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domingo, 25 de março de 2012

FOTO DO DIA

Helio Castroneves homenageia Dan Whledon na comemoração pela vitória em St. Petesburg

sexta-feira, 23 de março de 2012

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

INDYCAR: IMPACTO EM SUPORTE DO ALAMBRADO CAUSOU MORTE DE WHELDON

Em coletiva nesta quinta-feira em Indianápolis, a IndyCar divulgou um relatório da investigação sobre o acidente fatal de Dan Wheldon, na etapa de Las Vegas, no dia 16 de outubro deste ano, informa o site TAZIO.

Brian Barnhart, chefe de operações da categoria, explicou que diversos fatores contribuíram para que o acidente acontecesse e que não foi possível concluir se a exclusão de apenas um deles seria o bastante para a sua prevenção.

O impacto que matou Wheldon foi quando ele bateu com a cabeça no suporte do alambrado que fica junto ao muro de proteção, na parte externa da pista.

“Foram vários fatores que não são incomuns em uma corrida que se juntaram e custaram a vida de Dan”, afirmou o dirigente da Indy.

O número de 34 carros em um circuito de 1,5 milha não foi considerado um dos problemas, pois estaria dentro da capacidade da pista, tanto em termos de largura quanto de estrutura nos boxes. “Las Vegas poderia ter 37 carros no grid”, disse Randy Bernard, presidente da IndyCar. Segundo ele, também não foi encontrada nenhuma falha mecânica que pudesse contribuir para o acidente.

A investigação aponta que a batida teve a participação de 15 carros e começou com o toque entre James Hinchcliff e Wade Cunningham, na entrada da curva um, causando a rodada do segundo. JR Hildebrand, que vinha logo atrás, bateu em Cunningham. Logo depois, envolveram-se também Jay Howard e Townsend Bell.

Dan Wheldon vinha na 24ª posição, a 358 km/h. Ele se manteve em um traçado na parte interna da pista, tentando escapar dos carros que batiam à sua frente. Aproximadamente 3s8 depois do primeiro impacto, Wheldon reduziu a aceleração para 55% do curso do pedal. Um segundo depois, ele diminuiu para 10% e continuou assim até o impacto. Ele começou a frear 2s4 antes do choque e conseguiu desacelerar para 264 km/h.

O inglês bateu na traseira do carro de Charlie Kimball e decolou. Nesse momento, Wheldon foi submetido a uma força equivalente a 50Gs por trás, 100Gs lateralmente e 100Gs na vertical.

A traseira do carro de Wheldon bateu por cima do muro de proteção e o carro ficou paralelo ao alambrado, com o cockpit virado para a cerca e o bico apontado na direção da corrida. Ele acabou batendo em um suporte do alambrado com a cabeça, o que ficou evidenciado pelos danos na parte frontal do capacete do inglês. Esse impacto foi o que causou a morte da inglês.

Segundo Barnhart, a posição do muro e do alambrado não foram fatores que contribuíram para o acidente e eles funcionaram da forma como era esperado.

Uma comissão será formada para estudar medidas aerodinâmicas e mecânicas necessárias para a categoria correr em ovais de até 1,5 milha.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CASCOS: RUBENS BARRICHELLO (GP DA ÍNDIA, 2011)



Por meio de sua conta no Twitter, Rubens Barrichello divulgou as cores de seu capacete para o GP da Índia de F-1, que acontece neste fim de semana, informa o site TOTAL RACE.

O brasileiro afirmou que a pintura é uma homenagem a dois amigos: Renato Russo, piloto veterano de kart cuja pintura estampará seu casco, e Sid Mosca, pintor de capacetes, cujo o competidor da Williams era cliente.

Na pintura, também é possível ver o número 58 de Marco Simoncelli, morto na MotoGP semana passada, estampado na parte lateral, e um selo em homenagem a Dan Wheldon, que perdeu a vida na última corrida da Indy, em Las Vegas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quais pilotos estão na foto?


COLUNA DO ROQUE: O VAZIO DA MORTE

Quando o automobilismo se silencia, entendemos as razões. Novamente senti aquele silêncio que presenciei em 2007, lá em Interlagos no passamento de Rafael Sperafico. Vontade de ficar quieto, de chorar, de gritar não faltaram. Porém busquei responder: Por que isso aconteceu? Por que? Por que tinha que ser com ele?

