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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Duelos Internos 2014: McLaren*

* Por Luis Fernando Ramos


Com o grid já formado e os testes em andamento - num quadro em que ainda é difícil avaliar o potencial de cada carro -, é hora de olhar para cada equipe e ver como elas estão de pilotos. Os duelos internos são sempre uma faceta interessante da Fórmula 1, colocando dois nomes lutando com as mesmas armas. Começamos a série hoje olhando para uma das duplas mais interessantes, a da McLaren.

É o clássico duelo entre o veterano que só tem a perder e o novato que só tem a ganhar. A Jenson Button cabe liderar a equipe num ano que é praticamente de transição para preparar a chegada dos motores Honda. Já Kevin Magnussen precisa justificar a aposta feita pelo time. Mas, para isso, basta andar próximo de um cara experiente e campeão do mundo. Se batê-lo, eventualmente ou frequentemente, o dinamarquês já entra no lucro.

Pessoalmente, acho que Button vai prevalecer nessa briga, mas terá de trabalhar para isso. Sua fraqueza está nas classificações, mas os indícios iniciais em Jerez apontam para um MP4-29 eficiente em voltas rápidas. Afora isso, a experiência deve fazer a diferença. Na Espanha, me impressionou o profissionalismo com que Button encarou o trabalho (e depois, as entrevistas), mesmo com uma expressão extremamente abatida pela perda de seu pai, sua maior referência. Transpareceu que, ao invés de se fechar, pode usar a perda como um incentivo a mais na busca pelo sucesso. E com a Honda chegando com força no ano que vem, ele sabe que tem uma chance real nas mãos de brigar por um novo título.

Já Magnussen me impressionou em Jerez pela tranquilidade com que está vivendo esta chegada na Fórmula 1. Nenhum sinal de deslumbramento ou desconforto com a oportunidade. Apesar da pouca idade, parecia convicto de que uma vaga numa equipe de ponta era algo seu de direito - e isto é sempre um bom sinal. Seus desempenho na World Series no ano passado mostra também que é um piloto muito regular e com uma taxa baixa de erros. Características importantes para se estabelecer na categoria neste ano. Em seu país, ele já é comparado a Fernando Alonso (leia aqui).

Potencial explosivo? Baixo. Button é inteligente o suficiente para marcar seu espaço sem partir para um confronto direto que pode minar o time. E Magnussen parece inteligente o suficiente para não causar problemas logo de cara. Além do mais, a prioridade dos dois está em se unir para melhorar o time em 2014. Uma eventual briga por vitórias e títulos, a lógica aponta, seria só no ano que vem.

E você, como vê este duelo se desenvolvendo?

Jenson Button
Número: 22
Local de Nascimento: Frome (Inglaterra)
Idade: 34
GPs disputados: 239
Vitórias: 15
Poles: 8
Melhores voltas: 8
Pontos: 1046

Kevin Magnussen
Número: 20
Local de Nascimento: Roskilde (Dinamarca)
Idade: 21
GPs disputados: 0
Vitórias: 0
Poles: 0
Melhores voltas: 0
Pontos: 0

terça-feira, 13 de agosto de 2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

LEGENDE A FOTO


quinta-feira, 25 de abril de 2013

O exemplo da McLaren*

* Por Luis Fernando Ramos




Os fãs da Fórmula 1 assistiram admirados no último domingo ao duelo entre Jenson Button e Sergio Perez, ambos pilotos da McLaren, durante cerca de 40 voltas. Uma briga no limite - às vezes até acima dele, com os carros se tocando levemente em três ocasiões, sem consequências maiores. Duas corridas depois da categoria ficar envolvida numa polêmica sobre ordens de equipe, quem gosta do esporte respirou aliviado.

Vale lembrar: nas voltas finais do GP da Malásia, Red Bull e Mercedes ordenaram via rádio que seus pilotos mantivessem as posições. Não funcionou no time anglo-austríaco porque Sebastian Vettel desobedeceu. Todo mundo julgou a atitude do alemão, poucos a do time em interferir na disputa tão cedo no campeonato.

Pois este é o ponto central da questão. Numa fase decisiva do campeonato, é normal quem não está na briga pelo título ajudar o companheiro de equipe que está. Mas é preciso haver bom senso. Se olharmos historicamente, as ordens de equipe que geraram polêmica foram as que interviram na disputa pela vitória de uma corrida no início ou no meio de um Mundial: Áustria 2002, Alemanha 2010 (ambas na Ferrari) ou Malásia 2013 (na Red Bull e na Mercedes).

Legal ver a McLaren esfregar na cara de todas elas o quanto é bom deixar a disputa correr solta. Perez estava mais rápido que Button no Bahrein e poderia ter chegado uma posição à frente da que chegou tivesse o time ordenado que o inglês deixasse o mexicano ultrapassá-lo sem luta. O próprio Button poderia ter economizado pneus se não brigasse com Perez e, com isso, teria feito uma parada a menos e terminado a prova em oitavo ao invés do décimo lugar.

