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sexta-feira, 1 de maio de 2015

SENNA ESPECIAL: PODERIA TER SIDO ASSIM...

Pintura de Oleg Konin, artista lituano

segunda-feira, 5 de maio de 2014

sexta-feira, 2 de maio de 2014

SENNA ESPECIAL: "Valeu Senna!"

* Por Ricardo Lellis

Esta edição GGOO News é especial. Nela, você voltará ao passado. Um passado de glórias, emoções , Vitórias Inesquecíveis. E, são estas lembranças que tenho de Senna. Até hoje, vejo e revejo as corridas. Mas, hoje, nesta coluna, vou fazer algo diferente. Como se fosse uma homenagem, vou voltar a 20 anos atrás e compartilhar com vocês o que foi, para mim, o momento mais triste da F1. O que vivi, o que senti. Como uma conversa entre amigos, onde dividimos todos estes sentimentos. 

Sábado 30/04/1994 

Naquela noite, como de costume, ia sempre ao Stravaganzza, uma casa noturna em Pinheiros, São Paulo. Lá, junto com os meus amigos, costumava curtir a noite . O DJ, um amigo meu, o Marcelo Barres ( que hoje toca nas festas da 97 FM), era tão apaixonado pela F1 , que dois sábados antes, parou a música, no meio da madrugada, para passar no telão a largada do GP do Pacífico(Circuito de Aida, no Japão, onde Senna ficou na primeira curva, após a batida de Hakkinen). Na época, era costume nosso, amantes da F1, arrumar um jeito de assistir ás corridas de madrugada, enquanto se divertia. E, nas rodas de conversa, sempre surgia o acidente fatídico de Ratzemberger, da Simtek, ocorrido nos treinos para a corrida. Assim, foi-se a noite e mais um domingo amanhecia, 

Domingo, 01/05/1994 

Naquela manhã, eu não voltei para a casa. Levei, de carona, dois amigos ás suas respectivas residências. Havia saído somente depois das 07:00 h do Stravaganzza. E entre um papo e outro, não me lembrei da corrida... 

Após deixa-los, resolvi procurar um lugar para tomar um café. O rádio sintonizava a Jovem Pan 2 FM e as músicas eurodance que eram febre na época. De repente uma lembrança: “- A corrida!!!”, mas aí começava outra música legal e eu esperava para mudar a estação. Resolvi ir até a Av. Paulista para tomar o café. Deixei o carro no estacionamento. Os funcionários ouviam atentamente um rádio. Era a corrida!! . Pensei em aproveitar que a lanchonete podia ter uma televisão e ia assistir ! Ledo engano. A lanchonete não tinha TV. Após o café, voltei ao estacionamento. Ao passar pela guarita dos funcionários, tentei prestar a atenção no rádio. E ouvi a palavra “acidente”... 

Parecia que algo me fazia esquecer da corrida.... Logo eu? que não perdia nenhuma? E, diferente da maioria das pessoas, eu não estava na sala de casa, ouvindo o Galvão. E, mesmo assim, “dava um branco”.. Como assim, esquecer da corrida ? Nunca fui assim ! Pois bem, ainda demorei um pouco de tempo, após sair do estacionamento para lembrar. E quando comecei a ouvir a narração do Nilson Cesar ( Jovem Pan 1 AM), que narrava as corridas, naquela época ( hoje, ele é o narrador titular da Rádio e quem acompanha a F1 é o Felipe Motta), comecei a me dar conta do que estava acontecendo. No começo pensei naqueles acidentes normais, de corrida. Mas, a cada fala, percebi que era algo mais grave do que eu pensava. 

A corrida acabou. Shumacher venceu. Neste momento já me dirigia para casa. A angustia começava a tomar conta. No rádio, Nilson Cesar, Claudio Carsughi e Milton Neves falavam. Ninguem queria acreditar. Os comentários sempre recheados de esperança. De que tudo ia dar certo. Que ele ia sair dessa. Era a nossa torcida e nosso pensamento. 

Cheguei em casa. Não saí do carro. Não conseguia tirar a atenção do rádio. E, veio o anúncio da morte cerebral. Triste. Milton Neves e Nilson Cesar, como todos nós, entoaram discursos otimistas. Na verdade, não queríamos o pior, não queríamos acreditar no pior. Aí entra a frieza europeia de Carsughi: “- Senna está praticamente morto”. Milton Neves chora no ar. Eu, entrei em casa chorando também. Triste, fui me preparar para ir ao Morumbi. S.Paulo x Palmeiras. Eu já tinha ingresso. Mas, tinha perdido a vontade de ir. Mas, como se quisesse espantar a tristeza, fui ao Estádio. 