Como sempre vão culpar os carros, a pista, o piloto, o estilo de pilotagem. Fórmulas e mais fórmulas foram e estão sendo formuladas para justificar um erro. Quem gosta de corrida, quem acompanha de verdade (e não só por noticiário fantasioso e aproveitador), sabe que toda corrida o risco de um acidente é iminente. E havendo acidente, riscos de morte são válidos também.

Aqui no blog, por exemplo, tanto se valoriza os pilotos em detrimento da máquina. Reconhece-se a ombridade daqueles que corriam sem cinto de segurança e quiçá um capacete (se podemos chamar aquilo de capacete) em comparação daqueles que correm hoje, em carros que mais parecem computadores.

Diferentemente da Stock, quem acompanha a Indy vê a evolução da segurança dos carros, vê a evolução na condução dos pilotos, não se pode falar que é algo amador. Muito menos insegura, principalmente para carros que andam a quase 400 km/h e dificilmente acontecerem mortes.

A discussão não tem que ser do carro, mas sim do formato como ocorreu. Por que os carros alçaram voo? Até porque, os pilotos que estão lá, na sua maioria, são bons. E, se no início, vibramos com qualquer acidente, vemos, com a confirmação dos acontecimentos, o vazio da morte se fazer presente.

Aos familiares de Daniel Wheldon, minhas condolências.

O sentido do automobilismo é o risco (de morte)*

* Por Felipe Paranhos - Grande Prêmio

Só hoje eu li o texto de André Forastieri sobre a morte de Dan Wheldon. O título é “O sentido do automobilismo é a morte” e causou discussão no Twitter, notadamente por parte de pilotos e jornalistas que dele discordaram. Como na era de internet infelizmente não se ouve, lê ou vê nada sem um juízo de valor previamente estabelecido, muitos se apressaram a atacar o autor do texto, evocando aspectos de seu passado como jornalista — todos vinculados ao fato de Forastieri ter escrito textos polêmicos ao longo de sua carreira, como se isso fosse necessariamente negativo.

Forastieri é um jornalista experiente, da geração do Flavio. Por isso, eu, jovem, li um texto dele pela primeira vez há poucos anos. É um opinador voraz. E neste ponto abordo o primeiro dos tópicos deste meu texto. Em geral, as pessoas não sabem lidar com opiniões discordantes. Li que a opinião de Forastieri não deve ser levada em conta porque supostamente, o jornalista é alguém que “se aproveita” de temas polêmicos para ganhar cliques — como se as pessoas devessem julgar uma opinião pelo que acham de seu dono. Vi gente que deveria zelar por sua imagem pública chamar o cara de imbecil e animal, por exemplo, por ter um ponto de vista oposto ao seu. (Esse desrespeito e a falta de noção em lidar com a discordância pode ser vista aqui mesmo no BloGP e em qualquer blog de opinião. Já perdi as contas de quantas vezes fui xingado porque achava uma coisa e não outra.)

O segundo tópico deste post refere-se ao conteúdo do texto de Forastieri. Vamos ao trecho principal do que disse o jornalista. “Quem corre, corre risco de morte. É grande parte da sedução deste ‘esporte’. É por isso que atrai grande audiência, e corrida de kart ou bicicleta, não. No risco de acidente está a grana, o patrocínio, o faturamento. É para isso que pagam um dinheirão para os pilotos. É por isso que Wheldon, ex-campeão, receberia dois milhões de dólares pela participação na corrida em que morreu.”

A discussão sobre automobilismo ser esporte ou não é secundária, deixemos de lado. O valor que Wheldon receberia seria quase esse mesmo, uma vez que dividiria os US$ 5 milhões com um torcedor. Fiquemos no conteúdo. E, sorry, guys, Forastieri falou a verdade. Não confundam objetivo com sentido. O objetivo do automobilismo é ser o melhor na difícil tarefa de tornar homem e máquina uma coisa só. E isso é bem arriscado, vocês sabem — numa pista de kart ou na F1. Quando alguém morre num circuito, todos repetem o chatíssimo clichê “automobilismo é esporte de risco”. O sentido do automobilismo é o risco. E esse risco é do quê, senhores, senão da morte, de uma lesão grave, de ficar fora das pistas para sempre? Ao dizer que o sentido — e não a lógica — do automobilismo é a morte, Forastieri não cometeu uma heresia. O risco não pulula na tela o tempo todo, lembrando-nos que aquele piloto pode morrer a qualquer momento. Mas ele é inerente à corrida. Está implícito.

