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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nem tudo está perdido*

* Por Luiz Razia


Algum tempo já passou depois do que aconteceu com a Marussia. No primeiro momento, não tinha dado conta que estava perdendo tudo aquilo que tinha construído, e, em alguns momentos de esperança, pensei que poderia resolver a situação de imediato com as alternativas que tinha naquela época. Talvez muitos não conseguiriam notar o quão extasiado estava por ter conseguido o tao desejado "sonho", digamos assim. Como uma pessoa de muita fé, agradecia todos os dias pela chance e por tudo que vinha acontecendo comigo naquele começo de ano. Estava nas nuvens, tinha completado um ano fantástico na GP2, minha moral estava alta e havia conseguido a vaga que tantos queriam. No meu lugar tudo parecia realmente muito perfeito.

Depois de tudo o que aconteceu, passei por um fase engraçada em minha vida: vi que um objetivo na nossa cabeça pode nos motivar a fazer qualquer coisa para alcançá-lo. Neste momento, com minha meta ainda não definida, tenho encontrado dificuldades para manter a motivação todos os dias. Sem trazer muitas novidades, também descobri que um piloto sem dinheiro é a mesma coisa que tentar conseguir emprego sendo analfabeto e, por muitas vezes, a primeira pergunta no telefone é: "Quanto você tem para gastar?". Deprimente. Outra coisa engraçada é as pessoas ao seu redor. Elas simplesmente desaparecem e perdem o interesse por você. Isso já era claro, mas não tao óbvio assim.

Pela primeira vez na minha vida, tive de pensar em um "plano B" (coisa que nunca fiz) e reconsiderar algumas coisas para o futuro, já que dinheiro é o primeiro passo para conseguir algo no automobilismo hoje em dia. Acredito em uma coisa: existe muita coisa errada em vários esportes, não apenas no automobilismo. Ou seja, se quiser fazer algo profissionalmente, será preciso investir novamente tudo aquilo que investiu para chegar na Formula 1, o que deixa qualquer um sem opções.

Para dar uma ideia melhor para vocês, até agora tenho somente me esforçado bastante para não ficar reclamando do que passou e me lamentando. Tenho me esforçado para seguir em frente e dar a volta por cima, seja ela onde for o resultado e mostrar pra mim mesmo que vale a pena ser piloto pelo simples motivo de fazer aquilo que amamos, que é estar dentro de um carro de corrida. Minha motivação para conseguir uma alternativa é sempre alta, mas um tanto parecida com montanha russa. Talvez seja compreensível, até porque não é fácil passar por uma situação dessas.

Muitos vieram falar comigo para consolar que foi melhor assim, até porque a equipe era muito fraca, mas não sabem o que dizem. Logo após a minha saída outro piloto entrou no meu lugar e agora muitos já falam bem dele - talvez por ele não brasileiro, já que a moda é meter o verbo nos brasucas, coisa que não entendo. Percebi que não foi melhor a partir do momento que fiquei sem objetivos, andando de GT, coisa que para alguns pode parecer muito legal, mas para ser sincero, o carro é muito lento e não se compara o que se sente dentro de um formula. Para fechar o quadro, o nível de envolvimento com uma equipe de Formula 1, talvez não se compara com nenhuma equipe em qualquer outra categoria, com mais de 200 pessoas trabalhando para dois carros, um número enorme de engenheiros, tecnologia, e por ai vai.

Mas é bom deixar bem claro para vocês, queridos leitores, que, apesar de dividir com vocês o que realmente esta passando ou passou, também estou em constante processo de trabalho e aprendizado na vida. Apesar desta opção não ter dado certo, não vou desistir. Queria explorar este lado que estamos passando e mostrar que as coisas não são tão simples e nem sempre vão de acordo com nossos planos. Mas saber reagir a coisas assim é fundamental. Sinceramente, aprendi muito com essa situação e posso dizer que me encontrei em situações nas quais somente eu acharia a resposta, e partir dela encontro motivação para fazer varias outras coisas. Nem tudo esta perdido, como dizem alguns, só acaba quando acaba.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Questão de força maior*

* Por Luiz Fernando Ramos


É incorreto tentar encontrar uma única razão para a efêmera passagem de Luiz Razia como piloto titular da equipe Marussia em 2013. Alguns erros cometidos pelas pessoas que o apoiavam não ajudaram em nada. Mas o evento decisivo aconteceu no meio desta semana, quando Jules Bianchi perdeu a vaga na Force Índia. Ali virou uma questão de força maior.

E esta força maior atende pelo nome de Nicolas Todt, uma das pessoas mais influentes dentro do paddock. É filho do presidente da FIA. É um dos empresários de mais sucesso lá dentro. Está com Felipe Massa desde 2003 - e emplacou estas duas renovações de contrato mais recentes do brasileiro que não seriam inteiramente justificadas pelos resultados que ele obteve na pista.

“Toddynho”, como os torcedores do Brasil se referem a ele, também transformou o veloz mas estabanado Pastor Maldonado no eixo central da Williams, emplacando um contrato rentável (para ele e para o time) e tendo a estrela de ver seu piloto encerrar um longo tabu sem vitórias da equipe. Já havia conseguido em 2008 encerrar a ausência de pilotos do seu país na F-1 levando Sebastien Bourdais para a Toro Rosso - o único a correr pelo time sem ter passado pelo programa de jovens pilotos da categoria. O cara é eficiente no seu ofício.

Pois no início desta semana, Nicolas tinha tido uma pequena derrota profissional depois que a Force Índia preteriu Jules Bianchi em favor de Adrian Sutil. Ficou com um cliente frustrado, tido como uma grande promessa mas que não conseguia lugar para correr. As mazelas de Razia com a Marussia caiu como uma luva para ele emplacar Bianchi no time. Bom para ele, bom para o piloto (que vai massacrar Max Chilton no duelo interno como acredito que o brasileiro também faria) e, afinal, bom para a equipe também.

Pelo que apurei, Bianchi traria um pouco menos de dinheiro do que estava estipulado no contrato de Razia, algo entre um e dois milhões a menos. Mas o dinheiro estava na mão, já separado para a negociação que não se concretizou com a Force Índia. Assim, o time teve a garantia de receber agora o que precisava receber. E ganha uma importante moeda de troca para uma possível negociação de fornecimento de motores com a Ferrari - Bianchi faz parte do programa de jovens pilotos dos italianos.

Nada disso teria acontecido se o contrato de Luiz Razia permanecesse válido ao longo deste mês. Uma pena vê-lo com seu sonho se dissipando por alguns erros cometidos pelas pessoas que o ajudavam neste projeto. O fato do site dele ter “oficializado” sua contratação antes mesmo do time não pegou bem. Outras coisas também devem ter acontecido para que a equipe não tivesse paciência com o atraso da segunda parcela prometida - o que não seria algo de anormal quando se trata de grandes valores. De alguma forma, a Marussia parecia não estar segura que o dinheiro chegaria, mesmo com atraso.

Digo uma pena pelo fato dele ter demonstrado no ano passado muito mais méritos de estar na Fórmula 1 do que vários pilotos que lá estão. Andou muito mais na GP2 do que Esteban Gutierrez, Max Chilton e Giedo Van der Garde. Tivesse tido patrocinadores fortes como estes três possuem, ainda estaria na Marussia. Seria interessante se conseguisse uma nova chance. Até porque, esta parecia boa demais. Chilton era um companheiro de equipe fácil de bater. E a Marussia deu sinais na pré-temporada de que pode incomodar e até mesmo superar a Caterham, o que no ano passado era uma exceção à regra.

