terça-feira, 2 de novembro de 2010

ESPECIAL GP BRASIL: GP BRASIL, 2008

Da certeza da vitória e pela emoção da decisão de um título mundial, o GP Brasil teve ingredientes especialíssimos que mexeram com os sentimentos de todos os presentes. Da explosão de alegria a duas voltas do fim ao choro compulsivo ao final da corrida, esta corrida ficará para sempre marcada na minha memória. Ficará marcada como um dia muito feliz que se transformou em uma decepção profunda, não tanto pelo resultado, mas pela forma como ele ocorreu: a 700 metros da bandeirada.

Emoção parecida senti a 18 anos atrás nas oitavas de final da Copa de 90, na Itália. Naquele dia, Brasil e Argentina duelavam e após uma excelente partida da esquadra brasileira, foi a Argentina quem saiu classificada graças ao talento individual de seus jogadores. Neste dia chorei como nunca havia chorado antes. Chorei de emoção, de tristeza, de angústia e de raiva. Chorei muito como nunca mais chorei depois. Até o último domingo.

Por tudo o que estava envolvido, pela decisão em si e pelos acontecimentos de uma semana corrida marcada por entrevistas, fotos e outras coisinhas, a ansiedade para a corrida era grande, consequentemente a emoção de estar em nosso templo sagrado, também. Da alegria incontida no sábado, da roquidão que tomou conta da garganta de cada um, da madrugada inusitada com muita animação, do cansaço aparente, das corridas sem emoção que permearam o pré-GP até a volta de alinhamento, tudo era motivo de festa e chacota.

Ao verem os carros alinhando no grid de largada, mais festa. Gritos e agitos tomavam conta do autódromo inteiro, estava para começar a decisão. Ao ser dada a largada, mezzo no molhado, mezzo no seco, os fatores condicionais de tempo não eram suficientes, naquele momento, para ver o tão sonhado título de Felipe Massa. A cada volta que passava a apreensão tomava conta dos olhares e gestos de cada um. Era preciso muito mais do que já havia acontecido, era preciso que fatores extra-pistas se fizessem presentes.

A 10 voltas do fim, numa atitude inequivoca do setor G, os pedidos de chuva se fizeram presente, era a única forma de ver um piloto brasileiro ser campeão em sua terra. A espera de uma rodada de Hamilton na curva do lago ao pedidos de chuva, a conformação pelo resultado já estava presente no rosto de cada um, mas no fundo todos ainda acreditavam. Mas, quis o destino, que a chuva se fizesse presente a 7 voltas do fim e com ela muitas emoções fossem colocadas à prova.

Das paradas nos boxes à volta com pista semi-molhada, a torcida não era mais somente para Felipe Massa mas também para Vettel que, ousadamente, passou Hamilton faltando 2 voltas para o fim. O olhar incrédulo de todos logo se transformou em uma vibração sem tamanho. Pessoas se abraçavam não querendo acreditar que o sonho estava se transformando em realidade.

Logo depois a última volta se fez e com ela uma vibração que só aumentava, com um olho em Massa e o outro em Vettel. Massa cruza a linha em primeiro, festa. Olhos se voltam à Vettel, bico de pato, mergulho, junção, não dá mais pra Hamilton...Interlagos explode de emoção, gritos de é campeão ecoam, o choro de alegria se faz presente.

Pausa. Silêncio.

Um silêncio sepulcral toma conta de Interlagos, como acontecera um ano antes no episódio de Rafael Sperafico. Massa não havia sido campeão, Hamilton comemorava. A rádio bradava que ele ultrapassara um piloto na última curva. Sem entender nada, a deceção tomou conta de mim e o mundo desabou junto com a chuva.

Lágrimas incontidas, como estas que escorrem quando escrevo estas parcas linhas, tomaram conta do rosto de muitos. Inconsolável e sozinho, desabei a chorar, como chorara 18 anos antes. Era choro de frustração, de derrota que durou quase uma hora, que nem os abraços consoladores puderam confortar tamanha dor.

O que era para ser um choro que lavaria a alma, virou um choro de tristeza absoluta.

E com esta tristeza absoluta presente, lágrimas incontidas marcarão para sempre a minha vida e essa corrida.

Resultado final


1 - Felipe Massa -Ferrari
2 - Fernando Alonso - Renault
3 - Kimi Raikkonen - Ferrari
4 - Sebastian Vettel - Toro Rosso-Ferrari
5 - Lewis Hamilton - McLaren-Mercedes
6 - Timo Glock - Toyota
7 - Heikki Kovalainen - McLaren-Mercedes
8 - Jarno Trulli - Toyota
Pole-position - Felipe Massa - Ferrari



4 comentários:

Igor * disse...

2008, a galera cresceu... ano da famosa faixa anti-hamilton, das faixinhas "desce fdp" na arquibancada, a fila mais agitada de todas com direito até à "macumba" na madrugada... da esperança, alegria e decepção na corrida... BOM DEMAIS!!!

Rodrigo Cabral disse...

Acredito que vivemos uma das maiores emoções da vida, em conjunto por uma única causa..uma torcida..um sonho..uma possibilidade.

Frase dita:
"tem pessoas que buscam viver..experimentar o mundo das drogas, da violência.. na busca por emoções fortes. Eu (um torcedor)vivi cada sensação e prazer da vida nestas últimas 10voltas, o esporte me deu este prazer.. e os amigos que fiz aqui hoje.

João disse...

Umas das melhores corridas sem duvida..
Foda foi a patinada do clock que fodeu com o massa.

ANDRE DE ITU disse...

me ORGULHO de NUNCA ter torcido por esse EMPREGADO da ferrari...