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segunda-feira, 15 de março de 2010
FOLHA DE SP: Torcida dá um jeito de ver também a corrida de F-1
Andrei Spinassé - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para muita gente, não bastou ver de perto a Indy nas arquibancadas ontem. Também foi preciso acompanhar a prova de estreia da temporada de F-1.
O treino classificatório da Indy começou apenas 15 minutos antes da largada da F-1, e vários torcedores abandonaram o que acontecia ali no Anhembi para prestar atenção às TVs portáteis e radinhos.
"É um olho na pista e outro na TV", declarou Augusto Roque, 30. "Se tiver roda e fizer barulho, lá estaremos. Vemos até corrida de rolimã", completou Rodrigo Lopes, 25.
Segundo eles, que frequentam normalmente o setor G de Interlagos nas corridas de F-1, o circuito montado no Anhembi oferece uma melhor infraestrutura para os espectadores. Havia telões distribuídos pelas arquibancadas, o que não acontece nos setores mais baratos do GP Brasil de F-1. Os torcedores reclamaram, no entanto, da demora para os portões serem abertos ontem, o que aumentou o tempo perdido nas filas do Anhembi.
Segundo a organização, todos os 36.500 ingressos disponíveis foram vendidos. A Bandeirantes calcula ter conseguido oito pontos de audiência média durante a transmissão da corrida paulistana. (AS)
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1503201015.htm
Para muita gente, não bastou ver de perto a Indy nas arquibancadas ontem. Também foi preciso acompanhar a prova de estreia da temporada de F-1.
O treino classificatório da Indy começou apenas 15 minutos antes da largada da F-1, e vários torcedores abandonaram o que acontecia ali no Anhembi para prestar atenção às TVs portáteis e radinhos.
"É um olho na pista e outro na TV", declarou Augusto Roque, 30. "Se tiver roda e fizer barulho, lá estaremos. Vemos até corrida de rolimã", completou Rodrigo Lopes, 25.
Segundo eles, que frequentam normalmente o setor G de Interlagos nas corridas de F-1, o circuito montado no Anhembi oferece uma melhor infraestrutura para os espectadores. Havia telões distribuídos pelas arquibancadas, o que não acontece nos setores mais baratos do GP Brasil de F-1. Os torcedores reclamaram, no entanto, da demora para os portões serem abertos ontem, o que aumentou o tempo perdido nas filas do Anhembi.
Segundo a organização, todos os 36.500 ingressos disponíveis foram vendidos. A Bandeirantes calcula ter conseguido oito pontos de audiência média durante a transmissão da corrida paulistana. (AS)
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1503201015.htm
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segunda-feira, 1 de março de 2010
GP DA INDY EM SP REABRE ANTIGA FERIDA*
* Por Andrei Spinassé (Folha de São Paulo, 01/03/2010 - Caderno Esportes)
Quase 74 anos antes de a Indy realizar uma corrida de rua em São Paulo, uma prova urbana mobilizou a capital paulista e teve um fim trágico. Foi disputado em 12 de julho de 1936 o GP Cidade de São Paulo, a última grande competição desse tipo com a participação de famosos pilotos internacionais de que se tem registro.
Muito atrás nas disputas automobilísticas do Rio, que desde 1933 tinha o Circuito da Gávea, São Paulo não realizava corridas havia algum tempo. Foi por isso que a prefeitura paulistana decidiu promover o GP Cidade de São Paulo. A ideia era que os pilotos que participavam do Circuito da Gávea corressem no Jardim América. Nos preparativos da prova foram adquiridos 8.000 m de cordas, para separar carros de espectadores, e montadas arquibancadas para 7.000.
Seis pilotos que haviam corrido no Rio competiram: os italianos e ferraristas Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni, a francesa Mariette Hélène Delangle, a Hellé Nice, ex-dançarina e acrobata, e três argentinos. Entre os brasileiros estavam Manoel de Teffé e Francisco Landi, mas com carros inferiores aos dos estrangeiros. Atual presidente da Federação de Automobilismo de São Paulo, Rubens Carpinelli, 82, 8 à época, viveu intensamente aqueles momentos. "Na escola só se falava na corrida."
