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segunda-feira, 5 de maio de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

SENNA ESPECIAL: Série "Ayrton Senna do Brasil", episódio 2 (TV Globo, 2014)

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segunda-feira, 7 de abril de 2014

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

GP BRASIL F1 2013: PREPARATIVOS NA ÉPOCA JURÁSSICA (ANOS 70)*

* Por Dr. Roque

Semana de GP, a divulgação nos anos 70 eram um pouco maiores, talvez pelo Emerson, Pace, Copersucar, Piquet... Os ingressos eram vendidos quase em cima da hora, no máximo um mês antes, como não havia internet, era um tal de telefonar para o ACP (Automóvel Clube Paulista), Jovem Pan, Bandeirantes para ver os locais de venda. Ou mais simplesmente ir aos guichês de Interlagos.

Ingressos em mãos, vem a preparação: nos anos 70, quem tem barraca? Aqui sempre a escolha era pelo Rubens (Rubens Miele, hoje advogado e residindo em Ribeirão Preto e apesar da distância, amigo e irmão), ao final era o único que tinha barraca!!! Quem seria o piloto, aqui sem dúvida era o meu primo Luiz, afinal era o único que tinha uma Kombi (as aventuras ou desventuras com o carro e piloto, já foi descrita em outro “capítulo”).

A terceira duvida: quais seriam os quitutes? Esta é fácil, pão Pullman e queijo prato ou mussarela. Geralmente um pacote para os três dias!!! E naquele tempo latinha de cerveja era coisa rara, tínhamos de procurar distribuidores para tentar conseguir algumas, afinal elas tinham duas finalidades: serem esvaziadas de seu precioso líquido e após algum tempo serem cheias com o resultado de se tomar o precioso líquido. Tempos em que não havia banheiros químicos, então tínhamos já naquele tempo uma consciência ecológica, a reutilização da lata com o líquido reciclado. Ah, a quantidade de latinhas era de aproximadamente 2 caixas por cabeça, viram a finalidade das latinhas??? Afinal com o calor de janeiro, devíamos estar sempre hidratados.

À noite, o tradicional lema do Retão, ou das barracas era o famoso: “Nóis é nóis e o resto é bosta, nóis é nóis e o resto é bosta, nóis é nois que o resto é bosta, é di nóis que o povo gosta!!!” O tema poderia ser aplicado ao horário político. Ah, a música base era o Glória, Glória Aleluia!

Geralmente na hora da corrida, domingo a tarde a maioria do pessoal dormia, afinal foram 3 dias de sol, que parecia nos fazer de churrasco. Na semana após o GP, era um tal de passar tudo que era pomada para tentar diminuir as queimaduras...

O retorno era um tal de tentar primeiro achar a Kombi, afinal ela tinha sido “estacionada’, outra era ver o estado etílico do piloto... e o mais legal, na chegada em casa o mutirão era para se lavar a barraca... e haja mangueira, sabão e muito palavrão ao se recordar o resultado da corrida.

Hoje o retão não existe mais, ou melhor, a GGOO e o setor G, ficam nele (quase em cima da curva 3), os dinossauros foram os primeiros que habitaram este território há quase quatro décadas atrás. Então preservem a história. Alguns já viram até vídeos de 1977, e este que vos escreve, sentado tranquilamente (ou congelado de pavor...) sobre o muro vendo as pancadas dos carros abaixo, motivadas por um remendo mau-feito no asfalto e neste ano, para piorar a vitória foi de um argentino...

Após 80, corridas foram para o Rio de Janeiro e por nove anos estiveram ausentes de Interlagos.

Dr. Roque, dinossauro remanescente.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

S.O.S automobilismo brasileiro

A situação do automobilismo brasileiro requer um pedido de S.O.S., ao estilo Titanic. Há tempos, desde que Cleyton Pinteiro foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, este blog e o ex-blog vêm cobrando atitudes benéficas para o esporte neste país.

Infelizmente, não é o que temos visto. Desnecessário dizer que esta administração é a mais inapetente da história – uma das que mais deixou perecer categorias. aliás e a propósito. Basta dizer que, num curto espaço de tempo, chegaram ao fim a Copa Fiat (antigo Trofeo Linea), a Fórmula Futuro, a Copa Peugeot de Rali, o Brasileiro de Spyder Race, o Mini Challenge, a Top Series, o Audi DTCC e a Copa Montana. Esta última foi a única substituída pelo chamado Campeonato Brasileiro de Turismo.

Apesar desse rol assustador, as federações referendaram a permanência do mandatário em seu cargo e ele foi reeleito para permanecer como presidente da entidade por mais quatro anos. Aliás, é um critério bastante discutível esse que permeia a eleição da CBA.

Tão discutível quanto a atuação da Federação de Automobilismo do Distrito Federal na sua esfera administrativa, com o chamado “autoduto” e uma roubalheira de fazer inveja aos anões do orçamento e ao pessoal do mensalão, na mesma Brasília que hoje é palco de alguns dos maiores escândalos do automobilismo nacional.

Não bastasse as denúncias apuradas pelo site Grande Prêmio, a situação do autódromo de Brasília, inaugurado em 1974, beira a tragédia. Sem receber grandes reformas de estrutura e melhorias desde que foi erguida, a pista vai de mal a pior e mais uma vez assistimos um show de horror durante o fim de semana da 5ª rodada dupla do Brasileiro de Marcas e 6ª da Fórmula 3 Sul-Americana.

Aliás, o certame tido como continental beira o fundo do poço com uma quantidade pífia de carros na pista. Foram apenas seis carros no circuito externo planaltino – quatro da classe principal e dois da Light. Pelo visto não adiantaram os esforços em reduzir os custos da categoria. Não é todo mundo que dispõe de orçamento à altura para manter equipamentos importados (chassis Dallara italiano e motor Berta argentino) e muito menos existe incentivo da CBA e da Codasur para a permanência da F-3 como esteio de jovens valores para o tão combalido automobilismo brasileiro.

