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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Duelos Internos 2014 – Marussia*

* Por Luis Fernando Ramos

Pela primeira vez em sua curta história, a Marussia (ex-Virgin) manteve intocada sua dupla de pilotos para uma temporada. Assim, o desenrolar deste duelo interno é um tanto previsível. Jules Bianchi tem talento, Max Chilton tem dinheiro. Para o francês, é mais uma oportunidade para tentar ser visto por uma equipe melhor mesmo num carro pouco promissor. Difícil de imaginar a Marussia se misturando ao pelotão intermediário. A primeira semana de testes em Jerez foi encurtada por um problema de última hora e o carro pouco foi para a pista.

Já Max Chilton terá a única função de injetar algum dinheiro na equipe e de não atrapalhar ninguém na pista. Com exceção do acidente bastante feio que causou em Mônaco. Em Interlagos, celebrou com o time o fato de ser o primeiro estreante a terminar todas as corridas da temporada. A manchete do TotalRace foi precisa: “devagar e sempre”. Não é piloto com nível de Fórmula 1.

No ano passado, Chilton se classificou atrás de Bianchi para o grid em 17 das 19 corridas. Em uma das duas em que o inglês ficou na frente, o francês teve problemas e nem marcou tempo.

Será um massacre igual neste ano.

Jules Bianchi
Número: 17
Local de Nascimento: Nice (França)
Idade: 24
GPs disputados: 19
Vitórias: 0
Poles: 0
Melhores voltas: 0
Pontos: 0

Max Chilton
Número: 4
Local de Nascimento: Reigate (Inglaterra)
Idade: 22
GPs disputados: 19
Vitórias: 0
Poles: 0
Melhores voltas: 0
Pontos: 0

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

FUSÃO À VISTA?*

* Por Victor Martins


Parte de mais um capítulo desta F1 imparável nos bastidores, a Sauber é a nova bola da vez não só para os pilotos, mas para sua sobrevivência.

Foi em julho que a equipe suíça anunciou uma megaparceria com empresas ligadas ao governo russo que lhe dariam uma garantia de continuidade sólida. Os preços atingiam marcas superiores a meio bilhão de euros e colocavam Sirotkin, um fedelho sem experiência da GP3, como titular em 2014. Enquanto o mundo se preocupava com Räikkönen na Ferrari, Massa na Williams e o nebuloso caso da Quantum com a Lotus, a Sauber evoluía nas pistas com esse excepcional Hülkenberg, mas com um ponto de interrogação que se via lustroso até na careca de Peter Sauber: o negócio não fluía.

Sirotkin, ao que se fala, pagou 14,5 milhões de merkels por suas aparições na Sauber – 4,5 mi pelas voltas de demonstração e o teste na Ferrari para pegar a superlicença e outros 10 mi que permitiram ao time pagar seus fornecedores. Só nestas andadas aí, a Sauber também percebeu que o moleque era muito verde – “apesar de ter o incrível Hülk lá” – BECKER, Hugo. Então, a coisa voltava a ser a mesma que antes: vida dura.

A escuderia comandada por Monisha Kaltenborn não anunciou nenhum piloto e não vai continuar com Hülk, que recebeu seu salário pago via Ferrari para que não fosse disputar as últimas duas provas do ano pela Lotus. No caso desta, os milhões petrolíferos da PDVSA e de Maldonado foram o paliativo de quem esperava a grana inexistente de Mansoor Ijaz. E como a Lotus, a Sauber precisa de um salvador – ou de alguns, inclusos os pilotos.

Nasr aparece bem na lista por isso: são 7 milhões de velhos continentes que estão à disposição do Banco do Brasil. É pouco, claro, mas é o que tem para hoje de melhor. A roda está girando, dizem pessoas próximas a ele. Mas a história é que a Sauber tem uma parceria sendo amarrada à boca pequena. Algo provavelmente nos moldes do que vinha fazendo a própria Lotus, com um grupo que vai ter uma parcela minoritária na equipe e permita um respiro de alguns anos.

Sabe-se que a Marussia procurou algumas colegas de trabalho para uma fusão, apesar de ter garantido o tutu correspondente ao décimo lugar no Mundial. A quantia é menor que o cheque-caução que tem de depositar para disputar o campeonato do ano que vem, de 48 milhões de obamas. A Marussia procurou a Sauber – também havia procurado a Williams e a Caterham. Já não seria de todo estranho, pois, a existência da ‘Sauberussia’ ou da ‘Marussauber’.

Um ponto positivo para uma eventual fusão: tanto Marussia quanto Sauber têm acordo com a Ferrari para fornecimento de motores. E Bianchi, piloto Ferrari, já está assinado com o time rubronegro e pobre para 2014.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Danem-se as pequenas*

* Por Fábio Seixas


Uma das últimas (e poucas) coisas boas que Mosley fez para a F-1 foi o incentivo ao ingresso de novas equipes, a partir de 2010.

Ok, a ideia não foi bem executada. Havia marcas mais interessantes na disputa, que desistiram quando o inglês, numa manobra altamente suspeita, impôs a obrigatoriedade do uso de motor Cosworth.

Mas, de certa forma, o objetivo foi alcançado: aos trancos e barrancos, Hispania, Lotus (que depois virou Caterham) e Virgin (atual Marussia) se apresentaram para o GP do Bahrein de 2010.

A primeira já fechou. As outras duas correm risco.

Daí que leio hoje a história de que Ecclestone decidiu romper o bônus financeiro à 11ª colocada no Mundial.

Ele assinou acordos comerciais em separado com cada time, menos com a Marussia, 11ª em 2012. Ou seja, a nanica não terá direito à sua fatia na divisão dos lucros da categoria, algo em torno de R$ 10 milhões.

Não é preciso ser gênio para imaginar o que pode acontecer com ela em 2014.

A lógica é completamente inversa, por exemplo, à do esporte americano. Para citar a NBA: as equipes que terminam a temporada na lanterna têm preferência na escolha de novos jogadores no draft para o ano seguinte. É uma forma de tentar equilibrar as coisas.

Mas a NBA funciona num sistema de franquias, altamente profissional, em que o coletivo atua (e às vezes se sacrifica) em nome de um bem maior, o crescimento da liga.

A F-1 é profissional, sim, mas sua gestão ainda é coronelista e com cada equipe querendo sufocar a outra para se dar bem. É cada um por si, e dane-se o esporte.

