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sexta-feira, 21 de junho de 2013

FIA desautoriza seu delegado de segurança no julgamento da Mercedes e da Pirelli*

* Por Lívio Oricchio


Como era de se esperar, a sessão do Tribunal Internacional (TI) da FIA, nesta sexta-feira, em Paris, acabou revelando detalhes importantes sobre o teste da equipe Mercedes para a Pirelli, entre 15 e 17 de maio, em Barcelona. A Red Bull e a Ferrari acusaram a Mercedes de ter desrespeitado o regulamento, pois os testes são proibidos na Fórmula 1. Por isso estavam sendo julgadas hoje. Os quatro membros do TI ouviram durante sete horas o representante da FIA, Mark Howard, e os da Mercedes e Pirelli. O presidente do TI, o advogado inglês Edwin Glasgow, informou que o veredicto e eventuais sentenças serão anunciados amanhã, sexta-feira.

O que primeiro chama a atenção no julgamento foi o fato de a FIA desautorizar publicamente dois de seus maiores representantes, Charlie Whiting, delegado de segurança, diretor de corrida, principal responsável por dirimir as dúvidas sobre legalidade ou não dos recursos técnicos e esportivos, bem como o diretor jurídico da entidade, Sebastien Bernard. Whiting foi consultado pelo chefe da equipe Mercedes, Ron Meadows, e depois por Ross Brawn, diretor técnico. Desejavam saber se poderiam atender o pedido de testes feito pela Pirelli. Whiting consultou Bernard e respondeu a Brawn: “É possível, desde que a Pirelli dê a mesma oportunidade aos demais times”.

O promotor da FIA, Mark Howard, comentou: “Essa resposta nada mais é do que a interpretação de Whiting e Bernard do artigo 22 do regulamento esportivo”. O artigo proíbe testes no período compreendido entre 10 dias antes do início do campeonato e 31 dezembro. Whiting e Bernard, porém, leram o contrato existente entre a FIA e a Pirelli, que dá à fornecedora de pneus da Fórmula 1 o direito de realizar mil quilômetros de testes com as escuderias utilizando os carros da temporada, com a ressalva feita a Mercedes, quem quisesse poderia também realizar o mesmo teste de mil quilômetros.

O advogado da FIA procurou deixar claro que a entidade não autorizou a Mercedes a fazer o teste. Mais: o fato de ter treinado garantiu ao time alemão vantagens, em detrimento dos demais concorrentes, o que contraria as regras. E pediu punição à organização conduzida por Brawn.

O advogado da Mercedes, Paul Harris, explicou que o teste não acrescentou conhecimento à equipe por a Pirelli não informar o tipo de pneus que estava sendo testado. Admitiu ter sido um erro descaracterizar Lewis Hamilton e Nico Rosberg, os pilotos do teste, ao lhes entregar capacetes pretos. “Aumentou a suspeita de que fosse um teste secreto. E não foi.” Harris disse que a Mercedes adotou capacetes diferentes porque a escuderia não tinha sua estrutura de segurança no teste e não queria que seus pilotos fossem identificados.

A Ferrari foi duramente atacada por Harris. “Se nós merecemos punição então a Ferrari também. Até mais. Eles da mesma forma realizaram testes de pneus para a Pirelli (dois dias em abril, em Barcelona) e até pagaram as despesas do circuito, enquanto nós trabalhamos para a Pirelli.” A Ferrari utilizou no teste o carro de 2010 e Pedro de la Rosa, o que não é proibido pelo regulamento.

Para o advogado da Mercedes, se o seu cliente for condenado, o mais provável é que a pena seja bastante branda. “Talvez perdermos o direito de três dias de testes com jovens pilotos agora em julho, em Silverstone.” As escuderias vão treinar no circuito inglês com pilotos sem experiência na Fórmula 1. Como forma de compensar o teste realizado em maio, a Mercedes ficaria fora desse ensaio.

A defesa da Pirelli parece ter desmontado o TI. Seu advogado, Dominique Dumas, argumentou que o TI não tinha competência para julgar a fornecedora de pneus da Fórmula 1. “Não é possível compreender esse processo disciplinar. A Pirelli apenas exerceu o seu direito de requerer o teste. Red Bull e Ferrari já disseram não ter nada contra nós.” Como a empresa não transgrediu o regulamento, se a FIA desejasse processá-la deveria recorrer a um tribunal não esportivo. “Depois da argumentação de nosso advogado, logo no início, o TI não nos fez uma única pergunta”, revelou ao Estado Francesco Paolo Tarallo, chefe de imprensa da Pirelli, presente no julgamento.

