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quarta-feira, 28 de maio de 2014
GGOO MEMÓRIA: 25 ANOS DA VITÓRIA DE EMERSON NA INDY 500, 1989
28 de maio de 1989, há 25 anos acontecia a 73ª edição das 500 milhas de Indianápolis.
Corrida esta que ficou marcada por um final épico e a primeira vitória brasileira, com Emerson Fittipaldi guiando pela equipe Patrick após largar na primeira fila (terceiro) e liderar o maior número de voltas (158). Raul Boesel completou a prova na terceira posição.
Assista aos melhores momentos desta corrida histórica, com a narração do saudoso Luciano do Valle:
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
REPLAY: F-INDY - INDIANÁPOLIS GP, 2014
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
A VOLTA DE VILLENEUVE*
* Por Victor Martins
Se o mundo achava estranho ver Montoya voltando à Indy após uma ausência de 13 temporadas, pode deixar desde já o caso do colombiano para trás.
Horas atrás, a assessoria da Indy havia informado por nota que a equipe Schmidt Peterson fará um anúncio de piloto “campeão de uma categoria grande” em seu terceiro carro nas 500 Milhas de Indianápolis.
Pois Villeneuve, 19 anós após ter conquistado seu primeiro e único título, vai retornar à categoria em que se projetou no automobilismo. Em 1995, Jacques venceu a Indy 500 e o título pela Green #27. Foi o último ano antes da cisão IRL/Cart.
A corrida, aliás, deveria ter Scott Goodyear como vencedor, mas o compatriota de Villeneuve ultrapassou o pace-car na última relargada, tomando bandeira preta. Jacques, que no começo também havia sido punido com a perda de duas voltas, recuperou-se e conquistou uma das mais belas vitórias de sua época:
O anúncio será feito na próxima quarta-feira em Indianápolis. A princípio, Villeneuve vai participar da coletiva via satélite, mas Sam Schmidt e Davey Hamilton tentam fazer o canadense estar presente para o anúncio. Os titulares da SPM são Pagenaud e o estreante Aleshin.
Villeneuve, 42, depois da conquista da principal prova do automobilismo mundial e do campeonato, foi parar na F1, onde foi campeão em 1997.
Sensacional demais. Pena que o #27 durante a temporada já seja de Hinchcliffe. A Andretti o usa desde seu passado como parceira de Barry Green.
Se o mundo achava estranho ver Montoya voltando à Indy após uma ausência de 13 temporadas, pode deixar desde já o caso do colombiano para trás.
Horas atrás, a assessoria da Indy havia informado por nota que a equipe Schmidt Peterson fará um anúncio de piloto “campeão de uma categoria grande” em seu terceiro carro nas 500 Milhas de Indianápolis.
Pois Villeneuve, 19 anós após ter conquistado seu primeiro e único título, vai retornar à categoria em que se projetou no automobilismo. Em 1995, Jacques venceu a Indy 500 e o título pela Green #27. Foi o último ano antes da cisão IRL/Cart.
A corrida, aliás, deveria ter Scott Goodyear como vencedor, mas o compatriota de Villeneuve ultrapassou o pace-car na última relargada, tomando bandeira preta. Jacques, que no começo também havia sido punido com a perda de duas voltas, recuperou-se e conquistou uma das mais belas vitórias de sua época:
O anúncio será feito na próxima quarta-feira em Indianápolis. A princípio, Villeneuve vai participar da coletiva via satélite, mas Sam Schmidt e Davey Hamilton tentam fazer o canadense estar presente para o anúncio. Os titulares da SPM são Pagenaud e o estreante Aleshin.
Villeneuve, 42, depois da conquista da principal prova do automobilismo mundial e do campeonato, foi parar na F1, onde foi campeão em 1997.
Sensacional demais. Pena que o #27 durante a temporada já seja de Hinchcliffe. A Andretti o usa desde seu passado como parceira de Barry Green.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Barrichello novamente na Grand-Am*
* Por Rodrigo Mattar
Assim como Tony Kanaan, confirmado ontem pela equipe de Chip Ganassi para disputar a 8ª etapa da Rolex Sports Car Series em Indianápolis, Rubens Barrichello também estará presente no mítico circuito estadunidense no fim de julho. O piloto de 41 anos foi convidado pela Doran Racing para disputar a prova de 3 horas de duração marcada para uma sexta-feira, dia 26.