A pista montada no Jardim América tinha 4.250 m, longas retas seguidas de "cotovelos" e 60 voltas. Na avenida Brasil ficavam torre de cronometragem, tribuna e arquibancadas. A organização limitou em 20 o número de pilotos e o grid foi definido por sorteio. Por regulamento, os carros deveriam ser pintados com as cores do país de cada competidor. Rubens Carpinelli, professor de matemática de Emerson Fittipaldi na escola, morava em Pinheiros e foi a pé com seu pai. "Os bondes que serviam aquela região passavam lotados horas antes. Todos temiam não achar um bom lugar nas calçadas -nenhum era marcado."
Os carros largaram às 9h30 para um público de 100 mil. "Todos foram para ver uma novidade, algo que não imaginavam poder ver em São Paulo." Como já era esperado, Pintacuda disparou na frente e teve tempo de fumar cigarros durante paradas para reabastecimento e ajudar seu companheiro Marinoni, que havia rodado, empurrando-o com seu próprio Alfa Romeo. Às 11h57, a dobradinha foi confirmada.
Na reta final, Hellé Nice e Teffé disputavam a terceira posição, e o brasileiro estava à frente. A francesa tentava a todo custo a ultrapassagem, mas foi surpreendida por um obstáculo e freou bruscamente. Há duas versões: um fardo de alfafa foi jogado à sua frente ou um homem atravessou a pista. Ela bateu num volume de alfafa, foi lançada ao ar e salva por um soldado.
"Ficou um clima de desolação", falou Carpinelli. Após o acidente, uma multidão invadiu a pista, e os outros pilotos evitaram uma tragédia de proporções ainda maiores. Como saldo, seis pessoas morreram e 34 ficaram feridas.
Ainda houve, em 1949, uma prova no Pacaembu, mas sem a participação de estrangeiros.
Quase 74 anos antes de a Indy realizar uma corrida de rua em São Paulo, uma prova urbana mobilizou a capital paulista e teve um fim trágico. Foi disputado em 12 de julho de 1936 o GP Cidade de São Paulo, a última grande competição desse tipo com a participação de famosos pilotos internacionais de que se tem registro.
Muito atrás nas disputas automobilísticas do Rio, que desde 1933 tinha o Circuito da Gávea, São Paulo não realizava corridas havia algum tempo. Foi por isso que a prefeitura paulistana decidiu promover o GP Cidade de São Paulo. A ideia era que os pilotos que participavam do Circuito da Gávea corressem no Jardim América. Nos preparativos da prova foram adquiridos 8.000 m de cordas, para separar carros de espectadores, e montadas arquibancadas para 7.000.
Seis pilotos que haviam corrido no Rio competiram: os italianos e ferraristas Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni, a francesa Mariette Hélène Delangle, a Hellé Nice, ex-dançarina e acrobata, e três argentinos. Entre os brasileiros estavam Manoel de Teffé e Francisco Landi, mas com carros inferiores aos dos estrangeiros. Atual presidente da Federação de Automobilismo de São Paulo, Rubens Carpinelli, 82, 8 à época, viveu intensamente aqueles momentos. "Na escola só se falava na corrida."
A pista montada no Jardim América tinha 4.250 m, longas retas seguidas de "cotovelos" e 60 voltas. Na avenida Brasil ficavam torre de cronometragem, tribuna e arquibancadas. A organização limitou em 20 o número de pilotos e o grid foi definido por sorteio. Por regulamento, os carros deveriam ser pintados com as cores do país de cada competidor. Rubens Carpinelli, professor de matemática de Emerson Fittipaldi na escola, morava em Pinheiros e foi a pé com seu pai. "Os bondes que serviam aquela região passavam lotados horas antes. Todos temiam não achar um bom lugar nas calçadas -nenhum era marcado."
Os carros largaram às 9h30 para um público de 100 mil. "Todos foram para ver uma novidade, algo que não imaginavam poder ver em São Paulo." Como já era esperado, Pintacuda disparou na frente e teve tempo de fumar cigarros durante paradas para reabastecimento e ajudar seu companheiro Marinoni, que havia rodado, empurrando-o com seu próprio Alfa Romeo. Às 11h57, a dobradinha foi confirmada.
