quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESPECIAL GP BRASIL: GP BRASIL, 2003

Até a pé nós iremos à Interlagos ver o GP Brasil de Fórmula 1. Esta frase me lembra muito a situação que vivi no GP de 2003. No sábado foi só alegria, um sol para cada um e um Rubens Barrichello super inspirado, fez com que todos vibrassem com uma pole-position conquistada na marra.

Como é bom ver um piloto brasileiro na pole-positon do GP em que tanto sonhou em ganhar. A expectativa era de que, enfim, isso pudesse ocorrer.

Porém o domingo amanheceu diferente, um clima estranho tomava conta da cidade, um misto de frio, chuva e sol era a sua característica. Mas este clima estranho ficou ainda pior quando chegamos no local de saída dos ônibus especiais para Interlagos. Simplesmente não havia ônibus porque os motoristas resolveram protestar e fazer greve. Enquanto alguns fechavam pacotes astronômicos com os motoristas de taxi, conseguimos convencer o coordenador das compras a fechar uma única Kombi, só de ida, para Interlagos.

Chegando em Interlagos, os ventos começam a mudar de direção e o tempo nublado se transforma em uma chuva homérica, para quem estava na placa dos 50m, mal dava para enxergar a saída dos boxes, era chuva que não acabava mais. Não adiantava nem reclamar com São Pedro, tamanha era chuva, quanto mais reclamávamos e virávamos de costas para pista, mais a chuva virava em nossas direções. Capa de chuva, pouco adiantava...festa, brincadeiras na arquibancada...não...o silêncio tomava conta do autódromo a espera de boas notícias.

A primeira não foi nada boa, a curva do lago estava simplesmente alagada e pela rádio que também transmite o GP as informações eram de que não haveria corrida. O desespero tomou conta de todos, ninguém sabia ao certo o que fazer. Alguns foram embora, outros ficavam atônitos.

Uma pseudo tranquilidade só veio quando o Safety-car passou pela reta, era o indicativo de que poderíamos ter corrida, mas ao parar na curva do lago a cena mais desesperadora, o volume de água era tanta que a pequena poça batia na metade da porta da Mercedes, parecia carro em alagamento na Marginal Tietê.

No famoso jeitinho brasileiro, pás e picaretas foram levadas às pressas ao local e buracos para escoar a água foram abertos rapidamente, o problema continuava pois a chuva não parava. Mas como um aviso, 1 hora antes da largada ela foi diminuindo e com isso a água foi escoando, escoando até ficar só o barro na pista.

Mais uma vez o pessoal de apoio teve que trabalhar as pressas para limpar a pista e quando estavam acabando, os primeiros roncos dos motores foram ouvidos. Não eram os roncos da Fórmula 1, mas daquela categoria que seria o embrião da SuperClassic (hoje Classic Cup), com um DKW puxando a fila com uma frase no mínimo curiosa: STOP BOMB IRAQ. A guerra do Iraque havia começado a poucos dias, e o intrépido piloto chamado Flávio Gomes deu o seu recado enquanto narrava as voltas pela pista. Atrás dele vários carros que fizeram história no automobilismo nacional, DKW's, Brasílias, Fuscas e até o Patinho Feio estavam presentes...o sorriso voltou a tomar conta de todos.

Assim, sem atrasos, mas sem largada a corrida foi iniciada, e o resto da história todos nós conhecemos...muita confusão, que culminou na maior decepção do final de semana: o abandono do Rubinho com uma suposta pane seca. Um acidente no fim e uma vitória inesperada, esse foi o resultado de toda essa corrida.

Por fim a volta para casa que demorou 4 horas e meia, com chuva à espera dos ônibus certos rumo a tão sonhada cama.

Resultado final
1 - Giancarlo Fisichella - Jordan-Ford
2 - Kimi Raikkonen - McLaren-Mercedes
3 - Fernando Alonso - Renault
4 - David Coulthard - McLaren-Mercedes
5 - Heinz-Harald Frentzen - Sauber-Petronas
6 - Jacques Villeneuve - BAR-Honda
7 - Ralf Schumacher - Williams-BMW
8 - Jarno Trulli - Renault
Pole-position - Rubens Barrichello - Ferrari

2 comentários:

Daniel Macarenco disse...

esse dia foi foda. Vi tudo pela TV.

Igor * disse...

ano do "rio curva do sol"