Mesmo que a Mercedes venha a ser punida, amanhã, poucos acreditam numa pena severa. O mais importante será o esclarecimento dos direitos de cada um, do fornecedor de pneus, que solicitou o treino para melhorar o seu produto, e das equipes. O que, afinal, cada um pode e não pode fazer.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

SOBRE ÉTICA E MARKETING*

*Por Victor Martins

O sr. Lars Osterlind, a quem desde já reputo todo meu respeito e admiração por seu trabalho de investigação, foi indicado pela própria FIA para minuciar toda a epopeia antagonizada pela Ferrari que o mundo viu naquele 25 de julho na Alemanha. O sr. Osterlind entregou um relatório nas mãos dos indigníssimos representantes do Conselho Mundial em que evidenciava o jogo de equipe para permitir que Alonso vencesse em detrimento de Massa, contrariando a defesa dos italianos de que nenhuma mensagem determinando a troca foi passada aos pilotos.

Como a inteligência de Osterlind não faz parte de um novo brinquedo do Playcenter ou do parque mais próximo aí de sua cidade, ali naquele documento ele concluiu que alguns elementos codificados, expressos em seu ápice no “Fernando is faster than you”, eram a deixa para que a Ferrari executasse seu plano. A Ferrari rebateu dizendo que só fez aquilo para que o brasileiro fosse motivado e que a decisão de deixar passar partiu do mesmo.

Osterlind foi além e derrubou esta piadinha de gosto duvidoso, eufemismo para hipocrisia, da Ferrari revelando que o time havia pedido para seus pilotos baixarem as rotações do motor, como costumeiramente faz nas partes finais das corridas. Alonso acatou e depois, à revelia de Massa, aumentou os giros. Fernando passou a ser mais rápido que Massa, pois.

Assim, Osterlind, munido de uma postura ética, pediu que a Ferrari fosse punida, perdendo seus pontos na corrida, bem como a vitória fosse devolvida a Massa numa aplicação simples de 5 segundos ao tempo final de prova de Alonso, suficiente para que a inversão de posições acontecesse. À sua indicação, Osterlind anexou a declaração pessoal de que “o automobilismo deve ser imprevisível” e que “parte do elemento de competição é dar tratamento igual a todos os competidores”.

Pois a FIA chegou à mesma conclusão que Osterlind, textual e oficialmente, hoje, no rescaldo detalhado de suas ações em sua sede em Paris. Só não fez mais nada em relação à punição que havia sido dada pelos comissários da corrida, os tais US$ 100 mil. E prometeu rever a regra porque, talvez, esteja mal escrita, puxa vida.

Não posso conceber que um artigo de regulamento que diga que “ordens de equipe estão proibidas” esteja mal escrito. Mais claro que isso, só dois disso. Não posso conceber que, diante da admissão de que houve um jogo de equipe, que a punição seja quantificada em valor financeiro. US$ 100 mil é o que a Ferrari gasta com o chá da tarde na estação de esqui em Madonna di Campiglio no começo do ano. E também não posso conceber com este argumento geral de que é difícil fiscalizar quando há ordem de equipe ou não.

Ao que me parece e consta, estamos em 2010, um mundo dominado pela comunicação rápida, quase em ritmo de fast food. São câmeras em HD e supercâmeras para identificar sinalizações das mais exageradas e contidas em placas e gestos, captação de todas as conversas de rádio, telemetria avançada que pode mostrar alterações no ritmo de corrida de cada piloto e, principalmente, bom senso e inteligência. Em suma, quando se bem quer, entende-se que há um jogo de equipe e pronto.

Diante disso, vamos a uma análise. Qual a diferença do que foi feito pela Ferrari na Alemanha e o que aconteceu em Cingapura em 2008? Esqueça que o caso da Renault foi muito mais deplorável esportivamente. A questão envolve o plano e o resultado. A única diferença que há é que não houve uma troca de posições. A Renault contava com o fator de risco. Era basicamente uma aposta.

Porque nos dois casos houve uma armação e um jogo de equipe, que colocava o piloto 2 em prejuízo por causa do piloto 1 — a Renault precisou tirar o 2 da prova; a Ferrari, não —, com objetivos bem claros. A Ferrari queria manter seu piloto 1 na disputa pelo título e a Renault pretendia manter os patrocínios para o próximo ano. Coincidentemente (ou não), o piloto 1 é o mesmo nos dois casos. Hão de dizer alguns que no caso da Renault o destino da corrida foi modificado e tal. Dane-se. A questão está nos atos e não nas consequências.

