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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não há regulamento que salve o GP da Espanha*

* Por Bruno Vicaria



Quem acompanhou os momentos iniciais da corrida do último domingo em Barcelona até se ajeitou melhor no sofá. Os seis primeiros andando na mesma batida deixou todo mundo esperando uma emoção tão grande quanto a vista no Anhembi semana passada.

Contudo, foi apenas fogo de palha. O equilíbrio era artificial, imposto pelo ritmo baixo dos carros da Mercedes, que largaram na ponta. Passado a primeira bateria de pit stops, a coisa seguiu equilibrado por algumas voltinhas, até a Ferrari dar as suas cartadas, com Fernando Alonso em um dia especial e Felipe Massa andando muito. Falando nisso, me deu dó da Mercedes, principalmente de Lewis Hamilton na hora que ele lamentou ter sido ultrapassado pela Williams de Pastor Maldonado.

A partir de então, a única alteração importante foi Kimi Raikkonen se colocando entre as duas Ferrari e Vettel em quarto. Uma procissão de dar sono. Mas foi bom ver Massa no pódio após tanto tempo e com uma pilotagem consistente. Plasticamente, menos impressionante que Alonso por conta das ultrapassagens fantásticas do asturiano, mas, na prática, melhor (ele evoluiu seis posições; Alonso, cinco).

Contudo, foi uma prova interessante para o campeonato. Com uma vitória e três segundos lugares, Raikkonen está a apenas quatro pontos de Vettel (85 a 89), com Alonso um pouco atrás (72). Fechado um quarto do campeonato, a disputa está se desenhando entre os três, com Hamilton em quarto, sofrendo com a dificuldade da Mercedes em se dar bem com os pneus, Massa e Mark Webber completando os seis primeiros. A tendência é o brasileiro, se conservar as boas atuações, conquistar um lugar no G4.

Agora temos de preparar nossos corações. No fim de maio será especial para todo fã de automobilismo: no dia 26, acontecem as duas maiores corridas do automobilismo, o GP de Mônaco e as 500 Milhas de Indianapolis. Será de arrepiar. Antes disso, no dia 19, temos a Stock Car em Salvador. Será de arrepiar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Pílulas do Dia Seguinte*

* Por Fábio Seixas


Ainda ao vivo, na transmissão do GP pelas rádios Bandeirantes e BandNews FM, eu lancei, assim que Alonso pegou a bandeira da Espanha: “A F-1 está tão chata que não duvido que ele será punido”. Não foi. Mas foi investigado, o que já é um absurdo. Ecclestone não pode querer que a categoria seja impecável e sem graça e previsível como o uniforme que veste há décadas: calça social preta e camisa branca. Não. As pessoas vão além dessa coisa cartesiana. As pessoas se emocionam. A Espanha vive uma crise braba, a corrida foi na eternamente separatista Catalunha, e Alonso deu um baita exemplo de solidariedade, civilidade e nacionalismo ao parar e pegar aquela bandeira com um fiscal. Que faça sempre. Que os outros o sigam. Às favas com os protocolos;

Além de tudo, Alonso tem sorte: seu quarto e último pit foi antecipado porque o pneu estava furado. Mas foi um furo mínimo, que não prejudicou seu tempo no caminho para os boxes;

Depois da farofada nas quatro primeiras corridas do ano, a Pirelli mudou os pneus duros a partir da Espanha. Agora, já admite mais mudanças. Demorou, mas enxergou o óbvio: não dá para seus pneus desmancharem após seis voltas. É ruim pro esporte, é ruim para seu marketing. “Hoje foi exagerado”, disse Hembery, diretor da empresa, após os 79 pit stops de Barcelona. Ele disse que mudanças podem ser implantadas a partir do GP da Inglaterra, no final de junho;

Se os pneus ficarem mais duros, a Red Bull agradecerá. O problema para Vettel e companhia é que sete etapas já terão acontecido. A boa notícia é que haverá outras 12 à frente, tempo suficiente para um reabilitação;

Se a F-1 fosse como a GP2 ou a GP3, com carros idênticos para todos os pilotos, não tenho dúvidas: Raikkonen seria o campeão da temporada;