Na reta final, Hellé Nice e Teffé disputavam a terceira posição, e o brasileiro estava à frente. A francesa tentava a todo custo a ultrapassagem, mas foi surpreendida por um obstáculo e freou bruscamente. Há duas versões: um fardo de alfafa foi jogado à sua frente ou um homem atravessou a pista. Ela bateu num volume de alfafa, foi lançada ao ar e salva por um soldado.
"Ficou um clima de desolação", falou Carpinelli. Após o acidente, uma multidão invadiu a pista, e os outros pilotos evitaram uma tragédia de proporções ainda maiores. Como saldo, seis pessoas morreram e 34 ficaram feridas.
Ainda houve, em 1949, uma prova no Pacaembu, mas sem a participação de estrangeiros.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
FÓRMULA 1 EM LETRAS DE MÚSICAS*
* por Andrei Spinassé.
Recebi há pouco o livro "Pra ser sincero - 123 variações sobre um mesmo tema", de Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii. Na seção de letras comentadas, existe um comentário que confirma que ele se inspirou na Fórmula 1 para escrever duas letras.
Em "3ª do plural", de 2002, ele aborda o lado comercial da categoria: "Corrida pra vender cigarro/Cigarro pra vender remédio/Remédio pra curar a tosse/Tossir, cuspir, jogar pra fora/Corrida pra vender os carros/Pneu, cerveja e gasolina/Cabeça pra usar boné/E professar a fé de quem patrocina".
Em "Outras frequências", de 2004, o músico trabalha em cima da ideia do "mais fácil falar do que fazer": "Seria mais fácil fazer como todo mundo faz/Sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás".
Curiosamente, ambas as músicas foram gravadas na época do domínio de Michael Schumacher com a Ferrari, período em que a politicagem da categoria sofreu duras críticas, especialmente após o episódio do GP da Áustria de 2002, em que Barrichello abriu passagem para o alemão na reta final.
Recebi há pouco o livro "Pra ser sincero - 123 variações sobre um mesmo tema", de Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii. Na seção de letras comentadas, existe um comentário que confirma que ele se inspirou na Fórmula 1 para escrever duas letras.
Em "3ª do plural", de 2002, ele aborda o lado comercial da categoria: "Corrida pra vender cigarro/Cigarro pra vender remédio/Remédio pra curar a tosse/Tossir, cuspir, jogar pra fora/Corrida pra vender os carros/Pneu, cerveja e gasolina/Cabeça pra usar boné/E professar a fé de quem patrocina".
Em "Outras frequências", de 2004, o músico trabalha em cima da ideia do "mais fácil falar do que fazer": "Seria mais fácil fazer como todo mundo faz/Sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás".
Curiosamente, ambas as músicas foram gravadas na época do domínio de Michael Schumacher com a Ferrari, período em que a politicagem da categoria sofreu duras críticas, especialmente após o episódio do GP da Áustria de 2002, em que Barrichello abriu passagem para o alemão na reta final.
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sábado, 28 de novembro de 2009
FIM DE PAPO...
Mas só por hoje, porque amanhã tem muito mais.
Agradeço a colaboração, os papos, os comentários de bastidores e a troca de idéias de duas pessoas em especial, Andrei Spinassé (ex-Tazio) e Natali Chiconi (Tazio), que aparecem na foto comigo.

Agradeço também o apoio de Caio Moraes, assessor de imprensa da GT3.
A todos, muito obrigado e até amanhã.
Agradeço a colaboração, os papos, os comentários de bastidores e a troca de idéias de duas pessoas em especial, Andrei Spinassé (ex-Tazio) e Natali Chiconi (Tazio), que aparecem na foto comigo.
Agradeço também o apoio de Caio Moraes, assessor de imprensa da GT3.
A todos, muito obrigado e até amanhã.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
GGOO ENTREVISTA: ANDREI SPINASSÉ
E o GGOO entrevista inicia 2009 com um novo talento do jornalismo automobilistico nacional: o paulistano Andrei Spinassé.
