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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
F1: O fim da era de motores V-8
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Recorde e adeus*
* Por Luis Fernando Ramos
Alguns falarão de uma temporada aborrecida. Outros lembrarão de uma temporada histórica. Sebastian Vettel não se importa. Seguindo sua filosofia de viver um evento de cada vez, ele desceu do carro após vencer o GP do Brasil em Interlagos pensando na comemoração que faria à noite. Depois, na volta para casa. Os dois recordes que igualou ontem - o de vitórias consecutivas na Fórmula 1 (nove) e o de vitórias numa mesma temporada (treze) - ele quer deixar para o futuro.
- Espero fazer muito festa para depois subir no avião bastante cansado. Para mim, um recorde é apenas um número que olharei quando tiver menos cabelo e for gordinho. E acho que não dá para comparar a marca de nove vitórias de Alberto Ascari. Era uma era diferente, nos anos 50 as corridas eram mais compridas e os carros quebravam mais facilmente - destacou o campeão.
Num ano em que quase não deu chances para os adversários na pista, Vettel teve a presença de espírito para deixar espaço para a despedida da F-1 de seu companheiro de equipe Mark Webber, dando ao australiano a prerrogativa de responder a primeira pergunta nas entrevistas feitas no pódio. Depois, pagou tributo ao colega.
- Uma pena que ele está voltando para casa logo depois da corrida, seria legal tomarmos umas no bar. Nem sempre tivemos a melhor relação, não adianta mentir, mas sempre nos respeitamos, trabalhamos duro para a equipe obter por sucesso. Acho que não há nenhum ressentimento entre a gente e lhe desejo o melhor para o futuro.
Webber estava visivelmente feliz em deixar a categoria com um pódio - onde inclusive chegou a escorregar e cair na empolgação de abrir a garrafa de champanhe.
- Não poderia ter sido melhor. Foi uma boa briga com pilotos de qualidade e isso me deixa muito feliz e orgulhoso. Minha carreira na Fórmula 1 foi agradável, muito além do que eu imaginava quando comecei ainda na Austrália. Saio daqui orgulhoso.
Fernando Alonso, terceiro colocado, também demonstrou satisfação em encerrar o ano com um terceiro lugar, seu primeiro pódio em seis corridas. Mas admitiu que teria cedido o lugar para Felipe Massa caso o brasileiro estivesse em quarto lugar no final, posição que chegou a ocupar no meio da prova.
- Qualquer um faria o mesmo, daria a posição com o mais prazer. Falamos isso antes da corrida. Uma pena o drive-through estranho que ele recebeu, tirando a oportunidade disso acontecer. Mas ele fez uma boa corrida e pode deixar a Ferrari de cabeça erguida.
Alguns falarão de uma temporada aborrecida. Outros lembrarão de uma temporada histórica. Sebastian Vettel não se importa. Seguindo sua filosofia de viver um evento de cada vez, ele desceu do carro após vencer o GP do Brasil em Interlagos pensando na comemoração que faria à noite. Depois, na volta para casa. Os dois recordes que igualou ontem - o de vitórias consecutivas na Fórmula 1 (nove) e o de vitórias numa mesma temporada (treze) - ele quer deixar para o futuro.
- Espero fazer muito festa para depois subir no avião bastante cansado. Para mim, um recorde é apenas um número que olharei quando tiver menos cabelo e for gordinho. E acho que não dá para comparar a marca de nove vitórias de Alberto Ascari. Era uma era diferente, nos anos 50 as corridas eram mais compridas e os carros quebravam mais facilmente - destacou o campeão.
Num ano em que quase não deu chances para os adversários na pista, Vettel teve a presença de espírito para deixar espaço para a despedida da F-1 de seu companheiro de equipe Mark Webber, dando ao australiano a prerrogativa de responder a primeira pergunta nas entrevistas feitas no pódio. Depois, pagou tributo ao colega.
- Uma pena que ele está voltando para casa logo depois da corrida, seria legal tomarmos umas no bar. Nem sempre tivemos a melhor relação, não adianta mentir, mas sempre nos respeitamos, trabalhamos duro para a equipe obter por sucesso. Acho que não há nenhum ressentimento entre a gente e lhe desejo o melhor para o futuro.
Webber estava visivelmente feliz em deixar a categoria com um pódio - onde inclusive chegou a escorregar e cair na empolgação de abrir a garrafa de champanhe.
- Não poderia ter sido melhor. Foi uma boa briga com pilotos de qualidade e isso me deixa muito feliz e orgulhoso. Minha carreira na Fórmula 1 foi agradável, muito além do que eu imaginava quando comecei ainda na Austrália. Saio daqui orgulhoso.
Fernando Alonso, terceiro colocado, também demonstrou satisfação em encerrar o ano com um terceiro lugar, seu primeiro pódio em seis corridas. Mas admitiu que teria cedido o lugar para Felipe Massa caso o brasileiro estivesse em quarto lugar no final, posição que chegou a ocupar no meio da prova.
- Qualquer um faria o mesmo, daria a posição com o mais prazer. Falamos isso antes da corrida. Uma pena o drive-through estranho que ele recebeu, tirando a oportunidade disso acontecer. Mas ele fez uma boa corrida e pode deixar a Ferrari de cabeça erguida.
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terça-feira, 26 de novembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
ALGUÉM ME EXPLICA?
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Azares que se igualam*
* Por Luis Fernando Ramos
Fernando Alonso sempre diz que ao longo de um determinado período de tempo, a sorte se iguala. Se refere à possíveis azares com quebras mecânicas: se eu tiver duas no início de um campeonato, provavelmente meu oponente também terá duas até o final. Apesar do espanhol ser por vezes manipulador em algumas teorias suas, nesta ele é preciso. Explico a seguir.
No ótimo site do F1 Fanatic, um leitor fez um levantamento completo de todos os fatores que influenciaram as corridas da dupla da Red Bull nestas quatro temporadas e meia em que Sebastian Vettel e Mark Webber estão correndo juntos. O resultado é estarrecedor: ambos tiveram 33 falhas mecânicas - exatamente o mesmo número. Webber teve mais azar com problemas em pit-stops (7 a 2), mas Vettel definitivamente foi quem mais sofreu com abandonos resultantes dos contratempos em geral: 8 a 3.
Os números vão além de confirmar a teoria de Fernando Alonso. Eles encerram a teoria de que um time privilegia o trabalho em cima de apenas um carro. Mesmo de colegas da sala de imprensa, já ouvi muitas frases do tipo “é impressionante como só o carro de Webber que quebra”. O que não é verdade. Vale lembrar das quebras que Vettel sofreu quando liderava os GPs da Europa do ano passado e da Inglaterra deste ano. Foram cinquenta pontos jogados fora.
Muitos de nós criamos nossa cultura sobre a Fórmula 1 nos anos 70 e 80. Naquela época, realmente haviam mais quebras e era normal um time prestar mais atenção no carro de um piloto que estivesse na briga pelo título - e o outro sofria mais problemas por conta disso.