Ainda sobre Raikkonen: já são 22 corridas consecutivas nos pontos. A última vez em que ele não pontuou foi no GP da China de 2012. Com mais três, ele bate o recorde histórico da F-1, que pertence a Schumacher;

Massa: “Talvez houvesse a oportunidade de brigar com o Kimi, mas no final, foi uma ótima corrida. Fizemos um ótimo trabalho. O desgaste dos pneus não estava tão bom como a da Lotus, mas fizemos o melhor que podíamos e mostramos o desempenho que esperávamos desde a sexta-feira”. O brasileiro fez uma boa corrida, a melhor desde a Malásia. Seu próximo alvo precisa ser superar Hamilton no campeonato. Cinco pontos os separam;

Rosberg e Hamilton devem ter tido uma difícil noite de sono. Primeiro e segundo no grid, terminaram respectivamente em sexto e 12º.  ”Foi uma experiência que não quero viver nunca mais. Eu fiz absolutamente as mesmas coisas do Bahrein, mas não tinha aderência e não poderia acelerar, ou os pneus iriam embora. Fiquei totalmente perdido”, disse o inglês. Ele terminou reconhecendo o óbvio: as outras evoluíram muito mais nas últimas semanas;

Nasr continua sem vencer nesta temporada da GP2, mas é dos pilotos mais regulares do campeonato. Só perde para Coletti, não por coincidência o único que está à sua frente na tabela. Em Barcelona, Nasr foi segundo colocado no sábado e terceiro no domingo. A primeira prova foi vencida por Frijns. A segunda, por Coletti. Pilotando pela Carlin, um time que ainda busca crescimento na categoria, o brasiliense vem fazendo certinho: se a vitória ainda não é possível, o negócio é levar o carro ao final, na melhor posição possível. Sem loucuras. Muito piloto já foi campeão assim, e ele está na briga.

LOS MOSSOS Y LAS MOSSAS*

* Por Victor Martins


Substituição no trono da Espanha: sai Juan Carlos, entra Fernando. E é capaz de perguntar à população e uma porcentagem considerável acreditar que Alonso é a solução para os problemas pelos quais o país passa desde a recessão econômica. Se bem que o povo que foi ao autódromo catalão deu uma banana para os ideais separatistas e foi ao delírio com a vitória do asturiano esqueceu a vida dura. Hay que celebrar.


Pues que lo celebre. A atuação do hijo mayor foi soberba, como costuma ser nas situações em que tem se desvencilhar dos adversários e ir para cima sem hesitar. Se Vettel ficou cozinhando el pollo sem ameaçar Rosberg no começo – e se entende que não tinha carro para isso –, Alonso não tardou em passar o alemão tão logo voltaram dos pits. Daí, foi manter o bom ritmo mesmo com os pneus em frangalhos para alcançar a glória e o reinado.

Longe de qualquer pachequismo ou a pieguice inerente, a volta de retorno aos pits com a bandeira na mão e o comportamento do público se assemelharam às vitórias de Senna em Interlagos, e isso tem de ser destacado porque o negócio hoje é muito diferente em termos de comportamento porque a F1 impõe uma padronização coxinha e babaca aos pilotos e ao seu produto – vide aquele pódio que parece o Roda a Roda Jequiti. Mal comparando, a Espanha é hoje o que o Brasil foi há 20 anos, com alta taxa de desemprego, economia em recessão e pouca perspectiva de evolução. O esporte é a válvula de escape, e ao esportista, nada mais gratificante que vencer em casa e comemorar da forma mais espontânea.

Alonso, de fato, tem do que sorrir. Nas corridas em que tudo transcorreu normalmente, venceu. Na Austrália, a Ferrari levou o bote da Lotus na estratégia – algo que tentou repetir hoje e só conseguiu o segundo posto porque o calor era excessivo e o carro de Räikkönen não é tão rápido quanto os dos vermelhos. Na China, venceu a partir da terceira volta. Talvez daí venha tamanha confiança e desdém para o abandono na Malásia e o problema no Bahrein – o mesmo número que teve em 2012 e que já o poria na linha de risco do título. Realmente é claro que a Ferrari tem o melhor carro em corrida.

