeonato de Construtores, o dia foi bom para a Mercedes, que colocou Nico Rosberg no pódio em terceiro e, com Lewis Hamilton ainda em sétimo, abriu 334 pontos contra 323 da Ferrari. A Lotus foi prejudicada com o abandono prematuro de Kimi Raikkonen e está agora em quarto lugar com 297 pontos. Não que ele se importasse  com isso. Minutos depois de voltar aos boxes, colocou o chinelo e pegou o carro para deixar o circuito, numa cena insólita.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O demolidor*

* Por Rodrigo Mattar

Ele já é tetracampeão, mas a sanha de Sebastian Vettel em busca de recordes e mais recordes na Fórmula 1 não pára. O piloto da Red Bull conquistou hoje no GP de Abu Dhabi talvez a sua mais enfática vitória em 2013, a sétima consecutiva na atual temporada, igualando a marca histórica do compatriota e multicampeão Michael Schumacher. Foi a 37ª vez em que o “Colosso de Heppenheim” chegou ao topo do pódio, a quatro vitórias da marca de Ayrton Senna.

Mais: trata-se do sexagésimo pódio do piloto em toda a sua carreira de 118 GPs, igualando Nelson Piquet – só que na razão de um para cada duas corridas. Querem mais? Foi o 100º pódio da história da Red Bull, hoje a equipe a ser superada na categoria. Os rubrotaurinos celebraram também a 15ª dobradinha da dupla Vettel-Webber. Talvez as parcerias Prost-Senna nos anos de ouro da McLaren e Schumacher-Barrichello na Ferrari tenham sido tão ou mais profícuas que esta que reporto agora, mas a memória não me é amiga neste momento.



E quando falo que a vitória de Vettel foi enfática na antepenúltima corrida do campeonato, basta olhar a diferença que o separou de Webber na quadriculada. Exatos 30″829, praticamente um terço da distância da pista de Yas Marina. E ainda há quem diga que só o carro faz a diferença em favor do tetracampeão. Ok, então… podem continuar acreditando nessa ladainha.

O piloto da Red Bull voltou a comemorar com estilo e deu os “zerinhos” com que celebrou o tetra em Buddh, na semana passada. Desta vez, sem a interferência da FIA, que na ocasião passada multou a equipe porque Vettel parou o carro longe do parque fechado. Agora foi diferente e ele passou incólume de uma nova reprimenda da entidade máxima do desporto automobilístico.

A corrida, em si, foi desprovida de grandes emoções diante de mais um massacre de Vettel. Nem Kimi Räikkönen, cuja participação foi posta em sérias dúvidas diante da falta de pagamento por parte da Lotus, conseguiu dar algum brilho ao GP de Abu Dhabi, como era esperado: o vencedor do ano passado largou de último em razão de uma irregularidade em seu carro e logo na primeira volta pegou uma Caterham pela proa. Fim de prova prematuro para o finlandês, que não quis nem saber: fardou-se de roupa comum, com direito a prosaicos chinelos de dedo e foi para o hotel, provavelmente chorar as mágoas dos mais de € 13 milhões que a equipe lhe deve abraçado com uma “marvada”.

Na briga pelos milhões da receita auferida às equipes pela classificação do Mundial de Construtores, a Mercedes construiu mais alguns tijolinhos de vantagem em relação à Ferrari. Com o pódio de Nico Rosberg e a apagada 7ª colocação de Lewis Hamilton, a equipe alemã chegou ao total de 334 pontos contra 323 da Ferrari, que chegou hoje ao total de sessenta e cinco corridas consecutivas com pelo menos um carro na zona de pontuação – novo recorde histórico na Fórmula 1.