Mas a categoria mudou muito desde então, especialmente na questão da premiação. Hoje uma boa classificação no Mundial de Construtores garante uma boa saúde financeira, então as equipes cuidam muito bem de ambos os carros para poder sempre somar o maior número de pontos possíveis.
O que pode acontecer às vezes é de, no processo de desenvolvimento ao longo da uma temporada, a fábrica conseguir fazer apenas uma versão nova de um aerofólio ou de um assoalho para determinada corrida. Aí a equipe realmente prioriza quem ela acha melhor.
Tivemos o famoso episódio do GP da Inglaterra de 2010 com a reclamação pública de Mark Webber. E no ano passado, Fernando Alonso correu várias provas na fase final do Mundial com atualizações que não existiam no carro de Felipe Massa. É normal e uma peça dessas, quando funciona a contento, dá uma vantagem de uns dois décimos de segundo no máximo. Não é fácil, mas dá para o preterido tirá-la no braço.
Fernando Alonso sempre diz que ao longo de um determinado período de tempo, a sorte se iguala. Se refere à possíveis azares com quebras mecânicas: se eu tiver duas no início de um campeonato, provavelmente meu oponente também terá duas até o final. Apesar do espanhol ser por vezes manipulador em algumas teorias suas, nesta ele é preciso. Explico a seguir.
No ótimo site do F1 Fanatic, um leitor fez um levantamento completo de todos os fatores que influenciaram as corridas da dupla da Red Bull nestas quatro temporadas e meia em que Sebastian Vettel e Mark Webber estão correndo juntos. O resultado é estarrecedor: ambos tiveram 33 falhas mecânicas - exatamente o mesmo número. Webber teve mais azar com problemas em pit-stops (7 a 2), mas Vettel definitivamente foi quem mais sofreu com abandonos resultantes dos contratempos em geral: 8 a 3.
Os números vão além de confirmar a teoria de Fernando Alonso. Eles encerram a teoria de que um time privilegia o trabalho em cima de apenas um carro. Mesmo de colegas da sala de imprensa, já ouvi muitas frases do tipo “é impressionante como só o carro de Webber que quebra”. O que não é verdade. Vale lembrar das quebras que Vettel sofreu quando liderava os GPs da Europa do ano passado e da Inglaterra deste ano. Foram cinquenta pontos jogados fora.
Muitos de nós criamos nossa cultura sobre a Fórmula 1 nos anos 70 e 80. Naquela época, realmente haviam mais quebras e era normal um time prestar mais atenção no carro de um piloto que estivesse na briga pelo título - e o outro sofria mais problemas por conta disso.
Mas a categoria mudou muito desde então, especialmente na questão da premiação. Hoje uma boa classificação no Mundial de Construtores garante uma boa saúde financeira, então as equipes cuidam muito bem de ambos os carros para poder sempre somar o maior número de pontos possíveis.
O que pode acontecer às vezes é de, no processo de desenvolvimento ao longo da uma temporada, a fábrica conseguir fazer apenas uma versão nova de um aerofólio ou de um assoalho para determinada corrida. Aí a equipe realmente prioriza quem ela acha melhor.
Tivemos o famoso episódio do GP da Inglaterra de 2010 com a reclamação pública de Mark Webber. E no ano passado, Fernando Alonso correu várias provas na fase final do Mundial com atualizações que não existiam no carro de Felipe Massa. É normal e uma peça dessas, quando funciona a contento, dá uma vantagem de uns dois décimos de segundo no máximo. Não é fácil, mas dá para o preterido tirá-la no braço.
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domingo, 8 de setembro de 2013
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Webber tem razão na sua crítica?*
* Por Luis Fernando Ramos
A declaração de Mark Webber sobre a qualidade do grid atual da Fórmula 1 gerou polêmica. O australiano condenou a quantidade de pilotos pagantes fazendo número na categoria e destacou que, na sua estreia em 2002, haviam muito mais pilotos de qualidade no meio e no fundo do pelotão.
Li muita gente interpretando a crítica de Webber de maneira errada. Como se ele achasse uma era em que o domínio de Michael Schumacher era absoluto melhor do que a atual, com campeonatos que costumam juntar quatro campeões mundiais na disputa pelo título, às vezes correndo até por equipes distintas.
Mas não foi isso o que ele falou. A crítica do australiano foi em relação ao estado atual que impera nas equipes do meio e do fundo do pelotão. Em 2002, a realidade econômica da Fórmula 1 permitia que as equipes apostassem em jovens talentos. Novatos como Webber, Felipe Massa e Jenson Button faziam suas primeiras temporadas sem precisar trazer patrocinadores para correr. Acabaram se estabelecendo em equipes de ponta depois.
Hoje, as equipes nanicas do grid se tornaram um balcão de vendas para pilotos de talento questionável - Jules Bianchi é a única exceção. E mesmo as equipes médias estão se abrindo cada vez para pilotos com mais dinheiro do que qualidade. A crise financeira está matando o talento e é triste demais ver um piloto como o holandês Robin Frijns, campeão da World Series no ano passado, parando no meio da temporada da GP2 por falta de dinheiro, mesmo tendo vencido uma corrida.
Talvez faltou a Webber reconhecer que, em 2002, sobrava dinheiro na Fórmula 1: a presença de montadoras era cada vez maior, assim como o investimento feito por cada uma delas. A Toyota estava entrando na categoria com um projeto ambicioso, Ford e Renault tinham equipes próprias, BMW e Mercedes eram parceiras importantes de times de ponta.
Hoje o cenário é exatamente o oposto e recorrer a pilotos ricos em detrimento a talentosos virou a solução para a sobrevivência das equipes. Sem luz no fim do túnel da crise econômica, é urgente que equipes e dirigentes da F-1 encontrem uma maneira de cortar gastos drasticamente para que o talento volta a prevalecer.
A declaração de Mark Webber sobre a qualidade do grid atual da Fórmula 1 gerou polêmica. O australiano condenou a quantidade de pilotos pagantes fazendo número na categoria e destacou que, na sua estreia em 2002, haviam muito mais pilotos de qualidade no meio e no fundo do pelotão.
Li muita gente interpretando a crítica de Webber de maneira errada. Como se ele achasse uma era em que o domínio de Michael Schumacher era absoluto melhor do que a atual, com campeonatos que costumam juntar quatro campeões mundiais na disputa pelo título, às vezes correndo até por equipes distintas.
Mas não foi isso o que ele falou. A crítica do australiano foi em relação ao estado atual que impera nas equipes do meio e do fundo do pelotão. Em 2002, a realidade econômica da Fórmula 1 permitia que as equipes apostassem em jovens talentos. Novatos como Webber, Felipe Massa e Jenson Button faziam suas primeiras temporadas sem precisar trazer patrocinadores para correr. Acabaram se estabelecendo em equipes de ponta depois.
