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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um caso perdido*

* Por Luis Fernando Ramos

O final de semana em Xangai mostrou sinais positivos para a Lotus. Romain Grosjean colocou seu carro entre os dez primeiros nos treinos livres de sexta-feira, no seco, e na classificação no sábado, no molhado. Teria conquistado também o primeiro ponto do time no ano não fosse o problema no câmbio - o francês estava em décimo, à frente de Daniil Kvyat, quando abandonou na metade da corrida.

A má notícia para o time de Enstone veio do outro lado da garagem. Se alguém ali ainda tinha dúvidas do preço cobrado pelos petrodólares que Pastor Maldonado traz ao time, elas se dissiparam depois de (mais) um final de semana tenebroso do venezuelano: nos treinos livres, escapou da pista quando mexia distraído no volante e bateu na entrada dos boxes por pura imperícia.

Quando um vazamento no motor foi notado antes da classificação, a decisão de deixá-lo nos boxes foi natural: Maldonado já perderia cinco posições pelo acidente que havia provocado no Bahrein, não havia porque correr o risco dele demolir o carro novamente nas condições difíceis da pista na classificação. Na corrida, depois de largar em último fez uma prova discreta para terminar em 14º lugar. Ao menos não causou confusão.

Mas a pior manobra de Maldonado veio fora das pistas. O mundo inteiro achou leve demais sua punição pelo acidente com Gutierrez no Bahrein. Ele não, e resolveu atacar os comissários da FIA. “Foi leve, um contato normal de corrida. As regras são as mesmas para todos, então você precisa evitar incidentes. Mas ao mesmo tempo, não dá para disputar. Se você atacar e sua manobra não for clara ou o cara que está se defendendo a posição e você arriscam, você pode ser penalizado”, reclamou.

O sempre tranquilo Gutierrez foi quem melhor resumiu a atitude do colega. “Ele foi punido, então isso já diz tudo. E nem preciso discutir as imagens da televisão, porque são claras. O mais importante é saber reconhecer seus erros para analisar o que aconteceu e cuidar para que não se repita. Esse é o problema: ao que parece, Pastor não está reconhecendo seus erros, só vê as coisas de seu lado e não acho que isso é certo”.

É um problema grave. Velocidade, Maldonado tem. Mas sua história na Fórmula 1 é recheada demais de acidentes inexplicáveis, batidas de roda com colegas por estar de cabeça quente, a acusação estúpida de sabotagem feita à Williams no final do ano passado. Sua atitude é a de uma criança mimada e a esperança de que isso possa mudar diminui a cada lambança.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Duelos Internos 2014 – Lotus*

* Por Luis Fernando Ramos


A Lotus foi no mínimo ousada em juntar no mesmo time os dois “garotos enxaqueca” da Fórmula 1 atual. Mas não é uma aposta sem fundamento. Fundos, os dois trazem - Romain Grosjean é apoiado pela Total, Pastor Maldonado pela PDVSA. E potencial, também. Ambos já provaram que são velozes. Só falta provar que são constantes. E ficarem longe das confusões.

De certa forma, o francês mostrou no ano passado que está neste caminho. Teve uma sequência boa de pódios no terço final do campeonato e, no Japão, foi o piloto que mais chegou perto de interromper a hegemonia do binômio Vettel/Red Bull naquela fase. Os apelidos de “Crash Kid” e “Maluco da primeira volta” ficaram esquecidos e sua meta neste ano precisa ser crescer em cima dessa boa base.

Já o venezuelano segue uma incógnita. Sua velocidade inata ficou óbvia em Barcelona 2012. Mas sua performance no duelo interno contra Valtteri Bottas no ano passado - 12 a 7 a favor do finlandês nas classificações - geraram algumas dúvidas. Maldonado argumentou que foi um dos que sofreu com a delicadeza dos pneus e a ineficiência do carro: seu estilo agressivo não trazia bons tempos de volta e acabava com a borracha. Talvez ele volte a ser rápido com os compostos mais duros deste ano. Mas é papel de um bom piloto se adaptar à todas as condições que se apresentam e isto ele não fez.

Por isso tudo, aposto em Grosjean levando vantagem nessa briga. Está num melhor momento, conhece bem o time e, dos dois, parece ser o que melhor trabalhou para responder na pista as críticas que receberam em 2012. E você, o que acha?

