sexta-feira, 31 de julho de 2009

ASSISTIR CORRIDA NO BRASIL, VALE A PENA?*

* Texto de Felipe Paranhos, do BLOGP, com o título: "Stock na Bahia a até R$ 120: vale a pena?"

Os ingressos da prova da Stock Car em Salvador acabaram em 48h. Abriram mais duas arquibancadas. Também rapidamente, os bilhetes se esgotaram. O mais barato custava R$ 80, com meia. O mais caro, R$ 120 — aproximadamente 1/4 do salário mínimo.

Eu não tenho R$ 120 para um ingresso de corrida. E não se engane: o baiano também não tem. Em 2004, o Estado era apenas o 16º do país em PIB per capita — este elevado por cidades extremamente desiguais como São Francisco do Conde, cheio de petróleo e de gente pobre.

Dito isso, vamos lá: o baiano é um apaixonado por automobilismo, como se pôde ver na pessimamente organizada etapa da F-Renault e Copa Clio, em 2005. Diz-se que 200 mil pessoas foram ao circuito, a maior audiência da história do esporte-motor brasileiro. Hoje, em Salvador, só se fala da corrida, muitíssimo bem promovida e assessorada por estas bandas. Por isso o público máximo. Mas eu me pergunto: o baiano fez bom negócio ao pagar R$ 120 por dois dias da categoria?

Pesquisei, pois. E fiquei um tanto surpreso. Neste final de semana, a F-Superliga corre em Donington Park. Os ingressos custam € 20 — R$ 53 — para os dias 31 e 1º. Menores de 16 anos, sim, 16, não pagam — na Stock, são as crianças até oito. Além dos carros de clubes de futebol, quem for ao tradicional autódromo inglês verá também a F1 Histórica (lembra dela?) e mais cinco categorias menores.

Continuemos: a F2 correrá também em Donington, duas semanas depois. R$ 56 pelo final de semana — no regime de “pague um, leve dois”. Novamente, quem tem até 16 anos entra de graça e pode ver ainda a F2 Histórica, a GT Cup e o Lotus Elise Trophy. Os pilotos da categoria de acesso à F1 da FIA até participam de uma tarde de autógrafos com o público. No sábado (15), será feita uma homenagem a Henry Surtees, falecido após acidente em Brands Hatch.

Não quero cansar o caro leitor: peço paciência. Quatro dias de automobilismo: F3000 Europeia + 24h de Zolder + Copa Clio Inglesa + GT4? R$ 66. DTM — veja bem, o DTM — e F3 Europeia em Nürburgring, amanhã e domingo, da reta dos boxes? R$ 87.

A Indy, agora. Juro que é a última. Em Kentucky, KY, o famoso oval de duplo sentido. Domingo, pra ver as corridas da Indy e da Lights, o menor ingresso custa R$ 75 e o maior R$ 131, ambos com direito a show de rock. Nossa, R$ 131? Um absurdo. Que sacana, essa IRL.


Ainda bem que não somos só nós que reclamamos das condições oferecidas ao público pagantes (eu disse público pagante). Infelizmente, no Brasil, há uma cultura de valorização aos VIPs com coxinhas, sanchiches, churros (alguém viu por aí???) e mulheres bonitas, relegando o resto, do resto, do resto aos que pagaram caro pelo seu ingresso.

2 comentários:

- IGOR! - disse...

SIM, pra mim SEMPRE vale a pena!!!

acho que pelo ineditismo do evento (1ª vez na bahia, 1ª corrida de rua da stock), o preço subiu mesmo... e com essa indústria das meias-entradas no brasil, quase todos pegam o desconto... pagar R$40 pelo evento não é o fim do mundo!!!

Marcos - Blog da GGOO disse...

Ele tem um fundo de razão no seu texto, guardado suas respectivas proporções.
Aqui em SP, na Stock pagamos R$ 25,00 (com direito a meia) pra ver do setor A, R$ 50,00 pra quem quer fazer visitação de boxes.
Se compararmos com a Europa, pelo que é oferecido num fim de semana de corrida (A Cinthia já tinha me falado desses preços semana passada, €50 nas 24hs de Spa, no final de semana inteiro com acesso total aos boxes), realmente está um absurdo de caro na Bahia.
E como eu já disse várias vezes aqui, a Stock não tem me emocionado mais se comparada com outras categorias que já frequentamos, além da Globo, que adora anunciar a transmissão da categoria e passar vôlei ou atletismo no horário.
E a coisa vai além disso....
Independente de qualquer coisa, espero que os baianos tenham seu ingressos valorizados e a prova seja ótima pra eles, com muitas emoções.
Falar nisso, o Tio Briga conseguiu o ingresso dele?