O Andrei fez seu primeiro trabalho jornalístico antes mesmo da faculdade, o “Setor A Interlagos”, em 2001, um site amador com dicas para quem ia ao GP Brasil de F-1. A página evoluiu e virou “GPBrasil.net” em 2003. Entrou na Faculdade Cásper Líbero em 2005, quando começou a apresentar o quadro “No Box” na Rádio Gazeta AM 890 dentro do espaço dedicado aos alunos. Passou pelo site “F-1 na Web” em 2006, entrou na “Folha de S.Paulo” como freelancer em 2007 e faz parte do Tazio desde sua estreia, em março de 2008. Já viu 13 GPs Brasil de perto, sendo um deles com credencial de imprensa (em 2008).
De forma bem clara e sincera, Andrei nos falou sobre vários assuntos tais como a importância dos blogs para o jornalista e o jornalismo e si, a "des-gestão" da CBA, sua cobertura do GP Brasil 2008, as novas regras e os seus favoritos para a temporada 2009 de Fórmula 1 que se inicia domingo.
Com a palavra, Andrei Spinassé:
GGOO - Conte-nos um pouquinho da relação do Andrei Spinassé (pessoa e jornalista) com o automobilismo e, principalmente, com o autódromo de Interlagos e o GP Brasil.
ANDREI SPINASSÉ - Não consigo me ver longe do automobilismo. É uma relação curiosamente iniciada em 1994, um ano fatídico para a F-1, quando eu tinha oito anos de idade. Minha primeira lembrança da categoria vem do GP Brasil daquele ano. Vi pela TV essa prova. A segunda coisa que me vem à cabeça é San Marino. Mas nada disso atrapalhou minha paixão. Tanto é que quis ver o GP Brasil de 1995 de perto. A partir de então, perdi poucas corridas. Já em 1997 eu sabia que gostaria de ser jornalista, e cobrir automobilismo foi prioridade antes, durante e depois da faculdade. Voltando à infância, minhas brincadeiras giravam em torno do esporte a motor. Cheguei a organizar um campeonato de carrinhos de rolimã de oito participantes, com regulamento até. Fui campeão (risos). Interlagos sempre foi para mim a concretização de um sonho: diferentemente das brincadeiras, aquilo era a realidade. Ver a F-1 de perto desde 1995 significou muito, e eu contava os dias para a prova. Cresci, mas meu gosto pela coisa não diminuiu. A diferença é que não posso mais brincar, pois trabalho com isso.
GGOO - Hoje, praticamente qualquer pessoa pode expressar suas opiniões e expor seus conhecimentos através de blogs, fóruns e sites de relacionamento. Como jornalista, qual a sua visão sobre essa "democratização" da notícia pela internet? Isso ajuda ou atrapalha o seu trabalho?
ANDREI SPINASSÉ - Ajuda bastante. Eu mesmo era um forista e torcedor de arquibancada até pouco tempo atrás. Ou seja, conheço o outro lado. É claro que existem pessoas que só entram nesses sites para tirar um sarro, mas há gente séria e que entende. Para um jornalista especializado, é importante visitar esse tipo de página toda semana para saber o que os internautas acham das coisas. Na verdade, com isso sabemos se nosso trabalho é feito corretamente, porque nosso objetivo é transmitir mensagens da maneira desejada. Se houver ruídos no processo, existe algo errado. Os internautas são agentes de informação também, já que vasculham os diversos sites e escolhem dados interessantes, percebem detalhes que poderiam passar despercebidos. A “democratização” mais ajuda que atrapalha.
GGOO - O assunto do momento na F-1 é o assombroso desempenho da Brawn GP na pré temporada. Na sua opinião, este desempenho é verdadeiro ou fictício? Se confirmado esse rendimento na Austrália, você acredita em um possível título de Rubens Barrichello?