Hoje, as equipes nanicas do grid se tornaram um balcão de vendas para pilotos de talento questionável - Jules Bianchi é a única exceção. E mesmo as equipes médias estão se abrindo cada vez para pilotos com mais dinheiro do que qualidade. A crise financeira está matando o talento e é triste demais ver um piloto como o holandês Robin Frijns, campeão da World Series no ano passado, parando no meio da temporada da GP2 por falta de dinheiro, mesmo tendo vencido uma corrida.
Talvez faltou a Webber reconhecer que, em 2002, sobrava dinheiro na Fórmula 1: a presença de montadoras era cada vez maior, assim como o investimento feito por cada uma delas. A Toyota estava entrando na categoria com um projeto ambicioso, Ford e Renault tinham equipes próprias, BMW e Mercedes eram parceiras importantes de times de ponta.
Hoje o cenário é exatamente o oposto e recorrer a pilotos ricos em detrimento a talentosos virou a solução para a sobrevivência das equipes. Sem luz no fim do túnel da crise econômica, é urgente que equipes e dirigentes da F-1 encontrem uma maneira de cortar gastos drasticamente para que o talento volta a prevalecer.
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sexta-feira, 28 de junho de 2013
A PORTA QUE SE ABRE*
* Por Victor Martins
Voltamos à programação normal com a notícia que foi glicerina pura na manhã d’hoje, embora esperada: a confirmação de que Webber vai se mandar da F1 e do mundo opressor da Red Bull para voltar ao mundo dos protótipos pelas mãos da Porsche. É que já faz um pouquinho de tempo e tal, mas como é que ficam aqueles desmentidos tresloucados das duas partes, que absurdo, que acinte, oh!, nunca? E o australiano ainda veio dizer que nunca pensou em ficar… Tá lôco…
Webber vai fazer sua última prova no Brasil e completar 12 temporadas de mais fracassos que sucessos. Brigou na prática por um título na F1 e falhou, em 2010, depois de se acidentar andando de bicicleta e escondendo suas lesões até mesmo da Red Bull. Começou a carreira como destruidor de companheiros para terminá-la como escada de Vettel. Natural, então, que vá buscar outros ares numa casa que já conhece e que tem planos ambiciosos para o ano que vem, com a retomada do projeto de protótipos da casa alemã.
A porta que se abre na Red Bull tem três candidatos e nada mais: os dois da Toro Rosso, Vergne e Ricciardo, e Räikkönen. No ano que vem, a F1 vai passar por uma revolução com a chegada dos motores V6 turbo e seria temeroso para o time de Christian Horner e Adrian Newey contar com um rebento ainda inexperiente, o que escancara a casa para Kimi. Por outro lado, a STR tem como sua essência existir para prover pilotos ao time principal, tanto é que tem um conselheiro, Helmut Marko, dedicado a observá-los.
E tem Vettel nesta história. Amigo de Räikkönen, o alemão que revelou sua verdadeira face neste ano deve ter algum poder de decisão (ou de veto). Certamente ter Kimi ao lado há de incomodar, e um novo Webber na sua vida é garantia mais duradoura de reinado e passo ao título. Ingredientes postos, a verdade é que, se antes se olhava para a Ferrari com ansiedade para ver quem sentaria no carro de Massa, a Red Bull há de monopolizar os holofotes até seu anúncio oficial, acompanhada da Lotus, que vai fazer das entranhas coração para manter seu astro lacônico por mais algum tempo dando o ar de sua imensa graça.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
WEBBER DEIXA F1 E ASSINA COM A PORSCHE NO MUNDIAL DE ENDURANCE
Mark Webber anunciou na manhã desta quinta-feira que vai deixar a F1 e se juntar ao programa da Porsche no Mundial de Endurance (WEC), no ano que vem, informa o site TAZIO.
Os rumores sobre a transferência do australiano para a marca alemã eram fortes desde o início da temporada. Com o anúncio, abre-se pela primeira vez em cinco anos uma vaga na Red Bull – Kimi Raikkonen, amigo pessoal de Sebastian Vettel, é o mais cotado para assumir o posto.
“É uma honra ingressar na Porsche em seu retorno à categoria máxima em Le Mans e no Mundial de Endurance. A Porsche escreveu uma história como montadora e representa a tecnologia e o desempenho em seu mais alto nível”, declarou Webber.
“Estou muito ansioso por este novo desafio após minha passagem pela F1. A Porsche, sem dúvida, estabeleceu metas muito altas. Mal posso esperar para pilotar um dos protótipos mais rápidos do mundo.”
Além de Webber, a Porsche já confirmou Neel Jani, Romain Dumas e Timo Bernhard em sua operação na LMP1. No ano que vem, a companhia de Stuttgart retorna à principal classe do endurance após um hiato de 16 anos – a última vez que disputou as 24 Horas de Le Mans na LMP1 se deu em 1998.
“Estou muito satisfeito por ter assegurado Mark Webber no nosso projeto, pois ele é um dos melhores e mais bem-sucedidos pilotos de F1 da nossa era”, declarou Wolfgang Hatz, membro do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Porsche.
“Mark, sem dúvida, é um dos melhores pilotos do mundo. Tem experiência nas 24 Horas de Le Mans e, ainda por cima, é um entusiasta da Porsche há alguns anos.”
O diretor esportivo da Porsche, Fritz Enzinger, que trabalhou na BMW Sauber no fim dos anos 2000, também se mostrou entusiasmado com a chegada do australiano.
“Aprendi a apreciar as qualidades de Mark quando ambos estávamos envolvidos na F1. É um dos melhores pilotos que poderia imaginar para nossa equipe. Estou absolutamente encantado por termos um piloto tão regular e experiente no time a partir de 2014”, declarou.
Esta vai ser a primeira experiência de Mark Webber com protótipos. Em 1998 e 1999, ele disputou as 24 Horas de Le Mans nas classes GT1 e GTP com a Mercedes-Benz antes de retornar aos monopostos em 2000, para correr na F3000. Após garantir o vice-campeonato da categoria, se transferiu para a F1 em 2002, onde teve boas passagens por Minardi, Jaguar e Williams.
Em 2007, ingressou na Red Bull. Passou a vencer corridas e disputar títulos, mas nunca igualou o sucesso do companheiro de equipe Vettel, com quem manteve turbulento relacionamento. O ápice da crise aconteceu no GP da Malásia deste ano, quando o alemão venceu a prova ultrapassando o veterano sem o consentimento da equipe.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Porta de saída?*
* Por Rodrigo Mattar
O adeus de Mark Webber à Fórmula 1 deve acontecer ao fim desta temporada. O piloto australiano de 36 anos, que completou no recente GP do Bahrein a marca de 200 corridas disputadas, não deve seguir na Red Bull e tampouco na categoria máxima do automobilismo mundial.
