segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

PILOTOS: ALAIN PROST

Platini não foi o melhor treinador que a Seleção da França já teve. E Zidane provavelmente terá a sabedoria de não tomar este caminho. Alain Prost sem dúvida não nascera para se tornar chefe de uma escuderia de F1. O trabalho é diferente. Um piloto quer saber de tudo, verifica cada detalhe. Mas decide pouco, exceto as regulagens de seu F1 e, no final da temporada, com qual escuderia assinar contrato. Ao contrário, um patrão corta, nome, compõe, delega, investe, sonha enfim oferecer àqueles à sua volta as condições nas quais exprimirão melhor seu talento. São todas coisas para as quais uma carreira de um campeão não prepara.

Com certeza a Peugeot não o ajudou, indo para a F1 de má vontade, sem colocar à sua disposição os meios necessários. Mas Prost fracassou. Sua escuderia sobreviveu por cinco anos, nos últimos lugares. Antes de ser liquidada judicialmente e dispersada aos quatro ventos sob o martelo de um leiloeiro. Morreu assim, e por muito tempo, o sonho de uma escuderia francesa na F1.

Prost, forçosamente, não digeriu bem essa derrota, ele que jamais a experimentara. Ele cuida de seu filho Nicolas, piloto de F3. Corre um pouco ainda, no gelo ou no Campeonato Francês de circuitos. Mas tenta dar um sentido à sua vida. Mas o público logo esquecerá a escuderia Prost, para só lembrar o essencial: quatro títulos de campeão mundial, 55 vitórias e um duelo com Ayrton Senna que compõe uma das mais belas páginas da história da F1.



Você sente falta dele? Você era muito jovem ou não se interessava? Infelizmente, era preciso estar lá, pois nunca a F1 tinha chegado a níveis tão elevados. A constatação é simples. Em mais de meio século ela conheceu cinco grandes campeões. Fangio e Clark estavam sozinhos. Schumacher durante muito tempo também ficou só. O destino quis que Prost e Senna se encontrassem lá ao mesmo tempo e competissem com armas iguais por três temporadas.

Mas o destino, que é caprichoso, os fez abrigar-se dois anos sob o mesmo teto. Então, na Mclaren a disputa virou quase uma guerra civil: ácida, desconfiada. Até o ato final: a colisão entre Prost e Senna em Suzuka, em 1989, discretamente provocada pelo francês e que lhe rendeu o título. Senna respondeu um ano depois, no mesmo circuito, com uma agressão pura e simples na primeira curva. Schumacher, portanto, não inventou nada...



Aos olhos do público, Prost era visto com frequência como o bandido. Ele era rabugento, teimoso e sempre fazia acusações, como um campeão que está envelhecendo e não admite o surgimento de um jovem sucessor. Senna soube se aproveitar do papel de vítima inocente, o que fazia aumentar ainda mais a raiva de Prost. Assim, mesmo não devendo nada a Senna, o bandido era ele...

Em Silverstone, em 1993, os dois se enfrentaram novamente. Mas dessa vez Prost, a caminho de seu último título, tinha um trunfo. Sua Williams-Renault FW15 - sem dúvida, em valor relativo, o melhor F1 já produzido - era muito melhor que a Mclaren-Ford MP4/8 do brasileiro. Na saída de uma curva rápida, quando Prost ia ultrapassá-lo, Senna mudou sua trajetória. Alain não tinha escolha: ou freava ou ira parar na grama a 320 km/h. Na coletiva de imprensa, depois de ganhar a corrida, Prost não comentou o incidente. A questão, entretanto, foi posta pouco depois, em particular: "Para que falar disso? Eu passaria, além de tudo, por resmungão. Não importa o que eu faça, Senna tem sempre razão".

Se Prost não tivesse existido, Senna teria vencido cinco títulos antes de Ímola, em 1994. Se Senna não tivesse nascido, Prost teria conquistado sete títulos, ele que só conseguiu quatro, já que não era um piloto sortudo. Ele teria conquistado sua primeira coroa mundial já em 1983 se o carburador defeituoso não tivesse permitido à Brabham de Piquet dominar o final da temporada. Depois, a segunda, em 1984, já que era mais rápido que seu companheiro de equipe Lauda, campeão com meio ponto de vantagem... Prost e Senna não podiam gostar um do outro. Os dois perseguiam o mesmo objetivo. Isso não impedia que precisassem um do outro, já que a glória de ambos esteve intimamente ligada.


Em 1994, Senna se viu sozinho, sem o melhor inimigo, sem adversário do seu nível, mesmo que o jovem Schumacher começasse a mostrar as garras. Esse vazio bruscamente lhe pareceu vertiginoso depois de todos aqueles anos intensos. Foi esse o sentido das últimas palavras que o público ouviu de Senna, endereçadas a Prost, que comentava o Grande Prêmio na rede francesa TF1, pelo rádio de bordo de sua Williams: "Alain, sinto sua falta". Então, francamente, a escuderia Prost, que importância poderia ter?

3 comentários:

Rodrigo Lopes - O Moconauta disse...

Texto simplesmente fantástico!!! Essa foi justamente a época que comecei a acompanhar as corridas de F1. E não canso de rever e rever os tapes.

Na minha simples e humilde opinião nenhum dos dois seriam considerados esses monstros se não tivessem se encontrado no meio do caminho.

Sorte do alemão que se preparou pra enfrentar os monstros e se viu sozinho de uma hora para a outra. O resto da história todos já sabem!!!

Igor * disse...

na minha modesta e humilde opinião, esse foi o quarto melhor piloto e um dos mais odiados pilotos da história da fórmula 1!!!

Marcos - Blog da GGOO disse...

Bem observado, diretor, concordo.
Nunca gostei muito dele, não nego que era um tremendo piloto, dentro do seu estilo, mas um estilo que nunca agradou muita gente.
Piloto burocrático, metódico, não arriscava muito, e muita coisa caia no colo dele.
Enfim, tomou o maior troco da história da F-1.
Lindo!!!