A Lotus já tem essa consciência e trabalha Kimi na base da cabeça. Já que não dá para vencer, que se tente algo diferente, considerando que o carro, amável com os Pirelli, permite. O resultado normal seria terminar atrás de Massa, então o segundo é mais do que o esperado. Com estes pódios que arrebata, o finlandês vai bebendo champanhe e se mantendo nas cabeças. Está só quatro pontos atrás de Vettel, que venceu duas provas em cinco corridas. Aliás, a disputa de posição com Sebastian foi um dos pontos altos desta boa corrida em Barcelona, que quebrou os paradigmas das estatísticas: nenhum dos três do pódio largaram entre os três primeiros.

Falando em Vettel, a diferença de quase 40 segundos para Alonso na bandeirada também deve ligar o alarme na Red Bull. Não é nada normal que, em condições similares de tática de pneus, o alemão acabe tomando uma média de 0s58 por volta, considerando que no primeiro trecho de corrida se manteve à frente do rival espanhol. Também não pode colar qualquer excusa da Red Bull que se tratou de um resultado atípico: as temperaturas do ar e da pista não eram nada absurdas e o composto dos pneus é de conhecimento da equipe. Digamos que, no geral, a Red Bull ainda tem um carro melhor que o da Lotus. Mas é muito mais volúvel.

Teve nego aí, bocudo, que veio com o papo de que Massa mal passaria do oitavo lugar largando em nono e com o discurso preparado de que a degradação dos Pirelli era imensa antes da corrida. Queimou a língua e ardeu no inferno. Felipe teve uma largada ótima, passando a sétimo, e levou um par de voltas para passar Pérez por volta lá na reta do miolo. Nisso, teve uma sorte: como Rosberg prendia Vettel, Alonso, Räikkönen e Hamilton, não perdeu tempo e logo encostou no pelotão da frente. Passou Hamilton e, inteligentemente, foi chamado para parar antes dos demais, onde ganhou o posto de Kimi. Aí, tornou atrás de Vettel, que perdeu a posição para o espanhol. Gradativamente, voltou ao seu ritmo de perda de tempo com o decorrer da prova, mas surpreendentemente não foi tão grande. Com a parada a menos do finlandês, não teve como brigar pelo segundo lugar.

De qualquer forma, um lugar no pódio para Massa apaga os desempenhos medianos que teve nas últimas provas e o mantém ali no bolo. “Você tá louco em dizer que ele vai lutar pelo título, né?” E eu disse isso, cazzo? Felipe tem um campeonato para terminar ali em quarto ou quinto. Pode não ser lá grande coisa, mas só o fato de estar realmente ali à frente de Webber e perto de Hamilton demonstram uma melhora sensível. O problema é que Massa tem a mesma síndrome de Barrichello: não conseguir engatar uma série de corridas com performances acima da média.

Se Oscar Maroni quiser abrir um meretrício, deveria colocar o nome de Dona Mercedes. Porque passaram a mão nos caras com gosto hoje. Hamilton, então, tomou até de Maldonado certa hora. Camarada que larga em segundo e termina em 12º, chegando a andar dois postos acima, tem de chorar com um carro que só serve para uma volta rápida. Rosberg, então, fez milagre em terminar em sexto e segurar a rapa no começo. O ritmo de corrida das flechinhas é pior que o da Toro Rosso – e isso deveria ser considerado uma ofensa para os taurinos da Série B, que com Ricciardo andam muito bem; só pecam no início, quando o carro não apresenta aderência alguma. Lewis já clamou, ajoelhado e depois de ser amordaçado no coito, que o pessoal tem de voltar urgentemente para a mesa de planejamento e desenho e ver onde é que está o erro para que o desgaste seja tão acentuado.

Webber foi quinto, mas parece que vai e aluga o carro da Red Bull para correr, tipo cliente. Ninguém percebe que está ali. Credo. Di Resta foi sétimo em um desempenho realmente mediano da Force India – sim, esperava-se mais. Sutil foi acometido por outra zica do pântano depois de uma largada excepcional, pulando de 13º para oitavo. Por muito tempo apareceu com a melhor volta da prova. No fim, ainda foi 13º, atrás de Hamilton, no pré-coito. As McLaren ficaram em oitavo e nono com Button e Pérez, devidamente comportados, e Ricciardo foi décimo, andando novamente bem. Gutiérrez, que chegou a liderar a prova, num momento de psicodelia e catarse, até que andou direitinho e foi o 11º. A Williams está lá por estar. O resto é aquilo de sempre, um terror em forma de quatro rodas.