A CBA provou sua inépcia ao tentar organizar a chamada Fórmula Júnior por mais de uma vez e hoje os gaúchos dão um show de competência ao manter a competição viva. Esse certame e a Fórmula 1.6 são – além da Fórmula Vee de São Paulo – os únicos que trabalham a transição do piloto jovem do kart para o monoposto no país. São alternativas boas e baratas. Só não vê quem não quer. E há quem infelizmente não queira ver.

Não deixa de ser risível quando o presidente da CBA sorri daquele jeito característico e afirma, com todas as letras, que a base rende frutos. Se rendesse, não estaríamos nessa entressafra que caminha a passos largos no automobilismo internacional e uma das fases do Campeonato Brasileiro de Kart, no Eusébio (CE), não teria sido marcada pelo absoluto desastre que foi o asfalto se desprendendo em pedaços.

E aí, diante de tudo isso, pergunto: quantos pilotos, de fato, nós podemos contar para o futuro? Quem realmente tem potencial para fazer uma boa campanha lá fora?

Ok… hoje temos Augusto Farfus muito bem no DTM, João Paulo de Oliveira com o nome feito no automobilismo japonês, Lucas di Grassi a caminho de se tornar piloto fixo da Audi no WEC e Bruno Senna provando, como todos os outros que citei, que existe vida além da Fórmula 1. Sem contar Nelsinho Piquet e Miguel Paludo na Nascar e os já estabelecidos Tony Kanaan e Hélio Castroneves na Fórmula Indy.

Já na chamada categoria máxima, a situação é preocupante. No caminho da Fórmula 1, só Felipe Nasr, que em dois anos de GP2 jamais venceu uma corrida na categoria de acesso. O xará Massa ainda não está garantido para 2014 e, contrariando as expectativas, poderá ter que lançar mão do expediente de pagar por sua vaga e se tornar, ora vejam, um pay driver. A que ponto chegamos…

Voltando ao que aconteceu em Brasília: os pilotos se submeteram ao vexame de correr, neste fim de semana, numa pista onde foram construídas à guisa de gambiarra, logicamente, três lombadas na saída de algumas curvas do traçado, para que os pilotos não tirassem benefício do acostamento.

Muito bem: lombada é um negócio que eu não gosto no trânsito – que dirá num autódromo. Lombada é excelente para Rali e Motocross. Para circuito fechado, é uma brincadeira de mau gosto, um acinte. E essa brincadeira quase saiu muito caro.


Na corrida de ontem da F-3 em Brasília, o piloto Raphael Raucci foi vítima de uma destas lombadas: o piloto decolou ao passar por cima de um desses indesejáveis obstáculos, dando um impressionante voo de 25 metros com seu Dallara F308. Evidente que o carro teve danos, Raucci abandonou a corrida e o prejuízo foi material, financeiro e esportivo, pois o piloto perdeu a liderança do campeonato para Felipe Guimarães.

Rogério Raucci, o pai do piloto, que investe na carreira de Raphael e de seus outros filhos, no automobilismo, fez um desabafo com grande propriedade no facebook, que reproduzirei ipsis litteris aqui embaixo.

“Hoje foi um daqueles dias em que a vida passa na nossa cabeça como um raio!

Quem me conhece sabe que sou um cara super dedicado à minha família e às coisas em que acredito. 

Quem me conhece sabe que sou amante do automobilismo e apoiador do esporte!

Quem me conhece sabe que eu sempre lutei para que os regulamentos e as normas sejam respeitadas.

Hoje estou chocado!

Meu Deus, estou colocando as pessoas mais importantes da minha vida em um esporte de risco, cujo risco é estupidamente aumentado pela incompetência, arrogância, ignorância e descaso de alguns assessores e colaboradores da CBA!

Como alguém em sã consciência pode colocar aquelas lombadas nas saídas de curva do Autódromo de Brasília?

Sabem qual foi a explicação? “Essas lombadas estão aí para evitar que o piloto use a área de escape além da zebra.”

Então as lombadas foram colocadas propositalmente e com o objetivo real de penalizar o piloto caso ele desse uma de espertinho e usasse mais pista do que o permitido.

Ótimo, caso ele não consiga evitar a área de escape ele morre?

Foi isso que poderia ter acontecido hoje! Um do seus tesouros poderia ter se machucado.

A organização está tirando as lombadas agora, estive na pista e filmei tudo. Pasmem, teve gente que não gostou da minha filmagem. Talvez eu devesse perguntar a ele se fosse o filho dele que estivesse exposto ao risco o que ele faria.

Vamos tratar desse assunto com a serenidade que o assunto merece e vamos nos unir à CBA para evitar que esses péssimos assessores e responsáveis pelas vistorias de pista continuem a cometer esses desmandos e sejam responsabilizados e afastados.”

Some-se a esse completo desastre o fato de que a sinalização aos pilotos do Marcas e da Fórmula 3 foi improvisada, totalmente “nas coxas”, graças à iniciativa do Guará Motor Clube, comandado pelo mentor do “autoduto” de Brasília.

Vai mal, muito mal, o automobilismo brasileiro.

Categorias morrem, circuitos são extintos, kartódromos destruídos, as montadoras preferem patrocinar Copa do Mundo e Olimpíadas (e quem investiria num automobilismo tão mal gerido?) e o presidente da CBA continua achando tudo lindo e rindo, como se nada acontecesse.