Não vi e nem ouvi o anúncio oficial da morte. No caminho que levava ao estádio, um Palmeirense grita : “- Senna morreu! Acabou a F1”!! E, mais uma vez, eu não acreditei. Não queria acreditar! Só me dei conta, na homenagem, no minuto de silêncio no jogo. Duas torcidas, juntas, cantando o nome do Senna, em uma só voz. Parecia pesadelo. 

Segunda-feira, 02/05/1994 

Na segunda-feira, todos com rostos cobertos de tristeza. As notícias corriam. No rádio, na TV. Por que tinha que acontecer isso? Olha,eu não sei. A única certeza é, que, até hoje, foi o fim de semana mais triste da F1. 

Quarta-feira, 04/051994 

Resolvi prestar minha última homenagem. Eu, que o tinha visto em Interlagos, do antigo setor C, aquela vitória magnifica de 1993, precisava dar o adeus. Em companhia de duas amigas do Colégio, me dirigi ao Ibirapuera, para a Assembléia Legislativa de São Paulo, onde se realizava o velório. 

Chegando lá, a fila era enome. Para quem conhece o local, para ter uma idéia, o final da fila estava no Ginásio do Ibirapuera. Eram 18:30h da quarta. E eu só sairia dali, após prestar minha homenagem. Pouco importava o tamanho da fila e quantas horas ficaria ali. Na nossa frente, uma garota, com um quadro enorme de Senna, perguntava o porque disso tudo estar acontecendo. Imprensa do mundo todo estava lá. Espanha, França, Alemanha, Argentina, Itália. Em um dado momento, uma câmera da TV Italiana foi ligada e o povo entoou o nome de Senna. Me lembro bem quando o repórter indagou uma garota “- Mas vocês não estão tristes? Estão cantando ?” A garota responde : ‘- É a dor. Isto é apenas o que nos resta fazer”. 

Triste demais. Chegando na rampa da Assembléia, vi dezenas, centenas, milhares de coroas de flores, cartas, cartazes. Clubes de Automobilismo, de carros, pessoas anônimas, fãs. Todos querendo demonstrar o carinho pelo ídolo. Foi lindo ver isso, foi emocionante. Tanto que, como num impulso ,resolvi deixar ali, a bandeira do Brasil que eu carregava nas mãos. 

Adentrei ao saguão da Assembléia, ás 23:00h. Sem palavras. Só queria agradecê-lo. Os seguranças não deixavam as pessoas pararem. O caixão, com o capacete amarelo em cima, estava logo no começo do salão. Portanto, eram poucos segundos em que a sua visão alcançava. Mas,eu não me contentei com poucos segundos. Ao passar por ele, a cada passo, eu olhava para trás. Foi assim até o final. Na saída, já na escada, antes da porta, parei e olhei novamente. E, foi neste momento, que percebi que a alegria se foi. Que os domingos não seriam mais os mesmos. Que tudo tinha acabado. Tudo que eu não quis acreditar, veio á tona. Aquela maldita porta significava o fim de tudo .Minhas amigas estavam aos prantos. Deixamos o salão abraçados. 

Era como se tudo tivesse mudado. Tudo o que vivi naqueles dias : a manhã de domingo, o choro do Milton Neves, as torcidas no Estádio cantando o nome do Senna, as homenagens na TV, as notícias no rádio, pareciam ser apenas um pesadelo. 

Mas, não era. Confesso á vocês que só tive a coragem de rever a corrida, com a narração do Galvão, anos depois. 

Mas, o que me orgulha e que vou levar para o resto da vida, é ter tido a oportunidade de ter vivenciado esta época. Te ter visto o aparecimento em Monaco – 1984, com a Toleman. A primeira vitória em Estoril, em 1985. O título de 1988. A corridaça no GP Japão de 1989, apesar da canetada do Balestre, os títulos de 1990 e 1991. As corridas na chuva, a primeira volta de Donninghton Park , em 1993, e as vitórias em Interlagos. Eu, só tenho que agradecê-lo. Por ter me dado esta alegria. De poder falar que vi um dos melhores da história. 

