terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quando acreditar é preciso*

* Por Luis Fernando Ramos



Felipe Massa se divertiu como um garoto em Madonna di Campiglio. Esquiou bastante, fez bagunça com os amigos em seu hotel e riu bastante com as brincadeiras na festa de encerramento. Mais importante que tudo isso, esteve bastante relaxado e animado na coletiva de imprensa. Há anos não se via o brasileiro assim neste evento.

Ainda não sabemos o quão competitivo será o carro da Ferrari, embora o cenário sugere um início melhor para o time do que o que tiveram no ano passado. De qualquer forma, não há porque se espantar com ele acreditando na possibilidade de lutar por vitórias ou pelo título. Não é uma questão concreta, é algo necessário para que ele esteja capaz de pilotar com cem por cento de sua capacidade.

Como ele deixou claro falando em inglês, em italiano e em português durante o evento, o maior problema sofrido no ano passado foi a espiral negativa que ele entrou. Em meio a especulações sob seu futuro e em cima de seus péssimos resultados - depois de anos anos sem brilho - o próprio brasileiro colocou em questão sua capacidade de ser competitivo. É o maior veneno que um esportista pode provar.

Massa trabalhou internamente para reverter isso, buscando relaxar e aproveitar o fato de fazer o que mais gosta, de curtir o prazer de ser um piloto de corridas na Fórmula 1. A bola de neve que descia a montanha, como que num milagre, começou a subir. Cada boa corrida lhe deixava um pouco mais forte, cada bom resultado o fortalecia. O que culminou em grandes apresentações no final do ano. Se você gravou, reveja na íntegra os GPs dos Estados Unidos e do Brasil e repare em cada detalhe da prova dele.

Assim, se Massa diz que pode brigar pelo título, é algo que ele diz acima de tudo para ele mesmo. Acreditar na possibilidade disso acontecer é preciso para que ele chegue na Austrália com a chama da competição queimando forte. Se ele entrasse dizendo que não teria chances com um fenômeno como Fernando Alonso na mesma equipe, que tentaria no máximo uma ou outra vitória, já começaria o ano dando o primeiro passo para uma nova espiral negativa. Concordemos ou não com o prognóstico pessoal do brasileiro, é preciso reconhecer que ele acerta em buscar a atitude mental correta para iniciar a temporada na sua melhor forma. É o que todos esperamos de cada um dos pilotos do grid.

MINIATURAS DO ROQUE: WILLIAMS FW33 (RUBENS BARRICHELLO)




CLASSIC PHOTO: ALAIN PROST (GP MÔNACO, 1985)


Desafio Internacional das Estrelas – Primeira Vez*

* Por Débora Longen


Vários amigos tinham manifestado vontade de ir, alguns até planejaram a viagem, mas, por fim, ficamos novamente só eu, o amigo-irmão Fernando e o meu irmão de verdade, que tem marcado presença em vários eventos de automobilismo. Talvez ele esteja começando a entender meu amor por corridas. Ou talvez esteja só me seguindo, tipo um cachorro fiel.

Apesar de morar mais ou menos perto, não sou uma frequentadora assídua do Parque Beto Carrero. Só fui lá uma vez quando era criança e uma em dezembro, nas 500 milhas de kart. Mas não era o suficiente pra eu saber como chegar, então obriguei meu hóspede a ser também meu motorista e guia.

No sábado, dia 12, esperava o Fernando pra almoçar, mas o fidapu chegou só na hora do café da tarde. Partimos de Blumenau rumo a Penha umas 17h40 e chegamos ao kartódromo por volta das 18h20, já durante o treino de classificação. Não foi difícil encontrar o local, nem retirar os ingressos, mas os quase 30 reais por dia no estacionamento doeram no nosso bolso.

Chegando lá, ficamos na arquibancada geral, por ali na Curva da Vitória, pelo menos até que acabasse o Top Qualify. Já estava começando o grupo 2 quando arrumamos nosso lugar junto à grade, pertinho da entrada dos boxes. Cada vez que o Alonso passava, gritávamos “Where is Newey?” ou “Tadinho, tá com o pior kart dos últimos vinte anos!”, e, quando soubemos que o Massa ia largar à frente do espanhol na primeira corrida, ficamos gritando pra ele romper o lacre de novo (GP dos EUA - 2012). Não só nós; todos ali em volta gritavam elogios pro asturiano mais querido do mundo. Cheguei à conclusão de que, não importa se você é fã do Alonso ou não, a presença dele em um evento meio que obriga você a xingá-lo. É irresistível.

