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quinta-feira, 24 de abril de 2014
Lewis Hamilton, Niki Lauda e o foco*
* Por Rafael Lopes
Quem esperava um início de campeonato equilibrado e com surpresas após a radical mudança no regulamento técnico, quebrou a cara. O domínio na temporada apenas trocou de mão: saiu dos touros vermelhos da RBR e foi para as flechas de prata da Mercedes. A diferença é que a equipe alemã liberou seus dois pilotos livres para brigar pelas vitórias. O GP do Bahrein, em Sakhir, foi um grande exemplo disso. Lewis Hamilton e Nico Rosberg disputaram o primeiro lugar ferrenhamente, curva a curva. E o inglês venceu defendendo a posição com maestria, mesmo com pneus piores com o alemão.
O domínio da Mercedes é absurdo: fez três dobradinhas em quatro provas, marcou todas as poles, venceu todas as corridas, liderou todas as voltas e fez as quatro melhores voltas. Domínio este visto poucas vezes na Fórmula 1. Só a Williams de 1992, a McLaren de 1988 e a Ferrari de 2004 conseguiram algo parecido na história recente da categoria. Na frieza dos pontos, a liderança é de Nico Rosberg com 79, quatro à frente do companheiro Lewis Hamilton. Contudo, o alemão só venceu o GP da Austrália, enquanto o inglês venceu as três provas seguintes, na Malásia, no Bahrein e na China. Ele só está atrás no campeonato porque seu motor abriu o bico em Melbourne e não o deixou marcar pontos.
Lewis Hamilton vence GP da China
Por tudo isso, é difícil não apontar Lewis Hamilton como o grande destaque do campeonato até agora. O inglês está voando, naquela que já é considerada a melhor fase de sua carreira. Em matéria de talento puro, talvez ele seja o piloto mais bem dotado da Fórmula 1. Um fato apontado até por seus concorrentes. Mas, então, por que Hamilton demorou tanto tempo para voltar à posição de favorito ao título? Em sua fase na McLaren após 2008, ele teve suas chances, mas as jogou pela janela após erros primários. No ano passado, já na Mercedes, o carro não ofereceu as condições ideais para lutar até o fim do campeonato.
Entretanto, quem acompanha Fórmula 1 sabe que há algo de diferente com Hamilton neste ano. O inglês parece mais focado, mais concentrado em seu trabalho dentro da pista. Há quanto tempo alguma fofoca envolvendo o piloto não aparece na mídia? Nos últimos anos, vimos as idas e vindas com a namorada cantora - e atual noiva - Nicole Scherzinger; o flerte com o show business e a aproximação com rappers americanos, inclusive os levando para as corridas; e até mesmo a chegada de dois cachorros, que Hamilton passou a levar para todas as corridas - e ganharam até credencial da F-1 de Bernie Ecclestone.
A chegada do austríaco Niki Lauda à equipe e o crescimento da importância do ex-piloto na estrutura - é o presidente não-executivo do time - têm participação decisiva nisso. Após a vitória de Hamilton na China, Lauda falou sobre a boa fase do piloto e de alguns conselhos dados ao inglês para esta temporada.
- A única coisa que talvez ele tenha negligenciado no passado foi o foco total na carreira. Ele estava trazendo os cachorros para a pista, tinha uma enorme quantidade de pessoas ao seu redor. Quando os cachorros ainda estavam lá, eu disse a ele para se concentrar apenas nele mesmo, largar a bagagem e se concentrar 120%. Agora ele está tendo o desempenho que se espera dele. Se o carro não tivesse quebrado em Melbourne, provavelmente teria vencido lá também - disse Lauda.
Um dos pilotos mais concentrados e frios de seu tempo, Lauda assumiu o desafio de trazer a atenção de Hamilton de volta às corridas de Fórmula 1. E pelos resultados que estamos vendo neste início de temporada, está dando certo. O inglês está pilotando como nunca e não está mostrando apenas sua habitual habilidade. Ele está pensando mais nas corridas, nas estratégias e sendo mais racional dentro da pista. Como recompensa, Lauda deu um grande presente a Hamilton após o triunfo na China: uma carona para a Europa em seu jatinho particular, um Bombardier Global 5000.
- Disse a ele: "se você vencer, vou te dar uma carona em meu avião para a Europa". Se ele não vencesse, voltaria em um voo comercial com o resto da equipe - contou.
O fato é que a aproximação de Lauda com Hamilton está dando muito certo e o inglês está extremamente concentrado neste ano. Justiça seja feita, aliás: o piloto inglês sempre demonstrou muito respeito com os velhos campeões da Fórmula 1. O carinho com o qual ele sempre tratou o bicampeão Emerson Fittipaldi merece destaque. Trabalhando ao lado de Lauda agora, Hamilton está aproveitando para evoluir. Ele está pilotando mais do que nunca neste ano. Mais até que no ano de seu único título da F-1, em 2008.
Se Hamilton continuar neste ritmo e com esta concentração, dificilmente o bicampeonato escapará de suas mãos no fim da temporada. É claro que Nico Rosberg, seu companheiro, ainda deverá crescer nesta temporada, principalmente por causa de sua regularidade. Mas quando a disputa é equilibrada, com dois carros em condições iguais, como é o caso da Mercedes, o talento sempre faz a diferença. E neste ponto, Hamilton está à frente de Rosberg. É só não perder o foco. E duvido que Lauda deixe isso acontecer.
Quem esperava um início de campeonato equilibrado e com surpresas após a radical mudança no regulamento técnico, quebrou a cara. O domínio na temporada apenas trocou de mão: saiu dos touros vermelhos da RBR e foi para as flechas de prata da Mercedes. A diferença é que a equipe alemã liberou seus dois pilotos livres para brigar pelas vitórias. O GP do Bahrein, em Sakhir, foi um grande exemplo disso. Lewis Hamilton e Nico Rosberg disputaram o primeiro lugar ferrenhamente, curva a curva. E o inglês venceu defendendo a posição com maestria, mesmo com pneus piores com o alemão.
O domínio da Mercedes é absurdo: fez três dobradinhas em quatro provas, marcou todas as poles, venceu todas as corridas, liderou todas as voltas e fez as quatro melhores voltas. Domínio este visto poucas vezes na Fórmula 1. Só a Williams de 1992, a McLaren de 1988 e a Ferrari de 2004 conseguiram algo parecido na história recente da categoria. Na frieza dos pontos, a liderança é de Nico Rosberg com 79, quatro à frente do companheiro Lewis Hamilton. Contudo, o alemão só venceu o GP da Austrália, enquanto o inglês venceu as três provas seguintes, na Malásia, no Bahrein e na China. Ele só está atrás no campeonato porque seu motor abriu o bico em Melbourne e não o deixou marcar pontos.
Lewis Hamilton vence GP da China
Por tudo isso, é difícil não apontar Lewis Hamilton como o grande destaque do campeonato até agora. O inglês está voando, naquela que já é considerada a melhor fase de sua carreira. Em matéria de talento puro, talvez ele seja o piloto mais bem dotado da Fórmula 1. Um fato apontado até por seus concorrentes. Mas, então, por que Hamilton demorou tanto tempo para voltar à posição de favorito ao título? Em sua fase na McLaren após 2008, ele teve suas chances, mas as jogou pela janela após erros primários. No ano passado, já na Mercedes, o carro não ofereceu as condições ideais para lutar até o fim do campeonato.
Entretanto, quem acompanha Fórmula 1 sabe que há algo de diferente com Hamilton neste ano. O inglês parece mais focado, mais concentrado em seu trabalho dentro da pista. Há quanto tempo alguma fofoca envolvendo o piloto não aparece na mídia? Nos últimos anos, vimos as idas e vindas com a namorada cantora - e atual noiva - Nicole Scherzinger; o flerte com o show business e a aproximação com rappers americanos, inclusive os levando para as corridas; e até mesmo a chegada de dois cachorros, que Hamilton passou a levar para todas as corridas - e ganharam até credencial da F-1 de Bernie Ecclestone.
A chegada do austríaco Niki Lauda à equipe e o crescimento da importância do ex-piloto na estrutura - é o presidente não-executivo do time - têm participação decisiva nisso. Após a vitória de Hamilton na China, Lauda falou sobre a boa fase do piloto e de alguns conselhos dados ao inglês para esta temporada.
- A única coisa que talvez ele tenha negligenciado no passado foi o foco total na carreira. Ele estava trazendo os cachorros para a pista, tinha uma enorme quantidade de pessoas ao seu redor. Quando os cachorros ainda estavam lá, eu disse a ele para se concentrar apenas nele mesmo, largar a bagagem e se concentrar 120%. Agora ele está tendo o desempenho que se espera dele. Se o carro não tivesse quebrado em Melbourne, provavelmente teria vencido lá também - disse Lauda.
Um dos pilotos mais concentrados e frios de seu tempo, Lauda assumiu o desafio de trazer a atenção de Hamilton de volta às corridas de Fórmula 1. E pelos resultados que estamos vendo neste início de temporada, está dando certo. O inglês está pilotando como nunca e não está mostrando apenas sua habitual habilidade. Ele está pensando mais nas corridas, nas estratégias e sendo mais racional dentro da pista. Como recompensa, Lauda deu um grande presente a Hamilton após o triunfo na China: uma carona para a Europa em seu jatinho particular, um Bombardier Global 5000.
- Disse a ele: "se você vencer, vou te dar uma carona em meu avião para a Europa". Se ele não vencesse, voltaria em um voo comercial com o resto da equipe - contou.
O fato é que a aproximação de Lauda com Hamilton está dando muito certo e o inglês está extremamente concentrado neste ano. Justiça seja feita, aliás: o piloto inglês sempre demonstrou muito respeito com os velhos campeões da Fórmula 1. O carinho com o qual ele sempre tratou o bicampeão Emerson Fittipaldi merece destaque. Trabalhando ao lado de Lauda agora, Hamilton está aproveitando para evoluir. Ele está pilotando mais do que nunca neste ano. Mais até que no ano de seu único título da F-1, em 2008.
Se Hamilton continuar neste ritmo e com esta concentração, dificilmente o bicampeonato escapará de suas mãos no fim da temporada. É claro que Nico Rosberg, seu companheiro, ainda deverá crescer nesta temporada, principalmente por causa de sua regularidade. Mas quando a disputa é equilibrada, com dois carros em condições iguais, como é o caso da Mercedes, o talento sempre faz a diferença. E neste ponto, Hamilton está à frente de Rosberg. É só não perder o foco. E duvido que Lauda deixe isso acontecer.
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temporada 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
SHANGHAI, 2*
* Por Victor Martins
Tô cá pensando aqui com meus botões: e se Hamilton não tivesse abandonado previamente o GP da Austrália, teriam sido quatro de quatro? — sem maldade, pelamor. Seriam 100 pontos contra 72 de Rosberg? Provavelmente. O que Hamilton tá guiando neste ano é coisa de louco. Não há palavras, como diria Luciano do Valle. E pelo jeito, não há muitos estudos que guiem Rosberg, por mais inteligente e eficiente que seja. O que isso quer dizer? Sim, meus caros: só uma hecatombe tira o título de Lewis.
“Como assim, tá dizendo que Hamilton vai ser campeão depois da quarta prova do Mundial?” Então: sim. “Que abusado, que absurdo”. Então: cale-se.
Em Xangai, não deu para o cheiro – que é ruim demais, diga-se; enxofre puro. E aí você olha para o todo e vê que ninguém há de melhorar tanto assim a ponto de alcançar a Mercedes, até porque esta não vai ficar parada no desenvolvimento deste ótimo carro. Dentre os dois pilotos, é consenso geral que Hamilton é melhor e que Rosberg é mais inteligente. A pilotagem está ganhando de longe. E a hecatombe só pode ser uma sequência de abandonos de Lewis para Nico se manter na briga.
Alonso completou o pódio. Até que era esperado, pelo desempenho nos treinos. Aliás, o revezamento no terceiro lugar tem sido interessante: Button, Vettel, Pérez e o espanhol agora. Quatro equipes diferentes. Falta só a Williams ali. Que, vixe maria, tá precisando treinar um pouco mais e estudar o que é esquerda e o que é direita – em termos de pneus.
Sobre o episódio Alonso/Massa na largada, não sei bem a que conclusão chego. A primeira imagem, a geral, me pareceu que o espanhol deveria ser punido, já que essa F1 é rigorosa e opressora; da câmera on-board, não fica claro que há um movimento brusco para jogar o carro à direita. Se houve essa dúvida na cabeça dos comissários, não seria justo aplicar qualquer pena. Felipe reclamou na hora, é claro, mas tinha muito mais a reclamar da equipe depois. Também não foi aquilo que determinou seu resultado.
E Riccardinho, hein? Molecão tá dando aquele suadouro em Vettel. E quase deu em Alonso no fim da prova. Havia uma dúvida leve se a Red Bull tinha escolhido certo e se não fora injusta com Vergne. A quarta prova do ano só traz um asterisco em cima da certeza construída nas anteriores. Hülkenberg fez o que dele se esperava, Räikkönen xingou não sei quem porque foram lhe perguntar sobre motivação, Kvyat foi aos pontos de novo, e a McLaren, deusdocéu, Whitmarsh tá mandando mais lembranças.
Outra coisa: parece mesmo que o GP do Bahrein foi um ponto fora da curva e não sei o quanto a corrida ter sido excelente influi no gosto acre que gerou esta da China. A F1 vai, depois de uma pausa, a Barcelona, uma pista que não é das mais propícias a boas corridas. Se a impressão que fica é a última, o mundo volta a ser como antes: é bom não esperar nada empolgante para a abertura da temporada europeia.
Tô cá pensando aqui com meus botões: e se Hamilton não tivesse abandonado previamente o GP da Austrália, teriam sido quatro de quatro? — sem maldade, pelamor. Seriam 100 pontos contra 72 de Rosberg? Provavelmente. O que Hamilton tá guiando neste ano é coisa de louco. Não há palavras, como diria Luciano do Valle. E pelo jeito, não há muitos estudos que guiem Rosberg, por mais inteligente e eficiente que seja. O que isso quer dizer? Sim, meus caros: só uma hecatombe tira o título de Lewis.
“Como assim, tá dizendo que Hamilton vai ser campeão depois da quarta prova do Mundial?” Então: sim. “Que abusado, que absurdo”. Então: cale-se.
Em Xangai, não deu para o cheiro – que é ruim demais, diga-se; enxofre puro. E aí você olha para o todo e vê que ninguém há de melhorar tanto assim a ponto de alcançar a Mercedes, até porque esta não vai ficar parada no desenvolvimento deste ótimo carro. Dentre os dois pilotos, é consenso geral que Hamilton é melhor e que Rosberg é mais inteligente. A pilotagem está ganhando de longe. E a hecatombe só pode ser uma sequência de abandonos de Lewis para Nico se manter na briga.