Daqui duas semanas vem Mônaco, e para lá a Pirelli vai levar os supermacios. Se a vida já não é facil, andar com os pneus que se desfazem em quatro ou cinco voltas será um desafio e tanto. E num circuito diferente de tudo dos demais, o negócio pode embaralhar um pouco. Até a McLaren pode aparecer bem. Até lá, o peito estufado de Alonso vai pensar em, depois do reinado, conquistar o principado.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Erga la bandera*

* Por Luis Fernando Ramos




Num Mundial de 19 corridas com apenas cinco tendo a participação de um piloto da casa, o triunfo de Fernando Alonso precisava mesmo de uma celebração especial. Pela classe com que ele a conquistou, com uma bonita manobra na primeira volta para ganhar duas posições que foram fundamentais para que sua estratégia funcionasse. Pela própria estratégia inteligente da Ferrari em adiantar a primeira parada do espanhol para que ele ganhasse a posição de Sebastian Vettel e partisse para a liderança. Pela festa intensa de uma torcida apaixonada, mais de 90 mil pessoas que foram empurrar o ídolo local para seu segundo triunfo na temporada.

- A cada ano eles fazem esforços maiores para vir, com uma crise econômica que está cada vez mais forte. Poder ganhar correndo em casa sempre é emocionante. É a terceira vez que eu faço isso, mas foi tão especial como a primeira. E poder dar um bom domingo para que estes torcedores voltem para casa com um sorriso é uma alegria dupla para esta vitória.

Diante de tudo isso, beirou o ridículo o fato da FIA ter chamado Alonso para dar explicações aos comissários depois da corrida por ter “recebido um objeto estranho” na volta de desaceleração. Era apenas uma bandeira espanhola, que tremulou em seus braços para delírio do povo nas arquibancadas. Ao final, prevaleceu o bom senso e o caso não foi levado adiante.

Adiante está a Ferrari quando as corridas acontecem em pistas que geram um alto desgaste de pneus. Foi assim na China e foi assim ontem em Barcelona. Neste caso, nem a Lotus, o carro que costuma ser o melhor em termos de preservar a borracha, encontra meios para superar o ritmo de corrida superior dos carros do time italiano. Como havia acontecido em Xangai, Kimi Raikkonen também terminou em segundo atrás de Alonso.

A prova teve um total de 79 paradas, uma média de 3,59 por carro, ilustrando a intensidade do desgaste acontecido na corrida. Quando isto acontece, quem costuma sofrer mais é a Red Bull, cujo carro é mais agressivo com os pneus. Assim, não surpreendeu o fato de Sebastian Vettel se mostrar bastante tranquilo depois de terminar o GP em 4º lugar. Somou doze pontos importantes para se manter na liderança do Mundial num dia que poderia ter sido bem pior para sua equipe.

Felipe Massa terminou em terceiro, conquistando seu primeiro pódio da temporada num momento importantíssimo. Em julho a Ferrari deve acelerar o processo de decisão sobre o companheiro de equipe de Fernando Alonso no ano que vem. E o desempenho do brasileiro em Barcelona foi o melhor sinal que ele poderia ter dado: se classificou a apenas um milésimo de segundo do espanhol, fez uma grande primeira volta para se recuperar da punição que sofreu depois do treino e terminou no pódio, tirando pontos do líder do Mundial, o alemão Sebastian Vettel. Mas Massa garantiu que uma eventual renovação de contrato não é algo em que ele pensa agora.

- Estou nessa equipe há oito anos, tenho certeza que eles já sabem o que eu posso fazer. O que mais me preocupa no momento é brigar para chegar no pódio e para vencer corridas. Faço o meu melhor dentro do carro e o resto, eles já sabem - afirmou.