Rubens, que correu as 24 Horas de Daytona no mesmo Porsche da Stuttgart Sportcar onde estava inscrito o amigo Tony Kanaan, vai também andar num Daytona Prototype, assim como o piloto da Fórmula Indy. O carro é o #77 (foto acima), o mesmo que apareceu em Daytona e no Circuito das Américas, em Austin. É um protótipo Ford Dallara com ‘casca’ de Riley DG3.
O companheiro de Barrichello ainda não foi anunciado. Esta será a segunda participação do brasileiro numa corrida de Endurance, após sua saída da Fórmula 1 e a posterior passagem pela Fórmula Indy e agora na Stock Car. A confirmação da inscrição do protótipo #77 da Doran Racing aumenta o filão de carros para a corrida, que sobe para 33. São dezesseis DPs, catorze GTs e três GXs.
Francamente, sempre fui partidário de que um piloto como ele, com a experiência que adquiriu ao longo de mais de 30 anos de carreira, começando no kart, poderia muito bem disputar provas de longa duração. O estilo de pilotagem dele é o que as equipes da modalidade prezam. Rubens é um piloto com ótimo feedback, raramente erra e é constante, qualidades que sempre saltaram aos olhos de todos nos seus tempos de Fórmula 1.
Que ele não desperdice esta oportunidade.
Assim como Tony Kanaan, confirmado ontem pela equipe de Chip Ganassi para disputar a 8ª etapa da Rolex Sports Car Series em Indianápolis, Rubens Barrichello também estará presente no mítico circuito estadunidense no fim de julho. O piloto de 41 anos foi convidado pela Doran Racing para disputar a prova de 3 horas de duração marcada para uma sexta-feira, dia 26.
Rubens, que correu as 24 Horas de Daytona no mesmo Porsche da Stuttgart Sportcar onde estava inscrito o amigo Tony Kanaan, vai também andar num Daytona Prototype, assim como o piloto da Fórmula Indy. O carro é o #77 (foto acima), o mesmo que apareceu em Daytona e no Circuito das Américas, em Austin. É um protótipo Ford Dallara com ‘casca’ de Riley DG3.
O companheiro de Barrichello ainda não foi anunciado. Esta será a segunda participação do brasileiro numa corrida de Endurance, após sua saída da Fórmula 1 e a posterior passagem pela Fórmula Indy e agora na Stock Car. A confirmação da inscrição do protótipo #77 da Doran Racing aumenta o filão de carros para a corrida, que sobe para 33. São dezesseis DPs, catorze GTs e três GXs.
Francamente, sempre fui partidário de que um piloto como ele, com a experiência que adquiriu ao longo de mais de 30 anos de carreira, começando no kart, poderia muito bem disputar provas de longa duração. O estilo de pilotagem dele é o que as equipes da modalidade prezam. Rubens é um piloto com ótimo feedback, raramente erra e é constante, qualidades que sempre saltaram aos olhos de todos nos seus tempos de Fórmula 1.
Que ele não desperdice esta oportunidade.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
REPLAY: F-INDY - TODAS AS VITÓRIAS BRASILEIRAS EM INDIANÁPOLIS
1989 - Emerson Fittipaldi
1993 - Emerson Fittipaldi
2001 - Hélio Castroneves
2002 - Hélio Castroneves
2003 - Gil de Ferran
2009 - Hélio Castroneves
2013 - Tony Kanaan
1993 - Emerson Fittipaldi
2001 - Hélio Castroneves
2002 - Hélio Castroneves
2003 - Gil de Ferran
2009 - Hélio Castroneves
2013 - Tony Kanaan
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terça-feira, 4 de junho de 2013
Kanaan, o Corinthians do automobilismo*
* Por Bruno Vicaria
Para quem conhece minimamente o futebol, sabe que a base de fãs do Corinthians (eca) cresceu justamente no momento em que a equipe vivia um de seus piores momentos no quesito resultados. Entre 1954, data do título do IV Centenário, e 1977, quando o time do Parque São Jorge (eca) venceu o Campeonato Paulista, se passaram 23 anos.
E foi exatamente neste período que o "vírus" se espalhou de forma incomum, pois, tradicionalmente, vemos as torcidas das equipes crescerem justamente nas épocas de glória. Foi assim com Flamengo, Santos , Palmeiras, São Paulo, mas não com o Corinthians (eca), que, quando conquistou seus maiores títulos, no ano passado, já possuía uma das maiores torcidas do Brasil (apesar de ser palmeirense e poder contestar tudo da "gambazada", acredito que essa história de o Flamengo ser o maior um baita papinho furado).