Depois do treino, começou a exibição do Freestyle Motocross, aqueles doidos que saltam com suas motos por cima de obstáculos (inclusive humanos, que devem ter se cagado na hora). Mas, mesmo com o locutor todo animadinho tentando puxar gritos na torcida, eu queria ver mesmo era kart correndo.

Depois do show de motos, o narrador no kartódromo começou a entrevistar alguns pilotos, tanto do Desafio das Estrelas quanto da Corrida dos Artistas, que seria dali a poucos instantes. A um certo ponto da brincadeira, flagrou o tal Fernando Alonso apontando a câmera do celular pra uma das arquibancadas. Perguntado sobre o que estava fazendo, o espanhol simplesmente respondeu: “Fotos de mulheres!”. Aí virou bagunça... as meninas do kartódromo inteiro começaram a gritar como se tivessem visto baratas gigantes, mutantes e voadoras. Uma das moças fotografadas foi localizada e teve seus trinta segundos de fama. E não era eu. Até porque o Lonso sabe onde me encontrar quando me quiser – pronto, falei.

Houve a cerimônia de abertura, com declaração de autoridades e hino nacional entoado pelo Mauricio Manieri, que, logo depois, participou da primeira corrida com os artistas. Um negócio meio muito amador, com muitos erros e ultrapassagens. Pra gente dar risada, era ótimo, e já servia como aquecimento pra prova que viria depois.

Antes da primeira prova do Desafio, aconteceu o Drive Parade, o desfile dos pilotos pelo kartódromo. Esperava todos juntos em carro aberto, como na F1, mas foi bem mais legal. Vieram de moto, um a um, passando pela gente, parando pras fotos, se exibindo, permitindo que cada piloto recebesse o apoio da galera, individualmente. Isso significa, claro, que usamos essa oportunidade pra xingar mais o Alonso, puxando o tradicional grito de “Alonso, viado!”, que tomou conta da arquibancada. Aliás, o espanhol foi um dos poucos que dividiu moto com outro piloto – veio NA GARUPA do Massa, o que rendeu ainda mais risos e elogios. Agora sim era a chance perfeita pra ele romper o lacre, se é que vocês me entendem.

A corrida foi muito foda, cheia de alternativas, e mostrando Jules Bianchi como o ótimo kartista que eu já sabia que ele era. Na última edição do Desafio, o francês só não foi campeão porque foi desclassificado da segunda bateria, onde não atingiu o peso mínimo do kart. Esse ano, com Di Grassi e Liuzzi, formou um podium muito digno. Enquanto isso, mais lá pro meio do grid, Alonso aprontava das suas. Cortou caminho, empurrou todo mundo, só faltou bater na Big Tower. Felizmente, não somou ponto nenhum, ao contrário do Massa, que chegou em 10º.

Depois do podium, fomos até a saída tentar ver algum piloto. Dizem os enxergadores que Koba-san e Alguersuari passaram perto da gente, mas, sacumé, escuro, multidão, eu mal conseguia ver meu irmãozinho. Enquanto ficávamos por lá, em vigília, um carinha da organização do evento começou a conversar com a gente e nos orientou a chegar lá muito cedo no dia seguinte; era a melhor forma de conseguir uma foto. Acatamos a ideia, desistindo de ficar ali, até porque não tivemos resultado nenhum mesmo.

Em casa, mais tarde, teve a ocorrência da pizza de calabresa, mas não quero comentar, senão eu choro.

Domingo, 5h da manhã, já estávamos de pé. Chegamos ao kartódromo por volta das 6h30 – e teria sido antes se não fosse a necessidade de achar um posto de gasolina aberto em Blumenau àquelas horas. Novamente no Beto Carrero, novamente na entrada, montando guarda, mas dessa vez sozinhos e podendo contar com a luz do sol. O problema é que o evento é organizado pelo tal Felipe Massa, então, todo estrelismo era pouco. Os pilotos vinham todos de helicópteros, vans ou carros fechados.

