Mostrando postagens com marcador spa franchorchamps. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador spa franchorchamps. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de julho de 2013

CRASH: Ian Dockerill e Enzo Ide (24h de Spa, 2013)*

* Por Rodrigo Mattar

A disputa das 24 Horas de Spa-Francorchamps neste fim de semana teve muitas baixas. Mais de 50% dos 65 carros que largaram não recebeu a bandeirada. Dois deles, aliás, se envolveram num dos mais fortes acidentes da disputa. A Ferrari #17 da Insight Racing, pilotada por Ian Dockerill, foi colhida pelo Audi #16 do belga Enzo Ide, que defende a Phoenix Racing.

Cabe dizer que, apesar da pancada e do prejuízo enorme, nenhum dos pilotos sofreu lesões graves. Felizmente.

Confiram o vídeo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pesos e medidas diferentes*

* Por Bruno Vicaria


Vi muita gente apoiar a punição a Romain Grosjean pelo acidente de largada em Spa. OK. Ele foi culpado pelo acidente, o acidente poderia provocar algo mais grave (risco que existe em qualquer largada) mas achei injusta a suspensão de uma corrida, perto de outras coisas que aconteceram nos últimos anos. Estão tratando o menino como o maior vilão do universo. Não que ele não mereça ser punido, mas muita gente já deveria ter levado um gancho nos últimos anos.

Achei injusta a punição a Grosjean por um motivo: se fosse um Hamilton, um Alonso, ou um Vettel, isso não aconteceria. São dois pesos e duas medidas neste caso. Um caso que, na minha opinião, mereceria suspensão foi aquela fechada de Schumacher em Barrichello na Hungria em 2010, e não de uma corrida só.

Ele não foi punido por dois motivos: 1 - por ser Schumacher; 2 - por não ter acontecido um acidente. Mas deveria, principalmente, por ter sido um ato intencional de Schumacher, o que em si só já é infinitamente mais grave que o ato de Grosjean neste domingo, o que merecia um belo gancho. Neste ano, por exemplo, ele já fez as dele, tirando Bruno Senna da corrida em Barcelona e recebendo uma leve punição. Isso me faz acreditar que a política ainda é muito importante nas decisões da F-1.

Aliás, a FIA e os comissários só esperam dar zebra para fazer a punição ou realizar mudanças. Já faz tempo, né? Eles talvez estejam esperando algo ruim acontecer novamente. Curiosamente, a última vez que algum piloto foi suspenso em alguma corrida foi, mesmo, em 1994, quando Eddie Irvine, Mika Hakkinen e o próprio Schumacher foram suspensos por atitudes e acidentes. E se não fosse Grosjean em Spa?

As atitudes de Hamilton nas primeiras etapas do ano passado também não eram dignas de um corretivo? Ou se as fechadas de Rosberg no Bahrein levassem a alguma batida séria? E a pilotagem de Maldonado em muitas oportunidades? Será que é preciso de um acidente para que punições deste tipo aconteçam? Ou será que apenas os novatos serão responsabilizados por acidente e os figurões quando aprontam passarão ilesos?

Nossa, quanta pergunta.

PS: Se a F-1 tiver cockpit fechado, vamos colocar as 24h de Le Mans no calendário. Cockpit fechado não rola!

Em Spa, um GP para ficar na memória*

* Por Lito Cavalcanti


Inesquecível este Grande Prêmio da Bélgica. Aliás, como costumam ser as corridas disputadas em circuitos com a qualidade de Spa-Francorchamps. Mas este, por motivos inesperados. A semana já começou com dois pontos de interesse: o primeiro, que a Fórmula 1 tem presença garantida em Spa até 2015 – ótima, excelente notícia; o segundo, seria (e foi) a 300ª participação de Michael Schumacher em um GP. E a mesma semana se encerrou com um número ainda maior de fatos ainda mais dignos de comentários e discussões.

Para começar, claro, as indiscrições e consequentes punições de Pastor Maldonado e Romain Grosjean; a seguir, pela ordem de importância, a ultrapassagem quase desrespeitosa de Kimi Raikkonen sobre o tricentenário Schumacher por fora na entrada da famosa e temível curva Eau Rouge. Seguem-se fatos como a perda de Fernando Alonso de parte significativa da enorme vantagem que tinha sobre o segundo colocado na disputa pelo título; o renascimento de Jenson Button, que quando vence o faz com o estilo dos grandes campeões; a ascensão de Sebastian Vettel na luta pelo campeonato; a evolução da Red Bull, que eclipsou a da McLaren, notável, e a da Ferrari, discreta mas inquestionável.

Aqui, abramos um parêntese: será certo chamar de evolução o que RBR, McLaren, Ferrari, Sauber, Williams, Force India e Toro Rosso mostraram na Bélgica ou seria melhor usar o termo adaptação? Fico em dúvida, me divido, mas acabo usando evolução – mesmo admitindo ser mais por uma questão de hábito. Acima estão nomeadas sete das 12 equipes, e nem citei a Marussia, que mesmo lá atrás chegou a despertar comentários de surpresa, principalmente no sábado, primeira vez que andava com sua nova roupagem aerodinâmica sobre asfalto seco. Esta é a Fórmula 1 atual. De tão próxima, de tão imprevisível, de tão competitiva, nada garante que no próximo fim de semana as estrelas de Spa voltarão a brilhar em Monza.