Diante da melhor performance da Ferrari na temporada, que levou o time a assumir a vice-liderança no Mundial de Construtores, Massa deixou claro estar otimista para o restante do campeonato.

- Estamos num bom caminho e espero lutar por pódios em cada corrida. É o nosso ponto forte, enquanto que as classificações não tem sido fáceis para nós. É algo no qual estamos trabalhando para melhorar o carro. Mas sabemos que temos um bom carro em ritmo de corrida. Com certeza existe a chance de eu conseguir uma vitória em breve - analisou.

Com 45 pontos somados em cinco corridas, este é o seu melhor início de campeonato desde que a Pirelli passou a ser a fornecedora de pneus, a partir de 2011.

GRID GIRLS: FORMULA 1 (GP ESPANHA, 2013)

CRASH: NATHANAËL BERTHON (GP2 - GP ESPANHA, 2013)

Alonso vence, mas cobra a Ferrari*

* Por Lívio Oricchio


Fernando Alonso aprendeu com Flavio Briatore, quando foram campeões do mundo com a Renault, em 2005 e 2006: as celebrações por uma vitória terminam no dia da conquista. “Caso contrário não é possível obtê-las novamente”, diz o italiano.


Por essa razão o piloto da Ferrari afirmou depois de vencer ontem o GP da Espanha, de forma espetacular, em Barcelona, diante da entusiasmada torcida, e reduzir de 30 para 17 pontos a diferença que o separa do líder do Mundial, Sebastian Vettel, da Red Bull (89 a 72), quarto colocado, ontem: “Não estamos contentes ainda com o redimento do nosso carro, precisamos adotar uma estratégia agressiva de desenvolvimento para as próximas corridas”.

Largar na quinta colocação, optar por quatro pit stops e receber a bandeirada 9 segundos na frente do segundo colocado, o veloz e constante Kimi Raikkonen, da Lotus, agora a apenas 4 pontos de Vettel (89 a 85), foi possível, segundo Alonso, por causa do ritmo “excepcional” do modelo F138 da Ferrari em condição de corrida. “Temos um dos melhores carros, senão o melhor para o domingo. Mas sofremos ainda aos sábados, nas sessões de classificação.”

E apesar do otimismo com relação à sexta etapa do calendário, dia 26 em Mônaco, Alonso considera essencial a Ferrari tornar seu carro mais eficiente na definição do grid. “Aqui no Circuito da Catalunha larguei em quinto e venci, mas em Mônaco será bem mais difícil, por isso temos de ser mais rápidos na classificação.”

E se o desafio de Alonso foi grande para ganhar o GP da Espanha, largando em quinto, Massa também teve de resgatar o seu melhor para começar a prova em nono no grid e ser terceiro, primeiro pódio da temporada. Não estava totalmente feliz, no entanto: “Fiquei com aquele gostinho de que poderia ser melhor. O carro estava ótimo (leia à parte)”.

Os pneus foram decisivos na etapa de Barcelona. A Pirelli levou os novos duros e os médios. Depois da primeira onda de pit stops, entre as voltas 9 e 11, ficou mais ou menos evidente que a luta pela vitória seria entre Alonso, na provável estratégia de quatro paradas, e Raikkonen, três. Vettel não demonstrou poder acompanhar os dois, tanto que não foi ao pódio e terminou 38 segundos atrás do espanhol.

“Só compreendi que a corrida estava na minha mão depois do último pit stop (na 49.ª volta de um total de 66), em que voltei à pista em primeiro, 8 ou 9 segundos na frente de Kimi”, comentou Alonso. Foi sua 32.ª vitória na Fórmula 1. A sua frente estão agora apenas Michael Schumacher, 91, Alain Prost, 51 e Ayrton Senna, 41.

A estratégia do finlandês era estar na frente de Alonso nesse momento. Sua última parada foi na 45.ª volta. “Infelizmente não tínhamos pneus novos para a corrida, já o havíamos usado na classificação”, explicou Raikkonen. Se os tivesse provavelmente poderia repetir a vitória obtida no GP da Austrália em condições semelhantes, quando também fez um pit stop a menos e principalmente por isso venceu.