Romain Grosjean
Número: 8
Local de Nascimento: Genebra (Suíça - corre com nacionalidade francesa)
Idade: 27
GPs disputados: 45
Vitórias: 0
Poles: 0
Melhores voltas: 1
Pontos: 228

Pastor Maldonado
Número: 13
Local de Nascimento: Maracay (Venezuela)
Idade: 28
GPs disputados: 58
Vitórias: 1
Poles: 1
Melhores voltas: 0
Pontos: 47

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As voltas que o dinheiro dá*

* Por Luis Fernando Ramos


A Lotus usou de bom humor para anunciar sua dupla de pilotos para a próxima temporada, formada por Romain Grosjean e Pastor Maldonado. Na conta do time do twitter foi publicada uma foto de um acidente entre os dois na época da GP2 com a legenda: “Você nunca esquece sua primeira vez”.

A ironia não esconde o fato do time de Enstone contar com dois dos mais erráticos pilotos dos últimos anos da Fórmula 1. Em 2012, Grosjean e Maldonado foram o principal alvo de críticas a um estilo de pilotagem irresponsável, causador de acidentes e que coloca a segurança dos outros em risco. O francês, inclusive, foi suspenso por uma corrida após provocar uma batida múltipla na largada do GP da Bélgica.

Mas neste ano Grosjean provou ter aprendido com os erros, admitindo ter recebido até mesmo uma ajuda psicológica para isso. Se mostrou na pista um piloto seguro e correto. O mesmo não pode ser dito de Maldonado, que fez manobras questionáveis até mesmo em cima do companheiro de equipe. Quem sabe, no time novo, se recupere como aconteceu com o francês.

A contratação do venezuelano por parte da Lotus também traz uma ironia histórica. Em 2005, ele fazia parte do programa de jovens pilotos da Renault, comandado justamente pelos diretores da equipe de Fórmula 1 em Enstone. Até causar um acidente absurdo na prova da World Series em Mônaco, ao atropelar um fiscal de pista depois de ignorar bandeiras amarelas agitadas no local de um acidente.

O piloto foi suspenso por quatro corridas e imediatamente expulso do programa da Renault. Além disso, foi banido de correr no Principado pelo resto de sua vida, decisão dos homens fortes do automóvel clube local. O governo venezuelano agiu rápido e conseguiu reverter a decisão depois de pagar uma multa milionária. E Maldonado pôde voltar a correr em Mônaco.

Agora, o mesmo dinheiro público da Venezuela vai garantir sua presença na equipe que, no passado, o havia dispensado. Dizem que dinheiro não compra talento. Mas, no estágio atual da F-1, quem precisa de talento quando se tem tanto dinheiro?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O TROCADO E O TROCO*

* Por Victor Martins


A chegada da Quantum à Lotus, revelada neste fim de semana do GP de Abu Dhabi, reabre as chances de Hülkenberg ser o substituto de Räikkönen em 2014.

Como já revelado por Américo Snowden Teixeira Jr., a Lotus assinou um contrato com Maldonado depois de ter mandado seus representantes à Venezuela para ajudar a PDVSA a livrar-se do vínculo com a precária Williams, em meio ao desespero de não ter dinheiro para garantir seu futuro — bem como o salário e os bônus de Räikkönen.

A questão é que o contrato de Maldonado tem uma importante cláusula que pode invalidá-lo com a injeção de dinheiro da Quantum na equipe na condição de acionista. Dinheiro que é evidentemente maior que a já qualificada quantia que Pastor carrega da petrolífera venezuelana e que põe o time nos trilhos a curto prazo.

Éric Boullier, pelo passado difícil e aterrorizante com Maldonado, quer Hülk. A Quantum, abertamente, idem. Mansoor Ijaz é o cara que representa a investidora árabe e já chega peitando, pela entrevista que deu à Autosport. Como Grosjean já está garantido para o ano que vem, a balança que pesava totalmente para Pastor se volta para o troco de Hülkenberg, defenestrado da Williams por conta do venezuelano em 2012.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pastor Maldonado já assinou com a Lotus para 2014*

* Por Américo Teixeira Jr.

É apenas uma questão de conveniência das partes envolvidas o anúncio oficial, mas o Diário Motorsport pode afirmar desde já que Pastor Maldonado já é piloto da Lotus. Contrato nesse sentido já foi assinado e o venezuelano formará dupla com o suíço Romain Grosjean. As fontes ouvidas em diversos países garantem isso.