Quem não vai brilhar definitivamente é Romain Grosjean, o protagonista de uma das maiores, mais estrepitosas caramboladas do automobilismo dos últimos tempos. Tamanha que a FIA, sempre leniente com os costumeiros exageros, desceu sobre ele um punho de ferro que descansava inerte já lá se vão 18 anos. Banido da próxima etapa, Grosjean, espera-se, deve aprender as lições que sua carreira parece não lhe ter ensinado.

Confesso que isso me entristece. Concordo com a necessidade da lição, que não deve ser assimilada apenas por ele, mas por todo o mundo do automobilismo. Principalmente pela FIA, que olha com olhos de vovozinha as atrocidades que se cometem desde o kart. Habituados às vistas grossas do comissariado esportivo, os pilotos repetem e repetem as mais questionáveis, muitas vezes desleais, manobras – nada nunca lhes acontece, nem mesmo uma reprimenda.

Ora, Grosjean é, neste episódio, claramente uma vítima do sistema. Fez pior na GP2 e saiu impune. A diferença é que não havia, então, tantos refletores como neste fim de semana. Pagou pela evidência – e por também eliminar da corrida um piloto que, mais do que líder do campeonato, corre pela queridíssima Ferrari. Isso os comissários deixaram claro em seu comunicado ao aludirem à “eliminação de líderes da disputa do campeonato”. Perigoso este precedente. Imaginem a seguinte situação: Alonso e Vettel colidem em uma das próximas provas. Um deles é considerado culpado, ou responsável, pela colisão – com base no raciocínio dos comissários de Spa, o piloto considerado inocente, ou vítima, pode pedir o banimento do adversário da próxima corrida.

Grosjean errou, e errou feio, não se pode negar. Não foi a primeira vez – foi a sétima corrida em que ele esteve envolvido em acidentes ou incidentes na primeira volta, como gritou o paddock da F1 após aquela desastrosa largada. Em seu socorro, o chefe da equipe Lotus Eric Bouiller argumentou, com razão, que envolvido é diferente de causador. Mas seu apoio, pelo menos publicamente, se limitou a isso. Experiente, ele não se expôs a uma apelação contra a dureza da pena imposta a seu piloto. Certamente, lhe foi lembrado que a última vez que um chefe de equipe tentou tal medida a pena de seu piloto passou de uma para três corridas. Lembram-se? O piloto foi Eddie Irvine, que promoveu carambola ainda mais perigosa na freada do fim da Reta Oposta de Interlagos nos idos de 1994; o chefe de equipe foi o serelepe Eddie Jordan, hoje milionário comentarista da rádio BBC.

Como atenuante, se é que as há, pode-se citar que Grosjean vive um ano de tensão. Resgatado por Bouiller do ostracismo a que foi relegado depois da desastrosa substituição de Nelsinho Piquet na Renault (por ironia a mesma equipe que hoje defende) em 2009, ele tem muito a provar. Velocidade já mostrou, mas não basta isso: exigem-se resultados. E nada melhor do que dar à Lotus, em um circuito consagrador como Spa, a primeira vitória que insiste em escapar por entre os dedos.

Sem dúvida, um plano ousado. Principalmente por ser a pista em que Raikkonen mais venceu, nada menos de quatro vezes. Dá para imaginar o que significou para Grosjean ver seu companheiro de equipe, um campeão mundial, reduzir para 7 a 5 sua vantagem nos qualifies do ano. Pior: o finlandês seria o terceiro no grid, ele apenas o oitavo. Adepto da mentalidade vigente de que todos os riscos são aceitáveis na tentativa de ganhar posições assim que as luzes se apagaram, Grosjean largou como um foguete. O resto é história: se enganou ao achar que já estava à frente de Lewis Hamilton, jogou seu carro para cima da McLaren, como fazem todos os pilotos da atualidade, e por azar deu início a um acidente que a F1 jamais esquecerá.

A ironia é que, em Spa no ano passado, Hamilton cometeu o mesmíssimo erro de julgamento e bateu na Sauber de Kamui Kobayashi. Sorte dele que não foi nos primeiros metros da corrida, o que fez dele o maior prejudicado. Teve de abandonar a prova, mas não se pode esquecer que a manobra estragou a corrida de Kobayashi – que para sorte de Hamilton não era um dos “líderes da disputa do campeonato”, como ressaltaram os comissários no último domingo.

Mas é preciso, sim, dar uma punição exemplar seja lá a quem for. Os limites das disputas no automobilismo em geral vão além da elasticidade, beiram (quando não superam) os limites da lealdade. Mas punições não são para todos. Schumacher, por exemplo, entrou nos boxes de supetão na frente de Vettel e nada aconteceu com ele. Só que Schumacher é Schumacher e Grosjean é Grosjean. Quem esse menino pensa que é? Pau nele, parece ser este o pensamento não só dos comissários da Bélgica, mas também de toda a F1.

Maldonado também padece da mesma intolerância, mas para mim merece bem mais as punições a ele aplicadas do que Grosjean. E apesar de estabelecer um recorde histórico (em um só fim de semana, recebeu três punições que, juntas, somam a perda de 13 posições no grid), o venezuelano não foi suspenso de corrida nenhuma. Explicando melhor: em Spa, ele perdeu três posições no grid por ter bloqueado Nico Hulkenberg no Q1; em Monza, vai perder cinco por queimar a largada em Spa e outras cinco por bater em Timo Glock na relargada.