Mas o time de Woking não vai chorar estes cinco pontos jogados fora. Mesmo que, no final do ano, eles signifiquem a diferença entre uma posição acima no Mundial de Construtores e, por consequência, um prêmio maior na distribuição dos lucros da Fórmula 1. Afinal, atitudes como esta mostram que, na cabeça de seus líderes, o esporte ainda vem antes do dinheiro. Sorte nossa.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

JENSON & CHECO*

* Por Flávio Gomes



Se tem um cara que a gente nunca imagina que vai ser inimigo do companheiro de equipe, é Button. Em 13, quase 14 anos de F-1, não lembro de nenhuma treta envolvendo o inglês com parceiro algum. Nem com adversários de outros times. Ele era meio despirocado no começo da carreira, mas logo caiu na real. E construiu uma imagem de piloto leal, correto e boa praça. Incapaz de esmagar uma formiga ou de falar mal de qualquer um.

Ontem, porém, soltou os cães sobre Pérez — especialmente nas entrevistas imediatamente após a corrida.

“Houve muita disputa limpa nessa corrida, o que é legal. Exceto com meu companheiro de equipe. Tive muitos companheiros ao longo dos anos, alguns bem agressivos, como Lewis. Mas não estou acostumado a pilotar numa reta tendo meu companheiro ao meu lado batendo rodas a 300 km/h. Esse não é o meu jeito de dirigir. Talvez seja a maneira que a gente vai correr agora, mas não é o jeito que eu quero. Ele me tocou por trás e de lado no meio da reta. Isso é perigoso, não gosto dessas coisas. Tive muitas brigas na F-1, mas nenhuma suja como essa.”

“Suja” foi a palavra mais forte que Jenson usou. Depois, disse que Pérez precisa “se acalmar”, caso contrário “alguma coisa perigosa vai acontecer logo”. “A gente faz essas coisas quando está correndo de kart, mas normalmente as pessoas crescem. E não é o caso de Checo.”

Uau. Chamou de moleque.

O mexicano tentou justificar o que fez. “Foram brigas agressivas com vários pilotos, lutei com eles como eles lutaram comigo. Concordo que fomos muito agressivos, mas ele também foi, e saí da pista algumas vezes. Temos de conversar. Foi um pouco arriscado demais o que Jenson e eu fizemos. Nos tocamos algumas vezes, mas quando você está lá dentro, tem a adrenalina toda e você está lutando. Espero que nas próximas corridas possamos ajudar um ao outro um pouco mais.”

Martin Whitmarsh conversou com Pérez. Disse a ele que bater na traseira do companheiro não leva ninguém para o céu. “Ele é jovem, vai aprender, e talvez tenha de se acalmar um pouco. Mas foi essa paixão, essa vontade, que fez com que ele passasse outros pilotos no fim da corrida. A gente não pode apagar essa chama.”

Uau. Chamou de fogoso.

Sam Michael, outro dirigente importante, falou que a McLaren, historicamente, libera seus pilotos para as disputas. “Somos uma equipe de corrida. Foi assim com Senna e Prost e com Button e Hamilton”, lembrou. “E sempre vai ser.”

Eu achei que Pérez exagerou. Não por disputar posições e brigar por elas. Mas por ser agressivo demais a ponto de, realmente, quase tirar Button da corrida. Isso, de fato, não se faz. Não se tira ninguém de corrida nenhuma, e quando se trata de um companheiro de equipe, o cuidado tem de ser maior ainda.

Passou do ponto. Deveria ter procurado Jenson e pedido desculpas. Mas, como já disse mais de uma vez, consta que o rapaz é meio da pá virada. Não sei se com essa personalidade que resvala na arrogância vai muito longe, não.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Debate sobre a punição de Sebastian Vettel*

* Por Felipe Motta


Só sei que a história do Grande Prêmio da Alemanha que mais repercutiu foi a punição de Sebastian Vettel após ultrapassar Jenson Button na parte final da prova.



Logo que vi a imagem pensei que o alemão não merecia ser penalizado. Era claro que ele tinha saído da pista, mas não via uma enorme vantagem para ele. Ele não cortou chicane, não encurtou caminhos, portanto não levou vantagem.

Quando saí da sala de imprensa, fui buscar compreender melhor o episódio. E ouvi de todos os personagens (pilotos, engenheiros e jornalistas) que Vettel merecia ser punido. Fiquei surpreso e busquei entender alguns pontos. Felipe Massa foi um que falou bastante sobre o ocorrido. E concedeu informações importantes.

“Na minha cabeça, isso não faz parte do regulamento. Você não pode usar o lado de fora da pista para fazer uma ultrapassagem. Isso é ganhar vantagem por um lado que não é pista. Se fosse grama, ele não ia ultrapassar ninguém. A pista acaba na linha e você não pode invadi-la para ganhar vantagem, seja para ganhar tempo ou ultrapassar alguém.”