Sorte de Bianchi. Sorte de Nicolas Todt.

sábado, 2 de março de 2013

Razia conta tudo*

* Por Lívio Oricchio


“Não morreu ninguém, não.” Foi dessa forma que Luiz Razia atendeu o Estado, ontem à noite, em Barcelona, logo depois de receber uma ligação de John Booth, diretor da equipe Marussia, com quem tinha assinado contrato, para lhe informar que Jules Bianchi assumiria sua vaga. “Vou dormir, hoje, tranquilo, por saber que foi um fracasso circunstancial e não existencial.”

A esperança desse piloto baiano de 23 anos, vice-campeão da GP2, era tanta de ainda testar hoje e amanhã o carro da Marussia no Circuito da Catalunha que manteve-se na Espanha. “Nós ainda trocamos e-mails com eles hoje (ontem), tentando uma solução de última hora.” Razia chegou a treinar em Jerez de la Frontera, por dois dias, na primeira série de testes da pré-temporada. Os testes terminam amanhã.

A pergunta que todos na Fórmula 1 procuram resposta é: o que aconteceu para Razia perder a vaga na Marussia e o Brasil ter, agora, apenas Felipe Massa na competição e com contrato de apenas um ano com a Ferrari. “Duas pessoas físicas que têm uma empresa assinaram um contrato com a Marussia. Pagaram a primeira parcela”, explica o piloto, sem desejar identificá-las.

“Depois tiveram problemas na captação e liberação dos recursos. O pessoal da Marussia ajudou de todas as formas, mas não foi possível cumprir o acordado”, disse Razia. Estima-se que teria de levar Euros 6 milhões (R$ 16 milhões) para disputar as 19 etapas do campeonato. “Eu pagaria um dos valores mais baixos, hoje, senão o menor”, comentou.

Não se perde uma vaga na Fórmula 1, depois de trabalhar a vida inteira por isso, e não se sentir atingido. “Está sendo duro para mim, claro. Preciso me reagrupar. Mas tenho fé e às vezes essas coisas acontecem para nós crescermos espiritualmente.” Há dois exemplos semelhantes e recentes na própria Fórmula 1 que o inspiram. “O Nico Hulkenberg e o Adrian Sutial ficaram um ano parados e hoje estão aí, em boas equipes.”

Razia não sabe que caminho profissional vai seguir. “Nesse instante (20 horas em Barcelona, ontem, 16 horas em Brasília), estou no aeroporto comprando uma passagem para voltar para casa, em Milton Keynes (Inglaterra), e pensar o que vou fazer da vida.” E afirmou: “Vou procurar aprender com esse erro que, na realidade, não é um erro”.

Bianchi teve um apoio fundamental para substituir Razia: a Ferrari. O jovem e veloz piloto francês faz parte da Academia da Ferrari. Quarta-feira, a Force India, associada a Mercedes, anunciou a contratação do alemão Adrian Sutil, com quem Bianchi disputava a vaga. Toto Wolff e Sutil são amigos há tempos. Toto tornou-se sócio do time da Mercedes e o diretor esportivo da montadora. Quanto ao acordo do francês com a Marussia, provavelmente implicará a cessão do motor turbo Ferrari para a escuderia em 2014.

No terceiro dia de treinos, ontem, choveu na parte da manhã e no fim da tarde. Fernando Alonso, da Ferrari, afirmou: “No GP do Brasil do ano passado estávamos a 7 ou 8 décimos da Red Bull e McLaren. Este ano acredito que reduzimos essa diferença. Estou esperançoso”. O espanhol não aproveitou os instantes em que a pista estava mais seca e ficou com o último tempo, 1min27s878 (102 voltas), com pneus médios da Pirelli.

Romain Grosjean, da Lotus, foi o mais rápido, 1min22s716 (88), com os pneus macios. Hoje Felipe Massa, companheiro de Alonso, realiza seu último dia de testes antes da abertura do campeonato, dia 17, em Melbourne, na Austrália.

Bianchi assume o lugar de Razia na Marussia. O Brasil terá apenas Massa na F-1 este ano.*

* Por Lívio Oricchio


Vou começar pelo fim: Jules Bianchi vai disputar a temporada pela Marussia. É oficial. Razia está fora.
Pouco antes de colocar o post a seguir no ar um amigo me telefonou, segundos atrás, para dar a notícia. Mas resolvi colocar o post no ar assim mesmo. Vale a pena ver como as coisas se resolvem na Fórmula 1.

Olá amigos!

Aguardava Fernando Alonso chegar ao motorhome da Ferrari, há pouco, e conversava com Felipe Massa e o jornalista alemão Michael Schimidt, do Auto Motor und Sport. Ao nosso lado, numa mesa, estavam Nicolas Todt e Alessandro Bravi, do grupo de trabalho do empresário de Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi, dentre outros. Junto deles estavam dois integrantes da Marussia, Graeme Lowdon, diretor esportivo, e o outro não identifiquei. Não eram John Booth, diretor geral, ou Andy Webb, o homem que responde pela escuderia.

Obviamente negociavam a contratação de Bianchi, da academia de pilotos da Ferrari e preterido na Force India. A vaga ficou com Adrian Sutil. Soube hoje que Sutil tem uma relação de longa data com Toto Wolff, agora sócio e diretor do time da Mercedes, marca de motor usada pela Force India. Está aí a explicação para Vijay Mallya ter-se decidido por Sutil e não Bianchi.

O interessante é que a Ferrari também estava por trás da eventual contratação de Bianchi pela Force India, como agora, na negociação com a Marussia. Não foi por acaso que a reunião de hoje ocorreu no motorhome dos italianos. Não se surpreenda se em 2014 a Marussia competir com motor e câmbio Ferrari. Hoje utiliza motor da Cosworth, que está deixando a Fórmula 1 por não desenvolver um motor V-6 de 1,6 litro turbo para 2014, e o Kers da Williams.

O negócio deve ser definido de vez hoje à noite e Bianchi já treinar amanhã e domingo pela Marussia, bem como depois disputar a temporada. Bianchi faria o molde do banco hoje à noite desde que os detalhes que faltam para as duas partes assinar o contrato não comprometam o acordo já estabelecido. Sempre possível.

Mas o que se espera é que amanhã, pela manhã, a Marussia anuncie Bianchi já para o teste e como companheiro de Max Chilton para as 19 etapas do Mundial.

Vi Bianchi feliz da vida falando no celular, embora, como escrevi, o contrato não foi ainda assinado. Mas diante de um apoio como o da Ferrari, capaz de ser muito útil a Marussia, que deverá pagar menos por motor, transmissão e o caro Kers em 2014, é provável que agora, nesse instante, 19 horas para nós aqui no Circuito da Catalunha, Booth, Lowdon e Webb devam estar no motorhome da escuderia celebrando com um bom champanhe a iminente assinatura do contrato com Bianchi.

Ratificado o compromisso, como tudo indica, o Brasil teria apenas Massa, em seu ano único de contrato com a Ferrari, na Fórmula 1. Razia teria de buscar outras opções profissionais.

Abraços!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Entendendo a situação de Razia*

* Por Luis Fernando Ramos



As equipes da Fórmula 1 iniciaram hoje em Barcelona a última bateria de testes da pré-temporada. Presente no circuito, o brasileiro Luiz Razia vive dias de apreensão. Sua participação nas sessões, e na própria temporada, não está assegurada por um impasse envolvendo o pagamento de um de seus patrocinadores. Os próximos dias serão decisivos para o desfecho da situação.

A situação é complicada. Questões burocráticas atrasaram o pagamento do sinal de entrada que havia sido acordado no contrato do piloto. Sua entourage garante que é uma questão operacional que necessita apenas um pouco mais de tempo para ser finalizada.