Em 2002, a Ferrari saiu com uma multa de US$ 1 milhão no episódio de Barrichello e Schumacher na Áustria. Em 2009, ano do julgamento, houve toda uma história de delação premiada e banimento de Flavio Briatore e Pat Symonds, sendo que a Renault foi posta em observação por ter sido ré confessa. Em 2010, a Ferrari saiu com uma multa 90% mais barata que a de oito anos atrás sem que Stefano Domenicali fosse questionado ou ameaçado de punição. Difícil julgar na condição da hipótese, mas provavelmente uma presidência de Max Mosley na FIA nos tempos atuais traria um resultado muito mais moral, digamos assim. Com Jean Todt, arquiteto de resultados manipulados no comando, era de fato impossível cobrar uma posição mais firme.

Falei hoje com uma fonte que todos hão de saber quem na semana que vem. A declaração, para se compreender bem o que se passa numa reunião do Conselho, foi esta: “É um negócio tenso demais. É uma experiência e tanto estar naquele prédio (…). Eles ficam lá dentro falando, e aí todo mundo decide alguma coisa, eles vão lá fora e gritam para os jornalistas que foi tal coisa, soltam um ‘press release’ e ficam 500 mil pessoas gritando para saber o que aconteceu. Essas decisões da FIA são meio assim: vamos decidir todos juntos, somos uma família, não somos só a FIA, somos Ferrari e outras equipes, e vamos tomar uma decisão que não atrapalhe o esporte.”

O problema não recai simplesmente sobre quem tem ou não tem caráter e postura e se volta contra o sistema. É como o cara que joga lixo na rua ou que sai dirigindo um carro bêbado pondo em risco a vida dos outros. Enquanto não se pune um camarada destes, o erro persiste. Infelizmente o ser humano é assim: só aprende dando com a cara na parede. Aí ele vai aprender na marra a saber de valores. Coloquem alguém minimamente digno no comando, FIA e F1, que toda esta patacoada deprimente acaba. Os cordeirinhos vão obedecer depois que as sanções forem aplicadas.

Repito: considero incompreensível colocar um campeonato de Construtores mais valioso que o de Pilotos. Se assim for, que se coloquem robôs nos cockpits, e aí as disputas das marcas se tornam atração principal. Ou que os interesses da equipe valham mais que o do competidor. O jogo de equipe só é aceitável quando um de seus pilotos deixa de concorrer ao seu ideal — aí, então, que trabalhe pelo ideal do outro. Se quiserem mexer na regra, que coloquem este adendo. O resto vira perfumaria e se vira contra a própria F1.

Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, disse essa semana que a F1 precisava trabalhar o marketing. Brilhante. Diante dos recentes ocorridos, Bernie Ecclestone deveria investir sua ampla fortuna num papa da propaganda para o bem de sua família.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ORDEM PARA MOTIVAR MASSA? EU LI DIREITO?

Que a Ferrari negou ter feito uma ordem de equipe a Felipe Massa no GP da Alemanha, é sabido por todos. Nesta quinta-feira, entretanto, um dia depois de o Conselho Mundial deixar o time sem punição adicional à multa de US$ 100 mil, o presidente da Federação Espanhola de Automobilismo, Carlos Gracia, afirmou que os representantes de Maranello declararam que a mensagem de Rob Smedley, engenheiro de Massa, ao brasileiro era para motivá-lo. E que Felipe deixou Alonso passar por estar irritado.

A mensagem, hoje conhecida de todos, dizia que Fernando era mais rápido do que Massa. De acordo com Gracia, a Ferrari justificou que as palavras de Smedley visavam manter o brasileiro concentrado em melhorar seu ritmo, uma vez que o companheiro se aproximava. Irritado com a cobrança do engenheiro, Massa teria simplesmente deixado Alonso ultrapassar.

"Para motivá-lo, foi dito a Massa que ele estava mais lento do que Alonso. Irritado com a mensagem, Massa decidiu reduzir a velocidade, e isso gerou as suspeitas de ordem de equipe", afirmou Gracia.

Na audiência, a Ferrari negou que o acontecido no GP da Alemanha tenha sido um caso de jogo de equipe.