Seguimos com parte do texto de André. “Seria facílimo tornar o automobilismo mais seguro. Você assistiria? Não. Morre, então, mais um piloto. Triste para a família e amigos e fãs. Mas inegavelmente previsível. E grande atração televisiva, capotamentos e incêndio bombando audiência do domingo à noite, repercutindo na internet, visualizações dos vídeos aos milhões”.

Um adendo, então: o fim do ano está chegando. Num exercício de previsão, que jornalista dirá que, em 2012, morrerão menos de três pilotos nas principais categorias do esporte a motor mundial? Mortes no automobilismo são, sim, previsíveis, por mais que a segurança evolua. E não é preciso muito esforço para perceber que tristes acidentes repercutem tanto quanto vitórias marcantes. Um exemplo? Dan Wheldon. Experimente digitar o nome do inglês no YouTube e selecionar a opção contagem de exibições. Os cinco vídeos mais vistos sobre o piloto somam 12.558.425 views. E ele morreu há dois dias. O sexto colocado entre os vídeos mais exibidos sobre Wheldon é a vitória dele nas 500 Milhas deste ano, há quatro meses: 351.022 views. O instinto macabro do ser humano, por sua vez, é incontável.

Discordo quando Forastieri diz que o automobilismo é um espetáculo monótono, que ninguém mais assistiria automobilismo se este fosse absolutamente seguro. Não sei. Mas, de resto, André não escreveu nenhum absurdo. A adrenalina é gerada pelo risco, e esse risco é de morrer, como em todos os esportes ditos radicais. E acredito que parte do furor gerado pelo texto advém do título forte e do fato de que o jornalista não é do meio. E julgar um texto por este critério é ridículo.

Acho que o grande estalo da polêmica foi semântico. O objetivo do automobilismo não é o risco. A lógica do automobilismo não é o risco. O sentido dele é.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Automobilismo é e sempre será esporte de risco*

* Por Teo José

Sempre que acontece um acidente grave e, principalmente, com morte, temos inúmeros comentários, o que é normal. Em se tratando de Indy, como muita gente nunca viu um carro ou uma pista de perto, aí incluo profissionais de todos os seguimentos, as opiniões são mais diversas. O carro que encerrou seu ciclo na prova de Las Vegas foi concebido em 2003 e é defasado, tanto que está sendo substituído. Mas este não foi o fator principal para a série de batidas e a morte de Dan Wheldon. Uma pista de pouco mais de 2.400 metros, com 20 graus de inclinação nas curvas e 34 carros a cerca de 350 Km/h é chamar o risco.

Não sou a favor de proibir provas em ovais, com os anos e estudos a maioria tem ficado mais segura, principalmente com o novo sistema de diminuir o impacto nas muretas. Sou a favor da Indy, ou qualquer categoria de monoposto, não correr em alguns circuitos, como Las Vegas, Daytona e por aí vai. Pistas com muita inclinação e velocidade altíssima não dão quase nenhuma chance para os pilotos que vem atrás em caso de acidente e as pancadas sempre serão fortes.

O carro da NASCAR é mais seguro para ovais do que o da Indy, porque o piloto tem a proteção total, mas só chegou ao ponto de hoje com muito estudo e desenvolvimento, como acontece com quase todas as categorias, inclusive a Indy. Também sou contra colocarem uma bolha para se cobrir o cockpit, como se falou até na Fórmula 1, depois da mola que bateu no Felipe Massa.

Tudo precisa ser feito para melhorar a segurança e, neste ponto, os pilotos precisam se unir, pois eles sabem mais do que ninguém os riscos que correm e as situações que estão sujeitos. Mas o automobilismo, como motociclismo e tantas outras modalidades, continuará tendo risco. Não adianta querer enganar ninguém. Mesmo tomando as medidas certas e sempre evoluindo, a possibilidade de morte ou ferimento mais grave vai existir, infelizmente. Sem querem segurança 100%, que acabem com a modalidade. O que não é o caso.