Com Tony Kanaan, podemos dizer que aconteceu o mesmo. Quando ganhou seu título na Indy, em 2004, o povo não deu muita bola. Mas a história dele com Indianápolis, a obsessão de TK por essa conquista, aliada à sua infinita simpatia, só fez crescer cada vez mais sua base de fãs. Quanto mais ele perdia a Indy 500, mais fãs ele ganhava. E, a cada corrida, a comoção aumentava, pois parecia que o destino não queria premiá-lo, assim como acontecia com o Corinthians (eca) na década de 70, dos tempos da Invasão Corinthiana (eca) no Maracanã. Tanto TK quanto o Corinthians (eca) morreram muitas vezes na praia e aprenderam com o sofrimento.
Porém, a identificação imediata do público com quem luta e não desiste fizeram de Tony e do Corinthians (eca) duas instituições em suas áreas, mesmo que o chamado "pedigree" (leia-se conquistas) não fosse dos mais requintados. Mesmo largando em último, como em 2010, Kanaan era ovacionado a cada ultrapassagem, mesmo que ela valesse o 17º lugar. A mesma coisa com o Corinthians (eca), quando buscava passar pelas fases eliminatórias da Libertadores.
Porém, no caso dos dois, o tempo é rei. Demorou 101 anos para o Corinthians (eca) realizar seu sonho (mesmo que a Libertadores tenha começado nos anos 60, a meta do time sempre foi ser o melhor do mundo), e 11 anos para Kanaan fazer o mesmo. Levando em conta as características de cada um, esses 11 anos de TK valem o século do SCCP (eca). Porém, além do sonho, outra coisa os dois ganharam: o carinho das pessoas e um incentivo que faz até o mais fraco se sentir o mais forte. Afinal, os fortes jamais desistem.
PS: TK é são-paulino (eca).
Para quem conhece minimamente o futebol, sabe que a base de fãs do Corinthians (eca) cresceu justamente no momento em que a equipe vivia um de seus piores momentos no quesito resultados. Entre 1954, data do título do IV Centenário, e 1977, quando o time do Parque São Jorge (eca) venceu o Campeonato Paulista, se passaram 23 anos.
E foi exatamente neste período que o "vírus" se espalhou de forma incomum, pois, tradicionalmente, vemos as torcidas das equipes crescerem justamente nas épocas de glória. Foi assim com Flamengo, Santos , Palmeiras, São Paulo, mas não com o Corinthians (eca), que, quando conquistou seus maiores títulos, no ano passado, já possuía uma das maiores torcidas do Brasil (apesar de ser palmeirense e poder contestar tudo da "gambazada", acredito que essa história de o Flamengo ser o maior um baita papinho furado).
Com Tony Kanaan, podemos dizer que aconteceu o mesmo. Quando ganhou seu título na Indy, em 2004, o povo não deu muita bola. Mas a história dele com Indianápolis, a obsessão de TK por essa conquista, aliada à sua infinita simpatia, só fez crescer cada vez mais sua base de fãs. Quanto mais ele perdia a Indy 500, mais fãs ele ganhava. E, a cada corrida, a comoção aumentava, pois parecia que o destino não queria premiá-lo, assim como acontecia com o Corinthians (eca) na década de 70, dos tempos da Invasão Corinthiana (eca) no Maracanã. Tanto TK quanto o Corinthians (eca) morreram muitas vezes na praia e aprenderam com o sofrimento.
Porém, a identificação imediata do público com quem luta e não desiste fizeram de Tony e do Corinthians (eca) duas instituições em suas áreas, mesmo que o chamado "pedigree" (leia-se conquistas) não fosse dos mais requintados. Mesmo largando em último, como em 2010, Kanaan era ovacionado a cada ultrapassagem, mesmo que ela valesse o 17º lugar. A mesma coisa com o Corinthians (eca), quando buscava passar pelas fases eliminatórias da Libertadores.