Danar-se-ão (está certo isso?) as pequenas, de novo.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Questão de força maior*

* Por Luiz Fernando Ramos


É incorreto tentar encontrar uma única razão para a efêmera passagem de Luiz Razia como piloto titular da equipe Marussia em 2013. Alguns erros cometidos pelas pessoas que o apoiavam não ajudaram em nada. Mas o evento decisivo aconteceu no meio desta semana, quando Jules Bianchi perdeu a vaga na Force Índia. Ali virou uma questão de força maior.

E esta força maior atende pelo nome de Nicolas Todt, uma das pessoas mais influentes dentro do paddock. É filho do presidente da FIA. É um dos empresários de mais sucesso lá dentro. Está com Felipe Massa desde 2003 - e emplacou estas duas renovações de contrato mais recentes do brasileiro que não seriam inteiramente justificadas pelos resultados que ele obteve na pista.

“Toddynho”, como os torcedores do Brasil se referem a ele, também transformou o veloz mas estabanado Pastor Maldonado no eixo central da Williams, emplacando um contrato rentável (para ele e para o time) e tendo a estrela de ver seu piloto encerrar um longo tabu sem vitórias da equipe. Já havia conseguido em 2008 encerrar a ausência de pilotos do seu país na F-1 levando Sebastien Bourdais para a Toro Rosso - o único a correr pelo time sem ter passado pelo programa de jovens pilotos da categoria. O cara é eficiente no seu ofício.

Pois no início desta semana, Nicolas tinha tido uma pequena derrota profissional depois que a Force Índia preteriu Jules Bianchi em favor de Adrian Sutil. Ficou com um cliente frustrado, tido como uma grande promessa mas que não conseguia lugar para correr. As mazelas de Razia com a Marussia caiu como uma luva para ele emplacar Bianchi no time. Bom para ele, bom para o piloto (que vai massacrar Max Chilton no duelo interno como acredito que o brasileiro também faria) e, afinal, bom para a equipe também.

Pelo que apurei, Bianchi traria um pouco menos de dinheiro do que estava estipulado no contrato de Razia, algo entre um e dois milhões a menos. Mas o dinheiro estava na mão, já separado para a negociação que não se concretizou com a Force Índia. Assim, o time teve a garantia de receber agora o que precisava receber. E ganha uma importante moeda de troca para uma possível negociação de fornecimento de motores com a Ferrari - Bianchi faz parte do programa de jovens pilotos dos italianos.

Nada disso teria acontecido se o contrato de Luiz Razia permanecesse válido ao longo deste mês. Uma pena vê-lo com seu sonho se dissipando por alguns erros cometidos pelas pessoas que o ajudavam neste projeto. O fato do site dele ter “oficializado” sua contratação antes mesmo do time não pegou bem. Outras coisas também devem ter acontecido para que a equipe não tivesse paciência com o atraso da segunda parcela prometida - o que não seria algo de anormal quando se trata de grandes valores. De alguma forma, a Marussia parecia não estar segura que o dinheiro chegaria, mesmo com atraso.

Digo uma pena pelo fato dele ter demonstrado no ano passado muito mais méritos de estar na Fórmula 1 do que vários pilotos que lá estão. Andou muito mais na GP2 do que Esteban Gutierrez, Max Chilton e Giedo Van der Garde. Tivesse tido patrocinadores fortes como estes três possuem, ainda estaria na Marussia. Seria interessante se conseguisse uma nova chance. Até porque, esta parecia boa demais. Chilton era um companheiro de equipe fácil de bater. E a Marussia deu sinais na pré-temporada de que pode incomodar e até mesmo superar a Caterham, o que no ano passado era uma exceção à regra.

Sorte de Bianchi. Sorte de Nicolas Todt.

sábado, 2 de março de 2013

Razia conta tudo*

* Por Lívio Oricchio


“Não morreu ninguém, não.” Foi dessa forma que Luiz Razia atendeu o Estado, ontem à noite, em Barcelona, logo depois de receber uma ligação de John Booth, diretor da equipe Marussia, com quem tinha assinado contrato, para lhe informar que Jules Bianchi assumiria sua vaga. “Vou dormir, hoje, tranquilo, por saber que foi um fracasso circunstancial e não existencial.”

A esperança desse piloto baiano de 23 anos, vice-campeão da GP2, era tanta de ainda testar hoje e amanhã o carro da Marussia no Circuito da Catalunha que manteve-se na Espanha. “Nós ainda trocamos e-mails com eles hoje (ontem), tentando uma solução de última hora.” Razia chegou a treinar em Jerez de la Frontera, por dois dias, na primeira série de testes da pré-temporada. Os testes terminam amanhã.

A pergunta que todos na Fórmula 1 procuram resposta é: o que aconteceu para Razia perder a vaga na Marussia e o Brasil ter, agora, apenas Felipe Massa na competição e com contrato de apenas um ano com a Ferrari. “Duas pessoas físicas que têm uma empresa assinaram um contrato com a Marussia. Pagaram a primeira parcela”, explica o piloto, sem desejar identificá-las.

“Depois tiveram problemas na captação e liberação dos recursos. O pessoal da Marussia ajudou de todas as formas, mas não foi possível cumprir o acordado”, disse Razia. Estima-se que teria de levar Euros 6 milhões (R$ 16 milhões) para disputar as 19 etapas do campeonato. “Eu pagaria um dos valores mais baixos, hoje, senão o menor”, comentou.

Não se perde uma vaga na Fórmula 1, depois de trabalhar a vida inteira por isso, e não se sentir atingido. “Está sendo duro para mim, claro. Preciso me reagrupar. Mas tenho fé e às vezes essas coisas acontecem para nós crescermos espiritualmente.” Há dois exemplos semelhantes e recentes na própria Fórmula 1 que o inspiram. “O Nico Hulkenberg e o Adrian Sutial ficaram um ano parados e hoje estão aí, em boas equipes.”

Razia não sabe que caminho profissional vai seguir. “Nesse instante (20 horas em Barcelona, ontem, 16 horas em Brasília), estou no aeroporto comprando uma passagem para voltar para casa, em Milton Keynes (Inglaterra), e pensar o que vou fazer da vida.” E afirmou: “Vou procurar aprender com esse erro que, na realidade, não é um erro”.

Bianchi teve um apoio fundamental para substituir Razia: a Ferrari. O jovem e veloz piloto francês faz parte da Academia da Ferrari. Quarta-feira, a Force India, associada a Mercedes, anunciou a contratação do alemão Adrian Sutil, com quem Bianchi disputava a vaga. Toto Wolff e Sutil são amigos há tempos. Toto tornou-se sócio do time da Mercedes e o diretor esportivo da montadora. Quanto ao acordo do francês com a Marussia, provavelmente implicará a cessão do motor turbo Ferrari para a escuderia em 2014.

