Mostrando postagens com marcador GGOO entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GGOO entrevista. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
GGOO ENTREVISTA: LUCAS FINGER
"O meu ídolo é o Ingo Hoffmann, ele é uma pessoa muito séria no que faz e isso é muito importante em um piloto."
Admirador de Ingo Hoffmann, o piloto Lucas Finger tem como suas principais conquistas o título de campeão paulista de Kart em 2002 e o da Stock Car Júnior em 2008. Em 2010 disputará a Pick Up Race, categoria que substitui a antiga Vicar, visando uma vaga na categoria principal da Stock Car, a V8.
Jovem e sonhador, o piloto de 24 anos concedeu uma entrevista ao Blog da GGOO, por e-mail, direto de Taubaté.
Como se deu o início de sua carreira no automobilismo? De onde nasceu a paixão pela velocidade?
O início da minha carreira foi quando meu pai me levou para andar de kart, quando tinha mais ou menos uns oito anos de idade, isso aconteceu em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Já chegando aqui em Taubaté, meu pai me deu de presente o primeiro kart de competição, depois disso eu comecei a competir no campeonato de kart do litoral. Na verdade, eu não sei da onde nasceu essa paixão que tenho até hoje pelo automobilismo, mas sem dúvida, o maior incentivador foi meu pai. Depois de muito tempo é que eu fui descobrir que ele tinha um sonho de correr em um carro de corrida.
Em seu primeiro ano no Kart, quais foram as suas principais dificuldades e o que de mais importante você aprendeu nesse ano?
Na verdade eu não tinha muita dificuldade a minha grande preocupação era ser competitivo e o mais rápido, eu mesmo me cobrava demais. Nessa época eu amadureci muito, pois sempre estava longe da minha família. Meus pais não conseguiam me acompanhar em todos os campeonatos.
Neste ano você correrá na Pick Up Race, categoria que substitui a Vicar, a qual você competia em 2009. Como você vê essa mudança? Ela afetará o seu desempenho nas pistas?
O ano passado foi muito bom para mim, no início do ano eu tive muitas dificuldades no carro, pois era bem diferente do que eu estava acostumado na Stock Car Júnior. Porém, já no meio do ano eu já estava com o título de melhor estreante. Nesse ano de 2010, a mudança deve ser bem simples comparada ao do ano passado, pois o carro é bem semelhante, tem o mesmo câmbio e o mesmo motor e com uma vantagem, a Pick Up tem uma maior aerodinâmica por causa do aerofólio. Estou tranqüilo e acredito que o meu desempenho não será afetado.
Quase todo jovem piloto sonha em ir para a Europa e competir nas principais categorias de fórmula, para um dia quem sabe, chegar a F1. Você hoje corre em carros Turismo. Isso se deve ao fato de você gostar dessa categoria ou porque as faltam oportunidades nas categorias de fórmula?
Eu já tive uma oportunidade de ir para fora e correr de Fórmula, porém o custo é absurdo de caro, então eu precisei fazer o plano B que era andar de turismo aqui no Brasil. Mesmo sem saber que o mundo da Stock Car estava tão bem estruturado e competitivo. As oportunidades existem, mas por enquanto o objetivo é continuar aqui no Brasil e correr na V8, categoria principal da Stock Car .
Todos os pilotos tem seu ídolo. Qual é o piloto que você considera o seu ídolo e em que se espelha nele?
O meu ídolo é o Ingo Hoffmann, ele é uma pessoa muito séria no que faz e isso é muito importante em um piloto. Quando eu o conheci na Stock Car percebi o quanto ele é bom.
Como andam os preparativos para o início da temporada 2010 da Pick Up Race?
Está tudo indo muito bem, ainda falta fechar alguns patrocinadores. O carro ainda não está pronto e devo conhecê-lo no final de fevereiro.
Como você avalia a sua carreira no automobilismo até hoje? E o futuro, quais são seus planos e sonhos?