É ou não incoerente o tratamento dispensado a um e a outro? Principalmente porque em pelo menos duas das ocasiões em que foi punido, Maldonado jogou seu carro em cima de um adversário: em Mônaco, contra Sérgio Perez, sabe-se lá por quê; em Valência, contra Hamilton – se bem que, nesta última, o piloto da McLaren não cumpriu a determinação da FIA de deixar espaço suficiente para um carro quando um adversário tenta a ultrapassagem.

Mas nada que o venezuelano faz se veem acertos. A situação ficou ainda pior quando ele bateu durante uma exibição com seu Williams (o FW 33, do ano passado, é bom esclarecer) durante uma exibição encomendada pelo parceiro/patrocinador/presidente Hugo Chavez nas ruas de Los Próceres. Quem não viu pode ver agora:

Repararam no tipo de piso? O mais liso e escorregadio concreto. Quem estava lá garante que garoava na hora, e que tanto o piloto quanto a equipe queriam esperar por uma melhora do clima. Mas os mandatários negaram, o show (para o qual foram convocados funcionários públicos sob pena de demissão em caso de ausência) tinha de continuar.
O tragicômico episódio deixou Maldonado sob pressão ainda maior – como ocorre com Grosjean. Na Williams, já há quem faça as contas, comparando o que ele trouxe de verba, coisa de 30 milhões de dólares, com o que a Williams deixará de ganhar se não chegar ao fim do ano pelo menos no sexto lugar do campeonato mundial de construtores (onde está a grana grossa). No momento, é a oitava, superada pela Sauber e pela Force India – que erram mais do que acertam e não vivem um bom momento financeiro.

A mesma pressão se abate sobre Bruno Senna, que tem sido consistentemente inconsistente. Não passa bem por um qualify faz tempo, seu melhor lugar no grid foi o nono na Hungria, a única corrida em que entrou no Q3. Na Bélgica, mais uma vez desperdiçou uma boa chance e, agora, perde por 10 a 2 a disputa interna da Williams. Bruno errou no qualify, Maldonado errou na largada. Sua queima de largada, inicialmente difícil de constatar, foi clamorosa. Vista em câmara lenta, não deixa dúvidas:

Quem conseguiu escapar da fervura foram Jenson Button e Felipe Massa. Muito bem, diga-se de passagem. O inglês, que na semana anterior se viu discretamente convocado a ajudar o companheiro da McLaren na luta pelo título, convite de que Hamilton presunçosamente desdenhou, fez uma daquelas corridas que, ano a ano, ele faz. Sua vitória foi magnífica, lembrou a do Canadá no ano passado, quando forçou a derrapagem de Vettel a uma volta da bandeirada depois de ter sido abalroado por Hamilton (que por isso não foi punido) nas voltas iniciais. Em Spa, ele optou pela nova asa traseira, de menor downforce, desenvolvida pela equipe e meteu mais de oito décimos de segundo no companheiro de equipe, que discordou de sua escolha e optou pela asa antiga.

Lewis ficou tão maluco com a sova que fez uma besteira inominável: publicou no Twitter uma foto da telemetria da McLaren em que se via a comparação de sua volta com a de Button. O patrão Martin Whitmarsh mandou-o tirar, mas era tarde, todo mundo tinha visto. De fato, não há muito a ser aproveitado pelas outras equipes, já que Spa é um circuito com exigências diferentes das demais. Mas pegou muito mal. Abalou até a disposição da Mercedes de o acolher caso decida não permanecer na McLaren em 2013.

Isso, porém, depende, principalmente, de Schumacher decidir que já tomou pau suficiente neste seu mal pensado retorno à F1.  Como esta possibilidade aumentou no domingo, depois de Raikkonen passar o heptacampeão na entrada da Eau Rouge sem a menor cerimônia. Não que tenha sido fácil. Na primeira tentativa, Schummy devolveu a passada na reta subsequente, a Kemmel. Na segunda, Kimi abriu a asa antes do alemão e lhe deu adeus. Mas estes detalhes em nada amenizam o fato: foi a ultrapassagem do ano, a que nenhuma reputação consegue sobreviver. Nem mesmo a de um heptacampeão.

Andará a Mercedes a coçar a cabeça nestes dias? Se Michael decidir que já deu, quem chamar? Ora, que Hamilton não se iluda. Na Force India há dois excelentes candidatos, ambos “da casa”: Paul di Resta, que foi o 10º no domingo, e Nico Hulkenberg, que além de alemão foi quarto em Spa e está à frente do companheiro no campeonato.

A única alternativa para Hamilton seria a Lotus – já que a Ferrari não se arriscaria a reeditar a dupla que incendiou a McLaren em 2007 nem Alonso aceitaria formar a mesma dupla. Mas o que garante, primeiro, que ele teria um bom carro em 2013; segundo, que teria boa vida ao lado de um Raikkonen já totalmente readaptado à F1? Nada nem ninguém.