Segundo informações da imprensa internacional, Webber não aguenta mais a convivência com Sebastian Vettel e, cansado de ser segundo piloto, já teria confidenciado a amigos que seu tempo na F-1 chegou ao fim. O piloto é proprietário de uma casa avaliada em € 2 milhões na região de Buckinghamshire, na Inglaterra – e também estaria com a intenção de vendê-la para voltar à sua terra natal.
Entretanto, no mês passado, muito se falou sobre uma transferência do piloto para o World Endurance Championship (WEC), onde a Porsche teria interesse em seus préstimos. O piloto refuta as negociações e a marca alemã, por seu turno, mantém o discurso. Os primeiros nomes anunciados para a campanha da LMP1 a partir do próximo ano são os de Romain Dumas e Timo Bernhard, que já são contratados da Porsche há alguns anos.
O adeus de Mark Webber à Fórmula 1 deve acontecer ao fim desta temporada. O piloto australiano de 36 anos, que completou no recente GP do Bahrein a marca de 200 corridas disputadas, não deve seguir na Red Bull e tampouco na categoria máxima do automobilismo mundial.
Segundo informações da imprensa internacional, Webber não aguenta mais a convivência com Sebastian Vettel e, cansado de ser segundo piloto, já teria confidenciado a amigos que seu tempo na F-1 chegou ao fim. O piloto é proprietário de uma casa avaliada em € 2 milhões na região de Buckinghamshire, na Inglaterra – e também estaria com a intenção de vendê-la para voltar à sua terra natal.
Entretanto, no mês passado, muito se falou sobre uma transferência do piloto para o World Endurance Championship (WEC), onde a Porsche teria interesse em seus préstimos. O piloto refuta as negociações e a marca alemã, por seu turno, mantém o discurso. Os primeiros nomes anunciados para a campanha da LMP1 a partir do próximo ano são os de Romain Dumas e Timo Bernhard, que já são contratados da Porsche há alguns anos.
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
ONDE ESTÁ WEBBER?
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Raikkonen, Webber e Perez sob pressão em Bahrein*
* Por Lívio Oricchio
Estabilidade emocional. Hoje na Fórmula 1 é tão importante quando a capacidade de saber acelerar. Alguns pilotos se apresentam para a quarta etapa da temporada, o GP de Bahrein, domingo, sabendo que profissionais da competição e fãs no mundo todo vão estar mais atentos ao seu trabalho.
É o caso de Kimi Raikkonen, da Lotus, candidato a ser o companheiro de Sebastian Vettel na Red Bull, em 2014, e Mark Webber, o eventual preterido se o finlandês for mesmo para lá. Mais: o time errou duas vezes com Webber na China, ao deixá-lo sem gasolina na classificação e não apertar uma roda num pit stop.
Em entrevista ao Estado, em 2010, Fernando Alonso disse não ser um problema correr por uma equipe tendo já contrato com outra. “Anunciamos que iria para a McLaren no fim de 2005 e disputei e ganhei o campeonato de 2006 pela Renault.” Mas essa não é a regra. Raikkonen já deu a entender em entrevista ao Estado que aceitaria fácil competir ao lado de Vettel na Red Bull. A dúvida é saber como ficará sua cabeça e a própria relação com a Lotus.
O proprietário da Lotus, Gerhard Lopez, disse ao site da revista inglesa Autosport não acreditar na saída de Raikkonen no fim do ano. “O relacionamento com Kimi é excelente.” O empresário sempre alega que o piloto tem total liberdade na Lotus, até mesmo de ir a poucos eventos promocionais, algo que não lhe agrada. E essa possibilidade de fazer o que deseja Raikkonen não teria em outra organização.
No ano passado, depois de assinar contrato com a McLaren, restando seis etapas para o encerramento da temporada, Sergio Perez não fez um único ponto pela Sauber. O próprio Perez iniciou sua trajetória na McLaren com dificuldades. O carro não ajuda e é sua estreia numa equipe vencedora. Conseguiu um nono lugar, somente, diante de um quinto e um nono do parceiro, Jenson Buton.
Paul Di Resta, da Force India, da mesma forma passou a produzir muito menos que o companheiro, o alemão Nico Hulkenberg, em 2012, ao saber que os contatos com Ferrari e McLaren não evoluíram. A queixa é dos integrantes da Force India.
Há quem acredite em má-fé da Red Bull com relação a Webber, em Xangai, depois de acusar o time no pódio do GP da Malásia de proteger Vettel, em seu detrimento. Christian Horner, diretor da Red Bull, afirmou tratar-se de uma besteira. É mesmo provável que não faça sentido.
É verdade, também, que Webber se apresenta no circuito de Sakhir sabendo que o dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz, deseja Raikkonen no seu lugar e que precisa recuperar os pontos perdidos em Xangai, por causa do abandono. E como já disse o mentor da escuderia, Helmut Marko, a estabilidade emocional não é o forte de Webber. Tanto Raikkonen quanto Webber terão de ser fortes para isolarem o que cerca seu futuro para produzir o seu melhor em Bahrein.
Manama, capital de Bahrein, era uma cidade tranquila, ontem. Não houve nenhuma manifestação política. A oposição ao regime monárquico da família Al Kalifa, no entanto, prometeu uma passeata para os dias da prova na estrada de acesso ao circuito de Sakhir. O calor é intenso nesse pequeno país árabe do Golfo Pérsico.
Por conta de entender que o desgaste dos pneus macios seria muito elevado no traçado barenita de 5.412 metros a Pirelli mudou os tipos disponíveis na prova: substituiu o macio pelo médio, mas manteve os duros. “Estamos prevendo três pit stops”, explicou Paul Hembery, diretor da Pirelli. Hembery se reunirá com representantes das escuderias em Manama. Adiantou ser possível endurecer um pouco os pneus para reduzir a degradação, se a maioria desejar.
Estabilidade emocional. Hoje na Fórmula 1 é tão importante quando a capacidade de saber acelerar. Alguns pilotos se apresentam para a quarta etapa da temporada, o GP de Bahrein, domingo, sabendo que profissionais da competição e fãs no mundo todo vão estar mais atentos ao seu trabalho.
É o caso de Kimi Raikkonen, da Lotus, candidato a ser o companheiro de Sebastian Vettel na Red Bull, em 2014, e Mark Webber, o eventual preterido se o finlandês for mesmo para lá. Mais: o time errou duas vezes com Webber na China, ao deixá-lo sem gasolina na classificação e não apertar uma roda num pit stop.
Em entrevista ao Estado, em 2010, Fernando Alonso disse não ser um problema correr por uma equipe tendo já contrato com outra. “Anunciamos que iria para a McLaren no fim de 2005 e disputei e ganhei o campeonato de 2006 pela Renault.” Mas essa não é a regra. Raikkonen já deu a entender em entrevista ao Estado que aceitaria fácil competir ao lado de Vettel na Red Bull. A dúvida é saber como ficará sua cabeça e a própria relação com a Lotus.