Valeu Senna!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

SENNA ESPECIAL: "Dia Ayrton Senna do Brasil" (SporTV / SporTV2 ao vivo)

Para ler, clique na imagem acima
*** HORÁRIOS DAS TRANSMISSÕES ***
01/05/2014, 07:00h (horário de Brasília): GP de Mônaco 1984
01/05/2014, 08:00h (horário de Brasília): GP de Portugal 1985
01/05/2014, 09:30h (horário de Brasília): GP da Espanha 1986
01/05/2014, 11:00h (horário de Brasília): GP do Brasil 1986
01/05/2014, 12:30h (horário de Brasília): GP do Japão 1988
01/05/2014, 14:00h (horário de Brasília): GP do Japão 1989
01/05/2014, 15:30h (horário de Brasília): GP do Japão 1990
01/05/2014, 17:00h (horário de Brasília): GP do Brasil 1991
01/05/2014, 18:30h (horário de Brasília): GP de Mônaco 1993
01/05/2014, 20:00h (horário de Brasília): GP da Europa 1993
01/05/2014, 21:30h (horário de Brasília): SporTV Repórter
01/05/2014, 22:40h (horário de Brasília): Filme Ayrton Senna
02/05/2014, 00:30h (horário de Brasília): Linha de Chegada
02/05/2014, 02:00h (horário de Brasília): SporTV Repórter

quarta-feira, 30 de abril de 2014

SENNA ESPECIAL: Ayrton Senna - The Last Teammate


#SENNA20ANOS: O acidente e a morte de Senna em detalhes que você nunca viu*

* Por Lívio Oricchio

Não vi nada de diferente na rotina do hospital quando cheguei. Imaginava que haveria gente por todo o lado a fim de acompanhar uma eventual cirurgia em Senna. De imediato, compreendi que eu chegara bastante cedo ao hospital, a ponto de entrar no edifício e não ver um único jornalista. No fim de uma rampa que dá acesso a um saguão central, para onde todos se direcionam ao entrar no hospital, vi a primeira manifestação de que Senna estava lá.

Um policial, um Carabinieri, estava agitadíssimo. Alguém acabara de lhe dizer que o piloto se acidentara e há pouco havia chegado ao hospital, transportado de helicóptero. Ele tinha o chapéu na mão e dizia: "Meu Deus, o que é isso, não existe mais piloto como Senna, que corre com o coração".

Eu o ouvi enquanto entrava rapidamente no saguão principal, atrás de notícias. Estava mais tenso ainda. Mas ali não havia jeito. Se eu falhasse, provavelmente comprometeria o restante da minha carreira naquilo que tanto me dedicara para conseguir, ou seja, cobrir o Mundial de Fórmula 1 para a grande mídia brasileira. Cada vez que me lembrava disso ganhava força para deixar de lado minhas emoções.

Parei de pensar também nas reações que estavam ocorrendo no Brasil por conta do acidente de Senna, o que colaborou para eu me controlar.

Nesse momento, vi Roberto Cabrini, repórter da TV Globo, com quem sempre tive boa relação profissional, e, um pouco mais tarde, Celso Itiberê, o correspondente do jornal o Globo em Milão.

No Brasil, era domingo de manhã. Lembro-me de ter ligado para os jornais em que trabalhava, Estadão e Jornal da Tarde, além da Agência Estado, a fim de informar ao chefe de reportagem, Castilho de Andrade, que havia deixado o autódromo e me encontrava no hospital.

Eu pensei comigo: se Senna morresse, todas as atenções estariam lá na Itália, ao menos até o embarque do corpo para o Brasil. Eu estava sozinho, seria o responsável por levar aos leitores dos jornais da empresa um painel de informações de tudo. Era uma grande responsabilidade.

Isso fez eu me concentrar quase doentiamente no meu trabalho. Ao mesmo tempo, comecei a elaborar uma estratégia de cobertura. As notícias estariam no hospital, mas também no autódromo. Era imprescindível ouvir Frank Williams, dono da equipe de Senna, Patrick Head e Adrian Newey, os homens que assinaram o projeto do modelo FW16 pilotado por Senna.

Médicos realmente profissionais

Não encontrei no hospital um único cidadão que tivesse um mínimo de sensibilidade com o que estava se passando: um piloto de F1, ídolo em dezenas de países, mesmo na Itália, lutava para viver e os funcionários do hospital continuavam sendo mal-educados, grossos e desinteressados, mesmo com quem falasse em italiano com eles, como eu.