No terceiro dia de treinos, ontem, choveu na parte da manhã e no fim da tarde. Fernando Alonso, da Ferrari, afirmou: “No GP do Brasil do ano passado estávamos a 7 ou 8 décimos da Red Bull e McLaren. Este ano acredito que reduzimos essa diferença. Estou esperançoso”. O espanhol não aproveitou os instantes em que a pista estava mais seca e ficou com o último tempo, 1min27s878 (102 voltas), com pneus médios da Pirelli.

Romain Grosjean, da Lotus, foi o mais rápido, 1min22s716 (88), com os pneus macios. Hoje Felipe Massa, companheiro de Alonso, realiza seu último dia de testes antes da abertura do campeonato, dia 17, em Melbourne, na Austrália.

Bianchi assume o lugar de Razia na Marussia. O Brasil terá apenas Massa na F-1 este ano.*

* Por Lívio Oricchio


Vou começar pelo fim: Jules Bianchi vai disputar a temporada pela Marussia. É oficial. Razia está fora.
Pouco antes de colocar o post a seguir no ar um amigo me telefonou, segundos atrás, para dar a notícia. Mas resolvi colocar o post no ar assim mesmo. Vale a pena ver como as coisas se resolvem na Fórmula 1.

Olá amigos!

Aguardava Fernando Alonso chegar ao motorhome da Ferrari, há pouco, e conversava com Felipe Massa e o jornalista alemão Michael Schimidt, do Auto Motor und Sport. Ao nosso lado, numa mesa, estavam Nicolas Todt e Alessandro Bravi, do grupo de trabalho do empresário de Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi, dentre outros. Junto deles estavam dois integrantes da Marussia, Graeme Lowdon, diretor esportivo, e o outro não identifiquei. Não eram John Booth, diretor geral, ou Andy Webb, o homem que responde pela escuderia.

Obviamente negociavam a contratação de Bianchi, da academia de pilotos da Ferrari e preterido na Force India. A vaga ficou com Adrian Sutil. Soube hoje que Sutil tem uma relação de longa data com Toto Wolff, agora sócio e diretor do time da Mercedes, marca de motor usada pela Force India. Está aí a explicação para Vijay Mallya ter-se decidido por Sutil e não Bianchi.

O interessante é que a Ferrari também estava por trás da eventual contratação de Bianchi pela Force India, como agora, na negociação com a Marussia. Não foi por acaso que a reunião de hoje ocorreu no motorhome dos italianos. Não se surpreenda se em 2014 a Marussia competir com motor e câmbio Ferrari. Hoje utiliza motor da Cosworth, que está deixando a Fórmula 1 por não desenvolver um motor V-6 de 1,6 litro turbo para 2014, e o Kers da Williams.

O negócio deve ser definido de vez hoje à noite e Bianchi já treinar amanhã e domingo pela Marussia, bem como depois disputar a temporada. Bianchi faria o molde do banco hoje à noite desde que os detalhes que faltam para as duas partes assinar o contrato não comprometam o acordo já estabelecido. Sempre possível.

Mas o que se espera é que amanhã, pela manhã, a Marussia anuncie Bianchi já para o teste e como companheiro de Max Chilton para as 19 etapas do Mundial.

Vi Bianchi feliz da vida falando no celular, embora, como escrevi, o contrato não foi ainda assinado. Mas diante de um apoio como o da Ferrari, capaz de ser muito útil a Marussia, que deverá pagar menos por motor, transmissão e o caro Kers em 2014, é provável que agora, nesse instante, 19 horas para nós aqui no Circuito da Catalunha, Booth, Lowdon e Webb devam estar no motorhome da escuderia celebrando com um bom champanhe a iminente assinatura do contrato com Bianchi.

Ratificado o compromisso, como tudo indica, o Brasil teria apenas Massa, em seu ano único de contrato com a Ferrari, na Fórmula 1. Razia teria de buscar outras opções profissionais.

Abraços!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Entendendo a situação de Razia*

* Por Luis Fernando Ramos



As equipes da Fórmula 1 iniciaram hoje em Barcelona a última bateria de testes da pré-temporada. Presente no circuito, o brasileiro Luiz Razia vive dias de apreensão. Sua participação nas sessões, e na própria temporada, não está assegurada por um impasse envolvendo o pagamento de um de seus patrocinadores. Os próximos dias serão decisivos para o desfecho da situação.

A situação é complicada. Questões burocráticas atrasaram o pagamento do sinal de entrada que havia sido acordado no contrato do piloto. Sua entourage garante que é uma questão operacional que necessita apenas um pouco mais de tempo para ser finalizada.

Parte da equipe, incluindo o chefe da parte esportiva John Booth, era favorável a que Razia testasse mesmo assim, confiante numa solução posterior. Mas gente das áreas administrativa e financeira permaneceram irredutíveis e sua participação nos testes desta semana pode não acontecer. A declaração do diretor-executivo Graeme Lowdon num fórum com torcedores ontem em Barcelona ilustra a situação atual da equipe:

“A situação econômica atual não pode ser ignorada. Temos responsabilidades não apenas com os pilotos, mas com um grande número de funcionários”, afirmou. Vale lembrar que o time abriu mão de contar com o alemão Timo Glock justamente por necessitar cortar gastos - e o salário do piloto era um dos maiores dentro do time.

Problemas ocorridos com pagamentos não-honrados são mais frequentes na Fórmula 1 do que se pensa. As grandes somas envolvidas geram complicações no momento da transferência. Também existem patrocinadores que não cumprem a palavra. No meio da temporada do ano passado, Vitaly Petrov balançou na Caterham por falta de pagamento. Sua empresária fez malabarismos para conseguir cumprir o que havia sido acordado e o episódio certamente pesou na decisão do time em não permanecer com o russo neste ano.

No caso da Marussia, um episódio do passado a levou a adotar esta postura mais dura com Razia. Em 2010, a Unilever, que patrocinava Lucas di Grassi com a marca Clear, não cumpriu o que havia sido acordado inicialmente e o logotipo do produto sumiu do carro na metade da temporada. O brasileiro só terminou o ano depois de arrumar o apoio de outras empresas para as etapas finais.