É difícil avaliar a si mesmo, mas eu tive alguns erros, fiquei muito tempo competindo de kart então perdi um pouco de tempo, poderia tem me dedicado mais na categoria turismo se eu tivesse entrado antes. Quanto ao futuro, é incerto mais pretendo estar no ano que vem na categoria principal da Stock Car. Também tenho um sonho de correr nos Estados Unidos na Nascar.
Mais fotos de Lucas Finger:
No video abaixo Lucas Finger mostra o interior de um Stock Car.
Marcadores:
Entrevistas,
GGOO entrevista,
Lucas Finger,
Pick Up Race,
STOCK CAR
quarta-feira, 1 de abril de 2009
GGOO ENTREVISTA: RON DENNIS
Em sua viajem a Inglaterra para a divulgação de lançamento de seu último livro o Dr. Roque conseguiu esta entrevista com Ron Dennis, proprietário da McLaren e mostra com exclusividade ao Blog da GGOO:
GGOO: Sr. Dennis, o início da temporada de 2009 não parece muito promissor, quais são as suas considerações sobre este desempenho da McLaren?
RD: De fato tivemos alguns problemas que não estávamos acostumados a enfrentar, o primeiro é que a traseira fugia demais e não conseguimos ainda balancearmos a mesma, mesmo colocando a asa do 2008, e transferindo mais peso naquele local, os nossos pilotos se apresentaram com alguns quilos a mais, principalmente o Hamilton que tem problemas com massa e o “outro” problemas com energéticos.
GGOO: O time irá utilizar o sistema Kers nas corridas?
RD: Provavelmente não pois não temos uma confiabilidade plena.
GGOO: E a Brawn?
RD: Nosso temor é que nas corridas iniciais a Brawn nos supere, com isso não ficaríamos bem com a Mercedes.
GGOO: Dê suas considerações finais aos brasileiros e sobre a temporada deste ano.
RD: Queria agradecer aos amigos brasileiros que torcem pela McLaren, desde o tempo do Emerson, um grande abraço e que não considerem este início de temporada, vamos nos recuperar durante o campeonato e dar muito trabalho as Ferraris ou a quem quer que seja. Ao pessoal da GGOO, continuem na sua batalha de divulgação de fatos de corridas.
Um grande abraço e nos vemos pelas pistas do mundo.

Dr. Roque recebendo um boné como souvenir das mãos de Ron Dennis
GGOO: Sr. Dennis, o início da temporada de 2009 não parece muito promissor, quais são as suas considerações sobre este desempenho da McLaren?
RD: De fato tivemos alguns problemas que não estávamos acostumados a enfrentar, o primeiro é que a traseira fugia demais e não conseguimos ainda balancearmos a mesma, mesmo colocando a asa do 2008, e transferindo mais peso naquele local, os nossos pilotos se apresentaram com alguns quilos a mais, principalmente o Hamilton que tem problemas com massa e o “outro” problemas com energéticos.
GGOO: O time irá utilizar o sistema Kers nas corridas?
RD: Provavelmente não pois não temos uma confiabilidade plena.
GGOO: E a Brawn?
RD: Nosso temor é que nas corridas iniciais a Brawn nos supere, com isso não ficaríamos bem com a Mercedes.
GGOO: Dê suas considerações finais aos brasileiros e sobre a temporada deste ano.
RD: Queria agradecer aos amigos brasileiros que torcem pela McLaren, desde o tempo do Emerson, um grande abraço e que não considerem este início de temporada, vamos nos recuperar durante o campeonato e dar muito trabalho as Ferraris ou a quem quer que seja. Ao pessoal da GGOO, continuem na sua batalha de divulgação de fatos de corridas.
Um grande abraço e nos vemos pelas pistas do mundo.
Dr. Roque recebendo um boné como souvenir das mãos de Ron Dennis
Marcadores:
1º de abril,
GGOO,
GGOO entrevista,
McLaren,
Ron Dennis
quarta-feira, 25 de março de 2009
GGOO ENTREVISTA: ANDREI SPINASSÉ
E o GGOO entrevista inicia 2009 com um novo talento do jornalismo automobilistico nacional: o paulistano Andrei Spinassé.