Alonso completou o pódio. Até que era esperado, pelo desempenho nos treinos. Aliás, o revezamento no terceiro lugar tem sido interessante: Button, Vettel, Pérez e o espanhol agora. Quatro equipes diferentes. Falta só a Williams ali. Que, vixe maria, tá precisando treinar um pouco mais e estudar o que é esquerda e o que é direita – em termos de pneus.
Sobre o episódio Alonso/Massa na largada, não sei bem a que conclusão chego. A primeira imagem, a geral, me pareceu que o espanhol deveria ser punido, já que essa F1 é rigorosa e opressora; da câmera on-board, não fica claro que há um movimento brusco para jogar o carro à direita. Se houve essa dúvida na cabeça dos comissários, não seria justo aplicar qualquer pena. Felipe reclamou na hora, é claro, mas tinha muito mais a reclamar da equipe depois. Também não foi aquilo que determinou seu resultado.
E Riccardinho, hein? Molecão tá dando aquele suadouro em Vettel. E quase deu em Alonso no fim da prova. Havia uma dúvida leve se a Red Bull tinha escolhido certo e se não fora injusta com Vergne. A quarta prova do ano só traz um asterisco em cima da certeza construída nas anteriores. Hülkenberg fez o que dele se esperava, Räikkönen xingou não sei quem porque foram lhe perguntar sobre motivação, Kvyat foi aos pontos de novo, e a McLaren, deusdocéu, Whitmarsh tá mandando mais lembranças.
Outra coisa: parece mesmo que o GP do Bahrein foi um ponto fora da curva e não sei o quanto a corrida ter sido excelente influi no gosto acre que gerou esta da China. A F1 vai, depois de uma pausa, a Barcelona, uma pista que não é das mais propícias a boas corridas. Se a impressão que fica é a última, o mundo volta a ser como antes: é bom não esperar nada empolgante para a abertura da temporada europeia.
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temporada 2014
Hamilton, vitória com domínio total*
* Por Fábio Seixas
Em quatro corridas, quatro vitórias de Mercedes.
Nas três últimas, três dobradinhas Hamilton-Rosberg.
A F-1 é prateada em 2014.
Em Xangai, o inglês saiu na pole e venceu de ponta a ponta. Rosberg ficou com o segundo lugar e a melhor volta.
Um final de semana irretocável para a equipe alemã.
Alonso foi o melhor do resto e completou o pódio.
Na largada, Hamilton manteve a ponta sem grandes problemas. Ricciardo foi mal e perdeu duas posições. Vettel assumiu o segundo lugar.
Massa tentou outra largada ousada, brigava pelo terceiro lugar, mas tocou em Alonso e teve de segurar o carro. Ficou em quinto.
O top 10 ao fim da primeira volta, Hamilton, Vettel, Alonso, Ricciardo, Massa, Rosberg, Hulkenberg, Grosjean, Raikkonen e Bottas.
Massa aguentou Rosberg atrás de si até a quinta volta, quando não teve jeito.
Instantes depois, a Mercedes revelou que não estava recebendo os dados de telemetria do alemão.
Não era só ele: outro alemão vivia problemas. Sutil abandonou pela terceira vez em quatro corridas nesta temporada. Desta vez, a culpa foi do motor.
Lá na frente, tudo ia bem com Hamilton. Na oitava volta, ele tinha 8s870 sobre Vettel.
Começaram então os pits entre a turma lá da frente.
E Massa viu sua corrida escorrer entre os dedos.
A Williams teve problemas para trocar sua roda traseira esquerda, provavelmente consequência do toque em Alonso na largada. O brasileiro voltou à pista em último.
Alonso parou na 12ª e ganhou a posição de Vettel, que entrou na 13ª. Rosberg fez seu pit na 14ª.
Ricciardo parou na 16ª, caindo de segundo para quinto. Hamilton entrou na volta seguinte, mantendo a liderança.
O top 10 após a primeira janela de pits, Hamilton, Alonso, Vettel, Rosberg, Ricciardo, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Grosjean e Pérez.
O saldo: Alonso se deu muito bem, Massa se deu muito mal.
A corrida estava insossa, mas surgiu uma disputa animada. Rosberg chegou em Vettel na 23ª volta, ambos fizeram curva lado a lado, o tetracampeão endureceu, mas o piloto da Mercedes prevaleceu. Aplausos.
Ricciardo veio no embalo e também encostou em Vettel. Ambos fizeram duas voltas muito próximos, até que veio o rádio, na 25ª, para o alemão deixar o companheiro passar.
Quem diria...
Na primeira tentativa do australiano, Vettel jogou duro e defendeu. Logo depois, porém, não conseguiu: perdeu a quarta posição.
Logo depois, Grosjean abandonou, com problemas de câmbio.
Hamilton? Reclamava de desgaste dos pneus, mas seguia abrindo, abrindo, abrindo... Na 30ª volta, tinha 14s300 sobre Alonso, que começava a se preocupar com a aproximação de Rosberg.
Na 32ª, Hulkenberg abriu a segunda janela de pits entre a turma da ponta.
Pressionadíssimo por Rosberg, Alonso entrou na 34ª.
Vettel seguia vivendo seu inferno astral. Foi ultrapassado por um retardatário, Kobayashi! Xingou bastante e, na sequência, foi para os boxes.
Enquanto isso, Rosberg acelerava para tentar ganhar a posição de Alonso no seu segundo pit.
Não deu. O alemão entrou na 38ª e saiu atrás do espanhol. Teria de tentar no braço, nas voltas finais.
Ricciardo parou junto. Hamilton entrou na 39ª.
O top 10 no fechamento da segunda janela, Hamilton, Alonso, Rosberg, Ricciardo, Vettel, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Pérez e Kvyat.
Na 42ª, Rosberg grudou em Alonso. Não demorou para passar. Na abertura da 43ª volta, já era o segundo colocado.
Dobradinha da Mercedes estabelecida, pois.
Daí pra frente, foi só levar para casa.
(Faltou emoção à prova, é verdade.)
Hamilton venceu com 18s600 de vantagem para Rosberg e 25s700 para Alonso. Completando a zona de pontuação, Ricciardo, Vettel, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Pérez e Kvyat.
Massa ficou em 15º.
Com o resultado, Hamilton foi a 75 pontos e encostou em Rosberg na luta pela liderança do campeonato. O alemão agora tem 79.
O Mundial de Construtores dá uma boa dimensão do domínio da equipe alemã. Seus 154 pontos são mais do que a soma da segunda e da terceira colocadas, Red Bull e Force India: respectivamente com 57 e 54.
É muita, muita coisa.
E tudo indica que esse fosso só vai aumentar.
Em quatro corridas, quatro vitórias de Mercedes.
Nas três últimas, três dobradinhas Hamilton-Rosberg.
A F-1 é prateada em 2014.
Em Xangai, o inglês saiu na pole e venceu de ponta a ponta. Rosberg ficou com o segundo lugar e a melhor volta.
Um final de semana irretocável para a equipe alemã.
Alonso foi o melhor do resto e completou o pódio.
Na largada, Hamilton manteve a ponta sem grandes problemas. Ricciardo foi mal e perdeu duas posições. Vettel assumiu o segundo lugar.
Massa tentou outra largada ousada, brigava pelo terceiro lugar, mas tocou em Alonso e teve de segurar o carro. Ficou em quinto.
O top 10 ao fim da primeira volta, Hamilton, Vettel, Alonso, Ricciardo, Massa, Rosberg, Hulkenberg, Grosjean, Raikkonen e Bottas.
Massa aguentou Rosberg atrás de si até a quinta volta, quando não teve jeito.
Instantes depois, a Mercedes revelou que não estava recebendo os dados de telemetria do alemão.
Não era só ele: outro alemão vivia problemas. Sutil abandonou pela terceira vez em quatro corridas nesta temporada. Desta vez, a culpa foi do motor.
Lá na frente, tudo ia bem com Hamilton. Na oitava volta, ele tinha 8s870 sobre Vettel.
Começaram então os pits entre a turma lá da frente.
E Massa viu sua corrida escorrer entre os dedos.
A Williams teve problemas para trocar sua roda traseira esquerda, provavelmente consequência do toque em Alonso na largada. O brasileiro voltou à pista em último.
Alonso parou na 12ª e ganhou a posição de Vettel, que entrou na 13ª. Rosberg fez seu pit na 14ª.
Ricciardo parou na 16ª, caindo de segundo para quinto. Hamilton entrou na volta seguinte, mantendo a liderança.
O top 10 após a primeira janela de pits, Hamilton, Alonso, Vettel, Rosberg, Ricciardo, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Grosjean e Pérez.
O saldo: Alonso se deu muito bem, Massa se deu muito mal.
A corrida estava insossa, mas surgiu uma disputa animada. Rosberg chegou em Vettel na 23ª volta, ambos fizeram curva lado a lado, o tetracampeão endureceu, mas o piloto da Mercedes prevaleceu. Aplausos.
Ricciardo veio no embalo e também encostou em Vettel. Ambos fizeram duas voltas muito próximos, até que veio o rádio, na 25ª, para o alemão deixar o companheiro passar.
Quem diria...
Na primeira tentativa do australiano, Vettel jogou duro e defendeu. Logo depois, porém, não conseguiu: perdeu a quarta posição.
Logo depois, Grosjean abandonou, com problemas de câmbio.
Hamilton? Reclamava de desgaste dos pneus, mas seguia abrindo, abrindo, abrindo... Na 30ª volta, tinha 14s300 sobre Alonso, que começava a se preocupar com a aproximação de Rosberg.
Na 32ª, Hulkenberg abriu a segunda janela de pits entre a turma da ponta.
Pressionadíssimo por Rosberg, Alonso entrou na 34ª.
Vettel seguia vivendo seu inferno astral. Foi ultrapassado por um retardatário, Kobayashi! Xingou bastante e, na sequência, foi para os boxes.
Enquanto isso, Rosberg acelerava para tentar ganhar a posição de Alonso no seu segundo pit.
Não deu. O alemão entrou na 38ª e saiu atrás do espanhol. Teria de tentar no braço, nas voltas finais.
Ricciardo parou junto. Hamilton entrou na 39ª.
O top 10 no fechamento da segunda janela, Hamilton, Alonso, Rosberg, Ricciardo, Vettel, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Pérez e Kvyat.
Na 42ª, Rosberg grudou em Alonso. Não demorou para passar. Na abertura da 43ª volta, já era o segundo colocado.
Dobradinha da Mercedes estabelecida, pois.
Daí pra frente, foi só levar para casa.
(Faltou emoção à prova, é verdade.)
Hamilton venceu com 18s600 de vantagem para Rosberg e 25s700 para Alonso. Completando a zona de pontuação, Ricciardo, Vettel, Hulkenberg, Bottas, Raikkonen, Pérez e Kvyat.
Massa ficou em 15º.
Com o resultado, Hamilton foi a 75 pontos e encostou em Rosberg na luta pela liderança do campeonato. O alemão agora tem 79.
O Mundial de Construtores dá uma boa dimensão do domínio da equipe alemã. Seus 154 pontos são mais do que a soma da segunda e da terceira colocadas, Red Bull e Force India: respectivamente com 57 e 54.
É muita, muita coisa.
E tudo indica que esse fosso só vai aumentar.
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temporada 2014
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Voa Lewis, voa*
* Por Luis Fernando Ramos
Lewis Hamilton pode estar quatro pontos atrás de Nico Rosberg na classificação do Mundial de Pilotos, mas aparece bem à frente do companheiro na equipe Mercedes no atual momento do campeonato. Venceu na China pela terceira vez consecutiva - e 25ª na carreira, se igualando às marcas do escocês Jim Clark e do austríaco Niki Lauda, hoje seu chefe na Mercedes. Foi um triunfo fácil demais.
- Preciso agradecer a todo o trabalho feito pelos funcionários da equipe. Espero que o pessoal da fábrica estejam curtindo isso e tenham uma boa semana. Estou muito feliz, tive uma corrida bastante prazeirosa, especialmente nas voltas finais em que eu acelerei para manter a temperatura dos pneus e o carro estava ótimo. Eu corri contra mim mesmo - afirmou Hamilton.
O final de semana em Xangai sublinhou mais uma vez que os adversários terão trabalho para descontar a vantagem atual do carro da Mercedes. Nico Rosberg, que terminou em segundo lugar, fez a melhor volta da prova com um segundo de vantagem para o carro de outra equipe com a melhor volta, a Red Bull de Daniel Ricciardo. A força do conjunto foi fundamental para o alemão não encontrar muitas dificuldades para se recuperar depois de um início ruim de corrida, quando chegou a ocupar a sétima posição.
Se a Mercedes confirmou o domínio, a Ferrari surpreendeu ao conquistar seu primeiro pódio do ano com um trabalho sólido de Fernando Alonso. O espanhol foi agressivo na primeira volta - chegou a bater rodas com Felipe Massa, num lance de corrida - e mostrou que o F14T tinha um bom ritmo de corrida na China.
- Foi uma corrida em que não corremos sozinhos, tivemos disputas e trabalhamos bem para conseguir este pódio. Espero que isso dê uma motivação extra para a equipe continuar melhorando e se sair ainda melhor nas próximas provas - pediu o espanhol.
O toque na largada acabou não tendo consequências para Massa. Sorte num lance, azar no outro: na sua primeira parada nos boxes, uma trapalhada dos mecânicos da Williams encerrou suas chances.
- O problema não teve nada a ver com o toque. Foi um erro. Inverteram os pneus traseiros e demoraram um pouco para perceber. Quando isso aconteceu, numa das rodas a porca acabou quebrando na ânsia de colocar o pneu rápido e tiveram de trocá-la. Nisso tudo, perdi mais de um minuto e minha corrida acabou ali - lamentou o brasileiro.
Já Sebastian Vettel se mostra tranquilo nas entrevistas, mesmo não vivendo um bom momento. Mas a calma não é reproduzida no calor do cockpit. No GP da China, o tetracampeão questionou uma ordem de equipe e reclamou de retardatários. O fato é que Vettel chegou atrás do companheiro Daniel Ricciardo pela segunda corrida consecutiva. Em classificações, foi superado pelo australiano por três vezes em quatro oportunidades. Pelo menos, reconheceu com sinceridade desconcertante que está atrás neste cenário surpreendente do duelo interno da Red Bull.
- Acho que é bom que Daniel consegue tirar o máximo do carro, é bom ter uma referência assim. No momento, a diferença é muito grande e preciso trabalhar nisso. Por algum motivo, o carro não está do jeito que eu quero. Mas ele está mostrando que há mais no carro do que eu estou conseguindo tirar no momento.
Sobre a ordem de equipe que pareceu ignorar, o alemão afirmou que foi apenas um problema na sua comunicação com a equipe.
- No começo eu não entendi, por isso fiquei um pouco confuso. Mas assim que me disseram que estávamos em estratégias diferentes, pois meu plano inicial era fazer três paradas, fez mais sentido. A prioridade da equipe naquele ponto era facilitar o caminho de Daniel para ele lutar com Fernando, então o pedido foi correto - assegurou.