Razia busca apresentar garantias do pagamento nesta semana para resolver o impasse. Mas sua situação pode se complicar ainda mais com a chegada de um concorrente. Preterido pela Force Índia - que oficialmente ainda não confirmou a contratação de Adrian Sutil -, o francês Jules Bianchi pode conseguir sua chance de entrar na F-1 na vaga do brasileiro. Resta saber se ele vai atrás desta opção ou preferirá permanecer como piloto de testes da Force Índia. Ninguém sabe os detalhes do contrato do brasileiro, mas o não-pagamento deste sinal deve abrir uma brecha para a equipe negociar a vaga com outros pilotos se ela quiser.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MAIS SOBRE RAZIA*

* Por Victor Martins



A confirmação de que, de fato, as coisas não caminhavam bem para Razia vieram no último sábado, quando o nasal Fábio Seixas revelou na Folha que o brasileiro foi afastado pela Marussia dos treinos coletivos em Barcelona por falta de pagamento — desmentindo até a equipe, que optou pelo eufemismo de dar ao inglês Chilton mais tempo em pista pelos problemas enfrentados nos dias iniciais.

Relegado a treinos físicos e à conformidade da situação, Luiz passou o fim de semana nos arredores da pista catalã. Pelo telefone, algumas trocas de mensagens ajudaram a dar o tom da situação a três semanas do início da temporada 2013.

“Infelizmente tivemos alguns contratempos que não estava programado. Mas está se resolvendo”, comentou diante do dinheiro que não caiu na conta da Marussia, que, segundo Razia, empenha-se em solucionar a pendenga sem propor uma data-limite. “Não existe um prazo, a equipe está nos ajudando resolver a situação. Como o pessoal me disse, eles estão satisfeitos com os pilotos. Agora é resolver.”

Por mais que se reconheça como um piloto de fácil familiarização com estilo de pilotagem, traquejo e volante do carro, naturalmente Luiz não viu com bons olhos o fato de não ter andado em Barcelona. “Ruim que não testei essa semana passada. Fazer o quê? Tenho limitações no que posso fazer”, disse.

Ainda sobre o problema, Luiz afirmou que “tem outras pessoas trabalhando nessa parte, e eu sempre sou um dos últimos a saber” porque “não gosto de me envolver muito com essa parte que me deixa chateado”. Razia falou que não sabe exatamente o que levou à falta de pagamento — “se eu soubesse, já tinha resolvido” —, mas que se tratou de alguma coisa “burocrática”. As pessoas que citou são um casal de brasileiros.

O dinheiro, vindo ou não, é oriundo de “um investidor e pequenos apoiadores”. Solicitado a revelá-los, não quis. “Eles têm projetos em lançar um produto para este ano, e depois vão acompanhar nas corridas”, respondeu. Alguma razão para que não se fale deles? “É escolha deles, não posso fazer nada.”

Duas frases se seguiram na sequência. “A questão nem é essa, a questão é nenhum patrocinador brasileiro. Isso é que eu queria que enfatizasse. Quando é pra pisar na gente, tem um monte de gente, só esperando nos cairmos ou tropeçar pra mandar o cacete.”

No fim da conversa, questionei se a Globo o havia auxiliado em algo. “Em certa parte tentou.”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Razia preterido na Marussia. Chilton treina pelo terceiro dia seguido.*

* Por Lívio Oricchio



Pode ser apenas uma questão circunstancial e daqui para a frente as coisas se resolvam de um maneira mais justa. Mas hoje, quinta-feira, terceiro dia de treinos da segunda série da pré-temporada, o inglês Max Chilton, da Marussia, continua no cockpit do modelo MR02-Cosworth enquanto seu companheiro de equipe, Luiz Razia, programado originalmente para assumir o carro, hoje, encontra-se treinando fisicamente na academia do hotel, próximo de onde escrevo, o Circuito da Catalunha, em Barcelona.

Em Jerez de la Frontera, semana passada, Chilton, inglês como quase todos no time, estreante na Fórmula 1 a exemplo de Razia, andou no primeiro e terceiro dia. Razia, no segundo e no quarto. Aqui em Barcelona, Chilton está conduzindo o MR2 desde terça-feira, hoje é o terceiro dia seguido, prerrogativa apenas de Fernando Alonso, por seu parceiro, Felipe Massa, ter sido escalado também para os três primeiros dias em Jerez. Alonso preferiu dedicar-se à preparação física.

Conversei com Razia, há pouco, por telefone: “Estou indo para a pista daqui a pouco, Livio”, disse-me. Convivo nos autódromos e aeroportos com Razia desde sua chegada à GP2, em 2010, são três temporadas. Esta é a quarta. Senti que ele está incomodado com a situação, como não poderia deixar de ser. “John Booth (diretor da Marussia) me procurou, ontem, para dizer que Chilton não pôde realizar as séries longas de voltas que fiz em Jerez e seria importante para sua formação. Em Jerez eu dei três séries seguidas de 24 voltas. Por essa razão Chilton foi escalado para o treino de hoje”, contou-me Razia.

Estou no mesmo hotel de John Booth, em Granollers, seis quilômetros distante apenas do autódromo. Ontem à noite quando regressei do jantar o vi no lobby e por pouco não lhe perguntei sobre o ensaio de hoje. Como eu estava com Michael Schimidt, talvez o mais famoso jornalista da Fórmula 1, do Auto Motor und Sport, e outros amigos, achei que seria inconveniente tocar num assunto profissional naquele instante, longe da pista. Seria interessante saber o que Booth me responderia. Nesse momento Booth está na mureta dos boxes acompanhando o teste, não há como falar com ele, mas certamente vou procurá-lo no intervalo do almoço.

“O alegado por John Booth é mesmo verdade. Falou que por causa de um problema que temos na suspensão traseira Chilton não andou muito nos dois primeiros dias”, revelou-me Razia. Terça-feira foram 65 voltas no traçado de 4.655 metros e ontem, 67. Nem é tão pouco assim, convenhamos, representa a extensão do GP da Espanha, 66 voltas.

“Às vezes temos de conviver com essas situações. Mas se eu tiver o mesmo número de dias do Chilton eu não me preocupo. Para ser sincero, nem mesmo se tiver menos. Nas outras categorias que competi não precisei de muito tempo para pegar a mão do carro”, disse Razia.

“A programação é para eu andar amanhã (sexta-feira), mas não está confirmada, ainda. Pode ser também que eles compensem esses dias a mais com o Chilton no treino da semana que vem”. O último ensaio será de dia 28 de fevereiro a 3 de março, aqui mesmo. Pergunto: você acha que eles te dariam quatro dias, como podem disponibilizar para o Chilton agora? “Quatro talvez não, mas três sim.”