Massa também aproveitou a chance que Spa lhe ofereceu para recuperar um pouco do prestígio perdido dentro e fora da Ferrari. Não foi sua melhor apresentação, a prudência o limitou ao quinto lugar, mas é preciso considerar que fez uma bela recuperação depois de largar, pelo que parece ter sido sua culpa exclusiva, em um discretíssimo 14º lugar. OK, seis posições foram ganhas no melée iniciado por Grosjean e que envolveu Hamilton, Alonso, Kobayashi, Perez e Maldonado, mas ganhou mais três posições – uma delas Mark Webber, outra de Michael Schumacher a outra mais de di Resta.

De fato, parecia ter condições de tentar atacar o quarto lugar de Hulkenberg, mas seria desastroso não terminar uma prova em que Alonso não estava mais. Pela primeira vez no ano. Com isso, eliminou, ou suavizou, as críticas segundo as quais a casa de Maranello disputa o campeonato de construtores com um só carro. É preciso mais, e sua última chance será neste próximo domingo, em Monza. A Ferrari deve tomar e formalizar sua decisão quanto a quem estará ao lado de seu primeiro piloto no ano que vem ainda antes da F1 voltar a se reunir, no fim de semana de 21 a 23 deste mês, em Cingapura. Longe demais de casa para tomar decisões tão importantes. Elas podem até ser finalizadas lá – mas a decisão deve ser tomada ainda na Europa.

Massa não é o único nesta situação. O mesmo ocorre com grande parte dos pilotos. Inclusive Bruno Senna. O que não se sabe é se a Williams considerou sua corrida em Spa boa o suficiente para compensar seu qualify fraco. A dificuldade é que mesmo com todas as presepadas que já aprontou Maldonado, o brasileiro ainda está atrás dele no campeonato. E isso relega a equipe ao tão insuficiente oitavo posto na luta por uma boa fatia quando o bolo dos lucros do ano for dividido. Candidatos ao posto com cheques gordos não faltam.

Este é um dos quesitos que tornará Monza ainda mais importante do que Spa. Sem contar que Alonso já não lidera com tanta facilidade; que os RBR estão tão rápidos que Vettel progrediu do 10º para segundo; que Button teve mais uma de suas atuações próximas da perfeição; que a Ferrari consegue produzir milagres correndo em casa.

Se você está aí dizendo que Spa é Spa e Monza é Monza, não se iluda. Primeiro, porque o que funciona em Spa costuma funcionar também na pista italiana. E com duas corridas em dois fins de semana seguidos, não há tempo para novidades.

Até lá.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Grosjean reabre o campeonato*

* Por Lívio Oricchio


Se o GP da Bélgica, ontem, no desafiador circuito de Spa-Francorchamps, pudesse ser definido em uma frase, seria: “Romain Grosjean reabre o campeonato”. O renascido Jenson Button, da McLaren, venceu a emocionante 12.ª etapa do calendário, como parecia possível depois de estabelecer a pole position, sábado.

Mas há uma relação direta entre a segunda colocação do combativo Sebastian Vettel, da Red Bull, depois de largar apenas em 11.º, e o acidente provocado por Grosjean na largada. Kimi Raikkonen, da Lotus, completou o pódio em terceiro, mas se esperava mais da equipe. Foi o terceiro pódio seguido do finlandês.

O resultado de ontem deixa Vettel a apenas 24 pontos do ainda líder Fernando Alonso, da Ferrari, 164 a 140, uma das muitas vítimas de Grosjean, ontem. E restam ainda oito provas para o encerramento da temporada. A próxima é já domingo, na também veloz pista de Monza, na teoria, não favorável de novo à Ferrari. A vantagem anterior de Alonso era de 40 pontos para o então segundo colocado no Mundial, Mark Webber, agora terceiro, 132, com o sexto lugar na Bélgica.

O francês da Lotus desta vez se superou, mais que nos seis acidentes que provocou ou se envolveu este ano. Em Spa, Grosjean tirou da prova Alonso, Lewis Hamilton, McLaren, e Sérgio Perez, da surpreendente Sauber, ainda antes da primeira curva. Mais: o choque generalizado entre os carros comprometeu a corrida do arrojado Kamui Kobayashi, companheiro de Perez, por danificar o seu modelo C31. Era excelente segundo no grid.

O comportamento desmedido de Grosjean, não apenas em Spa, lhe custou caro: os comissários lhe aplicaram ontem a suspensão de um GP, mais uma multa de 50 mil euros (R$ 125 mil). Assim, não corre na Itália, no fim de semana. O belga Jerome D’Ambrosio, terceiro piloto da Lotus, deverá substituí-lo.

Button estava feliz como poucas vezes, apesar de já ter até mesmo vencido o Mundial, em 2009, com a Brawn GP. “Quando eu era pequeno, assistia às corridas e ficava encantado com este lugar. Hoje faço parte da sua história. E é um circuito que todos adoram. É mesmo especial vencer aqui.” Apesar de ter apenas 101 pontos, sexto na classificação, o inglês não se vê fora da luta pelo título. “Vimos hoje como as coisas mudam rápido na Fórmula 1.” Enquanto nas últimas três etapas Button somou 51 pontos, nas seis anteriores havia feito apenas sete.