Não nos foram disponibilizados detalhes do contrato, de modo que ainda não é possível afirmar se houve um desligamento total da PDVSA da Williams ou se houve alguma operação especial para acomodar a petrolífera venezuelana com a Total, que fornece combustível para a equipe sediada na Inglaterra.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O PASSADO QUE CONDENA*

* Por Victor Martins

Se Hülkenberg for adepto de algum ritual próximo à macumba, certamente tem um nome certeiro para colocar na boca do sapo. Favoritíssimo a subir na vida e ocupar um lugar na Lotus em 2014, o mais zicado piloto dos últimos tempos pode se ver novamente atrapalhado por Maldonado, que havia roubado do alemão o posto na Williams e nem parecia figurar na lista de candidatos da equipe.

Nico deposita suas fichas no apoio que Eric Boullier tem dado. O problema é o lado financeiro e o dinheiro que ainda não veio do grupo de investimentos Quantum.

Dias atrás, um diretor da Lotus viajou à Venezuela para uma reunião com a cúpula da PDVSA. O tema principal da conversa era a forma de rompimento de acordo da petrolífera com a Williams para que Maldonado esteja livre e solto e ocupe o lugar de Räikkönen no ano que vem.

Boullier já manifestou clara e abertamente que prefere Hülkenberg, mas hoje já veio com um papo de que o dinheiro pode pesar na escolha da Lotus. A pressão do dirigente, além de se basear na avaliação de que o alemão é melhor, conta com outro fator: as rusgas do passado com Maldonado.

Em 2005, Boullier era o diretor-técnico da equipe Dams na World Series e teve uma série de problemas com o venezuelano, então piloto do RDD, o então programa de pilotos da Renault. Nos primeiros treinos em Paul Ricard com o carro — que estava para sair de linha —, Pastor destruiu o velho Nissan e não deixou que José María López, o Pechito, testasse. Na volta aos boxes, Boullier desceu a lenha em Maldonado, que não deve ter entendido as broncas e eventuais xingamentos — todos em francês.

Meses depois, durante os treinos para a etapa em Mônaco, uma rodada de Patrick Pilet requereu a ação dos fiscais na Curva do Cassino, que agitaram as bandeiras amarelas. Um deles foi auxiliar no resgate e acabou atropelado por Maldonado, que tomou uma suspensão de nove corridas. No fim daquele ano, a Renault acabou expulsando Maldonado de seu curso de desenvolvimento no fim do ano por o piloto ter desobedecido uma ordem e participado da F3000 Italiana, atual AutoGP — onde venceu corridas.

Boullier nunca engoliu muito bem as histórias. Mas como há uma cúpula para definir quem senta no carro aurinegro, o dirigente tende a ser voto vencido na mendigante equipe.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Empresário define como “fantasia” contratação de Massa pela Williams*

* Por Lívio Oricchio

Alessando Aluni Bravi, empresário que trabalha com Nicolas Todt no gerenciamento da carreira de pilotos como Felipe Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi, dentre outros, definiu como “uma fantasia” a notícia de que Massa assinou um contrato de cinco anos com a Williams.

Em conversa exclusiva com o Estado, Bravi disse: “Fomos surpreendidos com a informação. Felipe já manifestou que correr pela Williams em 2014 seria uma boa opção, mas ainda não há nada certo. A Williams é, por enquanto, apenas uma opção para o seu futuro.” Falou mais: “Estão sabendo mais do que nós que negociamos”.

O empresário e Nicolas contaram que jornalistas de várias nações lhes foram perguntar no paddock do circuito Buddh, onde amanhã começam os treinos livres do GP da Índia, se procedia a notícia que surgiu no Brasil. “Em primeiro lugar, quem assina hoje um contrato de cinco anos na Fórmula 1? Sebastian (Vettel) renovou por duas temporadas, Lewis (Hamilton) tem um compromisso de três anos com a Mercedes. Essa é uma informação sem procedência e que só prejudica as negociações.”

Nesta quinta-feira, ainda, Bravi disse ao Estado que Massa irá desmentir a notícia. “A Williams é apenas um dos cenários para nós. Conversamos com Lotus, Force India e Sauber também. Nem mesmo chegamos ao nível de discutir prazo do contrato e detalhes de como seria nossa relação com a equipe.”

Apesar de não abordar o tema, a contratação de Massa pela Willliams parece estar atrelada à eventual saída de Pastor Maldonado. E Bravi e Nicolas negociam com outros times, visando viabilizar a transferência, pois Maldonado não nega estar insatisfeito na Williams.

“Não creio que teremos uma solução a curtíssimo prazo. Uma vez definido que pode ser esta ou aquela equipe, entramos na segunda fase da negociação, como prazo de contrato e tudo o que certa o compromisso com uma escuderia”, afirmou ao Estado, Bravi.