ANDREI SPINASSÉ - O desempenho é real, pois não vejo motivo para Ross Brawn fazer joguinhos com mídia e torcedores não tendo muito tempo de testes. Para mim, eles estavam dentro do regulamento, como o próprio Barrichello disse. Mas o brasileiro afirmou outra coisa que me deixou curioso: a Ferrari não fez simulação de classificação em Barcelona. Os italianos podem ter cartas guardadas. Supondo que essas cartas deixem o F60 em condição de igualdade com o BGP001, acredito mais na Ferrari, porque esta tem Kers, mais dinheiro e mais condições de melhorar ao longo do ano. Só acredito em título de Barrichello se a Brawn estiver mais de meio segundo mais rápida que qualquer outra. É bem provável que ela evolua menos que as adversárias durante a temporada.
GGOO - Qual a sua visão sobre essa radical mudança na forma de apurar o campeão mundial para 2009? Acha justo premiar apenas a vitória a qualquer custo?
ANDREI SPINASSÉ - Justo não é. Um campeonato é uma longa viagem, não um passeio de metrô. Mas essa regra foi descartada hoje (20 de março), e deveremos ter o mesmo sistema de pontos do ano passado. Na minha visão, dar o título ao maior vencedor de corridas foi uma medida política. A FIA e a FOM quiseram contradizer a Fota, a unida Associação das Equipes da F-1. Nesses últimos tempos, a Fota ganhou muita importância, e entendo que a FIA está insatisfeita e com medo de perder sua função na F-1, que é regulamentar o campeonato. Esse jogo de poder ainda vai longe...
GGOO - Quais são as suas previsões para a temporada 2009 da F-1?
ANDREI SPINASSÉ - Como todos dizem, é difícil apontar favoritos neste momento. Mas acredito em um ano repleto de abandonos, acidentes, e em uma volta por cima de Kimi Raikkonen. Felipe Massa terá de impressionar logo de cara, algo que não fez no ano passado. Se o finlandês vencer umas três vezes em seis corridas, apostaria nele. Se Massa fizer o mesmo, mudo meu palpite para o brasileiro. No entanto, como eu disse, se a Brawn detonar na Austrália, tem tudo para manter-se na condição de favorita.
GGOO - Comente, em linhas gerais, sobre: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet (pai), Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Nelson Piquet (filho).
ANDREI SPINASSÉ - Pode ser uma frase para cada um? Emerson Fittipaldi: um campeão ideal para o país, porque reunia nele o que havia de melhor nas décadas de 1960 e 1970 do automobilismo brasileiro. Nelson Piquet: como diria Edgard Mello Filho, é um “cara do ramo”. Ayrton Senna: tornou-se quase um “parente” de cada brasileiro por ter sido tão intenso, talentoso e dedicado, criando uma relação de empatia com as pessoas. Rubens Barrichello: sempre foi um ótimo piloto, mas, principalmente durante a época de Ferrari, criou falsas expectativas e falou demais. Felipe Massa: um piloto marcado pelo amadurecimento constante. Nelsinho Piquet: começou um desafio em 2008: correr por uma equipe que não é de seu pai.
GGOO - Brasileiro tem a fama de ser apaixonado por carros e, por conseqüência, automobilismo. Mas, com exceção da F-1, porque essa paixão não se reflete na presença de grandes públicos (pagante) a Interlagos nas demais categorias nacionais e regionais?
ANDREI SPINASSÉ - Tudo é questão de envolvimento. Tenho certeza de que se as pessoas acompanhassem um campeonato realmente, como fazem com os de futebol, iriam mais ao autódromo. Brasileiro é movido à torcida, na verdade. Para existirem torcedores, é necessária identificação. Sinto falta de um maior trabalho das equipes brasileiras nesse aspecto. A primeira coisa é haver estabilidade de pilotos, de carros, de cores. Categorias que mudam tudo constantemente não conseguem segurar fãs.
GGOO - Para você, qual é o futuro do automobilismo brasileiro?