O sentido do automobilismo é a morte*

* André Forastieri - R7

Morreu o piloto Dan Wheldon. Só mais um. Mês que vem temos outro defunto. Só na pista mais famosa da fórmula Indy - a de Indianapolis - já morreram 56 corredores. O número de pilotos mortos durante corridas é de mais de duzentos, na curta história do automobilismo. Sem incluir estropiados, aleijados, mortos em campeonatos regionais menos relevantes, de motociclismo etc. Uma lista parcial, para seu deleite macabro, está aqui.

Quem corre, corre risco de morte. É grande parte da sedução deste "esporte". É por isso que atrai grande audiência, e corrida de kart ou bicicleta, não. No risco de acidente está a grana, o patrocínio, o faturamento. É para isso que pagam um dinheirão para os pilotos. É por isso que Wheldon, ex-campeão, receberia dois milhões de dólares pela participação na corrida em que morreu.

Seria facílimo tornar o automobilismo mais seguro. Você assistiria? Não. Morre, então, mais um piloto. Triste para a família e amigos e fãs. Mas inegavelmente previsível. E grande atração televisiva, capotamentos e incêndio bombando audiência do domingo à noite, repercutindo na internet, visualizações dos vídeos aos milhões.

Agora em câmera lenta! Os mais obcecados podem apreciar o aspecto necrófilo do automobilismo em sites como esse aqui, um banco de dados onde você pode procurar os mortos por tipo de competição, data, circuito, marca do carro...

Quer procurar os culpados pela desgraça do piloto morto da semana? Grande chance de estar carregando uma das alças do caixão lacrado. É preciso investimento sério de tempo e dinheiro para transformar uma criança em piloto profissional. Garoto nenhum vira fã de futebol, fórmula 1, leitura ou espinafre se o pai (ou padrinho ou patrono ou alguma figura paterna) não valorizar isso.

Um futuro piloto precisa de um adulto fã de automobilismo, e, detalhe, com algum recurso para desembolsar. Diferente do futebol ou da luta-livre, o sucesso na Fórmula 1 e similares não é sonho dourado de miseráveis, é carreira de classe média alta para cima. O que faz um pai colocar o filho em risco de morte, semana após semana? Me falta repertório psicanalítico à altura.

O automobilismo moderno é espetáculo estranhamente monótono, e simultaneamente cada vez mais arriscado. Soa entretenimento inventado por J.G. Ballard, profeta do tédio interrompido por explosões de violência, esteta das mutilações eróticas automotivas.

Quando um corredor morre, é instantaneamente beatificado; Senna, cansei de ouvir, é "o maior herói que o Brasil já teve". Faz sentido de massa, psicologicamente, porque se sacrificou exclusivamente para deleite dos fãs, príncipe valente, jovem e belo.

Os maiores admiradores carregam a culpa mais pesada. Ontem foi Ayrton, agora Dan Wheldon, amanhã outro, inexoravelmente. O circo tem que continuar. A máquina exige carne fresca para devorar. O sentido do automobilismo é a morte.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O descaso da Band com a Fórmula Indy*

* Por Ale Rocha - Poltrona/ Yahoo

O Grupo Bandeirantes deu um show de incompetência na cobertura do GP de Las Vegas (EUA), última etapa da Fórmula Indy em 2011. Dona dos direitos de transmissão para o Brasil, a empresa não foi capaz de interromper a programação da Band, do BandSports ou da BandNews para informar a morte do piloto Dan Wheldon.

Sem nenhum brasileiro na disputa pelo título da Fórmula Indy, o GP de Las Vegas não foi exibido ao vivo por aqui. Nem mesmo o canal pago do Grupo Bandeirantes dedicado aos esportes se deu ao trabalho. Apesar de se vangloriar por exibir apenas notícias durante as 24 horas do dia, a BandNews também não abriu imediatamente espaço para o acidente que envolveu 14 carros.

Lamentavelmente, a decisão do Grupo Bandeirantes não surpreende. É uma amostra do descaso na cobertura - em especial na televisão aberta - de outros esportes que não seja o futebol, principalmente quando não há brasileiros na disputa.

Das 17 corridas da temporada da Fórmula Indy em 2011, a Band exibiu apenas cinco ao vivo - entre elas a fracassada prova submarina em São Paulo. Já o BandSports transmitiu dez GPs. Sete provas foram jogadas pré-gravadas e algum horário livre da grade de programação dos canais. Os telespectadores, inclusive os assinantes, que se contentem com a esmola.

Ou seja, a crítica tão comum a Globo, acusada de comprar eventos esportivos para engavetá-los ou exibir mal e parcamente, cabe a outras emissoras.