O que pode ser a causa de Razia estar sendo preterido nesse início de trabalho na Marussia?
Sabe-se que a soma da verba de patrocínio levada por Chilton é maior da acertada com Razia. Pode estar aí a causa das suas dificuldades iniciais. Ou, de repente, até mesmo o fluxo das remessas de verba de Razia acordadas com a equipe não estar sendo cumprido, por conta da complexa burocracia dessas transações. Mais: de repente Chilton precisa de uma exposição maior para atingir a cota de patrocinadores exigida, o que reforçaria a tese (minha) de que há também aí uma boa pitada do conhecido nacionalismo inglês na Fórmula 1.

Com certeza a escolha de Chilton para andar nos três dias não é técnica. Ao menos na GP2 Razia se mostrou um piloto bem mais eficiente.

Dando sequência ao post sobre o Luiz Razia, fui procurar o John Booth pouco antes do início da sessão da tarde, hoje, quinta-feira, às 14 horas, e o diretor da Marussia já havia deixado o Circuito da Catalunha. Tampouco vi o Razia no autódromo, o que não quer dizer que não tenha aparecido, na hora do almoço, e em seguida regressado ao hotel.

Conversei com Tracy Novak, a assessora de imprensa da equipe, conhecida de longa data. Ela tentou acessar o Razia na minha frente, por celular, e deu caixa postal. Tracy disse-me a respeito de quem iria treinar amanhã (sexta-feira). “Eu não acredito que o Luiz vá andar no carro. A nossa previsão é de chuva e Max deve seguir pilotando.”

Quer dizer, então, que se o asfalto estiver molhado quem corre é somente o Max Chilton, companheiro de Razia? Quando falei com Razia, por telefone e ele estava no hotel, antes do almoço, comentou comigo: “Não está certo, ainda, se vou treinar amanhã”. Chilton testou os três dias até agora, terça, quarta e quinta-feira. Ontem o inglês, estreante na Fórmula 1 como Razia, completou 58 voltas no traçado de 4.655 metros, com 1min25s690, com pneus Pirelli macios, 11.º tempo.

No fim do dia, depois da conversa com Novak, liguei para Razia. Tocou, tocou até entrar caixa postal. Deixei mensagem e pedi que me retornasse, o que não aconteceu. Não é um bom sinal. Acredito que se Booth tivesse confirmado ao piloto brasileiro que testaria amanhã, seria do seu interesse ligar de volta para mim e comunicar. Ele sabe que acompanho o caso de perto.

Amigos do paddock me contaram que o pai de Max Chilton, o inglês Grahame Chilton, de adquirir uma parte da Marussia ao fim de cada temporada dos três anos de contrato do filho. É sabido que o seu investimento na escuderia é bem maior que o de Razia, o que por si só nesse universo da Fórmula 1 tem enorme significado. Não é novidade que Grahame era sócio, não mais, da AON Benfield UK Holding, embora mantenha cargo diretivo. Trata-se de uma das maiores companhias de seguro do Reino Unido.

E a história de que passará a ser sócio da Marussia, como parte do retorno do elevado investimento este ano, ganha mais força quando se sabe, por exemplo, que Grahame já tem importante participação na organização esportiva Carlin, com times na GP2, Fórmula Renault 3.5 World Series, Fórmula 3 Britânica e GP3. O talentoso brasiliense Felipe Nasr vai disputar a GP2 este ano pela Carlin, com que foi campeão britânico de Fórmula 3 em 2011.

Além de ser filho do esperado sócio da equipe, Max Chilton é inglês, como todos na organização. Acredite, amigos, tenho alguma experiência nesse meio: esse é um fator que realmente joga a favor do piloto. Coloque nessa balança a provável dificuldade de Razia cumprir os prazos acordados com Booth para os pagamentos das cotas de patrocínio. Esse quadro explica, na minha visão, as dificuldades de Razia.

Agora, nada disso impede de amanhã o baiano de 23 anos substituir Chilton, depois de negociações que desconhecemos ocorreram hoje à noite. Torço por isso.

Abraços!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PRÓS E CONTRAS DO NOVO DESAFIO DE RAZIA*

* Por Leonardo Felix



Conforme dialogava com alguns colegas sobre a confirmação de Luiz Razia na Marussia, cheguei à conclusão de que a notícia do dia para o automobilismo brasileiro era inesperada, mas não tão surpreendente.

Inesperada, sim, porque faz só dez dias que a equipe russa oficializou o chute no traseiro de Timo Glock, em manobra que indicava claramente a troca de um funcionário assalariado por um parceiro pagante, mas que não parecia ter um desfecho tão rápido.

De fato, o objetivo de escuderia e piloto não era anunciar nada hoje, mas a confirmação já está iminente, de uma forma ou de outra. Talvez venha na próxima terça-feira, quando a esquadra lança, às vésperas da primeira bateria de testes, em Jerez, seu novo modelo, o MR02.

Mas não se trata de algo que vá fazer cair o queixo de alguém. Em primeiro lugar, estamos falando do vice-campeão da principal categoria de acesso, a GP2, um piloto que teve uma temporada de reafirmação em 2012 e disputou o título com galhardia, embora tenha perdido para o favorito Davide Valsecchi. Depois, o baiano de Barreiras tem um bom aporte financeiro, algo imprescindível nesta F1 cada vez mais ávida por gente que traz alguns mirréis de casa.

Porém, todavia e entrementes, Razia jamais foi colocado como pretendente favorito a qualquer vaga, incluindo a da própria Marussia. Vitaly Petrov e Bruno Senna eram os nomes da vez para fechar com o time rubronegro e também com a Caterham, ao passo que Jules Bianchi, Adrian Sutil e Paul di Resta seguiam como favoritos na batalha pelos cockpits mais valorosos entre os vacantes, os da Force India. Por isso, ter conseguido dar um passo antes de todos eles acabou sendo uma notícia positiva para alguém que já tinha afirmado, aqui mesmo ao Tazio, que era F1 ou nada em 2013.

Ao cumprir com seu objetivo, Razia já colocou automaticamente seu nome na história do automobilismo brasileiro, tornando-se o primeiro nordestino a alcançar a principal categoria do esporte a motor mundial. Mas é óbvio que ele almeja mais. E o que esperar de sua temporada de estreia, que se dará por aquela que provavelmente será a pior escuderia do grid?

Contrariando o que muitos imaginam, há vários pontos positivos em começar a carreira profissional dessa forma. Na Marussia, Razia não tem qualquer responsabilidade por resultados e pode usar 2013 como um ano para se habituar aos meandros e vicissitudes da competição. Além disso, para sua sorte, o companheiro não será mais Glock, primeiro piloto absoluto até então e que ajudou a fritar os então novatos Lucas di Grassi e Jérome D’Ambrosio em 2010 e 2011. Também não será Charles Pic, que fez uma ótima campanha de estreia no ano passado e, se seguisse, estaria muito mais afeito ao time e poderia receber para si todas as regalias.