Massa na Williams significa Maldonado indo para a Lotus*

* Por Luis Fernando Ramos

Foi com pouquíssimas horas de sono, fruto de uma viagem longa que me deixou no hotel em Greater Noida às seis e meia da manhã, que vim ontem ao circuito de Buddh preparado para um dia que prometia ser agitado. A informação dada pelo colega Américo Teixeira Jr, um jornalista com muitos contatos nos bastidores do automobilismo, do acordo de cinco anos entre Felipe Massa e a equipe Williams gerou bastante agito no paddock, como esperado.

Já na extensa entrevista que fizemos com o piloto em Cingapura, a primeira corrida após confirmada sua saída da Ferrari, Massa havia colocado a Williams em sua lista de opções para 2014. Curiosamente, na ocasião ele mencionou o time espontaneamente. Vejamos:

PERGUNTA: Você disse que queria um carro que lhe trouxesse vitórias. Considerando o grid deste ano, quatro equipes venceram – e, entre elas, só a Lotus tem vaga. A McLaren também pode voltar a vencer caso resolva seus problemas. Seriam só essas duas possibilidades?

FELIPE MASSA: Não sei se são essas duas. Há outras equipes cujas fábricas têm potencial para fazer um carro competitivo também. Por exemplo uma Williams [pausa], Force Índia, Sauber. Não sei. Estamos trabalhando para achar o melhor caminho possível.

Ontem foi interessante ouvir aqui no circuito de Buddh todos os personagens envolvidos na negociação e apurar nos bastidores o estágio dela. Me chamou a atenção a sintonia entre o discurso da chefe do time inglês, Claire Williams, e o do piloto brasileiro.

Claire: “Estamos num ponto da temporada que não anunciamos nossa dupla de pilotos e nem estamos em posição de fazer isso, então não posso comentar sobre esses rumores. É especulação pura” - me disse ela, antes de fazer depoimento um tanto positivo sobre a história de pilotos brasileiros na Williams.

Massa: “Converso com algumas equipes, inclusive a Williams, mas não é a hora certa de falar. Quando for o momento certo, vou falar. Não acho que vai demorar muito, espero ter uma definição o mais rápido possível”.

Os indícios de uma conversa bem encaminhada estão ali, mas as pontuações sobre a impossibilidade de confirmar a informação e a maneira com que ambos falaram isso me deram a impressão de que era mais do que uma negativa esperada antes do anúncio oficial: era um sinal de que ainda haviam alguns pontos a serem esclarecidos. Um namoro sério, mas que ainda não havia sido lavrado em cartório. Isso se confirmou depois: ainda ontem, os representantes do piloto e a direção do time se sentaram no circuito para uma nova rodada de conversas. Ainda faltava uma peça para encaixar no quebra-cabeça.

O nome dela é Pastor Maldonado. Para mim, foi a entrevista mais reveladora da quinta aqui na Índia. Eu disse à ele que havia a notícia de um acordo fechado de Massa na Williams para substituí-lo e que, como ambos tinham o mesmo empresário, ele saberia exatamente o que estava acontecendo.

“A situação é bem clara. Eu tenho um contrato com a Williams para 2014 e ainda não decidimos o que vamos fazer para a próxima temporada. Se eu decidir sair, alguém tem de entrar na equipe. Para o Felipe, desejo o melhor, assim como para o Brasil, que tem torcedores fanáticos. A decisão ainda não foi tomada e temos de esperar os próximos dias. Mas com certeza estarei na Fórmula 1 no ano que vem”. Insisti: “certeza absoluta?” Ele foi incisivo: “Absoluta”.

Pouco antes, na conversas com a televisão, o repórter da Globo Marcelo Courrege perguntou a Maldonado qual era o desejo dele para o ano que vem, ficar na Williams ou ir para outra equipe? “O que eu quero é um carro um pouco mais competitivo para lutar pelos pontos”. Me parece óbvio que ele quer sair do time de Grove mas que, se não conseguir, vai ficar por lá.

Assim, para Massa entrar na Williams, Maldonado terá de sair. A chave era olhar não para a situação do brasileiro, mas a do venezuelano. É claro que Nicolas Todt não iria jogar na sarjeta um piloto seu, Pastor, em favor de outro, Felipe. Era preciso costurar um acordo que deixasse ambos os satisfeitos.