Porém, no caso dos dois, o tempo é rei. Demorou 101 anos para o Corinthians (eca) realizar seu sonho (mesmo que a Libertadores tenha começado nos anos 60, a meta do time sempre foi ser o melhor do mundo), e 11 anos para Kanaan fazer o mesmo. Levando em conta as características de cada um, esses 11 anos de TK valem o século do SCCP (eca). Porém, além do sonho, outra coisa os dois ganharam: o carinho das pessoas e um incentivo que faz até o mais fraco se sentir o mais forte. Afinal, os fortes jamais desistem.
PS: TK é são-paulino (eca).
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
Kanaan e o oportunismo do brasileiro*
* Por Hugo Becker
Provavelmente, tudo o que havia para ser dito sobre a incrível vitória de Tony Kanaan nas 500 Milhas de Indianápolis, no último domingo (26), já foi dito. Mas gostaria de falar mais um pouco sobre, partindo de uma outra ótica.
O triunfo do brasileiro foi muito celebrado, no Brasil, por ele ser brasileiro, "um dos nossos calando a boca dos gringos".
Claro, é um direito e é justo torcer por seu compatriota. Faz parte do show.
Naquela tarde, após as últimas voltas e a bandeirada final – sem as imagens da comemoração de Tony, devidamente cortadas pela transmissão pífia da Band, rainha do antimarketing de um dos seus mais valiosos produtos –, a Indy atraiu, nas redes sociais e nos sites especializados, uma audiência que há tempos não se via por estas bandas.
Era a audiência do público médio, que na maior parte do tempo não dá a mínima para a categoria, até subestima a capacidade dos pilotos que lá estão e a qualidade das corridas que lá ocorrem. Procuravam a emocionante repercussão da "vitória do brasileiro em Indianápolis" – três palavrinhas mágicas para o brasilino de plantão.
Nada contra. É aceitável que se comemore o triunfo de um local. Isso ocorre em todos os países com representantes de alto nível em diversos esportes mundo afora. É claro que é um orgulho. Mas no Brasil, até este tipo de orgulho é distorcido e oportunista.
É preciso compreender o fato de que em outras nações com esportistas vencedores, há, quase sempre, um conhecimento da maior parte do público pela categoria em questão. Há, portanto, o entendimento de parte da história, dos contextos do presente e do real mérito da vitória ou da derrota. A celebração do triunfo de um local, neste caso, é muito mais consciente. Não é um oba-oba raso e infantil. É a concepção e a noção de um cenário que levou a uma vitória merecida ou não, a uma derrota justa ou não.
Mas no Brasil, qualquer vencedor de qualquer esporte recebe loas imediatas, celebrações entusiasmadas, pompas, glórias e fru-frus, vira ídolo instantâneo, guerreiro, gente como a gente, sangue tupiniquim, capa de revista. Aí a página vira em questão de semanas – às vezes, até dias – e o assunto seguinte ofusca a glória suprema do 'nosso irmão de pátria'. Ai dele, aliás, se não ganhar a competição seguinte. Vira um fracassado completo.
Este tipo de audiência extra saiu atrás de notícias e imagens da glória máxima do 'nosso' Kanaan no domingo passado. Ao contrário dos que realmente gostam da Indy – e não são poucos –, eles não conhecem as incríveis histórias de caras como James Hinchcliffe e Carlos Muñoz, duas enormes promessas. Não conhecem a importância da Penske, da Ganassi e da Andretti na categoria. Não fazem a menor ideia de que a KV é um time de médio pra pequeno, com chances raríssimas de vencer.
Eles conhecem Tony e Helio Castroneves. Com sorte, Bia Figueiredo. E só.
Essa alienação, em boa parte, é culpa das emissoras responsáveis pela transmissão e divulgação de eventos como Indy e F1. As edições e narrações insuflam o pachequismo na mente do brasileiro médio, criam expectativas baseadas em fatos que inexistem e descem a lenha quando a glória não vem. O mesmo acontece com o futebol da seleção brasileira, para ficar em outro exemplo bastante conhecido mas que a maioria ignora.
No Brasil, a chance de vermos arquibancadas lotadas comemorando – sim, comemorando – a vitória de um não-brasileiro em uma corrida internacional é nula. Absolutamente nula. No máximo, meia dúzia de gatos pingados comemoraram, de fato, a vitória de Hinchcliffe na SP Indy 300. Provavelmente sob a reprovação dos genuínos brasilinos.