A performance da equipe italiana foi mediana, mais uma vez. Massa até figurou por oito voltas em 2º lugar e Alonso andou, no máximo, na 3ª posição, vindo de décimo no grid. Mas a estratégia de tentar fazer uma só parada não deu certo para o brasileiro, que acabou na oitava posição. Alonso, que largou com pneus macios, também trocou duas vezes e no fim, fez as voltas mais rápidas da corrida. Envolvido em mais uma polêmica na Fórmula 1 – já que voltou perigosamente dos boxes após sua última parada, investindo furiosamente para cima da Toro Rosso de Jean-Eric Vergne, com direito a uma “pisada” na linha dos boxes – o espanhol ficou livre de uma punição que o teria derrubado substancialmente na classificação final da corrida. Acabou em 5º lugar, a quilométricos 1’07″181 de Vettel. A Ferrari, como dizem por aí, é apenas e tão somente uma equipe histórica.

Os demais destaques foram o ótimo 4º lugar de Romain Grosjean (quarta corrida seguida nos pontos); a Force India com seus dois carros na zona de pontuação – pela segunda corrida consecutiva, aliás, o que não acontecia desde o GP da Inglaterra; e mais uma vez Sergio Pérez salvando a honra da McLaren num dos piores anos da história do time.

E foi tudo. Agora é esperar por Austin e pela movimentação no mercado de pilotos. Hoje, o oráculo finalmente admitiu o que já se sabe há alguns dias, acerca do futuro de Felipe Massa ligado à Williams. Também saberemos se Räikkönen e a Lotus vão chegar finalmente a um acordo e se o finlandês vai de fato correr no Texas e em Interlagos, nas duas corridas finais da Fórmula 1.

FOTO DO DIA


Vettel, um passeio por Abu Dhabi*

* Por Fábio Seixas

Título no bolso, Vettel passeou neste domingo em Abu Dhabi.

Um passeio veloz, com direito a um novo recorde para a coleção.

Foi sua sétima vitória seguida, igualando Ascari (nas temporadas de 52 e 53) e Schumacher (em 2004). Em Austin, ele deve se isolar nesta estatística.

(Repito aqui a pergunta que mais fiz neste ano: alguém duvida?)

Um GP sem emoções lá na frente, embora agitado um pouco mais atrás.

Na largada, Webber, como sempre, esqueceu de largar.

Vettel agradeceu e pulou para a ponta. Começou ali seu passeio.

Rosberg assumiu a segunda posição, o australiano caiu para terceiro.

Saindo em último, por conta de uma irregularidade no assoalho verificada no sábado, Raikkonen acertou Pic e, com a suspensão destruída, abandonou. Foi embora do circuito ainda com a corrida rolando...

Completando o top 10 ao fim da primeira volta, Grosjean, Hamilton, Hulkenberg, Massa, Alonso, Pérez e Di Resta.

Na terceira volta, Button, com a asa dianteira danificada, foi para os boxes e aproveitou para colocar um novo jogo de pneus macios. Pelo rádio, Webber relatava problemas com o Kers.

Maldonado parou na sexta. Pérez e Chilton, na sétima. Hamilton e Ricciardo, na oitava. Webber e Grosjean, na nona. Hulkenberg, na décima. Todos colocaram médios.

Vettel? Já tinha, na décima volta, 11s2 sobre Rosberg, então o segundo colocado _que, reclamando muito dos pneus, parou logo depois.

O tetracampeão entrou na 14ª e retornou à pista na liderança.

Com bom ritmo, Massa sustentava a segunda colocação, seguido por Alonso.

O espanhol fez seu pit na 17ª volta. Massa só parou duas depois. As Ferrari davam pinta de que fariam apenas uma parada.

Com Vettel disparado lá na frente, Massa protagonizou a melhor ultrapassagem da prova, na 26ª volta. Enquanto Hamilton tentava superar Sutil, o brasileiro mergulhou e ganhou a posição do inglês. Na sequência, o ferrarista passou também o alemão e assumiu o quinto lugar.

Aplausos nos boxes.

Hulkenberg e Pérez abriram a segunda janela de pits na 28ª volta _a Sauber liberou o alemão de forma imprudente, ele quase acertou o mexicano no pit lane e acabou levando um drive through.

Vettel tinha então 28s9 (!!) sobre Webber, seguido por Rosberg, Grosjean, Massa, Hamilton e Alonso.