O ÚNICO que entrou a pé, passando por nós, foi o Luciano Burti, que, com isso, subiu muito no meu conceito. Sempre disseram que ele é muito metidinho (e que ficou pior depois que se tornou comentarista da Globo), mas o cara foi super querido com a gente, não negou atenção nem foto. Uma pena ele ter se dado mal nas duas corridas. Amigo meu tem que se dar bem, ora, tenho uma reputação a manter. Fica ligado aí, Lu.

Outro simpático – mas esse é sempre, já é famoso por ser gente fina – foi o Pizzonia. Dos que entraram de carro, SÓ ELE abriu o vidro e deixou a gente tirar umas fotos. Aposto que, se não estivesse atrasado, ele pararia o carro pra fotografar com a galera.

Dos demais, nem sinal. Um ser disse que o Alonso autografou a camiseta dele, mas no dia anterior. Outro conseguiu uma foto do Massa, saindo do helicóptero... mas, sinceramente, o língua-presa era um dos únicos que eu NÃO fazia questão de eternizar na minha câmera.

Alguns minutos antes do Warm-Up (ou Armape, no dialeto do locutor), fomos pra arquibancada e não saímos mais de lá até o fim do Desafio. Não tem muito o que contar sobre os eventos de domingo, porque a programação foi a mesma de sábado – inclusive com mais um Drive Parade pra gente brincar. Só há dois pontos a ressaltar:

- A marmelada descarada da “filial catarinense da FIA”. No sábado, tínhamos pensado que a organização não teria visto ou teria se fingido de cega em relação ao corte de caminho do Alonso. Mas, logo no começo do Warm-Up, se justificaram dizendo que “o incidente foi anulado porque o piloto se justificou dizendo estar tentando evitar uma colisão”. A pergunta é: colisão COM QUEM? Ele já tinha se tocado com outro kart no começo da volta, não havia mais ninguém ali, nem à frente e nem atrás do espanhol. E, pelos cálculos “de olho” do Fernando, o cara teria ganho pelo menos uns oito segundos com o atalho. A única explicação é que ele ficou com medo de passar muito perto da montanha-russa e colidir com ela.

- A babaquice da organização no domingo, de não deixar a gente ficar de pé, escorado nas grades de proteção. Tinha muita gente lá, tava praticamente lotado nos dois dias, e, no sábado, as grades ficaram CHEIAS de gente em pé, filmando e fotografando durante a corrida, inclusive nós. E ninguém tinha reclamado de absolutamente nada. E de repente, no domingo, vêm os hômi e mandam a gente sentar e ficar, igual cachorro.

Justificativa? “Vocês, ficando aqui, atrapalham a visão de quem está mais acima”. Primeiro que isso é mentira. Se atrapalhasse, alguém teria falado no sábado. Segundo, estando sentadinhos no primeiro degrau, a visão que ficou atrapalhada foi a nossa. Terceiro, ver uma corrida sem poder se mexer tira todo o tesão da coisa. O que pensamos foi que, pelo fato de a corrida de domingo ser transmitida pelo Plim-plim, eles quisessem passar uma imagem de organização. Mas isso também não faz sentido, ora. Uma corrida em que as pessoas ficam sentadas quietinhas é porque está muito chata, o que não era o caso do Desafio, mas era o que ia parecer na TV. Ou seja, sem explicações, bola fora total. Mas claro que não respeitamos isso ao pé da letra, conseguindo escapar pra grade vez ou outra.

Tirando esse contratempo, a prova foi ótima. O Alonso cometendo mais e mais erros (todos pensamos que ele seria super fodão no kart), vitória do promissoríssimo (?) Nasr, com Nelsinho e Beto Monteiro formando um podium todo brazuca, e Bianchi sendo campeão muito merecidamente com o 4º lugar. Massa foi o oitavo. Um mito, como sempre.

De modo geral, curti demais o evento. O custo-benefício vale muito a pena, a estrutura é legal, a arquibancada fica lotada de gente e, como já postei uma vez em algum lugar, nunca vi uma corrida de kart ser RUIM. Portanto, já convido vocês pro próximo Desafio, mesmo ele ainda não tendo data. Vamo que vamo!

P.S: Achei um site onde estão disponíveis as transmissões inteiras do Desafio, com a narração lá do kartódromo mesmo, contendo tudo o que falei no texto - http://www.brmtv.com.br/ - Vá em “Videos gravados” e escolha.