ANDREI SPINASSÉ - O futuro depende da boa vontade de empresários, já que, nos últimos anos, a Confederação Brasileira de Automobilismo não atuou como deveria. Categorias como Stock Car e Truck só são o que são por causa de organizadores com boa visão de mercado. Alguns questionam a qualidade de ambas, mas é inegável que elas deram certo e têm parceiros fortes. A F-3 sul-americana viverá um ano de mudança com os novos chassis e a criação de uma divisão Light. Elas terão como preliminar a F-Universitária. É uma ótima notícia para a formação de pilotos de monopostos, algo deixado de lado ao fim da F-Renault em 2006.
GGOO - Fale um pouco mais sobre o livro: Em teu lar, Interlagos, de sua autoria. Existe a possibilidade de ele ser comercializado?
ANDREI SPINASSÉ - É um livro que aborda Interlagos não só como lugar de disputa de competições, mas principalmente como um local onde pessoas trabalham com prazer e vontade, fazem amigos, passam por experiências únicas. Entrevistei pessoas que encaram aquele autódromo realmente como uma casa, como Wilson Fittipaldi, Bird Clemente, Chico Rosa, Edgard Mello Filho. Há toda uma cronologia por trás, e o livro começa com as histórias do “Barão” e termina com as de Nelson Merlo e Pedro Enrique, pilotos que disputaram o título da F-3 sul-americana em 2008. Representando os torcedores, há Augusto Roque, da GGOO. Claro, há o lado esportivo, mas ele não é o mais valorizado. Pretendo achar uma editora em breve, já que, em 2010, o autódromo completará 70 anos de existência.
GGOO - Como foi ver a GGOO, da sala de imprensa de Interlagos?
ANDREI SPINASSÉ - Muito legal. Lembrei-me da minha época de arquibancada (durou até 2007). Para falar a verdade, é bem mais divertido estar no setor G que na sala de imprensa. Senti falta da zoeira no ano passado. Mas a sala de imprensa é o lugar dos jornalistas, então está ótimo. A melhor coisa é entrevistar os pilotos.
GGOO - Por fim, gostaríamos de agradecer a gentileza de nos conceder esta entrevista, solicitando que deixe um recado para a galera da GGOO.
ANDREI SPINASSÉ - Tenham uma ótima temporada. Não percam as primeiras corridas, de madrugada. Coloquem quatro despertadores para tocar ao mesmo tempo!
O Andrei fez seu primeiro trabalho jornalístico antes mesmo da faculdade, o “Setor A Interlagos”, em 2001, um site amador com dicas para quem ia ao GP Brasil de F-1. A página evoluiu e virou “GPBrasil.net” em 2003. Entrou na Faculdade Cásper Líbero em 2005, quando começou a apresentar o quadro “No Box” na Rádio Gazeta AM 890 dentro do espaço dedicado aos alunos. Passou pelo site “F-1 na Web” em 2006, entrou na “Folha de S.Paulo” como freelancer em 2007 e faz parte do Tazio desde sua estreia, em março de 2008. Já viu 13 GPs Brasil de perto, sendo um deles com credencial de imprensa (em 2008).
De forma bem clara e sincera, Andrei nos falou sobre vários assuntos tais como a importância dos blogs para o jornalista e o jornalismo e si, a "des-gestão" da CBA, sua cobertura do GP Brasil 2008, as novas regras e os seus favoritos para a temporada 2009 de Fórmula 1 que se inicia domingo.
Com a palavra, Andrei Spinassé:
GGOO - Conte-nos um pouquinho da relação do Andrei Spinassé (pessoa e jornalista) com o automobilismo e, principalmente, com o autódromo de Interlagos e o GP Brasil.
ANDREI SPINASSÉ - Não consigo me ver longe do automobilismo. É uma relação curiosamente iniciada em 1994, um ano fatídico para a F-1, quando eu tinha oito anos de idade. Minha primeira lembrança da categoria vem do GP Brasil daquele ano. Vi pela TV essa prova. A segunda coisa que me vem à cabeça é San Marino. Mas nada disso atrapalhou minha paixão. Tanto é que quis ver o GP Brasil de 1995 de perto. A partir de então, perdi poucas corridas. Já em 1997 eu sabia que gostaria de ser jornalista, e cobrir automobilismo foi prioridade antes, durante e depois da faculdade. Voltando à infância, minhas brincadeiras giravam em torno do esporte a motor. Cheguei a organizar um campeonato de carrinhos de rolimã de oito participantes, com regulamento até. Fui campeão (risos). Interlagos sempre foi para mim a concretização de um sonho: diferentemente das brincadeiras, aquilo era a realidade. Ver a F-1 de perto desde 1995 significou muito, e eu contava os dias para a prova. Cresci, mas meu gosto pela coisa não diminuiu. A diferença é que não posso mais brincar, pois trabalho com isso.