Parte da equipe, incluindo o chefe da parte esportiva John Booth, era favorável a que Razia testasse mesmo assim, confiante numa solução posterior. Mas gente das áreas administrativa e financeira permaneceram irredutíveis e sua participação nos testes desta semana pode não acontecer. A declaração do diretor-executivo Graeme Lowdon num fórum com torcedores ontem em Barcelona ilustra a situação atual da equipe:

“A situação econômica atual não pode ser ignorada. Temos responsabilidades não apenas com os pilotos, mas com um grande número de funcionários”, afirmou. Vale lembrar que o time abriu mão de contar com o alemão Timo Glock justamente por necessitar cortar gastos - e o salário do piloto era um dos maiores dentro do time.

Problemas ocorridos com pagamentos não-honrados são mais frequentes na Fórmula 1 do que se pensa. As grandes somas envolvidas geram complicações no momento da transferência. Também existem patrocinadores que não cumprem a palavra. No meio da temporada do ano passado, Vitaly Petrov balançou na Caterham por falta de pagamento. Sua empresária fez malabarismos para conseguir cumprir o que havia sido acordado e o episódio certamente pesou na decisão do time em não permanecer com o russo neste ano.

No caso da Marussia, um episódio do passado a levou a adotar esta postura mais dura com Razia. Em 2010, a Unilever, que patrocinava Lucas di Grassi com a marca Clear, não cumpriu o que havia sido acordado inicialmente e o logotipo do produto sumiu do carro na metade da temporada. O brasileiro só terminou o ano depois de arrumar o apoio de outras empresas para as etapas finais.

Razia busca apresentar garantias do pagamento nesta semana para resolver o impasse. Mas sua situação pode se complicar ainda mais com a chegada de um concorrente. Preterido pela Force Índia - que oficialmente ainda não confirmou a contratação de Adrian Sutil -, o francês Jules Bianchi pode conseguir sua chance de entrar na F-1 na vaga do brasileiro. Resta saber se ele vai atrás desta opção ou preferirá permanecer como piloto de testes da Force Índia. Ninguém sabe os detalhes do contrato do brasileiro, mas o não-pagamento deste sinal deve abrir uma brecha para a equipe negociar a vaga com outros pilotos se ela quiser.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MAIS SOBRE RAZIA*

* Por Victor Martins



A confirmação de que, de fato, as coisas não caminhavam bem para Razia vieram no último sábado, quando o nasal Fábio Seixas revelou na Folha que o brasileiro foi afastado pela Marussia dos treinos coletivos em Barcelona por falta de pagamento — desmentindo até a equipe, que optou pelo eufemismo de dar ao inglês Chilton mais tempo em pista pelos problemas enfrentados nos dias iniciais.

Relegado a treinos físicos e à conformidade da situação, Luiz passou o fim de semana nos arredores da pista catalã. Pelo telefone, algumas trocas de mensagens ajudaram a dar o tom da situação a três semanas do início da temporada 2013.

“Infelizmente tivemos alguns contratempos que não estava programado. Mas está se resolvendo”, comentou diante do dinheiro que não caiu na conta da Marussia, que, segundo Razia, empenha-se em solucionar a pendenga sem propor uma data-limite. “Não existe um prazo, a equipe está nos ajudando resolver a situação. Como o pessoal me disse, eles estão satisfeitos com os pilotos. Agora é resolver.”

Por mais que se reconheça como um piloto de fácil familiarização com estilo de pilotagem, traquejo e volante do carro, naturalmente Luiz não viu com bons olhos o fato de não ter andado em Barcelona. “Ruim que não testei essa semana passada. Fazer o quê? Tenho limitações no que posso fazer”, disse.

Ainda sobre o problema, Luiz afirmou que “tem outras pessoas trabalhando nessa parte, e eu sempre sou um dos últimos a saber” porque “não gosto de me envolver muito com essa parte que me deixa chateado”. Razia falou que não sabe exatamente o que levou à falta de pagamento — “se eu soubesse, já tinha resolvido” —, mas que se tratou de alguma coisa “burocrática”. As pessoas que citou são um casal de brasileiros.

O dinheiro, vindo ou não, é oriundo de “um investidor e pequenos apoiadores”. Solicitado a revelá-los, não quis. “Eles têm projetos em lançar um produto para este ano, e depois vão acompanhar nas corridas”, respondeu. Alguma razão para que não se fale deles? “É escolha deles, não posso fazer nada.”

Duas frases se seguiram na sequência. “A questão nem é essa, a questão é nenhum patrocinador brasileiro. Isso é que eu queria que enfatizasse. Quando é pra pisar na gente, tem um monte de gente, só esperando nos cairmos ou tropeçar pra mandar o cacete.”

No fim da conversa, questionei se a Globo o havia auxiliado em algo. “Em certa parte tentou.”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Razia preterido na Marussia. Chilton treina pelo terceiro dia seguido.*

* Por Lívio Oricchio



Pode ser apenas uma questão circunstancial e daqui para a frente as coisas se resolvam de um maneira mais justa. Mas hoje, quinta-feira, terceiro dia de treinos da segunda série da pré-temporada, o inglês Max Chilton, da Marussia, continua no cockpit do modelo MR02-Cosworth enquanto seu companheiro de equipe, Luiz Razia, programado originalmente para assumir o carro, hoje, encontra-se treinando fisicamente na academia do hotel, próximo de onde escrevo, o Circuito da Catalunha, em Barcelona.

Em Jerez de la Frontera, semana passada, Chilton, inglês como quase todos no time, estreante na Fórmula 1 a exemplo de Razia, andou no primeiro e terceiro dia. Razia, no segundo e no quarto. Aqui em Barcelona, Chilton está conduzindo o MR2 desde terça-feira, hoje é o terceiro dia seguido, prerrogativa apenas de Fernando Alonso, por seu parceiro, Felipe Massa, ter sido escalado também para os três primeiros dias em Jerez. Alonso preferiu dedicar-se à preparação física.

Conversei com Razia, há pouco, por telefone: “Estou indo para a pista daqui a pouco, Livio”, disse-me. Convivo nos autódromos e aeroportos com Razia desde sua chegada à GP2, em 2010, são três temporadas. Esta é a quarta. Senti que ele está incomodado com a situação, como não poderia deixar de ser. “John Booth (diretor da Marussia) me procurou, ontem, para dizer que Chilton não pôde realizar as séries longas de voltas que fiz em Jerez e seria importante para sua formação. Em Jerez eu dei três séries seguidas de 24 voltas. Por essa razão Chilton foi escalado para o treino de hoje”, contou-me Razia.

Estou no mesmo hotel de John Booth, em Granollers, seis quilômetros distante apenas do autódromo. Ontem à noite quando regressei do jantar o vi no lobby e por pouco não lhe perguntei sobre o ensaio de hoje. Como eu estava com Michael Schimidt, talvez o mais famoso jornalista da Fórmula 1, do Auto Motor und Sport, e outros amigos, achei que seria inconveniente tocar num assunto profissional naquele instante, longe da pista. Seria interessante saber o que Booth me responderia. Nesse momento Booth está na mureta dos boxes acompanhando o teste, não há como falar com ele, mas certamente vou procurá-lo no intervalo do almoço.

“O alegado por John Booth é mesmo verdade. Falou que por causa de um problema que temos na suspensão traseira Chilton não andou muito nos dois primeiros dias”, revelou-me Razia. Terça-feira foram 65 voltas no traçado de 4.655 metros e ontem, 67. Nem é tão pouco assim, convenhamos, representa a extensão do GP da Espanha, 66 voltas.