“Na reunião dos pilotos (após Bahrein), todos eram a favor de que ele deveria ser punido, porque você não pode ultrapassar ninguém do lado de fora. Para mim, o Hamilton não poderia ter feito aquela manobra, mas essa do Vettel é ainda muito mais clara, porque é uma curva fechada. Lá, era no meio da reta e o Hamilton teve ainda menos vantagem. Aqui foi muito pior.”

Até mesmo Pastor Maldonado, o campeão de punições, foi direto ao comentar o assunto.

“Você tem de respeitar a pista. Nesse caso havia asfalto e dava para passar por fora, mas se fosse terra ou grama, a manobra não aconteceria. Então, fica muito claro que ela é proibida.”

De ouvir todos os personagens admito que entendi a situação e mudei minha visão. Acho que isso é ter humildade de compreender a questão. TODOS falavam que foi algo errado, e numa baita simplicidade. Sem estresse. Podemos discutir se a regra precisa ser mudada, se alguns conceitos devem ser revistos, mas na F-1 atual não cabia discutir.

Numa condição como a que tivemos ontem, não entra em julgamento a vantagem que ele obteve ou não. Utilizar a área de fora da pista não é permitido.

Se olharmos a imagem com atenção, percebemos que Vettel está lado a lado com Button, mas na hora de contornar a curva, ele acelera antes ganhando velocidade, provavelmente por saber que ali havia uma área de escape e não uma grama, caixa de brita ou muro.

Não se pode afirmar que Vettel fez de forma premeditada, e acho que não. Mas isso não importa. É como um pênalti no futebol. Não importa se foi uma falta tranquila ou uma falta criminosa, pênalti é pênalti. Não podemos dizer “coitado do zagueiro, ele pegou leve, então vamos colocar a bola na meia-lua que é mais justo”.

Voltemos ao caso polêmico do duelo de Hamilton e Rosberg no Bahrein, quando o primeiro ultrapassou o segundo por fora da pista em plena reta. Podemos dizer que Rosberg jogou Hamilton para fora, o que de fato parece ter acontecido. Lá, a justificativa para não punir Rosberg é que ele começou o movimento de defesa antes do ataque de Lewis. Se fosse o contrário, ele seria punido, como Michael Schumacher foi no duelo com Barrichello na Hungria, em 2010.

Eu não minimizo a discussão em torno do assunto. Na Fórmula 1 não dá para ser tudo preto no branco, claro como água. A margem para discussão existe, claro. Em Valência, a disputa Maldonado e Hamilton não é 100% definida na primeira visão. E no esporte em geral é assim. Quem nunca divergiu de uma avaliação no boxe dos árbitros, notas na ginástica olímpica e assim vai.

Só dois argumentos contrários que não concordo. 1) Assim, ninguém vai ultrapassar mais. Sabemos que isso é uma bobagem. 2) Que todo mundo na F-1 é fresquinho. Outra tolice. 3) Não adianta ficar resgatando que Schumacher passou Trulli em 2003 desta forma. Diversas avaliações mudam ao longo dos anos. Repito, acho que cabe discussão sobre se é certo ou não avaliar desta forma. Mas se decidirmos que algo está errado, então precisamos mudar. Porque como as coisas estão estabelecidas e assim que se deve proceder.

Lembro-me bem de um outro caso. Em 2010, quando Vettel errou e bateu em Button em Spa, achei que ele não merecia ser punido. Afinal, ele tinha tentando uma manobra e perdido o controle de seu carro, e não acertado deliberadamente. Ou seja, ele pagou o pato junto. Quando consultei todo mundo no paddock a ideia geral era: “claro que tem de ser punido, ele errou, mesmo que sem intenção, e tirou um cara da corrida.”

Que fique claro, Vettel, no calor do momento, não tinha muito como avaliar se devolveria ou não a posição. Cabia ao time fazê-lo. Naturalmente, faltando uma volta e meia para o fim, fica muito difícil decidir isso.

E aqui lembro de um caso final. Em 2010, a famosa disputa entre Raikkonen e Hamilton em Spa que resultou em batida de Kimi e punição do inglês fez muito barulho. Hamilton cortou a chicane e devolveu a posição já em condição de levar a vantagem. Para mim era claro que seria punido, ainda que respeitasse quem discordasse. Em Monza, na corrida seguinte, houve muita expectativa sobre o assunto.

Na prova todos estavam atentos. Massa ficou algumas voltas preso atrás de Rosberg. Quando passou, colocou suas rodas sobre a chicane. Eu até achei que ele não tinha cortado, mas a Ferrari pediu que devolvesse. No caso, era uma prudência diante de um incidente tão vivo na categoria.

Sendo como for, cabem interpretações do que se pode mudar na F-1, mas neste caso foi feito o que se podia fazer. Tanto que Christian Horner, chefe da Red Bull, disse que a punição foi maior do que o “suposto” crime cometido, mas que era a única que os comissários poderiam aplicar. “Foi uma decisão dura mas, infelizmente, essa é a única pena que os comissários podem dar quando algo é julgado após a prova. A punição não condiz com o suposto crime, mas é assim que funciona e temos de respeitar.”

McLaren Animation (Tooned) - Episode 02 - Slicks