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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

terça-feira, 2 de abril de 2013

Currywurst*

* Por Luis Fernando Ramos


Achei que a Force Índia acertou na mosca ao escolher Adrian Sutil em detrimento de Jules Bianchi na fase final da escolha de sua vaga remanescente para esta temporada. O alemão era a garantia de resultados sólidos, enquanto que o francês ainda não me tinha me convencido depois de uma passagem bem abaixo do esperado pela GP2 e de ser superado (de forma polêmica, é verdade) por um novato na World Series. Claro que o francês está dando o que falar com o excelente trabalho que vem fazendo na Marussia, mas ainda prefiro esperar para avaliar o quanto da sua qualidade brilha em cima das enormes deficiências de Max Chilton e também o quanto o carro da Marussia evoluiu.

Mas era subentendido que a escolha por Sutil tinha outros motivos além da pilotagem e o recente anúncio de que o time contará com motores, câmbio e hidráulica da Mercedes confirma isto. O alemão veio com o apoio de Toto Wolff, o novo homem forte do time de Stuttgart e é uma ameaça mais que realista para Paul di Resta, o queridinho do ex-chefe Norbert Haug. Aliás, vai ser uma briga boa entre os dois ao longo da temporada e é justamente os benefícios deste duelo que o time buscou ao escolher Sutil em detrimento a um estreante na F-1.

Para a Force Índia, foi um passo importante para uma certa “germanização” da equipe. A Mercedes fez um precinho camarada no pacote inteiro e roubou um cliente da McLaren (que vendia câmbio e hidráulica para o time de Silverstone até este ano). No paddock, há quem aposte que os motores da marca serão os melhores desta era V6 que se inicia no ano que vem.

A Mercedes também ganha a manutenção de um aliado na complicada política da Fórmula 1. Perder a Force Índia para a Ferrari seria também dar mais poder ao já tremendamente influente time italiano - que colocou Bianchi na Marussia e já está costurando o acordo de fornecimento de motores para ela.

Dito isto, não devemos nos surpreender com o bom início de temporada do time hindo-britânico. Em que pese o ridículo abandono duplo em Sepang por conta de uma inovação técnica para acelerar a troca de pneus que não funcionou, o time começou o ano firmemente estabelecido como a quinta força do grid. À frente da McLaren, por enquanto, e bem à frente de Sauber, Williams e Toro Rosso. Vale ficar de olho por quanto tempo eles conseguirão manter esta forma.

(* - Currywurst é o mais popular “street food” da Alemanha, uma salsicha picada banhada em gordura e num molho que mistura curry e ketchup. Eu acho um nojo, mas o povo de lá adora)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Questão de força maior*

* Por Luiz Fernando Ramos


É incorreto tentar encontrar uma única razão para a efêmera passagem de Luiz Razia como piloto titular da equipe Marussia em 2013. Alguns erros cometidos pelas pessoas que o apoiavam não ajudaram em nada. Mas o evento decisivo aconteceu no meio desta semana, quando Jules Bianchi perdeu a vaga na Force Índia. Ali virou uma questão de força maior.

E esta força maior atende pelo nome de Nicolas Todt, uma das pessoas mais influentes dentro do paddock. É filho do presidente da FIA. É um dos empresários de mais sucesso lá dentro. Está com Felipe Massa desde 2003 - e emplacou estas duas renovações de contrato mais recentes do brasileiro que não seriam inteiramente justificadas pelos resultados que ele obteve na pista.

“Toddynho”, como os torcedores do Brasil se referem a ele, também transformou o veloz mas estabanado Pastor Maldonado no eixo central da Williams, emplacando um contrato rentável (para ele e para o time) e tendo a estrela de ver seu piloto encerrar um longo tabu sem vitórias da equipe. Já havia conseguido em 2008 encerrar a ausência de pilotos do seu país na F-1 levando Sebastien Bourdais para a Toro Rosso - o único a correr pelo time sem ter passado pelo programa de jovens pilotos da categoria. O cara é eficiente no seu ofício.

Pois no início desta semana, Nicolas tinha tido uma pequena derrota profissional depois que a Force Índia preteriu Jules Bianchi em favor de Adrian Sutil. Ficou com um cliente frustrado, tido como uma grande promessa mas que não conseguia lugar para correr. As mazelas de Razia com a Marussia caiu como uma luva para ele emplacar Bianchi no time. Bom para ele, bom para o piloto (que vai massacrar Max Chilton no duelo interno como acredito que o brasileiro também faria) e, afinal, bom para a equipe também.

Pelo que apurei, Bianchi traria um pouco menos de dinheiro do que estava estipulado no contrato de Razia, algo entre um e dois milhões a menos. Mas o dinheiro estava na mão, já separado para a negociação que não se concretizou com a Force Índia. Assim, o time teve a garantia de receber agora o que precisava receber. E ganha uma importante moeda de troca para uma possível negociação de fornecimento de motores com a Ferrari - Bianchi faz parte do programa de jovens pilotos dos italianos.