O Andrei fez seu primeiro trabalho jornalístico antes mesmo da faculdade, o “Setor A Interlagos”, em 2001, um site amador com dicas para quem ia ao GP Brasil de F-1. A página evoluiu e virou “GPBrasil.net” em 2003. Entrou na Faculdade Cásper Líbero em 2005, quando começou a apresentar o quadro “No Box” na Rádio Gazeta AM 890 dentro do espaço dedicado aos alunos. Passou pelo site “F-1 na Web” em 2006, entrou na “Folha de S.Paulo” como freelancer em 2007 e faz parte do Tazio desde sua estreia, em março de 2008. Já viu 13 GPs Brasil de perto, sendo um deles com credencial de imprensa (em 2008).
De forma bem clara e sincera, Andrei nos falou sobre vários assuntos tais como a importância dos blogs para o jornalista e o jornalismo e si, a "des-gestão" da CBA, sua cobertura do GP Brasil 2008, as novas regras e os seus favoritos para a temporada 2009 de Fórmula 1 que se inicia domingo.
Com a palavra, Andrei Spinassé:
GGOO - Conte-nos um pouquinho da relação do Andrei Spinassé (pessoa e jornalista) com o automobilismo e, principalmente, com o autódromo de Interlagos e o GP Brasil.
ANDREI SPINASSÉ - Não consigo me ver longe do automobilismo. É uma relação curiosamente iniciada em 1994, um ano fatídico para a F-1, quando eu tinha oito anos de idade. Minha primeira lembrança da categoria vem do GP Brasil daquele ano. Vi pela TV essa prova. A segunda coisa que me vem à cabeça é San Marino. Mas nada disso atrapalhou minha paixão. Tanto é que quis ver o GP Brasil de 1995 de perto. A partir de então, perdi poucas corridas. Já em 1997 eu sabia que gostaria de ser jornalista, e cobrir automobilismo foi prioridade antes, durante e depois da faculdade. Voltando à infância, minhas brincadeiras giravam em torno do esporte a motor. Cheguei a organizar um campeonato de carrinhos de rolimã de oito participantes, com regulamento até. Fui campeão (risos). Interlagos sempre foi para mim a concretização de um sonho: diferentemente das brincadeiras, aquilo era a realidade. Ver a F-1 de perto desde 1995 significou muito, e eu contava os dias para a prova. Cresci, mas meu gosto pela coisa não diminuiu. A diferença é que não posso mais brincar, pois trabalho com isso.
GGOO - Hoje, praticamente qualquer pessoa pode expressar suas opiniões e expor seus conhecimentos através de blogs, fóruns e sites de relacionamento. Como jornalista, qual a sua visão sobre essa "democratização" da notícia pela internet? Isso ajuda ou atrapalha o seu trabalho?
ANDREI SPINASSÉ - Ajuda bastante. Eu mesmo era um forista e torcedor de arquibancada até pouco tempo atrás. Ou seja, conheço o outro lado. É claro que existem pessoas que só entram nesses sites para tirar um sarro, mas há gente séria e que entende. Para um jornalista especializado, é importante visitar esse tipo de página toda semana para saber o que os internautas acham das coisas. Na verdade, com isso sabemos se nosso trabalho é feito corretamente, porque nosso objetivo é transmitir mensagens da maneira desejada. Se houver ruídos no processo, existe algo errado. Os internautas são agentes de informação também, já que vasculham os diversos sites e escolhem dados interessantes, percebem detalhes que poderiam passar despercebidos. A “democratização” mais ajuda que atrapalha.
GGOO - O assunto do momento na F-1 é o assombroso desempenho da Brawn GP na pré temporada. Na sua opinião, este desempenho é verdadeiro ou fictício? Se confirmado esse rendimento na Austrália, você acredita em um possível título de Rubens Barrichello?