Massa, como também afirmou ontem, não trará dinheiro. “Não sou um piloto pagante”, afirmou. Maldonado, sabemos, traz. E, aparentemente, muito. Foi importante entender ontem que o apoio que ele recebe da PDVSA não é afetado pela investigação de corrupção lançada na Venezuela. Alguns pilotos do país realmente se aproveitaram de subterfúgios para superfaturar contratos de patrocínio. Mas o da petrolífera local na Fórmula 1, garantiram todo mundo que ouvi, é sólido.

O que ganhou força aqui na Índia nas últimas horas é que Pastor Maldonado está perto de se acertar com a Lotus. A PDVSA garantiria o suporte financeiro que a equipe de Enstone tanto necessita e, por ter contrato com a Williams até 2015, permaneceria pagando também lá (se é a soma integral do acordado ou apenas parte, não sei). E, aí entra o trabalho de Nicolas Todt: a petrolífera indicaria Massa como substituto do venezuelano. Outros pilotos também conversam com o time inglês, mas este argumento ajuda a colocar o brasileiro acima de todos eles.

Juntando todas as informações acima: a do Américo, a dos personagens envolvidos, as ouvidas de boas fontes aqui na Índia. Massa está muito bem encaminhado com a Williams, os principais pontos foram acordados, mas não há um acerto formal ainda - e este seria de dois anos de duração, não de cinco, de acordo com as fontes que ouvi. A assinatura de um contrato depende de um eventual acerto de Pastor Maldonado com a Lotus - ou eventualmente com uma Force Índia, mas o time de Enstone é o alvo principal do venezuelano. Pelo que ouvi de boas fontes, Eric Boullier é contra. Prefere (com absoluta razão) que o time se acerte com Nico Hülkenberg. Mas o dono do time Gerard Lopez é um homem de negócios e está inclinado em apostar na segurança financeira que Maldonado traria, uma vez que o dinheiro prometido do grupo de investimentos Infinity parece que não vai chegar.

É de se esperar que o desejo do dono da Lotus prevaleça sobre o do chefe da equipe. Neste cenário, o pobre Hülkenberg, que tem qualidade suficiente para estar num time de ponta há tempos, deve voltar para a Force Índia, algo que Eddie Jordan afirmara já em Suzuka.

Como disse Pastor Maldonado, temos de esperar os próximos dias. Pela efervescência dos bastidores aqui no paddock, não deve mesmo ir muito além disso.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Tempos difíceis para Pastor Maldonado*

* Por Luis Fernando Ramos

Em 2011, a Williams foi buscar nos petrodólares da PDVSA o mesmo suporte financeiro que encontrou no final dos anos 70 com os sauditas. A repetição do modelo não garantiu o mesmo sucesso. Em que pese o triunfo no GP da Espanha do ano passado, fruto de uma improvável conjunção de fatores, o time continuou patinando nos últimos três anos. E no centro dessa instabilidade está o homem que carrega a bandeira da estatal venezuelana, Pastor Maldonado.

A manobra “hara-kiri” sobre Valtteri Bottas na última volta do GP do Japão não contribuiu muito para sua popularidade dentro da equipe. Ao longo do ano, Maldonado sempre foi honesto nas entrevistas ao sublinhar a falta de qualidade do FW35, uma postura louvável para nós, mas mal visto no mundinho corporativo da F-1. Para os diretores da Williams, é uma questão contornável, mas não exatamente necessária. De qualquer forma, foi curioso ver como ontem, em sua conta no twitter, o piloto tratou de vir a público alinhar o seu discurso com o do time.

É justo que ele busque uma alternativa melhor e mire levar o apoio da PDVSA para a Lotus, por exemplo. Mas Maldonado parece mal-acostumado com o apoio que tem. Em quinze classificações - sempre o seu ponto forte - foi superado neste ano pelo companheiro estreante em nova delas. Já lhe perguntei sobre isto e ele afirmou que o carro não combina com seu estilo de pilotagem agressivo, mas sim com o manejo suave de Bottas. De qualquer forma, com números como esses, uma postura mais amigável fora das pistas e um trabalho para reverter o quadro dentro dela seria melhor. É o que se espera de um piloto de F-1.

Mas a grande questão que fica é em relação ao dinheiro venezuelano. De acordo com a Associated Press, o governo local congelou o apoio estatal dado ao automobilismo para investigar os contratos feitos para os pilotos locais. A matéria inclusiva coloca esta ação como justificava para a ausência de E. J. Viso na etapa final da Fórmula Indy em Fontana.