P.S.2: Perdoem este gato folgado pela demora com o texto. O fato é que, felizmente, minha semana passada foi CORRIDA :D


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

SENNA ESPECIAL: GP BÉLGICA, 1988


Equipes enfrentam o maior desafio de sua história*


* Por Lívio Oricchio

O desafio das 11 equipes de Fórmula 1, este ano, é um dos maiores da história da competição. Para Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, é impossível falar apenas do campeonato que vai começar dia 17 de março na Austrália. “Este ano devemos pensar sempre em 2013 e 2014, por causa da profunda mudança que teremos no regulamento”, afirmou o italiano ontem, em Madonna di Campiglio, Itália, no primeiro evento da Fórmula 1 este ano, debaixo de uma nevasca que se estende já por três dias.

“Há um grupo trabalhando no modelo deste ano e outro no de 2014. Precisaremos saber muito bem a hora de interromper o desenvolvimento do carro deste ano”, explicou. “Tudo isso com importante limitação de investimentos, também imposto pela regra.” A competência dos engenheiros e dos diretores na gestão da escuderia determinarão quem vai andar na frente a partir de 2014. O fator humano pesará muito. “Estabelecemos prazos para tudo e não será fácil respeitá-los. O não cumprimento implicará pagar preços bem elevados em termos de desempenho e a retomada do rumo irá demorar, pois os adversários seguirão em frente.”

Os motores atuais, V-8 aspirados de 2,4 litros, serão substituídos pelos V-6 Turbo de 1,6 litro, além de os projetistas poderem explorar muito menos a aerodinâmica como fonte de desempenho. “Não faz sentido você depender de 90% da aerodinâmica para ser eficiente, como hoje. Em 2014 os motores passarão a ter um peso bem maior e a aerodinâmica, menor. É um bem para a Fórmula 1.”

A exemplo de outros diretores, Domenicali não aceita que os modelos de 2014 possam ir para a pista pela primeira vez apenas em fevereiro da próxima temporada. “Corremos o risco de colocarmos nossos carros no autódromo com motor novo, turbo em vez de aspirado, e com aerodinâmica completamente nova, imposta pelo regulamento, e termos de desenvolver tudo nos breves testes do mês. Não é possível. Vamos nos reunir para discutir a questão. Precisamos treinar mais.” Vale lembrar ainda que apesar de a tecnologia dos motores ser nova em 2014 – o último ano do motor turbo na Fórmula 1 foi em 1988 – serão permitidos apenas cinco unidades por piloto por ano. Hoje são oito. É um imenso desafio para os fabricantes de motores também.

A Ferrari oficializou a data de 1.º de fevereiro para o lançamento do modelo deste ano, cuja identificação é desconhecida. A Fórmula 1 é supersticiosa, tanto que ninguém corre com o número 13. Por essa razão acredita-se que o monoposto de Fernando Alonso e Felipe Massa não terá o ano de fabricação, como o do ano passado, F2012. O primeiro teste está programado para o período de 5 a 8 de fevereiro, em Jerez de la Frontera, na Espanha.

O diretor da Ferrari adiantou que o modelo concebido pelo grupo de técnicos coordenado pelo grego Nikolas Tombazis não terá nada de revolucionário, como o de 2012. “Penso que todos os times vão se concentrar no uso do terminal de escape para gerar pressão aerodinâmica, a exemplo do ano passado. Mas diante da manutenção do regulamento veremos mais refinamentos das soluções de 2012 que grandes novidades propriamente.”

Por a Ferrari não partir para nada revolucionário, como com o F2012, Domenicali acredita que Alonso e Massa poderão ser competitivos desde a abertura do Mundial. Faz sentido, para o italiano, se acreditar que nessa fase a disputa se limite a Red Bull, campeã dos três últimos anos, e Ferrari. Os motivos são o enfraquecimento da McLaren, com a transferência de Lewis Hamilton para a Mercedes, a defasagem técnica da Mercedes para Red Bull e Ferrari e ainda o caminho que a Lotus tem a percorrer para ser candidata ao título.