O que faltava de bom senso a essas pessoas sobrava nos médicos deslocados para o atendimento. Todos solícitos e não escondendo nenhuma informação. Fomos orientados a não subir ao 11° andar, mas era impossível atender o pedido do hospital. A notícia estava lá.

E eu não errei ao decidir pagar para ver. Logo que sai do elevador, encontrei um médico com roupas usadas no centro cirúrgico. "O senhor veio lá de dentro, viu o Senna, pode me dizer alguma coisa?", perguntei, meio afobado, primariamente, imaginando ouvir um desaforo.

Para a minha surpresa, nada disso ocorreu. Descobri tratar-se do doutor Servadei, um dos que atendeu Senna ainda na pista e o acompanhou, no helicóptero, até o hospital. Apesar de profissional, ele estava abalado. Com voz baixa, começou a descrever o que vivera naquela última hora.


Choque ao tirar o capacete

Ele é quem fala: "Antes mesmo de retirar o capacete, ficamos impressionados com a quantidade de sangue que o piloto perdia. Alguma artéria havia sido atingida com certeza e minha primeira preocupação era, uma vez exposta a cabeça de Senna, tentar conter a hemorragia. Quem orientou a complexa retirada do capacete foi o doutor Sid Watkins, o médico da FIA. Mas tão logo tivemos acesso a sua cabeça, sem o capacete e a balaclava, compreendi que Senna não sobreviveria", disse-me o doutor Servadei.

"Vimos que a base craniana estava aberta e ele perdia massa cefálica, cérebro, pelo corte de mais de um centímetro de largura que corria por trás das orelhas, de lado a lado da cabeça. Para mim, ele havia batido a cabeça no muro da curva Tamburello, em alta velocidade. Isso explicava aquele traumatismo generalizado da caixa craniana".

Depois de ouvir aquilo, estava claro para mim que não havia mais o que fazer. A morte de Senna era uma questão de tempo. Pouco tempo. Lembro-me de ter procurado um lugar para sentar e dizer a mim mesmo que aquilo era verdade. Eu estava em choque.

Nesse instante, passou um cidadão que, educadamente, me informou que os médicos do caso falariam no centro de conferências do hospital, no térreo. Profundamente abatido, sem saber o que pensar, fui para lá, sempre transportando o meu bloco de anotações e o velho computador laptop Toshiba 1000, uma peça de museu se comparada aos que uso hoje.

Atrás da mesa do centro de conferência ficaram, de pé, o doutor Domenico Cosco, a doutora Maria Tereza Fiandri, o doutor Andreolli, neurocirurgião, o doutor Servadei e o doutor Gordini, anestesista.

Não há nada que possamos fazer

O primeiro a falar foi Andreolli, que descreveu o quadro como o mais traumático possível. "Não existe uma área específica do crânio que podemos atuar para a reparação, tudo foi danificado no acidente. O traumatismo é generalizado, bem como os danos a todo o tecido nervoso", explicou.

Entre a minha conversa com o doutor Servadei, no 11° andar, e o início da conferência houve um intervalo de uma hora. Já haviam muitos repórteres no hospital para acompanhar o caso. Na sala de conferência, pude observar até mesmo doentes de pijama, internados, que sabiam da internação de Senna em estado de emergência. Desejavam mais notícias.

A consternação pelo anunciado pelo doutor Andreolli foi impressionante. As pessoas tomaram consciência de que Senna, ídolo de tanta gente, aquele que parecia imortal, morreria no máximo em questão de horas. Entrei em contato com o nosso chefe de reportagem para informar o que já apurara e o que viria pela frente.

Como eu teria de escrever um volume respeitável de textos naquele dia, Castilho sugeriu que eu já enviasse o primeiro com o que tinha até então. Achei prudente. Sentei numa das cadeiras da sala de conferência e conectei meu laptop em uma tomada que descobrira ali, próximo da mesa dos médicos, que já haviam deixado o local.

Comportamento irracional

Nesta hora, apareceu um cidadão, daqueles imbecis que há pouco citei, dizendo que não poderia ficar lá. "Vou fechar esta sala", disse, com a maior agressividade pensável. Eu lhe pedi que me desse uns 50 minutos para redigir um texto. Isso em nada alteraria a rotina do hospital. Outros jornalistas também manifestaram a necessidade de trabalhar.