Mas em Indianápolis, templo sagrado do automobilismo mundial, aquela imensidão de pessoas que tomou por completo o circuito simplesmente urrou de alegria quando Kanaan ultrapassou Ryan Hunter-Reay e assumiu a liderança da prova. Gritou mais ainda quando Franchitti, em seguida, arrebentou seu carro no muro da curva 1. A volta final, sob bandeira amarela, levou Tony às lágrimas antes mesmo de receber a quadriculada, por conta da espetacular euforia dos torcedores norte-americanos, europeus e latinos, com uma minoria absoluta de brasileiros.
Estes torcedores conhecem a categoria. Conhecem os pilotos, a história, os contextos, a trajetória. Idolatram TK e Helinho, como no passado veneraram caras como Alessandro Zanardi e Greg Moore, não pela nacionalidade, não pelo oportunismo nem pelo momento favorável, mas sim por reconhecerem o carisma desses pilotos, a luta de cada um deles para chegar ao topo, as derrotas mais duras, as sagas e as vitórias mais merecidas.
Isso é amar um esporte. Isso é desfrutar o esporte ao máximo, como um todo.
Foi por ver a Indy exatamente dessa maneira que eu fui, sim, às lágrimas, quando Tony recebeu a bandeira quadriculada e levou, enfim, sua primeira Indy 500, depois de tantos anos de azares, absurdos, sofrimentos e frustrações por lá. O cara mereceu demais, acima da cor da bandeira da terra onde nasceu.
Na minha emoção, sua nacionalidade não pesou em nenhum momento. E não deve jamais pesar. Não neste caso. A vitória é dele, não 'nossa'. Nada, na vida, é nosso. Nossa única posse somos nós mesmos, e na maior parte do tempo, fazemos mau uso disso. De quebra, há quem queira se apropriar da vitória dos outros, apenas por serem compatriotas.
Patriotismo, meus caros, é outra coisa. E isso, além de noção, o brasilino não tem.
Provavelmente, tudo o que havia para ser dito sobre a incrível vitória de Tony Kanaan nas 500 Milhas de Indianápolis, no último domingo (26), já foi dito. Mas gostaria de falar mais um pouco sobre, partindo de uma outra ótica.
O triunfo do brasileiro foi muito celebrado, no Brasil, por ele ser brasileiro, "um dos nossos calando a boca dos gringos".
Claro, é um direito e é justo torcer por seu compatriota. Faz parte do show.
Naquela tarde, após as últimas voltas e a bandeirada final – sem as imagens da comemoração de Tony, devidamente cortadas pela transmissão pífia da Band, rainha do antimarketing de um dos seus mais valiosos produtos –, a Indy atraiu, nas redes sociais e nos sites especializados, uma audiência que há tempos não se via por estas bandas.
Era a audiência do público médio, que na maior parte do tempo não dá a mínima para a categoria, até subestima a capacidade dos pilotos que lá estão e a qualidade das corridas que lá ocorrem. Procuravam a emocionante repercussão da "vitória do brasileiro em Indianápolis" – três palavrinhas mágicas para o brasilino de plantão.
Nada contra. É aceitável que se comemore o triunfo de um local. Isso ocorre em todos os países com representantes de alto nível em diversos esportes mundo afora. É claro que é um orgulho. Mas no Brasil, até este tipo de orgulho é distorcido e oportunista.
É preciso compreender o fato de que em outras nações com esportistas vencedores, há, quase sempre, um conhecimento da maior parte do público pela categoria em questão. Há, portanto, o entendimento de parte da história, dos contextos do presente e do real mérito da vitória ou da derrota. A celebração do triunfo de um local, neste caso, é muito mais consciente. Não é um oba-oba raso e infantil. É a concepção e a noção de um cenário que levou a uma vitória merecida ou não, a uma derrota justa ou não.
Mas no Brasil, qualquer vencedor de qualquer esporte recebe loas imediatas, celebrações entusiasmadas, pompas, glórias e fru-frus, vira ídolo instantâneo, guerreiro, gente como a gente, sangue tupiniquim, capa de revista. Aí a página vira em questão de semanas – às vezes, até dias – e o assunto seguinte ofusca a glória suprema do 'nosso irmão de pátria'. Ai dele, aliás, se não ganhar a competição seguinte. Vira um fracassado completo.