“Na teoria deverá ser assim, nós e a Red Bull, mas a prudência recomenda não descartar ninguém da concorrência, há gente igualmente capaz e surpresas também sempre acontecem”, lembra Domenicali. Para ajudar a Ferrari se desenvolver na área dos simuladores, Pedro de la Rosa, prestes a completar 42 anos, titular da extinta HRT no ano passado, foi confirmado, ontem, como piloto de testes. “Ele tem larga experiência nos simuladores da McLaren”, justificou o italiano, embora deva existir aí também o dedo de Alonso, espanhol como Pedro.

O bom desempenho de Massa na segunda metade do último campeonato não preocupa Domenicali, no sentido de este ano haver luta com Alonso. “O momento mais difícil da carreira de Felipe ficou para trás. Penso que ele será um estímulo para Fernando, não uma fonte de desgaste.” Desestabilização seria colocar Alonso e Sebastian Vettel juntos. “Mais danoso que positivo”, afirma o diretor da Ferrari. Hoje é a vez de Alonso e Massa conversarem com os jornalistas.

GRID GIRLS: FORMULA 1 (TEAM LOTUS, 1973)


2013: um ano para premiar a organização*

* Por Luis Fernando Ramos


Um dos temas mais interessantes da entrevista coletiva de Stefano Domenicali ontem em Madonna di Campiglio foi falando sobre o trabalho no desenvolvimento do carro deste ano ao longo da temporada. Como a Fórmula 1 se prepara para uma grande mudança técnica em 2014 com a adoção dos motores de seis cilindros, os times vão precisar centrar mais recursos humanos e financeiros nos carros desta nova Era. Assim, os modelos de 2013 serão trabalhados no máximo até o meio do ano, quando a tendência é deixá-los de lado e pensar apenas nos desafios dos V6.

Mas o que vai acontecer se tivermos novamente uma temporada equilibrada? Um time vai abrir mão dessa disputa por um título para pensar exclusivamente no futuro? É uma equação complicada de resolver. Para se ter uma ideia, a Red Bull admite que não deve ter o carro novo pronto na primeira semana de testes deste ano porque gastou muito tempo desenvolvendo o carro do ano passado para prevalecer na briga com a Ferrari. Até que o prejuízo não é muito grande, pois os regulamentos técnicos dos dois anos são quase idênticos. Mas o carro do ano que vem será completamente diferente.

Assim, as chances maiores de sucesso ficam com os times mais organizados. Não é o caso da Ferrari, que além de usar um túnel de vento na Alemanha por não ter o próprio está com uma turma praticamente nova de engenheiros do setor aerodinâmico para trabalhar pensando no modelo de 2014. Também não é o caso da Red Bull, cujo atraso no modelo deste ano mostra que Newey precisa se concentrar em um projeto de cada vez para obter os melhores resultados possíveis. Pode ser a chance da McLaren, uma equipe com uma ótima fábrica e um competente grupo de engenheiros - com exceção da Red Bull, foi com folga o time que mais corridas venceu nos últimos quatro anos. Resta saber Jenson Button vai se sair no papel de líder do time.

Fim da linha para Glock na Marussia*

* Por Rodrigo Mattar


Sob a justificativa de que vai assumir “novos desafios” na carreira de piloto, o alemão Timo Glock está de saída da equipe Marussia de Fórmula 1. A ruptura de contrato, após três anos, foi feita “amigavelmente”, segundo a imprensa alemã.


O piloto de 30 anos estaria de olho numa das sete vagas ainda restantes no Deutsche Tourenwagen Masters, o DTM. Apesar de muita gente – o blogueiro aqui inclusive – ter cacifado que a BMW escolheu Jaime Alguersuari para a oitava e última vaga para piloto do construtor de Munique, o rompimento de Glock com a Marussia abre a possibilidade de uma reviravolta nesta negociação. Mas ainda há Audi com uma vaga sobrando e Mercedes-Benz com nada menos que cinco assentos disponíveis para 2013. Opções não faltam.

Fica evidente, também, que a situação de Glock na Fórmula 1 beirou o insustentável pois, sendo um piloto que recebe para correr numa escuderia pequena, talvez a Marussia não tivesse lhe dado suficientes garantias de que o lugar de piloto titular seria dele durante todo o campeonato.

O time de origem britânica e hoje controlado pelos russos vai, provavelmente, se socorrer de outro pay driver para a vaga deixada em aberto por Timo Glock. Max Chilton, egresso da GP2 Series, já assinou levando uma maleta varada de libras da AON, empresa de propriedade da família do piloto britânico. A princípio, os pilotos que mais aparecem com chances de tentar essa vaga que surgiu de forma inesperada também negociam com outra escuderia, no caso a Caterham: são o russo Vitaly Petrov e o brasileiro Luiz Razia.