O proprietário da Lotus, Gerhard Lopez, disse ao site da revista inglesa Autosport não acreditar na saída de Raikkonen no fim do ano. “O relacionamento com Kimi é excelente.” O empresário sempre alega que o piloto tem total liberdade na Lotus, até mesmo de ir a poucos eventos promocionais, algo que não lhe agrada. E essa possibilidade de fazer o que deseja Raikkonen não teria em outra organização.
No ano passado, depois de assinar contrato com a McLaren, restando seis etapas para o encerramento da temporada, Sergio Perez não fez um único ponto pela Sauber. O próprio Perez iniciou sua trajetória na McLaren com dificuldades. O carro não ajuda e é sua estreia numa equipe vencedora. Conseguiu um nono lugar, somente, diante de um quinto e um nono do parceiro, Jenson Buton.
Paul Di Resta, da Force India, da mesma forma passou a produzir muito menos que o companheiro, o alemão Nico Hulkenberg, em 2012, ao saber que os contatos com Ferrari e McLaren não evoluíram. A queixa é dos integrantes da Force India.
Há quem acredite em má-fé da Red Bull com relação a Webber, em Xangai, depois de acusar o time no pódio do GP da Malásia de proteger Vettel, em seu detrimento. Christian Horner, diretor da Red Bull, afirmou tratar-se de uma besteira. É mesmo provável que não faça sentido.
É verdade, também, que Webber se apresenta no circuito de Sakhir sabendo que o dono da Red Bull, Dietrich Mateschitz, deseja Raikkonen no seu lugar e que precisa recuperar os pontos perdidos em Xangai, por causa do abandono. E como já disse o mentor da escuderia, Helmut Marko, a estabilidade emocional não é o forte de Webber. Tanto Raikkonen quanto Webber terão de ser fortes para isolarem o que cerca seu futuro para produzir o seu melhor em Bahrein.
Manama, capital de Bahrein, era uma cidade tranquila, ontem. Não houve nenhuma manifestação política. A oposição ao regime monárquico da família Al Kalifa, no entanto, prometeu uma passeata para os dias da prova na estrada de acesso ao circuito de Sakhir. O calor é intenso nesse pequeno país árabe do Golfo Pérsico.
Por conta de entender que o desgaste dos pneus macios seria muito elevado no traçado barenita de 5.412 metros a Pirelli mudou os tipos disponíveis na prova: substituiu o macio pelo médio, mas manteve os duros. “Estamos prevendo três pit stops”, explicou Paul Hembery, diretor da Pirelli. Hembery se reunirá com representantes das escuderias em Manama. Adiantou ser possível endurecer um pouco os pneus para reduzir a degradação, se a maioria desejar.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
O que aprendemos com o GP da Malásia de F1?*
* Por Felipe Giacomelli
O GP da Malásia foi uma daquelas corridas que ficam célebres não exatamente pelo que aconteceu em pista, mas por toda discussão provocada pelo comportamento dos pilotos em relação ao seu companheiro de equipe. A briga pela vitória entre as Red Bull de Sebastian Vettel e Mark Webber, por mais que tenha sido linda na pista, foi ofuscada por tudo que se ficou sabendo logo após a bandeirada.
De início, parecia que a disputa entre ambos era esportiva em sua essência, já que dois parceiros de equipe disputaram Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.
A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.
A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.
Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.
Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.
Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.
Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.
Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.
A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.
A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.
E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?
Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.
Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.
O GP da Malásia foi uma daquelas corridas que ficam célebres não exatamente pelo que aconteceu em pista, mas por toda discussão provocada pelo comportamento dos pilotos em relação ao seu companheiro de equipe. A briga pela vitória entre as Red Bull de Sebastian Vettel e Mark Webber, por mais que tenha sido linda na pista, foi ofuscada por tudo que se ficou sabendo logo após a bandeirada.
De início, parecia que a disputa entre ambos era esportiva em sua essência, já que dois parceiros de equipe disputaram Já se passou uma semana praticamente do polêmico fim de GP da Malásia, quando Sebastian Vettel desobedeceu a um acordo da Red Bull e ultrapassou Mark Webber nas voltas finais. Assim, passado o período de reflexão, resta perguntar o que aprendemos desde então? Acho que não muita coisa.
A maior lição que tiramos é que na F1 vale a máxima de que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade.
A principal mentira até agora é que é totalmente normal haver um acordo nas ultimas voltas para que dois pilotos de uma mesma equipe mantenham as posições e não duelem na pista. Em Sepang, isso não só aconteceu na Red Bull, mas também na Mercedes, onde Ross Brawn — sempre ele — impediu que Nico Rosberg passasse Lewis Hamilton pelo terceiro lugar.
Só que isso não deveria ser algo normal. É uma deformação do esporte criada pelas equipes, com a suposta justificativa de evitar desgaste do equipamento no fim da corrida, além de um eventual abandono duplo em caso de um acidente.
Mas em qual outro esporte acontece algo parecido? Será que no futebol há algum acordo para que o time que estiver na frente aos 30 minutos do segundo tempo saia vencedor? Com isso, o técnico poderia até poupar alguns jogadores. É algo que faz sentido na realidade brasileira, com os times precisando jogar toda quarta e domingo.
Ou então podemos falar de outro esporte de velocidade, como a natação. Talvez possa haver um pacto entre os atletas de quem fizer a última virada na frente será o vencedor. Dá para argumentar que são situações diferentes, pois na F1 acontece entre pilotos da mesma equipe, enquanto nessas modalidades seriam entre adversários.
Ok, mas o que me impede de montar uma equipe de natação e contratar quatro ou cinco atletas de ponta e propor algo assim entre eles. E quem garante que isso nunca aconteceu? Faria sentido pensar em algo assim em uma seletiva, por exemplo, para que um atleta se poupasse durante as eliminatórias de olho na decisão.
Só que isso não é esporte. A definição esportiva determina que o vencedor é o mais capaz durante todo o período de disputa. E se Webber tivesse ganhado na Malásia não seria isso p que teríamos visto. Esse acordo que existe é um assalto. Você assiste à corrida achando que ela vale até o fim, mas na verdade já há um pacto pelo vencedor.
A segunda mentira é que a Red Bull está muito desapontada com a atitude de Vettel. É claro que não estão. Webber é muito lúcido ao dizer que a equipe vai proteger o alemão. Prova disso é que o australiano deixou o GP da Malásia dizendo que iria rever a carreira e poderia deixar a equipe austríaca.
A resposta veio nesta quarta-feira, dia 26, quando o jornal alemão Bild disse que a equipe decidiu não renovar com o veterano para a próxima temporada. Coitado, que mal ele fez? Tudo o que queria era tentar vencer uma corrida, mas acabou usurpado nas voltas finais.
E a última mentira é que as pessoas, espectadores inclusive, se importam com jogo de equipe. Claro que não. Talvez se importem quando é um brasileiro envolvido, tendo que abrir mão de posição para um companheiro de equipe. Quando não tem um piloto do país, as justificativas das equipes até que parecem razoáveis não é mesmo?