Mas se existe alguém que já abriu luta direta a Alonso é o atual bicampeão do mundo, Vettel, apesar do discurso dissuasivo. “Não me atenho aos pontos do campeonato, faltam muitas corridas, ainda, mas, claro, é melhor ter reduzido a diferença para Fernando.” Vettel disputou grande prova. Realizou manobras espetaculares, como as ultrapassagens em Michael Schumacher, da Mercedes, Bruno Senna, Williams, e duas vezes em Felipe Massa, da Ferrari, todas no mesmo local, a freada do último S, conhecido como Bus Stop.

“É, mas em 2010 eu tirei Jenson da prova lá também”, disse, rindo. Foi um erro grave do jovem alemão. “Às vezes funciona, como hoje, às vezes não. Liguei para Jenson para pedir desculpa.” O inglês estava ao seu lado na entrevista e riu. Vettel desmentiu, desta vez, a ideia que se fez dele de não ser tão eficiente quando larga atrás.

As mudanças introduzidas na Lotus de Raikkonen e a velocidade demonstrada na Hungria, GP anterior ao da Bélgica, faziam acreditar que o finlandês pudesse lutar pela vitória em Spa, onde venceu em quatro ocasiões. “Não tinha velocidade para acompanhar Jenson. Aqui, depois de algumas voltas, o carro tornava-se instável, escorregava.” O campeão do mundo de 2007 fez uma ultrapassagem espetacular em Schumacher, na 31.ª volta de um total de 44.

Os dois desceram quase lado a lado a reta que antecede as duas curvas ultravelozes, Eau Rouge e Raiddilon, contornadas a 290 km/h. Num show de coragem e habilidade extremas, o finlandês não reduziu a velocidade e superou o alemão. Vettel acabou na sua frente, em segundo, no fim, por ter optado pela estratégia de um pit stop apenas, como Button, enquanto todos os demais que marcaram pontos realizaram duas paradas.

Raikkonen descreveu a proeza em Spa: “Como aumentamos a pressão aerodinâmica para reduzir o desequilíbrio do carro, minha velocidade na reta diminuiu. A chance de ultrapassar Michael era usar o kers (sistema de recuperação de energia) antes da Eau Rouge, não na reta. Sabia que ele poderia com o DRS (flap móvel) voltar a me ultrapassar, mas consegui ampliar um pouco a distância entre nós e deu certo.”

O piloto da Lotus é o quarto no Mundial, com 131 pontos, também candidato ao título. Depois do GP da Bélgica, a expectativa de a definição do campeonato se estender até a última ou penúltima etapa ganhou ainda mais força.

GRID GIRLS: FORMULA 1 (BÉLGICA, 2012)

A EAU ROUGE NÃO É MAIS A MESMA*

* Por Vanessa Ruiz




Não é de hoje, mas é fato: a Eau Rouge, tida por muitos como a curva mais emblemática da F1, mudou. Não porque tenha se tornado menos uma subida ou porque não exija mais troca de direção no meio do traçado, mas porque os carros foram desenvolvendo novas características e, com eles, também a forma de fazer a curva se alterou.

Nos últimos dias, os pilotos têm dado suas impressões sobre a Eau Rouge aqui em Spa, como de costume, e é curioso observar que dois dos mais experientes no grid compartilham a opinião de que fazer a curva acelerando do começo ao fim tirou um pouco da emoção, mas a sensação provocada pelas mudanças de direção nos eixos vertical e horizontal continua sendo algo único.

Michael Schumacher (Mercedes): Quando eu comecei, curvas como a Eau Rouge e a Blanchimont eram extremamente desafiadoras porque os carros eram feitos de uma certa maneira e o circuito [de Spa-Francorchamps] fazia com que o carro atuasse no limite. É uma daquelas pistas antigas cheias de história. Passa pelo campo em que estamos, sobe e desce como uma montanha-russa, então há muitas variáveis que fazem a pista particular e especial. Nós todos, como pilotos, preferimos alta velocidade e se você tem uma pista de alta desafiadora, é especial. Hoje em dia, talvez [a Eau Rouge] tenha ficado um pouco fácil demais exceto às vezes na corrida, mas a sensação, as forças que agem no sentido da curva e no sentido vertical formam uma combinação que você não acha em lugar nenhum.

Fernando Alonso (Ferrari): A Eau Rouge não é mais tão decisiva quanto era antes porque é uma curva que passamos a fazer com o pé embaixo desde sexta-feira de manhã. Fazemos a curva acelerando em todas as voltas de treino, classificatório e corrida. Não é como antes, em que só se podia fazê-la assim com pneus novos e na classificação. Agora, os carros escapam menos, têm mais downforce. Fazer a Eau Rouge com o pé embaixo tira um pouco da emoção. No entanto, as sensações que se tem dentro do carro são muito especiais por causa da compressão. Quando você termina a curva, parece que está pesando 300kg, há uma pressão sobre o assento. E é uma sensação única em todo o campeonato.

Há uma condição que pode ser considerada exceção para esta espécie de “marasmo” no qual os pilotos dizem ter se transformado a Eau Rouge ao menos no que diz respeito à variação de velocidade: chuva. E se há uma coisa que pode cair do céu a qualquer momento em Spa, essa coisa é a chuva. Por aqui, o tempo vira em cinco minutos, vai de céu azul a nuvens pretas. Mas por ora, a previsão para o classificatório que acontece neste sábado e para a corrida no domingo é de tempo de seco.