Quem dividirá os boxes com o brasileiro será o inglês Max Chilton, tão carne de vitela quanto Razia no que tange à experiência. Portanto, Luiz vai encontrar uma ambiência muito mais propícia para superar seu colega, algo que lhe daria notoriedade entre as escuderias do pelotão intermediário para 2014.

Porém, é claro que há o risco de acontecer o inverso e Chilton se sair melhor. É a partir deste ponto, meus amigos, que abrimos toda a cartilha de riscos que o baiano assumiu ao tomar essa decisão. Caso seja superado pelo britânico, é bem provável que Razia coloque uma prematura pá de cal sobre suas chances de continuar na F1, especialmente por entrar na categoria com uma reputação mais elevada que a de seu novo parceiro. Sendo assim, ele tem certa obrigação de ser o líder da Marussia em 2013 e andar quase sempre na frente do companheiro.

Outra questão negativa é que muito dificilmente a Marussia não será a lanterninha da temporada, simplesmente porque a equipe não dinheiro para desenvolver o carro no mesmo ritmo das concorrentes. O time jamais esteve realmente perto de marcar um pontinho na F1 e ainda sofreu um duro golpe no ano passado, quando viu o décimo lugar no Mundial de Construtores (e cerca de US$ 30 milhões em premiação) escaparem pelo ralo no GP do Brasil, graças a um 11º lugar providencial de Vitaly Petrov para a Caterham.

Tendo tal perspectiva como base, é possível prever que Razia estará sempre lutando pelas últimas posições. Há quem diga que é possível um piloto se destacar e ascender na categoria dessa forma, algo com o qual eu concordo. Mas é preciso ressaltar o quanto isso tem se tornado cada vez mais difícil nas últimas décadas. Nos anos 50, 60 e 70, com a postura quase amadoresca e a liberação da venda de chassis, pilotos como Jochen Rindt, Alan Jones, Keke Rosberg e Nelson Piquet puderam fazer rápidas passagens por times particulares, antes de assinarem com equipes de ponta ou do pelotão intermediário já no ano de estreia.

Atualmente, diante de tanta profissionalização, o competidor tem obrigações de correr pela mesma casa durante o ano inteiro e, como os carros quebram cada vez menos e o nível dos competidores está cada vez mais parelho, é raro vermos um piloto com um carro tão ruim ganhar destaque em alguma corrida. Por consequência, de 2000 para cá, somente dois nomes conseguiram sair de rabeiras do grid (não estamos levando em conta escuderias medianas, como Sauber ou Toro Rosso) e lutar por vitórias e títulos: Fernando Alonso e Mark Webber. Coincidência ou não, ambos começaram na Minardi e são empresariados por Flavio Briatore, que tinha enorme influência na F1 até 2009.

Diante de todo este cenário, Luiz Razia tem diante de si um desafio enorme, mas não impossível. E o baiano já demonstrou, até mesmo em 2012, ser capaz de corresponder em situações onde nada parece estar a seu favor. Seu concorrente na disputa pelo caneco da GP2 no ano passado, Valsecchi, optou por um caminho bem diferente, tornando-se reserva de uma equipe média para grande, a Lotus. Será interessante observar, no curso da História, qual deles terá feito a escolhe correta, em uma F1 que parece cada vez mais desapiedada com seus novatos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Luiz Razia: o novo brasileiro na Fórmula 1*

* Por Rodrigo Mattar



O Brasil terá o seu 30º piloto na Fórmula 1. Há pouco, Luiz Razia acertou os detalhes do acordo com a Marussia e será o substituto do alemão Timo Glock, que deixara a equipe há poucos dias e foi para a BMW, no DTM.

Baiano de Barreiras, município de cerca de 140 mil habitantes localizado no extremo oeste do estado, Luiz Tadeu Razia Filho tem 23 anos. Após vencer a Fórmula 3 sul-americana em 2006, seguiu para a Europa, onde disputou a Fórmula 3000 italiana e europeia, a World Series, a GP2 Asia e a GP2 Series, na qual foi vice-campeão ano passado, correndo pela Arden International.Nesta categoria, Razia conquistou cinco vitórias, quatro delas em 2012.

Ele já fizera parte da Marussia quando a equipe se chamava Virgin, em 2010. Fez os testes reservados aos novatos, mas nunca guiou pelo time em qualquer treino livre daquele ano. A Caterham, na época Lotus, chamou-o para ser piloto-reserva e em 2011 Razia apareceu nos treinos livres de sexta-feira na China e no Brasil. Ano passado, andou com a Force India em Magny-Cours e chegou a ser cogitado na Toro Rosso, que manteve seus pilotos titulares.

A saída de Glock da Marussia precipitou a chegada de um piloto que injetasse dinheiro fresco no time, que é o que eles precisavam – já que o alemão ganhava para correr. Tanto Razia quanto Max Chilton, o outro piloto, também estreante, vêm com patrocínios que garantem a salvaguarda do time em 2013.

Então é isso: faltam, portanto, duas vagas a se confirmar para a temporada deste ano. Pena que a Marussia não é carro para Razia mostrar o seu potencial. O jeito será bater sistematicamente o companheiro de equipe e assim conseguir chamar a atenção das outras escuderias para o futuro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Fim da linha para Glock na Marussia*

* Por Rodrigo Mattar


Sob a justificativa de que vai assumir “novos desafios” na carreira de piloto, o alemão Timo Glock está de saída da equipe Marussia de Fórmula 1. A ruptura de contrato, após três anos, foi feita “amigavelmente”, segundo a imprensa alemã.


O piloto de 30 anos estaria de olho numa das sete vagas ainda restantes no Deutsche Tourenwagen Masters, o DTM. Apesar de muita gente – o blogueiro aqui inclusive – ter cacifado que a BMW escolheu Jaime Alguersuari para a oitava e última vaga para piloto do construtor de Munique, o rompimento de Glock com a Marussia abre a possibilidade de uma reviravolta nesta negociação. Mas ainda há Audi com uma vaga sobrando e Mercedes-Benz com nada menos que cinco assentos disponíveis para 2013. Opções não faltam.

Fica evidente, também, que a situação de Glock na Fórmula 1 beirou o insustentável pois, sendo um piloto que recebe para correr numa escuderia pequena, talvez a Marussia não tivesse lhe dado suficientes garantias de que o lugar de piloto titular seria dele durante todo o campeonato.