Afinal, qual a diferença entre pedir para um piloto ceder uma posição e para outro não ultrapassar. Será que existe uma escala de desonestidade esportiva na F1? Assim, a Red Bull é mais boazinha que a Ferrari porque infringiu apenas algumas regras? Acho que não.
Para mim, embora já tenha lido que essa é uma opinião ingênua no meio da F1, os princípios do esporte devem ser respeitados. Só que não são quando a Ferrari rompe o lacre de Felipe Massa para beneficiar Fernando Alonso, ou obriga Rubens Barrichello a ceder a primeira posição. E também não são quando a Red Bull até cria um nome bonitinho – Multi21 – para manipular o resultado de uma prova.
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AZEDOU DE VEZ*
* Por Ivan Capelli
roda a roda – de maneira perigosa até – a liderança, aparentemente sem influência da equipe. O problema é que não foi exatamente assim. Após a última rodada de pit stops, a Red Bull escolheu Webber, que estava à frente, como vencedor. Pediu que os pilotos administrassem as posições, baixassem as rotações do motor e terminassem a corrida sem sustos. Mas Vettel desobedeceu as ordens, partiu pra cima e engoliu Webber. Estava feito o estrago.
E aí vem a mais contraditória das situações: os espectadores e fãs, em geral, detestam jogo de equipe. Querem ver briga na pista, e ela houve. Mas ninguém gostou da atitude do tricampeão e houve uma espécie de compaixão por Webber, por mais que normalmente todo mundo queira mesmo que um piloto mande ordens de equipe às favas. Que vença o melhor, não é isso? Vettel não foi o melhor?
Não. Simplesmente porque ambos estavam em condições desiguais. Webber obedeceu ordens, reduziu a potência, diminuiu o ritmo. Vettel ligou o foda-se, passou e não deu ao companheiro a chance de brigar em igualdade. Foi traíra. E de traíra ninguém gosta.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu na F1. Michael Schumacher fez o mesmo com Rubens Barrichello na última volta do GP de Mônaco de 2005 e foi a gota d’água para que o brasileiro antecipasse o rompimento de seu vínculo com a Ferrari. Em outro momento mais célebre, Didier Pironi colocou Gilles Villeneuve na mesma situação no GP de San Marino de 1982. E foi um evento até mais grave, já que o francês ultrapassou o canadense “ilegalmente”, mas tomou o troco. A equipe mandou tudo ficar como estava e Pironi desobedeceu de novo. E eles trocaram de posições mais duas vezes, enquanto Villeneuve acreditava piamente que ganharia a prova porque assim estava combinado. Quando Pironi cruzou a linha em primeiro, estava desfeita ali uma amizade, e para sempre. Gilles perderia a vida duas semanas depois num acidente quando tentava desnecessariamente superar o companheiro nos treinos em Zolder. O leite azedou de forma trágica.
Em Sepang, a própria equipe, pelo rádio, deu o recado para Vettel: “Isso foi infantil, Seb”. E desculpou-se com Webber: “Ele foi informado”. É admirável que o alemão tenha a sanha de vencer, que não queria ficar atrás de forma alguma, mas daí para escorregar no limite ético basta um passo. E Vettel cruzou essa linha hoje enquanto fazia uma bela ultrapassagem.
O resultado disso foi um pódio dos mais constrangedores da história da F1. Na antessala da premiação, Sebastian tomou uma reprimenda de Adrian Newey. Quando Webber chegou, nem olhou nos olhos do colega, passando reto. E esbravejou qualquer coisa, que só não virou bate-boca por causa das câmeras. No pódio, todos com cara de cu. Inclusive Lewis Hamilton, que só foi terceiro por ordem da equipe, que não deixou Nico Rosberg, visivelmente mais rápido, ultrapassar. Mas, neste caso, foi uma combinação devidamente cumprida. Lewis poderia estar constrangido, mas não houve desrespeito nem deslealdade.
Na coletiva, Webber foi bastante duro: “Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”. O australiano entende que o companheiro tem respaldo da equipe, que precisará se esforçar para demonstrar que não é bem assim. Até porque agora dificilmente Mark obedecerá ordem semelhante quando estiver em desvantagem. O relacionamento complicado na equipe, antecipado pela Revista Warm Up há 10 dias, azedou de vez. Vettel admitiu a culpa, pediu desculpas, mas isso não se resolverá assim. Ayrton Senna e Alain Prost nunca mais conseguiram conviver depois que o brasileiro fez algo similar em Imola, em 1989. E confiança, uma vez quebrada, nunca mais se reconquista.
Vettel, até então um sujeito de reputação inatacável, precisa tomar cuidado. Está virando o fio.
roda a roda – de maneira perigosa até – a liderança, aparentemente sem influência da equipe. O problema é que não foi exatamente assim. Após a última rodada de pit stops, a Red Bull escolheu Webber, que estava à frente, como vencedor. Pediu que os pilotos administrassem as posições, baixassem as rotações do motor e terminassem a corrida sem sustos. Mas Vettel desobedeceu as ordens, partiu pra cima e engoliu Webber. Estava feito o estrago.
E aí vem a mais contraditória das situações: os espectadores e fãs, em geral, detestam jogo de equipe. Querem ver briga na pista, e ela houve. Mas ninguém gostou da atitude do tricampeão e houve uma espécie de compaixão por Webber, por mais que normalmente todo mundo queira mesmo que um piloto mande ordens de equipe às favas. Que vença o melhor, não é isso? Vettel não foi o melhor?
Não. Simplesmente porque ambos estavam em condições desiguais. Webber obedeceu ordens, reduziu a potência, diminuiu o ritmo. Vettel ligou o foda-se, passou e não deu ao companheiro a chance de brigar em igualdade. Foi traíra. E de traíra ninguém gosta.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu na F1. Michael Schumacher fez o mesmo com Rubens Barrichello na última volta do GP de Mônaco de 2005 e foi a gota d’água para que o brasileiro antecipasse o rompimento de seu vínculo com a Ferrari. Em outro momento mais célebre, Didier Pironi colocou Gilles Villeneuve na mesma situação no GP de San Marino de 1982. E foi um evento até mais grave, já que o francês ultrapassou o canadense “ilegalmente”, mas tomou o troco. A equipe mandou tudo ficar como estava e Pironi desobedeceu de novo. E eles trocaram de posições mais duas vezes, enquanto Villeneuve acreditava piamente que ganharia a prova porque assim estava combinado. Quando Pironi cruzou a linha em primeiro, estava desfeita ali uma amizade, e para sempre. Gilles perderia a vida duas semanas depois num acidente quando tentava desnecessariamente superar o companheiro nos treinos em Zolder. O leite azedou de forma trágica.
Em Sepang, a própria equipe, pelo rádio, deu o recado para Vettel: “Isso foi infantil, Seb”. E desculpou-se com Webber: “Ele foi informado”. É admirável que o alemão tenha a sanha de vencer, que não queria ficar atrás de forma alguma, mas daí para escorregar no limite ético basta um passo. E Vettel cruzou essa linha hoje enquanto fazia uma bela ultrapassagem.