O sempre sorridente Ricciardo afirmou que o clima interno do time não vai azedar por sua boa fase. Mas reforçou que não pretende facilitar a vida de Vettel em nenhum momento.
- Seu companheiro de equipe é sempre o primeiro com quem você se compara e tenho certeza que Seb não está feliz com seu resultado. Mas não é algo que o deixe sem falar comigo. Ele apenas vai trabalhar ainda mais forte para ver onde pode melhorar para a próxima. Eu também não vou descansar - garantiu.
Lewis Hamilton pode estar quatro pontos atrás de Nico Rosberg na classificação do Mundial de Pilotos, mas aparece bem à frente do companheiro na equipe Mercedes no atual momento do campeonato. Venceu na China pela terceira vez consecutiva - e 25ª na carreira, se igualando às marcas do escocês Jim Clark e do austríaco Niki Lauda, hoje seu chefe na Mercedes. Foi um triunfo fácil demais.
- Preciso agradecer a todo o trabalho feito pelos funcionários da equipe. Espero que o pessoal da fábrica estejam curtindo isso e tenham uma boa semana. Estou muito feliz, tive uma corrida bastante prazeirosa, especialmente nas voltas finais em que eu acelerei para manter a temperatura dos pneus e o carro estava ótimo. Eu corri contra mim mesmo - afirmou Hamilton.
O final de semana em Xangai sublinhou mais uma vez que os adversários terão trabalho para descontar a vantagem atual do carro da Mercedes. Nico Rosberg, que terminou em segundo lugar, fez a melhor volta da prova com um segundo de vantagem para o carro de outra equipe com a melhor volta, a Red Bull de Daniel Ricciardo. A força do conjunto foi fundamental para o alemão não encontrar muitas dificuldades para se recuperar depois de um início ruim de corrida, quando chegou a ocupar a sétima posição.
Se a Mercedes confirmou o domínio, a Ferrari surpreendeu ao conquistar seu primeiro pódio do ano com um trabalho sólido de Fernando Alonso. O espanhol foi agressivo na primeira volta - chegou a bater rodas com Felipe Massa, num lance de corrida - e mostrou que o F14T tinha um bom ritmo de corrida na China.
- Foi uma corrida em que não corremos sozinhos, tivemos disputas e trabalhamos bem para conseguir este pódio. Espero que isso dê uma motivação extra para a equipe continuar melhorando e se sair ainda melhor nas próximas provas - pediu o espanhol.
O toque na largada acabou não tendo consequências para Massa. Sorte num lance, azar no outro: na sua primeira parada nos boxes, uma trapalhada dos mecânicos da Williams encerrou suas chances.
- O problema não teve nada a ver com o toque. Foi um erro. Inverteram os pneus traseiros e demoraram um pouco para perceber. Quando isso aconteceu, numa das rodas a porca acabou quebrando na ânsia de colocar o pneu rápido e tiveram de trocá-la. Nisso tudo, perdi mais de um minuto e minha corrida acabou ali - lamentou o brasileiro.
Já Sebastian Vettel se mostra tranquilo nas entrevistas, mesmo não vivendo um bom momento. Mas a calma não é reproduzida no calor do cockpit. No GP da China, o tetracampeão questionou uma ordem de equipe e reclamou de retardatários. O fato é que Vettel chegou atrás do companheiro Daniel Ricciardo pela segunda corrida consecutiva. Em classificações, foi superado pelo australiano por três vezes em quatro oportunidades. Pelo menos, reconheceu com sinceridade desconcertante que está atrás neste cenário surpreendente do duelo interno da Red Bull.
- Acho que é bom que Daniel consegue tirar o máximo do carro, é bom ter uma referência assim. No momento, a diferença é muito grande e preciso trabalhar nisso. Por algum motivo, o carro não está do jeito que eu quero. Mas ele está mostrando que há mais no carro do que eu estou conseguindo tirar no momento.
Sobre a ordem de equipe que pareceu ignorar, o alemão afirmou que foi apenas um problema na sua comunicação com a equipe.
- No começo eu não entendi, por isso fiquei um pouco confuso. Mas assim que me disseram que estávamos em estratégias diferentes, pois meu plano inicial era fazer três paradas, fez mais sentido. A prioridade da equipe naquele ponto era facilitar o caminho de Daniel para ele lutar com Fernando, então o pedido foi correto - assegurou.
O sempre sorridente Ricciardo afirmou que o clima interno do time não vai azedar por sua boa fase. Mas reforçou que não pretende facilitar a vida de Vettel em nenhum momento.
- Seu companheiro de equipe é sempre o primeiro com quem você se compara e tenho certeza que Seb não está feliz com seu resultado. Mas não é algo que o deixe sem falar comigo. Ele apenas vai trabalhar ainda mais forte para ver onde pode melhorar para a próxima. Eu também não vou descansar - garantiu.
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Thriller*
* Por Julianne Cerasoli
Ninguém teve tempo para reclamar da falta de barulho desta vez. Em uma corrida em que os pneus duraram na medida certa para provocar excelentes brigas estratégicas e os companheiros de equipe não quiseram saber de “levar os carros para casa”, o GP do Bahrein foi épico – e deu uma bem-vinda sensação de que, pelo menos enquanto ninguém conseguir competir com as Mercedes, seus pilotos não têm a intenção de tirar o pé.
Lewis Hamilton errou na classificação, mas se recuperou com juros e correção para se defender de Nico Rosberg mesmo com os pneus mais lentos. A diferença ocorreu por uma inteligente tática da equipe de colocá-los em estratégias diferentes para separar os dois quando a briga estava pesada demais, logo antes do primeiro pit stop. Ali, Rosberg fizera o que se espera dele, demonstrando ter poupado mais seus pneus, e Hamilton respondia com suas armas: uma tocada agressiva e com muita raça. No final, a sobrevivência do inglês foi importante para o campeonato, com mais sete pontos da vantagem do alemão descontados.
Um duelo que traz ecos da batalha de Senna e Prost no campeonato de 1988. Com um carro muito superior, um piloto agressivo contra outro mais racional. No final das contas, um segundo separando-os. Pelo menos agora sabemos que, enquanto as Mercedes forem superiores, ainda assim temos um belo campeonato nas mãos.
Falando em superioridade, assustou a vantagem que Hamilton e Rosberg abriram em 10 voltas – e ainda por cima brigando por posição! Foram 23s na provavelmente única vez até agora em que os carros prateados mostraram todo o seu potencial.
Mais atrás, as brigas foram garantidas pelo undercut (estratégia de antecipar a parada para andar rápido e voltar na frente), que ganha outro ingrediente importante neste ano: o ERS-K. Segundo as regras, o carro pode usar 4 megajaules de potência por volta, mas só pode armazenar 2. O que temos observado é que o carro que antecipou a parada e está com pneus mais novos, acaba ganhando ainda mais tempo do que ano passado em relação ao rival que permanece com os pneus velhos devido à gestão desta energia adicional.
Por isso vimos Bottas ganhar de Massa no meio da corrida e o inverso (uma ordem de equipe inteligente por parte da Williams, após o fiasco de execução da Malásia) ocorrendo no final da prova, vimos Vettel ganhando de Ricciardo no decorrer do GP e outras situações do tipo. Tudo isso movimentou a prova e fomentou a intensa troca de posições.
Para a Williams, fica cada vez mais clara a deficiência aerodinâmica. Se foi a chuva que escancarou os problemas de um carro que voa na reta nas primeiras duas etapas, agora foi o alto consumo de pneus, principalmente em uma pista tão “traseira” como do Bahrein. Outra coisa que ficou comprovada é como a aerodinâmica é o ponto forte da Red Bull, que não teve um ritmo tão bom em um circuito mais de motores. E mesmo assim Ricciardo foi o terceiro no grid.
Agora sim, podemos dizer que a temporada que todos esperavam começou de verdade.
Ninguém teve tempo para reclamar da falta de barulho desta vez. Em uma corrida em que os pneus duraram na medida certa para provocar excelentes brigas estratégicas e os companheiros de equipe não quiseram saber de “levar os carros para casa”, o GP do Bahrein foi épico – e deu uma bem-vinda sensação de que, pelo menos enquanto ninguém conseguir competir com as Mercedes, seus pilotos não têm a intenção de tirar o pé.
Lewis Hamilton errou na classificação, mas se recuperou com juros e correção para se defender de Nico Rosberg mesmo com os pneus mais lentos. A diferença ocorreu por uma inteligente tática da equipe de colocá-los em estratégias diferentes para separar os dois quando a briga estava pesada demais, logo antes do primeiro pit stop. Ali, Rosberg fizera o que se espera dele, demonstrando ter poupado mais seus pneus, e Hamilton respondia com suas armas: uma tocada agressiva e com muita raça. No final, a sobrevivência do inglês foi importante para o campeonato, com mais sete pontos da vantagem do alemão descontados.
Um duelo que traz ecos da batalha de Senna e Prost no campeonato de 1988. Com um carro muito superior, um piloto agressivo contra outro mais racional. No final das contas, um segundo separando-os. Pelo menos agora sabemos que, enquanto as Mercedes forem superiores, ainda assim temos um belo campeonato nas mãos.
Falando em superioridade, assustou a vantagem que Hamilton e Rosberg abriram em 10 voltas – e ainda por cima brigando por posição! Foram 23s na provavelmente única vez até agora em que os carros prateados mostraram todo o seu potencial.
Mais atrás, as brigas foram garantidas pelo undercut (estratégia de antecipar a parada para andar rápido e voltar na frente), que ganha outro ingrediente importante neste ano: o ERS-K. Segundo as regras, o carro pode usar 4 megajaules de potência por volta, mas só pode armazenar 2. O que temos observado é que o carro que antecipou a parada e está com pneus mais novos, acaba ganhando ainda mais tempo do que ano passado em relação ao rival que permanece com os pneus velhos devido à gestão desta energia adicional.
Por isso vimos Bottas ganhar de Massa no meio da corrida e o inverso (uma ordem de equipe inteligente por parte da Williams, após o fiasco de execução da Malásia) ocorrendo no final da prova, vimos Vettel ganhando de Ricciardo no decorrer do GP e outras situações do tipo. Tudo isso movimentou a prova e fomentou a intensa troca de posições.
Para a Williams, fica cada vez mais clara a deficiência aerodinâmica. Se foi a chuva que escancarou os problemas de um carro que voa na reta nas primeiras duas etapas, agora foi o alto consumo de pneus, principalmente em uma pista tão “traseira” como do Bahrein. Outra coisa que ficou comprovada é como a aerodinâmica é o ponto forte da Red Bull, que não teve um ritmo tão bom em um circuito mais de motores. E mesmo assim Ricciardo foi o terceiro no grid.
Agora sim, podemos dizer que a temporada que todos esperavam começou de verdade.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Hamilton brilha na noite do Bahrein*
* Por Tatiana Cunha
Foi de tirar o fôlego. Confesso que não lembro a última vez que uma corrida foi tão agitada quanto este GP do Bahrein.
Do primeiro ao último colocado todos tiveram que suar para manter ou ganhar suas posições. Um espetáculo realmente. Difícil até tentar resumir o melhor deste domingo aqui em Sakhir.
Um dia que começou com uma queda de braço política envolvendo Ecclestone, Todt e Montezemolo. Tudo por conta do regulamento deste ano, que deixou alguns insatisfeitos, coincidentemente aqueles que não estão vencendo _leia-se Ferrari e Red Bull.
Mas foi engraçado ver que horas depois de Ecclestone usar sua língua afiada para exigir mudanças imediatas na categoria e de dizer que os torcedores pagam caro para ver a F-1 de antigamente a gente tenha assistido a um espetáculo de automobilismo.
Hamilton e Rosberg deram um show à parte pela liderança da corrida, um duelo que deixou os dirigentes da Mercedes no pitwall de olhos arregalados. Mas que foi lindo de ver. No final Hamilton manteve a frente e venceu pelo segundo GP seguido, isolando-se cada vez mais ao lado do companheiro como favoritos ao título.
Mas teve mais. O que foi aquela largada do Massa? Sensacional. Jogou o carro no meio e foi… de sétimo para terceiro. É isso que o público quer ver. Depois, travou ótimas batalhas com Bottas, Vettel e a dupla da Force India. Chegou em sétimo porque a estratégia de três pit stops da Williams acabou não dando certo com a entrada do safety car no final. Bottas foi o oitavo.
A Force India, aliás, fez mais uma excelente corrida e conquistou o segundo pódio da sua história com o terceiro lugar de Perez.
Outro que mereceu aplausos foi Ricciardo, que de tão superior a Vettel hoje fez a Red Bull pedir que o tetracampeão abrisse caminho para não estragar a corrida do companheiro. Chegou em quarto, duas posições à frente do alemão.
Já era hora, pois Ricciardo tem feito um início de temporada muito além das expectativas e não tinha conseguido converter isso em pontos ainda, não por culpa sua.
Destaque negativo da corrida para a dupla da Ferrari, que foi ultrapassada por todo mundo. Era chegar e passar. Alonso completou em nono e Raikkonen, em décimo. (Alguém ainda não entendeu o motivo de a equipe estar fazendo tamanha campanha para reverem o regulamento deste ano?)
A dupla da McLaren também não teve um bom domingo e tanto Magnussen quanto Button abandonaram a prova.
Admito que depois do GP da Malásia estava decepcionada com a F-1 e com o fato de o esporte estar em segundo plano. Mas depois da corrida de hoje recuperei minha esperança. Que venha a China!
Foi de tirar o fôlego. Confesso que não lembro a última vez que uma corrida foi tão agitada quanto este GP do Bahrein.
Do primeiro ao último colocado todos tiveram que suar para manter ou ganhar suas posições. Um espetáculo realmente. Difícil até tentar resumir o melhor deste domingo aqui em Sakhir.
Um dia que começou com uma queda de braço política envolvendo Ecclestone, Todt e Montezemolo. Tudo por conta do regulamento deste ano, que deixou alguns insatisfeitos, coincidentemente aqueles que não estão vencendo _leia-se Ferrari e Red Bull.
Mas foi engraçado ver que horas depois de Ecclestone usar sua língua afiada para exigir mudanças imediatas na categoria e de dizer que os torcedores pagam caro para ver a F-1 de antigamente a gente tenha assistido a um espetáculo de automobilismo.
Hamilton e Rosberg deram um show à parte pela liderança da corrida, um duelo que deixou os dirigentes da Mercedes no pitwall de olhos arregalados. Mas que foi lindo de ver. No final Hamilton manteve a frente e venceu pelo segundo GP seguido, isolando-se cada vez mais ao lado do companheiro como favoritos ao título.
Mas teve mais. O que foi aquela largada do Massa? Sensacional. Jogou o carro no meio e foi… de sétimo para terceiro. É isso que o público quer ver. Depois, travou ótimas batalhas com Bottas, Vettel e a dupla da Force India. Chegou em sétimo porque a estratégia de três pit stops da Williams acabou não dando certo com a entrada do safety car no final. Bottas foi o oitavo.