Superado pelo companheiro, impopular na garagem e, possivelmente, sem apoio financeiro, o futuro de Maldonado na F-1 parece um tanto nebuloso. E o da Williams, que moldou sua estrutura em torno dele, também não soa dos melhores.

terça-feira, 28 de maio de 2013

CRASH: MAX CHILTON E PASTOR MALDONADO (FORMULA 1 - GP MÔNACO, 2013)

Papelão glamouroso*

* Por Luis Fernando Ramos


No dia da corrida mais importante da temporada, a Fórmula 1 fez a maior anti-propaganda  possível de si mesma. O Grande Prêmio de Mônaco trouxe uma série de acidentes causados por manobras questionáveis de pilotos com muito mais vontade do que qualidade. E trouxe a vitória de Nico Rosberg, da Mercedes. Uma equipe envolvida numa polêmica que beira o absurdo e que pode trazer consequências no Tribunal Internacional da FIA.

Na reunião dos pilotos no sábado à noite surgiu a informação de que a Mercedes havia feito um teste “secreto” com a Pirelli em Barcelona entre os últimos dias 15 a 17, para desenvolver uma nova construção dos pneus. Mas foi utilizado o modelo deste ano, o que contraria o regulamento esportivo da categoria. Ferrari e Red Bull entraram com um protesto junto à FIA. Ela esclareceu que havia informado à equipe alemã e à fabricante de pneus que as sessões só poderiam acontecer se a mesma oportunidade fosse oferecida às outras equipes. O que não aconteceu.

Ninguém acredita que o teste privado seja o responsável pelo primeiro triunfo da Mercedes no ano. Afinal, o carro prateado já vinha dominando os treinos classificatórios e era esperado que eles largassem na frente em Mônaco, um circuito onde as ultrapassagens são difíceis. Mas é um episódio nebuloso.

- Foi um dos primeiros a ficar sabendo e fiquei surpreso. É um estranho se o regulamento proíbe testes durante a temporada e uma equipe faz isso. Não é algo positivo e é uma bobagem que esta discussão aconteça por besteira - afirmou o líder do Mundial Sebastian Vettel, segundo colocado na prova.

Não há uma data definida para o pronunciamento do Tribunal da FIA. De qualquer forma o episódio manchou uma corrida que foi repleta de confusão, que teve dois períodos de Safety Car (um pelo acidente de Felipe Massa e outro pela batida entre Romain Grosjean) e mais uma interrupção de bandeira vermelha pelo acidente entre Pastor Maldonado e Max Chilton, tão violento que uma barreira de pneus foi deslocada e bloqueou a pista parcialmente. Além de Chilton e Grosjean, o mexicano Sergio Perez também foi alvo de críticas de outros pilotos por uma pilotagem excessivamente agressiva.

Pneus que mudam no meio do campeonato, testes privados nebulosos, pilotos que batem e não são punidos como se deveria. Tantos episódios que infelizmente trazem à tona um problema de administração atual na Fórmula 1. Uma pena. O GP de Mônaco, por sua tradição, não merecia isso.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Qual será a dupla de equipe da Williams em 2013?*

* Por Felipe Motta


Ontem uma entrevista de Toto Wolff me chamou a atenção. Ao site ESPNF1, o austríaco, que é diretor executivo da Williams, afirmou que a equipe tem muitas opções na mesa em relação aos pilotos de 2013 (aqui o link).

“Boas performances sempre ajudam e é a última corrida que conta. Mas no momento já vimos tudo e fizemos nossos julgamentos”, disse Wolff. Mesmo que ele em sua entrevista não diga nada de definitivo, fica claro que o cenário por lá está muito aberto.

O momento que a Williams vive é muito diferente do de 2011. E essas mudanças, claro, valorizam “seu passe”. Depois de míseros 5 pontos e uma perfomance que apenas superou a das nanicas, a Williams acertou com os motores Renault, fez um projeto bem feito e até corrida ganhou este ano.

No entanto, está claro que faltou da parte de seus pilotos (já falamos sobre o assunto e não vale repetir). A Williams precisou optar em 2012 nos pouco experientes Pastor Maldonado e Bruno Senna por seus patrocinadores, já que vivia/vive uma situação financeira delicada. Ainda assim, talvez com um piloto mais experiente ao lado de Maldonado ou Senna os resultados pudessem ser melhores. E assim, uma melhor classificação em Construtores também poderia ser melhor, o que aumentaria o valor recebido pela equipe.

De qualquer forma, o fato de estar com um carro melhor aumenta a perspectiva do time para 2013. Isso significa que seu cacife é outro e que a luta pelas vagas será ainda maior. Qualquer piloto pagante terá mais facilidade em conseguir verba com patrocinadores para um carro que até corrida venceu.