ANDREI SPINASSÉ - O desempenho é real, pois não vejo motivo para Ross Brawn fazer joguinhos com mídia e torcedores não tendo muito tempo de testes. Para mim, eles estavam dentro do regulamento, como o próprio Barrichello disse. Mas o brasileiro afirmou outra coisa que me deixou curioso: a Ferrari não fez simulação de classificação em Barcelona. Os italianos podem ter cartas guardadas. Supondo que essas cartas deixem o F60 em condição de igualdade com o BGP001, acredito mais na Ferrari, porque esta tem Kers, mais dinheiro e mais condições de melhorar ao longo do ano. Só acredito em título de Barrichello se a Brawn estiver mais de meio segundo mais rápida que qualquer outra. É bem provável que ela evolua menos que as adversárias durante a temporada.
GGOO - Qual a sua visão sobre essa radical mudança na forma de apurar o campeão mundial para 2009? Acha justo premiar apenas a vitória a qualquer custo?
ANDREI SPINASSÉ - Justo não é. Um campeonato é uma longa viagem, não um passeio de metrô. Mas essa regra foi descartada hoje (20 de março), e deveremos ter o mesmo sistema de pontos do ano passado. Na minha visão, dar o título ao maior vencedor de corridas foi uma medida política. A FIA e a FOM quiseram contradizer a Fota, a unida Associação das Equipes da F-1. Nesses últimos tempos, a Fota ganhou muita importância, e entendo que a FIA está insatisfeita e com medo de perder sua função na F-1, que é regulamentar o campeonato. Esse jogo de poder ainda vai longe...
GGOO - Quais são as suas previsões para a temporada 2009 da F-1?
ANDREI SPINASSÉ - Como todos dizem, é difícil apontar favoritos neste momento. Mas acredito em um ano repleto de abandonos, acidentes, e em uma volta por cima de Kimi Raikkonen. Felipe Massa terá de impressionar logo de cara, algo que não fez no ano passado. Se o finlandês vencer umas três vezes em seis corridas, apostaria nele. Se Massa fizer o mesmo, mudo meu palpite para o brasileiro. No entanto, como eu disse, se a Brawn detonar na Austrália, tem tudo para manter-se na condição de favorita.
GGOO - Comente, em linhas gerais, sobre: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet (pai), Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Nelson Piquet (filho).
ANDREI SPINASSÉ - Pode ser uma frase para cada um? Emerson Fittipaldi: um campeão ideal para o país, porque reunia nele o que havia de melhor nas décadas de 1960 e 1970 do automobilismo brasileiro. Nelson Piquet: como diria Edgard Mello Filho, é um “cara do ramo”. Ayrton Senna: tornou-se quase um “parente” de cada brasileiro por ter sido tão intenso, talentoso e dedicado, criando uma relação de empatia com as pessoas. Rubens Barrichello: sempre foi um ótimo piloto, mas, principalmente durante a época de Ferrari, criou falsas expectativas e falou demais. Felipe Massa: um piloto marcado pelo amadurecimento constante. Nelsinho Piquet: começou um desafio em 2008: correr por uma equipe que não é de seu pai.
GGOO - Brasileiro tem a fama de ser apaixonado por carros e, por conseqüência, automobilismo. Mas, com exceção da F-1, porque essa paixão não se reflete na presença de grandes públicos (pagante) a Interlagos nas demais categorias nacionais e regionais?
ANDREI SPINASSÉ - Tudo é questão de envolvimento. Tenho certeza de que se as pessoas acompanhassem um campeonato realmente, como fazem com os de futebol, iriam mais ao autódromo. Brasileiro é movido à torcida, na verdade. Para existirem torcedores, é necessária identificação. Sinto falta de um maior trabalho das equipes brasileiras nesse aspecto. A primeira coisa é haver estabilidade de pilotos, de carros, de cores. Categorias que mudam tudo constantemente não conseguem segurar fãs.
GGOO - Para você, qual é o futuro do automobilismo brasileiro?
ANDREI SPINASSÉ - O futuro depende da boa vontade de empresários, já que, nos últimos anos, a Confederação Brasileira de Automobilismo não atuou como deveria. Categorias como Stock Car e Truck só são o que são por causa de organizadores com boa visão de mercado. Alguns questionam a qualidade de ambas, mas é inegável que elas deram certo e têm parceiros fortes. A F-3 sul-americana viverá um ano de mudança com os novos chassis e a criação de uma divisão Light. Elas terão como preliminar a F-Universitária. É uma ótima notícia para a formação de pilotos de monopostos, algo deixado de lado ao fim da F-Renault em 2006.