A Force India, aliás, fez mais uma excelente corrida e conquistou o segundo pódio da sua história com o terceiro lugar de Perez.
Outro que mereceu aplausos foi Ricciardo, que de tão superior a Vettel hoje fez a Red Bull pedir que o tetracampeão abrisse caminho para não estragar a corrida do companheiro. Chegou em quarto, duas posições à frente do alemão.
Já era hora, pois Ricciardo tem feito um início de temporada muito além das expectativas e não tinha conseguido converter isso em pontos ainda, não por culpa sua.
Destaque negativo da corrida para a dupla da Ferrari, que foi ultrapassada por todo mundo. Era chegar e passar. Alonso completou em nono e Raikkonen, em décimo. (Alguém ainda não entendeu o motivo de a equipe estar fazendo tamanha campanha para reverem o regulamento deste ano?)
A dupla da McLaren também não teve um bom domingo e tanto Magnussen quanto Button abandonaram a prova.
Admito que depois do GP da Malásia estava decepcionada com a F-1 e com o fato de o esporte estar em segundo plano. Mas depois da corrida de hoje recuperei minha esperança. Que venha a China!
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Hamilton, vitória com aula de pilotagem*
* Por Fábio Seixas
(Ufa, que corrida...)
A F-1 comemorou o 900º GP de sua história com classe.
O GP do Bahrein foi o melhor dos últimos tempos. Disputas abertas, rádios interferindo pouco, um safety car inédito, indefinição até o último instante.
E uma aula de pilotagem do vencedor. Uma aula magna.
Hamilton venceu pela segunda vez no ano e pela 24ª na carreira. Com isso, passa Piquet, iguala Fangio e entra para o grupo dos dez maiores vencedores da categoria.
Merecidíssimo.
Rosberg ficou em segundo, com Pérez completando o pódio _foi o primeiro da Force India desde Bélgica-2009.
Massa ficou em sétimo, e coube a ele o primeiro grande momento da prova.
O GP do Bahrein começou com uma largadaça do brasileiro.
Ele se aproveitou da má saída de Raikkonen, imediatamente à sua frente, jogou o carro pro meio da pista e foi passando todo mundo. Contornou a primeira curva em terceiro, a melhor largada do dia.
Hamilton também saiu muito bem, forçando, forçando, colocando-se melhor na primeira curva... E passando Rosberg.
O top 10 ao fim da primeira volta, Hamilton, Rosberg, Massa, Pérez, Bottas, Button, Alonso, Hulkenberg, Raikkonen e Vettel.
As Mercedes começaram, então, a abrir. Na quinta volta, 4s4 já separavam Hamilton de Massa.
Pelo rádio, Alonso reclamava de perda de potência logo após ser superado por Hulkenberg. No mesmo instante, a TV mostrou Montezemolo, com cara de poucos amigos, retirando-se dos boxes da Ferrari. A coisa está feia, bem feia, em Maranello.
Também pelo rádio, Rosberg começava a discutir uma maneira de bater Hamilton na base da estratégia. Para isso, disse o engenheiro, ele teria de poupar pneus, já que seu carro estava saindo mais de frente que o do companheiro.
Na nona volta, a diferença de Hamilton para Massa atingiu a casa dos 10 segundos. E Pérez se aproximava perigosamente do brasileiro.
Bottas, o novo inimigo nacional, também vivia uma noite difícil, sendo superado por Button e Hulkenberg na mesma volta. Foi chamado para os boxes, assim como Kvyat e Bianchi. Os três mantiveram pneus macios.
Pérez, então, chegou em Massa. Chegou rápido. Os dois duelaram por um par de curvas, a Williams deu uma rabetada, e o mexicano tomou o terceiro lugar na 12ª volta.
Lá no fundo, Sutil abandonava após um choque com Bianchi.
Na 14ª volta, Massa foi para os boxes. Manteve os macios e voltou em 11º.
Um pouco à sua frente, acreditem, um "faster than you". O mais inacreditável: foi para Vettel, que estava com uma pane no DRS e deixou Ricciardo passar. Que fase, a do alemão...
Hulkenberg entrou na 16ª. Pérez e Vettel, na 17ª. O tetracampeão trocou os médios por macios, e o mexicano bvoltou atrás de Massa.
Assistimos, então, ao melhor momento da prova. A um exemplo de esportividade em uma categoria com rotineiros maus exemplos. A algo que não deveria ser notícia, mas é: a uma disputa limpa.
Rosberg partiu pra cima de Hamilton. Na 19ª volta, chegou a passar, mas tomou um xis. Manteve a toada, ambos fizeram curvas e curvas lado a lado, e Hamilton acabou prevalecendo.
Pelo rádio, nenhum pio. Parabéns à Mercedes.
Na 20ª volta, Hamilton foi para os pits e saiu de pneus macios. Rosberg teve duas voltas para acelerar loucamente e tentar ganhar a posição. Não deu. Voltou atrás, em segundo, com pneus médios.
Chegou a hora de outro duelo entre companheiros. Bottas se beneficiou da estratégia de parar antes e era o terceiro. Massa, o quarto colocado.
Logo atrás, Hulkenberg e Pérez estavam babando para passar os Williams.
Um quarteto faminto.
"Bottas está perdendo os pneus traseiros", disse Massa, pelo rádio. "Entendido", limitou-se a responder o engenheiro.
Na 26ª, o finlandês foi chamado para os boxes.
Massa reassumiu o terceiro posto, mas com Hulkenberg e Pérez sem dar sossego.
Quando o alemão tentou o bote, o mexicano mergulhou junto e o ultrapassou. Sorte do brasileiro, porque ambos tiveram de tirar o pé.
Na 28ª, Massa, com os pneus no bagaço, não conseguiu mais. Foi superado pelos dois Force India. Na volta seguinte, parou e colocou macios de novo. Alonso e Grosjean entraram na mesma volta.
Para não dizer que não falei das flechas prateadas, lá na frente as Mercedes continuavam o passeio: Hamilton tinha 7s5 sobre Rosberg e 23s3 para Pérez.
Na 31ª, Bottas quase foi pro espaço. Veio como uma vaca louca para tentar passar Raikkonen e teve de jogar o carro para a área de escape para não acertar o compatriota.
Na seguinte, Raikkonen perdeu posição para Ricciardo. Bottas, enfim, fez a manobra e também deixou a Ferrari para trás. Massa fez o mesmo na 34ª, aproximando-se de novo do companheiro.
Ambos os Williams passaram Ricciardo e continuaram avançando...
Pérez e Vettel pararam na 35ª. Hulkenberg, Ricciardo e Button, na 36ª.
Com isso, Bottas tornou-se novamente o terceiro, com Massa logo atrás.
A Williams então chamou Massa antes para os boxes.
Sim, o brasileiro tinha pneus três voltas mais novo, mas foi chamado antes que o companheiro.
Isso se chama inversão de posição nos boxes.
Ele entrou e colocou pneus médios.
Foi quando veio o lance que melhorou ainda mais a corrida.
Maldonado acertou Gutierrez no final da reta, levando o Sauber a uma capotagem espetacular. Total falta de noção do venezuelano, que levou um stop & go de 10 segundos. Ficou baratíssimo pra ele...
Pela primeira vez na história, um safety car no Bahrein.
Quase simultaneamente, Hamilton e Rosberg entraram nos boxes. O inglês teve de colocar os pneus médios. O alemão foi com os macios.
Isso deixou Hamilton em péssimos lençóis. A vantagem que ele tinha para Rosberg e que lhe permitiria fazer o trecho final da prova com os pneus mais lentos, sem se preocupar, foi dizimada.
Bottas também parou, diga-se. E voltou atrás de Massa.
Missão cumprida na disputa interna. Mas o safety car foi um golpe nas pretensões do brasileiro de lutar pelo pódio.
A relargada veio a dez voltas do fim.
Pelo rádio, a Mercedes pediu para seus pilotos levarem os carros inteiros até a linha de chegada.
Rosberg até tentou, mas não chegou a ter uma chance clara: Hamilton relargou muitíssimo bem.
Na volta seguinte, Massa deixou Button para trás e ganhou o sétimo lugar.
Na ponta, Rosberg vinha chegando em Hamilton. Vinha chegando, chegando...
E chegou de vez na 52ª volta, quando tomou um novo xis. Na 53ª, mais um: o alemão passou, mas levou o troco.
Hamilton então fez mágica. Mesmo com pneus mais lentos, começou a abrir vantagem. Como? Coisa de piloto excepcional.
Aplausos. Em pé.
Na luta pelo sexto lugar, Massa partiu para cima de Vettel. Ambos foram no limite, o brasileiro chegou a ficar à frente, mas o alemão prevaleceu. Um duelo genial.
Hamilton cruzou a linha de chegada com 1s085 sobre Rosberg e 24s067 para Pérez.
Completando o top 10, Ricciardo, Hulkenberg, Vettel, Massa, Bottas, Alonso e Raikkonen.
E a imagem do fim da prova foi a dos três primeiros colocados vibrando com o que tinham acabado de viver. Foi daquelas que lembraremos por muito tempo.
Com o segundo lugar, Rosberg continua na ponta do Mundial, com 61 pontos. Hamilton tem 50. Hulkenberg (sim!) é o terceiro, com 28. Massa tem 12 e é o 11º, três posições atrás de Bottas.
No Mundial de Construtores, 111 para a Mercedes contra 44 de Force India e 43 da McLaren.
Vive num mundo à parte, a equipe alemã.
O que não nos impede de ver corridas sensacionais.
A F-1 de 2014, tão renovada e tão criticada, marcou um golaço neste domingo.
(Ufa, que corrida...)
A F-1 comemorou o 900º GP de sua história com classe.
O GP do Bahrein foi o melhor dos últimos tempos. Disputas abertas, rádios interferindo pouco, um safety car inédito, indefinição até o último instante.
E uma aula de pilotagem do vencedor. Uma aula magna.
Hamilton venceu pela segunda vez no ano e pela 24ª na carreira. Com isso, passa Piquet, iguala Fangio e entra para o grupo dos dez maiores vencedores da categoria.
Merecidíssimo.
Rosberg ficou em segundo, com Pérez completando o pódio _foi o primeiro da Force India desde Bélgica-2009.
Massa ficou em sétimo, e coube a ele o primeiro grande momento da prova.
O GP do Bahrein começou com uma largadaça do brasileiro.
Ele se aproveitou da má saída de Raikkonen, imediatamente à sua frente, jogou o carro pro meio da pista e foi passando todo mundo. Contornou a primeira curva em terceiro, a melhor largada do dia.
Hamilton também saiu muito bem, forçando, forçando, colocando-se melhor na primeira curva... E passando Rosberg.
O top 10 ao fim da primeira volta, Hamilton, Rosberg, Massa, Pérez, Bottas, Button, Alonso, Hulkenberg, Raikkonen e Vettel.
As Mercedes começaram, então, a abrir. Na quinta volta, 4s4 já separavam Hamilton de Massa.
Pelo rádio, Alonso reclamava de perda de potência logo após ser superado por Hulkenberg. No mesmo instante, a TV mostrou Montezemolo, com cara de poucos amigos, retirando-se dos boxes da Ferrari. A coisa está feia, bem feia, em Maranello.
Também pelo rádio, Rosberg começava a discutir uma maneira de bater Hamilton na base da estratégia. Para isso, disse o engenheiro, ele teria de poupar pneus, já que seu carro estava saindo mais de frente que o do companheiro.
Na nona volta, a diferença de Hamilton para Massa atingiu a casa dos 10 segundos. E Pérez se aproximava perigosamente do brasileiro.
Bottas, o novo inimigo nacional, também vivia uma noite difícil, sendo superado por Button e Hulkenberg na mesma volta. Foi chamado para os boxes, assim como Kvyat e Bianchi. Os três mantiveram pneus macios.
Pérez, então, chegou em Massa. Chegou rápido. Os dois duelaram por um par de curvas, a Williams deu uma rabetada, e o mexicano tomou o terceiro lugar na 12ª volta.
Lá no fundo, Sutil abandonava após um choque com Bianchi.
Na 14ª volta, Massa foi para os boxes. Manteve os macios e voltou em 11º.
Um pouco à sua frente, acreditem, um "faster than you". O mais inacreditável: foi para Vettel, que estava com uma pane no DRS e deixou Ricciardo passar. Que fase, a do alemão...
Hulkenberg entrou na 16ª. Pérez e Vettel, na 17ª. O tetracampeão trocou os médios por macios, e o mexicano bvoltou atrás de Massa.
Assistimos, então, ao melhor momento da prova. A um exemplo de esportividade em uma categoria com rotineiros maus exemplos. A algo que não deveria ser notícia, mas é: a uma disputa limpa.
Rosberg partiu pra cima de Hamilton. Na 19ª volta, chegou a passar, mas tomou um xis. Manteve a toada, ambos fizeram curvas e curvas lado a lado, e Hamilton acabou prevalecendo.
Pelo rádio, nenhum pio. Parabéns à Mercedes.
Na 20ª volta, Hamilton foi para os pits e saiu de pneus macios. Rosberg teve duas voltas para acelerar loucamente e tentar ganhar a posição. Não deu. Voltou atrás, em segundo, com pneus médios.
Chegou a hora de outro duelo entre companheiros. Bottas se beneficiou da estratégia de parar antes e era o terceiro. Massa, o quarto colocado.
Logo atrás, Hulkenberg e Pérez estavam babando para passar os Williams.
Um quarteto faminto.
"Bottas está perdendo os pneus traseiros", disse Massa, pelo rádio. "Entendido", limitou-se a responder o engenheiro.
Na 26ª, o finlandês foi chamado para os boxes.
Massa reassumiu o terceiro posto, mas com Hulkenberg e Pérez sem dar sossego.
Quando o alemão tentou o bote, o mexicano mergulhou junto e o ultrapassou. Sorte do brasileiro, porque ambos tiveram de tirar o pé.
Na 28ª, Massa, com os pneus no bagaço, não conseguiu mais. Foi superado pelos dois Force India. Na volta seguinte, parou e colocou macios de novo. Alonso e Grosjean entraram na mesma volta.
Para não dizer que não falei das flechas prateadas, lá na frente as Mercedes continuavam o passeio: Hamilton tinha 7s5 sobre Rosberg e 23s3 para Pérez.
Na 31ª, Bottas quase foi pro espaço. Veio como uma vaca louca para tentar passar Raikkonen e teve de jogar o carro para a área de escape para não acertar o compatriota.
Na seguinte, Raikkonen perdeu posição para Ricciardo. Bottas, enfim, fez a manobra e também deixou a Ferrari para trás. Massa fez o mesmo na 34ª, aproximando-se de novo do companheiro.
Ambos os Williams passaram Ricciardo e continuaram avançando...
Pérez e Vettel pararam na 35ª. Hulkenberg, Ricciardo e Button, na 36ª.
Com isso, Bottas tornou-se novamente o terceiro, com Massa logo atrás.