“Às vezes temos de conviver com essas situações. Mas se eu tiver o mesmo número de dias do Chilton eu não me preocupo. Para ser sincero, nem mesmo se tiver menos. Nas outras categorias que competi não precisei de muito tempo para pegar a mão do carro”, disse Razia.

“A programação é para eu andar amanhã (sexta-feira), mas não está confirmada, ainda. Pode ser também que eles compensem esses dias a mais com o Chilton no treino da semana que vem”. O último ensaio será de dia 28 de fevereiro a 3 de março, aqui mesmo. Pergunto: você acha que eles te dariam quatro dias, como podem disponibilizar para o Chilton agora? “Quatro talvez não, mas três sim.”

O que pode ser a causa de Razia estar sendo preterido nesse início de trabalho na Marussia?
Sabe-se que a soma da verba de patrocínio levada por Chilton é maior da acertada com Razia. Pode estar aí a causa das suas dificuldades iniciais. Ou, de repente, até mesmo o fluxo das remessas de verba de Razia acordadas com a equipe não estar sendo cumprido, por conta da complexa burocracia dessas transações. Mais: de repente Chilton precisa de uma exposição maior para atingir a cota de patrocinadores exigida, o que reforçaria a tese (minha) de que há também aí uma boa pitada do conhecido nacionalismo inglês na Fórmula 1.

Com certeza a escolha de Chilton para andar nos três dias não é técnica. Ao menos na GP2 Razia se mostrou um piloto bem mais eficiente.

Dando sequência ao post sobre o Luiz Razia, fui procurar o John Booth pouco antes do início da sessão da tarde, hoje, quinta-feira, às 14 horas, e o diretor da Marussia já havia deixado o Circuito da Catalunha. Tampouco vi o Razia no autódromo, o que não quer dizer que não tenha aparecido, na hora do almoço, e em seguida regressado ao hotel.

Conversei com Tracy Novak, a assessora de imprensa da equipe, conhecida de longa data. Ela tentou acessar o Razia na minha frente, por celular, e deu caixa postal. Tracy disse-me a respeito de quem iria treinar amanhã (sexta-feira). “Eu não acredito que o Luiz vá andar no carro. A nossa previsão é de chuva e Max deve seguir pilotando.”

Quer dizer, então, que se o asfalto estiver molhado quem corre é somente o Max Chilton, companheiro de Razia? Quando falei com Razia, por telefone e ele estava no hotel, antes do almoço, comentou comigo: “Não está certo, ainda, se vou treinar amanhã”. Chilton testou os três dias até agora, terça, quarta e quinta-feira. Ontem o inglês, estreante na Fórmula 1 como Razia, completou 58 voltas no traçado de 4.655 metros, com 1min25s690, com pneus Pirelli macios, 11.º tempo.

No fim do dia, depois da conversa com Novak, liguei para Razia. Tocou, tocou até entrar caixa postal. Deixei mensagem e pedi que me retornasse, o que não aconteceu. Não é um bom sinal. Acredito que se Booth tivesse confirmado ao piloto brasileiro que testaria amanhã, seria do seu interesse ligar de volta para mim e comunicar. Ele sabe que acompanho o caso de perto.

Amigos do paddock me contaram que o pai de Max Chilton, o inglês Grahame Chilton, de adquirir uma parte da Marussia ao fim de cada temporada dos três anos de contrato do filho. É sabido que o seu investimento na escuderia é bem maior que o de Razia, o que por si só nesse universo da Fórmula 1 tem enorme significado. Não é novidade que Grahame era sócio, não mais, da AON Benfield UK Holding, embora mantenha cargo diretivo. Trata-se de uma das maiores companhias de seguro do Reino Unido.

E a história de que passará a ser sócio da Marussia, como parte do retorno do elevado investimento este ano, ganha mais força quando se sabe, por exemplo, que Grahame já tem importante participação na organização esportiva Carlin, com times na GP2, Fórmula Renault 3.5 World Series, Fórmula 3 Britânica e GP3. O talentoso brasiliense Felipe Nasr vai disputar a GP2 este ano pela Carlin, com que foi campeão britânico de Fórmula 3 em 2011.

Além de ser filho do esperado sócio da equipe, Max Chilton é inglês, como todos na organização. Acredite, amigos, tenho alguma experiência nesse meio: esse é um fator que realmente joga a favor do piloto. Coloque nessa balança a provável dificuldade de Razia cumprir os prazos acordados com Booth para os pagamentos das cotas de patrocínio. Esse quadro explica, na minha visão, as dificuldades de Razia.

Agora, nada disso impede de amanhã o baiano de 23 anos substituir Chilton, depois de negociações que desconhecemos ocorreram hoje à noite. Torço por isso.

Abraços!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PRÓS E CONTRAS DO NOVO DESAFIO DE RAZIA*

* Por Leonardo Felix



Conforme dialogava com alguns colegas sobre a confirmação de Luiz Razia na Marussia, cheguei à conclusão de que a notícia do dia para o automobilismo brasileiro era inesperada, mas não tão surpreendente.

Inesperada, sim, porque faz só dez dias que a equipe russa oficializou o chute no traseiro de Timo Glock, em manobra que indicava claramente a troca de um funcionário assalariado por um parceiro pagante, mas que não parecia ter um desfecho tão rápido.

De fato, o objetivo de escuderia e piloto não era anunciar nada hoje, mas a confirmação já está iminente, de uma forma ou de outra. Talvez venha na próxima terça-feira, quando a esquadra lança, às vésperas da primeira bateria de testes, em Jerez, seu novo modelo, o MR02.

Mas não se trata de algo que vá fazer cair o queixo de alguém. Em primeiro lugar, estamos falando do vice-campeão da principal categoria de acesso, a GP2, um piloto que teve uma temporada de reafirmação em 2012 e disputou o título com galhardia, embora tenha perdido para o favorito Davide Valsecchi. Depois, o baiano de Barreiras tem um bom aporte financeiro, algo imprescindível nesta F1 cada vez mais ávida por gente que traz alguns mirréis de casa.

Porém, todavia e entrementes, Razia jamais foi colocado como pretendente favorito a qualquer vaga, incluindo a da própria Marussia. Vitaly Petrov e Bruno Senna eram os nomes da vez para fechar com o time rubronegro e também com a Caterham, ao passo que Jules Bianchi, Adrian Sutil e Paul di Resta seguiam como favoritos na batalha pelos cockpits mais valorosos entre os vacantes, os da Force India. Por isso, ter conseguido dar um passo antes de todos eles acabou sendo uma notícia positiva para alguém que já tinha afirmado, aqui mesmo ao Tazio, que era F1 ou nada em 2013.

Ao cumprir com seu objetivo, Razia já colocou automaticamente seu nome na história do automobilismo brasileiro, tornando-se o primeiro nordestino a alcançar a principal categoria do esporte a motor mundial. Mas é óbvio que ele almeja mais. E o que esperar de sua temporada de estreia, que se dará por aquela que provavelmente será a pior escuderia do grid?

Contrariando o que muitos imaginam, há vários pontos positivos em começar a carreira profissional dessa forma. Na Marussia, Razia não tem qualquer responsabilidade por resultados e pode usar 2013 como um ano para se habituar aos meandros e vicissitudes da competição. Além disso, para sua sorte, o companheiro não será mais Glock, primeiro piloto absoluto até então e que ajudou a fritar os então novatos Lucas di Grassi e Jérome D’Ambrosio em 2010 e 2011. Também não será Charles Pic, que fez uma ótima campanha de estreia no ano passado e, se seguisse, estaria muito mais afeito ao time e poderia receber para si todas as regalias.

