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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O vazio de Interlagos e do automobilismo nacional*

* Por Rodrigo Mattar

Para quem esteve em Interlagos, foi um espetáculo melancólico. Nove carros na pista e o Brazil Open de Fórmula 3 acabou com um único piloto vencendo as quatro corridas da programação: Lucas Foresti, com o Dallara Berta da Cesário Fórmula, dominou todo o evento, antes de voltar para a Europa, onde disputará o Campeonato Inglês de Fórmula 3 de 2011.

Acho válido se realizar uma competição deste porte, desde que as equipes também estejam imbuídas do mesmo objetivo. De que adianta ter tão escasso número de participantes, sabendo que desses nove pilotos, quatro estavam alinhados por uma única equipe – a Cesário Fórmula. No total, eram apenas quatro times inscritos e, como eu já dissera noutra postagem, desta vez não veio nenhum piloto de fora.

O Brazil Open, a rigor, foi um treino de luxo onde Victor Guerin e Pipo Derani também “desenferrujaram” os braços para poder viajar rumo à Europa neste ano e outros pilotos, como João Jardim, Bruno Bonifácio e Guilherme Silva buscarem adaptação aos monopostos mais potentes do que os seus equipamentos anteriores. João Jardim, por exemplo, esteve na Fórmula Future neste ano.

Uma pena, mas uma pena mesmo, é que a Fórmula 3 sul-americana tenha se transformado no que temos presenciado nos últimos anos. Grids baixíssimos, interesse zero dos pilotos de outros países do continente e, pior, uma debandada cada vez mais frequente de equipes que poderiam estar na categoria, como a de Amir Nasr e a PropCar de Dárcio dos Santos, mas que dependem de dinheiro para permanecer na disputa e não conseguem reunir nem metade da verba necessária para manter ativo um carro que é fabricado na Itália e um motor desenvolvido e preparado na Argentina.

A F-3 precisa de socorro, como toda a base do automobilismo nacional. O kart passa ainda por uma crise sem precedentes e o ponto culminante dessa crise foi que ano passado não existiu o Campeonato Paulista, tal como eu e muitos de nós chegamos a conhecer, com uma legião de pilotos ótimos – alguns excepcionais – mostrando talento no kartódromo de Interlagos. Surgiram opções menos custosas, como as competições de Aldeia da Serra e da Granja Viana, que pulverizaram o interesse.

E com o kart decadente, não se consegue fazer uma categoria de base feito a Fórmula Future começar com um número decente de pilotos. Em nenhuma de suas seis rodadas, este novo campeonato que estreou ano passado conseguiu colocar mais de 12 carros numa pista. Houve provas com sete inscritos, o que atesta a decadência da base do automobilismo no Brasil.

Bons foram os tempos em que dispúnhamos da Fórmula Ford, onde Hélio Perini arregaçava as mangas e fazia, de fato, um trabalho sensacional. A Fórmula Chevrolet também foi um bom esteio, partindo do princípio da “tropicalização” dos monopostos quando a categoria começou a passar por um período de crise. E me reservo o direito de não tecer comentários sobre a Fórmula Renault, pois a sua extinção lógica e evidentemente contribuiu para parte desse descalabro que vivemos.

Some-se ao vazio de Interlagos a situação em que se encontra o próprio autódromo desde que Octávio Guazzelli assumiu sua administração. Consta que o mato começa a crescer na margem da pista, num panorama muito semelhante ao vivido numa outra praça de igual importância, já sucateada pelo descaso dos governantes, que caminha para a extinção e – pior – não tem ainda um substituto definitivo.

Enquanto isso, deflagra-se nos bastidores, com o perdão da expressão, uma guerrinha absolutamente babaca e inócua sobre qual administração filiou mais pilotos que a outra ou que emitiu mais carteirinhas que a outra.

Isso não interessa. Números não significam absolutamente nada num momento como este.

Interessa a nós (por nós, incluo público, imprensa, patrocinadores, donos de equipe, pilotos e preparadores) regulamentos mais cristalinos – e que sejam cumpridos, calendários divulgados com antecedência e autódromos com o mínimo de dignidade para que se realizem corridas neste país.

O Brasil tem oito títulos mundiais de Fórmula 1, cinco conquistas na Fórmula Indy, seis vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, um Mundial de Endurance, dois de FIA GT, vitórias em Le Mans, Macau, Daytona e o escambau. Onde quer que tenha brasileiro na pista, tem sempre alguém beliscando uma vitória.

Mas o respeito por nós anda se perdendo.

Por que será?

Por que o automobilismo brasileiro formou uma geração que não foi capaz de repetir o que Emerson, Piquet e Ayrton fizeram por nós entre 1972 e 1991?

Fica a pergunta. Clamando por respostas lúcidas.

sábado, 22 de janeiro de 2011

1000 KM DE INTERLAGOS CANCELADO!

Texto de Flávio Gomes:

Domingo, 23, é dia dos 1.000 Km de Interlagos. A prova, em tese, faz parte das festividades do aniversário da cidade. Antigamente, eram as Mil Milhas. No começo da semana, circulou a informação de que a prova seria cancelada por falta de inscritos. Aí a FASP, Federação de Automobilismo de São Paulo, veio a público em seu site para garantir a realização da corrida. É, inclusive, a última notícia de sua página na internet.

A corrida foi cancelada. A FASP ainda não avisou em seu site, o que é o fim da picada. Foi cancelada porque no fim das contas eram apenas 11 inscritos. Alguns desistiram porque não faria sentido algum uma prova dessa duração com menos de uma dúzia de gatos-pingados, e sobraram cinco. Com cinco, não dá. Dizem que o valor da inscrição, 5 mil dinheiros, acabou afastando muita gente. Mas é claro que não é só isso.