Nada disso teria acontecido se o contrato de Luiz Razia permanecesse válido ao longo deste mês. Uma pena vê-lo com seu sonho se dissipando por alguns erros cometidos pelas pessoas que o ajudavam neste projeto. O fato do site dele ter “oficializado” sua contratação antes mesmo do time não pegou bem. Outras coisas também devem ter acontecido para que a equipe não tivesse paciência com o atraso da segunda parcela prometida - o que não seria algo de anormal quando se trata de grandes valores. De alguma forma, a Marussia parecia não estar segura que o dinheiro chegaria, mesmo com atraso.

Digo uma pena pelo fato dele ter demonstrado no ano passado muito mais méritos de estar na Fórmula 1 do que vários pilotos que lá estão. Andou muito mais na GP2 do que Esteban Gutierrez, Max Chilton e Giedo Van der Garde. Tivesse tido patrocinadores fortes como estes três possuem, ainda estaria na Marussia. Seria interessante se conseguisse uma nova chance. Até porque, esta parecia boa demais. Chilton era um companheiro de equipe fácil de bater. E a Marussia deu sinais na pré-temporada de que pode incomodar e até mesmo superar a Caterham, o que no ano passado era uma exceção à regra.

Sorte de Bianchi. Sorte de Nicolas Todt.

sábado, 2 de março de 2013

Razia conta tudo*

* Por Lívio Oricchio


“Não morreu ninguém, não.” Foi dessa forma que Luiz Razia atendeu o Estado, ontem à noite, em Barcelona, logo depois de receber uma ligação de John Booth, diretor da equipe Marussia, com quem tinha assinado contrato, para lhe informar que Jules Bianchi assumiria sua vaga. “Vou dormir, hoje, tranquilo, por saber que foi um fracasso circunstancial e não existencial.”

A esperança desse piloto baiano de 23 anos, vice-campeão da GP2, era tanta de ainda testar hoje e amanhã o carro da Marussia no Circuito da Catalunha que manteve-se na Espanha. “Nós ainda trocamos e-mails com eles hoje (ontem), tentando uma solução de última hora.” Razia chegou a treinar em Jerez de la Frontera, por dois dias, na primeira série de testes da pré-temporada. Os testes terminam amanhã.

A pergunta que todos na Fórmula 1 procuram resposta é: o que aconteceu para Razia perder a vaga na Marussia e o Brasil ter, agora, apenas Felipe Massa na competição e com contrato de apenas um ano com a Ferrari. “Duas pessoas físicas que têm uma empresa assinaram um contrato com a Marussia. Pagaram a primeira parcela”, explica o piloto, sem desejar identificá-las.

“Depois tiveram problemas na captação e liberação dos recursos. O pessoal da Marussia ajudou de todas as formas, mas não foi possível cumprir o acordado”, disse Razia. Estima-se que teria de levar Euros 6 milhões (R$ 16 milhões) para disputar as 19 etapas do campeonato. “Eu pagaria um dos valores mais baixos, hoje, senão o menor”, comentou.

Não se perde uma vaga na Fórmula 1, depois de trabalhar a vida inteira por isso, e não se sentir atingido. “Está sendo duro para mim, claro. Preciso me reagrupar. Mas tenho fé e às vezes essas coisas acontecem para nós crescermos espiritualmente.” Há dois exemplos semelhantes e recentes na própria Fórmula 1 que o inspiram. “O Nico Hulkenberg e o Adrian Sutial ficaram um ano parados e hoje estão aí, em boas equipes.”

Razia não sabe que caminho profissional vai seguir. “Nesse instante (20 horas em Barcelona, ontem, 16 horas em Brasília), estou no aeroporto comprando uma passagem para voltar para casa, em Milton Keynes (Inglaterra), e pensar o que vou fazer da vida.” E afirmou: “Vou procurar aprender com esse erro que, na realidade, não é um erro”.

Bianchi teve um apoio fundamental para substituir Razia: a Ferrari. O jovem e veloz piloto francês faz parte da Academia da Ferrari. Quarta-feira, a Force India, associada a Mercedes, anunciou a contratação do alemão Adrian Sutil, com quem Bianchi disputava a vaga. Toto Wolff e Sutil são amigos há tempos. Toto tornou-se sócio do time da Mercedes e o diretor esportivo da montadora. Quanto ao acordo do francês com a Marussia, provavelmente implicará a cessão do motor turbo Ferrari para a escuderia em 2014.

No terceiro dia de treinos, ontem, choveu na parte da manhã e no fim da tarde. Fernando Alonso, da Ferrari, afirmou: “No GP do Brasil do ano passado estávamos a 7 ou 8 décimos da Red Bull e McLaren. Este ano acredito que reduzimos essa diferença. Estou esperançoso”. O espanhol não aproveitou os instantes em que a pista estava mais seca e ficou com o último tempo, 1min27s878 (102 voltas), com pneus médios da Pirelli.