Os dois pilotos da primeira fila, a dupla da Mercedes, o pole position, Nico Rosberg, e Lewis Hamilton, deixaram seus carros indignados. O alemão acabou em sexto, mais de um minuto depois de Alonso, e Hamilton em 12.º, uma volta atrás. “É inacreditável, fui ficando cada vez mais lento, era ultrapassado a cada volta, a degradação foi altíssima, nos dianteiros, traseiros”, falou, bravo, Rosberg.

“Foi uma experiência que não desejo repeti-la. Apenas de todas as novidades no carro não evoluímos nada nesse sentido”, afirmou Hamilton. Os dois, no entanto, são desde já, por mais paradoxal que possa parecer, os favoritos para o GP de Mônaco. “A Mercedes foi a mais rápida na classificação no ano passado, este ano tem de novo o carro mais veloz na definição do grid, (conforme atestam as três últimas poles seguidas), e nas ruas de Mônaco é muito difícil ultrapassar”, previu Raikkonen.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

AO VIVO: FÓRMULA 1 - GP DA ESPANHA 2013 (TREINOS E CORRIDA)


*** PRÓXIMAS TRANSMISSÕES AO VIVO ***
TREINO LIVRE 1 - 10/05/2013 (sexta-feira), 05:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 2 - 10/05/2013 (sexta-feira), 09:00h (horário de Brasília)
TREINO LIVRE 3 - 11/05/2013 (sábado), 06:00h (horário de Brasília)
CLASSIFICAÇÃO - 11/05/2013 (sábado), 09:00h (horário de Brasília)
GP2 CORRIDA 1 - 11/05/2013 (sábado), 10:40h (horário de Brasília)
GP2 CORRIDA 2 - 12/05/2013 (domingo), 05:30h (horário de Brasília)
CORRIDA - 12/05/2013 (domingo), 09:00h (horário de Brasília)

ACOMPANHE A CRONOMETRAGEM OFICIAL, AO VIVO. CLIQUE AQUI!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

Podemos esperar belas surpresas no GP da Espanha*

* Por Lívio Oricchio


Tomemos dois exemplos do ocorrido no ano passado no GP da Espanha, próxima etapa do campeonato, dia 12, no Circuito da Catalunha, em Barcelona: Pastor Maldonado, da Williams, e Fernando Alonso, Ferrari. Na edição de 2012 do Mundial, antes de chegar à Espanha o venezuelano largou em 8.º na Austrália, 11.º na Malásia, 13.º na China e 21.º em Bahrein. Nessas quatro corridas somou apenas 4 pontos, resultado do 8.º lugar na etapa de Xangai.

A trajetória de Alonso não foi diferente, da mesma forma distante dos mais eficientes. O revolucionário modelo F2012 da Ferrari ainda estava bastante desequilibrado. A exceção foi no GP da Malásia, onde a enorme competência do espanhol o levou à vitória, aproveitando-se das condições mutantes da competição. Em 2012 Alonso começou em 12.º no grid de Melbourne, foi 8.º em Sepang, 9.º em Xangai e 9.º em Bahrein. O piloto da Ferrari terminou em quinto na abertura da temporada, como já disse venceu na Malásia, obteve o 9.º lugar na China e o 7.º no Circuito de Sakhir. Somou nas quatro corridas iniciais 43 pontos.

Dia 12 de maio de 2012, sábado, Maldonado estabeleceu a pole position em Barcelona e Alonso, o segundo tempo. Os dois formaram a primeira fila do grid, resultado bastante diverso do que vinham obtendo. E depois das 66 voltas no traçado catalão de 4.655 metros Maldonado recebeu a bandeirada em primeiro, com Alonso 3 segundos atrás, em segundo.

É possível colocar também dentre os exemplos de performance surpreendente no Circuito da Catalunha, ao menos na definição do grid, o mexicano Sergio Perez, da Sauber: 22.º na Austrália, 9.º na Malásia, 8.º na China e 8.º em Bahrein. Em Barcelona: 5.º. Abandonou a prova por quebra da transmissão.