A ver.

domingo, 20 de janeiro de 2013

DAKAR 2013: OS CAMPEÕES

CARROS: Stéphane Peterhansel / Jean-Paul Cottret (França) - Mini - 38:32:39
MOTOS: Cyril Després (França) - KTM - 43:24:22
QUADRICICLOS: Marcos Patronelli (Argentina) - Yamaha - 49:42:42
CAMINHÕES: Eduard Nikolaev / Sergey Savostin / Vladimir Rybakov (Rússia) - Kamaz - 39:41:43

DAKAR 2013: ETAPA 14 (ÚLTIMA)

Resumo da etapa 14, última (19/01/2013):
La Serena (Chile) --> Santiago (Chile)

sábado, 19 de janeiro de 2013

DAKAR 2013: ETAPA 13

Resumo da etapa 13, penúltima (19/01/2013):
Copiapó (Chile) --> La Serena (Chile)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SENNA ESPECIAL: A LARGADA ESPETACULAR - GP CANADÁ, 1993

F-INDY: The Offseason - Episode 5

BELLUCCI NÃO É BARRICHELLO*

* Por Victor Martins


À derrota que muitos julgavam inesperada na última segunda-feira na primeira rodada do Aberto da Austrália para o esloveno Blaž Kavčič, que merece todos os acentos do mundo em seu nome, muitas gentes trataram de procurar outros adjetivos para Thomaz Bellucci e sua carreira que teima em não passar da terceira marcha. No afã, compararam-no ao pobre Rubens Barrichello, ali quieto, esperando só as temporadas da F1 e da Stock Car começarem. “É o Barrichello do tênis”, simplesmente definiram, para apreciação de alguns.

Mas não. Nem de longe. É até espantoso que se faça tal paralelo, por mais compreensível que se apeguem aos rótulos dados a Rubens nas quase duas décadas de serviços prestados à F1, da pecha que carrega de não ter sido primeiro e tal.

A relação tênis/automobilismo talvez seja injusta, visto que o segundo depende inteiramente de um conjunto de fatores, sobretudo de uma equipe. Mas como foi feita, faz-se necessário romper os laços do que cada um representa a seu esporte.

Há neles a idolatria de dois gênios, Gustavo Kuerten de um lado, Ayrton Senna de outro. Não só os esportistas supracitados, mas todos os brasileiros que vierem depois deles sofrerão a pressão de serem no mínimo do mesmo nível daqueles que alcançaram a glória. Nesta linha, o debate sobre Barrichello é bem conhecido – aceitar a posição de novo herói nacional e acreditar no engano, muito embora tenha sido um dos grandes do período pós-Senna. Ao mesmo tempo, é uma grande verdade quando se olha para a história e se observa que Rubens é um dos vices que merecia sair da F1 como campeão. Seu azar foi ser contemporâneo e companheiro de Michael Schumacher.

Bellucci começa em 2013, segundo o site oficial, seu nono ano como profissional do circuito do tênis. Nesta trajetória, alcançou o posto de 21º do ranking – hoje ocupa a 33º posição – e ganhou três títulos. Seu número de derrotas é quase igual ao de vitórias (112-107) – em termos de comparação, Guga apresenta no currículo 358-195. Para muitos, ser o 21º ou o 33º é um feito e tanto. São universos distintos, é bom ressaltar de novo, mas é como ser o nono ou décimo melhor piloto da F1 atual. É um feito?

E um outro ponto: ranking engana. Ou alguém realmente leva a sério essas listas mensais entre seleções da Fifa, por exemplo? Hoje, segundo esta, o Brasil é o 18º futebol do mundo. O que não é verdade. Da mesma forma, Bellucci não foi o 21º melhor tenista.

Na comparação intraesportiva, Barrichello bateu Schumacher algumas vezes e pode-se dizer que não havia um abismo de diferença entre ambos. Bellucci, com o tênis que joga, dificilmente vai vencer Novak Djoković, Roger Federer, Rafael Nadal ou Andy Murray, os quatro melhores da raquete. A diferença é colossal. E com oito ou nove anos de estrada, já era para Thomaz ter despontado. Nenhum fora-de-série demora tanto tempo para se mostrar.