O resultado disso foi um pódio dos mais constrangedores da história da F1. Na antessala da premiação, Sebastian tomou uma reprimenda de Adrian Newey. Quando Webber chegou, nem olhou nos olhos do colega, passando reto. E esbravejou qualquer coisa, que só não virou bate-boca por causa das câmeras. No pódio, todos com cara de cu. Inclusive Lewis Hamilton, que só foi terceiro por ordem da equipe, que não deixou Nico Rosberg, visivelmente mais rápido, ultrapassar. Mas, neste caso, foi uma combinação devidamente cumprida. Lewis poderia estar constrangido, mas não houve desrespeito nem deslealdade.
Na coletiva, Webber foi bastante duro: “Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”. O australiano entende que o companheiro tem respaldo da equipe, que precisará se esforçar para demonstrar que não é bem assim. Até porque agora dificilmente Mark obedecerá ordem semelhante quando estiver em desvantagem. O relacionamento complicado na equipe, antecipado pela Revista Warm Up há 10 dias, azedou de vez. Vettel admitiu a culpa, pediu desculpas, mas isso não se resolverá assim. Ayrton Senna e Alain Prost nunca mais conseguiram conviver depois que o brasileiro fez algo similar em Imola, em 1989. E confiança, uma vez quebrada, nunca mais se reconquista.
Vettel, até então um sujeito de reputação inatacável, precisa tomar cuidado. Está virando o fio.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
A dupla vida de Sebastian Vettel*
* Por Luis Fernando Ramos
Fora do cockpit, Sebastian Vettel é pura simpatia. Atencioso com os fãs, sorridente e divertido com a imprensa, capaz de fazer um auditório cheio de ingleses rolar de dar risada ao rir de sua própria origem alemã, passando por cima de uma ferida histórica e difícil de cicatrizar. Um garoto gentil e afável, um cara do qual qualquer um gostaria de ter como amigo.
Quando coloca o capacete, porém, ele se transforma num predador que só se sacia com a vitória, um animal feroz treinado para destruir tudo e todos que se colocarem no meio de seu caminho. Uma característica que o colocou firme no caminho para se tornar um dos maiores recordistas da Fórmula 1. E, no último domingo, o colocou também em litígio com o próprio time que o ajudou a chegar onde está.
Esta dupla personalidade de Vettel ficou clara no último domingo. Dentro do cockpit, não fez a menor cerimônia em desobedecer as ordens que recebeu da Red Bull. Passou por cima delas, passou por Mark Webber na pista e fez um zigue-zague feliz pela reta dos boxes antes de receber a bandeira quadriculada por sua primeira vitória no ano, a 27ª da carreira.
Mas o animal feroz virou o garoto afável quando desceu do carro. E o garoto afável ficou chocado quando viu nos olhos dos outros membros da Red Bull o estrago que o animal feroz havia causado. Fechou a cara ao constatar que não é capaz de controlar o instinto de seu lado competitivo.
O que levou a Vettel cometer um ato tão controverso que foi capaz de levá-lo ao arrependimento? A resposta é mais simples do que parece. A corrida da Malásia mostrou que a Red Bull pode bater os adversários mesmo andando num ritmo moderado o tempo todo para poupar equipamento. Quando o carro resolver seus problemas de desgaste com os pneus, vão dar uma volta em cima do resto.
Na segunda corrida do ano, o animal feroz destruiu o que inteligentemente identificou como seu principal obstáculo em 2013. Mark Webber pode rodar a baiana o quanto quiser na imprensa. Mas já não é uma ameaça ao tetra de Vettel.
Fora do cockpit, Sebastian Vettel é pura simpatia. Atencioso com os fãs, sorridente e divertido com a imprensa, capaz de fazer um auditório cheio de ingleses rolar de dar risada ao rir de sua própria origem alemã, passando por cima de uma ferida histórica e difícil de cicatrizar. Um garoto gentil e afável, um cara do qual qualquer um gostaria de ter como amigo.
Quando coloca o capacete, porém, ele se transforma num predador que só se sacia com a vitória, um animal feroz treinado para destruir tudo e todos que se colocarem no meio de seu caminho. Uma característica que o colocou firme no caminho para se tornar um dos maiores recordistas da Fórmula 1. E, no último domingo, o colocou também em litígio com o próprio time que o ajudou a chegar onde está.
Esta dupla personalidade de Vettel ficou clara no último domingo. Dentro do cockpit, não fez a menor cerimônia em desobedecer as ordens que recebeu da Red Bull. Passou por cima delas, passou por Mark Webber na pista e fez um zigue-zague feliz pela reta dos boxes antes de receber a bandeira quadriculada por sua primeira vitória no ano, a 27ª da carreira.
Mas o animal feroz virou o garoto afável quando desceu do carro. E o garoto afável ficou chocado quando viu nos olhos dos outros membros da Red Bull o estrago que o animal feroz havia causado. Fechou a cara ao constatar que não é capaz de controlar o instinto de seu lado competitivo.
O que levou a Vettel cometer um ato tão controverso que foi capaz de levá-lo ao arrependimento? A resposta é mais simples do que parece. A corrida da Malásia mostrou que a Red Bull pode bater os adversários mesmo andando num ritmo moderado o tempo todo para poupar equipamento. Quando o carro resolver seus problemas de desgaste com os pneus, vão dar uma volta em cima do resto.
Na segunda corrida do ano, o animal feroz destruiu o que inteligentemente identificou como seu principal obstáculo em 2013. Mark Webber pode rodar a baiana o quanto quiser na imprensa. Mas já não é uma ameaça ao tetra de Vettel.
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A hora da atitude*
* Por Fábio Seixas
“A paz acabou na equipe campeã do mundo (…) A disputa começa a fugir do controle. A prova de ontem foi uma corrida de riscos desnecessários. Os dois andaram no limite do possível.”
O relato é de Mario Andrada e Silva, um dos melhores repórteres de F-1 deste país, e foi publicado nesta Folha em 24 de abril de 1989.
Tratava do GP de San Marino, disputado na véspera, em Imola. A corrida em que a cordialidade entre Prost e Senna foi para o vinagre.
Havia, ali, um acordo de cavalheiros entre os dois: não atacar na curva Tosa na primeira volta. Ambos concordaram que o risco seria grande. Era a segunda corrida do calendário, o campeonato apenas se esboçava, não valia a pena cometer loucuras.
Houve duas largadas. Na primeira, Senna manteve a ponta, mas a prova foi suspensa na quarta volta, depois que Berger arrebentou a Ferrari na Tamburello. Na segunda, Prost pulou à frente logo nos primeiros metros. Veio a Tosa. E acho que aqueles que não viram ou não se recordam podem agora imaginar o que Senna fez.