Enquanto os pilotos eram socorridos em Las Vegas, Milton Neves elogiava os feitos do governador Geraldo Alckmin (SP) e reclamava de Antônio Anastasia (MG), pedindo melhorias para as estradas de acesso a sua cidade natal, Muzambinho. Às 20h, horário de Brasília (DF), já com a morte de Dan Wheldon oficialmente confirmada, a Band preferiu exibir o VT das primeiras voltas do grande prêmio como se nada tivesse ocorrido.

A Band já foi o "canal dos esportes". Pioneira na transmissão de diversas competições (futebol europeu, futebol americano, NBA, sinuca, entre outros) nas décadas de 1980 e 1990. Hoje, a emissora vende cerca de 25% de sua grade de programação diária para igrejas - inclusive no horário nobre. Celebrada em outros tempos por priorizar a informação, é destaque na mídia pelas piadas de gosto duvidoso do "CQC" e por reality shows desastrados, como o "Projeto Fashion".

Perdeu a identidade.

SOBRE MORTES E CORRIDAS*

* Por Flávio Gomes

Sempre que morre um piloto, em qualquer categoria, as discussões sobre segurança são reabertas, o que é mais do que saudável depois que a poeira baixa. Em muitas ocasiões os acidentes fatais levaram à adoção de medidas eficazes, seja nos carros, seja nas pistas. Foi assim em 1994 depois da batida de Senna em Imola. Os carros eram frágeis como cascas de ovo. Os cockpits foram reforçados, as rodas passaram a ser presas ao chassi por cabos de aço, nasceu o HANS, áreas de escape foram repensadas, a segurança aumentou.

Em outras, não se faz coisa nenhuma o e fica-se na retórica. Ou nos lamentos, nas promessas de criação de comissões, essas coisas que não resultam em nada.

Na Indy, as mortes têm sido mais frequentes do que em outras categorias. A lista que segue carece de confirmação, pode ser maior, porque estou me fiando apenas na memória. De 1990 para cá, de acordo com minha memória, se foram Jovy Marcelo (Indianápolis, oval), Gonzalo Rodriguez (Laguna Seca, misto), Greg Moore (Fontana, oval), Jeff Krosnoff (Toronto, rua), Paul Dana (Homestead, oval), Scott Brayton (Indianápolis, oval) e Tony Renna (Indianápolis, oval).

Os americanos não costumam caçar bruxas no automobilismo e as mortes são genericamente descritas como “fatalidade”. Às vezes são, mesmo. Automobilismo é esporte de risco, não é preciso ficar repisando esse clichê o tempo todo. O importante é aprender com os acidentes e tentar entender por que eles acontecem. E isso os americanos não têm feito.

A listinha acima mostra que não são só os ovais que matam, mas na maioria das vezes, sim. Krosnoff morreu porque a pista de Toronto tinha um poste ao largo, o que acontece em muitos circuitos urbanos. Para provas com monopostos, é algo que precisa ser revisto por causa da sempre perigosíssima possibilidade de decolagem quando toca roda com roda. Já Rodriguez capotou em Laguna Seca, num acidente nem tão impressionante, mas que lesionou sua coluna. Fatalidade? Sei lá.

Nos ovais, porém, o problema é só um e visível a olho nu: velocidade exagerada e carros demais andando muito próximos. Por mais que os americanos gostem desse tipo de competição, não há como negar que seus riscos são potencialmente maiores do que em circuitos que têm curvas e freadas. Num oval, é pé embaixo o tempo todo. Numa categoria como a Nascar, em que os carros são como tanques de guerra, esses riscos são um pouco menores. O piloto tem alguma proteção, o carro. Com monopostos, não dá. São mísseis prontos para decolar, incontroláveis, insanos, carregando pilotos desprotegidos.

Outro problema para o qual a Indy não pode mais fechar os olhos: a qualidade discutível de seus pilotos. Num oval, ninguém precisa ser muito bom para passar dos 350 km/h. Se o cara, ou a menina, tem peito, chega a essa velocidade. Não é muito difícil. Basta enfiar o pé. As doses de adrenalina no organismo se encarregam do resto. E essa velocidade é quase um suicídio em algumas circunstâncias. A 350 km/h, um piloto que perde o controle do carro ou é atingido por outro só se salva por sorte. Wheldon morreu, e foi pouco, diante do que poderia ter acontecido com 15 carros batendo e voando uns sobre os outros. Nesses acidentes múltiplos, a diferença entre morrer e não acontecer nada é questão de detalhe, apenas. De sorte.