Se Bellucci engata uma sequência de vitórias e bons resultados, logo trata de cair facilmente num torneio qualquer. Nesse sentido, sim, assemelha-se a Barrichello, que nunca foi dos pilotos mais constantes em termos de bons resultados. E um outro fator que os aproxima é o psicológico. De resto, não há como colocar Bellucci e Barrichello no mesmo patamar.

É injusto demais com Rubens.

Maneiras de olhar a Fórmula 1*

* Por Luis Fernando Ramos


Quando você diz que adora a Fórmula 1 e seu filho pequeno lhe pergunta o que é isso, o que você responde: corrida de carros ou corrida de pilotos? É sempre a primeira opção, é algo que está no nome do esporte: automobilismo.

Este preâmbulo está aqui para falar um pouco de algumas inexistentes “polêmicas” que li à luz da entrevista coletiva de Fernando Alonso que ocorreu hoje aqui em Madonna di Campiglio. Foi uma agradável meia hora de um espanhol bem-humorado, um contraste total do Alonso carrancudo que se apresentou aqui no evento do ano passado.

O ponto de discussão foi quando novamente lhe perguntaram da sua afirmação de que Lewis Hamilton é o melhor piloto da Fórmula 1 atualmente. Algo que ele reafirmou com uma explicação perfeita, mas que as manchetes acabam tirando do contexto - e a grande maioria das pessoas tem a mania de ler apenas manchetes e se sentir informada.

Leia o que disse Alonso, palavra por palavra. “Não sei quem será meu principal adversário neste ano. Será aquele que tiver fatores gerais mais fortes ao longo do ano: carro, equipe, preparação, sorte. Isto determinará quem será este adversário. À pergunta de, não quem é o adversário mais forte, mas quem é o piloto mais forte, a resposta para mim é Hamilton. Era assim o ano passado e continua sendo este ano. É minha opinião pessoal”.

Não há nada de polêmico nisso. Se as pessoas parassem para pensar, Alonso conhece Hamilton muito mais do que conhece a Sebastian Vettel. Trabalhou ao lado do inglês em 2007 e comeu o pão que o diabo amassou para correr no mesmo nível de um garoto que estreava na Fórmula 1. Ao afirmar isto, reconhece as qualidades deste piloto e, de maneira nenhuma, diminui o valor daquele que venceu os três últimos títulos mundiais, o alemão Sebastian Vettel. E a análise do espanhol sobre os “fatores gerais” é um quadro perfeito de toda a complexidade que envolve o lado esportivo da Fórmula 1 e que muita gente adora esquecer, embarcando na discussão barata de que piloto X é melhor que Y sem levar em conta todo o conjunto em torno deles.

Em cima disso, achei que Alonso escorregou nesta afirmação. “Vettel foi muito bem nos últimos três anos, foi brilhante em algumas ocasiões e mereceu seus títulos, mas o carro o ajudou”. É claro que ajudou, Fernando. É corrida de carros! E enquanto eles não forem para a pista para os primeiros testes, que é quando a gente vai começar a entender todos os fatores que formarão o campeão deste ano - como os novos compostos de pneus se comportam, quais as novas tendências aerodinâmicas, quais variantes estratégias a limitação de uso do DRS na classificação vai empregar, enfim, toda esta complexidade que torna a F-1 tão apaixonante para quem se dispõe a entendê-las ao máximo - toda essa discussão de piloto X é melhor que Y só serve mesmo para encher linguiça.


CLASSIC PHOTO: BRITISH GP (BRANDS HATCH, 1967)


Alonso e Massa, otimismo em dose dupla*

* Por Lívio Oricchio




Apesar de ter sido vice-campeão no ano passado, com três pontos a menos do campeão, Sebastian Vettel, da Red Bull, Fernando Alonso foi eleito quase por unanimidade na Fórmula 1 como “o melhor piloto da temporada”. Ontem em Madonna di Campiglio, na Itália, na primeira entrevista do ano, o espanhol da Ferrari afirmou sobre o que espera do início do campeonato programado para começar dia 17 de março na Austrália: “É impossível que seja tão ruim quanto 2012, quando iniciamos o ano 1,5 ou 2 segundos mais lentos, um recorde. Portanto, estou confiante”.

