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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Agosto: o mês das especulações malucas*

* Por Luis Fernando Ramos

Num espaço de três dias, o mercado de pilotos da Fórmula 1 virou de ponta-cabeça. À especulação de que Fernando Alonso estaria negociando com a Red Bull, surgem as de Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen negociando com a Ferrari. Como o colega alemão Michael Schmidt escreveu no site do “Auto Motor Und Sport”: só falta mesmo colocarem uma eventual volta de Michael Schumacher no meio destas especulações.

São rumores que já se sustentam apenas pela importância dos nomes que envolvem. Geram uma histeria nas pessoas que poucas param para pensar se realmente fazem sentido. Normalmente, não fazem. Na Fórmula 1, muita fumaça serve para divergir a atenção de onde realmente queima o fogo.

Quando um empresário é visto de maneira tão pública em um motorhome de outra equipe que não a de seu cliente, é normalmente uma manobra para distrair a plateia. Como um mágico que joga o holofote sobre sua mão direita, bem elevada para o público ver, enquanto que é na mão esquerda que ele esconde a carta marcada.

Se o empresário de Kimi Raikkonen foi visto conversando com a Ferrari, use a lógica. Ele jamais voltaria para o time que o mandou embora em 2009 quando ainda tinha um ano de contrato para cumprir. Mas se passar a impressão de que tem opções lá, pode pressionar as equipes com as quais realmente negocia para o ano que vem (Lotus e Red Bull) pelo melhor salário possível.

A lógica inversa também é válida. Depois que o empresário de Fernando Alonso foi passear na Red Bull, a Ferrari receber o empresário do finlandês ou o pai de Lewis Hamilton em Maranello serve, acima de tudo, para lembrar ao espanhol que o time tem apelo o suficiente para atrair outros grandes nomes se quiser substituí-lo.

O curioso: ninguém jamais viu uma conversa entre Sebastian Vettel e a chefia do time italiano. Fala-se que ocorreu, mas nunca foi uma cena pública. Então é justamente nisso que mais devemos apostar. Talvez não enquanto Alonso estiver por lá, mas assim que ele sair, eu colocaria meu dinheiro em Vettel para o seu lugar. Quase sempre no paddock, os grandes incêndios acontecem onde não há fumaça.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Central de boatos*

* Por Fábio Seixas

Raikkonen interessa à Ferrari. Hamilton esteve em Maranello. Alonso e a escuderia estão em crise. Massa vai renovar? Quem será o companheiro de Vettel? Para onde vai Hulkenberg?

Imaginem o que será o noticiário da F-1 neste período de férias de verão…

Rumores sobre o mercado fazem parte da categoria tais quais pneus e motores. E muito mais dos que pneus e motores, explodem, viram fumaça, mostram-se pouco confiáveis.

É uma tradição, com razão econômica: parte da imprensa especializada vive desses boatos em períodos sem corrida. Histórias assim vendem revistas, geram cliques. E se é verdade que a imprensa europeia é bastante técnica ao falar de F-1, também é que se confunde com os tabloides, sem pudor de decretar como verdade os boatos mais absurdos.

Um causo pessoal exemplifica bem essa falta de rigor.

Aconteceu em 2001, na Malásia. No carro, no trajeto entre a capital, Kuala Lumpur, e o autódromo de Sepang, o amigo Flavio Gomes e eu conversávamos sobre a falta de notícias naquele final de semana.

O campeonato estava começando, Schumacher vinha ganhando tudo de novo, não havia muito assunto para escrever.

Começamos então a imaginar uma situação. Dias antes, o alemão havia elogiado a Sauber. Ele tinha uma velha ligação com a equipe, por onde correu no Mundial de Protótipos. Àquela época, já se especulava sobre sua aposentadoria. Ele morava na Suíça, dinheiro não era problema…

Chegamos ao autódromo e havia uma entrevista coletiva. Ao entrar na sala cheia de repórteres, Gomes bradou um “Schumacher vai comprar a Sauber”. Óbvia brincadeira.

A entrevista aconteceu, cada um foi caçar suas matérias pelo paddock, tudo correu normalmente. A Folha do dia seguinte trouxe uma reportagem sobre Frentzen acusando a Ferrari de usar controle de tração.

À noite, quando já nos preparávamos para ir embora do autódromo, fomos abordados por um jornalista italiano.

“Escuta, o que mais vocês sabem dessa história do Schumacher comprando a Sauber?”

“Nada”, respondemos. “Isso não existe.”

“Cazzo, já mandei uma página sobre isso para o jornal”, ele retrucou, menos abalado por ter escrito uma cascata do que por não ter mais subsídios para sustentá-la nos dias seguintes.

Não foi o único. Muitos outros, sem a menor preocupação em checar, mandaram bala na “história”.

Tão inacreditável quanto isso foi o que aconteceu no dia seguinte. Repórteres abordaram Willi Weber, empresário de Schumacher. Macaco velho nessa engrenagem de rumores, ele não titubeou: confirmou.

Virou “verdade”. E dane-se que não tenha ido pra frente. É tal a avalanche de boatos que as pessoas se esquecem daqueles de duas semanas atrás. Como surgem, somem. Do nada.

Lembrem-se disso nas próximas semanas.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tira, põe, deixa ficar*

* Por Fábio Seixas

Nesses anos acompanhando F-1, acho que nunca vi uma “silly season” tão “silly” quanto esta.

Porque os sinais estão muito difusos.

Muita coisa pode significar algo como pode também não significar nada.

Os fatos: há uma vaga na Red Bull para 2014, Ricciardo foi bem nos testes de Silverstone, o contrato de Raikkonen com a Lotus termina no fim do ano, Ferrari e Alonso se estranharam publicamente, Massa está devendo, Hulkenberg tem o emprego ameaçado.

As pistas: o empresário de Alonso foi conversar com Horner na Red Bull (mas disse que estava tratando de outro piloto, Sainz Jr., o que tem coerência), Raikkonen declarou que sua decisão será considerada “estúpida” por muita gente e, agora, o “La Repubblica” escreve que o pai de Hamilton esteve em Maranello.

O que eu acho?

Hoje (vejam bem, hoje, 31 de julho de 2013), acho que Hamilton, Raikkonen e Alonso ficam onde estão. Imagino que Hulkenberg seja uma ameaça para Massa caso o brasileiro não reaja até Monza. E vejo Ricciardo como companheiro de Vettel no ano que vem.

Mas que seria divertido um troca-troca ali na ponta, isso seria…