Quase sem olhar para nós o indivíduo foi até o painel de controle de luzes da sala e nos ameaçou, com a mão nas chaves elétricas: se não saíssemos de lá naquele instante desligaria a luz do ambiente. Fechei meu laptop e fui embora.

Fui procurar o doutor Servadei novamente, o do helicóptero, que tão gentil se mostrara. Por sorte, o encontrei numa sala do térreo. Ele me deu mais detalhes: "A hemorragia que Senna tinha ainda na pista era tão violenta que durante o voo nós lhe demos litros de sangue". Ele também falou da perda de líquor, líquido cefalorraquidiano existente entre as camadas nervosas, a fim de protegê-las.

"Em decorrência da desaceleração sofrida pelo cérebro, Senna perdia massa cinzenta e líquor, o que começou a deformar rapidamente suas feições".

Toda vez que essas camadas são rompidas, o líquor, mantido sob elevada pressão entre elas, se espalha pelas cavidades que encontra, causando o inchaço de todos os tecidos. Em outras palavras, a cabeça de Senna estava se deformando rapidamente, ganhando volume.

Vida vegetativa

O doutor Gordini, o anestesista, próximo ao doutor Servadei, contou-me também outra passagem durante o voo de helicóptero até o Hospital Maggiore: "Senna teve uma depressão respiratória importante. Nós administramos drogas que reverteram o quadro. Mesmo que ele não tivesse sofrido todos os estragos no cérebro, decorrentes do impacto no muro, só aquela depressão já lhe teria causado danos irreversíveis no tecido nervoso. Ele teria apenas vida vegetativa. Seu cérebro recebeu pouco oxigênio durante um tempo precioso. No CTI, Senna chegou a ter uma parada respiratória. De novo, nós o reanimamos".

Observe que em nenhum momento os médicos falaram em afundamento do frontal, causado por algum componente do carro que se projetou na direção da cabeça no momento do impacto. Hoje, acredita-se que a barra que conecta a manga de eixo da suspensão dianteira direita ao conjunto mola-amortecedor, denominada push-rod, se soltou no choque do Williams no muro e se deslocou na direção do capacete de Senna.

A seguir a barra perfurou a viseira e pressionou a cabeça do piloto contra a parte de trás do cockpit. Essa compressão é que teria causado a fratura da base do crânio, descrita pelo doutor Servadei. A barra atingiu antes a artéria temporal, gerando a forte hemorragia.

Recapitulando: pouco antes das 16 horas eu já estava no Hospital Maggiore e conversava com o doutor Servadei, na porta do CTI. Às 16h30 a doutora Fiandri anunciou, no centro de conferências do hospital, que o neurocirurgião, doutor Andreoli, falaria sobre o estado de Senna. Ficamos sabendo que não havia como intervir cirurgicamente e que a morte era uma questão de horas.

Depois, voltei a falar com os médicos presentes no autódromo e eles me deram mais informações do atendimento. A doutora Fiandri, que se tornou uma espécie de porta-voz do grupo médico, nos avisou que só se pronunciaria se tivesse "alguma novidade".

Às 17h55, ela surge novamente no saguão principal do hospital, na porta do pronto-socorro. A esta altura, o hospital não mais permitia o acesso ao 11° andar, onde estava Senna, no CTI.

Morte cerebral

A doutora Fiandri estava visivelmente emocionada. Uma multidão de repórteres se aproximou para ouvi-la. Não se manifestou até que o silêncio foi feito. Eu estava ao seu lado. Com a voz embargada, a médica afirmou: "Senhores, o eletroencefalograma de Senna não acusa mais atividade elétrica". Deu uma pausa. Parecia estar se recompondo. "Senna tem morte cerebral". Saiu em completo silêncio, devagar.

Os profissionais de imprensa que permaneceram no autódromo, a esta altura, com o fim da corrida, já estavam no hospital. Para a maioria, aquele foi o primeiro contato com os médicos que cuidavam de Senna. A notícia causou comoção em todos. Quem estava lá já sabia que o desfecho do caso seria aquele.

Uma disputa intensa pelos telefones públicos seguiu. A telefonia celular de longa distância estava apenas começando. Não me lembro de ver alguém com celular na época.