O show deve continuar*

* Por Luis Fernando Ramos


A Fórmula 1, especialmente nesta versão 2012, tem um dinamismo tão interessante que sempre produz alguns paradoxos divertidos. Como o que vimos em Spa-Francorchamps. A corrida foi uma das melhores de um ano repleto de boas provas: muitas ultrapassagens, alguns acidentes e manobras polêmicas, material para ser debatido por dias e dias.

Por outro lado, a corrida teve o vencedor mais claro até aqui. Jenson Button se tornou o primeiro piloto a ganhar de ponta a ponta nesta temporada com um trabalho irretocável dele e da equipe McLaren. A superioridade foi tamanha que o inglês falou em brigar pelo título, mesmo tendo passado boa parte do campeonato mergulhado em uma crise de performance que o deixou a 63 pontos do líder do Mundial, o espanhol Fernando Alonso.

- Se nos mantivermos brigando por vitórias como mostramos hoje, há uma pequena chance de lutar por esse campeonato. Mas não vou para a próxima corrida, em Monza, pensando nisso. É melhor se concentrar em fazer um bom trabalho e marcar o maior número de pontos possível.

O infortúnio do próprio Alonso em Spa mostra a importância de se pensar etapa por etapa. O espanhol foi vítima inocente de uma colisão múltipla na primeira curva e viu diminuir após apenas alguns metros a vantagem que pacientemente havia construído na primeira metade do campeonato.

Um prejuízo que ficou ainda maior com a grande atuação de Sebastian Vettel. O atual bicampeão mundial fez uma excelente prova de recuperação: era apenas o 12º colocado após a primeira volta, mas recebeu a bandeira quadriculada na segunda posição, diminuindo para 24 pontos sua distância para o líder. E reproduziu a filosofia do “um passo de cada vez”.

- Acidentes como o de Alonso acontecem, eu preciso me concentrar em mim. Não penso em pontos ou distância para o líder. Ainda restam oito etapas e vimos aqui o quão rapidamente as coisas podem mudar em uma curva.

E foi em uma curva, a mítica Eau Rouge, que aconteceu o lance mais bonito da prova: a corajosa de ultrapassagem de Kimi Raikkonen sobre Michael Schumacher para assumir a terceira colocação. Uma execução precisa para uma manobra plasticamente tão bonita e tão épica quanto o próprio circuito de Spa-Francorchamps.

Feliz por estar vivo. Foi assim que Fernando Alonso se apresentou à imprensa para uma concorrida entrevista coletiva após o GP da Bélgica. Se o acidente múltiplo causado por um erro do francês Romain Grosjean lhe tirou pontos importantes no campeonato, a dinâmica dele foi tão intensa que foi um pequeno milagre todos os envolvidos saírem andando dos carros.

- Nem penso muito no resultado que não veio. Quando vi a imagem de um carro que poderia ter aterrissado na minha cabeça só pensei que poderia ter sido muito pior. Dentro do azar do abandono há também a sorte de saber que dentro de cinco dias estarei de volta ao cockpit em Monza.

A FIA perdeu a paciência e resolveu punir exemplarmente o francês com a suspensão de uma corrida e uma multa de 50 mil Euros. Assim, seu cockpit no GP da Itália, no próximo domingo, deve ser ocupado pelo piloto de testes da Lotus, o belga Jerome d’Ambrosio. Foi o sexto acidente de Grosjean na primeira volta de uma corrida só neste ano. Alonso criticou o francês e o comportamente em pista de jovens pilotos, inclusiva nas categorias de base.

- É uma porcentagem muito alta de acidentes em largada. É um pouco a cultura da GP2 e  da GP3. Vimos neste final de semana batidas fortes nestas duas categorias e os pilotos que estão chegando delas possuem esta tendência de exagerar na agressividade - analisou o espanhol.

Além de Grosjean, o venezuelano Pastor Maldonado também exagerou na dose e sofreu punições: ele vai perder dez posições no grid de largada da corrida de Monza por cometer duas infrações em Spa. Ele queimou a largada e, na quinta volta, causou um acidente com Timo Glock por imprudência.

Motivos para sorrir teve Felipe Massa. O quinto lugar no GP da Bélgica foi seu segundo melhor resultado neste ano e um alento para um final de semana que começou com um desempenho ruim no treino de classificação. Além da boa corrida, o brasileiro tirou pontos de Mark Webber, um dos rivais de Fernando Alonso pelo título, algo que agradou a Ferrari. Massa se mostrou satisfeito:

- Estava aborrecido depois da classificação, foi muito ruim. Mas o carro para corrida estava melhor e este resultado foi muito importante para mim. Espero agora obter resultados melhores ainda daqui em diante.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Raikkonen retorna ao seu território*

* Por Lívio Oricchio


Depois de quase um mês de paralisação, por causa das férias da maioria dos profissionais da Fórmula 1, o campeonato está de volta. Domingo será disputado o GP da Bélgica, 12.ª etapa do Mundial. O último havia sido na Hungria, dia 29 de julho. Além dos sete pilotos que já celebraram pelo menos uma vitória este ano há outro, do grupo de candidatos ao título, que pelo seu retrospecto no circuito de Spa-Francorchamps, o mais seletivo do calendário, tem tudo para ser, domingo, o oitavo vencedor da temporada: Kimi Raikkonen, da Lotus.