Sim, está acontecendo o desastre diante dos nossos olhos. Se não houver união em torno de um nome de consenso capaz de reerguer o esporte desse momento terrível que ele vive, a morte do esporte no país será infelizmente decretada de fato – porque na visão de muitos, o automobilismo aqui já morreu faz algum tempo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Em Duas Rodas: Entrevista com Eric Granado.

Embora esteja pesquisando uma matéria própria e tentando um contato exclusivo, ainda sem sucesso, compartilho uma entrevista com o piloto brasileiro de Moto3, Eric Granado.

Para quem gosta de motovelocidade, como não invejar esse brasileiro que teve que esperar completar 16 anos para poder disputar o mundial? Depois da sua estréia na Moto2, com 16 anos, o piloto fala do seu campeonato na Moto3:

Fonte:motonline 

Balanço da primeira metade da temporada Eric –

Este ano eu estou aprendendo muito. Na categoria de Moto3 as motos são muito semelhantes e as diferenças entre a maioria dos pilotos são mínimas; é uma categoria difícil, mas divertida. Nesta primeira parte do ano, tivemos altos e baixos. Felizmente o nosso melhor resultado foi um grande resultado. Acho que faltou um pouco de ritmo e tentar ser mais consistente em todas as corridas. Mas estamos aqui para aprender e estamos chegando nesse objetivo. É a primeira vez que estou em uma equipe tão profissional, está me ajudando a ter um monte de experiência. Cada prova melhora a minha condução e os meus sentimentos, é o que realmente importa. O chassis Kalex cada dia me dá mais confiança, agora eu só preciso melhorar em alguns aspectos, como a concentração, por exemplo.

Qual pista você prefere?

Eric – Da Itália, sem dúvida. Foi a minha melhor prova até agora.

 Eliminaria alguma prova, se pudesse?

Eric – O fim de semana na França foi muito difícil porque eu não conhecia o circuito de Le Mans. A primeira corrida no Qatar também foi difícil pois não haviam referências.

O que está faltando para Eric Granado para ser melhor ainda?

Eric – Eu preciso aprender a ficar mais calmo. Fico muito nervoso entre os treinos oficiais e a corrida e isso me leva a cometer erros quando estou sobre a moto. Quando piloto mais solto sou muito melhor. Por isso preciso aprender a manter a calma. Em Mugelo eu consegui manter-me tranquilo e tudo aconteceu muito melhor.

O que você melhoraria na moto?

Eric – Temos um bom conjunto, a moto está em um nível ideal. Além disso, a motocicleta é Kalex completa. Seu chassi ajuda a ter muita tração e o motor é bastante poderoso. Talvez nos falta um pouco mais de energia em comparação com a KTM, mas eu estou muito feliz com a minha moto. Francamente, não há muito a melhorar. Também tenho uma grande equipe que sabe como manter a moto no seu nível máximo. Talvez eu pedisse um pouco mais de velocidade máxima.

O que você espera da segunda metade da temporada?

Eric – Pessoalmente acho que a segunda parte é a mais bonita. Todo mundo tenta ir mais rápido e é hora de mostrar todo o trabalho realizado, tanto na pré-temporada e na primeira parte do ano. Aprendi muito nas primeiras nove corridas e daqui para frente, até o final da temporada, quero provar que sou capaz de conseguir bons resultados, como em Mugello. Meu objetivo é marcar pontos na maioria das corridas.

O que você planeja para as férias?

Eric – Voltar ao Brasil para estar com a minha família. Também quero ver os meus amigos, e continuar a preparação física e prática de motocross.

Quem tem sido mais forte na primeira metade da temporada?

Eric – Nas últimas corridas Salom tem sido muito forte e também muito inteligente. Mas os três primeiros colocados na classificação geral são todos muito fortes.

Dos circuitos restantes, qual você mais gosta?

Eric – O circuito de Motorland é muito legal e eu também acho o da Malásia. Sepang é incrível, se encaixa muito bem ao meu estilo de pilotagem, porque é uma pista rápida e eu adoro as curvas rápidas. Estou convencido de que lá podemos conseguir um bom resultado.

Depois das férias, há dois trios em menos de três meses. Uma vantagem ou desvantagem?

Eric – Por um lado é complicado, porque se você se machucar em uma corrida não tem tempo para se recuperar. Mas por outro lado é positivo estar em ação por três semanas seguidas. Andar de moto no domingo e na outra sexta-feira já estar sobre ele de novo, e estar mentalmente preparado para suportar tanta ação é ótimo, porque não dá tempo de esfriar, já que tem que estar preparado novamente para a ação em curto intervalo. Não dá tempo de perder as sensações, e isso faz com que se melhore a cada nova corrida.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

REPLAY: F-INDY - TODAS AS VITÓRIAS BRASILEIRAS EM INDIANÁPOLIS

1989 - Emerson Fittipaldi
1993 - Emerson Fittipaldi
2001 - Hélio Castroneves
2002 - Hélio Castroneves
2003 - Gil de Ferran
2009 - Hélio Castroneves
2013 - Tony Kanaan

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

COM MAIS DE 30*

* Por Flávio Gomes


Felipe Nasr é o único brasileiro entre os 24 pilotos que começam, amanhã, a pré-temporada da GP2 em Jerez. Vai para seu segundo ano na categoria, que costuma ser aquele em que resultados são cobrados dos que pretendem chegar à F-1.

A ausência de pilotos do país na série que tem renovado a F-1 com altíssima taxa de acesso nos últimos anos tem relação direta com a estiagem que se vive por aqui em termos de categorias de base. Quando eu digo que daqui a pouco tempo a chance de não haver ninguém de verde-amarelo nas categorias de ponta é grande, não é chute. A Indy, que já foi porto seguro de tanta gente, terá como representantes desta linda terra ensolarada em 2013 apenas dois pilotos, Hélio Castroneves (Castro Neves/Cas Troneves/Castrone Ves), 37 anos, e Tony Kanaan, 38. Poderíamos incluir Bia Figueiredo, 27, mas ela não vai disputar a temporada toda. Na F-1, sobrou Felipe Massa, 31 — vamos deixar Luiz Razia, 23, de stand-by; a coisa anda meio malparada (existe “malparada”?) no seu caso com a Marussia, como relata Victor Martins aqui.