Atualmente, e isso é apenas uma impressão, não vejo Maldonado e Senna juntos na próxima temporada. Hoje me parece que o venezuelano tem vantagem, e Bruno precisaria conseguir uma reta final de campeonato impressionante (ele até falou sobre isso). Que fique claro, isso é uma impressão, e não uma informação.

Mas do que falou Wolff à ESPN o que mais “apita” no ouvido é o “já fizemos nossos julgamentos”. Parece que o time já sabe o que Pastor e Bruno podem render. Com as opções que o mercado parece oferecer, a briga será enorme!

Quem vocês acham que estará na Williams em 2013?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

MALDONADO RODA DURANTE EXIBIÇÃO DA WILLIAMS NA VENEZUELA


Pastor Maldonado frustrou 20 mil fãs em Caracas, capital da Venezuela, na manhã deste domingo, informa o site TAZIO. Durante uma demonstração da Williams nas ruas da cidade, o piloto de 27 anos rodou e danificou a suspensão do FW34 na segunda das 12 voltas programadas. A apresentação ocorreu na área militar de Fuerte Tiuna, diante de diversos políticos e generais locais, além do chefe de equipe Frank Williams, do diretor executivo Toto Wolff e do piloto da Indy Ernesto Viso.

A Williams não citou as razões do acidente, mas aparentemente o piloto foi surpreendido pela superfície acidentada do asfalto de Caracas e não pôde controlar a rodada do FW34. Conterrâneo de Maldonado, Rodolfo González, da Caterham, salvou a exibição ao dar oito voltas com um carro de GP2. A Williams ainda consertou o chassi danificado, mas uma pane elétrica impediu Maldonado de retornar à pista.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Pastor selvagem*

* Por Luis Fernando Ramos


Vamos lembrar de cabeça, correndo o risco de esquecer alguma coisa: Pastor Maldonado foi vítima da agressiva pilotagem de Lewis Hamilton no GP de Mônaco do ano passado; depois se envolveu num inexplicável bater de rodas com o mesmo Hamilton na classificação do GP da Bélgica, meses depois, quando um achou que havia sido atrapalhado pelo outro; o mesmo aconteceu com Sérgio Perez em Mônaco neste ano, e foi para abrir caminho em um treino livre (!); em Valência, ele voltou a se encontrar com seu “karma” Hamilton e arruinou a corrida do inglês; no último domingo em Silverstone, novo choque com Perez, só que desta vez durante a corrida, uma manobra desastrada que tirou o mexicano da prova.

Cinco incidentes em uma temporada e meia de Fórmula 1. Neles, há um Pastor Maldonado barbeiro, um vítima de barbeiragens e um que se envolve em incidentes de corrida. Incidentes distintos que envolvem distintas decisões dos comissários. Às vezes o barbeiro não é punido, as vezes a vítima perde posições no grid da prova seguinte.

Qualquer um que entende de psicologia canina, sabe: se eu treinasse um cão dessa forma (ora punindo ora premiando o mesmo comportamento), teria um exemplar neurótico, inseguro e que não sabe como se comportar. Confesso que o comportamento de Pastor Maldonado nas pistas me lembra um pouco disso (fora delas é um cara muito bacana e cortês na hora das entrevistas). Como me lembrava o de Hamilton no ano passado, por exemplo. Existem pilotos mais arrojados que outros na hora da disputar e, por arriscar mais, eles são mais propensos a erros.

A imagem de Maldonado ganha ainda uma mancha a mais por seu passado: quando corria na World Series, em Mônaco, ignorou completamente um trecho de bandeiras amarelas e acabou machucando um fiscal que estava na pista retirando um outro carro. Queriam baní-lo do esporte ali mesmo. Mas, pelo que me disseram, Pastor tratou de custear o tratamento do sujeito, reconheceu ter cometido um erro gravíssimo e jurou seguir sua carreira sem fazer mais uma bobagem dessas. Perez, que não é bobo, sabe dessa história e foi esperto ao jogar na imprensa que ele “coloca a vida dos outros em risco” para despertar esse fantasma do passado.

Ainda acho tudo muito exagerado. Maldonado pode ser agressivo demais, cometer erros demais, bater demais. Mas o maior prejudicado disso tudo é ele. Na soma de pontos perdidos em todos os incidentes em que ele se envolveu, o próprio venezuelano foi quem mais perdeu. Normalmente, pilotos aprendem rapidamente com isso. Neste caso, está demorando um pouco mais.