“Basta você ver quem já ganhou a corrida várias vezes.” Essa foi a resposta de Bernie Ecclestone, em entrevista ao Estado, ainda em 2002. A conversa abordava as características de espetacularidade dos 6.963 metros do traçado belga. Hoje tem 7.004 metros. Ecclestone referia-se ao calibre dos pilotos com retrospecto de várias vitórias em Spa-Francorchamps. As estatísticas mostram que Juan Manuel Fangio recebeu a bandeirada em primeiro três vezes; outro gênio das pistas, Jim Clark, quatro, seguidas, 1962 a 1965, sempre com Lotus.

Nessa relação de lendas da Fórmula 1 no GP da Bélgica está, claro, Ayrton Senna, vencedor em cinco ocasiões, sendo quatro em sequência, 1988 a 1991, com McLaren. Em 1985 ganhou com Lotus. O piloto com os melhores números da história, Michael Schumacher, hoje na Mercedes, se apresenta nessa disputa com seis vitórias, o maior vencedor. Em 1994 e 1995 com Benetton e as outras quatro pela Ferrari.

Raikkonen tem apenas um título mundial diante de cinco de Fangio, dois de Clark, três de Senna e sete de Schumacher, mas também fez de Spa o seu território. Foram quatro vitórias, 2004 e 2005, com McLaren, e 2007 e 2009, Ferrari. Em 2006 o GP da Bélgica não foi disputado. O finlandês voltou à Fórmula 1 este ano, pela Lotus, depois de competir de rali em 2011 e 2010. Mas não perdeu a classe. Já foi três vezes segundo, Bahrein, Valência e Hungria, e duas terceiro, Espanha e Alemanha. Somou pontos, ainda, em outras cinco provas.

É o quinto no Mundial, com 116 pontos, diante de 164 do líder, Fernando Alonso, da Ferrari, 124 de Mark Webber, 122, Sebastian Vettel, ambos da Red Bull, e 117 de Lewis Hamilton, McLaren.

“Spa é o único circuito ainda de uma época diferente da Fórmula 1. A pista é larga, a natureza das curvas, diferente, rápidas, subimos, descemos, quase sempre chove em algum momento. Dá mais prazer pilotar em Spa”, vem dizendo Raikkonen, ao longo dos anos, para explicar sua afinidade com o traçado, numa das mais longas respostas da carreira, capaz de se estender por três linhas de jornal.

Segundo um jornalista inglês, é provável que Kimi nunca construiu um período com o uso de conjunção adversativa, a exemplo de “mas, porém, contudo, todavia”. Seu raciocínio é sempre linear. Essa singularidade, entretanto, para eu recorrer às adversativas, não o diminui em nada como piloto e, quem o conhece ao menos um pouco, como homem também. E quer saber de uma coisa? Tomara que Kimi vença domingo em Spa!

AO VIVO: FÓRMULA 1 - GP DA BÉLGICA 2012 (TREINOS E CORRIDA)

BOLETIM DA VELOCIDADE: edições semanais dentro da programação Rock N' Roll da webradio www.morcegaofm.com.br ou aqui no nosso blog, ouça agora!  


*** PRÓXIMAS TRANSMISSÕES AO VIVO ***
TREINO LIVRE 1 - 31/08/2012 (sexta-feira), 05:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 2 - 31/08/2012 (sexta-feira), 09:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 3 - 01/09/2012 (sábado), 06:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO - 01/09/2012 (sábado), 09:00h (horário de Brasília)
GP2 - CORRIDA 1 - 01/09/2012 (sábado), 10:30h (horário de Brasília)
GP2 - CORRIDA 2 - 02/09/2012 (domingo), 05:30h (horário de Brasília)
CORRIDA - 02/09/2012 (domingo), 09:00h (horário de Brasília)
GP DA ITÁLIA - TREINOS LIVRES - 07/09/2012 (sexta-feira)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Duas corridas decisivas para o campeonato*

* Por Lívio Oricchio


Domingo tem Fórmula 1 de novo. No circuito favorito da maioria dos pilotos, Spa-Francorchamps, será disputado o GP da Bélgica, 12.ª etapa do campeonato. A pista de 7.004 metros é junto da de Suzuka a mais seletiva do calendário.

Reúne de tudo: curvas velozes, de média e baixa velocidade, curvas em aclive, declive, de raio alternado, submete pilotos e carros a acelerações laterais e longitudinais estressantes, e tem ainda uma longa reta para ultrapassagens, depois das mais famosas curvas da Fórmula 1, em sequência, Eau Rouge e Raidillon. Tudo isso num cenário que costuma apresentar seções secas de asfalto, outras úmidas e ainda molhadas, sem que o piloto saiba até encará-las.

O fator coragem, apesar de ainda ser importante na performance, hoje seu peso é menor que no passado, pois há agora grandes áreas de escape e a segurança dos carros cresceu exponencialmente, dentre outros fatores que elevaram a confiança dos pilotos para poder arriscar um pouco mais em algumas curvas. Spa, no entanto, ainda guarda parte das características daquele tempo em que os pilotos pensavam duas vezes antes de tentar frear alguns metros mais tarde ou contornar a curva num velocidade alguns quilômetros superior a que vinham fazendo.