GGOO - Fale um pouco mais sobre o livro: Em teu lar, Interlagos, de sua autoria. Existe a possibilidade de ele ser comercializado?
ANDREI SPINASSÉ - É um livro que aborda Interlagos não só como lugar de disputa de competições, mas principalmente como um local onde pessoas trabalham com prazer e vontade, fazem amigos, passam por experiências únicas. Entrevistei pessoas que encaram aquele autódromo realmente como uma casa, como Wilson Fittipaldi, Bird Clemente, Chico Rosa, Edgard Mello Filho. Há toda uma cronologia por trás, e o livro começa com as histórias do “Barão” e termina com as de Nelson Merlo e Pedro Enrique, pilotos que disputaram o título da F-3 sul-americana em 2008. Representando os torcedores, há Augusto Roque, da GGOO. Claro, há o lado esportivo, mas ele não é o mais valorizado. Pretendo achar uma editora em breve, já que, em 2010, o autódromo completará 70 anos de existência.
GGOO - Como foi ver a GGOO, da sala de imprensa de Interlagos?
ANDREI SPINASSÉ - Muito legal. Lembrei-me da minha época de arquibancada (durou até 2007). Para falar a verdade, é bem mais divertido estar no setor G que na sala de imprensa. Senti falta da zoeira no ano passado. Mas a sala de imprensa é o lugar dos jornalistas, então está ótimo. A melhor coisa é entrevistar os pilotos.
GGOO - Por fim, gostaríamos de agradecer a gentileza de nos conceder esta entrevista, solicitando que deixe um recado para a galera da GGOO.
ANDREI SPINASSÉ - Tenham uma ótima temporada. Não percam as primeiras corridas, de madrugada. Coloquem quatro despertadores para tocar ao mesmo tempo!
O Andrei fez seu primeiro trabalho jornalístico antes mesmo da faculdade, o “Setor A Interlagos”, em 2001, um site amador com dicas para quem ia ao GP Brasil de F-1. A página evoluiu e virou “GPBrasil.net” em 2003. Entrou na Faculdade Cásper Líbero em 2005, quando começou a apresentar o quadro “No Box” na Rádio Gazeta AM 890 dentro do espaço dedicado aos alunos. Passou pelo site “F-1 na Web” em 2006, entrou na “Folha de S.Paulo” como freelancer em 2007 e faz parte do Tazio desde sua estreia, em março de 2008. Já viu 13 GPs Brasil de perto, sendo um deles com credencial de imprensa (em 2008).
De forma bem clara e sincera, Andrei nos falou sobre vários assuntos tais como a importância dos blogs para o jornalista e o jornalismo e si, a "des-gestão" da CBA, sua cobertura do GP Brasil 2008, as novas regras e os seus favoritos para a temporada 2009 de Fórmula 1 que se inicia domingo.
Com a palavra, Andrei Spinassé:
GGOO - Conte-nos um pouquinho da relação do Andrei Spinassé (pessoa e jornalista) com o automobilismo e, principalmente, com o autódromo de Interlagos e o GP Brasil.
ANDREI SPINASSÉ - Não consigo me ver longe do automobilismo. É uma relação curiosamente iniciada em 1994, um ano fatídico para a F-1, quando eu tinha oito anos de idade. Minha primeira lembrança da categoria vem do GP Brasil daquele ano. Vi pela TV essa prova. A segunda coisa que me vem à cabeça é San Marino. Mas nada disso atrapalhou minha paixão. Tanto é que quis ver o GP Brasil de 1995 de perto. A partir de então, perdi poucas corridas. Já em 1997 eu sabia que gostaria de ser jornalista, e cobrir automobilismo foi prioridade antes, durante e depois da faculdade. Voltando à infância, minhas brincadeiras giravam em torno do esporte a motor. Cheguei a organizar um campeonato de carrinhos de rolimã de oito participantes, com regulamento até. Fui campeão (risos). Interlagos sempre foi para mim a concretização de um sonho: diferentemente das brincadeiras, aquilo era a realidade. Ver a F-1 de perto desde 1995 significou muito, e eu contava os dias para a prova. Cresci, mas meu gosto pela coisa não diminuiu. A diferença é que não posso mais brincar, pois trabalho com isso.