Nos últimos tempos, muita gente que hoje tem quase 30 desistiu dos monopostos e foi cantar em outras freguesias. Como exemplos podem ser citados Augusto Farfus (DTM), 29, Nelsinho Piquet (Nascar), 27, Lucas di Grassi (WEC), 28, e Bruno Senna (WEC), 29.

Por onde anda a garotada? Sumiu. Nasr, de 20 anos, vai carregar um fardo de algum peso nesta temporada. E resta, aos brasilinos, confiar em quem tem mais de 30.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

GP BRASIL F1 2012: PREPARATIVOS NA ÉPOCA JURÁSSICA (ANOS 70)*

* Por Dr. Roque

Semana de GP, a divulgação nos anos 70 eram um pouco maiores, talvez pelo Emerson, Pace, Copersucar, Piquet... Os ingressos eram vendidos quase em cima da hora, no máximo um mês antes, como não havia internet, era um tal de telefonar para o ACP (Automóvel Clube Paulista), Jovem Pan, Bandeirantes para ver os locais de venda. Ou mais simplesmente ir aos guichês de Interlagos.

Ingressos em mãos, vem a preparação: nos anos 70, quem tem barraca? Aqui sempre a escolha era pelo Rubens (Rubens Miele, hoje advogado e residindo em Ribeirão Preto e apesar da distância, amigo e irmão), ao final era o único que tinha barraca!!! Quem seria o piloto, aqui sem dúvida era o meu primo Luiz, afinal era o único que tinha uma Kombi (as aventuras ou desventuras com o carro e piloto, já foi descrita em outro “capítulo”).

A terceira duvida: quais seriam os quitutes? Esta é fácil, pão Pullman e queijo prato ou mussarela. Geralmente um pacote para os três dias!!! E naquele tempo latinha de cerveja era coisa rara, tínhamos de procurar distribuidores para tentar conseguir algumas, afinal elas tinham duas finalidades: serem esvaziadas de seu precioso líquido e após algum tempo serem cheias com o resultado de se tomar o precioso líquido. Tempos em que não havia banheiros químicos, então tínhamos já naquele tempo uma consciência ecológica, a reutilização da lata com o líquido reciclado. Ah, a quantidade de latinhas era de aproximadamente 2 caixas por cabeça, viram a finalidade das latinhas??? Afinal com o calor de janeiro, devíamos estar sempre hidratados.

À noite, o tradicional lema do Retão, ou das barracas era o famoso: “Nóis é nóis e o resto é bosta, nóis é nóis e o resto é bosta, nóis é nois que o resto é bosta, é di nóis que o povo gosta!!!” O tema poderia ser aplicado ao horário político. Ah, a música base era o Glória, Glória Aleluia!

Geralmente na hora da corrida, domingo a tarde a maioria do pessoal dormia, afinal foram 3 dias de sol, que parecia nos fazer de churrasco. Na semana após o GP, era um tal de passar tudo que era pomada para tentar diminuir as queimaduras...

O retorno era um tal de tentar primeiro achar a Kombi, afinal ela tinha sido “estacionada’, outra era ver o estado etílico do piloto... e o mais legal, na chegada em casa o mutirão era para se lavar a barraca... e haja mangueira, sabão e muito palavrão ao se recordar o resultado da corrida.

Hoje o retão não existe mais, ou melhor, a GGOO e o setor G, ficam nele (quase em cima da curva 3), os dinossauros foram os primeiros que habitaram este território há quase quatro décadas atrás. Então preservem a história. Alguns já viram até vídeos de 1977, e este que vos escreve, sentado tranquilamente (ou congelado de pavor...) sobre o muro vendo as pancadas dos carros abaixo, motivadas por um remendo mau-feito no asfalto e neste ano, para piorar a vitória foi de um argentino...

Após 80, corridas foram para o Rio de Janeiro e por nove anos estiveram ausentes de Interlagos.

Dr. Roque, dinossauro remanescente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Para Barrichello, falta base ao automobilismo brasileiro

Mesmo que renove com a Williams para correr em 2012, Rubens Barrichello, após 19 temporadas na F-1, está reta final de sua carreira na categoria e vê um cenário preocupante no automobilismo nacional, bem diferente daquele que deixou em 1990, como pentacampeão brasileiro de kart, informa o site TOTAL RACE.

“Acho que o automobilismo nacional já foi mais forte. Não tenha dúvida que as categorias de base são poucas. Hoje em dia tem a Formula Future, ajudada pelo Felipe [Massa] e o IBKart [projeto do Instituto Barrichello Kanaan], que foi criado da minha parte para tentar buscar um pessoal que não tem condições financeiras, para que eles tenham teoria e prática na mão.”

Falando ao TotalRace, Barrichello garantiu que quer continuar ajudando na formação dos pilotos, ainda que outras iniciativas sejam bem-vindas.

“É uma situação sobre a qual o automobilismo brasileiro tem de pensar, mas eu estou tranquilo em relação ao que eu posso fazer e também com o que posso ajudar no futuro para quem sabe trazer novos talentos para a F-1 nos próximos 10 ou 15 anos.”

Falando da categoria máxima do automobilismo, o brasileiro afirmou que a safra atual é de qualidade, apesar do ano ruim, um dos poucos em que nenhum piloto do país esteve no pódio desde a chegada de Emerson Fittipaldi, em 1970.