O comunicado da doutra Fiandre informava, no fundo, a morte de Senna. Seu coração continuava batendo, mas não por muito tempo. Vi pessoas chorando, entre eles jornalistas muito emocionados também. Eu ainda não chorara, talvez por conta daquele preparo a que me submeti, dizendo a mim mesmo que, ao menos enquanto estivesse ali, atrás de informações, mantivesse a situação sob controle. Mas estava abalado, sem dúvida.

Todos nós, jornalistas, precisávamos nos comunicar com nossas bases, para, de novo, informar o andamento das notícias. A doutora Fiandri, por exemplo, disse que só voltaria a falar com a imprensa às 21 horas ou se "tivesse alguma novidade". Isso depois de anunciar a morte cerebral do piloto, às 18h05.

A verdade crua e dura

Às 19h05, ela surgiu de novo, proveniente do pronto-socorro. Não era onde estava o piloto. Com os olhos marejados, claramente havia chorado, falou em voz pausada, carregada de emoção, enquanto não se ouvia um ruído sequer a sua volta, apesar da presença de centenas de jornalistas. Todos precisavam ouvir para acreditar.

"Senhores, por favor...(tempo para respirar fundo). Desde as 18h40, Senna não registra mais atividade cardíaca", afirmou. Nova pausa. Ninguém se manifesta, silêncio absoluto. A doutora Fiandri sugere ter algo mais a dizer e todos se mantêm ao seu redor. Com os olhos cheios de lágrimas, afirma delicadamente: "Senhores, Senna está morto".

#SENNA20ANOS: SENNA: UMA PASSAGEM ENGRAÇADA ENVOLVENDO PROST*

* Por Betise Assumpção

Era segunda-feira 24 de maio de 1993 , um dia após a espetacular conquista do Ayrton em Monaco, registrando o recorde de 6 vitórias na mais glamorosa  de todas as corridas do mundo ! E tinha sido uma vitória particularmente difícil pois, no treino livre quinta-feira  , ele bateu forte e machucou feio o polegar esquerdo – era canhoto ). Depois de quase 48 horas sob os cuidados de seu fisioterapeuta  pessoal , o austríaco Joseph Leberer – com um coquetel de cremes , gelo e massagens – . Ayrton estava pronto para pista. ( esta foi uma corrida extraordinária e eu vou escrever mais sobre ela em algum momento )

Voltemos para segunda-feira. Londres. Ayrton me ligou à tarde ; tínhamos combinado de nos falar mais para que eu poder escrever minhas colunas para o Japão e o Brasil .

Ayrton : “Oi Betise , tudo bom ? Preciso de um favor “

Betise : ” Ah, é mesmo? ! Pensei que nós iríamos falar mais sobre a corrida ” , eu respondi rindo

Ayrton : ” Bem, isso também. Vamos conversar num McDonalds ” ?

Betise : “O quê? ! Tá brincando , certo? Você quer ir ao McDonalds e me arrastar também? Mesmo voce sendo meu chefe acho que é pedir um pouco demais” , ainda rindo , mas nem tanto!

Ayrton : “Não, não é para mim ! Adriane quer comer um Big Mac , você acredita nisso? “

Betise : “É claro que acredito . O que não posso crer  é que você esteja preparado para ir hahahah . Vou trazer minha câmera e fazer você autografar a foto para a posteridade “, ri mais alto ainda.

Senna : “Ok, muito engraçado. Onde é o McDonalds mais próximo? Estou no Berkeley. Podemos nos encontrar lá e falar sobre o fim de semana , enquanto Adriane come  seu hambúrguer “

Meia hora depois , nos encontramos no McDonalds da Kings Rd, subimos as escadas e entramos na fila .Era por volta de 15:00 , não tinha muita gente, mas eu percebi que  Ayrton estava com a  cara de ” oh , não, as pessoas estão começando a me reconhecer , eles vão me rodear e o  meu excelente humor vai desaparecer ” . Eu estava preparada para o pior. Mas … ninguém o reconheceu. ” Oh não , isso poderia ser o pior! ” , Pensei, rindo.

Chegou nossa vez. O cara atrás do balcão ficou olhando para Ayrton , depois para mim. Pro Ayrton e  para mim.

” Não o  reconheço de algum lugar?” , Disse ele para mim, mas apontando para Ayrton .

“Bem, eu não sei. Reconhece? ” , Eu respondi.