Ao invés da FIA, quem tem de lhe dar um corretivo é a Williams. Deixar claro para ele que, se tivesse tido paciência de esperar uma ou duas voltas até que os pneus se aquecessem, ele poderia tentar passar o mexicano numa condição para uma manobra mais segura, com menos riscos. E, talvez, puní-lo de alguma forma internamente. Jogador de futebol sempre sente quando fica sem “bicho” ao final da partida.

O único risco para o futuro de Maldonado, e para quem convive com ele na F-1, é se o time continuar a tratá-lo como o cliente rico que pode fazer tudo. Muitas vezes, esta é a impressão que fica para nós que vemos de fora.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Maldonado, especialista em Monaco, é candidato a lutar pela vitoria novamente*

* Por Lívio Oricchio


A vitória no GP da Espanha, dia 13, somada ao seu impressionante currículo nos 3.340 metros do charmoso circuito de rua de Mônaco, faz de Pastor Maldonado, da ascendente equipe Williams, sério candidato a lutar pela vitória na sexta etapa do campeonato. “Meu país deverá acompanhar cada segundo da próxima corrida”, afirmou o venezuelano depois do pódio, em Barcelona. Os treinos livres começam já amanhã. Tudo é diferente no principado.

Já ontem os 24 pilotos que vão disputar o GP de Mônaco tiveram uma boa notícia: o tempo melhorou. Havia quatro dias que não parava de chover e a temperatura não passava dos 14 graus. O sol começou a reaparecer, timidamente, é verdade, no sul da França, onde se encontra essa nação, uma das menores do mundo, com apenas 1,8 km quadrado. A previsão meteorológica é de melhora para os próximos dias.

Maldonado prefere pista seca. Foi o que disse, em entrevista ao Estado, ainda no ano passado, na temporada de estreia na Fórmula 1. E não é para menos. Já no seu primeiro ano na concorrida e veloz GP2, em 2007, Maldonado venceu o GP de Mônaco, com a modesta Trident, a quinta corrida desse venezuelano, hoje de 27 anos, na GP2. No campeonato seguinte, foi segundo para, em 2009, voltar a vencer a mais difícil prova da competição.

“Adoro circuitos de rua. Este em particular. A minha forma de pilotar se encaixa muito bem em Mônaco. E me sinto preparado para conseguir um grande resultado.” Essa foi sua declaração ainda em 2011, depois dos treinos. Na primeira experiência em Mônaco na Fórmula 1, com um carro que foi um dos piores da história da Williams, ocupava a sexta colocação na 73.ª volta da corrida, de um total de 78, quando literalmente foi jogado contra a grade de proteção por Lewis Hamilton, da McLaren, que acabou punido.

Para se ter uma ideia do desempenho de Maldonado em 2011, seu companheiro, Rubens Barrichello, segundo em Mônaco em 1997, 2000, 2001 e 2009, ocupava o décimo lugar quando Hamilton dividiu a freada da Saint Devote com o venezuelano. “Ele anda muito bem nessa pista”, afirmou Rubinho, sobre Maldonado.

O momento bastante positivo do piloto da Williams e, claro, as qualidades do modelo FW34-Renault, levaram muita gente a apostar em um novo sucesso na etapa monegasca. Segundo o famoso bookmaker inglês William Hill, para cada libra investida em Maldonado o apostador receberia, até ontem, 16. Explicou que antes da prova de Barcelona, era 500 para 1. Os poucos que apostaram nele se deram muito bem.

Agora transformado numa das estrelas da competição, Maldonado é um dos escolhidos da FIA para conversar com a imprensa internacional, hoje, no circuito de Mônaco. Inevitavelmente será questionado a respeito do presidente da Venezuela, Hugo Chaves, padrinho de sua carreira, sempre próximo à TV para acompanhar as corridas. Vão desejar saber também o que ouviu de Chaves após a conquista na Espanha.

Mas Maldonado pode enfrentar resistência não apenas dos líderes do campeonato, Sebastian Vettel, da Red Bull, Fernando Alonso, Ferrari, Lewis Hamilton, McLaren, dentre outros. Dentro de casa mesmo a concorrência pode ser grande. Bruno Senna, parceiro de Williams, costuma se apresentar, da mesma forma, muito bem em Mônaco. “Gosto da pista. Já venci na GP2 e no trecho mais lento, aqui em Barcelona, a parte final do circuito, meus tempos eram muito bons. Estou animado”, disse Bruno ao Estado, na Espanha. Ele ganhou na GP2 em 2008, com Maldonado em segundo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012