sexta-feira, 1 de maio de 2009

COLUNA DO ROQUE: 1º DE MAIO DE 1994

Após um sábado intenso, em busca de notícias sobre Roland Ratzemberger até a certeza de sua morte, acordei naquele domingo faltando 10 minutos para a largada, com o meu pai ao lado da cama dizendo, já começou a transmissão e a volta de apresentação. Foi o tempo de pular da cama e correr para a sala, onde costumeiramente víamos a corrida.

O clima era estranho pelos acontecimentos ocorridos no dia anterior. Falva-se muito de Barrichello e de Ratzemberger. O rosto de Senna era focalizado e seu olhar ficava perdido, ao olhar para o infinito. É dada a autorização para a volta de apresentação. Começamos a nos ajeitar na cadeira e torcermos para que esta corrida fosse a da virada, que a partir de Ímola voltássemos a ver Senna vencendo novamente.

Os carros alinham. A largada. Senna larga bem. Os carros vão saíndo. Menos a Benneton de J. J. Letho. A batida. Destroços de carro voando para todos os lados. O pneu vou para a arquibancada. Susto. Safety-car. Apreensão. Voltas e mais voltas em ritmo lento. Vai começar novamente, informa Galvão Bueno. Os carros largam. Senna sai na frente novamente. Mal sabíamos que veríamos sua última volta. Cruzam a linha de chegada, vem a Taburello. A batida. Galvão Bueno grita, Senna bate forte! Todos esperam um sinal. O resgate demora uma eternidade para chegar. Gritamos junto, cadê o resgate? Cadê o resgate? Olho para meu pai e meu irmão, apreensão. Senna não se move. Angústia. Sua cabeça mexe. Começo a gritar de alegria: ele está vivo! ele está vivo. Meu pai começa a chorar. O resgate chega, a poça de sangue demostra que a situação é grave.

A corrida recomeça e com ela a busca por notícias. Enquanto todos vão tomar banho, fico com o ouvido grudado no rádio do meu quarto, a Jovem Pan estava com link aberto, passando todas as informações direto do hospital para onde Senna fora levado. Puta que pariu. Nenhuma notícia nova. Derrepente a primeira informação. Senna está em coma profundo. Não sei o que é isso, pergunto ao meu pai. Ele começa a falar que o que é e que as chances dele sobreviver são poucas.

O silêncio pairava no carro, a caminho da casa de minha avó. O som do rádio, sintonizado com as informações deixava todos apreensivos. Coma profundo e estado muito grave. A cada minuto, as notícias iam chegando e sempre com um clima de desolação no ar. A cada instante seu quadro piorava.

Começamos o almoço familiar. Plantão da Globo. Todos correm para a frente da televisão. Morreu Ayrton Senna da Silva. Uma notícia que nunca agente gostaria de dar. Morreu Ayrton Senna. Tristeza. Engulo o choro por alguns instantes. Vou para o quarto da minha avó. Choro baixinho para que ninguém ouvisse. A noite, em casa, a TV não cessava e o choro era intenso.

A dor, a perda, nunca havia se feito de maneira tão forte.

Eu perdia, naquele instante, um idolo. Perdia-se parte das alegrias das manhãs de domingo. Ficava a saudade e as lembranças das vitórias.

Valeu Senna!

4 comentários:

Marcos - Blog da GGOO disse...

Foi um dos piores dias da minha vida.
Andava de um lado pro outro, saí, meio perdido e sem rumo, fui à casa de minha namorada, passava em vários lugares da cidade, olhava pessoas, tentava em vão, me distrair e tirar aquela sensação de vazio dentro de mim...
Cruel..

Rodrigo Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo Cabral disse...

A expectativa para o domingo era um pouco diferente..já pelo ocorrido dos dias anteriores, mas acreditava q Senna iria vencer.

Após o trágico desfecho da prova..foi lágrima descendo..escutando informação pelo rádio e na Tv..apenas eu e minha irmã em casa, e nós dois na tristeza.

Anoitecer caminhei para Igreja, o sermão foi com relação ao acidente..ruas desertas, vento frio batendo no corpo..poucos que andavam pela rua já com vestimenta de luto assim como Eu.

Camisas já apareciam com a foto do Senna, como que comprei aos dizeres: "Meu herói nunca vai sair de Senna!" e outra "Senna vive no meu coração!"

Olha que já tinha jornais vendendo a edição de segunda às 18h do Dmg, com 3ª edição (O Dia-RJ).

- IGOR! - disse...

"A dor, a perda, nunca havia se feito de maneira tão forte. (2)"