A Williams então chamou Massa antes para os boxes.
Sim, o brasileiro tinha pneus três voltas mais novo, mas foi chamado antes que o companheiro.
Isso se chama inversão de posição nos boxes.
Ele entrou e colocou pneus médios.
Foi quando veio o lance que melhorou ainda mais a corrida.
Maldonado acertou Gutierrez no final da reta, levando o Sauber a uma capotagem espetacular. Total falta de noção do venezuelano, que levou um stop & go de 10 segundos. Ficou baratíssimo pra ele...
Pela primeira vez na história, um safety car no Bahrein.
Quase simultaneamente, Hamilton e Rosberg entraram nos boxes. O inglês teve de colocar os pneus médios. O alemão foi com os macios.
Isso deixou Hamilton em péssimos lençóis. A vantagem que ele tinha para Rosberg e que lhe permitiria fazer o trecho final da prova com os pneus mais lentos, sem se preocupar, foi dizimada.
Bottas também parou, diga-se. E voltou atrás de Massa.
Missão cumprida na disputa interna. Mas o safety car foi um golpe nas pretensões do brasileiro de lutar pelo pódio.
A relargada veio a dez voltas do fim.
Pelo rádio, a Mercedes pediu para seus pilotos levarem os carros inteiros até a linha de chegada.
Rosberg até tentou, mas não chegou a ter uma chance clara: Hamilton relargou muitíssimo bem.
Na volta seguinte, Massa deixou Button para trás e ganhou o sétimo lugar.
Na ponta, Rosberg vinha chegando em Hamilton. Vinha chegando, chegando...
E chegou de vez na 52ª volta, quando tomou um novo xis. Na 53ª, mais um: o alemão passou, mas levou o troco.
Hamilton então fez mágica. Mesmo com pneus mais lentos, começou a abrir vantagem. Como? Coisa de piloto excepcional.
Aplausos. Em pé.
Na luta pelo sexto lugar, Massa partiu para cima de Vettel. Ambos foram no limite, o brasileiro chegou a ficar à frente, mas o alemão prevaleceu. Um duelo genial.
Hamilton cruzou a linha de chegada com 1s085 sobre Rosberg e 24s067 para Pérez.
Completando o top 10, Ricciardo, Hulkenberg, Vettel, Massa, Bottas, Alonso e Raikkonen.
E a imagem do fim da prova foi a dos três primeiros colocados vibrando com o que tinham acabado de viver. Foi daquelas que lembraremos por muito tempo.
Com o segundo lugar, Rosberg continua na ponta do Mundial, com 61 pontos. Hamilton tem 50. Hulkenberg (sim!) é o terceiro, com 28. Massa tem 12 e é o 11º, três posições atrás de Bottas.
No Mundial de Construtores, 111 para a Mercedes contra 44 de Force India e 43 da McLaren.
Vive num mundo à parte, a equipe alemã.
O que não nos impede de ver corridas sensacionais.
A F-1 de 2014, tão renovada e tão criticada, marcou um golaço neste domingo.
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terça-feira, 1 de abril de 2014
Só uma revolução muda o caminho da Mercedes nas duas próximas provas*
* Por Lívio Oricchio
O adversário de Lewis Hamilton mais bem colocado domingo, ao final do GP da Malásia, foi Sebastian Vettel, da Red Bull, terceiro colocado. O tetracampeão do mundo recebeu a bandeirada 24 segundos e 534 milésimos depois do piloto inglês da Mercedes, vencedor da segunda etapa do campeonato. Em segundo lugar chegou Nico Rosberg, companheiro de Hamilton.
Outra referência para melhor compreensão da vantagem da Mercedes nesse início de campeonato é a importante diferença entre o melhor tempo registrado na corrida por Hamilton e Vettel. Na 53.ª volta de um total de 56 o campeão do mundo de 2008 marcou o tempo de 1min43s066. Duas voltas antes, Vettel estabeleceu 1min44s289, ou nada menos de 1 segundo e 223 milésimos mais lento que Hamilton, diferença enorme para os padrões da Fórmula 1.
Para os demais adversários, a diferença imposta pela Mercedes foi ainda maior, como já havia ocorrido na abertura do Mundial, duas semanas antes, em Melbourne, Austrália, quando quem venceu foi Rosberg.
Fernando Alonso, da Ferrari, quarto colocado no GP da Malásia, completou as 56 voltas no circuito de Sepang com um atraso de 35 segundos e 992 milésimos para Hamilton. Nico Hulkenberg, da Force India, quinto, chegou 47 segundos e 199 milésimos depois do inglês da Mercedes, enquanto Jenson Button, McLaren, sexto, 1minuto, 23 segundos e 691 milésimos e Felipe Massa, Williams, sétimo, 1min25segundos e 076 milésimos.
Sem interferências
Esses números ganham maior representatividade porque não houve nenhum fator extra que interveio no andamento normal do GP da Malásia, como uma eventual entrada do safety car, chuva capaz de mudar o cenário da prova ou escolha decisiva dos pneus.
Em resumo: não deverá ser de uma corrida para a outra que a Red Bull de Vettel, a Ferrari de Alonso, a Force India de Hulkenberg, a McLaren de Button e a Williams de Massa, por exemplo, vão, de repente, passar a andar na frente da Mercedes de Hamilton e Rosberg.
Ao menos nas duas próximas etapas do calendário, domingo no circuito de Sakhir, em Bahrein, e dia 20 em Xangai, na China, Hamilton ou Rosberg só não deverão protagonizar o evento novamente se o equipamento falhar, eles ou a equipe errarem ou ainda se envolverem num incidente.
A vantagem da Mercedes hoje é tão grande quanto a da Red Bull no ano passado. "Determinado instante eu me encontrava próximo deles", disse Vettel, ontem, em Sepang. "Mas depois foi como se eles tivessem engatado uma marcha a mais. Cheguei ao pódio, mas não havia como enfrentá-los, estão muito rápidos", afirmou o alemão.
Campeonato não acabou
Está, então, tudo acabado, a luta pelo título se resumirá entre Rosberg, atual líder do Mundial, com 43 pontos, e o vice-líder, Hamilton, 25, a dupla da Mercedes?
Muito provavelmente não, apesar da significativa vantagem técnica do time alemão. Os regulamentos técnico e esportivo, este ano, são bastante distintos dos da temporada passada. "Estamos aprendendo a cada saída dos carros para a pista. A cada lote de peças novas deveremos assistir a mudanças importantes na evolução dos carros", afirmou Stefano Domenicali, diretor da Ferrari.
É provável que no GP da Espanha, quinto do campeonato, dia 11 de maio, o primeiro da série europeia, a maioria das equipes apresente uma nova versão de seus carros, com modificações até mesmo radicais, orientadas pelo aprendizado nas provas da Austrália, Malásia, do Bahrein e da China.
Será a partir da corrida de Barcelona que a Fórmula 1 irá expor com maior fidelidade o que os fãs da competição deverão assistir na sequência do campeonato.
Frustração brasileira
Os testes da pré-temporada sugeriram que a Williams de Felipe Massa seria o time capaz de poder desafiar a Mercedes. Não foi o que as etapas de Melbourne e Sepang evidenciaram. Ao contrário, Red Bull, Ferrari e até a McLaren começaram o Mundial na frente da Williams, para não se mencionar a Mercedes, classificada em outra categoria.
Portanto, a enorme expectativa criada nos testes de inverno com a possibilidade de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1 acabou um tanto frustrada, ao menos até agora.
As más posições de largada de Massa nas duas corridas já disputadas (9.º na Austrália e 13.º na Malásia) colaboraram para explicar o desempenho abaixo do esperado da Williams, mas não justificam integralmente, por exemplo, terminar a corrida 1minuto e 25 segundos depois do vencedor, como fez Massa ontem em Sepang.
O modelo FW36-Mercedes da Williams gera pouca pressão aerodinâmica, principal razão de ser lento na chuva, e as duas sessões que definiram o grid, este ano, foram realizadas com asfalto molhado. Essa dificuldade aerodinâmica explica em parte, também, a tração deficiente do carro, sinalizada por Massa e seu companheiro, o finlandês Valtteri Bottas.
O objetivo estabelecido por Massa e pela Williams depois dos testes de inverno, lutar pelo pódio, está neste momento um pouco distante. Será preciso que as mudanças planejadas para o modelo FW36 o tornem bem mais eficiente. Não é apenas a Mercedes que está na sua frente. O desafio é grande.
O adversário de Lewis Hamilton mais bem colocado domingo, ao final do GP da Malásia, foi Sebastian Vettel, da Red Bull, terceiro colocado. O tetracampeão do mundo recebeu a bandeirada 24 segundos e 534 milésimos depois do piloto inglês da Mercedes, vencedor da segunda etapa do campeonato. Em segundo lugar chegou Nico Rosberg, companheiro de Hamilton.
Outra referência para melhor compreensão da vantagem da Mercedes nesse início de campeonato é a importante diferença entre o melhor tempo registrado na corrida por Hamilton e Vettel. Na 53.ª volta de um total de 56 o campeão do mundo de 2008 marcou o tempo de 1min43s066. Duas voltas antes, Vettel estabeleceu 1min44s289, ou nada menos de 1 segundo e 223 milésimos mais lento que Hamilton, diferença enorme para os padrões da Fórmula 1.
Para os demais adversários, a diferença imposta pela Mercedes foi ainda maior, como já havia ocorrido na abertura do Mundial, duas semanas antes, em Melbourne, Austrália, quando quem venceu foi Rosberg.
Fernando Alonso, da Ferrari, quarto colocado no GP da Malásia, completou as 56 voltas no circuito de Sepang com um atraso de 35 segundos e 992 milésimos para Hamilton. Nico Hulkenberg, da Force India, quinto, chegou 47 segundos e 199 milésimos depois do inglês da Mercedes, enquanto Jenson Button, McLaren, sexto, 1minuto, 23 segundos e 691 milésimos e Felipe Massa, Williams, sétimo, 1min25segundos e 076 milésimos.
Sem interferências
Esses números ganham maior representatividade porque não houve nenhum fator extra que interveio no andamento normal do GP da Malásia, como uma eventual entrada do safety car, chuva capaz de mudar o cenário da prova ou escolha decisiva dos pneus.
Em resumo: não deverá ser de uma corrida para a outra que a Red Bull de Vettel, a Ferrari de Alonso, a Force India de Hulkenberg, a McLaren de Button e a Williams de Massa, por exemplo, vão, de repente, passar a andar na frente da Mercedes de Hamilton e Rosberg.
Ao menos nas duas próximas etapas do calendário, domingo no circuito de Sakhir, em Bahrein, e dia 20 em Xangai, na China, Hamilton ou Rosberg só não deverão protagonizar o evento novamente se o equipamento falhar, eles ou a equipe errarem ou ainda se envolverem num incidente.
A vantagem da Mercedes hoje é tão grande quanto a da Red Bull no ano passado. "Determinado instante eu me encontrava próximo deles", disse Vettel, ontem, em Sepang. "Mas depois foi como se eles tivessem engatado uma marcha a mais. Cheguei ao pódio, mas não havia como enfrentá-los, estão muito rápidos", afirmou o alemão.
Campeonato não acabou
Está, então, tudo acabado, a luta pelo título se resumirá entre Rosberg, atual líder do Mundial, com 43 pontos, e o vice-líder, Hamilton, 25, a dupla da Mercedes?
Muito provavelmente não, apesar da significativa vantagem técnica do time alemão. Os regulamentos técnico e esportivo, este ano, são bastante distintos dos da temporada passada. "Estamos aprendendo a cada saída dos carros para a pista. A cada lote de peças novas deveremos assistir a mudanças importantes na evolução dos carros", afirmou Stefano Domenicali, diretor da Ferrari.
É provável que no GP da Espanha, quinto do campeonato, dia 11 de maio, o primeiro da série europeia, a maioria das equipes apresente uma nova versão de seus carros, com modificações até mesmo radicais, orientadas pelo aprendizado nas provas da Austrália, Malásia, do Bahrein e da China.
Será a partir da corrida de Barcelona que a Fórmula 1 irá expor com maior fidelidade o que os fãs da competição deverão assistir na sequência do campeonato.
Frustração brasileira
Os testes da pré-temporada sugeriram que a Williams de Felipe Massa seria o time capaz de poder desafiar a Mercedes. Não foi o que as etapas de Melbourne e Sepang evidenciaram. Ao contrário, Red Bull, Ferrari e até a McLaren começaram o Mundial na frente da Williams, para não se mencionar a Mercedes, classificada em outra categoria.
Portanto, a enorme expectativa criada nos testes de inverno com a possibilidade de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1 acabou um tanto frustrada, ao menos até agora.
As más posições de largada de Massa nas duas corridas já disputadas (9.º na Austrália e 13.º na Malásia) colaboraram para explicar o desempenho abaixo do esperado da Williams, mas não justificam integralmente, por exemplo, terminar a corrida 1minuto e 25 segundos depois do vencedor, como fez Massa ontem em Sepang.
O modelo FW36-Mercedes da Williams gera pouca pressão aerodinâmica, principal razão de ser lento na chuva, e as duas sessões que definiram o grid, este ano, foram realizadas com asfalto molhado. Essa dificuldade aerodinâmica explica em parte, também, a tração deficiente do carro, sinalizada por Massa e seu companheiro, o finlandês Valtteri Bottas.
O objetivo estabelecido por Massa e pela Williams depois dos testes de inverno, lutar pelo pódio, está neste momento um pouco distante. Será preciso que as mudanças planejadas para o modelo FW36 o tornem bem mais eficiente. Não é apenas a Mercedes que está na sua frente. O desafio é grande.
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O legado de uma geração*
* Por Julianne Cerasoli
Na semana passada, Felipe Motta publicou uma coluna aqui no TotalRace fazendo um paralelo entre os GPs da Coreia de 2010 e 2013. Há três anos, vivíamos a expectativa de um título mundial sendo disputado por cinco pilotos e a certeza de que assistíamos a uma geração especial, com três candidatos a gênios e outros dois competentes o suficiente para terem seus momentos de protagonistas.
De lá para cá, vimos a queda vertiginosa de Webber na mesma proporção em que o ‘crash kid’ Vettel tomou ares de Deus. Tivemos, ainda, a volta de Kimi Raikkonen, outro nome daqueles que têm talento para entrar para a história entre os grandes.
Mas uma série de circunstâncias fez com que apenas um desses pilotos saísse coroado com títulos. O quarto seguido de um piloto de apenas 26 anos abre uma perspectiva completamente diferente daquela de 2010 para esta geração. E o que parecia um novo final de anos 1980 de repente mais parece uma repeteco da era Schumacher.
Concordo com Hamilton que isso é uma pena. “Eu e Fernando em quinto e sexto lugares no final, tenho nossa corridinha... temos mais calibre do que isso, deveríamos estar mais adiante e lutando por campeonatos mundiais com Sebastian”, se resignou após o GP da Coreia. É inegável o mérito do conjunto Red Bull/Vettel, que não pode ser culpado por nada disso, mas certamente a sequência de títulos vai deturpar a noção histórica do que representaram os grandes talentos que estamos vendo nas pistas.