A Indy abre suas portas para gente despreparada e inexperiente. É um risco grande demais colocar num carro que vai andar a mais de 300 km/h, velocidade quase constante, pilotos sem noção de vácuo, turbulência, distância. Eles se tornam armas mortais. Tenho lido algumas declarações de pilotos experientes, como Tony Kanaan, sobre o comportamento de seus pares nas pistas. Jody Scheckter pediu para o filho Tomas largar a categoria. Tomas admitiu que a Indy não é segura, em ovais. Nigel Mansell comentou que não há acidentes “pequenos” em ovais. O menor erro de qualquer piloto acaba causando uma catástrofe.

Há fatalidades imprevisíveis. Mas há outras anunciadas. Corridas de monopostos em ovais estão entre essas. Colocar 34 carros num oval curto de altíssima velocidade e enorme inclinação é quase uma insanidade. A Indy tem sua parcela de culpa pela morte de Wheldon. Os pilotos, que aceitam entrar nessas arenas suicidas, também.

Mas é um enorme paradoxo nisso tudo que estou escrevendo. Num primeiro momento, a vontade que dá é de dizer: proíbam as corridas em ovais. Só que, aí, me vêm à mente as imagens de Indianápolis, seus mais de 100 anos de história, as provas que vi lá, a festa do público, a solenidade em torno daquele evento mágico, suas lendas e histórias.

Como imaginar o mundo sem as 500 Milhas de Indianápolis? Ou sem a velocidade de Monza, sem a loucura da Eau Rouge, sem a insanidade de Monte Carlo?

Meu amigo André Forastieri, jornalista da área cultural sempre antenado em tudo, escreveu um belo artigo hoje, cujo título é “O sentido do automobilismo é a morte”. De fato, é difícil argumentar a favor de corridas de automóvel. Que sentido elas têm? Levam a quê? Qual o sentido que existe em arriscar o pescoço em círculos sabendo que a qualquer momento pode aparecer um muro no meio do caminho?

Nenhum. Mas o quê, mesmo, faz sentido nesta vida?

Quase nada, porque ela acaba, de um jeito ou de outro. O sentido da vida é aquele que cada um dá à sua. Quando estou no meu carrinho de corrida, um velho Lada soviético que não vai me levar a lugar algum, percebo algum sentido na vida, mesmo sem saber exatamente qual. Talvez seja: OK, vamos correr e tentar sobreviver. Isso faz sentido: sobreviver.

No meu velho Lada soviético de corrida, sobreviverei sempre. É um desafio simples que não demanda nenhuma dose enorme de valentia. A sobrevivência, para pilotos de verdade, é algo bem mais complexo que exige muito mais talento e coragem e é por isso, creio, que os admiramos tanto.

Admiramos os que enfrentam a morte com talento e coragem, acho que é isso. Embora isso também não faça grande sentido.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

MORTE DE WHELDON FRAGILIZA AINDA MAIS A INDY*

* Por Leonardo Felix

Falar sobre negócios, imagem comercial e outras questões tão comezinhas após a morte de um piloto pode parecer algo frio (e é, no fim das contas), mas é preciso avaliar o impacto que o falecimento de Dan Wheldon no GP de Las Vegas pode trazer à Indy, uma categoria que tenta se refazer, reencontrar um bom público e uma boa reputação no cenário norte-americano e mundial.

Para começar, é preciso entender o contexto por trás da tragédia deste 16 de outubro e perceber como, ironicamente, todos os elementos da fatalidade estavam intrinsecamente ligados às estratégias de renascimento da categoria.

Primeiro, o GP de Las Vegas marcava a despedida dos chassis Dallara utilizados desde 2003 pela categoria. Por mais que o acidente tenha sido forte demais para acusar qualquer tipo de falha na segurança do carro, é inegável que assistir à morte de um piloto na última corrida de um modelo usado há quase dez anos causa má impressão: a de que a categoria insistiu tempo demais em um carro ultrapassado e inseguro.