Sobrou, para as “festividades”, uma espécie de festival de F-3. Faria parte do evento, não era a atração principal. Quatro provas. E uma corrida de clássicos, também. O que eu soube é que a F-3 terá pouquíssimos carros no grid. Menos de dez, talvez. O mesmo entre os clássicos. As arquibancadas estarão obviamente vazias, domingo. Como sempre.

Soube também que cinco boxes de Interlagos estão sendo usados para aferição de equipamentos de táxis. Soube também que o mato está crescendo e o autódromo está feio de dar dó. Tudo largado.

Não vou correr nos clássicos, e portanto não fui a Interlagos nos últimos dias. Mas quem me contou tudo isso esteve lá a semana toda. Viu tudo.

É uma zona total. Vai mal Interlagos. Vai mal o automobilismo paulista. Vai tudo mal.

sexta-feira, 5 de março de 2010

CASCOS: TONY KANNAN (ESPECIAL PARA A SP INDY 300)

Ontem, Tony Kannan lançou a pintura do seu casco especialmente para a prova brasileira da Fórmula Indy, a SP Indy 300, adotando as cores verde amarela sem mudar o seu design, chegou-se a uma combinação de cores e tons bem interessantes. No verso de seu casco, as mãos de seu filho o empurrando (algo semelhante ao que Rubens Barrichello adotou tempos atrás, também em um GP Brasil).

As fotos, pois:


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

GP CIDADE DE SÃO PAULO: O VÍDEO

Demorou uma madrugada entre escolher as fotos certas e os vídeos certos. Foram muitas imagens, muitas recordações destes momentos. Afinal, foram 13 horas dentro do autódromo.

O resultado é este vídeo com os melhores momentos das 3 categorias que participaram do GP Cidade de São Paulo, com destaque para a Classic Cup e o show de Flávio Gomes a bordo do marrento Lada Meianov.

Aproveitem:


domingo, 24 de janeiro de 2010

AO VIVO: 1000 KM DE INTERLAGOS

Ufa, para completar o dia, falemos dos 1000km de Interlagos, corrida que acabou a pouco em Interlagos. Poucos carros largaram, apenas 18, bem diferente da não longínqua corrida de 1994 onde nada menos do que 66 carros correram, coisas do automobilismo nacional.

A corrida, por ser de longa duração, teve poucos momentos de emoção. Logo de início as Ferraris deram pinta que andariam muito mais do que o resto e nem as Lamborghinis conseguiam acompanhá-las. Chico Serra, Daniel Serra e Chico Longo lideraram a prova praticamente de ponta a ponta, perdendo-a somente por alguns instantes quando um de seus pneus furou. A decepção ficou por conta do time das Lamborghinis, que sem pneu de chuva, recolheram seus carros, abandonando a prova logo em seu início, quando os primeiros pingos cairam, antes mesmo de se tornar uma chuva mesmo.

Chuva que apareceu após 50 voltas incomodou a todos durante todo o resto da prova, chegando a ficar forte em vários momentos e, tamanho o número de rodadas no laranjinha, provocar a entrada do Safetycar. Mas nem isso incomodou os líderes que seguiam absolutos na prova. Do meio para trás, pouca emoção o que fez com que o pessoal na sala de impressa tirasse a tarde e o começo da noite para colocar as fofocas em dia, além de zombar com os times alheios. Sorte disso tudo é que, como torcedor do São Caetano, pude brincar com todos os demais, pois graças aos resultados de hoje, o glorioso time do ABC assumiu a ponta do campeonato paulista.

Além de futebol, falamos muito de blogs, sites e, claro, corridas. De todos os tipos. Aproveitamos a presença ilustre de vários "intelectuais" para colocar os assuntos em dia e relembrar momentos marcantes do esporte a motor, relembramos histórias do passado, criticamos o presente, avaliamos o que está errado e até vimos surgir uma luz no final do túnel, principalmente para os nostalgicos como eu, que sonham em rever tudo aquilo denovo.

No final, após 7 horas e meia de prova, chuva e apenas 4 torcedores na arquibancada para ver a bandeirada, a vitória ficou com o trio da Ferrari, com as outras duas Ferraris (a 105 Cleber/Vanue/Renan e a preta, 13, de Queirolo/Sant'anna/Vital) completando a trinca no pódio.

E abaixo algumas imagens para todos:




AO VIVO: FÓRMULA 3

A corrida da F-3 teve emoção por algumas voltas. Mais precisamente 2, quando o irlandês William Buller passou o brasileiro André Negrão na entrada do S do Senna.

Ademais, uma corrida morna, com apenas 7 carros correndo. Poucas disputas, poucas ultrapassagens. Porém, fica a idéia do aprendizado dos pilotos. O sistema de Playoff gerou bons momentos e tem tudo para se consolidar como uma boa opção de sistemas de disputas para provas curtas.

Agora algumas imagens deste carrinhos charmosos.


AO VIVO: GP CIDADE DE SÃO PAULO

Bom dia a todos, começamos agora mais uma cobertura in loco. Falamos ao vivo diretamente da sala de Imprensa de Interlagos e acompanharemos o GP Cidade de São Paulo. A programação de hoje inclui prova da Classic Cup, a última bateria da F-3 e os 1000 km de Interlagos.

O sol aparece forte por aqui, apesar de que a pista está bem molhada, agora que os carros começam o warmup dos 1000 km de Interlagos.

Considerando a experiência e olhando as nuvens, a tarde promete boas chuvas por aqui. Enquanto isso, esta é a nossa vista. Desfrutem.




Como observação, neste momento temos exatamente 5 pessoas nas arquibancadas, quase a torcida do meu São Caetano.