GGOO - Hoje, praticamente qualquer pessoa pode expressar suas opiniões e expor seus conhecimentos através de blogs, fóruns e sites de relacionamento. Como jornalista, qual a sua visão sobre essa "democratização" da notícia pela internet? Isso ajuda ou atrapalha o seu trabalho?
ANDREI SPINASSÉ - Ajuda bastante. Eu mesmo era um forista e torcedor de arquibancada até pouco tempo atrás. Ou seja, conheço o outro lado. É claro que existem pessoas que só entram nesses sites para tirar um sarro, mas há gente séria e que entende. Para um jornalista especializado, é importante visitar esse tipo de página toda semana para saber o que os internautas acham das coisas. Na verdade, com isso sabemos se nosso trabalho é feito corretamente, porque nosso objetivo é transmitir mensagens da maneira desejada. Se houver ruídos no processo, existe algo errado. Os internautas são agentes de informação também, já que vasculham os diversos sites e escolhem dados interessantes, percebem detalhes que poderiam passar despercebidos. A “democratização” mais ajuda que atrapalha.
GGOO - O assunto do momento na F-1 é o assombroso desempenho da Brawn GP na pré temporada. Na sua opinião, este desempenho é verdadeiro ou fictício? Se confirmado esse rendimento na Austrália, você acredita em um possível título de Rubens Barrichello?
ANDREI SPINASSÉ - O desempenho é real, pois não vejo motivo para Ross Brawn fazer joguinhos com mídia e torcedores não tendo muito tempo de testes. Para mim, eles estavam dentro do regulamento, como o próprio Barrichello disse. Mas o brasileiro afirmou outra coisa que me deixou curioso: a Ferrari não fez simulação de classificação em Barcelona. Os italianos podem ter cartas guardadas. Supondo que essas cartas deixem o F60 em condição de igualdade com o BGP001, acredito mais na Ferrari, porque esta tem Kers, mais dinheiro e mais condições de melhorar ao longo do ano. Só acredito em título de Barrichello se a Brawn estiver mais de meio segundo mais rápida que qualquer outra. É bem provável que ela evolua menos que as adversárias durante a temporada.
GGOO - Qual a sua visão sobre essa radical mudança na forma de apurar o campeão mundial para 2009? Acha justo premiar apenas a vitória a qualquer custo?
ANDREI SPINASSÉ - Justo não é. Um campeonato é uma longa viagem, não um passeio de metrô. Mas essa regra foi descartada hoje (20 de março), e deveremos ter o mesmo sistema de pontos do ano passado. Na minha visão, dar o título ao maior vencedor de corridas foi uma medida política. A FIA e a FOM quiseram contradizer a Fota, a unida Associação das Equipes da F-1. Nesses últimos tempos, a Fota ganhou muita importância, e entendo que a FIA está insatisfeita e com medo de perder sua função na F-1, que é regulamentar o campeonato. Esse jogo de poder ainda vai longe...
GGOO - Quais são as suas previsões para a temporada 2009 da F-1?
ANDREI SPINASSÉ - Como todos dizem, é difícil apontar favoritos neste momento. Mas acredito em um ano repleto de abandonos, acidentes, e em uma volta por cima de Kimi Raikkonen. Felipe Massa terá de impressionar logo de cara, algo que não fez no ano passado. Se o finlandês vencer umas três vezes em seis corridas, apostaria nele. Se Massa fizer o mesmo, mudo meu palpite para o brasileiro. No entanto, como eu disse, se a Brawn detonar na Austrália, tem tudo para manter-se na condição de favorita.
GGOO - Comente, em linhas gerais, sobre: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet (pai), Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Nelson Piquet (filho).