Depois, vem a questão do piloto. No processo de reformulação, a Indy investiu durante todo o ano na construção de um novo chassi, junto à própria Dallara. Quem era o responsável pelo desenvolvimento deste modelo? Dan Wheldon. Mesmo tendo sido campeão e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, o britânico estava sem equipe para a temporada 2011, assim como Tony Kanaan antes de assinar com a KV, e teve de se contentar com a vaga de piloto de testes da organização.

Só que Wheldon conseguiu arrumar uma vaguinha para correr as 500 Milhas deste ano e venceu, em um final histórico com a batida de JR Hildebrand na última volta. Portanto, mesmo sem participar efetivamente do campeonato, Dan era um piloto que estava em evidência, era prestigiado e, por conhecer tão bem o bólido do próximo ano, provavelmente conseguiria um lugar em uma boa equipe para correr. Para o esporte, a perda se transforma facilmente em irreparável.

Por fim, há a questão do local do ocorrido. O GP de Las Vegas foi planejado como um grande acontecimento no automobilismo norte-americano. Inicialmente, claro, por ser a decisão do campeonato e, depois, pela arriscada estratégia da organização em oferecer US$ 5 milhões a qualquer piloto de fora da competição que participasse da prova e conseguisse a vitória. A oferta da premiação se mostrou um fiasco, porque apenas um piloto iniciou a corrida com chances de faturar o prêmio. Quem era ele? Dan Wheldon. O acidente fatal do inglês colocou de lado, de uma só vez, o sonho de ver o inglês vencendo (e recebendo o prêmio que dividiria com algum fã) e a comemoração pela definição do campeão.

A Indy vive uma das piores fases de sua história. Fragilizada, sem público e com um grid de qualidade muito contestada, embora possua nomes de respeito, a categoria tenta um golpe de sorte para que sua popularidade volte a crescer. A aposta em um chassi de linhas radicais, a oferta de prêmios milionários para "forasteiros" se arriscarem em suas corridas, nada disso foi adotado à toa. É o marketing agressivo de quem precisa se reerguer.

Em uma sádica coincidência, praticamente um sarcasmo do destino, Dan Wheldon era o piloto que mais estava ligado a estas mudanças. Sua morte simboliza, de certa forma, a ineficácia de uma estratégia. E isto pode trazer consequências seriamente negativas para a Indy.

Não quero ser apocalíptico a ponto de afirmar que "é o fim da categoria". Até porque a Indy ainda possui um alicerce que nem mesmo a F1 tem: as 500 Milhas de Indianápolis.

Mas o momento é crítico. Só as 500 Milhas não seguram um campeonato e os organizadores vão precisar encontrar rapidamente uma saída para minimizar as nódoas tão profundas que este desastre irá deixar nas pessoas que integram a "família Indy", e na própria IndyCar como empresa.

CONDOLÊNCIAS POR WHELDON

Pouco depois da confirmação da morte de Dan Wheldon, em decorrência de lesões sofridas em um acidente na etapa de Las Vegas da Indy deste domingo, pilotos e equipes da Indy e de outras categorias usaram a internet para lamentarem a perda do piloto, informa o site TAZIO.

Em seu site oficial, a equipe Andretti, pela qual o inglês conquistou o título da categoria e a sua primeira vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2005, lembrou os triunfos dos pilotos.

“É com grande pesar que perdemos o nosso campeão hoje. Dan foi um campeão da Indy 500 e do Campeonato da Indy pela Andretti Autosport, e um dos nossos mais próximos competidores. Dan trouxe grande entusiasmo e paixão ao esporte que não é visto com frequência no austomobilismo. Lembraremos de Dan pelas suas grandes conquistas com o nosso time como pela sua personalidade contagiante.”

“Gostaríamos de expressar nossos mais profundos sentimentos à família de Dan, equipe e seus amigos hoje. Dan é um dos grandes campeões da IndyCar.”

Em outro comunicado, Jeff Belskus, presidente do Indianapolis Motor Speedway, onde Wheldon venceu as 500 milhas duas vezes, também lamentou a morte.

“Estamos extremamente tristes com a morte de Dan Wheldon. Ele foi um grande campeão das 500 Milhas de Indianápolis e um grande embaixador da corrida. O mais importante, ele foi um marido fantástico, pai e homem, um bom amigo para muitos no esporte. A sua memória viverá para sempre no Autódromo, tanto pela magnitude de suas conquistas na pista quanto pelo seu magnetismo à pista. Nossos mais profundos sentimentos se estendem à toda sua família, equipe e fãs.”