Lendo comentários sobre a noção geral da época de domínio do “outro” alemão, normalmente vemos a depreciação de seus rivais. O único que costuma escapar é Hakkinen, que acabou tendo apenas três temporadas de “embate direto” com Schumi.
Por outro lado, a geração dos anos 1980 é lembrada pelos grandes embates entre Mansell e Piquet, Prost e Senna – e um tirando vantagem da rivalidade do outro.
Mas como será que a geração atual será lembrada? Seria Alonso um novo Fittipaldi, um piloto de agressividade controlada que foi campeão muito jovem e depois tomou decisões na carreira que o afastaram dos títulos? E Hamilton, será apontado como um Mansell tatuado ao invés de bigodudo ou terá tempo para se reerguer junto da Mercedes? Raikkonen vai mesmo ser o baladeiro “one hit wonder” como seu ídolo James Hunt?
Façam suas apostas.
Na semana passada, Felipe Motta publicou uma coluna aqui no TotalRace fazendo um paralelo entre os GPs da Coreia de 2010 e 2013. Há três anos, vivíamos a expectativa de um título mundial sendo disputado por cinco pilotos e a certeza de que assistíamos a uma geração especial, com três candidatos a gênios e outros dois competentes o suficiente para terem seus momentos de protagonistas.
De lá para cá, vimos a queda vertiginosa de Webber na mesma proporção em que o ‘crash kid’ Vettel tomou ares de Deus. Tivemos, ainda, a volta de Kimi Raikkonen, outro nome daqueles que têm talento para entrar para a história entre os grandes.
Mas uma série de circunstâncias fez com que apenas um desses pilotos saísse coroado com títulos. O quarto seguido de um piloto de apenas 26 anos abre uma perspectiva completamente diferente daquela de 2010 para esta geração. E o que parecia um novo final de anos 1980 de repente mais parece uma repeteco da era Schumacher.
Concordo com Hamilton que isso é uma pena. “Eu e Fernando em quinto e sexto lugares no final, tenho nossa corridinha... temos mais calibre do que isso, deveríamos estar mais adiante e lutando por campeonatos mundiais com Sebastian”, se resignou após o GP da Coreia. É inegável o mérito do conjunto Red Bull/Vettel, que não pode ser culpado por nada disso, mas certamente a sequência de títulos vai deturpar a noção histórica do que representaram os grandes talentos que estamos vendo nas pistas.
Lendo comentários sobre a noção geral da época de domínio do “outro” alemão, normalmente vemos a depreciação de seus rivais. O único que costuma escapar é Hakkinen, que acabou tendo apenas três temporadas de “embate direto” com Schumi.
Por outro lado, a geração dos anos 1980 é lembrada pelos grandes embates entre Mansell e Piquet, Prost e Senna – e um tirando vantagem da rivalidade do outro.
Mas como será que a geração atual será lembrada? Seria Alonso um novo Fittipaldi, um piloto de agressividade controlada que foi campeão muito jovem e depois tomou decisões na carreira que o afastaram dos títulos? E Hamilton, será apontado como um Mansell tatuado ao invés de bigodudo ou terá tempo para se reerguer junto da Mercedes? Raikkonen vai mesmo ser o baladeiro “one hit wonder” como seu ídolo James Hunt?
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Vitória do coração partido*
* Por Luis Fernando Ramos
Dizem que as melhores músicas são as compostas com o coração partido. O mesmo pode ser aplicado para o desempenho de Lewis Hamilton no GP da Hungria. Com uma pilotagem perfeita, o inglês obteve sua primeira vitória pela equipe Mercedes, contrariando as previsões de que sofreria com o desgaste de pneus numa prova disputado com o asfalto chegando a 50 graus de temperatura. Mas, na sua cabeça, só havia a memória da ex-namorada, a cantora Nicole Scherzinger. Os dois terminaram uma relação de quatro anos em maio.
- Fiquei a corrida inteira pensando em alguém especial para mim e queria dedicar esta vitória a ela. Estes têm sido os piores meses da minha vida, mas quando venho para uma corrida é uma preocupação a mais. Então busco me animar, me manter concentrado. E é óbvio que isto não afeta minha pilotagem, estou andando bem e muito feliz com minhas voltas rápidas nas últimas corridas. Mas não é a mesma coisa - falou o piloto depois do triunfo.
A boa performance de Hamilton em relação aos pneus foi o que mais chamou a atenção. Ele fez uma estratégia de três paradas, similar a de Sebastian Vettel, o terceiro colocado. Mas ninguém, nem o próprio piloto inglês, acreditava que o carro da Mercedes seria capaz de passar incólume ao calor. Difícil foi explicar depois.
- Largando da pole, estava rezando para que estes pneus funcionassem a nosso favor. Parece ter dado certo: o asfalto com mais de 50 graus, uma das corridas mais quentes que eu corri e, para um carro que sofria com degradação elevada, foi um passeio no parque. Estou perplexo - admitiu.
Vettel, que também acabou superado por Kimi Raikkonen graças à estratégia do finlandês de fazer uma parada a menos, recebeu com mais naturalidade a superioridade da Mercedes no “caldeirão” de Hungaroring.
- Parabéns para Lewis, fez um bom trabalho na classificação e na corrida. Velocidade eles têm e os pneus aguentaram bem, o que não é a primeira vez que acontece com a Mercedes, desde Mônaco eles vêm crescendo. Não estou dizendo que foi por causa do polêmico teste, mas só dizendo o ponto em que eles começaram a entender melhor os problemas que tinham e passaram a resolvê-los.
Assim, o Mundial de 2013 chega para a pausa no verão europeu com uma liderança de Vettel mais contundente na pista do que na tabela. 38 pontos parece muito, mas quando o grupo de perseguidores que está nesta faixa é formado por Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Lewis Hamilton numa ascendente Mercedes, é precipitado demais ver algo decidido. Bom para nós.
O GP da Hungria ainda trouxe temas interessantes na pista, como os incidentes que envolveram Romain Grosjean e dividiram opiniões em relação à justiça das punições; ou fora dela, como o imbecil factóide de uma suposta conversa entre Fernando Alonso e a Red Bull. Outros temas também continuam atuais.
Dizem que as melhores músicas são as compostas com o coração partido. O mesmo pode ser aplicado para o desempenho de Lewis Hamilton no GP da Hungria. Com uma pilotagem perfeita, o inglês obteve sua primeira vitória pela equipe Mercedes, contrariando as previsões de que sofreria com o desgaste de pneus numa prova disputado com o asfalto chegando a 50 graus de temperatura. Mas, na sua cabeça, só havia a memória da ex-namorada, a cantora Nicole Scherzinger. Os dois terminaram uma relação de quatro anos em maio.
- Fiquei a corrida inteira pensando em alguém especial para mim e queria dedicar esta vitória a ela. Estes têm sido os piores meses da minha vida, mas quando venho para uma corrida é uma preocupação a mais. Então busco me animar, me manter concentrado. E é óbvio que isto não afeta minha pilotagem, estou andando bem e muito feliz com minhas voltas rápidas nas últimas corridas. Mas não é a mesma coisa - falou o piloto depois do triunfo.
A boa performance de Hamilton em relação aos pneus foi o que mais chamou a atenção. Ele fez uma estratégia de três paradas, similar a de Sebastian Vettel, o terceiro colocado. Mas ninguém, nem o próprio piloto inglês, acreditava que o carro da Mercedes seria capaz de passar incólume ao calor. Difícil foi explicar depois.
- Largando da pole, estava rezando para que estes pneus funcionassem a nosso favor. Parece ter dado certo: o asfalto com mais de 50 graus, uma das corridas mais quentes que eu corri e, para um carro que sofria com degradação elevada, foi um passeio no parque. Estou perplexo - admitiu.
Vettel, que também acabou superado por Kimi Raikkonen graças à estratégia do finlandês de fazer uma parada a menos, recebeu com mais naturalidade a superioridade da Mercedes no “caldeirão” de Hungaroring.
- Parabéns para Lewis, fez um bom trabalho na classificação e na corrida. Velocidade eles têm e os pneus aguentaram bem, o que não é a primeira vez que acontece com a Mercedes, desde Mônaco eles vêm crescendo. Não estou dizendo que foi por causa do polêmico teste, mas só dizendo o ponto em que eles começaram a entender melhor os problemas que tinham e passaram a resolvê-los.
Assim, o Mundial de 2013 chega para a pausa no verão europeu com uma liderança de Vettel mais contundente na pista do que na tabela. 38 pontos parece muito, mas quando o grupo de perseguidores que está nesta faixa é formado por Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Lewis Hamilton numa ascendente Mercedes, é precipitado demais ver algo decidido. Bom para nós.
O GP da Hungria ainda trouxe temas interessantes na pista, como os incidentes que envolveram Romain Grosjean e dividiram opiniões em relação à justiça das punições; ou fora dela, como o imbecil factóide de uma suposta conversa entre Fernando Alonso e a Red Bull. Outros temas também continuam atuais.
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
Milagre ou blefe, vitória de Hamilton*
* Por Fábio Seixas
Ou foi blefe de Hamilton ou testemunhamos uma intervenção divina neste domingo em Budapeste.
Após cravar a pole, no sábado, o inglês declarou que só venceria por milagre.
Pois bem. Venceu.
Foi sua 22ª vitória na carreira, o que o iguala a Damon Hill.
Foi a primeira pela Mercedes.
Mas o principal motivo da comemoração, acho: foi uma vitória daquelas para tirar a zica. Livrar-se de um peso nos ombros. Mostrar que um carro tão rápido pode, sim, ser um carro vencedor em suas mãos.
E foi merecido. Como foi…
Raikkonen ficou em segundo, com Vettel em terceiro.
Uma corrida quente, literalmente: 34°C no ar, 51°C no asfalto.
Na largada, Hamilton usou bem o lado mais limpo da pista e contornou a primeira curva na frente, seguido por Vettel e Grosjean.
Rosberg era o quarto, mas se enroscou com Massa no meio da volta e caiu para 12º.
O top 10 na primeira volta, Hamilton, Vettel, Grosjean, Alonso, Massa, Raikkonen, Webber, Button, Ricciardo e Pérez. A diferença do líder para o segundo colocado, 1s1.
Desses, apenas Webber, Button e Pérez optaram por largar com os pneus médios. Olho neles, portanto: pilotos com estratégias diferentes, que poderiam aprontar.
Este primeiro trecho da prova foi de Hamilton. Com vento na cara, o inglês não conseguiu escapar de Vettel, mas tampouco foi ameaçado.
Na décima volta, o inglês abriu a janela de pits. Taí a explicação para a tal frase do “milagre”, lançada no sábado: ele sabia que os pneus macios não durariam muito no seu carro.
Maldonado e Di Resta também pararam. Na 11ª, Ricciardo, Bottas e Rosberg entraram. Vettel parou na 12ª, e Massa e Hulkenberg o seguiram. Alonso entrou na 13ª.
Na 14ª, a Lotus deu um show nos boxes: chamou Grosjean e Raikkonen, separados por poucos segundos, e trabalhou de forma impecável nos dois carros.
Assim, Webber (lembram?) chegou à ponta, sem passar pelos boxes e virando tempos muito parecidos com os da turma que tinha pneus médios novos.
Hamilton também se deu bem, saindo atrás de Button, mas ultrapassando o compatriota e chegando ao segundo lugar.
Vettel se deu mal: também saiu atrás de Button, mas ficou trancado, perdeu um pedaço da asa ao tocar o inglês e, de quebra, passou a enfrentar problemas no Kers.
Webber só parou na 24ª volta. Pérez também.
Enquanto isso acontecia, Vettel passava Button, e Grosjean se estranhava com o inglês na pista.
Achei que nunca fosse escrever isso, mas lá vai: na minha opinião, o francês foi vítima. Button escapou da pista e voltou como se não houvesse ninguém ali. Mas havia.
Ambos tiveram de passar pelos boxes e voltaram babando pra pista. Azar de Massa, que levou um passão de Grosjean.
(O francês seria punido depois, por ter saído da pista ao fazer a manobra. Um absurdo. Se a MotoGP usasse os critérios da F-1, Márquez teria sido punido pela manobra em Rossi em Laguna Seca. Ridículo…)
O top 10 na 30ª volta, Hamilton, Vettel, Alonso, Webber, Raikkonen, Grosjean, Massa, Button, Hulkenberg e Pérez.
Na 32ª, Hamilton e Massa pararam. O inglês voltou atrás de Webber, mas tomou a posição duas voltas depois.
Alonso entrou na 35ª.
Metade da prova, e Hamilton tornou-se líder novamente. E, com ótimo ritmo. Na 41ª, cravou a então melhor volta da corrida: 1min25s798.
Deve ter sido este o momento em que começou a acreditar em milagres.
Enquanto isso, Vettel passava Button, Pérez parava de novo e Raikkonen, conservando pneus como um monge, fazia seu último pit stop.
Na 44ª, Webber foi aos boxes e colocou novos médios: ou seja, ainda teria de parar para macios.
Grosjean entrou na 48ª. Alonso, na seguinte. Massa e Rosberg, logo depois.
Na 50ª, Grosjean passou Button.
Hamilton entrou na 51ª e, ao sair dos boxes, protagonizou um lance genial com Webber. Os dois se encontraram, e o inglês não aliviou. O australiano quase foi parar no rio Danúbio, mas conseguiu retornar à pista.
Vettel, líder fictício, parou na 56ª. Voltou atrás de Webber (lembram?), que ainda pararia.
O pódio, então, começou a ficar mais claro: Hamilton na ponta, com Raikkonen e Vettel brigando pela segunda posição.
Na 60ª volta, Raikkonen tinha 0s784 de vantagem para Vettel, que pisava fundo.
Foi quando Webber parou para, enfim, calçar os macios. Disputa aperta.
Raikkonen reagiu e abriu 1s4 na 62ª.
O que vinha sendo um voo de cruzeiro para Hamilton ganhou ares de agonia na 66ª volta: Rosberg encostou, com o motor fumando.
Mas não. Hoje não.
Deu Hamilton, enquanto lá atrás Vettel e Raikkonen se engalfinhavam, mas com o finlandês prevalecendo.
Completando o top 10, Webber, Alonso, Grosjean, Button, Massa, Pérez e Maldonado.
Sobre Massa, uma corrida apagada, insossa. Mais uma.
Com o resultado, Raikkonen chega a 134 pontos, supera Alonso por um ponto e é o novo vice-líder do Mundial.
Vettel continua na ponta, com 172.
A F-1 agora entra em férias, só retorna no final de agosto, em Spa.
Com a sensação de que esta vitória de Hamilton, blefe ou milagre, e este segundo posto de Raikkonen no Mundial abrem um sorriso enorme no alemãozinho…
Ou foi blefe de Hamilton ou testemunhamos uma intervenção divina neste domingo em Budapeste.