O time de origem britânica e hoje controlado pelos russos vai, provavelmente, se socorrer de outro pay driver para a vaga deixada em aberto por Timo Glock. Max Chilton, egresso da GP2 Series, já assinou levando uma maleta varada de libras da AON, empresa de propriedade da família do piloto britânico. A princípio, os pilotos que mais aparecem com chances de tentar essa vaga que surgiu de forma inesperada também negociam com outra escuderia, no caso a Caterham: são o russo Vitaly Petrov e o brasileiro Luiz Razia.

A ver.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Marussia anuncia Chilton*

* Por Rodrigo Mattar


Para nenhuma surpresa, a Marussia anunciou hoje a promoção do britânico Max Chilton, de 21 anos, à condição de titular da equipe russa na próxima temporada de Fórmula 1. Digo que não houve surpresa alguma, até porque o presidente da companhia, Nikolaj Fomenko, confirmara que o piloto estaria mesmo ao lado de Timo Glock em 2013.

O que garantiu Chilton na equipe foi o de sempre: dinheiro. Com o apoio da companhia de resseguros AON, que é de propriedade de seu pai, ele garante € 7,5 milhões de verba, engrossando o time dos pay drivers da Fórmula 1, que já tem gente como Charles Pic, Pastor Maldonado e outros.

Apesar de ser um piloto pagante, Chilton vem credenciado por uma temporada de resultados bastante bons na GP2 Series. Com a Carlin Motorsport – e seu carro pintado nas cores preta e vermelha da Marussia – ele terminou o ano na 4ª colocação com 169 pontos, tendo vencido duas corridas e conquistado duas pole positions.

Chilton torna-se também o 22º piloto da história da categoria de acesso lançada em 2005 a conquistar uma vaga de titular na categoria máxima. A Marussia, que já se chamou Virgin, só teve pilotos formados na GP2 até hoje: Timo Glock, Lucas Di Grassi, Jerome D’Ambrosio, Charles Pic e, agora, Max Chilton.

Com a confirmação do britânico, o terceiro estreante do ano ao lado do mexicano Estebán Gutierrez e do finlandês Valtteri Bottas, o funil diminui: restam apenas duas vagas por confirmar para 2013, na Force India e na Caterham. O time de Vijay Malliya se inclina agora para o regresso do alemão Adrian Sutil, que voltaria a reboque de um apoio de 10 milhões (não sei se euros ou dólares) da Lenovo. Jules Bianchi ficaria mais um ano como piloto reserva e seria titular em 2014, porque a equipe deve trocar os motores Mercedes-Benz pelos Ferrari e Paul Di Resta, que tem ligações com o construtor alemão, deve sair ao fim da próxima temporada.

Na Caterham, o favorito à vaga, também às custas de muito dinheiro, é o holandês Giedo Van der Garde, que poderá ser o quarto estreante para 2013. A equipe já sabe que não contará com Heikki Kövalainen e Vitaly Petrov, que foi titular neste ano, também luta para conseguir a verba necessária que o garanta no time de origem malaia. A Caterham é agora a única opção palpável para o brasileiro Bruno Senna permanecer na Fórmula 1, pois na Force India parece que a situação está encaminhada para o que citei no parágrafo anterior.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Brasil pode ter três pilotos na Fórmula 1 em 2013*

* Por Lívio Oricchio


Felipe Massa já foi confirmado pela Ferrari. Bruno Senna negocia com a Williams a renovação do contrato, além de conversar com Force India. Apesar da temporada difícil, tem chances de prosseguir na competição. Mas nesse momento o piloto brasileiro mais perto de também garantir presença na Fórmula 1 em 2013 é Luiz Razia. Sua ótima temporada na GP2, vice-campeão com uma equipe que andava lá atrás nos últimos anos, Arden, e o apoio de patrocinadores, como é a regra, deverá formar nos grids em 2013.

Hoje Razia está em Paris, na festa da entrega dos prêmios da FIA. Mas dias 6 e 8 Razia vai testar o carro da Toro Rosso no ensaio de jovens pilotos em Abu Dabi, no circuito Yas Marina, dois dias apenas depois da 18.ª etapa do Mundial. A Toro Rosso deverá anunciar o teste em breve. As possibilidades maiores de Razia, no entanto, não estão na equipe satélite da Red Bull, mas na Marussia e na Force India. Christian Horner, diretor da Red Bull e proprietário da Arden, tem ajudado Razia a fazer os contatos com os times da Fórmula 1.

O piloto não confirma, mas sabe-se que na Marussia, hoje, depende apenas de Razia assinar o contrato para correr no lugar de Charles Pic. O francês realiza bom trabalho este ano e tenta ascender a um time mais estruturado. Na Force India há forte concorrência pela vaga de Nico Hulkenberg que, tudo indica, já assinou com a Sauber. O mexicano Steban Gutierrez, terceiro na GP2 este ano, e piloto reserva da Sauber, deverá ser confirmado pela escuderia suíça.

“Nós conversávamos com a Sauber também, mas nos últimos dias eles mudaram a postura, dizendo não ser mais possível. Dessa história entendo que eles já fecharam com seus dois pilotos”, disse-me Razia, hoje. Gutierrez pilotará para a Sauber no teste de Abu Dabi. Sua presença na Sauber garante a continuação do patrocínio da Telmex, empresa que apoiou Sergio Perez, já contratado pela McLaren, importante para o orçamento da equipe.

A disputa para ser o companheiro de Paul Di Resta na Force India é grande. Bruno Senna, Kamui Kobayashi, Charles Pic, Jules Bianchi, Giedo van der Garde são exemplos de pilotos interessados e com possibilidades de assinar com a organização de Vijay Mallya. E até mesmo há espaço para uma reviravolta no destino de Pastor Maldonado, que com o apoio da PDVSA, seu patrocinador, trocaria a Williams pela Force India.

Na Williams, apesar de quase todos na Fórmula 1 afirmarem que Valtteri Botas será titular em 2013, nada está definido. O mais provável é a permanência de Maldonado. Quanto ao outro piloto pode acontecer de tudo.

E não é de todo impossível que a Toro Rosso substitua um de seus pilotos, Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo, embora o mais provável seja a renovação do contrato de ambos. A surpresa do ano passado, quando dia 15 de dezembro mandou embora Jaime Alguersuari e Sebastian Buemi, sugere prudência ao abordarmos a Toro Rosso.