GGOO - Hoje, praticamente qualquer pessoa pode expressar suas opiniões e expor seus conhecimentos através de blogs, fóruns e sites de relacionamento. Como jornalista, qual a sua visão sobre essa "democratização" da notícia pela internet? Isso ajuda ou atrapalha o seu trabalho?
ANDREI SPINASSÉ - Ajuda bastante. Eu mesmo era um forista e torcedor de arquibancada até pouco tempo atrás. Ou seja, conheço o outro lado. É claro que existem pessoas que só entram nesses sites para tirar um sarro, mas há gente séria e que entende. Para um jornalista especializado, é importante visitar esse tipo de página toda semana para saber o que os internautas acham das coisas. Na verdade, com isso sabemos se nosso trabalho é feito corretamente, porque nosso objetivo é transmitir mensagens da maneira desejada. Se houver ruídos no processo, existe algo errado. Os internautas são agentes de informação também, já que vasculham os diversos sites e escolhem dados interessantes, percebem detalhes que poderiam passar despercebidos. A “democratização” mais ajuda que atrapalha.
GGOO - O assunto do momento na F-1 é o assombroso desempenho da Brawn GP na pré temporada. Na sua opinião, este desempenho é verdadeiro ou fictício? Se confirmado esse rendimento na Austrália, você acredita em um possível título de Rubens Barrichello?
ANDREI SPINASSÉ - O desempenho é real, pois não vejo motivo para Ross Brawn fazer joguinhos com mídia e torcedores não tendo muito tempo de testes. Para mim, eles estavam dentro do regulamento, como o próprio Barrichello disse. Mas o brasileiro afirmou outra coisa que me deixou curioso: a Ferrari não fez simulação de classificação em Barcelona. Os italianos podem ter cartas guardadas. Supondo que essas cartas deixem o F60 em condição de igualdade com o BGP001, acredito mais na Ferrari, porque esta tem Kers, mais dinheiro e mais condições de melhorar ao longo do ano. Só acredito em título de Barrichello se a Brawn estiver mais de meio segundo mais rápida que qualquer outra. É bem provável que ela evolua menos que as adversárias durante a temporada.
GGOO - Qual a sua visão sobre essa radical mudança na forma de apurar o campeão mundial para 2009? Acha justo premiar apenas a vitória a qualquer custo?
ANDREI SPINASSÉ - Justo não é. Um campeonato é uma longa viagem, não um passeio de metrô. Mas essa regra foi descartada hoje (20 de março), e deveremos ter o mesmo sistema de pontos do ano passado. Na minha visão, dar o título ao maior vencedor de corridas foi uma medida política. A FIA e a FOM quiseram contradizer a Fota, a unida Associação das Equipes da F-1. Nesses últimos tempos, a Fota ganhou muita importância, e entendo que a FIA está insatisfeita e com medo de perder sua função na F-1, que é regulamentar o campeonato. Esse jogo de poder ainda vai longe...
GGOO - Quais são as suas previsões para a temporada 2009 da F-1?
ANDREI SPINASSÉ - Como todos dizem, é difícil apontar favoritos neste momento. Mas acredito em um ano repleto de abandonos, acidentes, e em uma volta por cima de Kimi Raikkonen. Felipe Massa terá de impressionar logo de cara, algo que não fez no ano passado. Se o finlandês vencer umas três vezes em seis corridas, apostaria nele. Se Massa fizer o mesmo, mudo meu palpite para o brasileiro. No entanto, como eu disse, se a Brawn detonar na Austrália, tem tudo para manter-se na condição de favorita.
GGOO - Comente, em linhas gerais, sobre: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet (pai), Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Nelson Piquet (filho).