Seu companheiro de equipe, Felipe Massa, também teve um discurso otimista, depois de equilibrar a disputa com Alonso nas provas finais de 2012. “Se acontecer de novo de as coisas não saírem como o planejado as consequências serão outras. Estou mais bem preparado”, disse.

Em 2012, Massa foi até buscar ajuda profissional para fortalecer-se emocionalmente, mas o carro da Ferrari era muito desequilibrado. Apesar das dificuldades, Alonso conseguia tirar ainda alguma velocidade do F2012. Já Massa, não. Isso o lançou num drama, por tudo seguir caminho oposto ao esperado. “Eu passei a viver aquela negatividade toda e ia para as corridas com esse espírito, não havia mesmo como funcionar”, explicou, ontem. Para a RAI Rádio, respondeu ao ser questionado sobre se pensou em parar de correr: “Sim”. Ao Estado, afirmou: “Agora quero lutar pelo título. Já fiz isso no passado e não esqueci como se faz.”

Alonso explicou que se sente mais confiante por várias razões: “Passamos a usar o túnel de vento da Toyota, na Alemanha. As indicações do nosso não correspondiam com o resultado nas pistas. E trouxemos gente nova também para o setor aerodinâmico, uma necessidade”. Até a metade de 2012, o grego Nikolas Tombazis acumulava a função de desenhista-chefe com a responsabilidade de coordenar os estudos no túnel de vento. A Ferrari contratou, então, o inglês de origem grega Ben Agathangelou, da Red Bull, e no fim do ano o experiente francês Loic Bigois, egresso da Mercedes.

Para justificar sua expectativa elevada este ano Alonso lembrou ainda a manutenção do regulamento. “Tudo deverá seguir, agora, um curso mais ou menos normal.” A Ferrari incorporou conceitos revolucionários no modelo de 2012 e até desenvolvê-los foi preciso meio campeonato, o que não é o caso este ano, por o novo carro ser a evolução do que terminou o último Mundial.

A exemplo de Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, Alonso acredita que este ano a exploração dos gases de escape para a geração de pressão aerodinâmica será ainda onde os técnicos poderão fazer o carro ser mais ou menos rápido. “Essencialmente foi o que mudou o comportamento do F2012 e agora não será diferente.”

Diferentemente do primeiro encontro com os jornalistas no ano passado, Alonso ontem estava alegre, brincalhão. Explicou o porquê: “Agora sou eu que informo, no twitter, onde estou, o que faço. Passei o Natal em casa, em Oviedo, depois vim esquiar aqui perto e viajei à Rússia. Tudo contado por mim”. Em 2012, lembrou, “escreveram que eu estava na Lua, com um elefante, e no Quênia com Obama. Este ano não inventaram nada da minha vida pessoal.”

Mais uma vez elogiou o ex-companheiro de McLaren, em 2007, Lewis Hamilton: “Nosso maior adversário conheceremos na Austrália. O piloto mais forte, no entanto, já é conhecido, Lewis Hamilton. Deve ganhar algumas corrida este ano com a Mercedes”.

Alonso tem se mostrado nesses três anos com Massa na Ferrari um piloto bem mais completo. Mas no fim do ano passado foi surpreendido com a evolução do companheiro, que chegou a andar na sua frente. É esse Massa que começa a temporada, segundo ele próprio. “A mudança começou nas férias de agosto. Fiquei em casa (em São Paulo), com minha esposa, meu filho, refleti muito sobre o que se passava”, contou, ontem.

“Quando o campeonato recomeçou, voltei a sentir prazer de pilotar e quando você faz algo com vontade, gana, tudo muda.” A respeito da causa da impressionante queda de desempenho, disse: “Não sei, ficou para trás. Será importante, agora, iniciar bem o campeonato para toda a equipe te ajudar, é assim que as coisas funcionam na Ferrari”. Massa e Alonso vão estar no lançamento do modelo de 2013 dia 1.º em Maranello, sede da escuderia, e depois, de 5 a 8, vão treinar em Jerez de la Frontera, na Espanha.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DAKAR 2013: ETAPA 12

Resumo da etapa 12 (17/01/2013):
Fiambalá (Argentina) --> Copiapó (Chile)

SENNA ESPECIAL: MCLAREN TEST, 1983