Este tipo de audiência extra saiu atrás de notícias e imagens da glória máxima do 'nosso' Kanaan no domingo passado. Ao contrário dos que realmente gostam da Indy – e não são poucos –, eles não conhecem as incríveis histórias de caras como James Hinchcliffe e Carlos Muñoz, duas enormes promessas. Não conhecem a importância da Penske, da Ganassi e da Andretti na categoria. Não fazem a menor ideia de que a KV é um time de médio pra pequeno, com chances raríssimas de vencer.
Eles conhecem Tony e Helio Castroneves. Com sorte, Bia Figueiredo. E só.
Essa alienação, em boa parte, é culpa das emissoras responsáveis pela transmissão e divulgação de eventos como Indy e F1. As edições e narrações insuflam o pachequismo na mente do brasileiro médio, criam expectativas baseadas em fatos que inexistem e descem a lenha quando a glória não vem. O mesmo acontece com o futebol da seleção brasileira, para ficar em outro exemplo bastante conhecido mas que a maioria ignora.
No Brasil, a chance de vermos arquibancadas lotadas comemorando – sim, comemorando – a vitória de um não-brasileiro em uma corrida internacional é nula. Absolutamente nula. No máximo, meia dúzia de gatos pingados comemoraram, de fato, a vitória de Hinchcliffe na SP Indy 300. Provavelmente sob a reprovação dos genuínos brasilinos.
Mas em Indianápolis, templo sagrado do automobilismo mundial, aquela imensidão de pessoas que tomou por completo o circuito simplesmente urrou de alegria quando Kanaan ultrapassou Ryan Hunter-Reay e assumiu a liderança da prova. Gritou mais ainda quando Franchitti, em seguida, arrebentou seu carro no muro da curva 1. A volta final, sob bandeira amarela, levou Tony às lágrimas antes mesmo de receber a quadriculada, por conta da espetacular euforia dos torcedores norte-americanos, europeus e latinos, com uma minoria absoluta de brasileiros.
Estes torcedores conhecem a categoria. Conhecem os pilotos, a história, os contextos, a trajetória. Idolatram TK e Helinho, como no passado veneraram caras como Alessandro Zanardi e Greg Moore, não pela nacionalidade, não pelo oportunismo nem pelo momento favorável, mas sim por reconhecerem o carisma desses pilotos, a luta de cada um deles para chegar ao topo, as derrotas mais duras, as sagas e as vitórias mais merecidas.
Isso é amar um esporte. Isso é desfrutar o esporte ao máximo, como um todo.
Foi por ver a Indy exatamente dessa maneira que eu fui, sim, às lágrimas, quando Tony recebeu a bandeira quadriculada e levou, enfim, sua primeira Indy 500, depois de tantos anos de azares, absurdos, sofrimentos e frustrações por lá. O cara mereceu demais, acima da cor da bandeira da terra onde nasceu.
Na minha emoção, sua nacionalidade não pesou em nenhum momento. E não deve jamais pesar. Não neste caso. A vitória é dele, não 'nossa'. Nada, na vida, é nosso. Nossa única posse somos nós mesmos, e na maior parte do tempo, fazemos mau uso disso. De quebra, há quem queira se apropriar da vitória dos outros, apenas por serem compatriotas.
Patriotismo, meus caros, é outra coisa. E isso, além de noção, o brasilino não tem.
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Não Perde Mais, Tony Kanaan!*
* Por Teo José
A prova mais tradicional e fantástica do automobilismo teve ontem a sua edição de número 97. Tony Kanaan participou de 12, mais de 10% das provas. Esteve claramente perto de ganhar em, pelo menos, quatro. Só que o maior triunfo de sua carreira veio nesse domingo.
Na corrida em que mais vezes houve troca de liderança, com 68 em 200 voltas, Kanaan foi líder em 15 oportunidades. Sempre esteve entre os cinco primeiros. Desde o começo mostrou que tinha carro para vencer, como pelo menos mais sete pilotos.
Nas últimas quatro voltas, depois de uma amarela, pulou na frente e quando preparava para abrir vantagem outra bandeira amarela, devido a batida do Dario Franchitti. Faltando pouco mais de duas voltas, era claro que o sofrimento foi abreviado. As posições não seriam mais alteradas e a corrida terminaria com Safety Car.
Não caiu no colo. Foi uma vitória construída e de forma bem agressiva. Ganhou quem teve carro, cabeça e determinação desde o inicio. Acredito que mesmo sem a última amarela, ele iria abrir mais do que o suficiente para vencer.