” Sim, sim , eu sei, ele é aquele piloto de corrida” , ai ele teve seu momento eureka . Ayrton e eu olhando para ele. “Eu sei, eu sei …. ( cavovaca o seu cérebro ) …….. Alain Prost ! “

Ainda consigo escutar o meu próprio riso ! ! Eu simplesmente explodi de rir . Nem mesmo a expressão nada feliz na cara do Ayrton me fez parar. Não durou muito, ainda bem. . A deliciosa sensação de vitória em Monte Carlo e a companhia da feliz  Adriane prevaleceu. E ele se juntou a mim numa risada gostosa – eu ainda não tinha conseguido parar !

Ele viu o lado engraçado da história. Mas comentou assim mesmo. ” Caramba … eu ganhei ontem, pela 6 ª vez . Em Mônaco ! ” . Todos nós rimos ainda mais alto !

Eu ainda moro perto daquele McDonalds e passo por lá praticamente todos os dias. Pena que eu não tenha levado minha  câmera. Bem, eu era valente- . Ainda sou. Mas não tão  valente.

terça-feira, 29 de abril de 2014

SENNA ESPECIAL: "20 anos sem Senna" (Revista GGOO News, edição 8)

Para ler, clique na imagem acima
Escrever um texto sobre Ayrton Senna não é uma tarefa fácil, não pelo sentido de falta de conteúdo ou algo similar, mas sim pelo fato de que temos que encontrar um meio-termo entre o fanatismo e o profissionalismo. Imagine então dedicar uma edição inteira a fatos relacionados ao tricampeão? 

No ano em que se completam os 20 anos de sua morte, a GGOO News relembra essa data com uma edição especial, onde relembramos o fatídico final de semana. Nas colunas, nossos colaboradores expressam suas opiniões em relação ao brasileiro e o futuro do automobilismo nacional com base na herança deixada por ele. 

Essa é mais do que uma simples edição, é a que mais dedicamos amor, a que mais ficamos emocionados. Uma boa leitura e um bom divertimento a todos!

#SENNA20ANOS: Lembrando o Ayrton*

* Por Betise Assumpção


Eu tive o privilégio e o prazer de trabalhar com Ayrton por mais de 4 anos e de tê-lo conhecido por outros 7 anos. Muito tem sido dito e publicado sobre ele;  é impossível  ser original e muito difícil de ser criativo. Então eu gostaria de marcar o seu aniversário com a publicação de alguns de suas melhores frases ao público e algumas coisas que ele disse para mim em particular.

Hoje (21/03) ele faria 54 anos.  Às vezes eu ainda acho que vou encontrá-lo em algum lugar: no Berkeley Hotel, onde ele costumava ficar quando em Londres; em Wimbledon, onde nós esbarramos em 1987; na Kings Road, quando ele trouxe sua última namorada Adriane Galisteu pra passear. Para celebrar sua vida eu vou  postar algumas histórias aqui a partir de hoje até 01 de maio.


Aqui estão as minhas citações escolhidas. Claro, eu não tenho nenhuma pretensão de definir o Ayrton com estas frases. Mas eu espero que elas o ajudem a conhece-lo melhor através de mim: Uma brasileira, amante de esportes e que nunca foi particularmente apaixonada por corridas de carros .

A coisa mais inesquecível que ele me disse : “Não dá pra piorar , Betise ” , ao sair do circuito de Aida , no Japão depois de eu dizer  a ele que esperava que a temporada européia fosse realmente melhorar tudo . Ele havia sido tirado da corrida por Mika Hakkinen e, consequentemente, permanecia com 0 pontos contra 20 de Michael Schumacher

O que eu mais concordo: “Eu não tenho ídolos. Admiro o trabalho , dedicação e competência. ” . Puro Ayrton .

Sobre corridas, a que eu mais admiro : ” Corro para vencer. Você faz algo muito bem ou não faz . ” . Simples e perfeito.

Sobre corridas, a que eu mais entendo : “Vencer é a única razão justificável para voce arriscar sua vida em tais circunstâncias absurdas ” .

O bom senso : ” Eu resisto a momentos ruins , assim como eu posso. Os bons eu só relaxo e desfruto . ”  Parece simples, mas você deveria ter visto seu rosto e tom de voz dizendo isso. Ayrton não dizia nada da boca pra fora.

Sobre sua vida privada: ” A maneira de preservar a sua imagem é não deixar as pessoas invadirem sua casa É uma maneira que eu encontrei para manter meus valores pessoais. ” . ( apenas seus amigos muito próximos e familiares conviviam com ele em suas diversas casas.