“Só posso falar por mim. Não tinha nem como brigar por ponto, ainda mais por pódio. Acho que a gente tem pilotos competentes guiando. Logicamente, entre nós três, o Bruno [Senna] tem pouca experiência, mas está lutando como nós.”

Barrichello atribuiu o fato de apenas Felipe Massa estar confirmado para 2012 até o momento ao grande número de vagas ocupadas atualmente por pagantes.

“Acho que a F-1 já foi formada por talentos natos e hoje tem gente pagante que não chegaria em tempos anteriores.”

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

AUTOMOBILISMO NO BRASIL*

* Por Luiz Razia

Já não é mais somente um jornalista que me pergunta: "Por que a situação brasileira no automobilismo de monoposto esta tao decaída?". Uma pergunta difícil, que deixa qualquer um inquieto, pois a resposta é ampla cheia de problemas e pessoas a serem acusadas. Porém, ao refletir um pouco sobre esse assunto, conclui que tudo é fruto de nós mesmos, como pessoas, dentro do Brasil.

Se eu sou piloto, preciso fazer minha parte, certo? Preciso de qualquer forma divulgar meu nome, divulgando a categoria em que corro, buscando patrocinadores desde cedo para ir conhecendo pessoas e empresas ao longo da minha carreira, falar o melhor possível de onde passo e meus passos para o futuro, e dar o sangue para o meu pais, coisas que todos os pilotos fazem. Por sua vez, o dono de equipe precisa ser o mais honesto possível, tratar sua equipe como se fosse sua casa, seus empregados como sua família e seus pilotos como filhos, doar seu coração aos seus projetos e fazer tudo com dignidade. As autoridades das confederações precisam olhar no espelho todo dia e perguntar o que eles estão fazendo de bom para o nosso automobilismo, como que eles estão se preocupando no dia-a-dia para as coisas melhorarem no mundo automobilístico no Brasil, da base até o categoria mais superior.

As empresas, por sua parte, precisam entender que automobilismo é uma ferramente genial de publicidade, pois atinge muitos veículos em um número só. Jornais, revistas, rádios, televisão, internet... São todos os veículos usados hoje em dia em uma corrida, e isso para qualquer empresa que precisa de publicidade é prato cheio, alem de contar com promoções que podem ser realizadas com equipes e pilotos.

Os jornalista, por sua vez, deveriam mostrar o lado bom das coisas. Claro, a critica é necessária, porém o incentivo também é importante, é preciso de um equilíbrio. Hoje o que mais se vê são criticas, especulações, difamaçõe entre outras coisas negativas que eu não consigo entender: por que alguém quer puxar o próprio barco para baixo? Talvez para salvar seu emprego. Mas a questão é seria, ao ponto de os próprios pilotos não serem bem quistos nos seus próprios países pelo numero de criticas recebidas dos veículos de noticias.

Os fãs de automobilismo por sua parte precisam também enxergar um outro lado, todos precisam ir ao autódromo, é fundamental demostrar que gostam de automobilismo. Todo mundo vai ver jogo de futebol, por que então não vão ver as corridas no autódromo? Tem tanto espaço e sem contar que é muito legal para quem gosta é claro.

Não é somente culpar os outros e pensar que as coisas vão mudar, (mania brasileira), de pensar que colocar a culpa nos outros é mais fácil do que olhar no espelho. Se você, de qualquer forma, tem poder dentro desses quesitos que mencionei e não esta nem se esforçando para melhorar a forma de que esta sendo tratado este esporte no Brasil, você também é um culpado da situação.

Aqui vai uma entrevista que fiz para a Radio CBN com o Guilherme, e ele me perguntou sobre isso e agora refletindo criei esses texto.

http://soundcloud.com/driveriot/entrevista-radio-cbn-guilherme

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NADA DE INDY EM PORTO ALEGRE*

* Por Victor Martins

O Brasil vai sediar, mesmo, uma única corrida da Indy, como tem acontecido desde 2010. Apesar de as tratativas terem avançado para que o martelo fosse batido e se discutisse apenas a data de realização, os últimos dias indicaram uma reviravolta na prova que aconteceria em Porto Alegre e, no pé em que está hoje, o evento só será realizado a partir de 2013.

Os governos do estado do Rio Grande do Sul e da prefeitura da capital gaúcha tinham um prazo para se posicionarem, bem na base do pegar ou largar. Mas como já havia acontecido com Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Salvador, há um entrave forte e decisivo para se realizar um evento deste porte: dinheiro. Muito dinheiro.

O que se diz é que não houve um esforço comparável com o feito pela prefeitura de São Paulo — sem bairrismo ou politicagem — para que se levantasse a grana suficiente para bancar a prova, mesmo com todo interesse que a própria Indy demonstrou em fazer o tal GP Mercosul numa data distante da corrida no Anhembi. A data seria em setembro.

O impasse na realização da etapa é um dos motivos da demora da Indy em soltar seu calendário do ano que vem, prometido para o meio deste mês. Outro deles é a corrida da China — esta, sim, praticamente garantida.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

INDY NO BRASIL COM DUAS PROVAS!

A possibilidade de uma segunda corrida da Indy no Brasil tem crescido bastante. Apesar de interesse do governo da Bahia, o local deve ser mesmo Porto Alegre. Três reuniões já foram feitas entre os representantes da categoria no Brasil, autoridades locais e dirigentes da IRL - que promove e organiza a categoria. Nos últimos dias, as negociações avançaram bastante. A prefeitura da capital gaúcha tem um esboço do traçado de rua. Os autódromos na grande Porto Alegre não tem condições de receber a prova: Velopark e Tarumã.