A equipe KV utilizou o seu site oficial para homenagear o piloto de 33 anos: "Toda a organização KV Racing Technology – Lotus estende suas sinceras condolências à família de Wheldon nesta ocasião tão triste. Dan foi um grande campeão e amigo, um amoroso pai e marido. Ele fará muita falta."

O piloto brasileiro Hélio Castroneves expressou os seus sentimentos através de uma nota oficial para a imprensa:

“É tão difícil falar nessas horas... Não é concebível a morte de um jovem justamente num esporte que amamos tanto, que é vida, alegria, emoção, desprendimento. Claro que o automobilismo tem seus riscos, mas a morte não faz parte da cartilha do esporte, não pode fazer parte, entende? Não temos controle do nosso destino e muito menos sabedoria para entender o porquê das coisas.”

“O Dan era um cara tão legal, meu Deus, alegre, estava sempre de bom humor. Um cara desses que a gente sente satisfação em conhecer. Ele tinha um filho na idade da Mikaella e outro bebezinho de alguns meses. Então, todos nós estamos arrasados, com o coração apertado. É uma perda enorme, do profissional, do cidadão e do pai de família. Só tenho de orar muito para que sua alma seja recebida com todas as glórias no Reino de Deus e que ampare sua família. Que a gente possa sempre lembrar do Dan como esse cara genial, que todos nós aprendemos a gostar, e vamos sentir muita, mas muita falta, mesmo”.

Pelo Twitter, outro time que se manifestou foi a Penske, em seu perfil oficial: “Nossos pensamentos estão com a família, amigos e fãs de Dan Wheldon”.

Veja declarações de pilotos pelo microblog:

Dario Franchitti: "Descanse em paz, 'Danny boy', sentiremos sua falta, meu amigo. Todos, por favor, mantenham a família Wheldon em seus pensamentos e orações".

Tomas Scheckter: “Em quarto escuro, espero acordar deste pesadelo. Isso não é justo e não pode ser verdade”.

Ryan Briscoe: “Não tenho palavras para esta trágica perda de Dan hoje. Ele foi um bom homem e fará falta a todos nós”.

Ernesto Viso: “Descanse em paz Dan Wheldon. Obrigado a todos vocês pelo apoio. Tenho apenas boas memórias de Dan Wheldon”.

Emerson Fittipaldi: “Dia muito triste! 2 vezes vencedor da Indy 500, um grande campeão! Meus sentimentos e amor para a família de Dan Wheldon! Da Família Fittipaldi”.

Mário Moraes: “A vida é injusta. Dan foi um grande cara. Um amigo que vamos sentir falta”.

Antônio Pizzonia: “Que tragédia! É difícil acreditar. RIP, meu amigo”.

João Paulo de Oliveira: "Triste perder mais um companheiro de pistas. Triste demais! Um cara divertido, pai de duas crianças. Esporte de merda, esse nosso".

Tony Kanaan: "Sem palavras pra descrever o aperto no coração. Vai com Deus meu amigo te vejo do outro lado".

Dario Franchitti: “Descanse em paz Danny, vamos sentir falta de você, meu amigo. Todos, por favor, tenham a família de Wheldon em seus pensamentos e orações”.

Rest in Peace, Dan Wheldon.

domingo, 16 de outubro de 2011

Dan Wheldon

Dan Wheldon, 33, campeão da Indy em 2005, e vencedor das 500 milhas de Indianápolis por duas vezes, morreu hoje em na última corrida do ano em Las Vegas pela Indy devido aos graves ferimentos em um acidente na 11ª volta. Deixa mulher e dois filhos.
Hoje o blog da GGOO e todo o automobilismo está de luto.

CRASH: F-INDY - LAS VEGAS 2011 "BIG ONE" - ACIDENTE FATAL DE DAN WHELDON



domingo, 29 de maio de 2011

OS VENCEDORES DO DIA

F-INDY: O FINAL MAIS ESPETACULAR EM 100 ANOS DE INDIANÁPOLIS

O "rookie" JR Hildebrand lidera a prova, mas bate na última curva da última volta e Dan Wheldon vence a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. Tony Kannan fez excelente prova de recuperação e terminou em 4º, Vitor Meira foi o 15º,  Helio Castroneves o 17º e Bia Figueiredo a 21ª colocada na prova.

O Automobilismo é realmente espetacular!