Quando a Fórmula 1 desembarcar em São Paulo, na última semana de novembro, muito provavelmente saberemos já quem vai correr por quem em 2013. E o Brasil que correu sério risco de não ter nenhum piloto no campeonato pode, de repente, contar com três representantes. O que seria ótimo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

De Villota perde olho direito e apresenta estado crítico, mas estável, informa Marussia


O gravíssimo acidente sofrido por María de Villota ganhou contornos trágicos. Depois de ter sido submetida a cirurgia para correção de fraturas no crânio e na face, a pilota espanhola perdeu o olho direito, seriamente lesionado em decorrência da batida em um caminhão durante um teste aerodinâmico que a escuderia anglo-russa promoveu na base aérea de Duxford, na última terça-feira (3). Ainda segundo o comunicado, María permanece em estado crítico, mas estável, informa o site Grande Premio.

Diz o comunicado escrito pelo chefe da Marussia, John Booth. “María saiu da sala de cirurgia do Hospital Addenbrooke, nesta manhã, após uma operação demorada para tratar de um grave problema na cabeça e de ferimentos na face que ela sofreu no acidente na base aérea de Duxford, ontem”.

“Somos gratos pela atenção médica que María tem recebido, e sua família gostaria de agradecer às equipes neurológica e de cirurgia plástica. No entanto, é com grande tristeza que devo informar que, devido às lesões sofridas, María perdeu seu olho direito. Os cuidados com María e com o bem-estar de sua família continuarão sendo a nossa prioridade neste momento. Sua família está no hospital e estamos fazendo o possível para dar todo o apoio”, continuou Booth.

“Pedimos paciência e compreensão quanto às atualizações sobre a condição de María. Vamos fornecer mais informações quando for apropriado fazê-lo e em consideração à sua família. Entretanto, todos nós gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para elogiar os serviços de emergência na base aérea de Duxford, que estava de prontidão ontem, como é o padrão para um teste na F1.”

“Com relação ao acidente, demos início a uma análise muito detalhada do que aconteceu, e este trabalho continua no momento. E finalmente, temos recebido uma enxurrada de mensagens de apoio à María, à sua família e à equipe, e gostaríamos de expressar a nossa sincera gratidão”, encerrou o comunicado.

Maria de Villota passa por cirurgia no crânio


Depois de sofrer um grave acidente durante um teste da Marussia, a piloto Maria de Villota passou por uma cirurgia no crânio para correção de uma fratura no local. De acordo com o jornal Marca, o procedimento foi realizado na madrugada desta quarta-feira (4), informa o site IG automobilismo.

As publicações do país ainda confirmam que o presidente da Real Federação de Automobilismo da Espanha afirmou que a piloto “move as extremidades e vamos ver o que acontece com a cabeça, que é onde ela sofreu o maior impacto”, explicou Carlos Gracia.

Para o presidente, o momento não é de especulações e sim de cuidar da saúde da piloto. “Agora, a única coisa importante é a saúde da Maria e, neste sentido, pedimos por prudência e respeito. Nós ouvimos muitas coisas nas últimas horas, mas não deveria existir especulação sobre algo tão sério”, comentou ao jornal As.

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Sobre a recuperação de De Villota, Gracia afirmou que ainda não há previsões exatas. “Tenho informações diretas da família e agora só podemos dizer que vai levar mais algumas horas para termos uma previsão exata”, afirmou o presidente.

Gracia ainda confirmou que vai pedir explicações sobre o acidente à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e que quer ouvir a versão da Marussia. “Pedimos à FIA para abrir todas as informações para sabermos o que aconteceu neste teste. Também queremos que a Marussia ofereça sua versão do que aconteceu”, concluiu Gracia. A Marussia ainda não se pronunciou sobre o estado de saúde da piloto desde que confirmou que a piloto estava consciente no hospital Addenbrooke, de Cambridge.

Maria de Villota, de 32 anos, é filha do ex-piloto de F1 Emilio de Villota, e já competiu em diversas categorias, como a Fórmula 3 espanhola e a Fórmula Superleague.

terça-feira, 3 de julho de 2012

MARIA DE VILLOTA SOFRE GRAVE ACIDENTE EM TESTE E É HOSPITALIZADA



A pilota de testes da Marussia, Maria de Villota, sofreu um forte acidente na manhã desta terça-feira (3), durante ensaios aerodinâmicos da equipe em Duxford, na Inglaterra. Ainda não há informações precisas sobre o estado de saúde da espanhola, mas as equipes de resgate foram chamadas imediatamente ao local logo após a batida. Entende-se, entretanto, que a test-driver tenha se ferido seriamente no incidente, informa o site Grande Premio.

A Marussia, por meio de nota, confirmou o acidente com a espanhola, que testava o carro pela primeira vez. A batida aconteceu por volta das 9h15, no horário inglês, 5h15, em Brasília. De Villota foi transferida para um hospital local. Ainda segundo comunicado da equipe, a pilota bateu em baixa velocidade em um veículo que estava estacionado próximo à pista, quando já retornava à garagem. O time realizava o primeiro de dois dias de testes em linha reta no antigo aeroporto, hoje onde há também um museu, próximo a cidade de Cambridge, como forma de preparação para o GP inglês, que acontece em Silverstone neste domingo (8).

“O acidente aconteceu no final da volta de instalação e envolveu uma colisão com um caminhão de apoio da equipe. Maria foi transferida para o hospital. Assim que seja feito um boletim médico sobre sua condição de saúde, um novo comunicado também será divulgado”, disse a equipe, em nota.

De acordo com o site da revista inglesa 'Autosport',  o porta-voz do serviço de emergência, Gary Sanderson, que atendeu o acidente, afirmou que o estado de saúde da pilota é muito sério. "Uma mulher foi socorrida com ferimentos graves, com risco de morte, e, após o tratamento no local por paramédicos, ela foi levada rapidamente para o hospital para cuidados adicionais."

Também conforme nota do 'The Telegraph', o carro da pilota ficou totalmente destruído na parte da frente e, segundo testemunhas, o capacete da pilota estava bastante danificado, por ter absorvido a maior parte do impacto. De Villota, ainda segundo a publicação, permaneceu imóvel por cerca de 15 minutos até o atendimento dos paramédicos, mas chegou a mover as mãos antes de ser transferida para o hospital. Ainda segundo as primeiras informações da imprensa inglesa, o estado da espanhola, que permanece hospitalizada, é estável.

De Villota tem 32 anos e é filha do ex-piloto de F1 Emilio de Villota. A pilota tem no currículo passagens pelo WTCC e pela F-Superliga. A primeira vez que andou com um carro de F1 foi em 2011, na pista francesa de Paul Ricard, quando testou o Renault R29.