Quem dividirá os boxes com o brasileiro será o inglês Max Chilton, tão carne de vitela quanto Razia no que tange à experiência. Portanto, Luiz vai encontrar uma ambiência muito mais propícia para superar seu colega, algo que lhe daria notoriedade entre as escuderias do pelotão intermediário para 2014.

Porém, é claro que há o risco de acontecer o inverso e Chilton se sair melhor. É a partir deste ponto, meus amigos, que abrimos toda a cartilha de riscos que o baiano assumiu ao tomar essa decisão. Caso seja superado pelo britânico, é bem provável que Razia coloque uma prematura pá de cal sobre suas chances de continuar na F1, especialmente por entrar na categoria com uma reputação mais elevada que a de seu novo parceiro. Sendo assim, ele tem certa obrigação de ser o líder da Marussia em 2013 e andar quase sempre na frente do companheiro.

Outra questão negativa é que muito dificilmente a Marussia não será a lanterninha da temporada, simplesmente porque a equipe não dinheiro para desenvolver o carro no mesmo ritmo das concorrentes. O time jamais esteve realmente perto de marcar um pontinho na F1 e ainda sofreu um duro golpe no ano passado, quando viu o décimo lugar no Mundial de Construtores (e cerca de US$ 30 milhões em premiação) escaparem pelo ralo no GP do Brasil, graças a um 11º lugar providencial de Vitaly Petrov para a Caterham.

Tendo tal perspectiva como base, é possível prever que Razia estará sempre lutando pelas últimas posições. Há quem diga que é possível um piloto se destacar e ascender na categoria dessa forma, algo com o qual eu concordo. Mas é preciso ressaltar o quanto isso tem se tornado cada vez mais difícil nas últimas décadas. Nos anos 50, 60 e 70, com a postura quase amadoresca e a liberação da venda de chassis, pilotos como Jochen Rindt, Alan Jones, Keke Rosberg e Nelson Piquet puderam fazer rápidas passagens por times particulares, antes de assinarem com equipes de ponta ou do pelotão intermediário já no ano de estreia.

Atualmente, diante de tanta profissionalização, o competidor tem obrigações de correr pela mesma casa durante o ano inteiro e, como os carros quebram cada vez menos e o nível dos competidores está cada vez mais parelho, é raro vermos um piloto com um carro tão ruim ganhar destaque em alguma corrida. Por consequência, de 2000 para cá, somente dois nomes conseguiram sair de rabeiras do grid (não estamos levando em conta escuderias medianas, como Sauber ou Toro Rosso) e lutar por vitórias e títulos: Fernando Alonso e Mark Webber. Coincidência ou não, ambos começaram na Minardi e são empresariados por Flavio Briatore, que tinha enorme influência na F1 até 2009.

Diante de todo este cenário, Luiz Razia tem diante de si um desafio enorme, mas não impossível. E o baiano já demonstrou, até mesmo em 2012, ser capaz de corresponder em situações onde nada parece estar a seu favor. Seu concorrente na disputa pelo caneco da GP2 no ano passado, Valsecchi, optou por um caminho bem diferente, tornando-se reserva de uma equipe média para grande, a Lotus. Será interessante observar, no curso da História, qual deles terá feito a escolhe correta, em uma F1 que parece cada vez mais desapiedada com seus novatos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Luiz Razia: o novo brasileiro na Fórmula 1*

* Por Rodrigo Mattar



O Brasil terá o seu 30º piloto na Fórmula 1. Há pouco, Luiz Razia acertou os detalhes do acordo com a Marussia e será o substituto do alemão Timo Glock, que deixara a equipe há poucos dias e foi para a BMW, no DTM.

Baiano de Barreiras, município de cerca de 140 mil habitantes localizado no extremo oeste do estado, Luiz Tadeu Razia Filho tem 23 anos. Após vencer a Fórmula 3 sul-americana em 2006, seguiu para a Europa, onde disputou a Fórmula 3000 italiana e europeia, a World Series, a GP2 Asia e a GP2 Series, na qual foi vice-campeão ano passado, correndo pela Arden International.Nesta categoria, Razia conquistou cinco vitórias, quatro delas em 2012.

Ele já fizera parte da Marussia quando a equipe se chamava Virgin, em 2010. Fez os testes reservados aos novatos, mas nunca guiou pelo time em qualquer treino livre daquele ano. A Caterham, na época Lotus, chamou-o para ser piloto-reserva e em 2011 Razia apareceu nos treinos livres de sexta-feira na China e no Brasil. Ano passado, andou com a Force India em Magny-Cours e chegou a ser cogitado na Toro Rosso, que manteve seus pilotos titulares.

A saída de Glock da Marussia precipitou a chegada de um piloto que injetasse dinheiro fresco no time, que é o que eles precisavam – já que o alemão ganhava para correr. Tanto Razia quanto Max Chilton, o outro piloto, também estreante, vêm com patrocínios que garantem a salvaguarda do time em 2013.

Então é isso: faltam, portanto, duas vagas a se confirmar para a temporada deste ano. Pena que a Marussia não é carro para Razia mostrar o seu potencial. O jeito será bater sistematicamente o companheiro de equipe e assim conseguir chamar a atenção das outras escuderias para o futuro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Fim da linha para Glock na Marussia*

* Por Rodrigo Mattar


Sob a justificativa de que vai assumir “novos desafios” na carreira de piloto, o alemão Timo Glock está de saída da equipe Marussia de Fórmula 1. A ruptura de contrato, após três anos, foi feita “amigavelmente”, segundo a imprensa alemã.


O piloto de 30 anos estaria de olho numa das sete vagas ainda restantes no Deutsche Tourenwagen Masters, o DTM. Apesar de muita gente – o blogueiro aqui inclusive – ter cacifado que a BMW escolheu Jaime Alguersuari para a oitava e última vaga para piloto do construtor de Munique, o rompimento de Glock com a Marussia abre a possibilidade de uma reviravolta nesta negociação. Mas ainda há Audi com uma vaga sobrando e Mercedes-Benz com nada menos que cinco assentos disponíveis para 2013. Opções não faltam.

Fica evidente, também, que a situação de Glock na Fórmula 1 beirou o insustentável pois, sendo um piloto que recebe para correr numa escuderia pequena, talvez a Marussia não tivesse lhe dado suficientes garantias de que o lugar de piloto titular seria dele durante todo o campeonato.

O time de origem britânica e hoje controlado pelos russos vai, provavelmente, se socorrer de outro pay driver para a vaga deixada em aberto por Timo Glock. Max Chilton, egresso da GP2 Series, já assinou levando uma maleta varada de libras da AON, empresa de propriedade da família do piloto britânico. A princípio, os pilotos que mais aparecem com chances de tentar essa vaga que surgiu de forma inesperada também negociam com outra escuderia, no caso a Caterham: são o russo Vitaly Petrov e o brasileiro Luiz Razia.

A ver.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre o futuro de Bruno Senna e Luiz Razia*

* Por Lívio Oricchio


Bruno Senna sabia há algumas semanas que Valtteri Bottas assumiria sua vaga na Williams, por isso seu empresário, Chris Goodwin, negocia com todas as equipes que ainda não definiram completamente seus pilotos. Conversei bastante com ele em Interlagos. Fez contatos e até iniciou conversações, mostrando o que Bruno dispõe de patrocínio, além de dois anos e meio de boa experiência e importante aprendizado como piloto.