Apesar da evolução da segurança de Spa nos últimos anos, os riscos ainda são maiores que na maioria dos demais traçados. Se assemelha, curiosamente, ao outro circuito capaz de gerar paixão entre os pilotos, Suzuka. Este, na minha visão, o de maiores possibilidades de um piloto se ferir pela ausência mais grave de áreas de escape antes das grades de proteção ou a barreira de pneus.

Contornar os “S” de alta depois da curva 1 de Suzuka, com as barreiras de pneus do lado, é expor-se a riscos elevados. Nigel Mansell fraturou a coluna num impacto nesse trecho, com Williams, em 1987. Os cockpits tornaram-se bem mais seguros, mas as inexistência de áreas de desaceleração antes dos pneus é exatamente a mesma.

O desafio é grande em Spa. Por tudo que foi escrito, um bom piloto é capaz de fazer a diferença no traçado belga.
O que esperar da volta da Fórmula 1 a suas atividades? A última corrida foi realizada há quase um mês, dia 29, na Hungria. A maioria das equipes concluiu os estudos do que fazer para as duas etapas seguintes da temporada, Spa-Francorchamps e já no outro domingo, dia 9, em Monza, antes das férias compulsórias. São os circuitos mais rápidos do Mundial.

Os carros vão estar distintos por causa da necessidade de equipá-los com um pacote aerodinâmico concebido para permiti-los ser, preferencialmente, o mais veloz possível nessas retas, onde se ganha importante tempo, embora não seja lei. No ano passado, Sebastian Vettel, da Red Bull, registrava velocidades dentre as mais baixas nos fins de reta, mas ganhou o GP da Itália sem dificuldade. O escapamento aerodinâmico lhe garantia ser o mais rápido nas breves curvas de Monza.

Antes da prova de Silverstone, este ano, dia 8 de julho, Fernando Alonso, da Ferrari, líder do campeonato, disse esperar dificuldades para se manter em primeiro na classificação quando chegasse a fase dos traçados mais rápidos. “Apesar da nossa evolução nesse aspecto, a velocidade de ponta da Ferrari ainda não é alta se comparada a da Mercedes e McLaren”, comentou.

Mas já vimos este ano Alonso ampliar a diferença para os concorrentes em GPs onde, segundo ele próprio, deveria ocorrer o contrário, a exemplo de Silverstone e Hockenheim, . Portanto, afirmar que a Ferrari pode não acompanhar o ritmo de McLaren, Mercedes, Lotus e a Red Bull em Spa e em Monza não é prudente. Há nessa história uma tentativa de Alonso de aproveitar-se de algo real, a menor velocidade do modelo F2012 nas retas longas, para retirar de si a atenção de que pode, sim, lutar pelas primeiras colocações.

Hoje o asturiano soma depois de 12 provas 164 pontos, seguido por Mark Webber, 124, Sebastian Vettel, 122, ambos da Red Bull, Lewis Hamilton, McLaren, 117, e Kimi Raikkonen, Lotus, 116.

Além dessa possibilidade de a Ferrari talvez ser alguns milésimos de segundo mais lenta em Spa, ainda por ser ratificada, McLaren e Lotus vão correr pela primeira vez com o seu sistema de duto aerodinâmico, como faz a Mercedes desde o GP da Austrália.

Trata-se de um recurso que quando o flap móvel é ativado, para garantir maior velocidade na reta, um orifício na parede lateral do aerofólio traseira fica exposto, permitindo a entrada de ar. Uma tubulação recebe esse ar e o destina ao aerofólio dianteiro, no caso da Mercedes, e ao traseiro, no da Lotus. A McLaren ainda esconde o jogo, há dúvidas sobre qual dos aerofólios. Esse ar é eliminado na frente do perfil de asa do aerofólio, de forma a reduzir sua capacidade de gerar pressão aerodinâmica nas retas, o que se traduz por maior velocidade de deslocamento do carro.

Lotus e McLaren usarão o duto aerodinâmico, felizmente já proibido para 2013, e pode, sim, vir a ser uma vantagem importante para seus pilotos, além de Michael Schumacher e Nico Robserg, na Mercedes, já usuários do recurso.
Alonso tem a seu favor na Bélgica a instabilidade meteorológica. No caso de chuva, comum em Spa, a Ferrari é quem melhor aquece os pneus Pirelli, como ficou claro na vitória de Alonso na Malásia, por exemplo.

Mas se a prova for no asfalto seco tanto em Spa como em Monza faz sentido acreditarmos que o Mundial poderá chegar na etapa seguinte, Cingapura, dia 23 de setembro, com Alonso, Webber, Vettel, Hamilton e Raikkonen mais próximos na classificação. E Alonso teria razão ao transferir para os adversários o favoritismo nas pistas velozes.

Com dois resultados menos favoráveis de Alonso e com a dupla da Red Bull, Hamilton e Raikkonen se aproveitando, a definição do título tenderá a se estender até o GP do Brasil, 20.º e último do ano, dia 25 de novembro. Mas se pelas mais distintas razões Alonso se aproveitar das condições de alternância da corrida e vencer inesperadamente, ou ampliar a diferença para os adversários, como tem acontecido na temporada, o asturiano e a Ferrari vão ter grandes possibilidades de celebrar a conquista um pouco antes do evento em Interlagos.