quinta-feira, 8 de maio de 2008

"PERDI PARA O KUBICA"

Lembram-se desta história?

Pois bem, o Red Bulletin (jornal oficioso da stock car) publicou o outro lado da história, entrevistando os pilotos envolvidos. Simplesmente demais.

Ninguém poderia imaginar, mas um polonês feio e narigudo, convidado despretensiosamente para participar da etapa de encerramento da primeira temporada da extinta Fórmula Renault Brasileira - em 2002, em Interlagos - seria o único piloto da categoria a chegar à Fórmula 1, pelo menos por enquanto. Mas só não enxergou o talento dele quem não quis. Robert Kubica foi o mais rápido em todos os treinos livres, fez a pole position e ganhou a corrida com mais de dez segundos de vantagem sobre o segundo colocado, Marcos Gomes - um dos três pilotos da Stock Car que estavam naquele grid em que o sonho de correr na Fórmula 1 ainda era igual para todo mundo.

"Sabia que ele andaria bem, porque já estava em seu segundo ano na categoria, mas não esperava tanto assim", reconhece o piloto da Medley-A.Mattheis, que foi na onda divertida do pai, Paulão, e apelidou o simpático polonês publicamente de Padre Marcelo Rossi. Mais em função do nariz avantajado que da religiosidade, diga-se. "Ele pegou a mão da pista rapidamente, não foi tão superior na classificação, mas na corrida acabou abrindo muito porque eu e o (Sergio) Jimenez estávamos brigando bastante pela segunda posição", lembra. Além dele, estavam naquela corrida Daniel Serra e Allam Khodair. Que também reconheceram a velocidade do polonês logo de cara."Deu para ver que era um piloto muito rápido. Mas é claro que não dava para saber que seria um grande nome da Fórmula 1", revela Serrinha. Para ele, a superioridade do adversário não foi apenas em função do talento natural. "Além de ser ótimo piloto, ele estava no segundo ano de F-Renault, tinha feito milhares de quilômetros de treinos com vários jogos de pneu. A experiência era muito maior do que a de qualquer um no grid", analisa, lembrando que os testes eram proibidos para quem corria no Brasil. Daniel Serra fala com boa base porque em 2005, quando foi correr na Europa, pôde analisar o desempenho de Robert Kubica um pouquinho mais de perto.

E o que mais surpreendeu o piloto da Red Bull Racing não foi nenhuma característica técnica do polonês. "Estávamos sempre na mesma pista, nunca chegamos a conversar, mas nos cumprimentávamos. No ano seguinte, ele chegou à Fórmula 1. Na corrida do Brasil, quando os pilotos estavam voltando da apresentação na pista, ele saiu do meio de todos e veio falar comigo, perguntar como eu estava. Achei uma atitude legal e humilde", conta. A postura tranqüila é uma característica de Robert Kubica. Não por acaso elogiada pelos três pilotos da Stock Car que tiveram contato com ele em Interlagos. E que por força do destino não vão enfrentá-lo na Fórmula 1.

Allam Khodair, que não chegou a completar aquela corrida, reconhece toda a habilidade de Robert Kubica, mas acha que a diferença imposta ao segundo colocado foi apenas circunstancial. "Se você voltar a fita ele foi superior sim, mas na classificação foi somente um ou dois décimos mais rápido. Na corrida ele abriu porque a briga pelo segundo lugar era forte. O Marquinhos segurou o Jimenez a prova inteira e deu essa falsa impressão de muita diferença, mas não foi", lembra. "Aconteceu a mesma coisa comigo na primeira corrida do ano seguinte. Teve uma briga pelo segundo lugar e eu abri 29 segundos para o segundo! Mais do que ele conseguiu", conclui.Mas quem, naquele grid de Marcos Gomes, Daniel Serra e Allam Khodair, reúne maiores chances de cruzar novamente o caminho de Robert Kubica? Nesta questão, eles são unânimes. "O único que tem chances e já chegou lá é o Lucas Di Grassi. Os outros estão bem em outras categorias", comenta Marquinhos. "Quem está mais perto disso hoje é o Di Grassi. Nós nos conhecemos e torço para que ele consiga chegar", conclui Serrinha. "Os demais tomaram rumos diferentes e já é tarde para chegar à F-1", acredita Khodair. Apesar dos caminhos diferentes, fica claro, pela forma como tocam no assunto, que os pilotos da Stock Car sentem-se realizados profissionalmente, mesmo distantes do rival que um dia dividiu com eles um grid de Fórmula Renault.

2 comentários:

Marcos - Blog da GGOO disse...

Taí uma história muito bacana!!
O Kubica hein!!!
Quem diria....

- IGOR! - disse...

o di grassi tb tava nessa prova??? quem é ele na foto do post abaixo???