Antes do Bruno, me atenho um pouco no Bottas. Acompanhei sua temporada na GP3 no ano passado, pois corre nos mesmos fins de semana da Fórmula 1, e de fato deixou ótima impressão. Foi campeão. Este ano, pilotou 15 sextas-feiras de manhã, com a Williams de Bruno. Dickie Stanford é o chefe da equipe. Ótimo professor. Aprendo muito com ele.

Dickie sempre me falou bem de Bottas: veloz, aprende rápido e quase não erra. De fora não há como não concordar. Agora, uma coisa é estabelecer boas marcas no primeiro treino livre de um GP outra é ter a certeza de seu empresário, sócio e diretor da Williams, Toto Wolff, de que se trata de um superpiloto. Pode até vir a ser, mas eu seria mais prudente na avaliação.

Com exceção da Marussia, Bruno é candidato a correr em 2013 pelas demais escuderias com vagas em aberto. A saber: Caterham, Force India e Lotus. Onde tem mais chances é na Caterham, embora as outras portas não estejam fechadas. A Caterham conseguiu em Interlagos o que parecia quase impossível, ter Heikki Kovalainen ou Vitaly Petrov, seus pilotos, entre os onze primeiros colocados, a fim de reassumir o décimo lugar entre os construtores e receber da FOM US$ 26 milhões. Escrevi antes que a cota era de US$ 25 milhões. “Coloque um milhão a mais, por favor”, disse-me a fonte.

Bati um longo papo com Steve Nielsen, em Interlagos, o diretor esportivo da Caterham. O conheço há anos. Uma ocasião estivemos em Bali, na Indonésia, no mesmo grupo, para uma semana de férias. Trabalhava na Renault, na época. Steve me contou que o departamento de aerodinâmica da Caterham está sendo reestruturado. Há anúncios de oferta de empregos nas principais publicações inglesas.

Os técnicos que estão trabalhando no túnel de vento no projeto de 2013 já é bem distinto do que concebeu o modelo deste ano. “Foi o nosso problema. Tínhamos um bom motor e eficiente kers. Nossa temporada foi ruim porque nosso carro não gerava pressão aerodinâmica.”

As dependências físicas da Caterham em Liefield são muito boas. As conheço. Pertenciam a Tom Walkinshaw, dos tempos da Arrows, e foram sendo atualizadas.

Tony Fernandes, o malaio dono da Air Asia e da Caterham, é um homem de visão e numa roda no paddock, dessas que se formam com a presença de jornalistas, disse que não está na Fórmula 1 para apenas participar, como hoje, e fez força para não demonstrar irritação com sua organização, este ano.

“Pelo que fizemos antes de o campeonato começar esperávamos muito mais. Identificamos as razões de não termos crescido como o esperado. Planejávamos lutar pelo nono lugar talvez com a Toro Rosso”, comentou.

A área que falhou foi, como explicou Nielsen, a de aerodinâmica. Como sempre, a mais importante num projeto de Fórmula 1. Já escrevi aqui antes: apesar de apaixonado por aerodinâmica, por a matemática não prever os resultados de seus experimentos, recai muito na intuição do especialista, seu excesso de importância na performance dos carros representa um grande mal para a Fórmula 1.

Que discurso é esse sobre a Caterham, você deve estar pensando? Simples: se Bruno eventualmente assinar com a Caterham, para ser o companheiro do bom francês Charles Pic, não será, diante do seu momento na Fórmula 1, um negócio tão ruim. Obviamente se a Force India ou a Lotus optarem por Bruno será bem melhor para o piloto. Na Caterham, a luta envolve o holandês Guido van der Garde, da GP2, já terceiro piloto do time, o russo Vitaly Petrov, titular este ano e herói dos US$ 26 milhões que vão entrar no caixa, por causa do seu 11.º lugar no GP do Brasil, e Luiz Razia, vice da GP2 este ano.

Na Force India, se proceder o que ouvi de mais de uma fonte, em Interlagos, o candidato com maiores chances de ser o parceiro de Pau Di Resta é, acreditem, Adrian Sutil, que também levaria boa soma em patrocínio. A lista de candidatos lá, no entanto, é longa. Poderíamos citar seu piloto de testes, o francês Jules Bianchi, o campeão da GP2, o italiano Davide Valsecchi, o suíço Sebastien Buemi e o espanhol Jaime Alguersuari, ambos da Toro Rosso, em 2011.

A Lotus ainda não anunciou Romain Grosjean por não saber, ao certo, qual o futuro da equipe. Se for vendida, os novos proprietários podem escolher outro piloto, que atenda mais seus interesses e até mesmo tenha de levar verba maior da que Grosjean conseguiu com a Total. Ao deixar a vaga em aberto, facilita eventual negociação. Soube em Interlagos das conversas de Gerhard Lopez, do grupo Genii, dono da Lotus, com um grupo de investidores, apoiados por ninguém menos de Bernie Ecclestone e que, se baterem o martelo, o novo líder da Lotus será um ex-diretor de equipe, autoritário, bastante polêmico. Não é Flavio Briatore. Pediram para não escrever seu nome.

Quanto a Luiz Razia, depende apenas dele para assinar com a Marussia e ser o companheiro de Timo Glock. “Vale a pensa esperar um pouco, pode ser que eu consiga coisa melhor”, disse, em Interlagos. Essa coisa melhor é a Force India e a Caterham. Desde que foi criada, há três anos, a Marussia, então Virgin, em 2013 será a primeira vez que vai dispor de um carro desenvolvido no túnel de vento. Até agora se limitou aos estudos teóricos de CFD, Computational Fluid Dynamics que, por mais que tenha evoluído, ainda está longe de reproduzir a mesma fidelidade dos experimentos práticos no túnel.

Conversei com John Booth, o chefe da Marussia, em Interlagos. “Pat (Symonds) está coordenando os trabalhos e temos ajuda também da McLaren, usarmos um de seus túneis”, contou-me. Symonds é o mesmo diretor de engenharia da Benetton e depois da Renault, dos títulos de Michael Schumacher e Fernando Alonso. Envolveu-se no escândalo do GP de Cingapura de 2008 e ficou afastado na Fórmula 1 um tempo.

Uma ocasião viajamos de trem lado a lado no Japão e bati longo papo, sem as formalidades de jornalista e entrevistado. Sua visão das coisas, do mundo, é um pouco particular. Surpreendeu-me o seu envolvimento do affair Cingapura. “Vamos ter também o kers da Williams”, contou-me Booth. Com o esperado fim da HRT, infelizmente a Marussia, apesar da esperada evolução em 2013, é forte candidata a ocupar as duas últimas colocações por causa de a Caterham ter mais condições de crescer.

Torço para Bruno e Razia definirem logo seu futuro. Mesmo nessas escuderias de poucos recursos podem realizar um bom trabalho tendo como referência a capacidade desses times.

Nunca é demais lembrar: Mark Weber, Giancarlo Fisichella, Jarno Trulli, Fernando Alonso são exemplos de pilotos que começaram na Minardi, a Marussia de suas épocas, e ascenderam, todos, a times de ponta. Quem tem olho enxerga o potencial dos pilotos, mesmo na Marussia ou na Caterham. Em algum momento os talentosos expõem o que podem fazer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Brasil pode ter três pilotos na Fórmula 1 em 2013*

* Por Lívio Oricchio


Felipe Massa já foi confirmado pela Ferrari. Bruno Senna negocia com a Williams a renovação do contrato, além de conversar com Force India. Apesar da temporada difícil, tem chances de prosseguir na competição. Mas nesse momento o piloto brasileiro mais perto de também garantir presença na Fórmula 1 em 2013 é Luiz Razia. Sua ótima temporada na GP2, vice-campeão com uma equipe que andava lá atrás nos últimos anos, Arden, e o apoio de patrocinadores, como é a regra, deverá formar nos grids em 2013.