A ideia é a corrida entrar já no calendário de 2012, seria logo depois da prova de São Paulo, assim os custos caíram para todas as partes. O calendário da próxima temporada deve sair até o fim de setembro e, por isso, os interessados aqui no Brasil estão correndo para finalizar o projeto. Diria que a possibilidade de termos duas provas da Indy no Brasil hoje subiu para uns 65%, informa TEO JOSÉ.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

COLUNA DO ROQUE: A MORTE DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

Esta semana o automobilismo brasileiro presenciou mais uma morte nas pistas. Justamente naquela dita a mais segura do país, naquela que é a única reconhecida pelos seus padrões de segurança e qualidade, a única aprovada internacionalmente. Aquela mesma onde corre a F-1 e que nós, meros torcedores, chamamos de casa.

A zica que ronda Interlagos, lembra muito o que andou acontecendo tempos atrás com Ímola. De queridinha a ordinária e insegura. De desafiante a obsoleta. Diante de tantos acontecimentos trágicos é de se esperar que nossa pista também se transforme no bode expiatório de tudo de ruim sobre o que acontece no automobilismo brasileiro. Ela, que não se mexe, que não anda, que precisa de cuidados, em silêncio sofre.

As recentes tragédias ocorridas em Interlagos mostram uma outra faceta. A morte lenta e gradual do automobilismo nacional. O que antes eram os fórmulas, que falamos e reclamamos muitas vezes, o descaso toma conta também das ditas categorias de turismo que tanto orgulham os "organizadores" que dizem que levam milhares e milhares de pessoas às arquibancadas.


Carros mal projetados, pilotos mal preparados, dirigentes prepotentes e diretores de prova arrogantes. E uma entidade que realmente não faz o que se espera dela. Este é o retrato do automobilismo nacional. Um automobilismo onde os interesses pessoais se contrapõem aos interesses coletivos. Onde a vida começa a pagar o preço pela desorganização.

Assim como vemos as arquibancadas vazias e com poucos atrativos, muito menos condições higiênicas, vemos o mesmo ocorrer dentro das pistas. Até quando os pilotos pagarão com a própria vida as besteiras de uma confederação só preocupada em ganhar dinheiro "vendendo" carteirinha?

E lentamente vemos, a cada dia, a morte do automobilismo brasileiro.

domingo, 20 de março de 2011

AO VIVO: FIA WTCC & STOCK CAR EM CURITIBA


PROGRAMAÇÃO:
11:00h - STOCK CAR
13:00h - FIA WTCC (corrida 1)
14:15h - FIA WTCC (corrida 2)

*** TRANSMISSÃO ENCERRADA *** 
PRÓXIMO "AO VIVO" DURANTE OS TREINOS PARA O GP DA ÁUSTRÁLIA DE F1

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A ZONA NO AUTOMOBILISMO NACIONAL*

* Por Victor Martins

Foi um amigo das pistas, e resguardo seu nome, que me atentou para uma regra que será diversificada em 2011, confirmada por outros: quem corre na Stock Car não vai poder andar no Trofeo Linea neste ano, tal como o piloto que na primeira está não pode estar na F-Truck, e vice-versa. Coisa pouca, sabe?, mesquinha, dessa gente meio acéfala que comanda e não ajuda e não se ajuda.

Coisa da Vicar, sabe?, aquela que está organizando um Campeonato de Marcas e quer valorizá-lo, e assim agiu provavelmente porque a Fiat não deve ter tido interesse em botar seus carros no certame vicarístico, então aí se passa a caneta e fode-se a vida do pobre piloto. Cacá Bueno, então, não vai ter como defender seu título em 2011 no Linea porque está proibido, e aí vai falar isso para um português para ver se ele não tira sarro da piada pronta. Alceu Feldmann, Allam Khodair, Popó Bueno, Thiago Camilo, dentr’outros, terão só uma única alternativa na carreira in Brazil. E o certame que mais deu certo dentre aqueles criados pelos Massa se esvai.

Ser piloto aqui, às vezes, é sinônimo de ser heroi, porque deve ser um saco ter de engolir esse povo velhaco que cria e dita regras e os transforma em marionetes apenas capazes de virar para a esquerda e a direita, acelerar e frear. E muitos dos garagistas e preparadores que vivem das competições estão abandonados, com vermes e moscas rodeando as cabeças decompostas pela impossibilidade de agir, gente que dedicou tempo, vida e obra para que neles obrassem. Você, piloto que corre no Brasil, é um cara totalmente feliz com sua profissão? Você, chefe de equipe, tem situação financeira saudável no fim do ano? E você, dirigente-mor, encosta a cabeça no travesseiro tranquilo de que está fazendo a coisa certa?

O esporte a motor aqui é assim, ó: autódromos não recebem um cuidado mínimo, são destruídos, kartódromos idem, uns tantos mal saem da planta porque sempre há um ou dois bolsos prontos para ficarem cheios, campeonatos surgem e são podados, pilotos têm de saber nos ovos onde pisam e não podem pisar no do vizinho, empresas com interesses em patrocinar diminuem a cada ano, TV rival é TV inimiga, a entidade cruza os braços e cobra taxas, e é uma onda de lavagem de dinheiro e evasão fiscal do cacete. O automobilismo brasileiro é um grande tapete vermelho que serve só para esconder a poeira suja e acumulada.

Está absolutamente tudo errado. Sabe? Ô se sabe. O ideal seria se o automobilismo brasileiro fosse tipo um carro de rua, e cada piloto e/ou entusiasta pudesse junto apertar o botão para zerar, deixar tudo como uma tabula rasa. Só um recomeço salva o esporte, hoje caminhando para a fase terminal do câncer devidamente espalhado em metástase por essa gente que carrega no DNA a estranha mania de cuidar mal dele.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ESPECIAL GP BRASIL: GP BRASIL, 2007

Sem saber ao certo o que fazer, sem saber ao certo no que iria dar, sem saber ao certo no que poderia acontecer, comprei meu ingresso para o GP Brasil de 2007 logo no primeiro dia de vendas, garanti o número 99...e esqueci a corrida por alguns meses, sintoma de um mestrando.