Hamilton foi para os boxes na 30ª volta e colocou um novo jogo de médios.

Continuando seu passeio, Vettel cravou a melhor volta da corrida na 31ª e aumentou para 30s3 sua folga para o piloto com o mesmo carro.

Webber e Rosberg entraram na 34ª. Vettel, três voltas depois.

E Alonso chegou em Massa. O espanhol tinha pneus duas voltas mais gastos, mas a vantagem de poder usar a asa traseira. Haveria briga na pista?

Não. Porque a Ferrari chamou o brasileiro para os boxes, na 38ª volta. Ficou com cara de mudança de estratégia.

Uma parada só não era mesmo uma boa ideia...

No pit, um contratempo no pneu dianteiro esquerdo tirou ainda alguns segundos do brasileiro. Ele voltou à pista atrás de Hamilton.

Vettel? Continuava o passeio e, na 39ª, cravou a melhor volta da prova de novo _por alguns instantes, Rosberg havia tomado essa condição, que ultraje!

Alonso foi para os boxes na 45ª. E saiu dos boxes feito um louco, para ganhar a posição de Massa.

Nessa, quase acertou o meio do carro de Vergne, que estava por ali. Acabou colocando as rodas na área de escape e se manteve à frente do companheiro.

A FIA ficou de investigar após a corrida. Já vi gente ser punida por manobras semelhantes...

Ah, sim: Alonso fez a melhor volta da prova na 48ª e Grosjean o superou na seguinte. Vettel tomou de volta na 51ª. Alonso deu o troco na 52ª e melhorou ainda mais na penúltima. Essa não deu pro alemãozinho.

Na linha de chegada, Vettel mandou 30s8 sobre Webber. Rosberg completou o pódio.

Grosjean ficou em quarto, seguido por Alonso, Di Resta e Hamilton. Massa cruzou em oitavo. Pérez e Sutil completaram o top 10.

Na comemoração, depois de dizer que ama a equipe, Vettel desafiou a FIA e deu zerinhos na área de escape. Virá uma nova multa, com certeza. Só espero que a chatice dos burocratas fique por aí.

Com o resultado, a Mercedes aumentou sua vantagem para a Ferrari na luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores: de quatro para 11 pontos.

E Alonso praticamente sacramentou o vice-campeonato, abrindo 34 pontos sobre Raikkonen.

Vettel já está alheio a tudo isso.

Ele só quer é passear...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vettel é tetra e crava ainda mais seu nome na história; agora precisa de mais adversários*

* Por Felipe Motta

Bom dia a todos! A corrida de ontem na Índia confirmou ainda mais o que todos nós já sabemos há algum tempo: Sebastian Vettel está cravado na história da Fórmula 1. Parece brincadeira, mas um “moleque” de 26 anos não para de assombrar o mundo das corridas.

Na Índia Vettel venceu mais uma, a décima no ano, a sexta consecutiva. Esse massacre nas últimas etapas ajuda até a diminuir o mérito do alemão, que foi brilhante nas primeiras etapas quando a Red Bull não tinha sobra para a concorrência – em algumas etapas, inclusive, sequer era o carro mais rápido.

O alemão não para de evoluir. Onde vai parar? Cedo dizer. Mas seus números ainda irão inflar bastante. De qualquer forma, hoje no Fim de Jogo da Jovem Pan, bati um papo com Claudio Carsughi e Tiago Mendonça. O Tiago lançou a pergunta se o Vettel precisa de um rival à altura (não que Alonso e Hamilton não sejam) para ser menos questionado ou até mais admirado.

Minha opinião é que sim. Não que ele deva provas a nós. O que vem fazendo está acima de qualquer suspeita. Ainda assim, um grande rival é fundamental na vida de qualquer esportista. Ayrton Senna não seria Senna sem Alain Prost, e Prost não seria Prost sem Senna. Isso vale para todo grande piloto de F-1 e qualquer esportista.