ANDREI SPINASSÉ - Pode ser uma frase para cada um? Emerson Fittipaldi: um campeão ideal para o país, porque reunia nele o que havia de melhor nas décadas de 1960 e 1970 do automobilismo brasileiro. Nelson Piquet: como diria Edgard Mello Filho, é um “cara do ramo”. Ayrton Senna: tornou-se quase um “parente” de cada brasileiro por ter sido tão intenso, talentoso e dedicado, criando uma relação de empatia com as pessoas. Rubens Barrichello: sempre foi um ótimo piloto, mas, principalmente durante a época de Ferrari, criou falsas expectativas e falou demais. Felipe Massa: um piloto marcado pelo amadurecimento constante. Nelsinho Piquet: começou um desafio em 2008: correr por uma equipe que não é de seu pai.
GGOO - Brasileiro tem a fama de ser apaixonado por carros e, por conseqüência, automobilismo. Mas, com exceção da F-1, porque essa paixão não se reflete na presença de grandes públicos (pagante) a Interlagos nas demais categorias nacionais e regionais?
ANDREI SPINASSÉ - Tudo é questão de envolvimento. Tenho certeza de que se as pessoas acompanhassem um campeonato realmente, como fazem com os de futebol, iriam mais ao autódromo. Brasileiro é movido à torcida, na verdade. Para existirem torcedores, é necessária identificação. Sinto falta de um maior trabalho das equipes brasileiras nesse aspecto. A primeira coisa é haver estabilidade de pilotos, de carros, de cores. Categorias que mudam tudo constantemente não conseguem segurar fãs.
GGOO - Para você, qual é o futuro do automobilismo brasileiro?
ANDREI SPINASSÉ - O futuro depende da boa vontade de empresários, já que, nos últimos anos, a Confederação Brasileira de Automobilismo não atuou como deveria. Categorias como Stock Car e Truck só são o que são por causa de organizadores com boa visão de mercado. Alguns questionam a qualidade de ambas, mas é inegável que elas deram certo e têm parceiros fortes. A F-3 sul-americana viverá um ano de mudança com os novos chassis e a criação de uma divisão Light. Elas terão como preliminar a F-Universitária. É uma ótima notícia para a formação de pilotos de monopostos, algo deixado de lado ao fim da F-Renault em 2006.
GGOO - Fale um pouco mais sobre o livro: Em teu lar, Interlagos, de sua autoria. Existe a possibilidade de ele ser comercializado?
ANDREI SPINASSÉ - É um livro que aborda Interlagos não só como lugar de disputa de competições, mas principalmente como um local onde pessoas trabalham com prazer e vontade, fazem amigos, passam por experiências únicas. Entrevistei pessoas que encaram aquele autódromo realmente como uma casa, como Wilson Fittipaldi, Bird Clemente, Chico Rosa, Edgard Mello Filho. Há toda uma cronologia por trás, e o livro começa com as histórias do “Barão” e termina com as de Nelson Merlo e Pedro Enrique, pilotos que disputaram o título da F-3 sul-americana em 2008. Representando os torcedores, há Augusto Roque, da GGOO. Claro, há o lado esportivo, mas ele não é o mais valorizado. Pretendo achar uma editora em breve, já que, em 2010, o autódromo completará 70 anos de existência.
GGOO - Como foi ver a GGOO, da sala de imprensa de Interlagos?
ANDREI SPINASSÉ - Muito legal. Lembrei-me da minha época de arquibancada (durou até 2007). Para falar a verdade, é bem mais divertido estar no setor G que na sala de imprensa. Senti falta da zoeira no ano passado. Mas a sala de imprensa é o lugar dos jornalistas, então está ótimo. A melhor coisa é entrevistar os pilotos.
GGOO - Por fim, gostaríamos de agradecer a gentileza de nos conceder esta entrevista, solicitando que deixe um recado para a galera da GGOO.
ANDREI SPINASSÉ - Tenham uma ótima temporada. Não percam as primeiras corridas, de madrugada. Coloquem quatro despertadores para tocar ao mesmo tempo!
Assinar:
Postagens (Atom)