Mas quando os estudos deram um tempo, já era meio de outubro e a corrida mais esperada do ano estava prestes a acontecer e eu lá, numa paz incomum...faltava pouco e eu nem aí. Não sei se pelos estudos, pela falta de espectativa ou por não ter brasileiros disputando as principais posições, aguardava uma corrida morna.

Graças a uma inesperada atitude, fui procurar mais gente que iria ver a corrida e encontrei a GGOO e o que aconteceu depois, todos já sabem. Mas depois da corrida, cansado, voltando para casa nos novos trens colocados à disposição da população pelo dirigentes públicos do Estado e Cidade de São Paulo, fiquei matutando sobre o final de semana.



Com o raciocínio meio lento cheguei a uma definição: ESPETACULAR! Nem tanto pela corrida, afinal tivemos que engolir o Massa abrir passagem para o Kimi em prol do campeonato...mas pelo fato de ali ter conhecido pessoas fantásticas que se deslumbravam a cada volta de um carro, que brincavam, que discutiam corridas e que acima de tudo, estavam escrevendo um momento especial na história.

Esse pessoal que mal conhecia (para não falar que não conhecia), além de me acolher com o máximo de carinho, despertaram aquele ser fanático por corridas que estava adormecido, me fizeram voltar a Interlagos...me fizeram pesquisar a cada desafio proposto.

Esse pessoal, aqueles poucos fandanGGOOs amarelos na placa dos 50m me fizeram uma nova velha pessoa, renovada...

E assim, um ano se passou e ainda sem saber o que fazer, eu...tenho que agradecer este ano maravilhoso que passamos juntos e que tivemos inúmeras conquistas: da amizade a partes de carros; das divertidas conversas aos momentos de desabafo; dos momentos de apoio aos momentos solertes de animação.



Isso foi em 2007....e a paixão, a diversão e a amizade continuam cada vez mais firme e forte, aguardando ansiosamente mais um GP Brasil que vem pela frente.

Resultado final
1 - Kimi Raikkonen -Ferrari
2 - Felipe Massa - Ferrari
3 - Fernando Alonso - McLaren-Mercedes
4 - Nico Rosberg - Williams-Toyota
5 - Robert Kubica - BMW-Sauber
6 - Nick Heidfeld - BMW-Sauber
7 - Lewis Hamilton - McLaren-Mercedes
8 - Jarno Trulli - Toyota
Pole-position - Felipe Massa - Ferrari

ESPECIAL GP BRASIL: GP BRASIL, 2006

*Por Douglas Vianna.

Desde ao acordar no sábado pela manhã, já senti um arrepio, pensei é o frio... No caminho ao Autódromo, uma parada no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, muita desorganização para ingressar nos ônibus circulares que faziam a linha especial Aeroporto e Autódromo, mas cheguei à avenida Senador Teotônio Vilela que dá acesso ao portão do setor A do Autódromo de Interlagos.

Como foi a primeira vez que fiquei no setor A, o primeiro contato com a arquibancada, fora como uma descoberta, fiquei uns 3 minutos olhando para a visão que eu teria dos carros quando eles deixassem os boxes do Autódromo de Interlagos.

Carros na pista... Uma sensação indescritível, foi o terceiro GP BRASIL que acompanho direto das arquibancadas de Interlagos e a cada ano a sensação é ainda melhor.

Felipe Massa conquista a pole position do GP BRASIL, não há como segurar o grito de alegria é o momento de extravasar, mesmo sabendo das dificuldades que o nosso brasileiro enfrentaria no domingo com o Michael Schumacher que ainda “brigaria” pelo título. Bem brigaria, só não buscou a vitória porque Deus é brasileiro e pude constatar isso neste final de semana, não há como explicar tantos azares do alemão durante os três dias na pista brasileira, me perguntei... É um aviso?

Domingo é dia de madrugar e acordar cedo, acordar cedo? Que nada eu nem consegui dormir, de meia em meia hora eu acordava, resolvi levantar de vez e me preparar pra as surpresas deste domingo que poderia ser especial...

O mesmo trajeto do dia anterior, Aeroporto e Autódromo, chegando próximo as imediações do Autódromo, eu já via a movimentação das pessoas aguardando os portões se abrirem para entrar nas arquibancadas e fora neste momento que não entendi o que se passava comigo, um “nó” na garganta, uma lágrima preste a cair de meus olhos o filme de 2004 passando em minha mente com Rubinho Barrichello na pole, com Schumacher largando lá atrás com o campeonato já decidido a favor do alemão e Rubinho quebrando recorde atrás de recorde em todo fim de semana, pensei, será que é hoje?

A duvida pairava no ar, não havia resposta, já presenciamos de tudo nesses treze anos de puro azar, alias, treze não é o número do azar?

O domingo estava perfeito, o sol raiava desde os primeiros minutos do amanhecer, a corrida seria com pista seca, dificilmente o fator sorte definirá o resultado aqui em Interlagos, nada além da competência da equipe e do piloto mudará o resultado final desta corrida...

Foram oito horas de espera até o início do trigésimo quinto Grande Premio Brasil de Fórmula 1, a ansiedade aumentava ao aproximar o horário da prova. A cantora Ivete Sangalo em entrevista a Rádio Bandeirantes levantou a arquibancada com a seguinte frase: “POEIRAAAAAAAA, POEIRAAAAAAAAA, POEIRAAAAAAAAA O MASSA VAI LEVANTAR POEIRAAAAAAAAAA” E volta o “nó” na garganta...