Por esse motivo, seria importante para Vettel ter Alonso, Hamilton e outros pilotos com bons equipamentos para que hajam mais duelos, brigas na pista e polêmicas fora dela.

Mas que fique claro. Não compartilho da ideia que Vettel obtém tudo somente por seu carro. Claro que seus números são turbinados, mas ele é bem mais do que muita gente ainda duvida que ele seja.

Um cara iluminado*

* Por Luis Fernando Ramos

O segredo do sucesso de Sebastian Vettel está aqui. E agora.

Vivendo o presente, trabalhando um dia de cada vez, o piloto alemão de 26 está escrevendo uma história de sucesso inacreditável. Já possui quatro títulos mundiais numa idade em que Juan Manuel Fangio estava disputando suas primeiras corridas na Argentina, Alain Prost conquistando suas primeiras vitórias na F-1, Michael Schumacher comemorando seu segundo título na categoria. Só estes quatro foram campeões tantas vezes.

“É incrível pensar no que aconteceu nos últimos anos, mas nada mudou na maneira que eu amo as corridas. Eu adoro o desafio, ainda fico nervoso quando acordo no domingo, ansioso quando ando pelo grid e tenso na expectativa da corrida. Não desfruto dos números, mas do fato de estar competindo. É o que mais me anima. Adoro troféus então não me importo em colecionar alguns”, explica o piloto da Red Bull.

Quem convive com Vettel enxerga essa entrega total ao momento. Nos finais de semana de corrida, é sempre um dos últimos a deixar o autódromo, saindo de longas reuniões com os engenheiros da equipe para ainda trocar umas palavras com os especialistas da Pirelli sobre o comportamento dos pneus. Nas entrevistas, é um dos raros que não responde de forma automática perguntas muitas vezes repetitivas. Ele escuta cada uma com paciência e dá uma resposta prolongada e completa. Diante dos microfones também está 100% presente.

A dedicação é tanta que o alemão não deixa nada influenciar a sua dedicação ao trabalho. Familiares, amigos e a namorada Hannah, que conheceu nos tempos de colégio, quase nunca aparecem no paddock. Mas o tempo reservado à eles também é sagrado: empresário de si mesmo, Vettel acertou com a Red Bull que alguns dias entre as corridas é reservado à sua vida privada. O celular fica desligado e o piloto afirma ser um tempo para “recarregar as baterias”. As dele, não do aparelho, claro.

A temporada de 2013 serviu para derrubar alguns mitos. Vettel tirou o melhor do carro em todas as etapas, sem exceção. Provou na Malásia ter o egoísmo dos campeões para fazer prevalecer sobre a própria equipe o seu desejo de vencer. Provou no Japão ser capaz de triunfar mesmo tendo de recuperar terreno depois da largada. Provou com uma temporada irretocável que é sim o melhor piloto do grid atual.

“Foi um ano difícil para mim pessoalmente. Receber vaias, ainda que você não tenha feito nada de errado, superar isso, dar a resposta certa nas pistas e finalmente receber a aceitação que nós pilotos buscamos... me dá muito orgulho me juntar a pilotos como Prost, Fangio e Schumacher. É inacreditável”, celebrou no pódio, após uma bonita festa no meio da pista com direito a “zerinhos” e festa com o público nas arquibancadas, punida com reprimenda e multa por parte dos comissários de maneira prevista e desnecessária.

Assim como são previstos e desnecessários os ataques a um piloto que trabalhou duro junto de toda uma equipe para criar uma era de domínio - vale lembrar que o número de vitórias da Red Bull antes da chegada de Vettel (mas três anos depois da de Newey) era zero.

Fica o exercício de imaginar o que pode alcançar quando tiver a experiência de um piloto acima dos 30. Exercício para nós, entenda-se. Ele está muito ocupado vivendo o presente para se preocupar com o futuro.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

RED BUDDH*

* Por Flávio Gomes

Vettel é um campeão que sorri. Isso é legal. Não faz caras e bocas e não transforma um título mundial num dos trabalhos de Hércules. Era o Hércules ou o Asterix que tinha lá um monte de trabalhos a realizar?