Foi a declaração de guerra, o estopim para a deflagração de uma das mais agressivas rivalidades do esporte. Prost levaria aquele campeonato 13 corridas depois, jogando seu carro sobre o do companheiro, em Suzuka. O brasileiro daria o troco no ano seguinte. Até o final da vida de Senna, ambos se odiariam e protagonizariam duelos épicos, para sorte do torcedor.
A gênese não é muito diferente do que aconteceu em Sepang, no domingo. Segunda corrida do campeonato longo, equipe dominante nos últimos anos, o piloto mais abusado desrespeitando um acordo, partindo para cima do mais cerebral, vencendo.
Vettel merece críticas pela deslealdade, mas também compreensão por ter feito valer o instinto de competidor. Mais críticas merece a Red Bull, por tentar suspender a disputa, o esporte. Como a Mercedes. Como a Ferrari, tantas vezes criticada pelo mesmo motivo neste espaço.
Mas o ponto é: e o Webber? Vai reagir? Vai endurecer? Vai chutar o balde e se tornar um adversário para Vettel?
Seria sensacional. O australiano não tem muito a perder. Aos 36 e na 12ª temporada na F-1, já começou o Mundial sabendo que provavelmente seria o último.
Desde 2010, quando começou o reinado da Red Bull, foram 60 GPs. Em 18, ou 30%, a primeira fila foi da equipe. É tentador imaginar o que poderia ter acontecido se não houvesse ordens via rádio.
Que Webber se rebele. Que decida não entrar na história como mais um subserviente. Que confronte publicamente a equipe _e a marca Red Bull_ com o irrefutável argumento do espírito esportivo.
Aqueles que não aguentam mais interferências do pitwall agradeceremos aliviados.
“A paz acabou na equipe campeã do mundo (…) A disputa começa a fugir do controle. A prova de ontem foi uma corrida de riscos desnecessários. Os dois andaram no limite do possível.”
O relato é de Mario Andrada e Silva, um dos melhores repórteres de F-1 deste país, e foi publicado nesta Folha em 24 de abril de 1989.
Tratava do GP de San Marino, disputado na véspera, em Imola. A corrida em que a cordialidade entre Prost e Senna foi para o vinagre.
Havia, ali, um acordo de cavalheiros entre os dois: não atacar na curva Tosa na primeira volta. Ambos concordaram que o risco seria grande. Era a segunda corrida do calendário, o campeonato apenas se esboçava, não valia a pena cometer loucuras.
Houve duas largadas. Na primeira, Senna manteve a ponta, mas a prova foi suspensa na quarta volta, depois que Berger arrebentou a Ferrari na Tamburello. Na segunda, Prost pulou à frente logo nos primeiros metros. Veio a Tosa. E acho que aqueles que não viram ou não se recordam podem agora imaginar o que Senna fez.
Foi a declaração de guerra, o estopim para a deflagração de uma das mais agressivas rivalidades do esporte. Prost levaria aquele campeonato 13 corridas depois, jogando seu carro sobre o do companheiro, em Suzuka. O brasileiro daria o troco no ano seguinte. Até o final da vida de Senna, ambos se odiariam e protagonizariam duelos épicos, para sorte do torcedor.
A gênese não é muito diferente do que aconteceu em Sepang, no domingo. Segunda corrida do campeonato longo, equipe dominante nos últimos anos, o piloto mais abusado desrespeitando um acordo, partindo para cima do mais cerebral, vencendo.
Vettel merece críticas pela deslealdade, mas também compreensão por ter feito valer o instinto de competidor. Mais críticas merece a Red Bull, por tentar suspender a disputa, o esporte. Como a Mercedes. Como a Ferrari, tantas vezes criticada pelo mesmo motivo neste espaço.
Mas o ponto é: e o Webber? Vai reagir? Vai endurecer? Vai chutar o balde e se tornar um adversário para Vettel?
Seria sensacional. O australiano não tem muito a perder. Aos 36 e na 12ª temporada na F-1, já começou o Mundial sabendo que provavelmente seria o último.
Desde 2010, quando começou o reinado da Red Bull, foram 60 GPs. Em 18, ou 30%, a primeira fila foi da equipe. É tentador imaginar o que poderia ter acontecido se não houvesse ordens via rádio.
Que Webber se rebele. Que decida não entrar na história como mais um subserviente. Que confronte publicamente a equipe _e a marca Red Bull_ com o irrefutável argumento do espírito esportivo.
Aqueles que não aguentam mais interferências do pitwall agradeceremos aliviados.
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quinta-feira, 28 de março de 2013
NÃO SEI SE VOU OU SE FICO*
* Por Victor Martins
A polêmica na Malásia deixou Webber, como já se sabe, levemente alterado, a ponto de fazê-lo repensar a carreira e tudo mais. Agora, com a cabeça mais fria, tanto o australiano quanto seu pai marsupial já negaram que o piloto vá fazer outra coisa que não estar no carro da Red Bull daqui algumas semanas no circuito de Xangai.
Mas agora é a Red Bull que não quer saber de Webber, segundo o Bild. Bom, é o Bild quem está dizendo, então o negócio tem de ser visto com uma amplitude de ressalvas, mas o periódico alemão crava que o episódio foi a gota d’água para que a cúpula decidisse pela saída do segundo piloto depois do fim desta temporada. As fontes do Bild apontam para um “piloto jovem”.
Na escala da vida rubrotaurina, a tendência mais evidente é olhar ali para o pessoal da Toro Rosso, Ricciardo ou Vergne. Se bem que tem ali o excelente Félix da Costa, que ainda está verde para a F1. E se for olhar para fora do grupo, Hülkenberg seria a melhor opção sem pestanejar — tirando Mito, claro.
Mas é algo bom para se debater: quem seria o melhor companheiro de Vettel para 2014?
A polêmica na Malásia deixou Webber, como já se sabe, levemente alterado, a ponto de fazê-lo repensar a carreira e tudo mais. Agora, com a cabeça mais fria, tanto o australiano quanto seu pai marsupial já negaram que o piloto vá fazer outra coisa que não estar no carro da Red Bull daqui algumas semanas no circuito de Xangai.
Mas agora é a Red Bull que não quer saber de Webber, segundo o Bild. Bom, é o Bild quem está dizendo, então o negócio tem de ser visto com uma amplitude de ressalvas, mas o periódico alemão crava que o episódio foi a gota d’água para que a cúpula decidisse pela saída do segundo piloto depois do fim desta temporada. As fontes do Bild apontam para um “piloto jovem”.
Na escala da vida rubrotaurina, a tendência mais evidente é olhar ali para o pessoal da Toro Rosso, Ricciardo ou Vergne. Se bem que tem ali o excelente Félix da Costa, que ainda está verde para a F1. E se for olhar para fora do grupo, Hülkenberg seria a melhor opção sem pestanejar — tirando Mito, claro.
Mas é algo bom para se debater: quem seria o melhor companheiro de Vettel para 2014?
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