- Falei também com Alonso sobre este caso. Ele disse que não sabia nada sobre uma suposta imposição de uma ordem de equipe a Massa para deixá-lo passar - afirma o dirigente espanhol.

FALTA DE PROVAS????

Jean Todt afirmou à emissora britânica BBC que não havia provas suficientes para incriminar a Ferrari no julgamento do Conselho Mundial da FIA, realizado na última quarta-feira (8), em Paris, informa o site GRANDE PREMIO.

"Antes de você dizer que é culpado, você precisa provar que é culpado. E, se você entender todas as partes que foram questionadas, todos negaram que fosse uma ordem de equipe", afirmou Todt. Questionado, Todt admitiu que a maioria das pessoas acredita que a Ferrari fez uso de ordens de equipe. "Eu tendo a concordar, também", falou.

Stefano Domenicali, chefe da Ferrari, agradeceu pelo fato de a entidade máxima do automobilismo não ter punido o time e decidir revisar a regra que proíbe o jogo de equipe. "Tomamos conhecimento da decisão do Conselho Mundial, que confirmou a decisão dos comissários e estimamos o fato de o Conselho Mundial ter levado em consideração o fato de que a regra das ordens de equipe tem de ser alterada para se tornar muito mais clara. É um grande passo para a transparência."

A FIA ainda vai justificar oficialmente o fato de não dar punições adicionais à Ferrari.


Ou seja, a palhaçada continua.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O JULGAMENTO DA FERRARI*

* Por Luiz Fernando Ramos

Daqui a minutos estaremos todos ligados nos acontecimentos da reunião do Conselho Mundial da FIA. De acordo com o Código Desportivo Internacional da entidade, a Ferrari pode sofrer as seguintes sanções, em ordem crescente de gravidade, caso os responsáveis julguem procedente a acusação do uso de ordens de equipe e de uma conseqüente quebra do regulamento:

- Advertência (altamente improvável, já que abriria um precedente para que as ordens de equipe voltassem à categoria pela porta dos fundos, de maneira não-oficial)

- Multa (possível, podem dar a Ferrari uma multa bem mais dolorosa que os cem mil dólares aplicados horas depois da corrida pelos comissários de Hockenheim)

- Penalização de tempo (altamente improvável, já que a inversão de posições promovida pela Ferrari permaneceria efetivada, ainda que em colocações mais baixas)

- Desclassificação da corrida (e a conseqüente perda de pontos, uma das alternativas mais prováveis; vale lembrar que o Código Desportivo também recomenda que, neste caso, tanto pilotos quanto equipe sejam atingidos pela pena, a não ser em "casos excepcionais")

- Suspensão por uma ou mais corridas (improvável mas não impossível; em Monza a Ferrari corre de qualquer jeito e uma eventual suspensão do time em Cingapura e em eventuais outras etapas criaria um tremendo mal-estar com os organizadores destas provas)

- Desclassificação do campeonato (possível, especialmente se aplicada apenas à equipe, dando a ela o consolo de manter Fernando Alonso vivo na briga pelo título)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

SEPARADOS NO NASCIMENTO: FLÁVIO BRIATORE E ERASMO CARLOS



Devidamente acompanhado da música: Minha Fama de Mau.

Esse post teve a dica do Rodrigo Moconauta, criação de A. ROQUE e apoio musical do Dr. Roque.

terça-feira, 14 de abril de 2009

JULGAMENTO, É HOJE!

O dia mais esperado da temporada 2009 da Fórmula 1 é hoje! Reunidos na sede da FIA, velhos amigos se reencontram para discutir uma pseudo polêmica, o tal dos difusores são legais?

Analisando o regulamento com um pouco mais de detalhe e deixando fluir as idéias, o difusor da Williams, Toyota e Brawn são legítimos. O porém é que fortes equipes estão protestando porque não tiveram a capacidade de interpretar tais artimanhas. E é ai que mora o perigo.

Antes de olhar para as deficiencias de seus projetos as equipes preferem protestar e acabar com as invenções das equipes rivais. Tendo isto como base, mesmo em uma época onde a técnologia avança num sentido de dar maior autonomia as pessoas, percebemos que faltam cérebros que detém raciocínios diferenciados sobre os mais diversos assuntos. Falta inteligência, falta Q.I.

É mais fácil gritar, espernear, chorar...mas, fazer um novo, inovar, buscar novos ideais, isso não é pra qualquer um.

Seja qual for a sentença do julgamento de hoje, temos um grande perdedor: a inovação humana.