Após cravar a pole, no sábado, o inglês declarou que só venceria por milagre.
Pois bem. Venceu.
Foi sua 22ª vitória na carreira, o que o iguala a Damon Hill.
Foi a primeira pela Mercedes.
Mas o principal motivo da comemoração, acho: foi uma vitória daquelas para tirar a zica. Livrar-se de um peso nos ombros. Mostrar que um carro tão rápido pode, sim, ser um carro vencedor em suas mãos.
E foi merecido. Como foi…
Raikkonen ficou em segundo, com Vettel em terceiro.
Uma corrida quente, literalmente: 34°C no ar, 51°C no asfalto.
Na largada, Hamilton usou bem o lado mais limpo da pista e contornou a primeira curva na frente, seguido por Vettel e Grosjean.
Rosberg era o quarto, mas se enroscou com Massa no meio da volta e caiu para 12º.
O top 10 na primeira volta, Hamilton, Vettel, Grosjean, Alonso, Massa, Raikkonen, Webber, Button, Ricciardo e Pérez. A diferença do líder para o segundo colocado, 1s1.
Desses, apenas Webber, Button e Pérez optaram por largar com os pneus médios. Olho neles, portanto: pilotos com estratégias diferentes, que poderiam aprontar.
Este primeiro trecho da prova foi de Hamilton. Com vento na cara, o inglês não conseguiu escapar de Vettel, mas tampouco foi ameaçado.
Na décima volta, o inglês abriu a janela de pits. Taí a explicação para a tal frase do “milagre”, lançada no sábado: ele sabia que os pneus macios não durariam muito no seu carro.
Maldonado e Di Resta também pararam. Na 11ª, Ricciardo, Bottas e Rosberg entraram. Vettel parou na 12ª, e Massa e Hulkenberg o seguiram. Alonso entrou na 13ª.
Na 14ª, a Lotus deu um show nos boxes: chamou Grosjean e Raikkonen, separados por poucos segundos, e trabalhou de forma impecável nos dois carros.
Assim, Webber (lembram?) chegou à ponta, sem passar pelos boxes e virando tempos muito parecidos com os da turma que tinha pneus médios novos.
Hamilton também se deu bem, saindo atrás de Button, mas ultrapassando o compatriota e chegando ao segundo lugar.
Vettel se deu mal: também saiu atrás de Button, mas ficou trancado, perdeu um pedaço da asa ao tocar o inglês e, de quebra, passou a enfrentar problemas no Kers.
Webber só parou na 24ª volta. Pérez também.
Enquanto isso acontecia, Vettel passava Button, e Grosjean se estranhava com o inglês na pista.
Achei que nunca fosse escrever isso, mas lá vai: na minha opinião, o francês foi vítima. Button escapou da pista e voltou como se não houvesse ninguém ali. Mas havia.
Ambos tiveram de passar pelos boxes e voltaram babando pra pista. Azar de Massa, que levou um passão de Grosjean.
(O francês seria punido depois, por ter saído da pista ao fazer a manobra. Um absurdo. Se a MotoGP usasse os critérios da F-1, Márquez teria sido punido pela manobra em Rossi em Laguna Seca. Ridículo…)
O top 10 na 30ª volta, Hamilton, Vettel, Alonso, Webber, Raikkonen, Grosjean, Massa, Button, Hulkenberg e Pérez.
Na 32ª, Hamilton e Massa pararam. O inglês voltou atrás de Webber, mas tomou a posição duas voltas depois.
Alonso entrou na 35ª.
Metade da prova, e Hamilton tornou-se líder novamente. E, com ótimo ritmo. Na 41ª, cravou a então melhor volta da corrida: 1min25s798.
Deve ter sido este o momento em que começou a acreditar em milagres.
Enquanto isso, Vettel passava Button, Pérez parava de novo e Raikkonen, conservando pneus como um monge, fazia seu último pit stop.
Na 44ª, Webber foi aos boxes e colocou novos médios: ou seja, ainda teria de parar para macios.
Grosjean entrou na 48ª. Alonso, na seguinte. Massa e Rosberg, logo depois.
Na 50ª, Grosjean passou Button.
Hamilton entrou na 51ª e, ao sair dos boxes, protagonizou um lance genial com Webber. Os dois se encontraram, e o inglês não aliviou. O australiano quase foi parar no rio Danúbio, mas conseguiu retornar à pista.
Vettel, líder fictício, parou na 56ª. Voltou atrás de Webber (lembram?), que ainda pararia.
O pódio, então, começou a ficar mais claro: Hamilton na ponta, com Raikkonen e Vettel brigando pela segunda posição.
Na 60ª volta, Raikkonen tinha 0s784 de vantagem para Vettel, que pisava fundo.
Foi quando Webber parou para, enfim, calçar os macios. Disputa aperta.
Raikkonen reagiu e abriu 1s4 na 62ª.
O que vinha sendo um voo de cruzeiro para Hamilton ganhou ares de agonia na 66ª volta: Rosberg encostou, com o motor fumando.
Mas não. Hoje não.
Deu Hamilton, enquanto lá atrás Vettel e Raikkonen se engalfinhavam, mas com o finlandês prevalecendo.
Completando o top 10, Webber, Alonso, Grosjean, Button, Massa, Pérez e Maldonado.
Sobre Massa, uma corrida apagada, insossa. Mais uma.
Com o resultado, Raikkonen chega a 134 pontos, supera Alonso por um ponto e é o novo vice-líder do Mundial.
Vettel continua na ponta, com 172.
A F-1 agora entra em férias, só retorna no final de agosto, em Spa.
Com a sensação de que esta vitória de Hamilton, blefe ou milagre, e este segundo posto de Raikkonen no Mundial abrem um sorriso enorme no alemãozinho…
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
Canadá, história joga a favor de Hamilton*
* Por Lívio Oricchio
Está sendo desgastante para Lewis Hamilton assistir a seu companheiro de Mercedes, o alemão Nico Rosberg, celebrar três pole positions seguidas e a vitória na última etapa do campeonato, o GP de Mônaco. Hamilton venceu o Mundial em 2008, pela McLaren, e se transferiu para a Mercedes, este ano, ganhando três vezes mais dos 7 milhões de euros (R$ 19 milhões) pagos a Rosberg.
O jovem inglês de 28 anos, centro das atenções da imprensa britânica, convive mal com o sucesso de outro piloto com o mesmo carro. O que ainda o consola é o fato de estar na frente na classificação: Hamilton ocupa o quarto lugar, com 62 pontos, enquanto Rosberg, o sexto, 47. O líder é Sebastian Vettel, da Red Bull, com 107.
Mas se existe uma etapa em que Hamilton pode se impor não apenas em relação a Rosberg mas a todos os adversários é o GP do Canadá, sétimo do calendário, no fim de semana, em Montreal. Seu histórico nos 4.361 metros no circuito Gilles Villeneuve é impressionante: foi lá que em 2007, temporada de estreia na Fórmula 1, portanto sem conhecer a pista, Hamilton estabeleceu a primeira das 27 pole positions que possui e conquistou a primeira vitória das 21 obtidas. E aquela era a sua sétima experiência na Fórmula 1.
Mais: Hamilton venceu o GP do Canadá em duas outras ocasiões, em 2010 e 2012, sempre com McLaren. Isso quer dizer que foi primeiro em três das seis edições que disputou. “Gosto do circuito, embora não seja o meu favorito”, diz Hamilton. “É uma pista onde quem freia tarde leva vantagem.” E nesse aspecto o inglês está dentre os mais eficientes da Fórmula 1.
Terá contra si, porém, a falta de adaptação ao sistema de frenagem do modelo W04 da Mercedes, segundo confidenciou a amigos, sua maior dificuldade com o carro. Há seis freadas fortes no traçado da Ilha de Notre Dame, localizada no rio São Lourenço.
“É um circuito onde, ao contrário de Mônaco, adotamos acerto com bem pouca pressão aerodinâmica para ser veloz nos longos trechos de aceleração plena”, diz Hamilton. E esse tipo de ajuste expõe os pneus a esforços maiores, pois o carro escorrega mais e é menos estável nas freadas.
A Pirelli vai distribuir em Montreal os mesmos pneus supermacios e médios já utilizados no campeonato. “Será o nosso maior desafio na prova”, afirma Hamilton, referindo-se a administrar seu uso. “Apesar de atingirmos velocidades bem elevadas em alguns pontos da pista, as curvas são lentas, como em Mônaco, por isso acredito que seremos competitivos lá também.”
A Mercedes vai obter no Canadá importante informação: a vitória em Mônaco decorreu apenas das características do circuito, que não desgastam os pneus, ou as modificações introduzidas na suspensão e no direcionamento dos gases do escape no modelo W04 de fato preservam mais os pneus. Antes do GP de Mônaco a Mercedes havia estabelecido três pole positions, na China, em Bahrein e na Espanha, mas perdeu muito desempenho nas corridas por apresentar elevada degradação dos pneus.
Montreal está uma hora atrás em relação a Brasília. O primeiro treino livre do GP do Canadá, sexta-feira, sempre no horário de Brasília, começa às 11 horas. A classificação, sábado, às 14 horas, e a corrida, domingo, às 15 horas.
Está sendo desgastante para Lewis Hamilton assistir a seu companheiro de Mercedes, o alemão Nico Rosberg, celebrar três pole positions seguidas e a vitória na última etapa do campeonato, o GP de Mônaco. Hamilton venceu o Mundial em 2008, pela McLaren, e se transferiu para a Mercedes, este ano, ganhando três vezes mais dos 7 milhões de euros (R$ 19 milhões) pagos a Rosberg.
O jovem inglês de 28 anos, centro das atenções da imprensa britânica, convive mal com o sucesso de outro piloto com o mesmo carro. O que ainda o consola é o fato de estar na frente na classificação: Hamilton ocupa o quarto lugar, com 62 pontos, enquanto Rosberg, o sexto, 47. O líder é Sebastian Vettel, da Red Bull, com 107.
Mas se existe uma etapa em que Hamilton pode se impor não apenas em relação a Rosberg mas a todos os adversários é o GP do Canadá, sétimo do calendário, no fim de semana, em Montreal. Seu histórico nos 4.361 metros no circuito Gilles Villeneuve é impressionante: foi lá que em 2007, temporada de estreia na Fórmula 1, portanto sem conhecer a pista, Hamilton estabeleceu a primeira das 27 pole positions que possui e conquistou a primeira vitória das 21 obtidas. E aquela era a sua sétima experiência na Fórmula 1.
Mais: Hamilton venceu o GP do Canadá em duas outras ocasiões, em 2010 e 2012, sempre com McLaren. Isso quer dizer que foi primeiro em três das seis edições que disputou. “Gosto do circuito, embora não seja o meu favorito”, diz Hamilton. “É uma pista onde quem freia tarde leva vantagem.” E nesse aspecto o inglês está dentre os mais eficientes da Fórmula 1.
Terá contra si, porém, a falta de adaptação ao sistema de frenagem do modelo W04 da Mercedes, segundo confidenciou a amigos, sua maior dificuldade com o carro. Há seis freadas fortes no traçado da Ilha de Notre Dame, localizada no rio São Lourenço.
“É um circuito onde, ao contrário de Mônaco, adotamos acerto com bem pouca pressão aerodinâmica para ser veloz nos longos trechos de aceleração plena”, diz Hamilton. E esse tipo de ajuste expõe os pneus a esforços maiores, pois o carro escorrega mais e é menos estável nas freadas.
A Pirelli vai distribuir em Montreal os mesmos pneus supermacios e médios já utilizados no campeonato. “Será o nosso maior desafio na prova”, afirma Hamilton, referindo-se a administrar seu uso. “Apesar de atingirmos velocidades bem elevadas em alguns pontos da pista, as curvas são lentas, como em Mônaco, por isso acredito que seremos competitivos lá também.”
A Mercedes vai obter no Canadá importante informação: a vitória em Mônaco decorreu apenas das características do circuito, que não desgastam os pneus, ou as modificações introduzidas na suspensão e no direcionamento dos gases do escape no modelo W04 de fato preservam mais os pneus. Antes do GP de Mônaco a Mercedes havia estabelecido três pole positions, na China, em Bahrein e na Espanha, mas perdeu muito desempenho nas corridas por apresentar elevada degradação dos pneus.
Montreal está uma hora atrás em relação a Brasília. O primeiro treino livre do GP do Canadá, sexta-feira, sempre no horário de Brasília, começa às 11 horas. A classificação, sábado, às 14 horas, e a corrida, domingo, às 15 horas.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
CHINESE DEMOCRACY*
* Por Victor Martins
Foi um GP absurdamente tático, este da China, que proveu uma série de ultrapassagens, mas pouquíssimas brigas reais. A única que poderia ter acontecido de forma natural era Räikkönen-Hamilton pelo segundo lugar. Os dois andaram a corrida inteira juntos, variando aqui e ali na diferença das voltas em que pararam. Na primeira parte, Lewis andou na frente; na outra, Kimi, que conseguiu nos pits a ultrapassagem sobre o rival. Só que, apesar de ter chegado, o inglês não ameaçou o finlandês. E se a corrida tivesse mais uma voltinha, perderia o pódio para Vettel, que voava com os pneus macios postos no fim – na estratégia inversa da Red Bull; e só assim para passar.
Enquanto isso, Alonso reinava. Não teve muita dificuldade para se livrar de Hamilton depois de três voltas e poucos contos de réis. Fez uma prova à parte, tranquila e soberba, e até parecia que poderia andar mais forte. Um sintoma disso foi seu engenheiro ter pedido para que não forçasse no fim da prova quando estava andando rápido demais, que ouviu de volta: “Mas nem tô forçando”. A Ferrari tem um carro muito bem acertado para corridas. E pensando além, Vettel vai ter uma dificuldade imensa neste ano para conquistar o tetra. Os italianos acharam o caminho, a verdade, a vida.
E Alonso tem outro ponto a favor: essa Red Bull esquisita com uma guerra interna. Justamente no fim de semana em que eclodiu a animosidade explícita entre os dois pilotos, a equipe teve sua pior performance em anos. Teve de rebolar para achar um acerto minimanente decente nos treinos e, cônscia de que era uma Toro Rosso melhorada na classificação, agiu como time pequeno e pensou na corrida. Vettel mal conseguiu acompanhar o líder Hülkenberg no primeiro trecho da prova quando ambos partiram de pneus duros e dava dó – mentira – de como era ultrapassado sem piedade pelos demais no vaivém dos boxes. No fim das contas, o quarto lugar ficou de bom tamanho para manter o alemão na ponta do campeonato com 52 pontos, três à frente de Kimi – que já dá pinta de fazer uma temporada deveras constante como a de 2012.