Romain Grosjean, da Lotus, foi o mais rápido, 1min22s716 (88), com os pneus macios. Hoje Felipe Massa, companheiro de Alonso, realiza seu último dia de testes antes da abertura do campeonato, dia 17, em Melbourne, na Austrália.

Bianchi assume o lugar de Razia na Marussia. O Brasil terá apenas Massa na F-1 este ano.*

* Por Lívio Oricchio


Vou começar pelo fim: Jules Bianchi vai disputar a temporada pela Marussia. É oficial. Razia está fora.
Pouco antes de colocar o post a seguir no ar um amigo me telefonou, segundos atrás, para dar a notícia. Mas resolvi colocar o post no ar assim mesmo. Vale a pena ver como as coisas se resolvem na Fórmula 1.

Olá amigos!

Aguardava Fernando Alonso chegar ao motorhome da Ferrari, há pouco, e conversava com Felipe Massa e o jornalista alemão Michael Schimidt, do Auto Motor und Sport. Ao nosso lado, numa mesa, estavam Nicolas Todt e Alessandro Bravi, do grupo de trabalho do empresário de Massa, Pastor Maldonado e Jules Bianchi, dentre outros. Junto deles estavam dois integrantes da Marussia, Graeme Lowdon, diretor esportivo, e o outro não identifiquei. Não eram John Booth, diretor geral, ou Andy Webb, o homem que responde pela escuderia.

Obviamente negociavam a contratação de Bianchi, da academia de pilotos da Ferrari e preterido na Force India. A vaga ficou com Adrian Sutil. Soube hoje que Sutil tem uma relação de longa data com Toto Wolff, agora sócio e diretor do time da Mercedes, marca de motor usada pela Force India. Está aí a explicação para Vijay Mallya ter-se decidido por Sutil e não Bianchi.

O interessante é que a Ferrari também estava por trás da eventual contratação de Bianchi pela Force India, como agora, na negociação com a Marussia. Não foi por acaso que a reunião de hoje ocorreu no motorhome dos italianos. Não se surpreenda se em 2014 a Marussia competir com motor e câmbio Ferrari. Hoje utiliza motor da Cosworth, que está deixando a Fórmula 1 por não desenvolver um motor V-6 de 1,6 litro turbo para 2014, e o Kers da Williams.

O negócio deve ser definido de vez hoje à noite e Bianchi já treinar amanhã e domingo pela Marussia, bem como depois disputar a temporada. Bianchi faria o molde do banco hoje à noite desde que os detalhes que faltam para as duas partes assinar o contrato não comprometam o acordo já estabelecido. Sempre possível.

Mas o que se espera é que amanhã, pela manhã, a Marussia anuncie Bianchi já para o teste e como companheiro de Max Chilton para as 19 etapas do Mundial.

Vi Bianchi feliz da vida falando no celular, embora, como escrevi, o contrato não foi ainda assinado. Mas diante de um apoio como o da Ferrari, capaz de ser muito útil a Marussia, que deverá pagar menos por motor, transmissão e o caro Kers em 2014, é provável que agora, nesse instante, 19 horas para nós aqui no Circuito da Catalunha, Booth, Lowdon e Webb devam estar no motorhome da escuderia celebrando com um bom champanhe a iminente assinatura do contrato com Bianchi.

Ratificado o compromisso, como tudo indica, o Brasil teria apenas Massa, em seu ano único de contrato com a Ferrari, na Fórmula 1. Razia teria de buscar outras opções profissionais.

Abraços!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sutil x Bianchi*

* Por Renan do Couto


Nessa F1 de poucos testes e pilotos pagantes, há algum tempo que uma equipe não promove um duelo direto entre dois candidatos. Mas é na pista que Adrian Sutil e Jules Bianchi vão brigar pela última vaga disponível do grid da F1 2013.

Na F1 atual, dar um dia de testes a um piloto que não vai seguir na equipe na temporada não é uma coisa muito provável. Bianchi terá seu segundo dia nesta pré-temporada. O francês andará na sexta-feira, um dia depois do alemão.

Sutil é bom piloto, daqueles que merece estar o grid, mas, se estiver fora, não faz falta. E está tratando essa oportunidade como sua última chance, como disse seu empresário.

Para Bianchi, essa também deveria ser a última chance, mas é possível que não seja, em caso de fracasso. Se não conseguir entrar na F1 agora, só vai conseguir depois se a Ferrari o empurrar para alguma equipe. Ele está a um bom tempo batendo na porta da F1, vem andando na GP2 e na World Series, mas ainda não conseguiu passar no vestibular.

A seu favor pesa justamente a mencionada Ferrari. A Force India, segundo reportes, visa se aliar à Ferrari para 2014. Porém, o time deve ter outras cartas na manga. Do contrário, estaria tudo certo com Bianchi.

Se Sutil andar melhor que Bianchi após um ano distante da categoria, é porque realmente é bem melhor do que o francês, que participou de treinos livres no ano passado.

Vai ser interessante esse duelo. Para não ficar em cima do muro, aposto em Bianchi. Aguardemos os resultados.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

FOTO DO DIA