13 horas e quarenta e cinco minutos, agora não há mais volta, box fechado, estou aqui em frente ao carro de Robert Doornbos parado na última posição do grid, fiquei numa posição até que privilegiada, já que todos os pilotos ao chegarem no grid de largada desligam os seus motores e seguem empurrados por seus mecânicos até a sua posição de largada. Bom momento para tirar fotos dos carros e ver o brasileiro Rubens Barrichello animado antes da prova saudando os torcedores presentes na reta dos boxes.

Volta de aquecimento o giro dos motores lá em cima, está chegando à hora, o coração bate mais forte com Felipe Massa jogando sua Ferrari de um lado para o outro na reta buscando a sua posição de honra, a pole position. Carros alinhados, as cinco luzes se apagam, todos olham para os telões, momento crucial, S do Senna, quem aponta como líder?????????? FELIPE MASSA DO BRASILLLLLLLLLLL... Fora como um alívio, foi solto o grito há oito horas preso na garganta, agora é só abrir vantagem pra ficar sossegado, vamos Felipe, acelera moleque... Mas a entrada do safety car fora como um balde de água fria, não acredito, tudo de novo, relargada em movimento, sempre quem larga em segundo em Interlagos leva uma pequena vantagem, pelo fato de conseguir pegar o vácuo, mas agora é tudo ou tudo vai ter que dar... Sai o safety car e Felipe Massa continua na ponta, a cada volta ele abre vantagem sobre Kimi Raikkonen, vai abrindo, abrindo eu não acreditava no que estava vendo, uma corrida perfeita do Felipe, confesso que nem me importava com a reação do Schumacher, mas me preocupei quando ele fez a ultrapassagem no Fisichella, pensei, meu Deus só tem o espanhol, desse jeito o Alonso vai deixar o Schumacher passar para não se envolver em nenhum problema e o Felipe correrá riscos de............ Foi isso mesmo que pensei na hora, era melhor não dar sopa para o azar já que estávamos em INTERLAGOS.

Para a sorte de nós brasileiros o Schumacher teve o pneu traseiro estourado, agora não havia como perder esta corrida. Vendo pela tv até haveria, mas o Felipe abria vantagem a cada volta parecia um sonho, mas... Cadê o Raikkonen? Foi para os box antes que Felipe. Kimi estava mais leve que o brasileiro e fazendo volta mais lentas que o Felipe, era o nosso dia, ta chegando a hora...

Ao terminar a primeira rodada de pit stop, todos os pensamentos fora se encaixando, era só relaxar e curtir, na pista ele não perderia, sobrou o carro da Ferrari, Michael Schumacher deu show, valeu alemão, terminou sua carreira em grande estilo, merecia o pódio, mas está de parabéns por superar praticamente todas as adversidades neste fim de semana em Interlagos, ele se recuperou e obteve mais uma vitória pessoal de sua vitoriosa carreira.

Contagem regressiva dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três voltas para o fim do GP BRASIL de Fórmula 1, agora era levar com carinho, nas pontas dos dedos, foram as três voltas mais silenciosas do setor A, uns ficavam de pé, outros sentados, outros com as mãos postas, outros com as mãos erguidas agradecendo pelo momento que estavam preste a vivenciar.

Felipe Massa passa abrindo a última volta, a cada metro percorrido era como um alívio, nas últimas dez voltas passou o filme de 1993 em minha mente. Eu sempre imaginei estar ali um dia, viver um momento parecido como foi aquele em 1993 com a vitória de Ayrton Senna. Pensava comigo mesmo, ele vai chegar, e estava se aproximando, na saída do bico de pato as lágrimas já não eram contidas, agora era só contornar o mergulho e a junção, cuidado com as ondulações da junção Felipe, olha o que eu fui pensar naquele momento, mas cautela ali era preciso, já vimos de tudo em Interlagos, chuva que cai na hora errada, carro que fica sem combustível, Nakajima que era retardatário e não olhava no retrovisor... Meus Deus era só subir a reta dos boxes, vem Felipe, na ponta dos dedos, Essa ninguém tira... As lágrimas presas desde as primeiras horas do dia rolam sobre o meu rosto, era o meu momento, era a hora de extravasar, de soltar o grito preso na garganta e de agradecer pela realização de um sonho, tantas e tantas vezes namoramos com essa vitória. Mas o vencedor continua sua luta, perde a batalha mas jamais perde a guerra, era esse o sentimento de alívio, foram noites e noites sem dormir a espera da realização deste sonho. Semana de GP BRASIL é especial, a cada dia a emoção aumenta, o dia da busca do ingresso no autódromo, os treinos livres, tudo ficará em minha mente pro resto de minha vida e ontem foi um dia inesquecível...

FELIPE MASSA... EM NOME DA TORCIDA BRASILEIRA PRESENTE EM INTERLAGOS, OBRIGADO PELA EMOÇÃO... Que você consiga carregar toda esta energia pro resto de sua carreira, você é um iluminado Felipe, liderou pela primeira vez na F1 em 2004 pela Sauber aqui mesmo em Interlagos, e agora nos dá o prazer de sentir esta emoção com sua vitória... PARABÉNS FELIPE MASSA, PARABÉNS BRASILLLLLLLLLLL!!!

Resultado final
1 - Felipe Massa -Ferrari
2 - Fernando Alonso - Renault
3 - Jenson Button - Honda
4 - Michael Schumacher - Ferrari
5 - Kimi Raikkonen - McLaren-Mercedes
6 - Giancarlo Fisichella - Renault
7 - Rubens Barrichello - Honda
8 - Pedro de la Rosa - McLaren -Mercedes
Pole-position - Felipe Massa - Ferrari

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESPECIAL GP BRASIL: INTERLAGOS, HOJE


Créditos: Globo.com