Hoje Razia está em Paris, na festa da entrega dos prêmios da FIA. Mas dias 6 e 8 Razia vai testar o carro da Toro Rosso no ensaio de jovens pilotos em Abu Dabi, no circuito Yas Marina, dois dias apenas depois da 18.ª etapa do Mundial. A Toro Rosso deverá anunciar o teste em breve. As possibilidades maiores de Razia, no entanto, não estão na equipe satélite da Red Bull, mas na Marussia e na Force India. Christian Horner, diretor da Red Bull e proprietário da Arden, tem ajudado Razia a fazer os contatos com os times da Fórmula 1.

O piloto não confirma, mas sabe-se que na Marussia, hoje, depende apenas de Razia assinar o contrato para correr no lugar de Charles Pic. O francês realiza bom trabalho este ano e tenta ascender a um time mais estruturado. Na Force India há forte concorrência pela vaga de Nico Hulkenberg que, tudo indica, já assinou com a Sauber. O mexicano Steban Gutierrez, terceiro na GP2 este ano, e piloto reserva da Sauber, deverá ser confirmado pela escuderia suíça.

“Nós conversávamos com a Sauber também, mas nos últimos dias eles mudaram a postura, dizendo não ser mais possível. Dessa história entendo que eles já fecharam com seus dois pilotos”, disse-me Razia, hoje. Gutierrez pilotará para a Sauber no teste de Abu Dabi. Sua presença na Sauber garante a continuação do patrocínio da Telmex, empresa que apoiou Sergio Perez, já contratado pela McLaren, importante para o orçamento da equipe.

A disputa para ser o companheiro de Paul Di Resta na Force India é grande. Bruno Senna, Kamui Kobayashi, Charles Pic, Jules Bianchi, Giedo van der Garde são exemplos de pilotos interessados e com possibilidades de assinar com a organização de Vijay Mallya. E até mesmo há espaço para uma reviravolta no destino de Pastor Maldonado, que com o apoio da PDVSA, seu patrocinador, trocaria a Williams pela Force India.

Na Williams, apesar de quase todos na Fórmula 1 afirmarem que Valtteri Botas será titular em 2013, nada está definido. O mais provável é a permanência de Maldonado. Quanto ao outro piloto pode acontecer de tudo.

E não é de todo impossível que a Toro Rosso substitua um de seus pilotos, Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo, embora o mais provável seja a renovação do contrato de ambos. A surpresa do ano passado, quando dia 15 de dezembro mandou embora Jaime Alguersuari e Sebastian Buemi, sugere prudência ao abordarmos a Toro Rosso.

Quando a Fórmula 1 desembarcar em São Paulo, na última semana de novembro, muito provavelmente saberemos já quem vai correr por quem em 2013. E o Brasil que correu sério risco de não ter nenhum piloto no campeonato pode, de repente, contar com três representantes. O que seria ótimo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Indy e Fórmula 1 para brasileiros*

* Por Teo José


A Fórmula Indy já terminou, mas muita gente continua trabalhando em busca de equipe e patrocinadores. Deveremos ter mais uma vez três brasileiros. Tony Kanaan, na KV, está agora em busca de mais recursos para ter melhor estrutura, é o único piloto confirmado no time. Hélio Castroneves mais uma vez vai correr na Penske, o contrato já foi assinado e Rubens Barrichello está em busca de uma nova casa. Tem quase o valor de patrocínio fechado e com apoio da Honda as coisas ficam um pouco menos complicadas. Hoje três equipes estão no foco: Dale Coyne, Rahal e Sam Schmidt. São médias e a melhor é a última, o problema está em difícil relacionamento, o dono é meio complicado. Bia Figueiredo tem conversado com muita gente, mas falta ainda combustível financeiro.

Na Fórmula 1 me parece que vamos ter apenas um representante. Felipe Massa fica na Ferrari, só falta o anuncio. Bruno Senna deve perder a vaga da Williams e não tem a garantia de seus patrocinadores para procurar nova equipe. A vida dele está bem complicada. Luiz Razia, vice-campeão na GP2, tem falado com muita gente, principalmente com Force India e Toro Rosso, mas não recebeu nenhuma sinalização positiva. Vou ficar surpreso se conseguir uma vaga.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A temporada da GP2*

* Por Luis Fernando Ramos


Faz anos que acompanho a GP2 junto da Fórmula 1, o que nem sempre é fácil. Muitas vezes o horário das corridas da categoria menor é junto do horário das entrevistas da principal; muitas vezes o paddock de ambas é tão distante um do outro que fica impraticável ouvir a molecada com a frequência que eles merecem. Mas a frequência que existe é boa. E de todas as temporadas que eu vivi de perto, nenhuma foi tão especial quanto essa.

Em especial por poder acompanhar de perto a evolução de Luiz Razia. A do piloto e também a do indivíduo. Não me entendam mal, desde meu primeiro contato com ele, sempre foi agradável conversar com um menino positivo, humilde e divertido. Mas ver a maneira como ele canalizou todas suas energias em 2012 para correr atrás de seus sonhos foi impressionante. O trabalho consequente que fez para identificar, trabalhar e superar suas deficiências técnicas e mentais para se tornar um melhor esportista é um exemplo para todos nós, seja em que profissão estivermos. A conversa que tivemos em Cingapura após a perda do título, com um visão positiva do trabalho global, apesar da frustração do resultado, fez crescer ainda mais meu respeito por ele. São poucos os pilotos na Fórmula 1 com esta atitude e, só por isso, ele já mereceria uma chance de estar lá para mostrar o que poderia fazer.

No paddock da GP2 de Cingapura presenciei também o encontro dele com Davide Valsecchi, que estava bastante feliz com o título conquistado. Nós conversámos com Razia quando chegou o pai do italiano dando lhe um forte abraço e o puxando alguns metros adiante, onde Davide dava entrevista para a tevê de seu país. O campeão da temporada se emocionou e falou que foi justamente a força do brasileiro, um adversário veloz, leal, lutador e infalível, que tornou a conquista tão especial. Uma cena de arrepiar que é raiz da paixão que o esporte desperta.

Foi muito bom também ouvir Felipe Nasr falando sobre sua temporada. Ciente que os resultados não foram condizentes com a força de sua temporada - e por motivos completamente alheios a seu controle. O brasiliense apresenta a segurança de quem entende demais de automobilismo - e tem na companhia de seu tio Amir uma referência excelente para isso - para se incomodar se farão uma leitura errada do seu trabalho. Quem entende (muita gente ali dentro do paddock da Fórmula 1) é unânime em afirmar que a cara da GP2 em 2013 será a de Nasr e a de James Calado, dois novatos cujo talento se sobressaem aos demais. A categoria é complexa e muitos resultados podem mascarar a verdade, mas contra talentos não há argumentos. O brasileiro e o inglês estão pavimentando muito bem o difícil caminho até a Fórmula 1. Não parece haver obstáculos para pará-los.

Que venha logo a temporada do ano que vem para ficar de olho no que farão estes dois!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FOTO(S) DO DIA

Luiz Razia testando pela Force India
Ronnie Peterson, de lado como sempre, no Kart



terça-feira, 10 de julho de 2012

A HORA E A VEZ DE LUIZ RAZIA*

* Por Thiago Raposo


O Brasil voltou a brilhar na GP2 e está mais uma vez muito próximo de conquistar o título da, até então, principal porta de acesso a F1. Depois de três vice-campeonatos com Nelsinho Piquet (2006), Lucas di Grassi (2007) e Bruno Senna (2008), Luiz Razia, baiano há quatro anos na categoria, lidera a competição com grandes apresentações nas últimas etapas.