Sobre a morte : Eu não temo a morte. Um dia ela virá. É a única certeza na vida. “

Um dos mais brilhantes, sobre Mansell : ” Nigel é o único piloto que você consegue ver em ambos os espelhos retrovisores.” Alguém esqueceu Monaco,1992 ?

. . Sua volta perfeita : “Ainda está por vir. É como amarrar as duas extremidades da sua gravata de modo que elas sejam exatamente do mesmo comprimento. A experiência lhe diz que você pode fazê-lo , a prática diz que você pode fazê-lo , mas você. simplesmente não consegue. “

Melhor citação sobre Ayrton : “Às vezes eu acho que o próprio Deus dirige através do  Ayrton , assim como eu acho que  Deus escrevia  música através de Mozart ” , Peter Dick em um artigo entitulado “Por que não gostamos de Senna “

Sua motivação : “Às vezes, eu tento melhorar as  realizações de outras pessoas, mas, na maioria das vezes,  prefiro tentar melhorar as  minhas próprias realizações “

A mulher perfeita, uma vez  ele me disse: "Ela tem que ser sensual, fascinante, inteligente , bonita , alegre e segura de si mesma ” . Eu ri e respondi. "Conhecendo voce , eu quase acredito que vai encontrá-la."

#SENNA20ANOS: REMEMBER THE GREATEST FIRST LAP IN F1 HISTORY

1993 European Grand Prix [infographic] #RememberSenna
Source: McLaren.com

#SENNA20ANOS: 20 anos sem o maior de todos*

* Por Teo José


Começo nossa conversa dizendo que não sou muito chegado em datas comemorativas de pessoas que se foram e é bastante complicado comparar presente com futuro. Como no próximo dia 1ª de maio teremos a marca no calendário para se lembrar de 20 anos sem Ayrton Senna e já vejo reportagens e artigos sobre este momento, resolvi abrir mão de alguns critérios e também escrever. Faço isto na segunda-feira, na abertura da semana, para depois apenas observar.

O automobilismo entrou em minha vida pelas preferências televisivas de meu pai, que gostava de Fórmula 1 e na chácara da família, pertinho de Goiânia, em Senador Canêdo, sempre via as provas no domingo pela manhã. Eu quase nunca era companhia, mas passava por aquela TV de tubo e via uns dez minutos, saia, brincava e voltava. Nesta época, o preferido era Emerson Fittipaldi. Um piloto que abriu para mim, mais claramente as portas da TV esportiva, mais tarde, com a Fórmula Indy.

Depois tivemos a fase do Nelson Piquet e no meio dos anos 80 apareceu o Ayrton Senna. Nesta época já trabalhava em rádio, muito na àrea de programador e locutor da parte musical. Pouca coisa com esporte. Senna foi quem me fez interessar mais pela Fórmula 1 e procurar me especializar no jornalismo esportivo, voltado para o automobilismo. Comecei a mergulhar pra valer na carreira, um investimento próprio em todos os sentidos. Sempre me virava para cobrir corridas fora de Goiânia e, com muitas dificuldades, até mesmo de credenciamento no GP do Brasil.

Vivenciei, como em todas as situações, atitudes bacanas dele e outras nem tanto. Só que a admiração ao piloto, nunca foi arranhada. Sempre gostei de gente com espirito total de vencedor. Em uma época que as assessorias de imprensa e os contratos eram mais soltos, Senna também se comportava como líder. Me passava a ideia de que o prazer e a vontade de ganhar eram o combustível para sua carreira. Não havia a palavra desistir, por pior que estivesse o carro naquele momento ou naquela pista.

Gente que nasceu para ganhar. Gente que construiu o caminho para vencer. Sim, teve época que pilotava o melhor carro e poderia até ter algumas vantagens internas. Só que não foi isto que marcou sua carreira mas, sim, a determinação, a busca do objetivo que era sempre um só.

Pelo talento, pela busca diária em ser o melhor e postura o considero o maior de todos. Se iria ser campeão de novo e hoje ter números melhores do que este ou aquele, não sei, e no fundo não me importa. O que vale é o que vi e senti. Como disse no começo: é muito difícil comparar presente com passado. É questão de opinião.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

SENNA ESPECIAL: Série "Ayrton Senna do Brasil", episódio 2 (TV Globo, 2014)

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014