terça-feira, 7 de abril de 2009

CRÔNICAS DO GP: MALÁSIA 2009

Das mais tropicais das pistas ouviam-se lamúrias. Da mais poderosa das equipes via-se a soberba. Do mais negros dos pilotos escutava-se mentiras e desculpas. Do mais poderoso dos organizadores, via-se ganância. Da mais nova das equipes, via-se competência. Do melhor dos pilotos, via-se resignação. Dos brasileiros, via-se otimismo e frustração.

Assim começava o GP da Malásia, em um horário diferente e sem margem para erros. A chuva, por mais comum que fosse, não poderia dar as caras no horário da corrida para que tudo transcorresse da melhor forma possível sem percalços.

No sábado, a torcida deu certo, não choveu. O que marcou, foi a soberba de uma equipe perdida em seus próprios atos, que confiou no seu próprio umbigo e desligou os monitores. O tempo parecia suficiente para o seu piloto número 1. Parecia. Não foi. E, vergonhosamente, foi eliminado na primeira parte da classificação.

O que para este brasileiro era ruim, para outro as coisas foram ainda piores. A vigésima derrota para o seu companheiro de equipe em 20 corridas. Simplesmente vergonhoso, ainda mais para quem precisa, urgentemente, mostrar serviço para ver se emplaca mais alguma sobrevida na categoria.

E para o último brasileiro, aquele que muitos apostavam na aposentadoria, as coisas também não foram flores, mas também não foi um desastre completo. Com carro pesado e com alguns errinhos, fez o 4º, logo em seguida rebaixado ao 8º lugar por conta da troca do câmbio de seu carro.

A corrida prometia e os chats pré-GP da GGOO ferviam no mesmo ânimo em que as nuvens negras se aproximavam da pista malaia. Não se falava outra coisa, a chuva era a redenção e a esperança para "sairmos da mesmice", fazendo até Exu-Tufão ser convocado para ver se mudava o rumo daquela prova e também era a chance de alguns saírem do zero no nosso bolão.

A corrida começa com sol, as nuvens rodam a pista, e os pilotos aproveitam este tempo seco para dar o seu show. Na disputa entre Kers e Difusor, a turma que acumula a energia das freadas se saiu bem na largada, ultrapassando vários carros. Já a turma do difusor lutava para se manter na frente, enquanto a equipe líder do campeonato, voltava a ter uma largada ruim.

Mas as impressões da largada logo mudaram e a turma do difusor começou a mandar na prova com ultrapassagens e melhores voltas, quem tinha o Kers se defendia como podia, mas muito mais do que potencia, faltava rendimento. As brigas se restringiam aos grupinhos, quem tinha Kers disputava com carros da mesma família, quem tinha difusor, brigava pela ponta.

As nuvens negras ficavam cada vez mais negras, e as paradas de boxes se aproximavam. Pairava a dúvida no ar: enquanto tempo começaria a chover. Uns diziam em 5 minutos, outros naquele instante outros, ainda, preferia não prever. Começam os pit-stops, todos continuam com pneu slick, menos um, que decide, no seco, colocar pneus de chuva.

A chuva não vem. Sua corrida é descartada. Nessa hora, o brasileiro decano está em segundo, mas precisa fazer sua parada de boxes. O cambio falha novamente e em quarto volta. Os demais brasileiros seguem no final do pelotão.

Mais algumas voltas e a chuva se faz presente em pontos isolados do circuito. Todos correm para os boxes, trocam de pneu. A chuva ameaçava. Os penus eram os de chuva forte. A chuva para. Quem colocou intermediários se deu bem. A pista seca. Todos de volta para os boxes. Pneu de pista seca. Mais um tempinho e a chuva cai como a tempos não se via.

A chuva, ajudou a escurecer a pista. Faltava condições de visibilidade, faltava condições de pista, uma vez que a mesma estava inundada. Faltava condições para se prever o que seria feito com a corrida.

Bandeira vermelha, corrida interrompida. Pilotos não sabem se ficam no carro ou se tomam chuva. Os carros são cobertos. A espera fica enfadonha. As informações são desencontradas. Um dos pilotos, que já havia abandonado (soube-se do fato após), desencana da vida e aparece de bermuda e camiseta, deliciando-se com um sorvete e um refrigerante.

Enquanto isso, pilotos conversam entre si. Ninguém sabe o que fazer, exceto o público que, embalado pelas fortes chuvas, prefere se divertir realizando um verdadeiro esquibunda uma vez que a diversão maior não dava mostras de decisão.

Uma hora de espera. A chuva não passa. A corrida é interrompida. Vitória do mesmo piloto que ganhou na Austrália. Os brasileiros vão mal e o melhor chega em quinto. Mas para compensar a má sorte, a corrida valerá metade dos pontos. O prejuízo no campeonato, assim, é menor.

Passada a corrida, hora de checar o bolão, ver a sua pontuação e começar a se preparar para a próxima etapa, na China, também de madrugada. Haja ansiedade!

4 comentários:

Marcos - Blog da GGOO disse...

Ficou chik esse hein!
Quem não viu a corrida, nem precisa ver o VT.

Rodrigo Lopes - O Moconauta disse...

Realmente... concordo com o presidente... ficou show!!!!

- IGOR! - disse...

putz, ao ler pensei o mesmo... isso tá mais pra um compacto do que pra crônica do gp, hahaha!!!

Rodrigo Cabral disse...

Roque, só agora comento!

Brilhante narrativa da corrida, enriquecido dos detalhes da prova, clima e situação angustiante do encerramento da prova.

Realmente belas palavras, caprichadas nas doses de olhar atento de um apaixonado por F1!

Na qual todos aqui somos!
Brilhante.