Na verdade, não importa se estou certo ou errado. O que vale mesmo é a conquista. Tony é o tipo do piloto que nunca teve vida fácil. Sempre precisou lutar por tudo na sua vida. Neste ano, não está sendo diferente.
Começou a temporada ainda precisando fechar os buracos de patrocínio na sua equipe. Até o momento em que escrevo ainda não sei de quanto será seu prêmio. Pelo público de ontem, muita gente, cerca de 250 mil pessoas, o valor deve passar de dois milhões de dólares.
Descontando os impostos e a parte que fica para equipe, vamos calcular que engorde seu cofrinho em cerca de R$ 2 milhões.
Além disto a recompensa vem mais forte com o reconhecimento, o retorno de novos patrocínios e a carreira com um caminho mais longo e aberto. É o tipo da vitória que o piloto cresce e a equipe também.
Foi apenas o terceiro triunfo da equipe KV, antes tinha ganhado com Cristiano Da Matta e Will Power – a última vez em 2008. Tony voltou a vencer depois de quase três anos. Todos estes fatos mostram a grandeza que foi cruzar na frente.
Outro dia falamos aqui neste espaço que o objetivo maior dele neste ano era esta prova. A equipe se preparou melhor. Em uma edição muito equilibrada, a maior dos últimos tempos, brilhou a estrela do Tony. Brilhou mais do que isto: talento, garra, determinação.
Gosto de automobilismo assim. Onde regras, tecnologia, carros, modernidade são apenas alguns itens para se dar bem – mas onde o principal ainda é a cabeça e o coração do piloto.
Parabéns Tony! Não Perde Mais, Tony Kanaan!!!
A prova mais tradicional e fantástica do automobilismo teve ontem a sua edição de número 97. Tony Kanaan participou de 12, mais de 10% das provas. Esteve claramente perto de ganhar em, pelo menos, quatro. Só que o maior triunfo de sua carreira veio nesse domingo.
Na corrida em que mais vezes houve troca de liderança, com 68 em 200 voltas, Kanaan foi líder em 15 oportunidades. Sempre esteve entre os cinco primeiros. Desde o começo mostrou que tinha carro para vencer, como pelo menos mais sete pilotos.
Nas últimas quatro voltas, depois de uma amarela, pulou na frente e quando preparava para abrir vantagem outra bandeira amarela, devido a batida do Dario Franchitti. Faltando pouco mais de duas voltas, era claro que o sofrimento foi abreviado. As posições não seriam mais alteradas e a corrida terminaria com Safety Car.
Não caiu no colo. Foi uma vitória construída e de forma bem agressiva. Ganhou quem teve carro, cabeça e determinação desde o inicio. Acredito que mesmo sem a última amarela, ele iria abrir mais do que o suficiente para vencer.
Na verdade, não importa se estou certo ou errado. O que vale mesmo é a conquista. Tony é o tipo do piloto que nunca teve vida fácil. Sempre precisou lutar por tudo na sua vida. Neste ano, não está sendo diferente.
Começou a temporada ainda precisando fechar os buracos de patrocínio na sua equipe. Até o momento em que escrevo ainda não sei de quanto será seu prêmio. Pelo público de ontem, muita gente, cerca de 250 mil pessoas, o valor deve passar de dois milhões de dólares.
Descontando os impostos e a parte que fica para equipe, vamos calcular que engorde seu cofrinho em cerca de R$ 2 milhões.
Além disto a recompensa vem mais forte com o reconhecimento, o retorno de novos patrocínios e a carreira com um caminho mais longo e aberto. É o tipo da vitória que o piloto cresce e a equipe também.
Foi apenas o terceiro triunfo da equipe KV, antes tinha ganhado com Cristiano Da Matta e Will Power – a última vez em 2008. Tony voltou a vencer depois de quase três anos. Todos estes fatos mostram a grandeza que foi cruzar na frente.
Outro dia falamos aqui neste espaço que o objetivo maior dele neste ano era esta prova. A equipe se preparou melhor. Em uma edição muito equilibrada, a maior dos últimos tempos, brilhou a estrela do Tony. Brilhou mais do que isto: talento, garra, determinação.
Gosto de automobilismo assim. Onde regras, tecnologia, carros, modernidade são apenas alguns itens para se dar bem – mas onde o principal ainda é a cabeça e o coração do piloto.
Parabéns Tony! Não Perde Mais, Tony Kanaan!!!
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