ANDREI SPINASSÉ - Pode ser uma frase para cada um? Emerson Fittipaldi: um campeão ideal para o país, porque reunia nele o que havia de melhor nas décadas de 1960 e 1970 do automobilismo brasileiro. Nelson Piquet: como diria Edgard Mello Filho, é um “cara do ramo”. Ayrton Senna: tornou-se quase um “parente” de cada brasileiro por ter sido tão intenso, talentoso e dedicado, criando uma relação de empatia com as pessoas. Rubens Barrichello: sempre foi um ótimo piloto, mas, principalmente durante a época de Ferrari, criou falsas expectativas e falou demais. Felipe Massa: um piloto marcado pelo amadurecimento constante. Nelsinho Piquet: começou um desafio em 2008: correr por uma equipe que não é de seu pai.
GGOO - Brasileiro tem a fama de ser apaixonado por carros e, por conseqüência, automobilismo. Mas, com exceção da F-1, porque essa paixão não se reflete na presença de grandes públicos (pagante) a Interlagos nas demais categorias nacionais e regionais?
ANDREI SPINASSÉ - Tudo é questão de envolvimento. Tenho certeza de que se as pessoas acompanhassem um campeonato realmente, como fazem com os de futebol, iriam mais ao autódromo. Brasileiro é movido à torcida, na verdade. Para existirem torcedores, é necessária identificação. Sinto falta de um maior trabalho das equipes brasileiras nesse aspecto. A primeira coisa é haver estabilidade de pilotos, de carros, de cores. Categorias que mudam tudo constantemente não conseguem segurar fãs.
GGOO - Para você, qual é o futuro do automobilismo brasileiro?
ANDREI SPINASSÉ - O futuro depende da boa vontade de empresários, já que, nos últimos anos, a Confederação Brasileira de Automobilismo não atuou como deveria. Categorias como Stock Car e Truck só são o que são por causa de organizadores com boa visão de mercado. Alguns questionam a qualidade de ambas, mas é inegável que elas deram certo e têm parceiros fortes. A F-3 sul-americana viverá um ano de mudança com os novos chassis e a criação de uma divisão Light. Elas terão como preliminar a F-Universitária. É uma ótima notícia para a formação de pilotos de monopostos, algo deixado de lado ao fim da F-Renault em 2006.
GGOO - Fale um pouco mais sobre o livro: Em teu lar, Interlagos, de sua autoria. Existe a possibilidade de ele ser comercializado?
ANDREI SPINASSÉ - É um livro que aborda Interlagos não só como lugar de disputa de competições, mas principalmente como um local onde pessoas trabalham com prazer e vontade, fazem amigos, passam por experiências únicas. Entrevistei pessoas que encaram aquele autódromo realmente como uma casa, como Wilson Fittipaldi, Bird Clemente, Chico Rosa, Edgard Mello Filho. Há toda uma cronologia por trás, e o livro começa com as histórias do “Barão” e termina com as de Nelson Merlo e Pedro Enrique, pilotos que disputaram o título da F-3 sul-americana em 2008. Representando os torcedores, há Augusto Roque, da GGOO. Claro, há o lado esportivo, mas ele não é o mais valorizado. Pretendo achar uma editora em breve, já que, em 2010, o autódromo completará 70 anos de existência.
GGOO - Como foi ver a GGOO, da sala de imprensa de Interlagos?
ANDREI SPINASSÉ - Muito legal. Lembrei-me da minha época de arquibancada (durou até 2007). Para falar a verdade, é bem mais divertido estar no setor G que na sala de imprensa. Senti falta da zoeira no ano passado. Mas a sala de imprensa é o lugar dos jornalistas, então está ótimo. A melhor coisa é entrevistar os pilotos.
GGOO - Por fim, gostaríamos de agradecer a gentileza de nos conceder esta entrevista, solicitando que deixe um recado para a galera da GGOO.
ANDREI SPINASSÉ - Tenham uma ótima temporada. Não percam as primeiras corridas, de madrugada. Coloquem quatro despertadores para tocar ao mesmo tempo!
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