Button foi o quinto com a McLaren que seguiu os passos da Red Bull: isto é, com ato de equipe mediana para tentar algo mais eficiente na corrida por saber que o carro não vai. E a impressão que passa é que Jenson tira mais do que pode deste limítrofe modelo, até vendo pelo que Pérez não tira. Aliás, Xangai acentuou as diferenças entre os companheiros de equipe. Webber fazia uma corrida discreta até bater bisonhamente com o primo Vergne, Rosberg não acompanhava a toada de Hamilton e logo abandonou, Grosjean e Pérez contentaram-se em brigar lá no pelotão do deusmelivre e Massa só foi bem na primeira parte, depois sumiu.
É onde esse avançado Massa precisa trabalhar melhor agora, a corrida. Na Austrália, andou na frente de Alonso, mas uma vez pra trás, empacou atrás de Sutil e Vettel. Não acompanhou em nenhum momento o ritmo de Red Bull e Mercedes na Malásia. E agora na China, estava no encalço de Alonso até a primeira parada e terminou a prova ameaçado pela Toro Rosso de Ricciardo-wow, que foi wow, mesmo. Alegou que os pneus estavam dando sinal de arrego – ora, o pneu é o mesmo para todos, e os de Alonso estavam bem, obrigado. A não ser que o acerto do carro não fosse dos melhores, o que se pode entender é que Felipe não trata os Pirelli da forma correta.
Di Resta, na dele, foi oitavo em um fim de semana ligeiramente melhor que Sutil. Grosjean completou a corrida, nada mais que isso, e Hülk, igual a Massa, caiu demais com o passar das voltas. Para quem andou tranquilamente à frente de Vettel, era possível imaginá-lo ali entre quarto ou quinto. Mas em décimo, serviu para me dar 50 lindos pontos no BRV.
Três etapas de naturezas distintas e resultados diversos. No tempo ameno da Austrália, a Lotus se deu bem sem ter o melhor carro na classificação – onde a Red Bull sobrou – e na corrida. A Ferrari foi claramente lenta na definição do grid e teve desempenho inverso na prova. Os taurinos foram discretos durante as 56 voltas em Melbourne, pouca coisa à frente da Mercedes no geral. Na quentíssima Malásia, um circuito de longas retas que requer muito do acerto do carro, a Red Bull se impôs no sábado e no domingo. Logo depois veio a Mercedes. A Lotus ficou relegada ao segundo pelotão. Quanto à Ferrari, só pelo desempenho de Massa, o negócio não foi bom, mas seria importantíssimo entender onde Alonso poderia chegar se não tivesse abandonado. E agora, na China de temperaturas acima do esperado, foi a vez da Red Bull sofrer uma queda acentuada no desempenho, perdendo terreno para Mercedes, Ferrari e Lotus em volta rápida. E Alonso mostrou que a Ferrari tem um carro absolutamente bem acertado para uma corrida, deixando os prateados e os aurinegros num mesmo patamar.
Se fosse para colocar numa ordem, seria a seguinte: em classificações, Red Bull – Mercedes – Ferrari – Lotus; em corridas, Ferrari – Red Bull – Lotus – Mercedes. Falta só a última vencer neste ano. O Bahrein tá logo aí na semana que vem.
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terça-feira, 26 de março de 2013
Na marca do pênalti*
* Por Luis Fernando Ramos
Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.
Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.
Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.
São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.
No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.
Se as consequências da confusão na Red Bull ainda não estão muito claras - eu apostaria numa postura conciliatória e não punitiva por parte da direção do time -, na Mercedes tudo aponta para que Ross Brawn saia como o grande derrotado do episódio ocorrido na Malásia.
Embora existam semelhanças entre as interferências das equipes na briga de seus pilotos, há uma diferença fundamental: na Mercedes, um carro (o de Hamilton) estava realmente no limite de sua resistência e o ritmo precisava ser dosado. O que vinha atrás (o de Rosberg) tinha sobras e, como o próprio piloto falou pelo rádio, poderia tentar pressionar e se aproveitar de qualquer eventualidade com a dupla da Red Bull. Ross Brawn não permitiu que isto acontecesse.
Rosberg, claro, não gostou. Hamilton também não gostou e disse que, na improvável hipótese de um cenário como este se repetir, cederia a posição ao companheiro de equipe. Niki Lauda, o consultor do time, condenou com veemência a ordem de Brawn. Toto Wolff foi mais conciliador, mas também indicou que a atitude será outra caso um episódio assim aconteça no futuro. Quando se reunirem novamente na fábrica em Brackley, todos olharão feio para o homem que passou o GP da Malásia fazendo sua velha política com o dedão enfiado no botão do rádio.
São os ventos da mudança soprando fortes nos campos da Mercedes. Nick Fry já deixou o time no último final de semana. Com a chegada iminente de Paddy Lowe no ano que vem, Brawn está com os dias contados. E, depois do ocorrido no último domingo, deve perder influência dentro do time até sua saída.
No fundo, esta é a melhor notícia de um domingo deveras confuso para a Fórmula 1. Afinal, o inglês esteve por trás de muitas das ordens de equipe recentes da categoria que tiveram o impacto de uma flecha no coração dos fãs de esporte. Quanto menos poder este tipo de gente tiver, melhor para todos nós.
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segunda-feira, 25 de março de 2013
“Desculpe, Webber, mas a vitória é minha”*
* Por Rodrigo Mattar
Mal começa mais uma temporada da Fórmula 1 e as polêmicas que vêm permeando a categoria máxima com alguma frequência nos últimos tempos aparecem mais cedo do que se imaginava ou esperava. A culpa, como aconteceu das outras vezes, é das equipes, que infelizmente querem desempenhar um papel muito maior do que os pilotos querem, devem ou podem fazer dentro da pista.
Tudo bem que as escuderias têm a sua importância na categoria, principalmente na parte política e na elaboração dos regulamentos técnicos. Mas os leitores e leitoras do blog hão de concordar que essa história de não poder haver disputa interna entre os pilotos de um mesmo time já deu o que tinha que dar.
Neste domingo de GP da Malásia, o clima ficou pesado em duas escuderias. A Mercedes, leia-se Ross Brawn, colocou Nico Rosberg na seguinte situação: “Fique atrás de Hamilton, na sua, quietinho, que os dois carros recebem a bandeirada.” O alemão, provando o quanto a atual geração de pilotos da Fórmula 1 é repleta de ‘coxinhas’, obedeceu e não partiu para dentro de Hamilton. O que Brawn fez neste domingo não foi muito diferente de nada do que fizera quando comandava a estratégia da Ferrari para favorecer Michael Schumacher em detrimento de Rubens Barrichello.
Hamilton mereceu a 3ª posição porque fez uma ótima corrida e teve méritos para conquistar o resultado. Mas será que Rosberg, em condições normais de temperatura e pressão, não teria chances de superá-lo? Pergunta que, pelo visto, não será respondida. E para provar que a atitude de Ross Brawn não foi das mais corretas, Niki Lauda queixou-se publicamente, querendo que houvesse competição entre os dois pilotos dos carros prateados – o que, no meu ver, seria o mais justo e o ideal.
Só que não existe justiça e o mundo ideal no automobilismo.
E na Red Bull hein? O que dizer do que aconteceu no time do touro vermelho, que sempre bateu no peito para dizer que ‘os pilotos lutam pela vitória em pé de igualdade’. Conversa das mais fiadas, porque Sebastian Vettel desobedeceu uma ordem via rádio, que determinara que desta vez a vitória deveria ser de Mark Webber. Houve briga, por duas voltas, entre os carros #1 e #2 pela liderança, desesperando toda a cúpula do time – leia-se Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey. A situação pesou quando Vettel passou por cima da tal ordem e superou o australiano para vencer a corrida, num revival do famoso entrevero entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi na Ferrari, no distantíssimo ano de 1982.
Como consequência do clima belicoso, o video acima mostra Webber, num gesto nada sutil, mostrando o dedo médio para Vettel e externando o seu descontentamento, mantido com sua cara de desaprovação no pódio e suas declarações após a corrida, descendo a lenha no companheiro de equipe – e na Red Bull, também.
“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final”, explicou. “Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim”, continuou.
“No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”, disparou. “Eu tirei o pé e comecei a cuidar dos pneus, e aí a disputa começou”, lembrou. “Fiquei decepcionado com o resultado da corrida de hoje”, finalizou o australiano.
Sem ter muito o que dizer a respeito de sua atitude, que lhe valeu a 27ª vitória na Fórmula 1, igualando outro tricampeão, o escocês Jackie Stewart, Vettel não teve outra saída a não ser pedir “desculpas” a Webber pela ultrapassagem e pela vitória. “Devia ter me comportado melhor”, admitiu o alemão. Concordo: em vez de ficar de ‘mimimi’ no rádio, como fez num determinado momento da corrida, que tentasse superá-lo no braço, como de fato o fez. Mas que não se arrependa de suas atitudes.
Chega a ser, no mínimo, uma ironia que um piloto que tem três campeonatos nas costas e outro nenhum, que ele chegue ao ponto de se desculpar por uma vitória que, no fim das contas, ele desejou e conquistou. No fundo, Vettel não quis se sentir 100% culpado de tudo – e nem é. Repito: a culpa é toda da Red Bull, como no passado já foi de outras equipes que tomaram atitudes semelhantes, tornando o clima pesado entre os pilotos. Desnecessário enumerar tais ocorrências, porque a própria história da Fórmula 1 nos mostrou quais foram os casos e os pilotos que pagaram caro com estas atitudes.
E assim, a categoria máxima vai se distanciando dos seus fãs. Que sujeito, em sã consciência, vai trocar algumas horas de sono reconfortante por uma corrida onde um vencedor, para posar de santo, se “desculpa” porque venceu? Desde quando é errado ganhar? Não faz parte deste esporte? Um vencedor, vinte e tantos perdedores? Ah… tenha santa paciência!
Vettel não precisava disso e a Fórmula 1 também não. Perde o tricampeão, perde a categoria, perde o esporte.
Daqui a pouco, serão os torcedores que vão dar uma de Mark Webber e mostrar o dedo aos pilotos e equipes, porque se existe o desrespeito ao público, ele poderá um dia correr o sério risco de ser recíproco e a audiência virar as costas para as corridas da categoria.
Se é que já não virou…
Mal começa mais uma temporada da Fórmula 1 e as polêmicas que vêm permeando a categoria máxima com alguma frequência nos últimos tempos aparecem mais cedo do que se imaginava ou esperava. A culpa, como aconteceu das outras vezes, é das equipes, que infelizmente querem desempenhar um papel muito maior do que os pilotos querem, devem ou podem fazer dentro da pista.
Tudo bem que as escuderias têm a sua importância na categoria, principalmente na parte política e na elaboração dos regulamentos técnicos. Mas os leitores e leitoras do blog hão de concordar que essa história de não poder haver disputa interna entre os pilotos de um mesmo time já deu o que tinha que dar.
Neste domingo de GP da Malásia, o clima ficou pesado em duas escuderias. A Mercedes, leia-se Ross Brawn, colocou Nico Rosberg na seguinte situação: “Fique atrás de Hamilton, na sua, quietinho, que os dois carros recebem a bandeirada.” O alemão, provando o quanto a atual geração de pilotos da Fórmula 1 é repleta de ‘coxinhas’, obedeceu e não partiu para dentro de Hamilton. O que Brawn fez neste domingo não foi muito diferente de nada do que fizera quando comandava a estratégia da Ferrari para favorecer Michael Schumacher em detrimento de Rubens Barrichello.
Hamilton mereceu a 3ª posição porque fez uma ótima corrida e teve méritos para conquistar o resultado. Mas será que Rosberg, em condições normais de temperatura e pressão, não teria chances de superá-lo? Pergunta que, pelo visto, não será respondida. E para provar que a atitude de Ross Brawn não foi das mais corretas, Niki Lauda queixou-se publicamente, querendo que houvesse competição entre os dois pilotos dos carros prateados – o que, no meu ver, seria o mais justo e o ideal.
Só que não existe justiça e o mundo ideal no automobilismo.
E na Red Bull hein? O que dizer do que aconteceu no time do touro vermelho, que sempre bateu no peito para dizer que ‘os pilotos lutam pela vitória em pé de igualdade’. Conversa das mais fiadas, porque Sebastian Vettel desobedeceu uma ordem via rádio, que determinara que desta vez a vitória deveria ser de Mark Webber. Houve briga, por duas voltas, entre os carros #1 e #2 pela liderança, desesperando toda a cúpula do time – leia-se Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey. A situação pesou quando Vettel passou por cima da tal ordem e superou o australiano para vencer a corrida, num revival do famoso entrevero entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi na Ferrari, no distantíssimo ano de 1982.
Como consequência do clima belicoso, o video acima mostra Webber, num gesto nada sutil, mostrando o dedo médio para Vettel e externando o seu descontentamento, mantido com sua cara de desaprovação no pódio e suas declarações após a corrida, descendo a lenha no companheiro de equipe – e na Red Bull, também.
“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final”, explicou. “Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim”, continuou.
“No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”, disparou. “Eu tirei o pé e comecei a cuidar dos pneus, e aí a disputa começou”, lembrou. “Fiquei decepcionado com o resultado da corrida de hoje”, finalizou o australiano.
Sem ter muito o que dizer a respeito de sua atitude, que lhe valeu a 27ª vitória na Fórmula 1, igualando outro tricampeão, o escocês Jackie Stewart, Vettel não teve outra saída a não ser pedir “desculpas” a Webber pela ultrapassagem e pela vitória. “Devia ter me comportado melhor”, admitiu o alemão. Concordo: em vez de ficar de ‘mimimi’ no rádio, como fez num determinado momento da corrida, que tentasse superá-lo no braço, como de fato o fez. Mas que não se arrependa de suas atitudes.
Chega a ser, no mínimo, uma ironia que um piloto que tem três campeonatos nas costas e outro nenhum, que ele chegue ao ponto de se desculpar por uma vitória que, no fim das contas, ele desejou e conquistou. No fundo, Vettel não quis se sentir 100% culpado de tudo – e nem é. Repito: a culpa é toda da Red Bull, como no passado já foi de outras equipes que tomaram atitudes semelhantes, tornando o clima pesado entre os pilotos. Desnecessário enumerar tais ocorrências, porque a própria história da Fórmula 1 nos mostrou quais foram os casos e os pilotos que pagaram caro com estas atitudes.
E assim, a categoria máxima vai se distanciando dos seus fãs. Que sujeito, em sã consciência, vai trocar algumas horas de sono reconfortante por uma corrida onde um vencedor, para posar de santo, se “desculpa” porque venceu? Desde quando é errado ganhar? Não faz parte deste esporte? Um vencedor, vinte e tantos perdedores? Ah… tenha santa paciência!
Vettel não precisava disso e a Fórmula 1 também não. Perde o tricampeão, perde a categoria, perde o esporte.
Daqui a pouco, serão os torcedores que vão dar uma de Mark Webber e mostrar o dedo aos pilotos e equipes, porque se existe o desrespeito ao público, ele poderá um dia correr o sério risco de ser recíproco e a audiência virar as costas para as corridas da categoria.
Se é que já não virou…
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