Disponibilizo os casos de Maldonado, Alonso e até Perez para dizer que este ano pode acontecer o mesmo no GP da Espanha. Há espaço, sim, para boas surpresas. Antes mesmo do intervalo de três semanas entre a etapa de Bahrein e de Barcelona, agora, o grupo de projetistas das equipes já trabalhava no pacote aerodinâmico, principalmente, que vai estrear na próxima sexta-feira, dia do primeiro treino livre da quinta etapa do calendário.

O quadro deste ano é ainda mais favorável para que assistamos a resultados inesperados como os de Maldonado, Alonso e Perez. Em 2012, apesar dos sete vencedores distintos nas sete primeiras etapas do campeonato, dois times se sobrepunham em relação aos demais em termos de desempenho: Red Bull e McLaren. Os demais, Ferrari, Lotus e Mercedes, pouco antes do GP da Espanha estavam atrás dos dois melhores.

Nesta temporada, quatro escuderias estão mais próximas entre si: Red Bull, Lotus, Ferrari e Mercedes. Mas é possível, sim, por que não?, a McLaren apresentar um pacote para o modelo MP4/28-Mercedes que o torne bem mais veloz e equilibrado que até agora, inserindo-a nesse pelotão da frente. Potencialmente é o carro com maior margem de desenvolvimento, pelas novidades incorporadas no projeto. E houve tempo para isso.

Mais: a Mercedes deu um salto à frente com o W04 este ano. “Temos uma ótima base para crescer”, afirma Lewis Hamilton, piloto que revigorou a organização alemã, com dois pódios nas quatro primeiras etapas, terceiro na classificação, com 50 pontos, diante de 77 do líder, Sebastian Vettel, da Red Bull, e 67 de Kimi Raikkonen, Lotus, segundo. A Mercedes pode avançar ainda mais. E, claro, a sempre fantástica Red Bull e a Ferrari vêm da mesma forma com alterações substanciais em seus monopostos.

Repare que não é como em 2012 em que para superar Red Bull e McLaren, as melhores até o GP de Bahrein, Ferrari, Lotus e Mercedes precisariam crescer bem mais que as duas. A Williams, então, nem se fala. Mas o que vimos no GP da Espanha foi a Ferrari e a Williams andando na frente.

E sempre há a questão dos pneus. Quem consegue acertar o carro para fazê-los trabalhar na faixa de temperatura indicada pela Pirelli obtém rendimento bem melhor. A maior velocidade do RB9-Renault da Red Bull de Vettel no Circuito de Sakhir teve estreita relação com o fato.

No Circuito da Catalunha a Pirelli colocará à disposição os novos pneus duros. Eles têm vida útil um pouco maior que a versão usada até o GP de Bahrein, mas a principal mudança é na faixa de temperatura que eles respondem com seu máximo. Os anteriores ofereciam a melhor aderência quando aquecidos entre 110 e 135 graus Celsius. Essa faixa foi ampliada. Além dos duros a Pirelli vai levar para Barcelona os pneus médios.

Se sem os novos pacotes técnicos que vão estrear na Espanha já estava difícil prever o que poderia acontecer nas sessões de classificação e nas corridas, a partir da próxima etapa será ainda mais complexo projetar a sequência não apenas do campeonato como até mesmo o que deve ocorrer no restante da programação do fim de semana. Vimos este ano como é grande a diferença entre o comportamento dos carros nas definições do grid e depois nos 305 quilômetros da corrida.

Dentre as quatro mais eficientes até o momento este ano, Red Bull, Lotus, Ferrari e Mercedes, pode acontecer absolutamente de tudo. Adicione, como mencionado, a McLaren, pelo potencial do projeto e a engenharia avançada do time. Não acabou: a bela surpresa até agora também, a Force India, tem condições de melhorar ainda mais seu bom modelo VJM06-Mercedes.

Tudo isso representa uma ótima notícia para o campeonato, em especial porque se esperava menos da temporada, em razão da drástica mudança no regulamento técnico do ano que vem. A Fórmula 1 deu sorte de quatro escuderias, mais a McLaren, terem desenvolvido carros velozes este ano. Se já tivessem compreendido que nasceram errado, passariam a se concentrar no imenso desafio de engenharia proposto pelas regras de 2014, o que limitaria a disputa pelo título a no máximo duas equipes. Felizmente não é o caso. Ao contrário.