Seja como for, se forem sete trabalhos a realizar Tiãozinho já concluiu quatro deles. E como é muito jovem, apenas 26 anos, tem tempo de carreira pela frente para encarar um eventual ciclo vitorioso de outra equipe e, ainda assim, chegar aos sete um dia.

Sete é um número mágico como era o número cinco, até Schumacher igualar o penta de Fangio. Michael esticou as referências, deixando para seus sucessores a tarefa muito dura de chegar às suas marcas. Elas ainda estão distantes, mas é possível acreditar que poderão ser batidas. Eu só não imaginava que seria tão rápido. Schumacher não é um retrato na parede. Até o ano passado estava correndo. Mal saiu, já apareceu outro.

O fato de também ser alemão não é coincidência. Como não foi coincidência a sequência Emerson-Piquet-Senna dos anos 70 aos 90. Sucesso puxa sucesso, estimula a competição interna, mais gente passa a praticar o esporte, e da quantidade sai qualidade.

Vettel é um gênio de sua raça e continua sorrindo como um garoto porque é isso que é, um molecote que começou muito cedo e sempre mostrou ser especial. Já está entre os maiores da história, claro, mas se comporta como se fosse um mero… ganhador de corridas. Talvez essa noção de que é um dos maiores nomes do esporte de todos os tempos só venha a fazer parte de suas preocupações no futuro. Por enquanto, ele quer é vencer corridas, o que é muito gostoso.

São 36 na carreira, dez neste ano e seis seguidas. Com mais uma, iguala os recordes de vitórias consecutivas de Schumacher e Ascari. Michael ganhou sete sem tirar em 2004. Ascari, entre 1952 e 1953. A marca do italiano poderia ser ainda mais ampla se as 500 Milhas de Indianápolis não fizessem parte do Mundial nos anos 50 — uma situação esquisita, a prova era parte do campeonato, mas apenas americanos corriam lá; eram raríssimas as participações de alguém da F-1. Ascari ganhou sete, pulou Indy e venceu mais duas. Na real, ganhou nove em sequência. Para as estatísticas, no entanto, o que vale são as sete. Sete de novo.

Quando terminou a prova hoje, Vettel foi para o meio da reta, deu zerinhos, saudou o público, jogou suas luvas para a torcida e fez o gesto mais significativo do dia: ajoelhou-se diante de seu carro e fez uma reverência respeitosa ao seu colega de quatro rodas.

Em tempos de culto ao hedonismo, em que ninguém divide méritos e vitórias com ninguém, Vettel repartiu sua conquista com um automóvel — e seu criador, claro, Adrian Newey.

Ele só é campeão porque tem carro, vão se apressar a dizer alguns hoje. O gesto de Vettel diante de seu RB9, nome feio e sem graça para um carro, assim como Red Bull é um nome feio e sem graça para uma equipe, encerra essa discussão. É claro que ele só é campeão porque tem carro. A F-1 é um campeonato de carros guiados por pilotos. Ninguém pode ser campeão sem carro numa competição de carros.

Mas é preciso alguém lá dentro para fazer de um carro um campeão. Vettel fez isso quatro vezes, como Fangio e Schumacher, dois semideuses — até hoje os únicos que tinham conquistado quatro taças seguidas. Por melhor que sejam um carro e uma equipe, poucos são capazes de transformar essa mistura em títulos sem deixar a peteca cair num meio tão tenso e competitivo como é a F-1.

Vettel consegue porque sabe competir e porque deixa a tensão para os outros. É um garoto que sorri quando ganha. Suas vitórias não são sofridas, dolorosas, ressentidas, não são odisseias épicas escritas com sangue, suor e lágrimas. São vitórias, apenas. Simples vitórias em corridas de carros. Esse menino encara seu ofício com simplicidade. Por isso que a conquista de hoje, um tetracampeonato mundial de F-1, um negócio difícil pra burro, parece ter sido tão fácil.

Quando se vive a vida com simplicidade, as coisas ficam mais simples, acho que é isso.