De certa forma, dá até para falar em superação e volta por cima na história de Razia, apesar dele ter apenas 23 anos. Como tudo na vida do piloto aconteceu muito cedo, ele já até passou por crise e em 2012 ressurgiu com muito força. A temporada passada do baiano na GP2 não foi boa, correndo na fraca Caterham Team AirAsia e terminando a temporada apenas na 12ª colocação.

O futuro dele passou a ser uma incógnita. Isto porque os grandes times começaram a confirmar as duplas de pilotos e nada do nome de Razia aparecer em nenhum. Até que, já perto da abertura do campeonato, a equipe Arden, de Christian Horner, confirmou o brasileiro em um dos seus bólidos na temporada. Apesar da importância do chefe no atual cenário do automobilismo mundial, a equipe não era considerada grande na GP2 e, por exemplo, passou 2011 em branco.

Porém, alguma coisa aconteceu com Luiz Razia depois do fim da temporada passada. Ele voltou bem mais focado, sabendo que, de certa forma, estava ganhando uma última chance na carreira, já que até hoje nenhum piloto com mais de quatro anos de GP2 chegou à F1. Um dos destaques do piloto é o trato com os pneus. Ele descobriu a fórmula de manter os compostos conservados por mais tempo e geralmente, no fim das provas, quando os rivais começam a perder rendimento, é que Razia aparece.

A temporada começou com um domínio esmagador do italiano Davide Valsecchi, outro veterano na categoria, mas, depois que a categoria chegou à Europa, a história mudou. Foram três vitórias do brasileiro contra nenhuma do rival e o desempenho de Razia é cerca de 60% melhor que o de Valsecchi. Os dois saíram de Silverstone, neste último final de semana, separados por seis pontos a favor do baiano.

Ainda restam cinco rodadas duplas até o fim da temporada e Razia precisa manter o ritmo das últimas etapas para alcançar o sonho de chegar à F1. Ele, que em 2010 foi piloto de teste da equipe Virgin (atual Marussia) na F1 e em 2011 da Lotus (atual Caterham), tem nas mãos a grande chance de em 2013 retornar pela porta da frente à categoria máxima, como piloto titular e com o título da GP2.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

GP2: LUIZ RAZIA, FANTÁSTICO

As imagens dizem por si só. Fantástico!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

RAZIA CORRE PELA ARDEN, NA GP2

Luiz Razia anunciou na noite deste domingo (26), durante reportagem do programa 'Fantástico' da TV Globo, que vai correr em 2012 pela Arden na GP2, a principal série de acesso à F1. O piloto de 22 anos, que vai iniciar a quarta temporada na categoria, terá como companheiro de equipe o suíço Simon Trummer, informa o site Grande Prêmio.

A Arden é uma das equipes mais tradicionais da GP2 e é de propriedade do chefe de equipe da Red Bull, Christian Horner. Embora tenha vivido um campeonato abaixo da crítica em 2011, o time foi vice-campeão com Heikki Kovalainen em 2005. Nos dois anos anteriores, em 2003 e 2004, a equipe faturou o título da F3000. A última vitória da escuderia, entretanto, aconteceu em 2010, com Charles Pic, francês que estreia na F1 neste ano pela Marussia.

Razia é o segundo brasileiro a guiar pelo time de Banbury. Antes, Bruno Senna havia estreado na categoria pela Arden em 2007. No ano passado, a equipe terminou a temporada com um discreto 11° lugar na tabela de classificação.

Pela Air Asia, equipe da Caterham na F1, Luiz completou 2011 com a 12ª colocação e 19 pontos, além de dois pódios. O piloto também dividiu seu tempo no ano passado com o cargo de reserva na equipe de Tony Fernandes, o que lhe rendeu a participação dois treinos livres de sexta-feira, na China e no Brasil. O melhor resultado de Luiz na GP2 foi a vitória em 2009, na corrida 2, da rodada de Monza.

Razia, que em 2010 foi piloto de testes da Virgin no primeiro contato com a F1, também vai integrar a partir de agora o programa de jovens pilotos da Red Bull. Além do baiano, Felipe Nasr é o outro brasileiro confirmado na GP2 para esta temporada. O brasiliense, campeão da F3 Inglesa em 2011, vai correr pela Dams, equipe com a qual Romain Grosjean celebrou o título do último campeonato.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

AUTOMOBILISMO NO BRASIL*

* Por Luiz Razia

Já não é mais somente um jornalista que me pergunta: "Por que a situação brasileira no automobilismo de monoposto esta tao decaída?". Uma pergunta difícil, que deixa qualquer um inquieto, pois a resposta é ampla cheia de problemas e pessoas a serem acusadas. Porém, ao refletir um pouco sobre esse assunto, conclui que tudo é fruto de nós mesmos, como pessoas, dentro do Brasil.

Se eu sou piloto, preciso fazer minha parte, certo? Preciso de qualquer forma divulgar meu nome, divulgando a categoria em que corro, buscando patrocinadores desde cedo para ir conhecendo pessoas e empresas ao longo da minha carreira, falar o melhor possível de onde passo e meus passos para o futuro, e dar o sangue para o meu pais, coisas que todos os pilotos fazem. Por sua vez, o dono de equipe precisa ser o mais honesto possível, tratar sua equipe como se fosse sua casa, seus empregados como sua família e seus pilotos como filhos, doar seu coração aos seus projetos e fazer tudo com dignidade. As autoridades das confederações precisam olhar no espelho todo dia e perguntar o que eles estão fazendo de bom para o nosso automobilismo, como que eles estão se preocupando no dia-a-dia para as coisas melhorarem no mundo automobilístico no Brasil, da base até o categoria mais superior.

As empresas, por sua parte, precisam entender que automobilismo é uma ferramente genial de publicidade, pois atinge muitos veículos em um número só. Jornais, revistas, rádios, televisão, internet... São todos os veículos usados hoje em dia em uma corrida, e isso para qualquer empresa que precisa de publicidade é prato cheio, alem de contar com promoções que podem ser realizadas com equipes e pilotos.

Os jornalista, por sua vez, deveriam mostrar o lado bom das coisas. Claro, a critica é necessária, porém o incentivo também é importante, é preciso de um equilíbrio. Hoje o que mais se vê são criticas, especulações, difamaçõe entre outras coisas negativas que eu não consigo entender: por que alguém quer puxar o próprio barco para baixo? Talvez para salvar seu emprego. Mas a questão é seria, ao ponto de os próprios pilotos não serem bem quistos nos seus próprios países pelo numero de criticas recebidas dos veículos de noticias.

Os fãs de automobilismo por sua parte precisam também enxergar um outro lado, todos precisam ir ao autódromo, é fundamental demostrar que gostam de automobilismo. Todo mundo vai ver jogo de futebol, por que então não vão ver as corridas no autódromo? Tem tanto espaço e sem contar que é muito legal para quem gosta é claro.

Não é somente culpar os outros e pensar que as coisas vão mudar, (mania brasileira), de pensar que colocar a culpa nos outros é mais fácil do que olhar no espelho. Se você, de qualquer forma, tem poder dentro desses quesitos que mencionei e não esta nem se esforçando para melhorar a forma de que esta sendo tratado este esporte no Brasil, você também é um culpado da situação.

Aqui vai uma entrevista que fiz para a Radio CBN com o Guilherme, e ele me perguntou sobre isso e agora refletindo criei esses texto.

http://soundcloud.com/driveriot/entrevista-radio-cbn-guilherme